Perante o risco da perda de maioria pelo PS…
Presidenciáveis e o momento
Todos os candidatos que estão no terreno foram questionados sobre o que fariam, na situação presente, se fossem presidentes. De Henrique Neto, Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa ficamos a saber que “ah e tal, é preciso decidir, patati-patatá, o país e os portugueses e as portuguesas, a bem dizer, isto é muito importante e tal e coisa”. Mais palavra menos palavra. Edgar Silva e Sampaio da Nóvoa responderam que, nesta situação não teriam dúvidas e indigitariam António Costa como 1º ministro. Bom, já temos dois candidatos que sabem e que querem, o que devem e não têm problemas em tornar pública a sua posição sem calculismo nem conversa de inconseguimento.
Decisão
Cavaco Silva olhou para os problemas que tem pela frente. O país precisava de uma rápida decisão. Era a hora do Presidente! Endireitou-se, pigarreou e, com ar decidido, passou à acção: fugiu para a Madeira.
Uma perguntinha singela: em 2011 conhecia-se o acordo entre o PSD e o CDS
quando se coligaram depois das eleições para poderem governar?
Era só.
Democracia Representativa: ouviram falar?

Entendo que se torna urgente explicar ao sector revolucionário da direita que (ainda) vivemos num sistema de Democracia Representativa que, muito resumidamente, funciona assim:
1. Os cidadãos votam para eleger os seus representantes (deputados) em quem delegam o poder;
2. Os representantes eleitos são responsáveis por tomar decisões em nome desses mesmos cidadãos;
3. A maioria dos deputados corresponde, por conseguinte, à maioria dos cidadãos que participaram no sufrágio. [Read more…]
Professor de História para a próxima universidade de Verão da JSD precisa-se!

A JSD, um dos “braços armados” do PàF nas redes sociais, decidiu fazer uma montagem para instigar ainda mais medo nos portugueses. Pegou nas fotos de Catarina Martins, António Costa e Jerónimo de Sousa, usou o chavão-fetiche da propaganda da direita radicalizada, acrescentou Lenine num fundo vermelho e concluiu arruinando o panfleto. E porquê? Porque entre milhares de fotografias disponíveis na internet capazes de denegrir o comunismo das mais variadas formas, dos gulags à repressão, os adoráveis jotas decidiram escolher uma imagem que, independentemente da repulsa que qualquer pessoa possa sentir pelo comunismo, nos traz à memória uma boa recordação, visto retratar a tomada de Berlim pelas tropas soviéticas, no final da Segunda Guerra Mundial, quando a malta do Ocidente até tinha uma aliança militar com os soviéticos para derrotar os nazis. Ou será que a derrota dos nazis é uma má recordação para a JSD? Quero mesmo acreditar que não mas, nestes tempos de radicalização à direita, who knows?
Mário Centeno
é uma lufada de ar fresco no discurso económico sobre Portugal. Na entrevista a Vítor Gonçalves, em tom cordato e claro, referiu as gravosas consequências da descapitalização das famílias para o desenvolvimento do País. Mas também o desinvestimento público na educação dos portugueses. É por aí, sem dúvida.
Também eu peço a sorte grande e ninguém me liga
Cavaco e as falsas opções de escolha
O mundo comentador tem andado animado sobre o que Cavaco irá decidir. Irá dar posse ao governo PS apoiado pelo PCP e pelo BE? Ou irá manter o governo do PSD/CDS em gestão? O fiel da balança, dizem, está naquilo que o Cavaco considerar mais estável. Esta é uma falsa questão.
- Imaginemos que Cavaco considera que um governo PS/PCP+BE é instável. Neste caso, manterá o governo PSD/CDS em funções e haverá eleições lá para Março.
- Por outro lado, vamos supor que Cavaco considera um governo PS/PCP+BE estável e mandata Costa para formar governo. Imaginemos ainda, neste cenário, que, afinal, este governo de esquerda não será estável. Então, se as coisas correrem muito mal, haverá eleições lá para Março, assim se caindo na situação 1. Se correrem mais ou menos poderá haver eleições lá para o meio do mandato, o que corresponde a uma situação melhor do que a 1. E se tudo corre bem, haverá daqui a quatro anos, e a situação é muitíssimo melhor do que a 1.
Note-se que, para se avaliar se uma situação é melhor ou pior, se está a utilizar o padrão Cavaco, segundo o qual importa ter estabilidade.
Então vamos lá brincar ao Photoshop
O post do Carlos levou-me à velha questão sobre o que nos dizem as imagens. Parecem objectivas, por serem concretas, mas estão carregadas de subjectividade, desde o enquadramento, passando pela luz e pela própria selecção da imagem a usar, só para citar alguns exemplos. O Photoshop trouxe uma nova dimensão de manipulação, acentuando ou suavizando detalhes, manobrando as cores e a luz e alterando drasticamente as formas. Ou construindo realidades alternativas. Nada de novo, mas muito mais simples agora.
A bonequização do corpo, com as formas impossíveis e com os filtros de eliminação de “imperfeições”, visível em tudo o que seja revista e publicidade, é uma fonte de constante ansiedade, mesmo que não consciencializada, pela figura inatingível que contrasta com a imagem que nos olha de frente no espelho. A publicidade, aliás, vive muito deste conceito de criar uma necessidade que será, supostamente, resolvida pelo produto anunciado. Seja ele um carro ou iogurte.
Nada de amores

Na pensão de sobe-e-desce, a empregada sacudia as colchas para a rua. Olhos concupiscentes fixaram-se nelas. Esvoaçavam com o pesadume dos tecidos velhos, gastos, deformados. A empregada sacudia-as com esforço, um rosto cansado e sofrido, uma imigrante de leste que trabalha sem folgas. Os velhos que passam o dia à porta da pensão conhecem o ritual das cinco, o sacudir das colchas. Não têm dinheiro para subir, limitam-se a andar pela rua, de trás para a frente, a meter conversa com as meninas, que são quase todas cinquentonas, à espera do milagre, da benesse, do dia em que as encontrarão de cabeça tão perdida, ou de coração tão apertado, que lhes darão uma borla, só para dizerem que não foi por dinheiro, só para se sentirem mais livres. Mas o dia nunca chega, ou pelo menos ainda não chegou. E eles andam sempre por ali, pés cada vez mais arrastados, a ver que se lhes acabam os dias e nada de amores. [Read more…]
Não nos desiludam

Nem nos venham dizer daqui a uns meses que não sabiam o que vos esperava. Dessa história já Portugal se fartou. Arregacem as mangas, coloquem o interesse nacional acima dos vossos partidos e façam o que vos compete. Sim, vocês podem. Mas é preciso querer.
via Luís Vargas@Twitter
O antigo dono disto tudo?
Eu sei que o mundo não é a preto e branco, embora, por estes dias, tudo pareça flutuar entre o laranja e o vermelho. E, até por isso, vou entrar no desafio e questionar o Carlos Garcez Osório: Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, entre a “nova dona disto tudo” e este tipo de pessoas que agora apresento em vídeo (ao minuto 7.50), será que a escolha a fazer, resulta em alguma divergência entre nós?
Obviamente, não estou a fazer trocadilhos foleiros. Estou a falar da substância do conteúdo do que vai na mente deste tipo.
Sublinho algumas palavras que até poderiam passar em branco, coisas deste género”as meninas do bloco de esquerda”, “esganiçadas…”
Mas, daquele orifício do sistema digestivo do senhor saiu algo verdadeiramente inacreditável: “não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada.”
Será que o personagem costuma pagar? É isso.
“Contra o marido, lá em casa (…) Com o tempo iriam colocar o personagem fora de casa e a coisa até poderia continuar…
E o aborto, e o casamento e a adopção…
Ainda há dúvidas sobre a evolução social que os acontecimentos de ontem reflectem?
Nunca como agora está clara a divisão em Portugal, entre o poder de alguns, suportado no passado e nas tradições e o poder, partilhado e construído por todos, suportado na evolução permanente da sociedade.
Pode e deve haver divergência económica, cultural e claro, social. Mas, não podemos querer voltar à idade média, ou podemos? Portugal não é o que este senhor defende e, também por isso, a votação no Parlamento mostra de forma clara o que Portugal pensa sobre algumas das coisas que este personagem defende.
E, para terminar, finalmente descobri que para ele a tradição é um elemento estrutural da vida em sociedade. Não deve, estou certo, questionar as mulheres que são mortas, todos os anos, às mãos destes medíocres. É da tradição!
«O ‘Jornal de Negócios’, relativamente à maioria parlamentar de esquerda que rejeitou o governo da coligação PàF,
tem tido um comportamento impróprio de um jornalismo da democracia, i.e., responsável, imparcial e consonante com os interesses do País.»
[Carlos Fonseca disse-o e agora repetiu-o]
Paulo Cunha e Silva (1962-2015)

Não há que ter ciúmes uns dos outros. Num sistema complexo, o conjunto é mais do que a soma das partes, mas as partes passam a ser mais do que aquilo que são se funcionarem autonomamente e entregues à sua solidão cósmica.
Hipocrisia e choque com a realidade
Apesar de toda a propaganda disseminada pela PAF, tanto directamente pelos políticos que a compõem, como pela legião que vagueia na comunicação social, o gráfico seguinte traduz o que foram quatro anos e meio de transformação do país pela direita mais obcecada na entrega do Estado a privados que o país alguma vez conheceu.
Palavra dada é palavra honrada

Na sua intervenção da histórica tarde de ontem, António Costa usou a expressão “palavra dada é palavra honrada” e o galinheiro em que se tinha transformado a bancada parlamentar do PàF explodiu em histerismo. Uma reacção que não deixa de ser curiosa vinda da facção liderada por Pedro Passos Coelho, que se fez eleger em 2011 com um conjunto de falsas palavras dadas que não foram honradas, apesar do seu conhecimento da realidade do país.
Costa termina a sua intervenção e o senhor que se segue é Luís Montenegro. Orador perspicaz, o líder da bancada parlamentar do PSD soube dar uso à expressão e virá-la contra António Costa. Mas, perante a indignação daquele que em tempos vaticinava que “a vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor“, e longe de querer fazer a defesa do líder do PS que até mereceu alguns dos mimos desferidos por Montenegro, vou tentar aqui repetir o exercício feito pelo distinto maçon, ainda que sem o brilhantismo de tão capacitado mestre da retórica: [Read more…]
Carta do Canadá: Maré Alta
Agora foi a Roménia. Acabo de ver a reportagem duma manifestação popular em Bucareste durante a qual milhares de pessoas gritaram que, se foram capazes de lutar contra a ocupação soviética, também o são para liquidar uma classe política corrupta. Porque, de fonte limpa, já se sabe que houve corrupção da grossa naquela discoteca que operava sem licença e na qual um incêndio matou um elevado número de pessoas. O primeiro ministro, um social democrata, teve a decência de se demitir imediatamente.
Nos dias que correm, torna-se cada vez mais grave a fraude cometida pela Volkswagen e outras marcas de renome da indústria automóvel da Alemanha. Passado o pasmo de se saber que, afinal, na pátria de Merkel também há grandes podres, segue-se a revolta internacional por um país arrogante, sobranceiro, que de forma tão cruel tem humilhado os países do sul da Europa e, principalmente, a Grécia. Os réis da competência e da auto-proclamada seriedade, estão aos nossos olhos como vulgares trapalhões. Pormenor que, até agora, só era conhecido pelos coca-bichinhos que se informam: na verdade, a Alemanha colaborou alegremente na corrupção dos partidos gregos do arco da governação lá do sítio e foi por isso que se mandou ao ar quando um atrevido Syriza sacudiu a Grécia pelos ombros e a acordou. Teve, ao menos, essa virtude. A Alemanha é, hoje, um caldeirão em fervura lenta, mas fervura que vai da esquerda à extrema direita. Ainda temos muito filme para ver.
Em Espanha, nossa vizinha, a corrupção tem sido tão grande e tão prolongada que os jovens do Podemos e do Cidadãos tiveram de saltar à rua e mobilizar o povo. Vai ser lindo. [Read more…]
« Em lugar de acusarem Costa por ter feito aquilo que disse que ia fazer
– terminar com “o arco da governação” – e apresentar uma alternativa, seria talvez mais instrutivo interrogarem-se sobre o seguinte: porque é que perdemos a maioria absoluta que tínhamos, mesmo concorrendo juntos?»
[Argumentos e falácias, António Pinho Vargas]
Sombra garra
Aí no silêncio onde moras
à luz oblíqua de outono
Sou teu íntimo felino
da Garra da tua sombra
Mago devoto na tua luz
Improvavel profeta
ecrã impossível
tocata e fuga
e som
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A luta dos camaradas da direita

Foto: Tiago Miranda@Expresso
Hoje viveu-se um dia histórico. Pela primeira vez, um acordo entre os partidos de esquerda com representação parlamentar derrubou um governo minoritário, dando expressão à maioria dos portugueses que no dia 4 de Outubro se deslocaram às urnas e rejeitaram a coligação PSD/CDS-PP.
Vivem-se dias de mudança em Portugal, dias verdadeiramente singulares. E se o inesperado acordo entre PS, BE, PCP e Verdes não fosse, por si só, extraordinário, as mudanças na nossa sociedade não ficam por aqui. E o discurso da direita nunca mais será o mesmo.
Quem nunca ouviu amigos, conhecidos ou mesmo responsáveis políticos dos partidos de direita falar em manifestações como uma perda de tempo, uma demonstração do esquerdismo caviar, uma desculpa para quem não querer trabalhar? Pois bem, hoje tivemos a segunda de duas manifestações desse novo sector da direita que faz manifestações e que empunha palavras de ordem como aquela que podemos ver na foto que abre estas linhas, e que nos remete para um universo “gato fedorentiano”: “A necessidade de consolidação das contas públicas não é uma questão ideológica“. Experimentem entoar tipo palavra de ordem. Soa mesmo bem. [Read more…]
Aviso à navegação…
Um governo incompetente que não deixa saudades foi derrubado por uma associação de trafulhas dispostos a esbulhar e parasitar o dinheiro que não lhes pertence sob o manto protector de colecta de impostos… Não há almoços grátis nem razões para festejar! Dito isto, espero que o inútil que ocupa o palácio de Belém emposse A.Costa e seus capangas para que a choldra vá novamente a votos até final de 2016, preferencialmente sem PAF nem os rostos que a lideraram e que Assis coloque ordem no Largo do Rato, mas para isso não teria que se limitar a conquistar a liderança do PS, seria necessário atirar para o baú do esquecimento César, Galamba, Santos e mais uns quantos…














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