Pedro Adão e Silva junta-se aos Gato Fedorento

Vale a pena ler com atenção a crónica de Pedro Adão e Silva, publicada hoje no Expresso, acessível a todos nós, graças aos bons ofícios do Paulo Guinote. Só vos digo isto: adivinha-se a substituição dos Magalhães pela Playstation. Para além disso, será possível acabar com o Ministério da Educação, despedir os professores e, até, dispensar os pais. Não riam, que o rapaz escreveu aquilo a sério. Vá lá, a sério!

Quero uma escola só para os meus filhos, com um emblema do meu clube e que sirva bacalhau à Braz duas vezes por semana

Penso que será consensual afirmar que, numa determinada área geográfica, é justo que o Estado assegure a existência de espaço e tempo escolares suficientes para a população aí residente. A partir do momento em que isso esteja assegurado, com ou sem contratos de associação, por que razão deverá o dinheiro dos contribuintes servir para pagar mais espaços e tempos do que os necessários? Faria algum sentido abrir mais estações de correios ou mais centros de saúde do que os necessários? Do mesmo modo, não faz sentido o fecho indiscriminado de escolas ou o encerramento cego de centros de saúde, mas gastar mal dinheiro (a mais ou a menos) é um dos principais passatempos do Estado português.

Colide essa questão com a da tão apregoada liberdade de escolha? Por um lado, sim, sobretudo se estivermos a falar de uma faixa da população com limitações económicas e/ou que não valorize devidamente a escola. Este mesmo grupo deveria ser alvo de uma atenção especial por parte dos responsáveis pelas políticas educativas e sociais, sabendo-se, no entanto, que o verdadeiro problema está no facto de que as políticas educativas e sociais são, na realidade, manobras de relações públicas realizadas às ordens do Ministério das Finanças.

No meio desta luta a favor da manutenção indiscriminada dos contratos de associação, estão pais que desejam que o Estado lhes pague o privilégio de escolher a escola preferida para os filhos, independentemente de a zona onde vivem já ter tempo e espaço escolares suficientes. No meio desta luta, estão empresários que buscam o lucro fácil proporcionado pelas parcerias público-privadas que continuam a sugar dinheiro do Orçamento de Estado. No meio desta luta, estão muitas personalidades ligadas à Igreja, em busca de uma evangelização mais fácil, graças ao usufruto do dinheiro até daqueles que não são crentes. No meio desta luta, estão escolas que cometem abusos repetidos e silenciados sobre os seus funcionários. No meio desta luta, está muita gentinha que não sabe usar o direito a discordar. No meio desta luta, estão escolas que devem ter contrato de associação e escolas que não devem ter.

A santa cruzada passou-se

PROCURA-SE CRUZADO DO SÉCULO 21 Desde que em Novembro comecei a aventar sobre o ensino privado que se instalou nos comentários uma espécie de santa cruzada, formada por professores dos colégios, mães e pais que usufruem de serviços religiosos pagos pelo estado, e que não se confundem com quem muito simplesmente não concorda comigo.

Escrever sobre os colégios da minha aldeia levou a que depressa surgissem insinuações sobre a minha vida privada e profissional, ameaças veladas aqui e ali, na demonstração dessa velha estratégia das hordas católicas: quando se esgotam os argumentos passa-se para o ataque ad hominem, quem não é por eles só pode ser uma má pessoa, o velho ódio ao herege tão típico dos fundamentalistas.

Ontem chegaram ao ataque tu quoque, acusando-me de ter estado destacado pelo Ministério da Educação na Companhia de Teatro Viv’arte.

A Companhia de Teatro Viv’arte pertence a uma associação cultural sem fins lucrativos, isenta de impostos por despacho assinado pela sra. Manuela Ferreira Leite, foi fundada pelo professor Mário da Costa, meu mui caro amigo e um dos melhores professores que Portugal tem, a partir duns miúdos complicados do 2º ciclo Oliveira do Bairro e depois de outros encontrados nas valetas do mundo por onde passa, insistindo em nelas recolher pessoal da pesada que algumas vezes conseguiu transformar em gente com profissão e vida estável, tendo de resto o estatuto de empresa de inserção. Ser acusado disto por um professor de um colégio onde menino com necessidades educativas especiais não entra tem a sua graça, como ironia, mas encheu o copo. Quem continuar a comentar os meus textos com acusações ao autor, ou ameaças e insinuações, verá todos  os comentários aos meus postes apagados, como agora fiz.

Discutam e divirjam de mim à vontade; mas quando, à falta de argumentos, o argumento passa a ser o outro argumentador, temos o caldo entornado.

Dicionário do futebolês – roubar

Já se sabe que o “nosso” clube só pode perder por razões desonestas ou estranhas ou as duas juntas. De qualquer modo, vai tudo dar ao mesmo, porque aquilo que o adepto considerar estranho é desonesto. Já se sabe, “somos sempre roubados” ou “roubadinhos”. Também já aprendemos, em sessões anteriores, que os autores dos maiores roubos são (ou estão ligados a) os clubes que estiverem em primeiro lugar, o que quer dizer que há gente que, muitas vezes, só consegue roubar durante uma semana, como acontece com algumas agremiações que alcançam o topo da tabela, enquanto os candidatos ao título, os futuros ladrões, se distraem com alguns empates iniciais, vítimas de assaltos por parte de senhores que deviam usar o apito ou a bandeirinha noutras partes do corpo.

Como reage o adepto ganhador ao conviver com tais agressões ao bom nome do seu clube? Num plano ideal, deveria ficar ofendido, bater no peito, urrando honestidades e, no limite, afastar-se de convivas tão indesejáveis ou convidar os invejosos a virem até à rua se forem homens. Talvez em países civilizados isso aconteça, mas, em Portugal, a testosterona é doutro calibre. Aqui, o adepto do clube acusado de latrocínio, cercado por uma matilha de derrotados, recosta-se na cadeira, compõe um sorriso cínico e orgulhoso e sentencia superior: “Ó pá, vocês nem roubar sabem!” [Read more…]

230, 180 deputados, para quê tantos?

A discussão à volta do número de deputados na Assembleia da República é inútil, se não colocarmos também em cima da mesa a questão dos círculos uninominais. Infelizmente a questão, séria e urgente, foi colocada em cima da mesa pelas piores razões, o ministro Jorge Lacão que defende há vários anos uma reforma do sistema político, prestou agora um péssimo serviço à causa, ao pretender utilizá-la como manobra de diversão, no exacto momento em que parte significativa da população portuguesa, viu diminuído o salário ou pensão, acompanhado por um brutal aumento da carga fiscal. O PSD aproveitou para cavalgar a oportunidade, sem que esteja tal como o PS, muito interessado em reformar o que quer que seja. Desde logo porque reduzir o número de deputados, seria interessante reduzir também o número de assessores, autarcas eleitos e demais pessoal político, iria significar desemprego para muitos boys que não sabem fazer rigorosamente mais nada na vida, a não ser lamber umas botas ou espetar umas facas nas costas uns dos outros. [Read more…]

Eu às voltas

Como era bela e única a Linha do Tua…

Estou às voltas com a infantil e deliciosa inocência dos filhos, a prepará-los para uma noite reparadora que amanhã há trabalho. Silencioso, enquanto faço isto e aquilo, penso que eles têm a sorte de ter um pai que lhes vai poder contar na primeira pessoa o que eram aquelas gargantas, aquele serpenteado que vêem na foto antiga de um comboio que mete medo.

Talvez até se interessem por saber mais sobre aquela água vermelha pútrida que estaciona no colo de uma amarra de betão, enquanto nada por lá acontece. Vou poder contar-lhes, fingindo-me culto, que em Portugal há muitos casos singulares de projectos nunca acabados. Vou-lhes referir a ponte (rodoviária) da Régua, aquela que levaria o comboio a Lamego. Vou-lhes mostrar a foto da ponte seguinte sobre o rio Varosa, uma ponte integralmente construída para ficar de testemunho. Vou-lhes referir que Coimbra teve eléctricos e que também acabou com um comboio que trazia, na época, um milhão de pessoas no vai-vem pendular das gentes de Lousã e que também sucumbiu quando se quis travestir de metro de superfície, e os meus filhos decerto nem entenderão que estou a falar de quase cem anos de diferença, como não quererão enquadrar, na inércia de uma noite de tertúlia, que as linhas estreitas nem nunca chegaram ao seu destino, e, quando já amputadas lhes quiseram dar mais segurança, afinal desligaram as máquinas, deixando-as morrer, não cumprindo uma promessa solene. [Read more…]

Essa coisa chata da coerência

O grande estadista diz que…

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… e  no entanto…

Lisboa: Governo Civil proíbe manifestação da Amnistia Internacional

«O Governo Civil de Lisboa proibiu a concentração promovida pela secção portuguesa da Amnistia Internacional (AI) em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, neste sábado, o primeiro dia da visita do presidente chinês, Hu Jintao, a Portugal. (…) A concentração da AI tinha como objectivos pedir a libertação do prémio Nobel chinês, Liu Xiaobo, o fim da detenção domiciliária da sua esposa, Liu Xia, e a comutação da pena de morte em prisão para o cidadão português de etnia chinesa, Lau Fat Wei, residente em Macau.»

Bem prega frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz.

A vi e morri por ela – texto romântico

A minha Dama das Camélias

Era uma Violeta, era uma Camila, era a namorada de Alexandre Dumas filho, era a segunda mulher de Giuseppe Verdi, essa soprano da qual ele, casado e com filhos, o libertador da Itália dos Borbon Orleáns, o Deputado por aclamação, foi seduzido.

Uma Violeta de La Traviata, escrita pelo nosso jovem galã, apenas pode ser um ser divinos, de riso alegre, de alegria pela vida, sem medo da confrontar, com as suas duas mãos esticadas, as penas e as alegrias do amor, ou o endividamento, a poupança, saber usar os artefactos informáticos com uma habilidade nunca antes conhecida para um amador. Os técnicos têm os seus estudos, a sua preparação, estão obrigados a resolver a nossa ignorância informática, a saber endireitar o que nós nada sabemos para poder escrever. Como acontece comigo cada dia que escrevo e não sei esticar o uso do artefacto sob os meus dedos. Ela foi formada por mim na minha ciência, era a minha companheira de caminhadas, sabe gritar quando fica impaciente e gritar alto, com zangam mas com feitio. Uma dama, uma senhora.

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Parece que cortar os salários foi mais consensual

redução de deputados

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A democracia é malcheirosa, uma chatice

Cito:

“Este hábito não existia nos tempos da ditadura porque os cidadãos temiam as consequências, mas desde que o país abraçou a democracia multipartidária há 16 anos as pessoas começaram a sentir que podem libertar gases em qualquer lado.”

Vida Social

Um deputado analfabeto escreveu um vómito intitulado “Trotsquismo Parlamentar“, sem fazer a mínima ideia do que significa trotsquismo.

O Zé Neves respondeu-lhe com um dos melhores posts que tenho lido.

Infelizmente a resposta é mal empregada. Além das palavras merda, filhodaputa e outras, não vai perceber nada do resto. É a vida.

O fisco de rabo escondido

imageO fisco quer acesso às nossas contas. O fisco quer quebra do sigilo bancário. O fisco quer saber toda a nossa vida financeira. O fisco quer cobrar impostos sobre as ajudas de custos. O fisco é um terceiro olho na nossa vida.

Nada escapa escapa ao fisco. Excepto o fisco, que escapa a si mesmo.

Segundo o Público, querem os juízes «tornar possível o acesso aos documentos relativos às despesas de cada ministério do executivo». O Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa autorizou o acesso no caso dos ministérios da Saúde e das Finanças. Mas este último recorreu da decisão. Em causa está os juízes quererem saber quanto «gastam os ministros e outros elementos dos seus gabinetes com telefones pessoais, cartões de crédito e outros gastos de representação».

O fisco quer tudo ver mas esconde o rabo quando se trata de ele mesmo ser transparente.

Bebés vão passar a nascer com n.º de contribuinte, decretou o governo

Ao que conseguimos apurar, o número de contribuinte irá já na pontinha, sendo o seguinte diálogo uma realidade do novo quotidiano:

– Querida, querida, estou quase…. ai…… passa aí o cartão de contribuinte….

Soubemos ainda que, com a  introdução da medida, o uso do preservativo será considerado fuga ao fisco. Com efeito, a camisinha constitui impedimento a que uma futura fonte de receita se concretize, facto punível por lei.

Blogger Convidado: Anadia e os Colégios de S. João Bosco e de Nossa Senhora da Assunção

mapa-escolas-anadia

Agradeço desde já ao Aventar a simpatia de publicarem este texto. Pretendo expor a situação que se passa no concelho de Anadia, relativamente à polémica dos Contratos de Associação.

Em Anadia, os pais dos alunos de dois colégios, o Colégio São João Bosco (mais conhecidos aqui pela alcunha “os padres” ou “os Salesianos”) e o Colégio de Nossa Senhora da Assunção (conhecido pela alcunha “as freiras”) aderiram ao Movimento SOS Educação ( e, nas “freiras”, chegaram a encerrar a respectiva escola.

Ambos os colégio se situam a menos de 1,5 quilómetros da EB 2,3 de Anadia (conhecido por “o ciclo”) e da Escola Secundária Camilo Castelo Branco (o “liceu”), como é possível ver na imagem. [Read more…]

O adultério revisitado

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o arrependimento que nada cura

Ontem, referi o pior dos pcados, sendo pecado uma relação que um ser humano pode cometer ao permitir-se amar a outra pessoa à qual não está unida por nenhuma outra relação que a da libido. Referia que era a violação de fidelidade conjugal, de diferentes maneiras em diversos sítios do mundo. Se falo dos Massim da Oceânia, analisados por Malinowski entre 1914 e 1924, com estadias permanentes ou visitas esporádicas, podemos reparar que no adultério existe na união carnal, amorosa ou não, entre pessoas de um mesmo clã, sendo clã uma família unida por laços consanguíneos. Laços consanguíneos, conforme for o sexo da pessoa. Apesar de uma família estar composta por homens e mulheres que se reproduzem entre eles, nem toda relação é adúltera. Os filhos do casal acabam por ser de outro grupo doméstico, se os descendentes forem varões: a idade da puberdade, esses filhos deve circular à casa do irmão da mãe, que é, conforme os costumes, o pai dessas crianças. O homem da mulher

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Este Fevereiro ele vai voar…

Finalmente, Tito-Lívio e Florent casam… e não se casam ainda!

Tito Lívio (à esquerda) e Florent Robin

Um casamento que não é um casamento, porque é um casamento puramente simbólico, militante e que confirma a vontade e a coragem duma autarca francesa – Hélène Mandroux, Presidente da Câmara Municipal de Montpellier, cidade de 420 000 habitantes – na defesa da igualdade de direitos para homossexuais e heterossexuais.

Chocada com a atitude das autoridades diplomáticas portuguesas ao recusarem proceder ao nosso casamento em conformidade com a lei portuguesa, a Sra. Presidente disse SIM, em directo da Divergence FM de Montpellier, quando aceitamos a sua proposta de nos casar simbolicamente nos Passos do Concelho de Montpellier, com o duplo intuito de apoiar os nossos direitos legais e de fazer avançar o seu próprio combate pela legalização dos casamentos de pessoas do mesmo sexo em França que encetou em 2009 com o “Apelo de Montpellier” que já foi assinado pela maioria dos presidentes de câmara das principais cidades francesas. [Read more…]

É melhor não dizerem aos senhores do Governo…

… que houve um senhor chinês, a residir em Portugal, que penhorou a mulher como garantia do pagamento de dívidas.

Uma dívida de 50 mil euros entre chineses, sujeita a juros altíssimos, foi o pretexto para um credor raptar e manter em cativeiro durante uma semana a mulher do devedor. A vítima foi libertada pela PJ-Porto. In JN

Se o Governo sabe, ainda penhora toda a gente, mulheres, homens, como garantia de pagamento da dívida externa.

Olha, Bragança!…

Bragança teve “o transporte do futuro” entre 1906 e 1992; levou-o lá bem acima a monarquia e mandou-o retirar a mesma pessoa que os transmontanos, em apoteose, elegeram como seu novo Presidente da República pela significativa votação democrática de 65%. Ele levou (embora) o comboio, levou o IP4 (a estrada da salvação de Trás-os-Montes e, 300 mortes depois, a estrada da morte). Sim, sim, o futuro de Trás-os-Montes já não passa por uma estrada cancerosa mas sim pela A4… a pagar!

Entretanto, 35 km a norte de Bragança, em Sanabria, constrói-se uma estação nova para nova linha de Alta Velocidade Madrid-Galiza. Mais depressa se chegará a Madrid do que ao Porto…

Transporte escolar

Diz-me o João Miranda que para os colégios com contrato de associação “os alunos vão pelos seus próprios pés.” Não é bem assim: para os colégios vão de carro, e normalmente em bons carros.

Para a escola pública é que os alunos costumam ir a pé ou de autocarro.

Nessa diferença é que está o problema.

Son of a bitch (?)


Há muitos anos, nos tempos da controversa administração da política externa de Roosevelt, um membro do Departamento de Estado dizia cobras e lagartos do ditador Trujillo. Roosevelt contemporizava…

– “But, mr. President, the man is a son of a bitch!”

– Yes, I know, but he is OUR son of a bitch!”

Perceberam a mensagem?

Os lobbies de Maria de Lurdes Rodrigues, essa minúscula personagem a que a História dedicará menos do que um rodapé

À medida que o tempo passa, fica cada vez mais claro que a antiga Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, dedicou todo o seu mandato à destruição da Escola Pública e que todas as medidas que tomou tiveram como único objectivo a imolação do prestígio dos professores junto da opinião pública. Há que saber ganhar a vida e Maria de Lurdes Rodrigues conseguiu parcialmente atingir os seus objectivos: apesar de os professores continuarem hoje em dia a estar entre os profissionais mais confiáveis junto da opinião pública, Maria de Lurdes Rodrigues garantiu o ordenado milionário, na FLAD, para o qual trabalhou ao longo de quatro longos anos.
Moralmente corrupta, Maria de Lurdes Rodrigues nunca «conseguiu» ver que a generalidade dos contratos de associação já não se justificava perante a oferta pública existente e que os mesmos não passavam de uma descarada defesa do ensino privado à custa da Escola Pública. Foi fácil bramir junto dos portugueses o fantasma dos sindicatos de professores, mas perante os lobbies dos Colégios Privados, já não teve pejo em acolher todos seus interesses e preocupações. Ao longo dos anos, Colégio de S. João de Brito e quejandos continuaram a receber milhões de euros da mama do Estado sem que Maria de Lurdes Rodrigues sentisse o mínimo impulso interior que a levasse a alterar a situação. [Read more…]

O último adeus de Maria Schneider

Maria Schneider morreu hoje, aos 58 anos. Para a história ficou famosa da forma que menos queria, como uma “sex symbol”. Graças, sobretudo, a "O Último Tango em Paris". Tinha 19 anos e, no filme, envolvia-se com um empresário dos EUA, interpretado por Marlon Brando.

Tinha sido escolhida por Bernardo Bertolucci, a quem, mais tarde, acusou de manipulação e de ser o pior inimigo dela e da carreira que poderia ter tido.

O filme, de 1972, foi polémico em todo o mundo e mais em Portugal. Foi censurado e ficou de fora das salas nacionais até depois da revolução. Mas quando chegou, chegou com grande impacto. A curiosidade fez deste um dos primeiros grandes sucessos da sétima arte no pós-25 de Abril.

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Decidiu nunca mais aparecer nua. Mas acabou por aceitar o repto de surgir sem roupa num filme de Michelangelo Antonioni, com Jack Nicholson.

Fez muitos mais filmes depois, mas deles pouco reza a história. Pouco interessa. Ficou, para desgosto, O Último tango em Paris.

Política à nossa moda – Do Emplastro de Boliqueime ao Araújo de Barcelos

Muita coisa se tem dito e escrito sobre Cavaco Silva. Que para ser Salazar só lhe faltavam as botas, creio que terá sido um chiste atribuído à elegância linguística de Mário Soares. Que os seus governos, com Oliveira e Costa e Dias Loureiro, não passavam de uma espécie de gruta de Ali Babá e os 40 ladrões, não será mais que uma alegoria com pouco sentido. Que Cavaco pouco percebe de finanças e tirou o curso de Economia “numa embalagem de farinha Amparo” é apenas um paradoxo do Inimigo Público. E quando, parafraseando Kennedy, Cavaco poderia dizer “não perguntem como seria eu sem o país, perguntem como seria o país sem eu”, pensar-se-ia que, sem o conservadorismo paroquial da personagem, Boliqueime poderia muito bem ter, por exemplo, o maior bordel da Europa e deixar de ser conhecida como a terra do Aníbal, o filho do Teodoro da bomba. [Read more…]

Os colégios de Coimbra e o direito à desigualdade

Finalmente foi apresentado o estudo sobre Reorganização da Rede do Ensino Particular e Cooperativo com “Contrato de Associação”, em boa hora encomendado à Universidade de Coimbra. Logo atacado por ter sido dirigido por um conhecido militante do PS, já que por pudor ainda não disseram o que lhes vai na alma e podiam assumir sem vergonha: tal estudo só poderia ter sido encomendado à Universidade Católica, é claro.

Bem, a Carta Educativa do Município de Coimbra foi elaborada pelo conhecido militante do PSD José Manuel Canavarro e já concluía que

A capacidade da rede de escolas existente é, em termos de salas de aula, globalmente suficiente face às necessidades actuais. Em particular no que respeita às escolas públicas, a taxa de ocupação é de 73% em termos agregados e de 60% no caso das escolas secundárias.

o que só demonstra que em Coimbra ainda há uma Universidade a sério.

Numa leitura rápida do que foi hoje publicado, e respeita a Coimbra, fica finalmente denunciado o escândalo de os contratos de associação roubarem descaradamente alunos à rede pública, criando um gueto social absurdo, conforme tenho escrito e repetido. Destaco estes dados: [Read more…]

Todavia, o Comboio

“Conservar y rehabilitar el ramal de la línea férrea entre La Fuente de San Esteban-Barca d´Alva-Pocinho, como recurso patrimonial, motor cultural y de desarrollo socio-económico que debe ser conservado y transmitido a las generaciones futuras”

Ano do Coelho

Apesar dos esforços de José Sócrates e do seu enviado especial à China, Teixeira dos Santos, a partir de hoje vai ser mesmo o ano do COELHO!

Hoje no Magreb, amanhã… – a luta contra a multiplicação da pobreza

EVOLUÇÃO DE PREÇOS DE “COMMODITIES” – 2008 a 2010

PRODUTO
(1)
Dez.2008
(2)
Dez.2009
(3)
Dez.2010
(4)
Δ%
2010 v 2008
(5)
Δ% médio anual
2000-2010
(6)
Trigo (Argentina) $176,00 $240,00 $302,00 71,59% 15,45%
Milho (Argentina)  $150,95 $178,00 $261,00 72,90% 13,32%
Arroz (Tailândia) $551,00 $606,00 $536,80 -2,58% 12,61%
Açúcar (©/lb) $11,75 $23,53 $27,98 138,13% 15,97%
Óleo de soja  $738,00 $935,00 $1.322,00 79,13% 19,17%
Óleo de girassol  $759,00 $986,00 $1.454,00 91,57% 21,03%
Crude ($/barril) $41,50 $74,90 $90,10 117,11% 20,78%

UNCTAD, Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, publica neste “site” informação da evolução de preços das chamadas “commodities”. Dos produtos abrangidos, seleccionei o trigo, o milho, o arroz, o açúcar, os óleos de soja e de girassol,assim como o petróleo para o estudo de preços constante do quadro apresentado.  [Read more…]

Adultério

mulher islâmica apedrejada por delito de adultério

Mulher islâmica apedrejada por delito de adultério

Escrever sobre adultério, não é simples nem fácil. A própria definição do verbo o salienta: Violação da fidelidade conjugal. Apesar da definição fornecida antes, ser a mais atribuída ao facto que analiso, também há outras formas que colocam em risco a vida das pessoas, como falsificação ou a adulteração de um produto. Não é apenas um engano social, é um risco para a vida, um eterno suspeitar de que o que adquirimos possa estar fora de prazo, porque o comércio é comércio e para não perder, apagam-se as datas de validade e, como ninguém se importa em consultar as datas, essa adulteração coloca em risco a vida e a saúde da pessoa. Como aconteceu antes de ontem com a minha neta May Malen Isley: foram almoçar ao University Center da nossa Universidade de Cambridge, que, ultimamente, é um fiasco comercial. Foi de imediato levada para o hospital, os antibióticos a salvaram pela prontidão dos pais, a minha filha Camila e o meu genro Félix. No dia seguinte, já estava bem. Não sou homem de fé, mas dou graças à divindade, como aos meus filhos, de terem salvo a única descendência que, por enquanto, têm.

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Jamor é fogo que arde sem se ver

Ontem, quando cheguei a casa, fiquei irritado com a facilidade com que o Benfica resolveu o jogo. Afazeres vários me atrasaram e, ao ligar a televisão, já estava 2-0. O facto de ter jogado contra uma equipa vulgar não serve de desculpa: o espectáculo fica estragado quando um jogo dura apenas vinte e cinco minutos. Da próxima, exige-se menos banho táctico e mais respeito pelo espectador.

De resto, o modo como o primeiro golo foi marcado acentua a deselegância da equipa benfiquista: efectivamente, Fábio Coentrão, com nítida falta de cavalheirismo, não resistiu a aproveitar-se de quem lhe abre as pernas. Já Javi Garcia soube respeitar o adversário e correspondeu da melhor forma à assistência feita por Fernando.

Face à exibição descontraída de Sidnei, fico a perceber a pressa de David Luiz em transferir-se para o Chelsea, uma vez que corria o risco de ir para o banco. De qualquer modo, não deve haver precipitações, porque será bom esperar que o jovem central benfiquista seja posto à prova em jogos com elevado grau de dificuldade, o que não foi possível ontem à noite. [Read more…]