Paguem e não bufem


“Portugal devia baixar o IVA como em Espanha!”
, dizem-te os chico-espertos liberais.

Está bem, Ruizinho e Luisinho, está bem. Perante a espiral inflacionista, os liberais, nas suas demais derivações mais ou menos “sociais”, propõem sempre o mesmo. Infelizmente para eles, a realidade desmente-os sempre.

Baixar o IVA pode ter resultado… durante 15 dias. Controlar e tabelar preços dos bens essenciais, taxar lucros abusivos à nossa custa? Não, isso é coisa de extrema-esquerda. Está bem, Ruizinho e Luisinho. Agora paguem e não bufem. Por favor, tirem o “socialista” do nome, tal como a solução da baixa do IVA, isso é publicidade enganosa.

Não esquecemos:

O quarteto que é força de bloqueio e capataz do grande capital.

Ps. É assustador ver como as medidas que a Iniciativa Liberal propõe para Portugal vão falhando, uma a uma, noutros países: em Espanha, no Reino Unido, em El Salvador, nos Estados Unidos da América, na Estónia ou na Lituânia; mas que estes, em Portugal, continuam a crescer nas sondagens.

A brilhante intervenção de Sérgio Sousa Pinto sobre a invasão da Ucrânia

Apenas num ponto não concordo com Sérgio Sousa Pinto: infelizmente, os estados europeus são estados vassalos dos EUA. E, não raras vezes, cúmplices dos seus abusos. Em tudo o mais, foi uma enorme intervenção do deputado socialista.

Polígrafo entrevista André Ventura

Fotografia: Micaela Neto

O Polígrafo entrevistou André Ventura.

Quando soube disto, achei um absurdo um “fact-checker” estar a dar ainda mais palco à extrema-direita, sentimento reforçado quando me lembrei que, segundo o próprio Polígrafo, o líder do Chega foi o político que mais mentiras acumulou em 2022.

Depois deste impulso, fui ler a entrevista. E só tenho de dar os parabéns à Salomé Martins Leal pela condução da mesma, pois fez o jornalismo que já há muito era exigido que se fizesse ao wannabe Bolsonaro cá do burgo, o Bolsonaro da Wish, como uma vez lhe chamou o meu amigo João Mendes. Assertiva, fez perguntas directas e incómodas, encostou o pequeno proto-ditador à parede várias vezes, não o deixando fugir a algumas perguntas e deixando que este se emaranhasse na dualidade do seu próprio discurso. Um must.

Dir-me-ão: “sim, ó João, mas isto só dá mais palco à extrema-direita e pode ser um catalisador para os fazer crescer”; eu respondo-vos que não discordo da sentença, mas que entre deixá-los crescer sozinhos de qualquer forma (sim, a realidade é essa) ou fazer-lhes frente apresentando contraditório, eu preferirei sempre a segunda opção.

Quando alguém quiser voltar a entrevistar este moço de recados do capital reaccionário, recomendo que leia a entrevista e que aprenda alguma coisa com o trabalho que a jornalista Salomé Leal fez; terão muito a aprender. Fica um aperitivo: ao que parece, a IURD, esse antro de bons rapazes, financia o Chega.

Nota para a frase escolhida para ilustrar a primeira parte da entrevista, dita exactamente dessa maneira por André Ventura, que tropeçando nas próprias palavras admite, por mais do que uma vez, que sabe que mente em muitos assuntos.

Entrevista do Polígrafo a André Ventura: 

  • Parte 1: “Eu não minto para ganhar votos”

  • Parte 2:“Não gosto de coisas ilegais. Acha que devemos aceitar pessoas ilegais cá?”

Os outros

Antes de ser Aventador já lia este blog. Mas também lia outros. Entretanto deixei de acompanhar  a maior parte deles, uns porque acabaram, outros porque deixei de ter interesse, e outros nem sei bem porquê. O tempo também não é elástico, e entre a família, os amigos, a profissão, o facebook, o twitter, os jornais (alguns), o instagram,  muita coisa fica para trás.

No entanto continuo a ler regularmente três blogs, além deste. São eles o Corta-fitas, o portadaloja e o portugadospequeninos.

Não leio todos os textos do Corta-fitas, mas os do Henrique Pereira dos Santos (que não conheço) são hoje para mim de leitura obrigatória. Incisivo, assertivo e fora do mainstream quotidiano que nos é injectado todos os dias, especialmente pelos OCS e pelo Governo.

Já com o portadaloja (cujo autor, José, também não conheço) tenho aprendido muito sobre música (cujos gostos partilho), e também sobre aparelhagens, vinil, CDs, literatura musical, etc. O autor tem uma cultura musical muito acima da média.

Quanto ao portugaldospequeninos de João Gonçalves (não conheço também) a acutilância e acidez dos seus textos são outro caso à parte na blogosfera (tem uma coluna semanal no JN), e vou-o lendo com gosto.

Escrevo este texto  sobre a “concorrência” num blog (este) com toda a liberdade e  respeito pela diferença.

 

 

 

 

A histeria da direita sobre a habitação

Mas, mas… afinal não é a direita que condena, desdenha e tem asco ao que chama histeria? Não eram os betinhos que eram os das boas maneiras, da souplesse, do estilo, da nonchalance, da superioridade???

Afinal não. São aos montes os artigos e opiniões com reacções histéricas à proposta do governo “Mais Habitação”. Afinal também gritam, quando lhes dói, o que, como é óbvio, só mesmo muito raramente acontece. Foi desta e logo se ouve a chinfrineira: ai o PREC! ai o socialismo! ai os direitos individuais!

É como diz Leonor Caldeira, basta um toque e saltam das tocas os “activistas das casas vazias”. Só não sairão à rua, como fazem os activistas contra os fósseis, porque têm instrumentos de lobby bem mais poderosos e subtis. E ao contrário dos primeiros, é certo e sabido que vão alcançar os seus objectivos, de conluio com os media que têm no bolso.

O artigo de Carmo Afonso é absolutamente certeiro quanto ao que está em jogo:
Costumava caracterizar-se um homem bom como aquele que é capaz de dar a própria camisa. Para um liberal um homem bom é aquele que defende a sua própria camisa e mesmo que não esteja a usá-la.

Nem mais, trata-se de princípios, trata-se de valores (de ética e não da bolsa).

Porém esta cambada dominante de neoliberais a única coisa que respeita e idolatra é o homo economicus, darwinista, predador, egoísta e insaciável. Ao verem um faminto ainda defendem o seu próprio direito individual a não lhe darem de comer. O maior gozo obtêm em fazer finca pé de que venceram a competição.

Vão destruir o mundo, é mais que certo.

Arrende-se coercivamente o património do Estado, já!

Sobre o problema da Habitação, e antes de me pronunciar sobre o powerpoint apresentado pelo governo (não confundir com medidas ou leis, essas ainda não existem e estão em discussão pública até meados de Março) e sobre o histerismo que isso gerou, a ponto de haver quem tenha chegado ao ponto hilariante de fazer comparações com o PREC, existe um ponto nesta discussão que me parece fundamental debater:

O património do Estado.

O Estado português tem centenas de imóveis devolutos ou em situação de abandono. [Read more…]

Será preciso Mais Habitação?

O governo apresentou um projecto chamado “Mais Habitação” reconhecendo que estamos com um problema grave que afecta, sobretudo, a classe média e os jovens. O Estado central e as autarquias locais fizeram, no passado, fortes investimentos em habitação social – nos anos 90 e início deste século entre reabilitação e construção nova a aposta foi clara. Depois parou. Entre a confusão dos últimos anos do governo Sócrates, os anos da Troika com o governo da PAFe os sucessivos governos de António Costa tudo parou.

Agora, perante o problema que afecta importantes sectores da sociedade, António Costa avançou com uma reforma. Ou melhor dito, com um power point…Recordo, porque não quero ser injusto, que a “coisa” está em discussão pública até meio de Março – como bem recordou o Orlando Sousa cada um de nós pode ir ler o documento e apresentar propostas/ideias através do site ConsultaLEX. O que tenciono fazer. Nomeadamente propondo que se aposte no modelo cooperativo que tanto sucesso e bons exemplos nos deu nos anos 80 e 90 (das várias que conheço realço a “Mãos à Obra” em Rio Tinto, ou a CooperMaia na Maia).

Contudo, permitam-me que a exemplo de outros nas redes sociais, sublinhe que o Estado deve dar o primeiro passo e colocar no mercado de habitação (devidamente recuperadas) as inúmeras casas, apartamentos e prédios de que é proprietário directa e indirectamente. Se vários dos prédios e demais edifícios do Estado (central, regional, local, etc.) cujas fotografias e identificação pululam pelas redes forem destinados, por exemplo, ao arrendamento a estudantes universitários (e ERASMUS) assim como para funcionários do Estado deslocados (professores, médicos, juízes, entre muitos outros) estou certo que iria, por um lado, diminuir o problema que atinge a classe média e, por outro, servir para a baixa do preço médio das rendas praticadas nas principais cidades fruto do aumento da oferta em relação à procura.

Uma coisa é certa: cá estaremos para no final tirar as devidas ilações. Como sempre. Desde 2009!

 

O que se passa no Porto Canal?

Esta história começou a 10 de Fevereiro de 2023. Na sua página no Facebook, o Porto Canal publica uma fotografia do comentador desportivo Rui Santos (CNN) acompanhado da sua companheira e da filha desta, assim como da informação de qual era o restaurante de que a mesma é proprietária.

O momento não era, de todo, inocente. O comentador desportivo Rui Santos tinha, no seu programa na CNN, tecido duras críticas a uma arbitragem de um jogo do FC Porto e, mais tarde, opinado de forma polémica sobre o treinador do clube, Sérgio Conceição. O somatório dessas duas intervenções provocara um enorme mal estar dentro do clube e a ira nas redes sociais de inúmeros adeptos do FC Porto, inclusive de alguns que pertencem ao blogue Aventar. O futebol, como se sabe, é gerador de paixões e de alguma irracionalidade provocando, inúmeras vezes, situações violentas. O Porto Canal, ao publicar qual era o restaurante da companheira de Rui Santos, ainda para mais sendo um conhecido local da cidade do Porto sabia ou, pelo menos, deveria saber as repercussões que poderiam advir de tal decisão “editorial”. E o óbvio aconteceu: ameaças de morte por telefone e nas redes sociais ao ponto de a companheira de Rui Santos e a sua família mais chegada estarem a receber protecção policial e, segundo apurou o Aventar, a Polícia Judiciária e o Ministério Público estarem a investigar toda esta situação. Não será preciso sublinhar o terror que tem sido para estes cidadãos e quem conhece o universo que rodeia o futebol, facilmente perceberá o porquê.

Passados alguns dias, no seu programa televisivo, Rui Santos denunciou a situação que estava a ser vivida pela sua companheira e respectiva família. Após a denúncia pública na CNN, entendeu o Conselho de Redacção do Porto Canal emitir um comunicado público sobre o assunto:

“Enquanto jornalistas, portadores de carteira profissional e cientes e zelosos de cumprir o Código Deontológico dos Jornalistas, repudiamos por completo o facto de conteúdos que não obedeçam às regras mais básicas do jornalismo serem publicados nos meios informativos que a estrutura azul e branca detém. Demarcamo-nos da publicação em causa e assumiremos publicamente essa posição”

A posição do Conselho de Redacção do Porto Canal, ao que o Aventar apurou, criou enorme polémica e desconforto dentro de parte da estrutura do FC Porto. Ao demarcarem-se da referida publicação deram a conhecer que a mesma não foi nem produzida nem publicada por jornalistas da casa. Segundo as nossas fontes, alegadamente, a publicação foi da responsabilidade da direcção de conteúdos do FC Porto (liderada por Diogo Faria) e pela direcção de conteúdos digitais do clube que gere, também, as redes sociais e o site do canal (direcção liderada por Pedro Bragança). Ora, ainda mais recentemente, boa parte dos órgãos de comunicação social portugueses e, também, o Aventar receberam um comunicado “anónimo” da autoria de jornalistas do Porto Canal. Após a leitura do mesmo e atendendo à gravidade do exposto, o Aventar procurou saber da veracidade dos factos relatados e iniciou um processo de investigação. Aqui chegados, cumpre sublinhar que o Aventar não é um órgão de comunicação social. Mesmo assim, tivemos todos os cuidados necessários e que em nosso entender eram devidos a uma situação desta gravidade: foi enviado um email ao Porto Canal e ao cuidado tanto de Diogo Faria como de Pedro Bragança, informando-os das respectivas denúncias e dando a oportunidade de responderem e se defenderem, informando-os que o Aventar iria publicar este artigo a 21 ou 22 de Fevereiro e que para tal poderiam responder para o nosso email até às 23h59 de segunda-feira 20 de Fevereiro. Ao mesmo tempo, o Aventar auscultou inúmeras fontes.

Então quais são as denúncias de alguns jornalistas do Porto Canal? Que na sequência do comunicado, membros do conselho de redacção foram punidos pelos seus superiores sendo-lhes proibido sair em reportagem. Foram punidos, alegadamente, pelos directores Diogo Faria e Pedro Bragança. Além disso, denunciaram que, alegadamente, os castigos são uma constante nas duas redacções e já levaram ao despedimento ou saídas coercivas de diversos jornalistas. Ao que o Aventar apurou e num comportamento similar ao que está a acontecer com a companheira de Rui Santos (e o próprio), estes jornalistas e as suas famílias, alegadamente, estão a ser ameaçados ao ponto de alguns terem tirado os filhos das respectivas escolas por medo. Um clima de terror.

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Arrendamento compulsivo

Como parece que o outro, o quartel, já marchou, temos sempre este. Também no centro do Porto. É coisa para umas boas dezenas de apartamentos….

A invasão da Ucrânia e o PCP na twilight zone

Não me incomoda tanto a caracterização que o PCP faz de Zelenskyy como me incomoda a caracterização que não o vejo fazer de Putin. Ou de Xi Jinping e do seu Grande Irmão tecnológico. Ou do próprio Kim, que alguns comunistas entendem não dirigir um regime brutal de absoluta negação da liberdade e da democracia. Não me recordo de ler palavras tão hostis dirigidas a qualquer um deles.

Não que os seus críticos à direita, e mesmo em parte da esquerda, tenham grande arcaboiço moral para apontar dedos. Ainda me lembro, porque não foi assim há tanto tempo, de quando Putin era “um dos nossos”. De quando dançava com Bush, trazia o bobi para a reunião com Angela Merkel e dava carta verde aos seus oligarcas, então investidores, para comprar clubes de futebol, hotéis, iates e vistos gold na Europa. De quando a bandeira do VTB esvoaçava ao lado do Banco de Inglaterra, no coração da City. Dos braços abertos com que o Ocidente os recebia, apesar da lista interminável de crimes do regime russo. [Read more…]

“Bitaitar” não chega!

Todos gostamos de opinar sobre tudo e mais alguma coisa. Nos blogs, no facebook, no twitter, no emprego, no café, em casa, etc.  Eu não sou excepção. É sobre bola, é sobre política, é sobre o governo, e por aí fora. Não há nenhum mal nisso.

O que acontece é que usamos informação que nos é apresentada (de diversas fontes), e na maior parte das vezes, senão todas, não conhecemos o suporte real que deu origem a essa informação. Mas uso também dois locais onde posso escrever o que penso sobre determinados assuntos que tem implicações na nossa vida. Esses locais permitem que qualquer cidadão se pronuncie e diga (escreva) o que pensa. São duas ferramentas grátis que nos permitem exercer a nossa cidadania, conhecendo o que efectivamente é proposto.

O primeiro é um site onde os diplomas legais ( Decretos-Lei, Portarias, etc.) se encontram para consulta pública, antes de serem ratificados e entrarem em vigor. O segundo é sobre projectos ( Linhas do Metro, Barragens, Estradas, Parques Industriais, Pedreiras, Indústrias, etc.) que se encontram em Consulta Pública.

A nossa participação muda alguma coisa? Não sei, mas eu, que ainda quero mudar o mundo, faço a minha parte.

Usem.

 

 

É avisar o proprietário…

Esta excelente propriedade está devoluta. Em pleno centro do Porto. Um bom exemplo para o governo iniciar obra coerciva de reabilitação para arrendamento. É coisa para uns 20 a 30 apartamentos. Como não quero que falte nada ao nosso governo informo-o do proprietário: o Ministério da Defesa….

O PCP é como o algodão…

A Bela, o Monstro e o Monstro do Comunismo Lusitano

A Bela- a nossa Lusitânia, Portugal para os Amigos. Provavelmente o espaço territorial mais idílico para viver, seja pelas pessoas, pelas gastronomia, pela segurança ou pela diversidade e riqueza territorial.

O Monstro- a máquina do Estado português. Responsabilidade de todos nós, porque o Estado, somos todos nós. Estamos completamente alheados da política e decisões nacionais e alguns atores actuam como bem pretendem com a anuência de nenhuns!

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Agora temos o….

… fast fode. Quem o diz é este autarca. Não se brinca, carago!

E que tal esperar?

Olhando para tudo o que já saiu a público, não posso criticar em condições. É só “soundbites” e bons memes como o da foto. Vou esperar pela letra da proposta ou seja, com todo o seu conteúdo, todas as vírgulas, anexos e remissões. Nessa altura consigo ter uma opinião bem formada.
Quanto à minha “direita” espero que, se não concordam com a reforma apresentada, apresentem a sua alternativa. Para sabermos todos com o que contar.

O bom é que tudo, excepto a morte, tem remédio: se não for antes, em 2026 vamos outra vez a votos.
Uma coisa é certa: boa ou má, temos finalmente uma verdadeira reforma. Falta é saber se é só aparentada….

Carlos Moedas e a imigração sem noção

Carlos Moedas fez um número de circo político como há muito não se via. Visivelmente incomodado com as críticas certeiras de Marcelo Rebelo de Sousa, que alertou a cúpula do PSD para os perigos de se remeter ao papel de cópia de um perigoso original, a propósito das intervenções infelizes de Moedas e Montenegro sobre os problemas da imigração, o edil de Lisboa saiu-se com esta:

Eu fui emigrante, sou casado com uma imigrante, não aceito lições de ninguém nesta matéria.

Imagino as dificuldades que atravessou o emigrante Moedas, numa frágil jangada de madeira a caminho do Goldman Sachs. Ou a arriscada travessia do deserto que fez, a pé e sem comida, de Portugal até Bruxelas. Que importantes lições terá aprendido, nessas jornadas onde a morte está sempre à espreita? A da noção não foi de certeza.

Sofia Vala Rocha: diz que é uma espécie de sketch dos Gato Fedorento

Segundo Sofia Vala Rocha, política de carreira do PSD, com múltiplos cargos ocupados na CM de Lisboa, que vão da assessoria à vereação, o problema da habitação, em Portugal, decorre sobretudo de uma narrativa criada propositadamente para o efeito. E acrescenta que, comprar uma casa na Avenida da Liberdade custará milhões, mas que, em Carnide, assegura, é possível comprar uma “excelente casa” por 150 mil euros.

A vergonha alheia evidente nos olhos e nas expressões dos seus companheiros de partido, a começar por Luís Montenegro, diz tudo sobre o delírio ideológico de Sofia Vala Rocha. Podia ser um sketch dos Gato Fedorento. Só que não. É o PSD em 2023.

O poder de persuasão no discurso político

Lição n.º 1: Concentrar elementos do mesmo campo semântico. Exemplo: “Erguemos os alicerces necessários para podermos afirmar hoje, com confiança, que não começámos pelo telhado. A Habitação foi sempre uma prioridade para nós“.

Carlos e Céline

Moedas, depois de ter sido criticado por Marcelo pelas declarações xenófobas, diz que não aceita lições de ninguém por estar casado com uma imigrante e por ele próprio ter sido emigrante. Se o lugar de fala fosse salvo conduto não haveria mulheres a fazer o jogo do patriarcado, negros em partidos racistas, LGBTQI+ a defender Israel ou pobres a votar nos ricos. Moedas não nos conta mas sabe que apesar do seu fausto liberalismo está disposto a governar com os novos fascistas e é por isso já lhe foge a boca para a xenofobia.

Moedas emigrou para a Goldman Sachs e a sua esposa não chegou de jangada para administrar os CTT. O casal Moedas devia retratar-se por se equivaler a algumas das histórias mais corajosas que a humanidade produziu, às costas de quem se atira ao mundo sem mais do que a força de vontade que gera o desespero. Há paralelos inaceitáveis, mesmo para um liberal que está a aquecer numa Câmara para vir governar o país numa coligação com as botas cardadas do Chega e do Ventura.

PSD: A falta de gravitas

Quando se trata de um tema tão sensível como esse, nós temos de ter muito bom senso no seu tratamento. Estamos a falar de pessoas, de pessoas que são vítimas em muitos casos de redes de utilização de seres humanos, e estamos a falar de deficiências do funcionamento do enquadramento dessas pessoas na sua legislalização ou no acompanhamento da sua atividade laboral, e isso já é uma responsabilidade nossa”, Marcelo Rebelo de Sousa.

Quando é preciso que seja Marcelo Rebelo de Sousa a chamar a atenção às crianças na sala, está tudo dito. O Presidente da República, que sabe mais a dormir que esta malta acordada, já percebeu que o centro direita foi tomado pela falta de bom senso. Portanto, se para Montenegro “Portugal deve “procurar pelo mundo” as comunidades que possam interagir melhor com os portugueses“, já Moedas prefere a regra “imigrantes só com contrato de trabalho“. Um tipo distraído ouve, entre uma mini e uns tremoços, e até é levado a concordar: então não e melhor que saibam português e que tenham contrato de trabalho? O bom é mesmo inimigo do óptimo e Marcelo lá teve de explicar à canalha a realidade: “Quando se trata de um tema tão sensível como esse, nós temos de ter muito bom senso no seu tratamento. Estamos a falar de pessoas, de pessoas que são vítimas em muitos casos de redes de utilização de seres humanos, e estamos a falar de deficiências do funcinamento do enquadramento dessas pessoas na sua legislalização ou no acompanhamento da sua atividade laboral, e isso já é uma responsabilidade nossa“.

Vamos ao mundo real. Traduzindo para português corrente, Montenegro prefere que os imigrantes sejam “falantes” de português. Isto se não formos interpretar a coisa de forma mais lata e entender que a palavra “interagir melhor” acrescenta “ocidentais” aos falantes tugas. Enfim, para o caso a interpretação mais restrita chega. Já Moedas não faz a coisa por menos: “imigrantes com contrato de trabalho“. Vamos então por partes.

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O PCP tem razão, mas…

O meme do PCP não diz mais do que a verdade. A questão é que voltar a colocar isto nas mãos de PS ou PSD terminaria com a história a repetir-se. E a gestão da empresa, a julgar pelo histórico, seria um desastre. Conseguem imaginar a Galp gerida por boys e girls formados numa “universidade” de Verão?

Eu também não.

É deixar a empresa quieta em mãos privadas. Taxem-se os lucros excessivos, imponham-se limites à usura e apertem-se as regras, à Galp e restantes membros do cartel das autoestradas, e já não estaremos muito mal. Recomprar é para dar merda. Uma TAP por geração é mais que suficiente.

Os “velhadas”…

Afinal a Catarina tirou as devidas ilações. Tarde. Mas mais vale tarde que nunca. E andava eu convencido que era uma teimosia de alguns idosos. Nunca esquecer: a idade é um posto.

Propor soluções fáceis para problemas difíceis: não é assim que funciona

Não, não é. A castração química não resolve um problema: não resolve a pedofilia. Porquê? Porque nem todos os pedófilos consumam o acto sexual em si, até porque quem pratica a pedofilia tem um problema do foro psicológico que se apresenta como um desvio sexual. Sem querer entrar em pormenores desnecessários, um pedófilo não usa, necessariamente, a penetração como forma de violar alguma criança, pois a pedofilia é mais do que o acto sexual consumado. A castração não retirará o impulso ao pedófilo, que sendo um doente mental, continuará a sê-lo mesmo que castrado. Ou seja: castrar pedófilos não impede pedófilos de o serem, nem tampouco acaba com a pedofilia.

Exemplo: nos países onde existe castração química de pedófilos, continuam a haver crimes de pedofilia.

A solução? Haver mais e melhores redes de captação destas práticas, aposta na prevenção, ensino da sexualidade para que tantos meninos e meninas se saibam defender quando expostas a este nojo, aposta na reabilitação através da aposta na saúde mental. Demora mais, custa mais dinheiro, mas tenho a certeza que será mais eficaz do que propostas avulsas vindas de populistas que, pasmem-se, passam a vida penetrados nas Igrejas (no pun intended).

Propor a castração química de pedófilos como solução mágica para acabar com a pedofilia, seria o mesmo que propor o corte de mãos a quem rouba (o que já foi, aliás, sugerido pelo líder da extrema-direita) ou a lobotomia a quem assassina. Tal como tudo o que rodeia a Igreja, a extrema-direita ainda vive na Idade Média.

Tenho outra ideia: castrar políticos que têm ideias estúpidas.

Para combater o populismo, usemos factos: “Pedofilia: estudos confirmam reincidência baixa”

De Espanha chega o aviso….

O jornalista António Moura, na sua página de facebook, abordou quatro artigos do El Pais deste fim de semana, citando-o:

“Quatro artigos do El País de hoje (título+introdução) sobre os tremendos problemas com que estamos confrontados. Não, não é so em Portugal! E, estes sim, são problemas graves. Pode ser que a minha geração escape ao tsunami que aí vem… Mas as gerações que vêm atrás vão-se lixar, e muito, a menos que se mude o paradigma económico. Lê-se no primeiro artigo que “a crise orçamental dos Estados” é uma das causas. Mas a mim parece-me que o problema de fundo reside na própria natureza do sistema capitalista, crescentemente iníquo. Há um problema grave com a distribuição da riqueza.

1 — Estado de bienestar: historia y crisis de una idea revolucionaria: La idea de proteger al ciudadano desde la cuna hasta la tumba está en apuros. Una de las causas es la crisis presupuestaria de los Estados, con una población envejecida sostenida por menos trabajadores en peores condiciones.

2– La sufrida clase media-baja es cada día menos media y más baja
La tenaza económica aprieta a las familias modestas: los Ruiz-Medel aguantan recortando gastos gracias a la estabilidad laboral. Los Pardal-Pérez acabaron ahogados en deudas y pidiendo comida.
3– La masiva manifestación por la sanidad en Madrid se revuelve contra Ayuso
Los manifestantes, 250.000 según la Delegación del Gobierno, protestan contra el “empeño” del Gobierno regional en “desmantelar” la atención primaria y en apoyo a la huelga de médicos de familia y pediatras.
4 — Europa discute cómo se jubilan sus ciudadanos
El envejecimiento empuja a los países del continente a aumentar la edad de retiro. Los sistemas de pensiones son muy diferentes, pero todos comparten el reto mayúsculo de acertar en los cambios para ser sostenibles- Europa discute cómo se jubilan sus ciudadanos.

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Párem de comparar a IL com a extrema-direita

Meter a IL e o CH no mesmo saco é, tão somente, um favor que se faz ao CH. E a todos os que pretendem um fosso tão grande entre a esquerda e a direita que acabe de vez com a comunicação. Não darei para esse peditório. Não faço favores à extrema-direita. Quem quiser que os faça.

Monte negro e Moedas pretas

Temos que escolher pessoas mais compatíveis com o nosso modo de vida. Procurar pelo mundo comunidades que melhor possam interagir com os portugueses

Esta frase, ao contrário do que possa parecer, não foi dita pelo líder da extrema-direita portuguesa. Foi dita pelo proto-líder da oposição, o presidente do PPD sem SD, Luís Montenegro, aos microfones abertos de alguns jornalistas, quando questionado sobre o incêndio que vitimou duas pessoas imigrantes na Mouraria.

Traduzindo, diz o líder dos laranjas que imigrantes em Portugal só se forem da nossa cor, partilhem da mesma cultura e tenham muitos euros na conta (numa offshore suíça, de preferência). A maçonaria fez muito mal a Luís Montenegro (e o legado de Passos Coelho, também).

O PPD vive este dilema (e não é se assume, ou não, a herança de Pedro Passos Coelho – essa herança passeiam-na com bastante orgulho): se se afasta do CHEGA para conquistar eleitorado ao centro (e, por conseguinte, ao Partido – quase nada – Socialista) ou se se cola à extrema-direita para ir buscar eleitores que, descontentes, votaram nos proto-fascistas portugueses. Nuns dias, aparece-nos como moderado, dizendo que quer voltar a ocupar o centrão e a pôr de parte o papão da extrema-direita; noutros, decide imbuir-se do espírito populista e demagogo que André Ventura e a sua máfia destilam por esse Portugal afora. Mas terá de se decidir rapidamente. Ou quer ser o partido do centro e tirar o lugar ao PS, ou quer ocupar a direita inteira, fazendo também o papel dos populistas. O Montenegro só cá quer montes brancos. 

Se Luís Montenegro não se galvanizar e não for galvanizado, Carlos Moedas, hoje presidente da Câmara Municipal de Lisboa, estará à coca para lhe ocupar o lugar. Mas, infelizmente para os portugueses, Moedas decidiu, também, abrir a bocarra para nos fazer sentir o seu bafo de onça.

Imigrantes em Portugal só se tiverem contrato de trabalho

A tradução: imigrantes em Portugal só endinheirados e montados num unicórnio colorido que vomite muitos euros. Moedas não quer cá moedas pretas.

Portanto, talvez seja ainda pior a emenda do que o soneto. E se é este tipo de posições políticas e este tipo de políticos que o PPD tem para oferecer, a bem que se juntem ao CDS e se enterrem na mesma campa, porque para lá caminham. Um partido que está refém da extrema-direita, pois sabe que não chegará ao poder sem a ajuda do ex-militante André Ventura (um prodígio, convém lembrar, lançado por Passos Coelho), é um partido que não pode, em condições algumas, governar Portugal.

Lia por aqui sobre os dilemas do PPD na assunção da herança de Passos. Não há qualquer dilema: o PPD juntar-se-á à extrema-direita, que foi uma criação do ex-Primeiro-ministro, e tem todo o orgulho em fazê-lo, por muito que o esconda para não parecer mal (e Miguel Pinto Luz – e, imagine-se, Miguel Relvas – já não o esconde). Pedro Passos Coelho baixou as calças do PPD e mostrou o olho a André Ventura, que se lambuzou todo e está, desde 2017, a sodomizar o partido de Sá Carneiro.

André Ventura enfiou o braço todo no PSD. Bem até lá ao fundo. E eles estão a adorar. É um amor de perdição.

PSD: O dilema

O PSD pós Passos tem mesmo um problema grave. Estava a ver o Expresso da Meia Noite. Tema, os professores. Professores e jornalistas a dar pau no governo. Ok. Fala a representante do PSD e TODOS lembram 28 mil profs mandados borda fora, congelamento dos salários, etc. Mudou logo a agulha…..

Não estou nem a criticar nem a elogiar. Estou a constatar um facto. Ou o PSD assume integralmente as políticas do passismo (boas ou más não discuto) ou então terá de fazer um corte radical com o passismo. Se ficar no meio da ponte não sobrevive.

Bora para a ponte 25 de Abril….

Eu até concordo com a assessora do Ministério do Trabalho. Vamos todos para a Ponte 25 de Abril, com as “nikes” calçadas e munidos dos nossos suplementos. Vai ser o máximo e sempre dão umas fotos do caraças no insta…. Bora lá Inês, “tamo juntos”

Quem regula o PS?

Santos Silva tem razão. As redes sociais estão a enfraquecer as instituições. Mas nada que se compare ainda aos danos causados por partidos como o PS que, com os seus boys, má gestão pública e esquemas mais ou menos corruptos, enfraquece transversalmente a democracia e estende a passadeira vermelha aos herdeiros de Salazar.