
…em 2015, no aftermath da ocupação da Crimeia. A análise está tão à frente no tempo que poderia ter sido escrita ontem e ainda estaria. O Ocidente viu, e também sabia. Tal como Putin sabia o preço do seu silêncio e colaboracionismo.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

…em 2015, no aftermath da ocupação da Crimeia. A análise está tão à frente no tempo que poderia ter sido escrita ontem e ainda estaria. O Ocidente viu, e também sabia. Tal como Putin sabia o preço do seu silêncio e colaboracionismo.
Espero, muito sinceramente, que seja brincadeira. Não que a ideia do regresso dos mortos à vida não seja inspirador, mas se já estamos neste patamar de propaganda, a coisa ainda está pior do que eu imaginava.

O meu camarada aventador, Fernando Moreira de Sá, escreveu aqui um texto interessante, sobre o qual me apraz deixar aqui sete notas, tipo sete pecados mortais. Aqui vão eles:
1) A discussão extremada que o Fernando refere é real, dura há anos, para não dizer décadas, e continuará bem viva, enquanto a dualidade de critérios imperar. Arrisco dizer para sempre. No caso presente, é interessante notar que há quem fique muito ofendido quando outro alguém ousa trazer para a discussão sobre a presente invasão os antecedentes que dela são indissociáveis, como se isso implicasse, necessariamente, legitimar a invasão ou defender Putin. Até porque, de uma maneira geral, as pessoas que recusam ouvir falar desses antecedentes, alguns dos quais bem presentes, são as mesmas que estão constantemente a falar – e bem – na barbárie estalinista, tendo Estaline morrido há mais de 60 anos.
2) Sobre a ideia do Império do Mal, importa referir que o Ocidente não é um império uno e indivisível. Os criminosos ocidentais estão bem identificados e não é a pertença à NATO que os define. É, por exemplo, invadir um país sem consultar todos os seus parceiros, e com base num pressuposto fabricado, como os EUA fizeram com a segunda invasão do Iraque. É, também, orquestrar um golpe de Estado contra um governo democraticamente eleito, pelo motivo de esse governo não ser favorável aos interesses de Washington. É, igualmente, nunca ter respeitado o plano de partilha da Palestina, aprovado por uma larga maioria dos membros de então da ONU, e continuar a construir colonatos ilegais na Cisjordânia, impondo uma verdadeira ditadura ao povo palestiniano. Dito isto, ninguém considera uma Noruega, uma Islândia ou Portugal como fazendo parte de um qualquer Império do Mal. Portanto não é de Ocidente que falamos, mas de agressores patológicos, como os EUA e Israel, que sim, devem ser criticados e moralmente condenados pelas suas acções, que alguns teimam em desculpar.

Marco Galinha, proprietário do Grupo Bel, que detém a Global Média (DN, JN e TSF), tem estado nas bocas do mundo pela sua ligação a Markus Leivikov, oligarca russo com vários investimentos em Portugal, sócio e sogro do tubarão da comunicação social portuguesa.
As ligações de Leivikov ao regime cleptocrata de Putin e a outros oligarcas são já bastante conhecidas, e foram alvo de análise na RTP, no programa A Prova dos Factos, não deixando grande margem para dúvidas, pese embora o negacionismo de Marco Galinha, quando confrontado com a natureza sombria do enorme património do seu sogro e sócio, com ligações estreitas à cúpula do regime russo.
Mariana Mortágua, o maior pesadelo da elite financeira e empresarial versada na trafulhice, foi quem denunciou a ligação de Marco Galinha a Markus Leivikov. Meteu o dedo na ferida e afrontou o big shot, como é seu costume. Poucos dias depois, no tablóide Tal & Qual, Mortágua é acusada de, e cito, “Só depois de a avença ter sido suspensa se lembrou de atacar quem lhe paga…” referindo-se a condição de colunista do JN da deputada do BE.

Mas o que tem o tablóide renascido das cinzas a ver com esta trama, se nem faz parte do império de Marco Galinha?
Nada de mais. Apenas o facto de Marco Galinha ter feito tudo para que o Tal & Qual voltasse a ver a luz do dia, como nos permite concluir a publicação em baixo, de José Paulo Fernandes-Fafe, jornalista ligado ao tablóide desde os seus primórdios, que volta a integrar a equipa após a ressurreição do título. E o tablóide, ao contrário daquilo que acusa Mariana Mortágua, não ataca quem lhe paga. Opta antes por fazer o frete, com honras de capa, como se de um grande acontecimento se tratasse.

Curiosamente, vemos na mesma capa André Ventura em grande destaque, por uma alegada e não provada tampa que terá dado a Vladimir Putin, o que não deixa também de ser curioso, ou não tivesse Marco Galinha assumido querer mais espaço para o CH – do qual o seu irmão é militante activo e bem relacionado – nos títulos da Global Media. Uma coincidência, seguramente. Sobre essa e outras coincidências, vale a pena ler o Miguel Carvalho, na Visão.
E ainda há quem ache que é a esquerda que controla a imprensa deste país. Yeah right…

A propaganda de guerra ucraniana construiu a narrativa, a imprensa difundiu-a e as redes sociais romantizaram a encenação, com relatos de colunas militares russas abandonadas e soldados russos de bandeira branca na mão. Infelizmente, não passa de uma ilusão. A Ucrânia não está a resistir. A Ucrânia está a ser esmagada, lentamente, perante a passividade expectável do Ocidente, que se mantém na defensiva para evitar uma eventual escalada nuclear. As forças armadas ucranianas estão reduzidas a quase nada, com recursos cada vez mais escassos, e será uma questão de tempo até que Putin ocupe todas as principais cidades e a zona sul, do Donbas à Crimeia.
Se a situação se complicar para os russos, Putin porá mais carne no assador. Não irá com tudo, porque não precisa, mas convocará o suficiente para subjugar o que resta do exército e da resistência civil. O número de mortes aumentará, a destruição do país também, e o futuro estará ainda mais comprometido, como se a perspectiva de se transformar num estado-vassalo do Kremlin não fosse já suficientemente perturbadora. Não vale a pena alimentar ilusões. Sozinha, a Ucrânia não tem a mínima hipótese. E a Ucrânia, ela própria a primeira vítima desta ilusão colectiva, está sozinha. A resistência é uma ilusão e durará enquanto Putin assim quiser.

Ao que tudo indica, Inna Ohnivets não está alinhada com a narrativa do PCP pró-Putin. Poderá dar-se o caso de ter um familiar refém na Soeiro Pereira Gomes. Nunca se sabe. Com estes comunistas, todo o cuidado é pouco. Os tipos do Estado Novo que o digam.

Quando o preço do barril cai, as gasolineiras rapidamente nos informam que a queda só se reflecte daí a uns meses. Quando sobe, o aumento reflecte-se no dia seguinte e a culpa é do governo. E, de facto, o governo bem que se podia deixar de autovouchers e reduzir o ISP para ajudar os portugueses a fazer face à subida em curso, que não vai parar por aqui. Mas não foi o governo que decidiu aumentar os preços. Foram as gasolineiras. Mas lá chegará o dia em que os portugueses sentirão, nos seus bolsos, os efeitos fabulosos da liberalização do sector. Tem corrido maravilhosamente.

Andamos há anos a ouvi-los, aos berros, a anunciar o fim do mundo, porque a maleita do politicamente correcto se abateu sobre nós. Já não se pode gozar com homossexuais, não se pode poluir à vontade, não se pode ser nazi descansado, não se pode ser racista sem aparecer um woke zangado. Uma tragédia de proporções só comparáveis às do Holocausto.
Fora de tangas, é verdade que o policiamento da linguagem, em alguns momentos, tem ido longe de mais. Que a linguagem dita inclusiva, não raras vezes, atropela a integridade da língua portuguesa e a liberdade de expressão, para não falar em episódios absolutamente ridículos como aquele em que os seus proponentes defendem a substituição da palavra “mãe” por pessoa lactante, para não incomodar a ala mais radical da génerosfera.
O politicamente correcto tem sido associado à esquerda, criando, à direita, uma espécie de contra-cultura de inconformados, que não aceitam nenhum dos pressupostos associados ao conceito. No entanto, desde o início desta guerra, emergiu um novo politicamente correcto, com um nível de policiamento da linguagem sem precedentes. Já não se trata de apontar o dedo a quem discrimina ou agride verbalmente. Trata-se de rotular de ditador quem ousa meter o dedo numa ferida, que é real e factual.
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Milhares de ucranianos, amontoados e desesperados, procuram embarcar num comboio que os tire do inferno em que se transformou a sua cidade e o seu país. Dali para fora, em direcção à Europa, uma das financiadoras indirectas da destruição em curso. Não é paradoxo. É só o capitalismo na versão predilecta dos hooligans neoliberais. Porque o mercado, quando nasce livre, não exclui ditadores. Recebe-os de braços abertos.

Eis a lista da vergonha: Auchan, BASF, Bayer, British American Tobacco, Bosch, Burger King, Henkel, Imperial Tobacco, KFC, LG, Nestle, McDonald’s, Metro AG, Miele, Pepsico, Philip Morris, Pirelli, Starbucks, Stellantis, Swatch, Tesco.
Talvez não estejam aqui todas, e mais haveria a dizer sobre as empresas do ramo da energia, mas, sobre essas, escreverei mais tarde. Sobre estas, assumo o meu absoluto radicalismo: boicote total a quem contribui para que Putin continue a oprimir a Ucrânia.

Em tempos de guerra, tudo se faz para proteger as verdadeiras vítimas, a primeira e maior de todas as prioridades, pelo menos do lado agredido. E sempre que possível, protegem-se também as relíquias de valor inestimável, arte ou conhecimento. Na imagem vemos a estátua de Jesus Cristo da Catedral Arménia de Lviv, a ser transportada para um bunker. A última vez que tal aconteceu – se é que aconteceu mais alguma – foi durante a Segunda Guerra Mundial. Premonitório. Triste e assustadoramente premonitório.

Ouço na rádio que vem aí uma crise humanitária sem precedentes, nunca antes vista. Sorte a nossa, o Iémen não existe, não é real. Tal como não são reais os 14,5 milhões de iemenitas que passam fome, os 20 milhões a precisar de ajuda humanitária urgente e os 377 mil mortos, desde que o conflito começou, em 2014. Sim, eu sei, não passa no telejornal. Não há edifícios iluminados com a bandeira do Iémen, grandes recolhas de donativos ou manifestações com jotas abraçados em frente à embaixada da Arábia Saudita. Mas está a acontecer e 70% das vítimas mortais são crianças. 264 mil crianças, levada pela guerra, pela fome ou pela doença, que nunca souberam o que é ser criança e que não nos merecem o mínimo esforço voluntário ou indignação.
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Sorte a nossa, a conta não deu 69. Caso contrário, suspeito que alguém ainda acabava cancelado por sabe-se lá o quê. Resta saber o que significa este número, de maneira que se aceitam contributos que nos permitam desvendar o mistério.
Chalupas de todo o mundo, uni-vos!

Ontem estávamos assim. Hoje, seguramente, já terão saído muitos milhares mais. As perspectivas são pessimistas e deixam antever que a fuga em massa continue a aumentar e a colocar uma pressão adicional sobre os Estados limítrofes e sobre a Europa em geral. Este desafio junta-se a todos os outros e transforma-se, ele próprio, numa frente de batalha. Putin conta com ela. Nada foi deixado ao acaso.

“Queremos paz…
Queremos construir una vida mejor para nuestro pueblo…
Independiente…“

Na sua casa em Kiev, o arquitecto e investigador Lev Shevchenko ergueu uma barricada de livros, junto à janela, para evitar que os estilhaços resultantes de uma eventual explosão atinjam os moradores. Não será por acaso que os ditadores odeiam e censuram a cultura. Os livros salvam vidas.

Segundo o Washington Post, do senhor Amazon, o FSB informou o governo de Kiev que o Kremlin enviou uma milícia chechena para assassinar Zelenskyy.
Informado pelos serviços secretos russos, o governo ucraniano reagiu, neutralizou e abateu os mercenários, a soldo do governo russo, entidade patronal do FSB.
End of story, para quem acredita nela. Teoria da conspiração por teoria da conspiração, prefiro a dos microchips do Gates.
Putin invadiu a Ucrânia, ameaçou todos os membros da NATO, ameaçou a Finlândia e a Suécia, a quem violou o espaço aéreo, ameaçou dar início a uma guerra nuclear e, ontem, atacou a maior central nuclear da Europa, na cidade ucraniana de Enerhodar. A par disto, a agressão continua, imparável, e a determinação do exército e da guerrilha urbana ucraniana pouco pode contra a poderosa máquina de guerra russa. Continuam a morrer civis, a ser destruídas infra-estruturas essenciais, a ser arrasadas zonas habitacionais, e existem até relatos da entrada, em território ucraniano, de bombas termobáricas, proibidas pela convenção de Genebra. E sim, eu sei que os EUA também usaram a MOAB no Afeganistão. Mas este texto não é sobre o Afeganistão, da mesma maneira que os muitos textos que escrevi sobre o Afeganistão não eram sobre a invasão da Ossétia, da Abecásia ou da Crimeia.
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Não tinham passado 24 desde o reconhecimento da independência das repúblicas-fantoche de Lugansk e Donetsk. E, daí a outras 24, o exército de Putin atravessaria a fronteira da Ucrânia, dando início a invasão para a qual os membros da NATO estavam a alertar há vários dias. Tal não os impediu de comprar centenas de milhões de euros em gás, petróleo e outras commodities russos. Presumo que terá presidido à decisão o mesmo espírito que procurou excluir marcas de luxo do primeiro pacote de sanções. Ou abrir as comportas dos espaços aéreos, convictamente fechados à malvada Rússia, para que os pobres oligarcas pudessem entrar no seu playground. Ou, em geral, a mesma convicção democrática que nos leva a ter os chineses como principal parceiro de negócio. Os campos de concentração, perdão, de reeducação para Uigures não se vão pagar sozinhos, não é?

A purga cirurgicamente orquestrada pelos luso-McCarthys do Twitter, com a qual se pretende usar a guerra na Ucrânia para manipular emocionalmente tantos quantos for possível, para, de seguida, culpar o PCP pela morte de todos os ucranianos, atingiu ontem um novo patamar. Terminada a fase da disseminação de ódio primário, entramos agora na fase do delírio em Las Vegas.
Segundo este utilizador do Twitter, o PCP terá assassinado 30 milhões de pessoas, o que levanta uma questão fundamental, que exige resposta imediata: se a totalidade da população portuguesa foi assassinada três vezes, quem somos nós? Espanhóis? Soviéticos? Oompa Loompas? Cyborgs? Um grande enigma…
Parabéns, luso-McCarthys, nem o Putin se lembraria de tal coisa. Cambridge Analytica 4life.

Ainda sou do tempo em que Salgado, e outros como ele, patrocinavam tudo e todos. Ds selecção nacional de futebol às férias na neve de José Gomes Ferreira e Paulo Ferreira, entre outros jornalistas acima de qualquer suspeita, o dinheiro do oligarca de Cascais chegava a todo o lado. E se alguém ousava falar sobre as muitas suspeitas dos muitos crimes que há anos sobre ele pendiam, sempre surgia alguém a mandá-los calar, porque davam emprego a muita a gente e o que nós precisávamos era de mais uns quantos iguais.
Depois, começaram a cair em desgraça, uns atrás dos outros, e já ninguém se lembrava dos empregos, das mesadas, das capas da Exame com os CEOs do ano, do mecenato e da filantropia que paga com benefícios fiscais. Já ninguém era amigo deles. Acontece agora o mesmo com os oligarcas russos. E, suspeito, virá o tempo em que os seus congéneres chineses, que hoje controlam meio país, também cairão em desgraça. E a jihad do mercado livre, que lhes fez juras de amor num anexo da sede do Partido Comunista Chinês, garantirá que nunca se envolveu com tão má rês. E os senhores da narrativa, aqueles que controlam, de facto, os órgãos de comunicação social, cá estarão para garantir que tudo se desenrolará de acordo com o plano.
Lembram-se da luta dos luso-McCarthys, que, durante anos, combateram a crescente influência de oligarcas russos, chineses, angolanos e de outras nacionalidades na economia portuguesa?
Pois não, não lembram. Não lembram porque nunca aconteceu. Estavam ocupados a garantir o seu quinhão de dinheiro sujo, extorquido a milhões de pessoas oprimidas por governos totalitários, a quem vendemos grupos de comunicação social, empresas, mansões e nacionalidade através do branqueador preferido das elites capitalistas: o Visto Gold.
Então, o que mudou?
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Das duas uma: ou Nuno Melo é um aldrabão, ou então é um incompetente que não está a fazer nada em Bruxelas, que não seja gastar o nosso dinheiro. A votação em causa é anterior à invasão e nada tem a ver com a guerra desencadeada por Putin. Estará Melo a aproveitar-se do sofrimento dos ucranianos para obter ganhas para o CDS? Se não é, parece.
A direita, em particular a liberal e a radical, onde se insere Nuno Melo, tem estado mais focada em atacar o PCP do que em discutir o que se passa na Ucrânia. Mas desengane-se quem pensa que isto tem a ver com a posição do PCP ou que vai parar por aí. A seguir, como se vê neste caso, será o BE. Seguir-se-á o Livre e, finalmente, o PS. Todos serão culpados pela invasão da Ucrânia, a guerra chegará ao fim e os financiadores da direita reunir-se-ão novamente com os oligarcas, num abraço emotivo com mãos invisíveis e bolsos cheios.

Vejo muita gente do PS destroçada com a invasão da Ucrânia, e não duvido que estejam, mas não me lembro de ver qualquer indignação quando o corrupto czar mandou fechar a Praça Vermelha para o jogging matinal de Sócrates e sus muchachos. Não que sejam situações comparáveis, é óbvio que não são, mas não deixa de ser um bom exemplo do bom relacionamento entre as nossas elites e o regime autoritário de Vladimir Putin, ou, por outras palavras, da normalização para a qual contribuíram.

Sim, eu sei. Paulo Portas também andou aos abraços com o Maduro e Passos Coelho vendeu meio Estado ao regime totalitário instalado em Pequim. Cavaco juntou-se a minoria que votou contra a libertação de Mandela e Soares fez a folha ao Rui Mateus, de cujo livro, Contos Proibidos, o Aventar é fiel depositário. E o Durão isto, o Guterres aquilo e o Balsemão não-sei-quê Bilderberg. E isto só me leva a concluir o seguinte: andamos de calças em baixo, a normalizar ditadores e práticas ditatoriais há mais de 40 anos. E não, não é o divino Espírito Santo que os põe lá. Somos nós.


Não é à toa que a narrativa dominante impõe um silêncio sobre o passado, rotulando de apoiante de Putin quem ousa falar nos antecedentes desta guerra. Não que eles justifiquem a agressão, que deve ser condenada e combatida por todos os meios e sem hesitações – e eu defendo, há vários anos, um embargo à Rússia, quando ainda muitos destes freedoms fighters da treta estendiam tapetes vermelhos aos oligarcas que continuam a voar para a Europa, apesar dos espaços aéreos fechados – mas a tentativa de reescrever a história que está em curso é ilustrativa do quão usado o povo ucraniano e o seu sofrimento estão a ser. Usados por gente que se está literalmente nas tintas para eles. Usado, aqui em Portugal, por muitos daqueles que os trataram como merda, quando aqui começaram a chegar há 20 anos, e os remeteram para as obras e para as limpezas, ignorando diplomas e elevados níveis de formação superior, com a arrogância xenófoba que se lhes conhece.
Sou pela autodeterminação dos ucranianos, pelo respeito pelo direito internacional e pelo isolamento total de Putin, que defendo desde 2014, sem “mas” nem meio “mas”. Também sou pela autodeterminação dos palestinianos, que estão a ser agredidos hoje, foram-no ontem e sê-lo-ão amanhã. Pela sua autodeterminação, pelo respeito pelo direito internacional, no que toca também (mas não só) ao cumprimento do plano de partilha da Palestina de 1947, que nunca foi respeitado por Israel, que continua a construir colonatos ilegais na Cisjordânia (hoje, não há não-sei-quantos anos), e pelo julgamento dos criminosos de guerra que, protegidos pelas potências ocidentais e pela nossa cobardia, continuam a espancar e a matar crianças, idosos, mulheres e homens que só querem ser livres. Como os ucranianos. Porque continuamos a negar aos palestinianos os mesmos direitos que hoje nos mobilizam pelos ucranianos? Simples: porque isso não serve a agenda de quem realmente manda nisto tudo. E, por isso, um palestiniano que luta contra um colonato ilegal na Cisjordânia é terrorista, e um ucraniano que luta contra a ocupação da sua cidade é um herói.

Salazar, figura maior do autoritarismo e da corrupção política deste país, mostrou os seus valores em plena Segunda Guerra Mundial, ora fazendo negócio com os Aliados, ora fazendo negócios com os Nazis, ora deixando-se fotografar com a foto do amado Duce na secretária, ora castigando Aristides Sousa Mendes por salvar judeus a mais, num acto de profundo e devoto Cristianismo.
Já Viktor Orbán, o Salazar de Budapeste, parece seguir as pisadas do fascista português. Diz-se ao lado das democracias ocidentais, apesar de repudiar o seu modo de vida, presta vassalagem ao Adolfo de São Petersburgo, agora estrategicamente suspensa, enquanto aguarda o desfecho da guerra, e não está disponível para auxiliar o esforço de guerra ucraniano, ou sequer de permitir a passagem, pelo seu território, de armamento fornecido por Estados-membros à Ucrânia.
O argumento do regime húngaro é não querer arriscar um ataque ao país, caso Putin se aperceba da passagem de tais armas. Argumento nobre para quem integra a UE, que se quer solidária, e a NATO, uma aliança militar que, em caso de invasão russa, será a única a vir em seu socorro, agora que os amigos do Kremlin estão na outra trincheira. A menos que Orbán seja o Facho de Tróia. Sim, o Facho. Ia agora insultar os cavalos porquê?

Alexander Abramov, co-fundador da Evraz, a maior empresa de produção de aço da Federação Russa, à qual preside e através da qual controla subsidiárias nos EUA e Reino Unido, aterrou hoje em Londres, no seu jacto privado. Apesar do espaço aéreo, fechado para inglês ver.
Este fiel vassalo de Putin é apenas um entre vários oligarcas que abandonaram o país em direcção aos espaços aéreos que o Ocidente fechou, mas que lá se vão abrindo pelo preço certo em euros. Uma vez aqui, rapidamente serão reciclados, eventualmente apresentados como heróicos dissidentes, para regressar ao fausto financiado por décadas de extorsão do povo russo, liberalmente branqueada pelas incansaveis lavandarias europeias. Para Marx, o capital não tinha pátria. Para o capitalismo, que se foda a pátria que o dinheiro é sempre limpo, mesmo que ensopado de sangue.
Durante décadas, a banca europeia e americana financiou e guardou os milhões dos oligarcas de Putin, sabendo, perfeitamente, que esse dinheiro havia sido extorquido ao povo russo. Não quis saber, nunca quer, de liberdades, garantias, direitos humanos ou democracia. Queria ganhar dinheiro. Muito dinheiro. Sem olhar a meios. O sangue nunca a incomodou.
Fê-lo conscientemente, conhecendo a natureza autoritária do regime, e apesar das prisões arbitrárias, da violência contra minorias, da perseguição da comunidade LGBT, dos envenenamentos de opositores em solo europeu, da ocupação da Ossétia, da Abecásia e da Crimeia. Foi colaboracionista. Traiu o ideal liberal das democracias ocidentais.
Onde estavam estes revolucionários instantâneos, que agora até em manifestações aparecem? Os tais que não admitem que se mencionem os antecedentes desta guerra, mas que estão, desde o seu início, a usá-la única e exclusivamente para alavancar os seus partidos e interesses? Uma boa parte estava a ganhar dinheiro com estes e outros ditadores. Continua a fazê-lo. Seja em Moscovo, Pequim, Riade ou Caracas. Não são apenas hipócritas. São cúmplices destes assassinos. E, como a banca, têm sangue ucraniano nas mãos.
Domingos e Mário são dois jovens portugueses, ambos a estudar Medicina na Ucrânia, e estão há três dias em frente ao portão da fronteira polaca, de passaporte português na mão, mas não os deixam passar. Não os querem sequer ouvir. E porquê? Porque Domingos Ngulond e Mário Biangnê são negros, apesar de nascidos e criados em Portugal. E porque as autoridades ucranianas têm instruções para só deixar passar brancos.
Este é apenas um de muitos relatos da segregação racial que está neste momento a acontecer na fronteira da Ucrânia com a Polónia, onde a cor da pele parece definir quem pode ou não passar. Não haveria aqui qualquer novidade, ou não fosse o governo polaco um dos bastiões da direita racista no seio da UE, mas são os soldados ucranianos a impedir a passagem de não-brancos na sua fronteira. Isto é inaceitável e diz-nos muito sobre quem manda na Ucrânia e, sobretudo, sobre a dualidade de critérios que norteia aqueles que controlam a narrativa e estão a usar a sofrimento dos ucranianos para servir agendas partidárias. Putin agradece.
Adenda: Quando escrevi os dois parágrafos acima, Mário e Domingos ainda estavam retidos na fronteira. Felizmente, já a conseguiram atravessar, graças à acção conjunta do ministério dos Negócios Estrangeiros português e da embaixada ucraniana em Lisboa. Tal não invalida a vergonha que é ver um país invadido por uma força opressora, envolvido neste tipo de práticas nada democráticas. Se não servir para outra coisa, que nos sirva pelo menos para pensar
Agora que tenho a vossa atenção, que diminuiria drasticamente caso o título escolhido fosse honesto, quando é que começamos a exigir sanções contra o governo israelita, que nunca respeitou os acordos de Minsk, perdão, o plano de partilha da ONU de 1947, e que continua a violar direitos humanos, a segregar palestinianos e a construir colonatos ilegais na Cisjordânia? Que ocupa diariamente território palestiniano, tal e qual as tropas de Putin na Ucrânia?
Sim, eu sei, o que se passa na Ucrânia não tem nada a ver com liberdade, democracia, direito internacional ou autodeterminação dos ucranianos. Tem a ver com poder. Com a “justiça” do mais forte. Com a dualidade de critérios que preside à ordem mundial, que determina quais as invasões, guerras, fomes e genocídios do bem e as restantes, aquelas que devemos considerar inaceitáveis. Que determina que oligarcas, criminosos e tiranos podem ou não investir nas democracias liberais. Os de Putin, por exemplo, ainda na semana passada tinham livre-trânsito em todo o mundo ocidental. E mansões em Kensington. E contas na Suíça. E lojas da Gucci a fechar portas para receber a sua família. E clubes de futebol por toda a Europa. O que me leva a crer que, na semana passada, a Federação Russa era uma democracia liberal. Não era, hipócritas?

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Descobri na passada terça-feira que este vídeo deveria ter saído no dia 22 de Setembro de 2024, às 23h30. Pronto, ei-lo.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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