Os meninos querem brincar às guerras

Carlos Zorrinho fez hoje a mais miserável das declarações sobre as vantagens do aumento do esforço militar na Europa – com correspondente agravamento orçamental em cada país -, considerando que tal situação fará esquecer a crise, com sempre acontece quando tem de se defender “um bem maior”.

Isto, a que se podem juntar os entusiasmos belicistas tão frequentes em quem nunca ouviu um tiro e se sente, por assim dizer, entediado com tanta paz, faz-me corar de raiva e lembra-me uma velha canção de caserna dos tempos da guerra colonial, dedicada aos que, no conforto do ar condicionado, davam ordens imbecis aos que estavam no terreno: “ora vai p’rá mata, ó meu malandro, por tua causa é que eu aqui ando…”.

Isto faz-me sonhar com a cena de uma fileira de engravatadinhos e sortidos entusiastas na prosteridade das industrias militares – encabeçados por Barroso, o gangster sec. da NATO, Obama, Cameron, Coelho… enfim, todos esses broncos, prontos para o combate à cabeça das suas tropas – ou “à cabeça da manada”, como canta o fado. A imaginação não tem limites. Aparentemente, a estupidez também não. Por isso, estes crápulas terão quem os apoie. É fatal.

Terrorismo, medo e manipulação

ISIS

(Tão provável como encontrar armas de destruição maciça no Iraque. Ou no que sobrar dele…)

Por estes dias, os líderes terroristas Barack Obama e David Cameron afirmaram, em artigo conjunto, que não se deixam intimidar por assassinos. Pudera! Seria a mesma coisa que o líder dos Crips se sentir intimidado por um carteirista amador de LA. Obama e Cameron não têm motivos para temer um pequeno grupo de rebeldes fanáticos com recursos praticamente inexistentes quando comparados aos seus. Querendo, lançariam imediatamente uma esmagadora ofensiva e limpavam-lhes o sebo a todos. Mas essa talvez não seja a solução que lhes interessa. Os conflitos são tão mais rentáveis quanto mais se prolongam no tempo. E quantos mais holofotes para ali apontarem, menos haverão que apontem noutras direcções mais incómodas.

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“L’état c’est moi”

A ministra das finanças (porque será que resistimos tanto a gastar maiúsculas com esta gente?) veio hoje anunciar, depois de intimar o ensino superior (não aquele que ela frequentou; o outro, o propriamente dito) a “fazer mais e melhor com menos”, resolveu estender esta determinação a todas as áreas do estado e da governação e, entusiasmada com a sua própria ousadia, intimou todos os ministros a seguir o rumo por ela estabelecido.

Até disse umas gracinhas, o que convém nestas alturas, não vá o pagode pensar que a mulher não é humana e sim uma espécie de bruxa má do Oeste.

Das histórias e das memórias

Caro Nuno Feijão

Não se surpreenda com a informalidade do trato: a minha provecta idade tende a considerar jovens todos os que me rodeiam. A juventude é um estado de espírito, mesmo quando as articulações refilam, e o seu livro bem o demonstra. Há nele a espontaneidade, a frescura saudável, a ingénua esperança de quem ainda tem muita estrada à sua frente.

Venho agradecer-lhe o envio de um exemplar, com carinhosa dedicatória, e faço-o publicamente porque é para mim uma alegria imensa ver que, na nossa terra, há cada vez mais pessoas a escreverem com a sinceridade e a modéstia de quem sabe que não nascemos todos Eça de Queiroz. Grande alegria, também, saber que o Nuno é membro da Universidade Sénior de Tomar – uma ideia feliz que defendia e praticava Agostinho da Silva numa garagem perto de sua casa, ao Príncipe Real, sempre apinhada de operários, vendedeiras, caixeiros, funcionários públicos, que ali acorriam com sede de saber. Maravilhoso é o conhecimento, seja qual for a idade. Uma sociedade justa e forte é aquela que garante educação e conhecimento dos 3 aos 100 anos. Muito saboroso o seu livro MEMÓRIAS E HISTÓRIAS. Ninguém devia sair da vida sem deixar escrito o que viveu e sentiu, como viu o mundo à sua volta, assim legando as pedras e as escoras com que se aguenta uma Nação em tempos de perda de identidade e de soberania. Sobre isso, o Nuno pertence às Curvaceiras, a terra do Padre Jerónimo E aqui sou eu a relatar-lhe uma memória bem disposta. [Read more…]

Garganta funda

Confesso: quando ouço as “análises” de Marques Mendes, eivadas da sua irreprimível vocação de bufo, nasce em mim uma náusea que, tenho a certeza, é tão ampla que se deixa partilhar por gente muito diversa, podendo chegar a incluir os próprios governantes. Uma bosta é uma bosta, seja quem for que a olhe e cheire. As declarações sobre a venda do Novo Banco ( “ao que pude apurar”, como costuma bolsar a criatura enquanto agita a breve pata, de dedos abertos, sobre a mesa) fazem-me lembrar as possibilidades pedagógicas de umas boas e camilianas bengaladas. Pensar isto eu, que sou um homem de paz!…

“Há partes da nossa vida que que o mercado não pode preencher”

Afirmação retirada do artigo Suecos decepcionados com sistema de educação.

“O PSD é um partido de justiça social”

– afirmou, na “Universidade” de Verão do dito partido, Leonor Beleza. Gostava de ter alguma coisa a dizer sobre esta declaração, mas fiquei ágrafo e mudo de espanto. Assim, humildemente, aqui a deixo para que brilhe em todo o seu esplendor.

O verdadeiro inferno!

Mais valia robalo

robalo
Afinal, há que reescrever o preço da caixa de robalos. Custa 5 anos cada. Estou chocado.

Com dedicatória a Armando Vara

I rest my case, serenamente

José Xavier Ezequiel

Armando_Vara

Alegadamente, hoje fez-se alguma justiça em Portugal. De uma penada foram oficialmente arrecadados alguns ‘cães grandes’, como diz o povo. A saber, por ordem de grandeza da pena de prisão efectiva, em 1ª instância:

— um ex-padrinho-do-ferro-velho-de-Aveiro-tipo-Camorra-Napolitana (por comparação como o queijo-Limiano-tipo-Flamengo);

— um ex-secretário de estado do bondoso engº Guterres (duas vezes), ex-ministro (outras duas), ex-banqueiro público-privado e, até ver, Grão-Cruz-da-Ordem-do-Infante, classe 2005;

— um ex-secretário de estado sempre sorridente;

— um filho anafado do ex-secretário de estado sempre sorridente;

— etc.

Permitam-me, apesar desta fabulosa novidade democrática, densificar o conceito — ALEGADAMENTE.
Até ver, só vejo xuxas. Sim, todos nós já sabíamos que os pedófilos e/ou corruptos são, por definição, do PS. Não é que a tralha guterrista e a tralha socrática não tenham, alegadamente, culpas no cartório. Contudo, seria a sua condenação pública mais credível se, entretanto, o caso BPN também produzisse penas de prisão. E nem sequer havia necessidade de serem efectivas. Bastava que suspensas até ao limbo do próximo governo xuxa, como tudo parece levar a crer que voltará a acontecer muito em breve.

Não é por nada, mas a laranjada BPN é cronologicamente menos hodierna que a arosada Face Oculta.

Dão-se alvíssaras. Morigeradamente, é claro (como diria o Mário-Henrique Leiria).

Num país onde houvesse oposição…

Num país onde houvesse oposição, a ministra da justiça não o era há tempo, graças à absoluta incompetência como o novo mapa judiciário e respectivo apoio informático foi gerido. Processos com mais do que uma morada e que impedem o sistema informático de funcionar? Sistema que funciona mas não tem os processos carregados? Funcionários a saltitar de sítio em sítio? Não era preciso muito, bastaria que começassem por pedir a cabeça da ministra e, que se note, tal não está a acontecer.

justice

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Conselho de administração do BES

“Entrava mudo e saía calado”, percebia tanto de bancos “como de calceteiro”, ganhava 2400 euros por reunião.

Feira do Livro do Porto: o regresso

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Organizada pela Câmara Municipal do Porto. O programa de actividades é variado.

As consoantes e as vogais

portugês

Tendo Daniel Bessa como objetivo “falar sobre economia”, é natural que Carvalho da Silva seja um político *portugês. Dir-me-ão que *portugês, como *Portigal e *seretário-geral, é gralha.  Responder-vos-ei: efectivamente, tendes razão; de facto, *portugês é gralha (entretanto corrigida). Mas deverei acrescentar: objetivo também é gralha e, como *portugês, merece correcção. Sendo o ‘u’ necessário para que se leia [puɾtuˈɡeʃ] em vez de [puɾtuˈʒeʃ], é inaceitável este desprezo pelo ‘c’, importante para que, em vez de [obʒɨˈtivu], se leia [obʒɛˈtivu]. Esta discriminação das consoantes em relação às vogais é pura e simplesmente inadmissível. Corrijam, sff. Obrigado.

Hospitais da luz vermelha

imagesDaniel Bessa teve medo de assumir, frontalmente, as consequências das suas declarações. Na Universidade de Verão de um dos seus partidos, o ex-ministro da Economia explicou que há demasiadas semelhanças entre um hospital e um hotel para que o primeiro não possa ser, também, o segundo, porque, segundo Bessa, “na saúde, há muito de hotelaria.” E acrescentou: “O que é um hospital? São camas, como um hotel. Tem uma cozinha, como um hotel. Muito do que se passa num hospital é equivalente ao que se passa no turismo.”

Nunca tinha pensado nisso, mas, na realidade, não há nada mais parecido com um turista do que um paciente que passeia, com vagares ociosos, a sua garrafinha de soro, que, conforme as posses, poderá passar a ser gourmet. E haverá turista mais privilegiado do que alguém que, por exemplo, tenha ficado incapaz de comer pelas próprias mãos, podendo, agora, ser alimentado sem se cansar?

Mas Daniel Bessa deveria ter ido mais longe e não soube ver mais além. E se, em vez de “O que é um hospital? São camas, como um hotel!”, saltássemos para fora do quadrado e disséssemos “O que é um hospital? São camas, como um bordel.” [Read more…]

Contatos → Contactos

Os contatos passaram a contactos. No entanto, o algodão não engana.

 

O futuro governo PS desrespeitará a Constituição

António Vitorino antecipa que decisões do TC irão trazer “problemas” ao próximo Governo

Carta muito aberta à srª ministra da Justiça e militante do PPD agora PSD

ppd velharias

Isto quem nasce para o que é, não tem remédio, já dizia um tal de Calvino e a vida demonstra como é verdade. Por isso, srª ministra, estou consigo, pedófilos é base de dados pública com eles, enquanto não se pode meter um ferro em brasa na testa com um P bem visível, que aquilo não é gente, é gado.

Esta coisa do P de pedófilos avivou-me a memória, como o tempo muda e tanta novidade se alcança. Veja lá, srª ministra, que a palavra se existia no meu tempo não era usada. Mas agora acorda-me outras recordações.

Ao final da tarde, à saída das aulas, era limpinho, lá estava na sua  carrinha o Amadeu Paneleiro estacionado à porta do Liceu, ostentando a sua obesidade, como agora se diz, que naquele tempo era só gordo.

No circuito do currículo oculto, esta também só aprendi mais tarde, depressa e entre colegas nós os mais putos ficámos sabedores do negócio, tempo dos primeiros cigarros comprados avulso e estranheza por um dia aparecer um colega dos mais tesos com um maço cheio: [Read more…]

Maldito Estado Social!

Vítor Cunha descobriu por que razão há ocidentais atraídos por causas radicais, islâmicas ou outras. Segundo o ilustre estudioso, tudo começa no facto de ser uma gente que sofre do gravíssimo problema de ter as refeições garantidas. Logo, conclui a luminosa criatura, isto é tudo culpa do Estado Social, essa baba solidária que encharca a sociedade, contribuindo para que as pessoas fiquem demasiado desocupadas e descansadas. Não é por acaso que do ócio ao ódio vai uma pequena consoante.

Vítor Cunha tem, portanto, a solução: é pôr as pessoas a passar fominha e tornar a sua vida o mais insegura possível. Assim, é certo que nunca haverá revoltas nem extremismos.

Mas estava tudo a correr tão bem!

MEC cedeu a protesto dos professores e prorrogou prazo para candidatos à Bolsa de Contratação

Polícias passarão a perseguir criminosos com foguetes

163107_153367804715542_100001269708830_297412_5212164_nConfesso a minha ignorância e respectiva perplexidade: se bem percebi, ser polícia, segundo a lei, não corresponde a desempenhar uma profissão de risco e de desgaste rápido. Tal situação levou a que a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) tenha lançado um debate e uma petição. [Read more…]

O Mundo Acabou?

facebook_offlineO Facebook está offline. Como vamos viver??

Ucrânia: a arma da Língua

Des figurines de soldats séparatistes prorusses en vente dans un atelier de Moscou, le 29 août. (Photo Sergei Karpukhin. Reuters)
Soldadinhos separatistas pró-russos à venda numa loja de Moscovo
(Photo Sergei Karpukhin/Reuters)

Quando estalou aquilo a que a que nos telejornais chamaram com simplismo a “revolução ucraniana”, conversei com uma jovem nascida na Crimeia soviética, numa pequena cidade a cerca de 150 quilómetros de Simferopol cuja construção, de raiz, se iniciou em 1976 para acolher as famílias dos operários e do pessoal especializado de uma central nuclear que veio depois a ser abandonada, na sequência da catástrofe de Tchernobyl. A rapariga falou-me da crescente “ucranianização” da sua terra, que considera russa: «Nós somos russos, a Crimeia é russa. Nós já sabíamos que isto ia acontecer, que mais tarde ou mais cedo ia haver problemas, porque apesar de aos dezasseis anos ter recebido um passaporte ucraniano, eu sei que não sou ucraniana. O meu pai é russo, e eu também. A Crimeia ucraniana não existe, é uma realidade artificial. Vão estudar a História.»

E no entanto, apesar do posicionamento pró-russo (entenda-se pró-reintegração da Crimeia na Rússia, realizada enquanto o diabo esfregava um olho em Março passado), a rapariga não é anti-europeísta, e aliás vive na Europa.«Nós não somos anti-Europa, mas trata-se da nossa História, dos nossos próprios problemas, que temos de ser nós a resolver. A política e os negócios são uma coisa, mas a História é do povo, respeitem-na. Vamos ter de arranjar uma maneira, uma federação pode ser a melhor solução para a actual Ucrânia. Somos como irmãos zangados uns com os outros, mas vamos ter de nos entender.»

O entendimento está destinado a ser falado em Língua russa, apesar [Read more…]

Que nome se dá a um gesto decente?

Alteração da ordem pública, claro (artigo em castelhano).

há que dizê-lo abertamente

temos um povo (respeitador) do caralho!

Guerra à guerra na Ucrânia

ucrania trincheirasPara comemorar o centenário da I Guerra Mundial, no essencial um conflito entre impérios pelo domínio de outros povos, resolveram os herdeiros russos e alemães (agora aliados a ingleses e franceses) brincar às recriações históricas na Ucrânia.

O objectivo germânico, que patrocinou a oposição ao governo que por ali oligarcava, é claro: retirar um país ficcional de proximidades com a Rússia, esquecendo que a zona leste, mais rica, é russófila e os impérios detestam concorrência à porta. Obviamente Putin não se ficou, e temos de convir que perante uma horda anti-russa tinha obrigação de proteger os seus.

Temos instalada uma guerra, onde para o revivalismo ser perfeito nem faltam nacional-canalhas de um lado e outro.

O assunto entre nós tem sido tratado aproveitando para brincar também à guerra fria: uns batem na Rússia como se esta fosse a URSS, outros defendem-na como se ainda o fosse. [Read more…]

O mar-mãe

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Um seminário itinerante vai percorrer o País pensando o Espaço e a Paisagem no cinema português, território em que desde logo cabe o mar, sendo-lhe dedicada a primeira sessão já no próximo dia 17 de Setembro no Museu Marítimo de Ílhavo, um dos mais belos e importantes lugares de memória de Portugal. [Read more…]

Turistificados

No tempo em que os animais já tinham renunciado à fala mas ainda ninguém tinha inventado a palavra “turistificação”, só havia camones e esses nunca se atreviam a passar aqui na rua. Alguns dos seus ex-pertences, sim, acabavam por ali, vendidos por baixo do balcão de certas lojas, alguma câmara afanada enquanto o camone subia a peúga caída para dentro da sandália, uma bolsa deixada pela senhora de Birmingham que, de tão enternecida com o hábito popular de deixar os guarda-chuvas molhados à porta dos cafés, pensava que também podia deixar a mala enquanto ia ao quarto de banho.

O Zé Isqueiro, que ganhou a alcunha por ser pequenino e de pavio curto, diz que não, que ceguinha seja a falecida mãe mais a irmãzinha que foi para o céu com o sarampo, se alguma vez ele afanou alguma coisa a alguém, que se alembra bem desse tempo, e de quem andava na gatunagem, mas ele não, ele teve sempre medo de ir de cana, e os tempos eram bravos, pois eram, mas ele foi aprendiz de marceneiro, depois foi servir às mesas, fazia serviços de casamento e banquetes, e safou-se, que remédio, mas sempre longe da bófia, que essa quando te deita a mão nunca mais te deslarga. [Read more…]

situações irreais deste país

uma das coisas que me choca neste país é a precariedade no trabalho. o novo código laboral, posto em vigor no ano passado, retirou alguns dos direitos do trabalhador português, a mando da “necessária” mercadorização, a.k.a flexibilização pretendida pela troika, finando, entre outros, os direitos que este tinha ao nível de indeminizações por despedimento (despedimento mais barato) e introduzindo o célebre banco de horas, banco até 150 horas anuais, que, a bom da verdade, não é mais do que uma maneira subtil que as entidades patronais têm de fazer o escravo suar mais um bocadinho em troca de uma miragem de mais dias de férias.

as mudanças no acesso ao subsídio de desemprego, agora expedito apenas aqueles que efectivaram descontos durante 12 meses ininterruptos de trabalho para a mesma entidade patronal, assim como a criação de um fantasmagórico subsídio social de desemprego (acedível apenas aqueles que cumpriram 180 dias de trabalho; salvaguardando uma das porcalhotas do nosso mercado de trabalho, o contrato a termo certo de 6 meses) contem afinal armadilhas que beneficiam cada vez mais a construção de um sistema altamente esclavagista e ávido a pagar apenas ao trabalhador um caldo e uma côdea de broa.

dou um exemplo prático de como pérolas a porcos não quer dar este governo.

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