Ela trabalhou 40 anos e descontou outros tantos. A D. Isabel reformou-se aos 62 anos e fez uma festa de arromba.
Ela nasceu no interior do país e rumou cedo, muito cedo, até ao litoral numa constante busca por uma vida melhor. Ao longo dos anos fartou-se de poupar. Além do seu emprego tinha outro gancho fora das horas de expediente. O que ela labutou.
Mesmo depois do 25 de Abril nunca ligou muito à política embora, diga-se em abono da verdade, não falhou um só Domingo eleitoral. A sua geração sofreu na pele o que era viver num país sem essa possibilidade e entendia o voto como um dever cívico. Contudo, considerava os políticos e a política como algo estranho e próprio daqueles senhores de fato e gravata que surgiam, diariamente, na sua televisão. Coisa de doutores.
O seu esforço diário permitiu-lhe, como ela diz orgulhosa: “dar um curso à minha filha, a primeira doutora da família!”. Até tirou a carta de condução e comprou um utilitário. Azul. Ela só gosta de carros azuis. Que utiliza para levar os netos à escola e ao cinema – ela que entrou pela primeira vez numa sala de cinema puxada pelos netos. Uma vida de trabalho e dedicação à família. Uma vida honesta cujos poucos luxos, se se podem considerar como tais, são os gastos com os netos e o seu utilitário azul com pouco mais de 18 anos e miraculosamente em excelente estado.
















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