
O ano é 2024 e ainda existem dezenas de crianças a casar por imposição dos pais.
Algumas com apenas 10 anos.
Não tenho qualquer preconceito racial com a comunidade cigana, responsável pela esmagadora maioria destes casos, mas o Estado de Direito está acima de TODAS as convicções religiosas e tradições, e a lei estipula que a idade mínima para casar é de 16 anos.
Este abuso infantil tem que acabar. É uma obscenidade e não pode contar com o nosso silêncio.
![apav2[1]](https://i0.wp.com/aventar.eu/wp-content/uploads/2012/11/apav21.jpg?resize=200%2C300)

Quando em 1971-1973 levei a cabo a minha pesquisa entre o campesinato do Vale do Chile apercebi-me que, apesar das crenças, valores e regras legais, religiosas e políticas, os casais, na ausência de um padre ou de um registo civil, – o que aconteceu com frequência nos grandes latifúndios chilenos – simplesmente juntavam-se quando surgia a necessidade de dividir a casa. Mais tarde, na Galiza, entre 1975 e 1978, observei que, tanto para esse período como para o passado histórico até ao século XVIII, o casamento verificava-se normalmente entre pessoas da mesma condição, baseando-se em negociações em torno da herança, sendo portanto, e uma vez que o património varia através dos tempos tanto nos conteúdos como nas possibilidades económicas, uma instituição historicamente mutável. Apercebi-me de uma série de possibilidades que se haviam desenvolvido para o casamento na Galiza, tais como o casamento combinado pelos pais do principal herdeiro, ou combinado pelos próprios, enquanto herdeiros residuais (Iturra, 1978 e 1980), os quais, uma vez mais, têm uma importância variável, dependendo dos conteúdos patrimoniais das transações matrimoniais.
1. O Problema.








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