A evacuação do Cristo de Lviv

Em tempos de guerra, tudo se faz para proteger as verdadeiras vítimas, a primeira e maior de todas as prioridades, pelo menos do lado agredido. E sempre que possível, protegem-se também as relíquias de valor inestimável, arte ou conhecimento. Na imagem vemos a estátua de Jesus Cristo da Catedral Arménia de Lviv, a ser transportada para um bunker. A última vez que tal aconteceu – se é que aconteceu mais alguma – foi durante a Segunda Guerra Mundial. Premonitório. Triste e assustadoramente premonitório.

Alemanha VS Rússia: incidente diplomático na África do Sul

Não, não é montagem. A embaixada russa na África do Sul fez mesmo um tweet em que agradece o apoio de “um grande número” – e que grande número este é – de indivíduos e organizações sul-africanas, na sua luta contra o “nazismo” na Ucrânia. E a embaixada alemã no país respondeu mesmo com outro tweet, acusando os russos de cinismo e de chacinar crianças, mulheres e homens em proveito próprio, sob o falso pretexto de lutar contra o nazismo. O tom continua a subir e esta Alemanha não parece, de todo, a Alemanha a que nos habituamos nos últimos anos. Agora que já “não precisa” do gás russo, agora que já nem o Schalke 04 precisa do petro-rublos da Gazprom, os tempos de vassalagem ao Kremlin serão apenas uma recordação do passado. Por enquanto…

Já agora, “combater o nazismo na Ucrânia” é tradução directa para russo do americanismo “armas de destruição maciça no Iraque”. As ideologias mudam, mas o modus operandi é o mesmo.

Propaganda de guerra

Segundo o Washington Post, do senhor Amazon, o FSB informou o governo de Kiev que o Kremlin enviou uma milícia chechena para assassinar Zelenskyy.

Informado pelos serviços secretos russos, o governo ucraniano reagiu, neutralizou e abateu os mercenários, a soldo do governo russo, entidade patronal do FSB.

End of story, para quem acredita nela. Teoria da conspiração por teoria da conspiração, prefiro a dos microchips do Gates.

Pelo embargo total à Federação Russa – O Equilíbrio do Terror #11

Putin invadiu a Ucrânia, ameaçou todos os membros da NATO, ameaçou a Finlândia e a Suécia, a quem violou o espaço aéreo, ameaçou dar início a uma guerra nuclear e, ontem, atacou a maior central nuclear da Europa, na cidade ucraniana de Enerhodar. A par disto, a agressão continua, imparável, e a determinação do exército e da guerrilha urbana ucraniana pouco pode contra a poderosa máquina de guerra russa. Continuam a morrer civis, a ser destruídas infra-estruturas essenciais, a ser arrasadas zonas habitacionais, e existem até relatos da entrada, em território ucraniano, de bombas termobáricas, proibidas pela convenção de Genebra. E sim, eu sei que os EUA também usaram a MOAB no Afeganistão. Mas este texto não é sobre o Afeganistão, da mesma maneira que os muitos textos que escrevi sobre o Afeganistão não eram sobre a invasão da Ossétia, da Abecásia ou da Crimeia.

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O Putin é mau, mas o gás dele é muito jeitoso

Não tinham passado 24 desde o reconhecimento da independência das repúblicas-fantoche de Lugansk e Donetsk. E, daí a outras 24, o exército de Putin atravessaria a fronteira da Ucrânia, dando início a invasão para a qual os membros da NATO estavam a alertar há vários dias. Tal não os impediu de comprar centenas de milhões de euros em gás, petróleo e outras commodities russos. Presumo que terá presidido à decisão o mesmo espírito que procurou excluir marcas de luxo do primeiro pacote de sanções. Ou abrir as comportas dos espaços aéreos, convictamente fechados à malvada Rússia, para que os pobres oligarcas pudessem entrar no seu playground. Ou, em geral, a mesma convicção democrática que nos leva a ter os chineses como principal parceiro de negócio. Os campos de concentração, perdão, de reeducação para Uigures não se vão pagar sozinhos, não é?

PCP 2008 (ou como isto não começou na semana passada)

O dia em que Putin mandou fechar a Praça Vermelha para Sócrates fazer jogging

Vejo muita gente do PS destroçada com a invasão da Ucrânia, e não duvido que estejam, mas não me lembro de ver qualquer indignação quando o corrupto czar mandou fechar a Praça Vermelha para o jogging matinal de Sócrates e sus muchachos. Não que sejam situações comparáveis, é óbvio que não são, mas não deixa de ser um bom exemplo do bom relacionamento entre as nossas elites e o regime autoritário de Vladimir Putin, ou, por outras palavras, da normalização para a qual contribuíram.

Sim, eu sei. Paulo Portas também andou aos abraços com o Maduro e Passos Coelho vendeu meio Estado ao regime totalitário instalado em Pequim. Cavaco juntou-se a minoria que votou contra a libertação de Mandela e Soares fez a folha ao Rui Mateus, de cujo livro, Contos Proibidos, o Aventar é fiel depositário. E o Durão isto, o Guterres aquilo e o Balsemão não-sei-quê Bilderberg. E isto só me leva a concluir o seguinte: andamos de calças em baixo, a normalizar ditadores e práticas ditatoriais há mais de 40 anos. E não, não é o divino Espírito Santo que os põe lá. Somos nós.

Orbán, Salazar, Putin e Hitler entram num bar

Salazar, figura maior do autoritarismo e da corrupção política deste país, mostrou os seus valores em plena Segunda Guerra Mundial, ora fazendo negócio com os Aliados, ora fazendo negócios com os Nazis, ora deixando-se fotografar com a foto do amado Duce na secretária, ora castigando Aristides Sousa Mendes por salvar judeus a mais, num acto de profundo e devoto Cristianismo.

Já Viktor Orbán, o Salazar de Budapeste, parece seguir as pisadas do fascista português. Diz-se ao lado das democracias ocidentais, apesar de repudiar o seu modo de vida, presta vassalagem ao Adolfo de São Petersburgo, agora estrategicamente suspensa, enquanto aguarda o desfecho da guerra, e não está disponível para auxiliar o esforço de guerra ucraniano, ou sequer de permitir a passagem, pelo seu território, de armamento fornecido por Estados-membros à Ucrânia.

O argumento do regime húngaro é não querer arriscar um ataque ao país, caso Putin se aperceba da passagem de tais armas. Argumento nobre para quem integra a UE, que se quer solidária, e a NATO, uma aliança militar que, em caso de invasão russa, será a única a vir em seu socorro, agora que os amigos do Kremlin estão na outra trincheira. A menos que Orbán seja o Facho de Tróia. Sim, o Facho. Ia agora insultar os cavalos porquê?

Rápido, abram o espaço aéreo europeu! Vem aí mais um oligarca russo! – O Equilíbrio do Terror #10

Alexander Abramov, co-fundador da Evraz, a maior empresa de produção de aço da Federação Russa, à qual preside e através da qual controla subsidiárias nos EUA e Reino Unido, aterrou hoje em Londres, no seu jacto privado. Apesar do espaço aéreo, fechado para inglês ver.

Este fiel vassalo de Putin é apenas um entre vários oligarcas que abandonaram o país em direcção aos espaços aéreos que o Ocidente fechou, mas que lá se vão abrindo pelo preço certo em euros. Uma vez aqui, rapidamente serão reciclados, eventualmente apresentados como heróicos dissidentes, para regressar ao fausto financiado por décadas de extorsão do povo russo, liberalmente branqueada pelas incansaveis lavandarias europeias. Para Marx, o capital não tinha pátria. Para o capitalismo, que se foda a pátria que o dinheiro é sempre limpo, mesmo que ensopado de sangue.

Soldados russos agridem violentamente ucraniana de 12 anos

Agora que tenho a vossa atenção, que diminuiria drasticamente caso o título escolhido fosse honesto, quando é que começamos a exigir sanções contra o governo israelita, que nunca respeitou os acordos de Minsk, perdão, o plano de partilha da ONU de 1947, e que continua a violar direitos humanos, a segregar palestinianos e a construir colonatos ilegais na Cisjordânia? Que ocupa diariamente território palestiniano, tal e qual as tropas de Putin na Ucrânia?

Sim, eu sei, o que se passa na Ucrânia não tem nada a ver com liberdade, democracia, direito internacional ou autodeterminação dos ucranianos. Tem a ver com poder. Com a “justiça” do mais forte. Com a dualidade de critérios que preside à ordem mundial, que determina quais as invasões, guerras, fomes e genocídios do bem e as restantes, aquelas que devemos considerar inaceitáveis. Que determina que oligarcas, criminosos e tiranos podem ou não investir nas democracias liberais. Os de Putin, por exemplo, ainda na semana passada tinham livre-trânsito em todo o mundo ocidental. E mansões em Kensington. E contas na Suíça. E lojas da Gucci a fechar portas para receber a sua família. E clubes de futebol por toda a Europa. O que me leva a crer que, na semana passada, a Federação Russa era uma democracia liberal. Não era, hipócritas?

O Equilíbrio do Terror #8 – Lukashenko nuclear

Entretanto, na Bielorrússia, o fim de semana foi de referendo. Com a invasão da Ucrânia em curso, na qual Lukashenko está a participar, e 30 mil soldados russos no território, a garantir que o processo decorre com a necessária “normalidade”.

Surpreendentemente, 62,5% da população votou favoravelmente o fim do estatuto de neutralidade nuclear do país. E digo surpreendentemente, na medida em que era expectável que 99,8% dos bielorrussos estivessem devidamente alinhados com as directrizes transmitidas pelo Kremlin ao fantoche de Minsk.

Perante este resultado, que configura, também ele, uma ameaça ao Ocidente, é meu entendimento que a NATO deverá responder e não ficar de braços cruzados. Se Putin instalar capacidade nuclear na Bielorrússia, talvez não seja má ideia acompanhar a escalada e entrar no jogo da dissuasão. Estou certo que os Estados Bálticos aceitarão, de bom grado, que se instalem uns quantos mísseis no seu território. São Petersburgo está ali ao lado, Kalininegrado também. E Moscovo é já além…

Putin, Bin Salman e a direita que não legitima ditadores, tirando aqueles que legitima

Mohammed Bin Salman, o Kim Jong-un da Arábia Saudita, famoso por fatiar jornalistas incómodos em embaixadas estrangeiras e nem por isso deixar o ter o seu ass licked pelos capitalism freedom fighters da direita ocidental, que adoram a democracia mas gostam ainda mais de petro-dólares, pinguem o sangue que pinguem, reafirmou o compromisso da OPEP com o tirano que invadiu a Ucrânia. É sempre bom saber quem está ao lado estão os nossos fiáveis parceiros do Golfo. Após a abstenção dos EAU no condenação de Putin no Conselho de Segurança, ficamos todos muito mais tranquilos.

Se fosse o PCP, a frente conservadora-liberal-fascista que se organizou para derrubar os comunistas já estaria aos berros no meio da rua, porque democracia, liberdade e pardais ao ninho. Acontece que a direita não cospe em mãos invisíveis, e o homem até faz boas compras de armamento aos EUA, e de imobiliário na Europa, e de software de detecção de jornalistas para fatiar em Israel, pelo que convém ficar caladinho, não vá o capitalismo ver vedado o acesso ao dinheiro totalitário do bem.

O Equilíbrio do Terror #7 – Putin, o Mundial do Qatar e o erro de insistir no erro

Insistimos nestas figuras. Em 2018, era vê-los a todos nos camarotes do Mundial da Rússia, poucos meses após o envenenamento de Sergei Skripal. Penso que os britânicos foram os únicos a não comparecer. Agora, queremos excluir um tirano de um Mundial de futebol, que terá lugar numa monarquia absoluta, governada por outro tirano.

Um Mundial de futebol que, não tendo ainda começado, está marcado pela corrupção e por violações de direitos humanos de milhares de trabalhadores dos estádios, acessos e outras infraestruturas construídas para o efeito.

Um Mundial de futebol que nenhuma selecção de nenhuma democracia teve a coragem de boicotar, apesar das centenas de trabalhadores semi-escravos que morreram para o levantar. Apesar da natureza totalitária do regime Qatari.

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O Equilíbrio do Terror #6 – não há comparação possível

Há quem ainda esteja a insistir na falsa equivalência, entre aquilo que é a expansão da NATO para Leste, que é uma decisão discutível e que, naturalmente, não agrada ao Kremlin, com aquilo que é uma agressão militar efectiva, como aquela que está em curso na Ucrânia. Mas não existe comparação possível. Estão a morrer pessoas. Está em curso a destruição de um país. Há milhares de pessoas em pânico, a fugir em direcção à fronteira. Há uma crise económica, energética e – sobretudo – humanitária a descer montanha abaixo, como uma bola de neve. Há crianças aterrorizadas, a chorar, e idosos em pânico, sem forças um recursos para fugir.

Não há comparação possível.

Sou anti-imperialista, sempre serei, e isso vale para agressões levadas a cabo por americanos, chineses ou russos. Não obstante, a guerra desencadeada por Putin não encontra legitimação na invasão do Iraque ou no golpe de Estado contra Allende. Houve um tempo para criticar essas acções. E podemos debatê-las (e criticá-las) hoje, amanhã ou todos os dias, se assim o entendermos. Mas isto é não um concurso de whataboutism. Porque é possível ser critico do imperialismo americano sem o usar como argumento para legitimar o imperialismo russo. Para legitimar ameaças de guerra nuclear, bombardeamentos e mortes. E a agressão em curso não é uma resposta a outra agressão. Não é legitima defesa. É uma decisão expansionista que se funda na visão imperialista de Vladimir Putin. Ou estamos contra, ou estamos a favor. Não há meio termo. E que se refugia em “se’s” e “mas” escolhe um lado. O lado da agressão.

O Equilíbrio do Terror #3 – Putin, o querido líder da extrema-direita internacional

O partido do Putin, o Rússia Unida, é um partido de extrema-direita, que se rege pela mesma cartilha da extrema-direita europeia: é nacionalista, securitarista, ultraconservador, tradicionalista e apoia-se na Igreja Ortodoxa como a extrema-direita ocidental se apoia na Católica. Anti-progressista, o Rússia Unida é profundamente racista e xenófobo, intolerante em relação a minorias étnicas, absolutamente intolerante em relação à comunidade LGTB, anti-aborto, anti-eutanásia, anti-ideologia de género e usa slogans estilo “Rússia Primeiro” ou frases como “vai para a tua terra”, dirigida a pessoas de outras nacionalidades.

Rejeita, em absoluto, a luta de classes, basilar para qualquer partido comunista, e, em certa medida, transversal à generalidade das correntes de esquerda. Aliás, no seu discurso de há dois dias, quando anunciou ao mundo o reconhecimento das “repúblicas” de Lugansk e Donetsk, Putin foi muito crítico de Lenine, que seria a mesma coisa que o Papa ser muito crítico de Deus.

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O Equilíbrio do Terror #1 – Realpolitik, from Kiev, with (no) love

Quando o Kosovo declarou independência da Sérvia, a decisão foi entusiasticamente reconhecida e apoiada pela Administração Bush. A Federação Russa, por seu lado, já com Putin ao leme, condenou e opôs-se àquilo que considerou uma agressão à soberania da Sérvia. Foi em 2008. Ontem, portanto.

De lá para cá, passaram-se 13 anos. E ontem, sem grande surpresa, os papéis inverteram-se. Putin, qual Bush, decidiu reconhecer a independência dos oblasts de Lugansk e Donetsk como repúblicas independentes. Biden, qual Putin, não demorou a condenar a violação da soberania ucraniana.

Reduzir o que se passa no leste da Ucrânia a “bons” contra “maus” é um completo absurdo. O que se passa na fronteira russo-ucraniana é realpolitik a acontecer. É um embate entre duas potencias que pretendem exactamente o mesmo: reforçar a sua posição e o seu poder. Estão-se nas tintas para os ucranianos, estão-se nas tintas para os separatistas do Donbass, estão-se nas tintas para a segurança da UE. Todos eles são meios para fins que se estão igualmente nas tintas para os actores secundários. Em realpolitik, não existe espaço para considerações éticas ou morais. Hard power, bruto e sem sentimentos, como Nye o descreveu.

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A falsa equivalência

CR (2)

Na narrativa do fascismo do terceiro milénio, a luta por mais e melhores direitos civis, em particular de quem não os tem, representa uma ameaça à sobrevivência da nação e dos patriotas, seja lá o que isso significa para essas pessoas. Depois existem os idiotas úteis, que, não sendo necessariamente mal-intencionados, caem na esparrela da falsa equivalência, abrindo caminho para a normalização da extrema-direita. [Read more…]

Será que tens mesmo os tomates no sítio, Argentina?

A selecção argentina cancelou o jogo amigável com a sua congénere israelita, devido a alegadas pressões da parte de movimentos organizados que contestam a ocupação violenta da Palestina por forças israelitas. Parece-me uma excelente iniciativa, na medida em que sou da opinião que todos os regimes opressores deste planeta devem ser punidos, sancionados e isolados. Posto isto, aguarda-se, a qualquer momento, o anúncio oficial do boicote da selecção das Pampas ao Campeonato do Mundo, que este ano se realiza na Federação Russa. A ver vamos, de que material são feitos estes argentinos.

Para que não restem dúvidas sobre quem realmente manda

Europe

Imagem via The Globalist

Na imagem, cada país surge com a bandeira do seu principal parceiro comercial. A Alemanha domina a Europa, a Federação Russa o seu quintal e a China os dois anteriores, mais uns subúrbios mediterrâneos. Da grande América de Trump apenas uma bandeira no seu enclave no Médio Oriente. Para que não restem dúvidas sobre quem realmente manda.

 

Síria, 15 anos após as armas de destruição maciça que ninguém conseguiu encontrar no Iraque

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Fotografia: Associated Press

Passaram 15 anos desde a invasão do Iraque e as armas de destruição maciça do regime de Saddam, cuja existência Bush, Blair, Aznar e Barroso juravam poder provar factualmente, continuam em parte incerta.

Esta noite, Trump, May e Macron bombardearam um Estado soberano, em violação da Carta das Nações Unidas, do seu Conselho de Segurança e das mais elementares normas do direito internacional que norteiam as relações internacionais entre estados civilizados, partindo do pressuposto de que o regime de Assad terá usado armas químicas contra a sua população, sem, contudo, apresentarem ao mundo as provas irrefutáveis que afirmam ter. Tal como aconteceu em 2003, quando o Iraque foi invadido. Com todas as consequências que isso teve, da escalada da violência ao sólo fértil onde germinou o Daesh. [Read more…]

O poder do Kremlin hasteado na City de Londres

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No coração do centro financeiro de Sua Majestade, na mesma praça onde podemos encontrar a sede do Bank of England e o Royal Exchange, não passa despercebida uma enorme bandeira da Federação Russa, hasteada no topo de um imponente edifício onde se situam os escritórios do VTB Capital, um banco de investimento russo que integra o VTB Group, um dos maiores bancos estatais controlados directamente pelo Kremlin.

No topo da hierarquia deste gigante da alta finança, presente em destinos governados por pessoas de bem como Nova Iorque, Viena ou Kiev, estão dois oligarcas próximos de Vladimir Putin, Andrey Kostin e Anton Siluanov, sendo que este último acumula a função de Chairman do Conselho de Supervisão do grupo com a pasta das Finanças do governo russo. [Read more…]

Putin, Skripal e os bravos do pelotão ocidental

VPTM

O incorruptível e imaculado mundo ocidental protagonizou ontem uma grande demonstração de bravura, decidindo retaliar contra a alegada-mas-quase-certa execução do ex-espião russo Sergei Skripal, a mando do Kremlin, em território britânico e com recurso a uma sofisticada arma química.

E o que fizeram os corajosos Estados que se alinharam com a posição britânica? Terão eles cortado relações comerciais com a ditadura putinista? Terão dado instruções para que as suas multinacionais cessassem actividades em solo russo, fazendo com que as principais marcas de luxo americanas e europeias perdessem um dos seus principais mercados? Terão eles cancelado toda a qualquer parceria entre as petrolíferas ocidentais e as estatais russas, sempre imunes a sanções ou outros diferendos políticos e geoestratégicos? [Read more…]

A encruzilhada geopolítica grega

Geo

Encostado à parede pelos parceiros europeus, o governo grego procura soluções noutras latitudes. Alexis Tsipras deslocou-se ontem a Moscovo para fechar um acordo de 2 mil milhões de euros com o governo de Vladimir Putin para a extensão de um gasoduto russo até à Grécia, mas também para negociar outros acordos, nomeadamente na área dos produtos agrícolas, isto apesar da recente decisão da União Europeia em prolongar as sanções impostas ao país. Bruxelas, como seria de esperar, não vê com bons olhos esta aproximação, apesar das empresas petrolíferas europeias e americanas continuarem a explorar petróleo em território russo e em parceria com a estatal Rosneft, sem que tal levante grandes indignações.

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Eles “andem” aí…

caças

Os russos andaram aí. Voaram por cima de Portugal e, tal como Evo Morales, não chegaram a parar. O destaque no site da TVI24 é genial: “Ordem de interceção veio da NATO e foi até Cavaco. Pilotos portugueses expulsaram os russos do espaço aéreo de responsabilidade nacional por gestos.” Vejam bem o nível hollywoodesco da cena: Europa em pânico com a passagem ameaçadora de 2 aviões russos (pelos vistos eram 8 mas 6 assustaram-se com os aviões noruegueses e voltaram para trás), os gajos aproximam-se de Portugal, o comando da NATO eleva o grau de alerta e avisa a hierarquia de comando nacional até que a informação, classified, chega a Cavaco – queria dizer alguma coisa sobre este momento, mas a ideia do comunicado do comando supremo da NATO e chegar ao Cavaco é hilariante e inenarrável – os nossos caças levantam voo e expulsam os russos do nosso espaço aéreo. Com gestos. Mission accomplished. “Nem na Guerra Fria aconteceu“. Pois não. Nem em Hollywood quanto mais na Guerra Fria…

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Embargos à moda do Ocidente

decat

Desde que os russos ocuparam a Crimeia, um conjunto de sanções têm sido anunciadas pelas autoridades europeias e norte-americanas, como forma de punir Moscovo pelo seu ímpeto imperialista, ímpeto esse que, como sabemos, é um exclusivo de países como os EUA ou Reino Unido, com a conivência de alguns dos seus vassalos ocidentais. Porém, não há registo de qualquer imposição ou obstáculo colocado ao normal funcionamento das actividades de empresas europeias e norte-americanas na Federação Russa.

Apesar dos embargos e do congelamento de bens de alguns oligarcas próximos de Vladimir Putin em solo americano, o mundo dos negócios não parece muito afectado pelo discurso propagandístico e pseudo-moralista dos responsáveis políticos ocidentais. A verdade é que as empresas americanas e europeias estão pouco interessadas em abandonar a consumista e rentável capital russa. E não será um Obama ou uma Merkel que as irá impedir de prosseguirem com os seus negócios.

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Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço

Barack Obama, Vladimir Putin

O império norte-americano, em toda a sua plenitude balofa e tentacular cujas ventosas, agarradas a meio planeta, vão sugando e destruindo tudo o que as suas ainda mais obesas corporações lhe vão exigindo, da América Central à Latina, passando pelo Médio Oriente e pela superioridade hierárquica exercida sobre a Europa, não admite comportamentos similares aos seus. Financiamento de golpes de Estado, treino de milícias terroristas ou violações constantes da soberania de qualquer país onde Tio Sam queira “penetrar” são acções que, pela sua complexidade ética e moral, deverão ser sempre um exclusivo dos norte-americanos, da NATO controlada pelos norte-americanos ou da ONU controlada pelos norte-americanos. Sempre que as elites norte-americanas assim o exigirem.

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