Turnos noturnos?

«O trabalho por turnos noturnos»? Por turnos soturnos? Por turnos de alto coturno? Nocturnos não será, certamente. [foto: Matt Weber]

Brasil: licença para matar

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[Sotero]

A licença para matar negros foi dada desde a criação deste país. Os assassinos estão em vários monumentos espalhados pelo país. Cheios de honrarias e sangue. Na prática, a pena de morte já existe para o povo preto brasileiro e aqueles que ousam reivindicar justiça e liberdade, de Dandara a Marielle, são eliminados. Ser preto no Brasil é um perigo mortal. Na foto os cinco garotos metralhados no carro enquanto comemoravam o primeiro salário de um deles. MariellePresente

Brasil: irmãos só às vezes

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[Luís António Santos]

Somos todos CPLP”, mas só às vezes. Somos “países irmãos“, mas só de vez em quando.
O assassinato – com suspeitas de intervenção policial – de uma vereadora no RJ está a ter um enorme impacto na sociedade brasileira mas, por cá, não mereceu sequer uma chamadinha pequenina de primeira página em nenhum dos principais diários (um deles, curiosamente, transferiu há poucos anos para o Brasil um número significativo de jornalistas…precisamente para nos dar a conhecer de uma outra forma esse ‘país desconhecido’).

António Costa é um pateta alegre

Transformar um gravíssimo caso de corrupção da Justiça num fait-divers, entre duas piadolas de mau-gosto, não é coisa de primeiro-ministro, mas de um pateta alegre.
O que não vale estar em causa «o clube que nos une».

Faz hoje 15 anos

Os criminosos reuniram-se nas Lajes para lançar mais uma guerra de agressão. Quantos morreram? Algum problema foi resolvido? – Foi lucrativo de certeza.

Do lapsus linguae à verdade é um instantinho

Conselho de Finanças Públicas ao serviço da Geringonça

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Imagem via Geringonça

No PSD, Rui Rio tenta dar conta de uma oposição interna em fúria, disposta a quase tudo para fazer a folha à recém-eleita direcção, enquanto lida com os escândalos diários nos quais vê os seus mais próximos oficiais envolvidos, do caciquismo de Salvador Malheiro ao currículo de Feliciano Barreiras Duarte.

No CDS, Assunção Cristas sonha, do alto dos seus 5% de intenção de voto atribuídos pelas mais recentes sondagens, ultrapassar o PSD e ser um dia primeira-ministra. E o sonho, já dizia o poeta, é uma constante na vida. Eu também sonho com a bomba do Gajo de Alfama, numa versão em que limpa o sarampo ao lixo político deste país, indo lá pelo cheio a corrupção. Mais rápido teremos Assunção Cristas a bailar com um touro na arena, enquanto um desses tipos que se diverte a torturar animais lhe espeta umas bandarilhas no lombo. [Read more…]

Ao transcrever «uma retratação total do senhor presidente»,

a Lusa (via TSF e DN) refere-se certamente a um retrato de corpo inteiro, como este de D. Carlos ou estoutro de Sampaio.

santo livramento

A brief history of Hawking: he was brilliant. 

As descobertas que o tornaram famoso. 

[foto

Serviço Nacional de Saúde nos cuidados intermédios

Paulo Simões, cirurgião geral, apresentou a sua tese de doutoramento Evolução das Lógicas Institucionais no Campo da Saúde em PortugalTrata-se de mais um contributo que servirá para continuar a confirmar (note-se: continuar a confirmar) os malefícios provocados pelo predomínio do empresarialês aliado à erosão organizada dos serviços públicos por parte de um bloco político que se apropriou do Estado para o esvaziar em proveito de interesses privados cuja sede de lucro é incompatível com o interesse do público.

Não é possível, portanto, duvidar da competência da empresa de demolições PS-PSD-CDS, gente que festejou, mais ou menos explicitamente, a troika. A Geringonça, no máximo, permitirá adiar ou disfarçar esta e outras realidades que correspondem a retrocessos civilizacionais em direcção a uma sociedade em que livres são apenas os mercados, mas não as pessoas, ou seja, o mexilhão. O PS, mal se apanhe com maioria absoluta ou com aliados mais queridos, aumentará a potência e a velocidade do camartelo, sempre e ainda com o apoio das instituições mundiais e europeias que clamam por “reformas estruturais”, o eufemismo que se refere à necessidade de ajudar os privados e as multinacionais a pagar menos e de reduzir o Estado social a quase nada.

União das Juventudes Populares Soviéticas

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Fotografia via Sergei Ilnitsky Photography

Quando era pequeno, ouvia muitas vezes os mais velhos dizer que “se isto fosse governado pelos comunistas, estávamos tramados e íamos andar todos vestidos de igual”. A ideia de andarmos todos de uniforme era, e continua a ser, algo que me horroriza. E eu detesto andar de sapatos.

Anos mais tarde, dou por mim a presenciar o inesperado: uma juventude partidária de direita, que usa o argumento da irreverência da juventude, e mais uns quantos bla bla blás, para impor um dress code num congresso partidário. Imagino o alarido que seria se fosse a JCP a impor um uniforme aos seus militantes. Era o drama soviético all over again.

Os dias úteis

a mind for ever
Voyaging through strange seas of Thought, alone.
— Wordsworth (citado por Dawkins, no dia em que perdemos Hawking)

***

Felizmente, todos os dias são dias de Poesia e de Ciência. Isso é óptimo. Todavia, os dias úteis trazem-nos o Diário da República.

Peço imensa desculpa por este aparte, a prometida e necessária interrupção continua dentro de momentos. Siga.

***

Professores Catedráticos

Passos Novas Oportunidades Coelho

A chegada iminente de Passos Coelho à docência universitária dividiu opiniões. Os defensores do novo professor, diante das críticas, atacaram a Universidade e a esquerda, desvalorizando argumentos e atribuindo a rejeição a um caldo exclusivamente composto por inveja, caturrice ideológica e resistência endogâmica. Sérgio Sousa Pinto, com a elegância que sempre o caracterizou, chegou mesmo a afirmar que a “universidade, desviada por instantes do negócio dos doutoramentos, habituada a debitar doutores como salsichas, rugiu.” Pelo meio, também fizeram referência a outros professores convidados igualmente defeituosos, argumento lusitano que leva a uma cadeia em que a sobrevivência do incompetente é sempre relativizada pela existência prévia de outros incompetentes.

Muitos dos defensores do estatuto docente de Passos Coelho comungam da ideia generalizada de que para se ser professor basta ter coisas para dizer, experiências para partilhar, competências prontas a serem validadas. Para se ser professor, enfim, basta ter frequentado a universidade da vida, o melhor estágio. No caso de Passos Coelho, o facto de ter sido primeiro-ministro em tempos de crise conferir-lhe-ia, portanto, a capacidade de preparar e dar aulas sobre Economia e Administração Pública, ao contrário dos doutores-salsichas de Sérgio Sousa Pinto ou dos investigadores que não têm direito a uma carreira. Não deve faltar muito para que uma pessoa que tenha passado algum tempo doente possa vir a ser médica, desde que tenha tido cargos políticos relevantes.

Passos Coelho, aproveitando as novas oportunidades, irá, então, dar início a uma carreira de docente universitário, porque, afinal, ser professor é para qualquer um.

Cabe sempre mais um político

E

via Expresso

Quando decidir retirar-se da política, António Costa poderá encontrar uma porta aberta no grupo Jerónimo Martins. Pelo menos a julgar pela admiração de Pedro Soares dos Santos pelos skills negociais do primeiro-ministro. E porque dá sempre jeito ter um político influente em qualquer conselho de administração. Os conselhos de administração da maioria das grandes empresas portuguesas recordam-me, por vezes, algumas universidades deste país: cabe sempre mais um político.

É só para sublinhar o que já se sabia

President Trump has abandoned his live-on-television promise to work for gun control measures that are opposed by the National Rifle Association, instead bowing to the gun group and embracing its agenda of armed teachers and incremental improvements to the existing background check system.” NYT, 12/03/2018

A questão das armas nos EUA não se resolve sem que o financiamento partidário deixe de ser controlado pelo meio empresarial. Devemos olhar para os outros e pensar para onde caminhamos

Preparem-se que isto não é para estômagos fracos

 

Qual é o país, qual é ele, parecido com a Emma Watson?

Now… I actually changed my mind, just about a year after saying this particular dumb thing.
Paul Krugman

‘Health of the economy’ is defined in such a way that the economy can be extremely healthy while just about everybody is starving to death. Those two things are uncorrelated.
Noam Chomsky

I’d rather ride a horse than drive a car.
— Sam Shepard

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Quanto ao país parecido com a Emma Watson, efectivamente, o país é… Portugal!

Há cerca de uma semana, Emma Watson «usou tatuagem com erro ortográfico».

No outro dia (muito obrigado ao extraordinário leitor do costume), o jornal A Bola voltou a impressionar-nos com questões de alfaiataria, confrontando o porta-voz do FCP com um fato a usar.

Sim, porque o original da revista Sábado não tem fatos.

No mesmo jornal, também houve estes aborrecimentos com uma grafia (‘factor’) problemática em traduções, como sabemos desde os “human fator issues”:

Hoje, temos o panorama habitual, no sítio do costume.

Pegando num dos assuntos da semana passada, [Read more…]

Marcelo, o pastor

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Isaac Pereira

Em Oliveira do Hospital, Marcelo Rebelo de Sousa comprou uma ovelha, e negra, ainda por cima. Chamou-lhe Oliveirinha. Depois abraçou um pastor rosado que lhe disse do alto do bigode:
– Morreram-me vinte e cinco cabeças. A vida de pastor é dura.
O presidente dos afectos abraçou-o, como não poderia deixar-se ser, e disse, afagando-lhe o pêlo:
– Eu sei. Eu sei.
E foi nesse momento que fiquei a saber que Marcelo já foi pastor.

Rui Pedro Braz no país da corrupção e do tráfico de influências

Rui Pedro Brás, que tem um curioso vinculo contratual com o SL Benfica, apesar de ser apresentado ao grande público como um comentador isento, brindou-nos com este belo momento de televisão. É triste, causa vergonha alheia, mas não diz mentira nenhuma. E sempre ficamos a saber que este adepto e colaborador do emblema lisboeta não consegue levar certas coisas em tempo útil sem ter que pedir um favor a alguém. “É a forma das coisas funcionarem”, remata. Há coisas fantásticas, não há?

“As pessoas já não acreditam nos fatos”,

diz Chomsky. Em Portugal, começaram a acreditar. Quando? Em Janeiro de 2012.

Um certo odor a fascismo no CDS-PP

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Assunção Cristas, tal como muitos dos seus principais oficiais, não perde uma oportunidade para aludir ao radicalismo das esquerdas. Para agitar com o papão comunista. Para apelar aos instintos mais básicos do eleitorado, instigando a desconfiança e o medo na sua forma mais primária. Uma constante da vida.

Sempre achei este discurso de uma finíssima ironia. Não porque não exista nos partidos de esquerda o tal radicalismo que lhes é apontado, que é discutível, mas porque o CDS-PP foi precisamente o partido que deu guarida a vários salazaristas no pós-25 de Abril, alguns dos quais exerceram funções governativas durante o Estado Novo. Adriano Moreira, que foi este fim de semana homenageado e aplaudido de pé pelo congresso centrista, foi ministro de Salazar antes de ser eleito terceiro presidente do CDS-PP, entre 85 e 88. E escusado será dizer que alguém que aceita o convite para integrar o governo não-eleito de um fascista opressor valida as práticas em vigor.  [Read more…]

Aquele momento em que o guarda-redes do Paços é abalroado por uma força sobrenatural

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O que não invalida que o FC Porto tinha obrigação de vencer a partida. Pena que o tempo útil de jogo não tenha ido além dos 15, 20 minutos.

Ao centro

Há uns valentes anos fiz este boneco enquadrado numa série a satirizar os partidos. Estava-se no rescaldo  à despenalização do aborto e o CDS, Partido do Centro Democrático e Social, agora também Partido Popular, comprovou que o “C” era mais de Cristão do que de “Centro”. O partido que foi umas vezes liberal, outras conservador, já foi contra e a favor do euro e da “europa”,  que foi o partido dos pensionistas e o partido do corte das pensões, que já foi, no fundo, toda a coisa e o seu oposto, tem no posicionamento beato o seu real âmago, essa cola que segura a cataventice política que tem sido o seu rumo. Consistentemente, Cristas afirmou neste fim-de-semana que “o meu CDS tem a democracia-cristã no eixo da roda“. Mas que não haja ilusões, se passarmos a ter muitos eleitores judeus, muçulmanos e protestantes, o mais certo é que também esta roda se furará. Entretanto, temos um partido que acumula com congregação religiosa, esse paradoxo no país onde o Estado é laico.

Aquela notícia bombástica e inesperada que marcou o congresso do CDS

Nuno Melo é o candidato às Europeias. Seo Dr. Jovem Conservador de Direita descobre, está o caldo entornado.

Fácil demais para António Costa

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Na sequência das Legislativas de 2015, o Partido Socialista chegou a acordo com BE e PCP/PEV para liderar um governo minoritário. Perante este acordo histórico e inesperado, PSD e CDS ficaram muito aborrecidos, porque a democracia representativa pode ser uma grande maçada, e amuaram durante uns meses.

Depois de vários meses a carpir, o CDS decidiu fazer o moving on e procurou mudar ligeiramente o discurso, aproveitando o grande vazio em que o PSD se havia transformado, apesar de na realidade nada ter mudado. Utópica, Assunção Cristas começou por se assumir como alternativa para liderar a direita, apesar de não o poder ser sem o PSD, e já fala em ser primeira-ministra. Já dizia o poeta que o sonho comanda a vida, e Cristas também tem o direito de sonhar, coitada!

Na São Caetano à Lapa, enquanto o partido definhava nas sondagens, Pedro Passos Coelho viu as várias teorias da conspiração serem reduzidas a pó, umas atrás das outras, até não restar discurso, coerência, credibilidade, sanção ou diabo para contar história. Defunto que estava o passismo, Rui Rio lá decidiu sair da poltrona e avançar, cumprido finalmente uma promessa de longa data, e derrotou a barriga de aluguer que o passismo havia entretanto desencantado para se perpetuar no poder.

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Gostava de conhecer este Passos Coelho

As grandoladas, como se vê, continuam, e a pergunta que importa fazer é esta: de onde vem tanto ódio a Passos Coelho? É um corrupto? Afundou o país? Impôs sacrifícios inúteis? Falhou a saída limpa? Tentou controlar a justiça? Silenciou a comunicação social? Não, ele não fez nada disso. Mas fez pior: refreou o Estado gargantuesco e propôs mais liberdade aos cidadãos.“.

Aquele que conheço andou metido no esquema dos dinheiro europeus para a formação e depois, quando governou, insurgiu-se contra a má aplicação dos fundos  comunitários. Aconselhou os professores saírem do país por não terem trabalho mas vai dar aulas. Andou 5 anos de pin ao peito mas vendeu um recurso absolutamente estratégico para o país (a REN) ao estado chinês. Dizem que controlou a despesa mas apenas aumentou os impostos e cortou no rendimento dos portugueses (zero de reforma do Estado). A lista pode continuar.

Há muitas formas de corrupção e a corrupção moral é mãe de todas elas. Quem não pagou a segurança social e quem andou nos esquemas subsídios é, claramente, moralmente corrupto. Mas que saída limpa? Essa que continuámos a pagar depois de anunciada? Que visão para o país é essa que defendia os baixos salários como factor competitivo? Antes de Passos Coelho perderam-se os anéis e com ele foram-se os dedos. Passo bem sem a beatificação.

Esta tipa não se enxerga?

O CDS-PP pretende que o ministro das Finanças e o Governador do Banco de Portugal prestem esclarecimentos após o parecer da Comissão Europeia sobre a venda do Novo Banco.

A pergunta é retórica.

José Augusto Silva, uma “toupeira” muito acessível

Tem razão, o advogado Paulo Gomes, que representa José Augusto Silva no processo e-toupeira, quando afirma que existem neste país pessoas que recebem milhões de euros de corrupção sem que nada de particularmente grave lhes aconteça. Acontece que, se ficarem provadas as suspeitas que pendem sobre o informático que está no centro da tempestade vermelha e branca, o cliente de Paulo Gomes não se limitou a receber umas camisolas e uns bilhetes para o Estádio da Luz. Violou a lei e comprometeu processos judiciais em curso.

A confirmarem-se as acusações, José Augusto Silva não será um pobre inocente que recebeu umas camisolas e uns bilhetes por ser um adepto exemplar, como se de um simples bode expiatório se tratasse. José Augusto Silva terá usado a sua posição profissional e os seus conhecimentos informáticos para usurpar as credenciais da magistrada Ana Paula Vitorino, violar o segredo de justiça e aceder ilegalmente a dados de processos em curso, que colocam o SL Benfica numa posição extremamente delicada, entregando-os ao director jurídico do Benfica, Paulo Gonçalves.

José Augusto Silva terá então subvertido o normal funcionamento da justiça, deixando-se corromper para o efeito, e isso, por si só, não é coisa pouca. E se a isto juntarmos o emprego que o SL Benfica deu ao seu sobrinho ou os vários convites para o camarote presidencial da Luz, por norma reservado às mais altas individualidades do desporto, da política e do mundo empresarial, fico com a sensação que a margem para dúvidas se reduz drasticamente.

É óbvio que precisamos de uma justiça mais competente, capaz de prender políticos, banqueiros e empresários corruptos, que os há em demasia neste país de compadrios. Mas se queremos um país onde a justiça funcione, não podemos tolerar que os seus funcionários vendam informação confidencial sobre processos em segredo de justiça a dirigentes desportivos corruptos, seja a troco de um milhão de euros, seja a troco de um bilhete para a bancada Coca-cola. E o mais grave no meio de tudo isto é perceber o quão barato pode ser corromper alguém com acesso privilegiado a informação tão sensível. Se é assim com processos relacionados com o futebol, imaginem como será quando o tema são falcatruas bancárias ou corrupção político-partidária.

Margaret Thatcher e Eduardo Catroga

O tacho do camarada Catroga dura até acabar o dinheiro do Partido Comunista Chinês. O que felizmente para ele nunca irá acontecer.