O Museu do Cairo é das pessoas do futuro

O Museu Egípcio do Cairo foi hoje assolado por uma chuva de coquetéis molotov,  lançados de janelas e terraços próximos do edifício.

Trata-se de uma ação organizada, foi decidida e instigada por alguém. Sobre quem são os responsáveis os acusadores dividem-se e corremos o risco de nos perdermos entre informação e contra-informação.

O que se espera é que objectos que resistiram aos séculos sobrevivam ao tempo breve de uma revolução e permaneçam como património das futuras gerações. O que se espera é que a arte de anteriores civilizações não desapareça em nome de interesses políticos de hoje.

Não preciso de conhecer o nome dos culpados para ter uma opinião: são múmias e deviam estar expostas num museu. Na secção dos animais irracionais.

O Google Art Project fazia falta, e havia gente a dar por isso

A Google tem várias qualidades, a agradecer sobretudo tendo em conta que com o seu monopólio quase absoluto o natural seria estar a dormir à sombra da bananeira onde um tal de Bill Gates em tempos ressonou.

Uma delas é a vontade de trazer cultura à net, seja pelos livros, seja agora pela pintura.

O Google Art Project oferece-nos aquilo que muitos museus já tinham feito ainda em CD-ROM: passear dentro de um museu, e sobretudo ver em alta resolução alguns dos seus quadros.

Esta manhã mostrei a novidade aos meus alunos. Bah, preferia era mesmo ir lá. Eu sei, os museus também têm cheiro. Mas na confusão de um grande museu deixamo-nos arrastar para as giocondas e outras celebridades, perdemos a tranquilidade da descoberta, e sobretudo não podemos enquanto visitantes ver a ampliação do traço, o arrasto do pincel, o retocado.

Lá perceberam com um Van Gogh, muito explicado o mês passado, e agora demonstrado no seu micro-esplendor.

Eu sei que a Google se move pelo negócio, e esta é mais uma iniciativa que pensa nos cifrões. Mesmo assim obrigado, e onde é que se mete a moedinha?

as felonias dos homens

a felonia dos homens, conforme a sua mulher

Contente, feliz e alegre, sorrindo como se fosse primavera, não houvesse frio, chuva, nem febres e gripes, procuro a flor mais exótica que encontro, como a de Oscar Wilde, o homem do cravo verde. Por não ser Wilde, avanço e passa a ser uma rosa verde que, com todo o amor, entrego e ofereço a essa alegre mulher que me seduz. Escrevo-lhe uma carta de amor e paixão, de amor profundo, cuidado e fiel. Resposta: vós, homens sois insuportáveis, querem tudo de nós e nada nos oferecem em troca. Excepto enganos e infelicidades. Quem me dera ser homem para tomar a minha relança!

Schubert:Impromptu in G flat major D899 No.3

Tolhidos

Por SANTANA CASTILHO

A campanha eleitoral para a presidência da República foi pouco esclarecedora e lamentavelmente decepcionante. Não foi nobre o processo pelo qual os mascarados do costume trouxeram a escrutínio passagens menos edificantes dos negócios de Cavaco Silva. Mas foi deprimente a forma como o candidato, presidente presente e presidente futuro, lhes respondeu. Sem decoro, o ministro do malhanço, que não deixou de ser da Defesa, atiçado pelo animal feroz, que continua primeiro-ministro, zurziu sem elegância o candidato que ainda era presidente da República e chefe máximo das forças armadas.
O eleito respondeu-lhe, enviesado e rancoroso, num discurso que devia ser de vitória e acabou em perda, particularmente quando apelou para que os jornalistas denunciassem as fontes das notícias que o incomodaram.
O mesmo Cavaco que se desagradou com o comportamento lamentável do Diário de Notícias, aquando das escutas de Belém, exortou agora ao mesmíssimo remexer na lama que então manchou a honra e a ética do jornalismo sério. Tão clara e indiscutível como a vitória que as eleições lhe conferiram foi a sua queda do pedestal onde os indefectíveis o colocaram. [Read more…]

E se nacionalizássemos a Galp de novo?

BE: galp e edp

Um empresa pública que venda com lucro leva à existência de um imposto camuflado.

De vez em quando, em comentários dos jornais, nos blogs e em conversas dou com observações nestes termos: os lucros da Galp são escandalosos e a privatização da empresa ainda os fez aumentar mais.

Sabendo de antemão que nos tempos da Galp pública, os preços eram definidos por decreto e que estes variavam em função das necessidades orçamentais, dei-me ao trabalho de fazer umas contitas.

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As transferências do Ministério da Educação para as escolas privadas

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Na Declaração n.º14/2011, de 17 de Janeiro, o Ministério da Educação publica as transferências efectuadas para diversas entidades ligadas ao ensino, a maior parte das quais colégios e externatos privados. Ali, há de tudo: contratos de associação, contratos simples, contratos de patrocínio, contratos de desenvolvimento, contratos-programa e por aí fora. E há colégios que se inscrevem em várias destas rubricas ao mesmo tempo.
Há casos que se compreendem e outros que não. No segundo semestre de 2010, em Lisboa, o Colégio de S. João de Brito recebeu do Ministério da Educação mais de 700 mil euros; o Colégio Mira-Rio mais de 36 mil euros; o Colégio Valsassina quase 25 mil; no Porto, o Colégio Paulo VI recebeu mais de 740 mil + 36 mil euros + 236 mil (?); o Colégio dos Cedros, instituição da Opus Dei que só admite rapazes, mais de 33 mil; o Colégio Luso-Francês e o o Colégio de Nossa Senhora do Rosário, na zona mais rica da cidade, quase 90 mil e 60 mil, respectivamente; o Externato Ribadouro, onde os alunos vão para subir as notas no Secundário, quase 25 mil; o Colégio Liverpool e o Colégio de Nossa Senhora da Esperança, duas das piores escolas do país, 130 mil e 120 mil euros respectivamente.
Alguém me explica estes números?

os trabalhos que dou à mulher que amo

a cor desta flor é a do amor distraído

Nós, homens, mal sabemos tratar das nossas pessoas.

Não escrevo esta frase com desapreço a nós varões, de qualquer orientação sexual. Em tarefas domésticas, somos um desastre. Em relações amorosas, desatinados. Oferecemos uma flor e justamente escolhemos a que a nossa mulher não gosta. Não é por maldade, é por andarmos sempre a pensar no Benfica, no nosso trabalho, ou, ainda, a olharmos para uma mulher bonita que passa, o que me cheira a um quase adultério.

As nossas mulheres tratam de nós e de todos estes dissabores para os quais nunca fomos ensinados. Assim como não há escola de pais, não existem escolas de maridos, amancebados ou amantes. O difícil é demonstrar à nossa mulher o quanto a amamos. Porque nós, homens, vivemos, desde o Concílio de Trento, numa eterna gaiola

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direitos e tortos

Pormenores…

A família, inglesa, vive em Portugal há mais de dez anos, dizia o jornal.

O marido acabara de sair para ir trabalhar, bateram à porta e a senhora foi abrir. Eram três indivíduos fardados, ela pensou que fossem do exército.

Não demorou muito a perceber que se tratava de um assalto e, aqui, poupo ao leitor os pormenores tal como a lista de bens subtraídos.

Chegada a polícia a senhora declarou que falavam uma língua desconhecida que não lhe pareceu ser a portuguesa.

Quando se vive num país estrangeiro é conveniente atender a algumas minudências.  Não falo de reconhecer as fardas militares, mas saber identificar a língua local é capaz de ser um pormenor que pode, uma vez ou outra, vir a dar jeito.

Ensino na promiscuidade de PPP dissimulada

Pum! Pum! Pum! – dei três murros no tampo da mesa e exclamei : “Que merda de país é este!”. Ontem, ao assistir ao ‘Prós e Contras’, na RTP1.

O ex-juiz do Tribunal de Contas, Carlos Moreno, publicou o livro  “Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro”, em Outubro de 2010, acentuando que PPP (Parcerias Público-Privadas) têm efeitos perversos no uso de dinheiros do Estado e, consequentemente, dos contribuintes . Da direita à esquerda,  políticos e cidadãos aplaudiram a denúncia. Os discordantes, se é que existiram, não tugiram, nem mugiram.

Os “contratos de associação” entre Ministério de Educação e estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, digam o que quiserem autores de laboriosas teorias, não passam de fórmula dissimulada de Parceria Público-Privada´.

Os citados “contratos de associação” foram estabelecidos ao abrigo de enquadramento legislativo existente desde 1980.

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Ainda a propósito da letra da canção dos Deolinda “Que parva que eu sou!”

Antes de mais nada: os agradecimentos por ter publicado no Aventar a letra da canção dos Deolinda “Que parva que eu sou!” deveriam ser endereçados a quem fez a transcrição. Infelizmente encontrei-a por mero acaso e indecentemente limitei-me a fazer corte-e-cola sem atribuir os devidos créditos, sendo que agora, espalhada viralmente como se encontra, é impossível corrigir o disparate.

Igualmente por mero acaso dei com este comentário no blogue Cravo de Abril:

Afonso Gonçalves disse…

Uma canção que olha apenas para o umbigo da juventude da pequena burguesia que agora vê a gasolina mais cara e a prestação do carro em falta. Ainda há pouco tempo, riam-se dos marxistas como dinossauros atrasados, agora fazem estas figuras tristes!

Como estão longe de J. Afonso, J.M. Branco e do Fausto.

Pobre música e pobre letra.

E não posso deixar de responder alto e bom som: que parvo que ele é.

Ora expliquem-me lá onde está aqui a “pequena burguesia” preocupada com a gasolina e a prestação do carro. Para alguns idiotas o proletariado é que é, e não pode ter estudos para ser escravo. É desta esquerda que a direita precisa para continuar a fazer de nós parvos.

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Eu vejo este povo a lutar

Anda tudo tão entretido com o Egipto (não confundir com “Egito” que é nome de pessoa, ainda por cima de poeta) que nem se repara no rei da Jordânia que demitiu o governo (antes que o demitam a ele, 1 de Fevereiro é um bom dia para regicídios) e na Síria que já tem a sua revolução marcada para 6ª feira.

2011 começa com um Janeiro a saber a Abril. Dá-me a nostalgia, privilegiado que fui por ter vivido uma revolução na adolescência,  “eu vi este povo a lutar“, e dão-me em cima com os viciados em pânico do costume: os ocidentalistas.

Os ocidentalistas tremem de medo perante o islamismo (como se as religiões não fossem todas iguais e crentes no mesmo deus), os mercados andam aflitos com o petróleo. Já os vi a arrancar o cabelo porque Portugal podia virar a Cuba da Europa (uma tolice pegada: URSS e EUA tinham o seu tratado de Tordesilhas e as jangadas de pedra são um conceito tecnologicamente muito avançado e por enquanto impraticável). É sempre assim. Eu gosto do povo a lutar.

Uma faísca incendiou a pradaria, como dizia o camarada Mao, o incêndio é muito mais rápido do que foi o último movimento revolucionário comparável, o que culminou no derrube do Muro de Berlim. Dali só podem vir coisas boas, porque o que ali estava tinha que ser derrubado. O mundo está a ficar melhor.

ahahahah! não sejas mau para mim…

Escolas com contrato de associação – uma tragicomédia em dois ou três actos, no máximo

O Aventar pratica a pluralidade. Imagine o leitor que até adeptos do Futebol Clube do Porto há por aqui, o que prova que não é possível ser-se mais tolerante. No meio desta pluralidade, houve três de nós (dois são do FCP, mas enfim…) que se têm vindo a dedicar, mais amiudadamente, à árdua tarefa de denunciar a existência de algumas escolas que traem o que está estipulado nos contratos de associação que assinaram. A pluralidade do Aventar pratica-se, igualmente, na caixa de comentários e as críticas feitas pelos três aventadores têm suscitado um debate animado que, sem dúvida, engrandece o blogue, mesmo quando houve lugar a alguma agressividade e a alguns mal-entendidos, a par de outras contribuições mais cordatas, mesmo que discordantes. Entretanto, apercebi-me de que há um défice de texto dramático neste n(v)osso blogue e resolvi juntar tudo: as pequenas dramatizações que irei publicar terão o objectivo de sintetizar algumas opiniões nossas e satirizar as reacções de alguns comentadores. Para representar os aventadores criei o Antunes (que não é mais do uma lyoncificação dos nomes João José Cardoso, Ricardo Santos Pinto e António Fernando Nabais); para representar os comentadores mais irados, fiquei-me por um festivo “Comendador”, até pela paronímia. Espero que alguns não gostem e que levem a mal. [Read more…]

Beliape, um caso de estudo do capitalismo português contemporâneo

Os trabalhadores despedidos e com salários em atraso da Beliape, uma fábrica de frangos em Cucujães, acusam seguranças ao serviço da administração de o terem atacado com petardos. A reportagem no Ionline dá conta do pânico entre os que tentam evitar o habitual roubo da maquinaria depois de encerrada a fábrica. Foram atacados depois desta reportagem da RTP ter sido emitida:

No blogue O Informador, claramente de alguém que trabalhou na empresa, escrevia-se a 1 de Novembro de 2009:

Recentemente a Beliape foi vendida a uma empresa/grupo/entidade ou pessoa… Ninguém sabe e a informação não sei onde se encontra! Pelo menos ninguém se apresenta como “o patrão”, “o gerente” ou “o accionista”.

O mesmo informador publicou um vídeo com estas imagens:

As fotos mostram frangos criados pela empresa que morreram à fome. Milhares de frangos, sem peso ideal para serem vendidos, foram abatidos e mantidos em decomposição por alguns dias nas suas instalações do matadouro. Mais tarde (bem mais tarde – Madrugada) foram encartados em sacos de plástico, colocados num camião não identificado e incinerados no passado fim de semana.

Clique para ver o vídeo, se tiver estômago para isso. [Read more…]

A Falta de Memória nas Redacções

Este programa já tem alguns anos, mas continua tão actual como no dia em que foi transmitido. Os jornalistas seniores foram removidos das redacções. Isto permite por um lado poupanças nos respectivos salários, por outro lado lado resulta também numa nova geração de jornalistas mais fáceis de moldar pelos interesses de cada momento. Aqui chamam-se os bois pelos nomes num raro momento de franqueza pública sobre estes assuntos.

Parte 1

(As partes 2 e 3 estão disponíveis a seguir.)
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Populismo Básico, Lacão

O sr Lacão, deputado, socialista, político há muitos anos e Ministro dos Assuntos Parlamentares, descobriu agora o que já milhares de pessoas bramaram em altos berros e o povo Português está farto de saber. Nem mais nem menos do que não serem precisos tantos deputados na AR, porque afinal na sua maioria não estarão lá a fazer alguma coisa que se veja. Há quatorze anos prevista na nossa Constituição a redução em cerca de cinquenta deputados e reclamada ainda antes disso por muita gente, vem este senhor, agora, que até convém dizer aos Portugueses que se está muito preocupado com o que se gasta, dizer esta coisa como se a tivesse acabado de inventar. Entende o sr Ministro que esta não é uma questão de menor importância, claro, tendo dito:

-“Penso que é preciso fazer alguma coisa para revitalizar a credibilidade dos políticos na nossa sociedade e desde logo fazê-lo com sentido de austeridade no Estado”. [Read more…]

os técnicos informáticos

…para Bruno Sousa, que me assiste todo senhor… como ele é e Ricardo Santos Pinto também

um ténico informática que me assiste

Há apenas duas palavras que definem um técnico informático: são de utilidade pública!

Há muitos saberes, há muito ciência que podem existir na nossa cabeça, incluindo o famoso multiplicador de investimentos, criado pelo meu colega de Cambridge, Sir John Maynard Keynes. Fórmula difícil de entender, apenas ele sabia a chave para o investimento, incluído ao meu amigo, o seu discípulo Lord Kaldor. Quem ao entender: Y C cY I G A = + + + [Read more…]

No Terreiro do Paço e em Dallas

Há quase cinquenta anos, um misterioso tiroteio em Dallas, tornou possível testemunhar quase em directo, o assassínio de um Chefe de Estado. Na ocasião, John Kennedy – uma das mais colossais fraudes mediáticas do passado século – foi abatido aos olhos de uma população chocada e incrédula. As imagens do acontecimento, são igualmente o testemunho da normal aflição de Jackie Bouvier Kennedy que desvairada, rasteja pela parte traseira da limusina presidencial. O pânico daquela mulher, a cabeça estilhaçada do presidente e a tragédia interiorizada por um povo inteiro, remete-nos para aquele outro dia, pouco mais de meio século antes, quando o landau preto, transportava a família real portuguesa. Os mesmos sons de tiroteio, as correrias apavoradas dos atónitos espectadores da matança, a coragem abnegada de cocheiros, polícias e de alguns populares. Mas neste caso, o que a memória colectiva registará para sempre, foi a atitude de uma mulher que erguendo-se na carruagem, teve o braço firme que faltou ao governo, à policia e à população que escapou amedrontada. Dª Amélia não fugiu nem procurou proteger-se. Mais do que a própria vida, defendeu os seus e com a esta demonstração pública de abnegada coragem, honrou o trono e a sua pátria de eleição.

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Vicissitudes da escola pública

Também tenho algo a dizer nesta questão das escolas públicas e privadas. Começo  por afirmar que não pretendo assumir posição em defesa das escolas privadas com contrato associativo, para mim são empresários ou instituições encostados à sombra do Estado, que como está bom de ver, decidiu mais uma vez em proveito próprio, alterar as regras do jogo. No fundo temos aqui a mesma lógica da segurança social que era suposto ser tendencialmente gratuita, da idade da reforma, do aumento de impostos ou redução das deduções fiscais. O problema é mesmo o poder que os cidadãos aceitam atribuir ao Estado, não percebendo que se tornam meros numerários, quando delegam a outros a liberdade de escolha. [Read more…]

A Liberdade no Islão:

Quando olho para o que se passa na Tunísia e no Egipto fico moderadamente optimista. Um optimismo fundado no que vi e ouvi dos manifestantes muçulmanos em Londres, uma vontade genuína de Liberdade.

Ingenuidade minha? Talvez. O que querem, por exemplo, os muçulmanos egípcios e tunisinos que vivem em Inglaterra e que estavam na manifestação pelo fim das ditaduras no mundo árabe? O mesmo que os seus irmãos em França, na Alemanha ou nos EUA: uma vida melhor para os seus na sua terra. Sem entrar em grandes filosofias ou teorias políticas: querem comprar um bom carro, comer em restaurantes, ir ao cinema, ter um iPhone e navegar na internet. Querem ter aquilo que nós temos e que muitas vezes nem damos o devido valor tal a forma como o nosso estilo de vida se generalizou na nossa sociedade. Eles querem viver.

E esse querer, fundado na sua experiência de vida no mundo ocidental, deve-nos obrigar a ajudar a que assim seja e a melhor ajuda que podemos dar é a nossa abstenção construtiva. Ou seja, não interferir, não voltar a ter tiques imperialistas. O lado mais fundamentalista e radical do islamismo só pode ser combatido pelos muçulmanos moderados. É uma batalha entre irmãos, entre homens e mulheres do Islão. A interferência, constante, dos principais actores políticos ocidentais deu sempre asneira e prejudicou os moderados em favor dos radicais. Será que já aprendemos a lição da história?

Obviamente, o perigo de um assalto ao poder por parte dos radicais existe mas os jovens e as mulheres que protestam na rua contra a ditadura fazem-no por uma genuína vontade de mudança e um objectivo claro de liberdade e esta adquire-se lutando e perde-se se imposta de fora para dentro.

Contratações e transferências de jogadores

Parece o Liedson vai para o Brasil e não sei se o David Luís vai para Inglaterra.

Não me interessa muito. Só me inquieta uma coisa: quem é que o FCP vai “desviar” desta vez?

o trabalho que custa ser académico

Ser académico, é essa luta permanente por saber e ter cargos, especialmente se, comparado com a geografia da sociedade semelhante à da terra, há muitas pessoas para o mesmo cargo. Não há apenas rijas entre camaradas, bem como se fala mal do rival para desprestigiar sua ética, a sua moral, o seu saber e, assim, ganhar o sítio apetecido. Quem concorre a um sítio académico, anda sempre pelas ruas da amargura, seja famoso e sabido, ou apenas um leito de livros, sem pesquisa, que lê para ensinar depois. Lê qualquer autor que lhe parece ser adequado. O escreve um texto para publicar, que dá tristeza.

Bem dizia o meu muito cedo desaparecido amigo Pierre Bourdieu, que desde o dia que escrevera o seu texto Homo Academicus, 1984, Éditions de Minuit, Paris, por ter denunciado estas concorrências, mais ninguém falava com ele. Excepto os membros do seu seminário, onde eu ensinava e ele, no meu, enviado aos seus assistente, que ficavam sempre na minha casa. Perguntava-se Pierre se o sociólogo era capaz de entender objectivamente esse mundo no qual trabalhava e do qual era o seu era o seu prisioneiro. A resposta está no livro e na tese da Doutora Maria Eduarda do Cruzeiro,

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O Regicídio e a premonição do nosso século XX


“Perante tal atentado, tão selvagem tão planeado, o primeiro gesto é de indignação. Mas isso não exclui a lucidez. Que os povos não tenham ilusões. A revolução, onde quer que nasça e sejam quais forem os pretextos de que se arme, mata primeiro os reis para matar de seguida, mais à vontade, os povos. Faz o seu baptismo de sangue para prosseguir uma tarefa sanguinária. “Liberdade!”, grita o regicida, a maior parte das vezes um instrumentalizado e um impulsivo, o que não o torna mais respeitável. “Servidão”, responde a História.
Gentes de Portugal e doutras paragens: acreditem nos franceses experientes que passaram por todos os dramas, todas as loucuras e também todas as inanidades da miragem revolucionária. O que o complot antidinástico visa é precisamente esta ordem hereditária onde são possíveis liberdades, mesmo num visível constrangimento. Trata-se de instaurar a desordem, em regra parlamentar, onde uma fachada de abertura social mal consegue esconder a pior das tiranias. O assassínio do rei só tem como finalidade o advento de reizinhos anónimos, irresponsáveis e passageiros, os quais, não tendo interesse em conservar a nação, a devoram. Os tiros dirigidos ao soberano eaos seu herdeiro vão atingir o coração da pátria, da mesma forma que, segundo a expressão de Balzac, a Assembleia, condenando Luís XVI, cortava o pescoço a todos os pais de família. Os povos são solidários com os monarcas.”

Le Gaulois, Paris, 4 de Fevereiro de 1908

A Real Associação de Lisboa apela à comparência popular no acto de reparação do 1º de Fevereiro de 2011, a realizar-se na Igreja da Encarnação pelas 19.00H, em Lisboa (Chiado). Estará presente a Família Real.

Pró ano, vamos estudar no Colégio de S. João de Brito


Ouvimos dizer que vem aí a liberdade de escolha das escolas. E os nossos pais querem o melhor para nós. Ainda ontem ouvi a minha mãe a dizer: «A escola do meu filho sou eu que a escolho».
Com o cheque-ensino, já decidimos: vamos todos estudar no Colégio de S. João de Brito. Se não houver vagas, aceitamos o Colégio Mira-Rio ou, em alternativa, o Colégio Valsassina. Em algum deles deve haver vaga para nós, não?
É boa, a liberdade de escolha no ensino. Estamos muito gratos a quem tomou esta medida.

Ensino privado e de como o barato sai caro

O João Miranda veio aqui ler umas coisas (é sempre um prazer receber um liberal nesta casa) e tirou as suas conclusões. Por exemplo a de que o privado é mais barato que o público, constatação acertada tendo em conta os números que aqui publiquei.

É verdade, pelos vistos conseguem ser mais baratos e também, por isso têm lucro. Verdade se diga são números que acima de tudo denunciam como o estado tem sido assaltado através dos contratos de associação e dos favores de algumas direcções regionais, que pagam muito acima do custo do serviço prestado, em concorrência directa com o estado.

Como é possível fazer tão barato? Pagando menos (embora as carreiras docentes sejam vagamente equiparadas, há truques para isso), mas sobretudo fazendo trabalhar mais. Ora se a carga lectiva (não confundir com horário de trabalho) dos professores portugueses em geral já é superior às médias europeias, 27 ou 28 tempos lectivos não abona nada à qualidade de ensino. Como tenho dito não é uma questão de direitos do trabalhador (embora também seja), é um direito dos alunos terem professores com um máximo de 22 horas lectivas por semana. Quem experimentou (já me calharam 25h em tempos muito idos), sabe bem que é humanamente impossível trabalhar com qualidade nessas condições, a que acrescem turmas no limite máximo legal da sua lotação. [Read more…]

São burros, são extrema e irreversivelmente burros!

Haverá saída?


Estou-me a referir, neste caso aos elementos do nosso governo, governo esse que tutela a CP e que por inerência define os objectivos estratégicos e mantém em funções os administradores da empresa. Por favor notem que não vou fazer distinção entre as várias empresas que constituem o que em tempos foi simplesmente a CP. Diz a teoria que essa divisão serve para melhor administrar as empresas, na prática as operações foram mal estudadas e ainda pior executadas, entrando as empresas quase imediatamente em falência técnica. A única diferença palpável, parece ser haver muito mais lugares de administradores disponíveis, para distribuir ou acumular. Como convém.

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Egipto, o que se pode passar a seguir?

Dando por quase certa a queda do regime de Mubarak, impõe-se a pergunta: e depois o quê?

Há quem recorde o caso iraniano e tema a implantação de um regime teocrático à imagem de Khomeini. É uma possibilidade e tem que ser considerada. Tal situação, do meu ponto de vista, equivaleria a um retrocesso civilizacional num país (região) que já ensinou História e Civilização ao resto mundo.

Existe ainda como possível – mas com menor probabilidade – a implantação de uma ditadura militar como consequência dos actuais motins. Seria uma releitura do mudar algo para ficar tudo na mesma, prolongando o regime e os interesses instalados até ao seu estertor final, agora de forma mais musculada. Não creio que esta via possa, neste momento, vingar.

Outra hipótese, aquela de que sou partidário, é a mudança de regime e a instauração de uma democracia que respeite os direitos de expressão, culto, associação e voto. Não vou aqui recorrer a ironias sobre a qualidade das democracias actuais, especialmente enquanto morrem pessoas nas ruas do Cairo e de outras cidades. [Read more…]

Os combustíveis low-cost e a estratégia de desviar a atenção

Da saída da refinaria até à bomba, os impostos fazem os preços da gasolina e do gasóleo aumentarem, respectivamente, 87% e 135%

Alguns deputados do PS estão muito preocupados com a concorrência no que toca a questão dos combustíveis. Em 2008 a preocupação foi de tal forma forte que até acabou por haver um extenso estudo por parte da Autoridade da Concorrência para se saber se as dúvidas repetidamente expressas pelo governo eram ou não fundamentadas. Suspeitava-se então que os preços dos combustíveis estavam inflacionados pela situação de monopólio que existe na refinação de combustíveis. Meses de investigações levaram a uma conclusão que se antecipava: os preços dos combustíveis, antes dos impostos, seguem o que se passa nos outros países.

Agora que estamos numa nova crise de preços, eis que, outra vez, as hostes socialistas se incomodam com os preços que andamos a pagar. Desta vez a ira não vai para os preços à saída da refinaria mas sim para o facto de não haver combustíveis low-cost em todas as esquinas. Bem, pode-se sempre fazer uma lei para isso. Para quem já não não tem mercado a funcionar sem o aval do governo, mais uma já pouco importa.

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Prós e Contra – os Fretes da RTP

“Exma. Sra. Drª Fátima Ferreira,

Gostávamos de ver o S.O.S Movimento Educação e a APEPCCA (Associação de Professores do Ensino Particular e Cooperativo com Contrato de Associação), no painel principal do debate do dia 31 de Janeiro.
Neste debate que se quer plural, falta a voz do Movimento que tem liderado a luta dos pais e encarregados de educação pela liberdade de escolha da escola e falta a voz dos professores, principais vítimas das medidas do Ministério da Educação.
Não entendemos a presença neste painel da Drª Isabel Soares, directora do estabelecimento de ensino que pratica a política mais discriminatória deste país no acesso à escola e que mais combate a inclusão e a igualdade de oportunidades.”