“Canção do Desterro”
Não se importe, não fica obrigado

Para os amigos que apresentaram os meus novos livros…e para os que ouviram a apresentação, essa, a minha família inventada…em memória desses dias em que eu tinha amigos…
É comovente, é difícil de entender, e voltar a ser criança é uma festa que parece não ser merecida. É um presente. Esses embrulhos amados pelas crianças. Especialmente na época do Natal. Essa impaciência pela surpresa do que deve estar dentro dos pacotes/embrulhos ai. Impaciência que nem deixa dormir em paz. Impaciência do imaginário. O que será, o que há dentro do pacote? Uma carícia, um mimo, uma maré de seres humanos? [Read more…]
A falácia: competitividade e custos do factor trabalho
O ‘Expresso’, na edição de Sábado, divulgou dados interessantes a respeito dos ‘custos do factor trabalho’, coligidos pela filial belga da Deloitte. O estudo integra 12 países europeus, entre os quais Portugal. Permite algumas reflexões acerca da competitividade da economia portuguesa; em especial, quanto ao impacto dos citados ‘custos do trabalho’ em comparação com outras economias europeias. Habilita também a desmistificar a tese dos efeitos decisivos da descida da TSU, na capacidade de concorrência externa das nossas empresas.
Analise-se, entretanto, o quadro seguinte, construído com base no estudo da Deloitte, o qual pressupõe a hipótese, comum aos países do conjunto considerado, de um trabalhador casado (um titular) com 2 filhos, auferindo o rendimento bruto anual de 27.000,00 euros:
| Pos. | País | Custos do empregador | Contribuição para Segurança Social |
| 1.º | Reino Unido | 29.625,70 | 9,72% |
| 2.º | Irlanda | 29.903,00 | 10,75% |
| 3.º | Polónia | 31.504,50 | 16,68% |
| 4.º | Holanda | 31.573,00 | 16,94% |
| 5.º | Alemanha | 32.217,75 | 19,33% |
| 6.º | Portugal | 33.412,50 | 23,75% |
| 7.º | Espanha | 35.019,00 | 29,70% |
| 8.º | Itália | 35.062,20 | 29,86% |
| 9.º | Suécia | 35.483,00 | 31,42% |
| 10.º | Bélgica | 35.825,43 | 32,69% |
| 11.º | Rep. Checa | 36.180,00 | 34,00% |
| 12.º | França | 38.969,32 | 44,33% |
Cidadania 2.0
Se têm amigos/conhecidos no governo local/regional/central ou ONGs não deixem de lhes divulgar o Cidadania 2.0, já esta 5ª feira, no Fórum Picoas em Lisboa.
Tal como no ano passado, esta segunda edição vai ser uma montra de vários projectos que demonstram de que forma organizações públicas ou privadas e os próprios cidadãos podem utilizar as ferramentas digitais actualmente disponiveis para terem um impacto relevante na sociedade.
Podem ver o programa completo no site mas queria destacar duas presenças internacionais.
Por um lado a presença de Alberto Tercero que vai apresentar a estratégia do País Basco para o Governo Aberto, provavelmente um exemplo que nós poderíamos aproveitar, seja ao nível do estado central seja ao nivel dos municípios.
E por outro a apresentação de Adam Gee sobre os projectos Landshare e Hugh’s Fish Fight. Até acho que o Landshare poderia ser algo a adoptar pelo nosso ministério da agricultura.
Para além destes projectos ainda vamos ter mais uma dúzia de apresentações sobre projectos excelentes, por isso apareçam. A entrada gratuita mas inscrição obrigatória.
Fazer mais com menos
No país que não planeia, no país que só pensa em fechaduras depois de ter deixado a chave na porta durante tanto tempo, no país que, por isso, nunca prevê crises, reagindo sempre tarde de mais, o investimento não existe, pelo menos o investimento como acto racional em que os ganhos não se meçam apenas pela redução imediata da despesa.
Um estudo recente demonstra como, a prazo, a intervenção atempada de um psicólogo pode contribuir para a redução das despesas de saúde. Num país sujeito aos ditames bancário-franco-alemães, conclusões destas serão absolutamente desvalorizadas e os recursos humanos fundamentais serão sempre encarados como um desperdício financeiro ou, na melhor das hipóteses, usados com base na precariedade de quem trabalha.
No mesmo país inculto em que o sensacionalismo e o voyeurismo têm sucesso garantido, o país em que os currículos escolares parecem servir o objectivo de garantir a ignorância, uma medida como a de acabar com a gratuitidade semanal de acesso aos museus é, com certeza, poupança, mas dificilmente será investimento. Que Francisco José Viegas, escritor e antigo director de uma revista literária, dê a cara por perdas destas é um sinal de que um homem culto não é necessariamente um defensor da cultura.
Sempre com o objectivo de disfarçar o desinvestimento, o governo continuará a cantar o refrão “Fazer mais com menos”, sabendo-se que, na realidade, as palavras “mais” e “com” só servem para disfarçar.
Impunidade parlamentar
Como perceber o voto num político que vive amparado numa rede em que o poder legislativo, o poder executivo e o mundo empresarial têm ligações tão próximas e tão evidentes, ao ponto de podermos falar de uma legalização da corrupção? Jardim representa tudo o que não devemos aceitar num político, desde o desbragamento reles até à assumpção de que gasta mais do que aquilo que tem, com a desculpa de que tem “obra feita”.
Jardim fá-lo porque sabe que isso lhe rende votos. A relação da maioria dos cidadãos com a política é a mesma de um elemento de uma claque com o clube que apoia, é uma relação afectiva, tribal no sentido mais básico do termo.
O chefe da tribo, porque usa as mesmas cores do eleitor, merecerá sempre o seu voto. Para além disso, numa atitude muito mediterrânica, a possibilidade de o mesmo chefe revelar pouca seriedade nesta ou naquela área é sempre relativizado com um sorriso malandro que reduz as críticas a mau perder, ao mesmo tempo que desculpa a desonestidade com os resultados alcançados.
Há quem garanta que, na Madeira, nada voltará a ser o mesmo, que Jardim será obrigado a actuar de outra maneira, graças à firmeza do governo da República. Como São Tomé, cá estaremos, durante os próximos quatro anos, para confirmar que até pode não ser assim. Entretanto, a maioria absoluta continua e parlamento madeirense continuará a legislar de acordo com os interesses pessoais de alguns deputados, sujeitos à impunidade parlamentar.
Pago mas que fique claro que ninguém me perguntou nada e já agora aqui ninguém é estúpido
Tenho 19 anos, nasci em 1992, e pretendo pagar, porque aparentemente vivi acima das minhas possibilidades, não sei se quando pedi bonecos para brincar, ou ovos de chocolate, se quando era Verão e fui demasiadas vezes à praia ou se mais tarde quando cometi o terrível erro (erro pois ao contrário de ser coisa normal ler livros é coisa estranha para “crianças” do ensino básico e secundário”) de começar a pedir livros, [Read more…]
15 de Outubro, a água e a voz do povo
Angra do Heroísmo – Praça Velha Braga – Avenida Central Coimbra – Praça da República Évora – Praça do Sertório Faro – Jardim Manuel Bivar Lisboa – Marquês de Pombal Porto – Praça da Batalha
E tu, onde vais estar?
A tortura de um cidadão

Tortura é a imposição de dor física ou psicológica por crueldade, intimidação, punição, para obtenção de uma confissão, informação ou simplesmente por prazer da pessoa que tortura.
Parece-me que devia acrescentar que há dois tipos de tortura: a que as Nações Unidas condena e a que todo cidadão sofre no dia-a-dia e que denominamos burocracia. [Read more…]
Uma semana depois, em Wall Street e arredores
Comparar este mapa, com o que publiquei aqui no domingo passado.
Os Occupied States of America crescem, e de que maneira.
Madeira:
Sobre os resultados da Madeira e os recados que os eleitores entenderam dar já escrevi AQUI.
O Alberto João Jardim, mais do que o PSD, ganhou as eleições. Mesmo que a vitória possa ser considerada amarga. Porém, a verdade é só uma: no segredo da mesa de voto, a maioria dos eleitores da Madeira deram mais uma maioria a AJJ.
E nesse mesmo cantinho secreto, castigaram de forma violenta o PS, o Bloco e a CDU. Uma geral das grandes. Por sua vez, o CDS teve um resultado histórico e o PTP idem.
Foram muitos os recados do eleitorado. Para todos. Até para nós…
Para os “Costas e Zés/Salgados” verem
Alberto João Jardim com maioria absoluta
45 vitórias eleitorais consecutivas na Madeira. Pudera, quem não vota no seu ganha pão? Uma coisa é certa, nunca poderá alguém dizer que o que se passa na Madeira não é culpa dos próprios. Apesar de AJJ, no seu discurso de vitória já estar a apontar desculpas para o liberalismo, os socialistas, Lisboa e a radiodifusão.
Enganar o Estado e ser eleito não é um exclusivo da Madeira. E ainda receber apoio popular, idem. Isto só prova que a democracia em Portugal é uma farsa.
adenda
Depois do caso dos recursos de uma empresa pública estar ao serviço de um partido, o que não é propriamente novidade, nem na Madeira nem no resto do país, anunciou o PS-Madeira que estava na sala uma eleitora que, quando foi votar, tinha o nome marcado nos cadernos eleitorais como já tendo votado. É caso para passar a pedir aqueles observadores da ONU que costumam vigiar as sólidas democracias africanas.
Uma Vergonha na Madeira
Alberto João teve uma votação abaixo dos 50%.
Uma vergonha para o líder do PSD Madeira.
Demita-se senhor Jardim, mesmo com esta maioria absoluta.
Parece que é assim que todos os partidos do Contenente entendem que deva ser.
Há pessoas para quem é difícil parabenizar (como diz um amigo meu) alguns dos que ganham.
Agora mais a sério,
PARABÉNS SENHOR JARDIM, AINDA NÃO FOI DESTA QUE O PUSERAM NA RUA!
Parabéns também para o CDS que teve uma votação histórica.
Derrota em toda a linha para todos os outros partidos concorrentes.
D. Dinis – já ouviram falar?
Há 750 anos, nasceu um dos maiores poetas portugueses. Os pais chamaram-lhe Dinis e, para além de poeta, foi rei de Portugal, marido de uma santa e fundador da Universidade em Portugal. Hoje, graças à constante revolução curricular em que vive a Educação, é possível a qualquer cidadão português passar por uma escolaridade de 12 anos e não ler um único poema de D. Dinis, para além de ser muito provável não saber sequer quem foi D. Dinis.
“Curiosidade” para Marte
O próximo rover da NASA, chamado informalmente Curiosidade, foi há poucos dias definitivamente fixo ao escudo térmico que o vai proteger na sua descida até Marte (nome formal Laboratório Cientifico de Marte). Com lançamento previsto para o fim do ano, espera-se que este rover atinja o solo marciano por alturas de Agosto, depois de uma viagem de oito meses e meio.
(Clique nas imagens para aumentar)
Pedroto rima com Porto
O meu benfiquismo não me impediu, nunca, de gostar do inimigo, sobretudo do inimigo cujos defeitos chegam a ser virtuosos. Da minha história pessoal faz parte uma amizade com um grande amigo de José Pedroto, o que me concedeu o privilégio de ouvir histórias da intimidade de um homem que adoraria ter conhecido pessoalmente, mesmo que fosse para ouvir dizer mal do Benfica.
O mesmo amigo comum, o jornalista Manuel Dias, que se juntou a Pedroto há três anos, também me proporcionou um encontro com o Hernâni, o “irmão” de Pedroto. Foi esse antigo craque portista que falou desassombradamente do medo que os jogadores do FCP tinham mal atravessavam a ponte D. Luís em direcção ao Sul. O Pedroto treinador viria a ser o responsável por exorcizar esse medo, através da bravata e da provocação inteligentes contra a macrocefalia lisboeta, confundindo o futebol e a cidade e contribuindo para o poderio que hoje o clube tem, graças, ainda, a um aprendiz que soube perpetuar essa herança argumentativa e não só: Pinto da Costa.
A alma portuense é grande e as queixas relativamente a Lisboa tornam-se cada vez mais anacrónicas, mesmo se fazem parte da essência da cidade e se são mal compreendidas por um desenraizado como eu. Ontem, Gaia homenageou José Maria Pedroto, esse filho de Lamego que é um dos pais do Porto.
Ecce Homo

Qual de todos eles e porque? Alberto João Jardim, José Sócrates, Passos Coelho, o povo português, o Jesus de Nazaré? É a frase mais conhecida da vulgata latina, usadas pelas confissões cristãs, para expor ao público um homem em sofrimento ou um homem que está a sofrer. [Read more…]
Nobel da Medicina para o governo português
Fecham quatro empresas de construção por dia
Transportes. Plano de reestruturação pode custar 5 mil empregos
Se há coisa que me irrita é a ignorância atrevida. Nos últimos anos, tenho-me confrontado, várias vezes, com esse fenómeno, nomeadamente quando ouço tantos a falar sobre Educação e sobre professores, sem terem, sequer a humildade de perguntar a quem possa saber mais sobre o assunto.
A ignorância não deve impedir, naturalmente, a curiosidade e, até, a crítica, mesmo que humilde. Os últimos anos têm-me dado múltiplas razões para duvidar dos economistas e outros satélites licenciados em engenharias várias. A verdade é que são muitos anos a ouvir certezas absolutas que se transformam, invariavelmente, em previsões falhadas.
É completamente submergido na minha ignorância que continuo a perguntar-me como é que é possível prejudicar a maioria dos cidadãos, acreditando que isso irá beneficiar o país. Parece-me que isso é o mesmo que dizer que, se tirarmos todos os órgãos a uma pessoa, ela ficará com uma saúde de ferro.
Assustador…
No Expresso deste Sábado aconselho a leitura do artigo da Clara Ferreira Alves e o seu diálogo com um amigo grego.
É assustador. Como assustador é verificar que a Europa está a caminhar para o abismo. A Grécia de joelhos, a Espanha moribunda, a Irlanda desaparecida, a Itália governada por um pateta, a França economicamente virtual e os nórdicos estranhamente a borrifar-se.
Um cenário macabro onde só falta morrermos da cura…
Aeroporto de Beja: 164 passageiros em 3 meses
No aeroporto de Beja não há sorriso que se veja na chegada nem amante que se beija na despedia porque, simplesmente, não há passageiros.
Já agora, na notícia do Expresso, «em 2007, o aeroporto de Beja previa atingir, entre partidas e chegadas, uma média de 178 mil passageiros em 2009, que poderiam aumentar até 1,8 milhões em 2020, segundo as previsões da empresa EDAB, responsável pelo projeto». É oportuno lembrar um outro elefante branco prestes a ser construído e que também terá milhões de passageiros… no papel: o TGV.
As pessoas que tomaram conta do Estado e que gastam dinheiro desta forma têm nomes. Até quando vai ser possível continuar com esta impunidade? A punição eleitoral é manifestamente pequena quando decisões autistas, mas fundamentadas em imensos estudos convenientes, nos afectam durantes décadas.
Dia de reflexão na Madeira IV
Björk, a religião pública e a privada
Quando os cruzados chegaram à Islândia e pretendiam converter à força a população ao cristianismo, houve uma reunião no parlamento, e um dos líderes pagãos, Þorgeir Ljósvetningagoði, depois de dormir uma noite sob uma pele de carneiro, propôs uma solução: quando eles aqui chegarem, dizemos-lhes que já somos cristãos. Daí surgiu uma lei que ainda existe que autoriza que, em privado, cada um possa praticar a religião que quiser. É por isso que os cultos pagãos continuam a ser populares: é essencial não cortar a ligação com a natureza e aprender a colaborar.





















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