Descarrilamento
Diz que tal, para eu dizer mal!
Antes
Os partidos estão demasiado voltados para si próprios. O caciquismo não permite que se ouça a sociedade civil.
Depois
Vendeu-se. Só quer é poleiro. E o outro o que quer é votos. “Rais os partam” a todos. É tudo a mesma “choldra”.
Conclusão
É preciso muita, mas mesmo muita, pachorra!
Na senda do Poema Azul
Na senda do Poema Azul
Cruzaram as portas correram os campos das árvores novas e os olhos de trabalhar não cederam ao sono nem triangularam o medo nem cavaram rugas no solo imponente das alamedas sombreadas de tílias.
Nesse dia demorou um pouco mais o beijo que ele habitualmente depunha na sua face sedosa e apertou-a levemente contra o peito era uma mulher cheia de ternura e singularmente bela uma daquelas belezas que roubam tudo o que se é no curto instante em que os olhos se cruzam. [Read more…]
Três factos bizarros do fim-de-semana
Primeiro acto: O Presidente da República Portuguesa pede “imaginação” à União Europeia para encontrar formas de emprestar dinheiro a Portugal. Quem é, afinal, que precisa de ajuda?
Segundo acto: Acrítico, acéfalo, vazio, o Congresso do PS foi um longo comício e um espaço de veneração ao líder. Terminou com o líder a dizer que, como chefe do Governo, aceita negociar o empréstimo. Era de esperar outra coisa?
Terceiro acto: Depois de clamar desprezo pela forma de fazer política dos partidos, Fernando Nobre aceita entrar nas listas de um partido político ‘do sistema’. Mais um caso de ‘o que ontem era verdade, hoje é mentira’?
amizade e solidaridade
….para as pessoas que se estimam minhas amigas… e lembram-se de mim…
Hoje em dia, a amizade e a solidariedade, parecem ser dádivas. Mas dádivas raras. Em outros dos meus textos tenho definido, mania académica, o que é amizade: uma atracção recíproca com a pessoa que nos entendemos. Não envolve nem erotismo nem amor, apenas entendimento, alegria de se estar juntos e poder confidenciar assuntos que a mãos ninguém diríamos.
O PS mudou em dois dias
Ontem, no congresso do PS:
«José Sócrates aproveitou hoje o encerramento do congresso do PS, em Matosinhos, para garantir que o seu Governo “assumirá a responsabilidade de liderar as negociações” da ajuda externa com a União Europeia, prometendo o “acompanhamento do processo” pelo Presidente e pelos partidos.»
Há dois dias atrás:
«O ministro das Finanças defende que cabe à missão europeia que vier a Portugal acordar a ajuda externa a responsabilidade de negociar com a oposição o pacote de assistência, enquanto Bruxelas considera que essa é a tarefa do Governo.»
Isto é só para mostrar aos crentes que um partido que muda de opinião em dois dias é capaz de não ser o mais fiável para cumprir promessas eleitorais. Como aliás já foi patente nas duas últimas legislativas.
o que é educação
no dia do aniversário da nossa mãe, que me ensinara as primeiras letras…
A questão parece simples. Ou, melhor, a pergunta. No entanto, ela sempre foi complexa e heterogénea. Há vários tipos definições de educação. A mais directa é dizer que educação vem do latim 1 e significa o que está na nota de rodapé de esta página. No entanto, tem significado para discutir, como esse o de domesticar. Não tenho esquecido três definições fornecidas por mim, em vários textos meus. Um desses textos, é um livro meu que cito ao pé de página 2, livro no qual, após ter analisado com uma larga equipa mais de 40 crianças da aldeia de Vila Ruiva em Portugal, Concelho de Nelas, concluí que educar era formar cidadãos para os subordinar às formas e costumes de ser do nosso país. Aliás, para fazer de eles pessoas impingidas de saber social. [Read more…]
Esquerda, volver
Sócrates foi ao sótão, ou à cave, buscar Ferro Rodrigues, o último dirigente do PS que sabe dizer umas coisas de esquerda.
Em resposta Coelho tirou da cartola Fernando Nobre, que diz coisas de direita, de esquerda e quando não há vento diz coisas de lado nenhum.
Suponho que Freitas do Amaral regressará ao CDS (não é de esquerda, mas para lá foi gatinhando).
Porque será que está tudo à caça dos votos da esquerda, que tão maus resultados tem tido nas sondagens? Uma súbita viragem ideológica?
Ou será que as sondagens mentem, e tudo se resume a uma palavra: medo? Ou Islândia, o que vai dar ao mesmo.
Um homem de convicções…
Enquanto eleitor no Distrito de Lisboa, Pedro Passos Coelho acaba de me poupar alguma indecisão sobre em quem votar nas próximas legislativas, mais uma vez não votarei PSD. Mas permitam-me uma dúvida, nos próximos 2 anos estará Fernando Nobre mais identificado com as posições que serão tomadas em Bruxelas por Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares, ou passará a alinhar com Paulo Rangel, Carlos Coelho, Maria da Graça Carvalho e restantes eurodeputados do PSD? E sem querer maçar o estimado leitor com as minhas dúvidas, assim de repente tenho mais uma questão, se Fernando Nobre é o candidato do PPD/PSD a presidente da Assembleia da República, cargo cujo titular não é eleito pelos portugueses, mas pelo parlamento, sempre pelo partido mais votado, na hipótese, penso que remota, mas existe, do PS vencer as eleições, irá Fernando Nobre assumir o seu lugar de deputado na bancada parlamentar do PSD, representando os eleitores do círculo, que nele irão votar? Ou renunciará ao mandato?
Soares apoia Passos Coelho?
Fernando Nobre foi o candidato de Soares contrar Alegre, certo?
Será que agora é o candidato de Soares contra Sócrates? Estou curioso.
Fernando Nobre lidera lista do PSD por Lisboa
Por esta, confesso, não contava. Era óbvio que Fernando Nobre não ficaria em casa, de pantufas, depois da votação que obteve na eleição presidencial. Também não estava à espera que criasse um ‘movimento cívico’ ao estilo de Manuel Alegre. Muito menos esperava que cingisse a sua actividade à AMI.
Mas, admito, não estava à espera que fosse escolhido para número 1 do PSD pelo círculo de Lisboa e, ainda menos, indicado para a presidência da Assembleia da República. Para mais depois de se ter falado de Manuela Ferreira Leite ou Marques Mendes como potenciais candidatos ao segundo posto do país.
A vida política dá mesmo muitas voltas.
Actualização: Pedro Passos Coelho conta, no seu Facebook, que fez o convite a Fernando Nobre em nome do “interesse nacional“.
No tempo em que o PS fazia congressos
e os animais falavam sem teleponto.
Deste tempo continua o Almeida Santos, o Tino à falta de quota para deputado fez-se à vida no mundo do espectáculo, e sobram os mesmos cerimoniantes. Lembrando o saudoso Guterres: é a vida.
A sessão de pontapés no congresso do PS
Ouvia eu há pouco Maria Flor Pedroso na Antena 1 relatar o congresso do PS, eram 13h15, quando a ouço dizer (cintando de memória)
Houve uma agitação que atrasou a entrada de José Sócrates, que deu mesmo numa sessão de pontapés entre o fotógrafo pessoal de José Sócrates [Ricardo Oliveira] e um operador de câmara de televisão.
Pontapés?! E ontem, novamente envolvendo Ricardo Oliveira, mais um episódio digno de um Portugal sul-americano. Ricardo Meireles, fotojornalista, escreveu o que se segue sobre a foto de capa da DN de ontem.
Esta capa do DN fica na história negra do Fotojornalismo em Portugal.
Depois de todos os fotógrafos terem sido impedidos de captar imagens do líder do PS a uma distância digna, o “jornal do regime” publica na capa uma fotografia de José Sócrates no final do seu discurso e feita pelo único fotógrafo autorizado a estar dentro do recinto. Ricardo Oliveira, fotógrafo oficial do GABINETE DO PRIMEIRO MINISTRO, pago pelo orçamento de estado (por nós) para fazer uma foto de propaganda, apesar de ali não estar nenhum governante num acto público.
Como se tal não fosse suficiente, a foto em causa vem assinada “Ricardo Oliveira/GMP” (gabinete do Primeiro-Ministro). Isto é propaganda paga com os nossos impostos.
Controlo de quem pode fotografar e filmar o querido líder, é este o reflexo do partido que nos cospe moralidade e altos valores na cara. Estamos falados.
Congresso do PS: um prémio para Sócrates
Os militantes socialistas presentes no congresso decidiram erguer uma estátua a José Sócrates. Por boa governação, supõe-se, já que o PS não é o PC chinês, presumindo-se com isto que cultiva a “ideologia” acima do “ideólogo”. A ser assim, estamos conversados, ou devíamos estar.
Aliás, segundo Ana Gomes (ai, Ana, ai, ai, que desilusão, a tal reserva do PS parece as reservas do futebol, são mauzinhos na tática e na técnica, aspiram, no máximo, a vestir o equipamento, a sentar-se no banco e a fazer aquecimentos durante o intervalo) unidade não é unanimismo. Pois não, vê-se e viu-se.
Enfim, à boa maneira dos tempos que correm, demasiados milhões por uma estátua para encher o olho. De barro, como seis anos de poder demonstraram.
Dicionário do futebolês – comentadores
Na minha juventude, ficava à espera das imagens da jornada no Domingo à noite e acabava saciado com os resumos de três minutos por jogo. Para o adolescente que ansiava por imagens de pontapé na bola, o mundo de hoje é um banquete pantagruélico que começa no Youtube e acaba na Sporttv.
Nesses tempos distantes, começou, a pouco e pouco, a insinuar-se a figura do comentador, que, para meu desespero, retardava o aparecimento do fundamental – as imagens dos jogos – com explicações para o resultado final, naquele tom de quem já sabia tudo antes de o jogo terminar. Já nesse tempo, o jogo começava a perder terreno para a conversa.
Com o aparecimento das televisões privadas, a televisão tornou-se cada vez pior, sempre pronta, até hoje, a explorar os sentimentos mais baixos e as pulsões mais rasteiras. Rapidamente foi inventado o conceito do programa sobre futebol, com comentadores ligados, normalmente, aos três grandes. Num mundo minimamente sério, a televisão poderia servir, também, para fazer um pouco de pedagogia. Na realidade, estes programas servem para levar a casa das pessoas as mesmas figuras tristes que qualquer um de nós é capaz de fazer num café, entre amigos e adversários, gritando grandes penalidades a nosso favor e chamando virilidade a agressões perpetradas pelos nossos.
Sócrates canta balada no encerramento do congresso do PS
Canta, a sério, e encanta José Sócrates:
não dizer mentiras a primeira regra é não dizer mentiras deve haver regras o que o senhor disse foi uma mentira e depois faz-se de vítima
Ouçam, tem orquestra e tudo.
Desconhecia este projecto, e projecto continuar a gostar. Bandex. Munta bom. Amanhã há mais.
O comício de todos os luxos
Um pénis com 65 metros
Cá, para fazer o mesmo, com a mesma intenção, precisávamos de uma ponte com um tabuleiro muito maior.
Islândia, um povo com coragem
ia a dizer tomates, mas a Islândia nem tem clima para os criar:
o NÃO
Não a pagarmos as dívidas dos bancos. Não a sermos parvos. Sim a sermos cidadãos, no voto, na rua, e a mandar a crise financeira deles para a puta que a pariu.
Sim, apetece-me dizer sou islandês. Não, quero ser português: com tomates. Como de resto as portuguesas sabem ter, no sítio. Vamos a isso.
Manipulação sem igual:
O ainda Primeiro-ministro é um homem perigoso senhor de uma máquina de manipulação comunicacional como nunca se viu em Portugal. Ele utiliza a mesma filosofia dos ajudantes de Bush e isso foi bem visível no momento “Ó Luís, fico melhor assim, ou assim?”, não percebendo que estava a transformar uma tragédia numa comédia.
Ler o resto AQUI.
Mais consenso ainda?
Parece que anda por aí um apelo ao consenso, que é preciso que os principais partidos políticos se entendam e que os partidos menos principais se mantenham nas franjas, até porque são imprestáveis para a governação, ao contrário dos que têm governado nos últimos trinta anos, sempre tão prestáveis, como se pode avaliar pelo estado do Estado.
Mas será possível haver maior consenso do que aquele que tem sido praticado pelos partidos que têm ocupado o poder? Todos gastaram mais do que podiam, todos transformaram o Estado numa plataforma de negócios privados com dinheiros públicos, todos vêem o poder como uma agência de empregos para a multidão de lambedores de botas criados pelas juventudes partidárias. São estes mesmos partidos que vivem neste consenso há anos que, agora, vão resolver os problemas que criaram?
O país está em crise por causa do consenso. Abaixo o consenso!
História e estórias
Gosto muito dos romances de Vasco Pulido Valente. Nunca percebi muito bem porque insistem as editoras em catalogá-los de livros de História (uma ciência que tem como primeira premissa citarem-se sempre as fontes), mas o pessoal do marketing tem destas coisas.
Também sou leitor assíduo das colunas de humor que vai mantendo nos jornais.
Tudo isto a despropósito da piada de hoje no Público, que o Nuno Ramos de Almeida e o Ricardo Noronha já desmontaram.
As generalizações são perigosas, mas se a VPV acrescentarmos Rui Ramos e Maria Filomena Mónica, todos muito expeditos na arte de confundir opinião com ciência, e muito distraídos quanto às fontezinhas (Filomena Mónica um pouco menos, convenhamos), entenderão porque tenho pelos historiadores doutorados em Inglaterra a mesma consideração que terei por um doutorado em História no Burkina Faso.
Ana Maria Bettencourt: outro membro da coligação negativa contra a Educação
Em entrevista ao Público de ontem (não disponível na Internet), Ana Maria Bettencourt, presidente do Conselho Nacional de Educação, reaparece para voltar a dizer o que já disse várias vezes. Entre outras coisas, diz que não pode haver tanto abandono e tanta reprovação, que as escolas devem detectar e apoiar com celeridade os alunos com problemas e que “não se pode contar com as famílias”.
Relativamente aos dois primeiros pontos, nada a opor. O problema é que isso exige recursos humanos suficientes, o que não acontece em escolas com falta de psicólogos e de assistentes sociais, com falta de tempo para o trabalho individual dos professores, com um estatuto do aluno que serve para mascarar o abandono escolar, com a diminuição do número de funcionários não docentes, com o amontoamento de escolas em mega-agrupamentos, entre muitos outros aspectos. Um Conselho Nacional de Educação teria de chamar a atenção do governo para todas estas questões, mas, para isso, teria de ser um organismo independente e não uma instituição que serve para produzir estudos e conclusões que sustentem as políticas educativas desse mesmo governo.
Depois, já não é a primeira vez que Ana Maria Bettencourt aparece a desvalorizar a importância das famílias no sucesso escolar dos alunos, caminhando ao contrário da ideia de que é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança. A senhora, servil como habitualmente, pretende acentuar a ideia de que os governos devem reduzir ao mínimo políticas sociais, como já tive ocasião de afirmar aqui.
Entretanto, nesta reportagem, ficamos a saber que o sucesso dos alunos apoiados pela EPIS (uma instituição de contornos suspeitos, é certo) está também ligado à mediação que é feita entre professores, alunos e famílias. Estranhamente, um dos parceiros da EPIS é o Ministério da Educação. Em que ficamos? Contamos com as famílias ou não?
Ode aos insubstituíveis
Jaime Gama disse: “Não há pessoas insubstituíveis no PS”. Como é óbvio, Gama falava dele próprio…
O congresso para aquecer para o próximo
Em Matosinhos há dois congressos: o do palco e o da bancada. No palco, a união em torno do líder. Na bancada, há a convicção de um novo congresso dentre de três meses – depois das eleições, portanto.
Com um beijo me trais ou a bênção ao próximo?
“Um dos mais talentosos e mais capazes políticos portugueses”. A frase foi de José Sócrates. O destinatário Francisco Assis.
Ó, Zé!
Há sempre um lado popular latente nos congresso do qual eu gosto muito. Lá fora há quem beba “finos”, cá dentro António Vitorino grita ‘Ó, Zé!’. O mesmo Zé que é há seis anos é primeiro-ministro.












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