As verdadeiras gorduras do Estado

Só em jacarandás e em carros é logo 3.2 milhões de euros. Percorrendo o restante país…

Entrevista a Alípio Dias

Entrevista, no jornal i, a Alípio Dias. Algumas passagens:

Fui alertado [do golpe militar do 25 de Abril] às quatro menos um quarto da manhã por dois tipos de pessoas.(…) Foi o meu correspondente de Santarém que me ligou a dizer: “Sôtor, os tanques estão a sair de Santarém e vai acontecer uma revolução.”

Eu nunca quis jotas. É o maior erro que os partidos estão a fazer. Mas já havia jotas com Sá Carneiro. Eu dizia sempre: Francisco, é um erro que se está a fazer. Ele achava que era o futuro. O futuro, Francisco, é estudar, é obrigá-los a conhecer as pessoas, a passar por algumas dificuldades. Mas em vez disso estamos a criar meninos e meninas que vão para os gabinetes, que metem cunhas, que querem ter carrinhos, que dormem com ministros, uma bagunçada, e daqui a uns anos vamos ter gente incompetente a governar-nos.

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A crise do socialismo hegemónico

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A anedota já tem uns dias, mas não perdeu a piada: Bruno Maçães, o humorista que de Harvard saltou para a Coreia e aprecia ditaduras educativas, contou 35 anos de hegemonia socialista em Portugal, causando estupefacção em quem o leu, no DN ou na Jugular.

Há dúvidas? abram uma qualquer publicação no Insurgente, no Blasfémias ou na 4ª República e leiam os comentários (no Corta-Fitas não é preciso ler os comentários).

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Ter saúde está acima das possibilidades

Ministro da Saúde diz que portugueses consomem “medicamentos a mais”.

Joaquim Namorado

Faz cem anos, por estes tempos, o nosso poeta, amigo, mestre e camarada Joaquim Namorado. Pudesse eu escolher outro poema para o recordar; pudesse este poema ser datado e esquecido num tempo jubiloso. Mas não.

Ele ganha um novo sentido, mas volta a provocar o arrepio dos tempos em que era declamado nos encontros de lutadores contra a ditadura.

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Port Wine

O Douro é um rio de vinho
que tem a foz em Liverpool e em Londres
e em Nova-York e no Rio e em Buenos Aires:
quando chega ao mar vai nos navios,
cria seus lodos em garrafeiras velhas,
desemboca nos clubes e nos bares.

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Rui Feijó

Rui Feijó (1921-2008) foi o primeiro Delegado da Secretaria de Estado da Cultura do Norte.
Fazia ontem anos se fosse vivo. Foi homenageado na Casa das Artes, à Rua Ruben A, no Porto. Edifício este pelo qual lutou, entre outras coisas muito importantes e estruturantes, na área da Cultura e do Património. Deixou trabalho feito e é um exemplo do que deve ser um Director-Geral.
Na área cívica e política teve também intervenção, tendo no período anterior ao 25 de Abril ajudado muita gente (Manuel Alegre esteve refugiado na sua casa em Lousada, por exemplo).
O seu legado está por estudar, mas a homenagem foi merecida. A ele voltaremos.

Será possível o consenso?

Santana Castilho*

1. Poiares Maduro foi recentemente ouvido na Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local. Entre outras coisas, falou de educação como se, digo eu, não existisse ministro dessa pasta. E que disse? Que pretende que, no próximo ano lectivo, dez municípios-piloto sejam responsáveis pela gestão da educação. Não clarificou, ele que invocou a transparência, o que é isso de “gestão da educação” que, assim deixada na nebulosidade, pode ser tudo e nada. Mas foi assertivo quando afirmou que iria descentralizar. Ora descentralizar, verbo transitivo que significa afastar do centro, distribuir pelas localidades ou corporações locais, pode nada resolver e tudo piorar. A gestão da educação nacional não precisa que substituamos o monolitismo do ministério por outros tantos monolitismos, um em cada câmara. Há coisas que devem continuar concentradas (concursos de professores, por exemplo, onde o experimentalismo descentralizador dos últimos anos gerou aberrações inomináveis) e outras que, ao invés de serem desconcentradas por câmaras, devem, outrossim, ser disseminadas pelas escolas e pelos professores (a gestão pedagógica, por exemplo). Ao ministro Maduro (e ao da Educação, se existisse) conviria reler a história da I República (a descentralização/municipalização da educação foi definida pela primeira vez em decreto de 29 de Março de 1911) para perceber que não é de descentralização municipalista mas de autonomia que as escolas e os professores necessitam.

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Divergências insanáveis

Todos ficámos em estado de ansiedade quando o primeiro ministro Passos Coelho e o líder do PS (designado pelos comentadores de direita por “líder da oposição”) António José Seguro se encontraram para avaliar se era possível o tão cantado consenso (sobre quê e para quê é que ninguém para aqueles lados parece saber).

Ora, sempre preocupado em divulgar a informação importante que consigo apurar (como diria o quadrilheiro do Marques Mendes) e para esclarecimento das massas, aqui deixo o documento em que estão clara e detalhadamente redigidas as “insanáveis divergências” que, tonitruantemente, anunciou o dirigente do PS.divergencias

Ainda o novo banco do PSD não nasceu e já vai assim

PSD um partido que cria bancos

Einstein e o Coelho

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Provando empiricamente, mais uma vez, que Einstein tinha razão, foi anunciada, esta segunda feira, a descoberta de ondas gravitacionais primordiais, vindas do início do nosso Universo. Esta descoberta, que é tecnicamente muito complexa, é uma das maiores descobertas das últimas décadas e de uma só vez resolve dois problemas.

Primeiro, mostra que o modelo inflacionário do Universo está correcto. O modelo prevê que, quando nasceu, o Universo sofreu uma fase de crescimento muito rápido e violento. Esta fase é chamada “expansão inflacionária” e é devida à existência de um campo escalar, chamado inflatão.” (CENTRA)

Instado a pronunciar-se sobre estas notícias, Passos Coelho foi categórico: não sabendo quem era esse tal Einstein, declarou contudo que, tratando-se certamente de mais um economista estrangeiro a meter-se nos assuntos que só ao governo português dizem respeito, repudiava terminantemente a visão expansionista implícita nesta teoria, para não falar na referência totalmente irresponsável e oportunista feita ao “crescimento rápido e violento”, chamando a atenção para a demagogia alarmista que consiste em brincar com temas como “expansão inflacionária”, ainda por cima postulando existência de algo chamado “inflatão” , termo importado, sem dúvida, da propaganda comunista. Sublinhou, ainda, que o importante era obter consensos, como ensinara o senhor presidente da República, pessoa muito mais digna de confiança que esse tal arrivista Albert Einstein. De resto, concluiu, a simples designação de “ondas gravitacionais primordiais” era, na sua opinião, sintomática, já que indiciava que era coisa de velhos ou, pior ainda, aposentados.

E cortes nos depósitos das contas salário e contas reforma?

Líder da bancada do PSD garante que não haverá mais cortes de salários e pensões. Gentinha sem palavra.

Bom trabalho

Alguém se lembrava do Sócrates comentador na RTP? agora todos se recordam.

Parabéns, José Manuel Portugal.

Sobre radicais idiotas

idiota

(na falta de foto do nosso conterrâneo idiota, deixo-vos uma outra, de um jovem igualmente idiota)

De toda uma panóplia de idiotas que anda por ai a pregar o evangelho de Adolf, de Kiev ao Funchal, passando por todos os Mários Machados desta vida, existe um idiota que se quer destacar dos outros idiotas. O seu nome é Luís da Silva Canedo e a idiotice que nos apresenta é de um nível de execução só possível aos mais exímios praticantes da idiotice.

Ora o senhor Luís é candidato da Frente Nacional nas autárquicas francesas. Este indivíduo, emigrado em França há 20 anos e sem ter requerido, até ao momento, nacionalidade francesa, assume-se como admirador de Marine Le Pen, a mulher que quer limpar o país dos infames emigrantes, grupo no qual se inclui o indivíduo que a admira. Um idiota masoquista portanto.

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O país está melhor

As pessoas é que se lixaram (era para escrever com f…)

O rapaz esquecido

Lá fui para mais um dia de uma primavera que teima em se esconder atrás do cinzentismo coerente com os nossos governantes. Percorri, como sempre, os segundos que separam o mais novo de casa. “Até logo pai“, ouvi eu lá ao longe, depois de um beijo que não quero perder. Mas hoje, perdi. Perdi porque o Fernando Alves roubou-me o exercício da paternidade quando me levou para a noite, longa, de quase 40 anos, do esquecimento do José Alves Costa.

Ele que, bem vistas as coisas, FEZ o 25 de abril.

Em lágrimas pensei no meu Pai.

Também nunca mais voltou a Lisboa e nunca mais voltará. Temo, pois, o que irá sentir José Alves Costa quando voltar a Lisboa – olhar para o Tejo e perguntar: valeu a pena? Foi por isto? Para isto?

Para ler hoje no Público.

Teodora Cardoso, olhe, emigre!

A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, deixou aos deputados do PSD uma nova forma de cobrar impostos no pós-troika: taxar os levantamentos que são feitos nas contas bancárias onde são depositados os salários e as pensões. (…)
No final, Teodora Cardoso explicou aos jornalistas que a vantagem desta solução é que não incidiria directamente sobre os rendimentos auferidos, seja salários, seja pensões.
“Em vez de um imposto que desincentiva o rendimento, este incentiva a poupança”, afirmou a presidente do organismo independente, que faz o acompanhamento das contas públicas. [PÚBLICO]

Esta parva, que toma os portugueses pela sua medida, faz de conta não saber que poucos são aqueles a quem sobra dinheiro no fim do mês. Veste a pele de hipócrita afirmando que é um imposto virtuoso, que incentiva a poupança – como se houvesse algo a poupar. Consegue, ainda, ter o desplante de afirmar que um imposto sobre o dinheiro que se levante de contas de salários e de pensões não é um imposto sobre salários e pensões!

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Greve à crise

greve-a-crise

Coimbra, 2014

A irresistível atracção pelos números das pessoas que não gostam de pessoas

Michelangelo Buonarrote_O tormento de S Antão  1489

As pessoas que não gostam de pessoas outrora adoravam o deserto, compraziam-se com  outros animais, eremitavam e alguns tinham a Deus e rezavam-lhe; hoje preferem os números, ajoelham-se no Excel e, gente dada à prestidigitação, divertem-se na acrobacia de uma tabela com mortal encarpado à retaguarda de um gráfico. Tenho por eles uma sedução próxima da que Herberto Helder manifestou pelos poliglotas tradutores de poesia, incapazes do parir de um verso mas infatigáveis no afã de o traduzir.

Se ando saudoso deles é certo e sabido que vou ao ermitério do costume, o Blasfémias, visitar o Vítor Cunha a quem aguarda nas hagiografias uma página próxima de um S. Antão. E que vejo desta vez? um quadro publicado pelo Paulo Guinote com dados sobre alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). E que visão teve e atormenta S. Cunha? a de que misteriosamente estes se reduzem entre o básico e o secundário, o que só pode. diz ele, ter duas explicações:

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Faz sentido

As democracias ocidentais sancionarem déspotas, apertando o cerco ao fundamentalismo islâmico, procurando retirar do poder nos seus países governantes sem o mínimo respeito pelos Direitos humanos. Sem dúvida o Egipto é hoje uma terra de Justiça, capaz de julgar de forma célere 529 cidadãos apoiantes do criminoso presidente eleito, felizmente já deposto por uma junta militar. Por onde anda a Liberdade que justificou Tunísia, Líbia ou Síria, apregoada aos 4 ventos nos gabinetes de Washington ou Bruxelas, esta última verdadeira marioneta de Paris?

“Procura-se uma miúda para estagiar, com ajudas de custos”

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“Não precisa de ter experiência, nem um curso específico. (…)
O site está em baixo, pode encontrar algumas informações no facebook da CN Sports.
Partilhem esta publicação nos vossos contactos.” – Feito!

As armadilhas da pub online

bes
Para compensar a publicidade encapotada que tem enchido capas de jornais fica este momento haja esperança, quanto ao Banco Espírito Santo nada de novo na sua tradição secular de antro de malfeitores.

Como está a cotação de prescrições em Espanha?

BES multado em mais de um
milhão de euros por
infracções “muito graves” em
Espanha

Sines

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Sócrates não se irritou na RTP: apenas foi igual a si mesmo

No DN lê-se

Sócrates irrita-se: “Não vinha preparado para isto”
No seu habitual espaço de comentário, transformado numa entrevista sobre a sua governação, o ex-primeiro-ministro foi confrontado com afirmações que fez em 2010 e 2011. E a actualidade quase que ficou para segundo plano.

Aproveitei para ver o programa em causa e tenho que concluir que a peça do DN não passa de fogo de artifício. Sócrates foi igual ao que costuma ser, não tenho visto nada que justificasse o título.

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Argoladas fascistas do regime jardinista

Jardim

O rei-palhaço do Carnaval da Madeira continua a governar o arquipélago no registo autoritário e patético que lhe é conhecido e amplamente tolerado pelos moços que se vão alternando no poder em Lisboa. Um misto de humor e fascismo.

Ontem foi dia de reunião do conselho regional do PSD-Madeira. A oposição interna liderada por Miguel Albuquerque apresentou um requerimento no sentido de antecipar, de Dezembro para Junho, as directas internas da estrutura madeirense mas o projecto não teve pernas para andar no interior de um órgão completamente dominado e escolhido a dedo por João Jardim. E se duvidas restassem nas cabeças dos conselheiros madeirenses, o Putin do Funchal ameaçou recandidatar-se caso o requerimento fosse aprovado. “Se o congresso fosse antecipado, eu teria de entrar em campo outra vez.” declarou o czar das bananas que, antes desta manobra intimidatória já teria, segundo a edição de hoje d’O Público, pressionado o conselho jurisdicional e o secretariado para que rejeitassem o requerimento de Albuquerque e acenado com expulsões do partido a todos aqueles que discordassem das orientações aprovadas pela comissão regional relativamente às internas e ao próximo congresso. Escusado será dizer que o conselho reagiu e deliberou em linha com a vontade do querido líder.

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Europa SA.

Europa SA..

via Europa SA..

Percorre 10 km a pé para levar filha ao médico

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Isto é para quem diz que temos estradas boas demais, sem utilidade alguma e governa no conforto dos gabinetes esquecendo que o país real não é só o Terreiro do Paço

A legitimidade de tomar o país de assalto

Se te manifestas contra o Governo em Caracas ou Kiev (neste caso contra o de Moscovo), estarás a lutar pela liberdade e contra o absolutismo. Se te manifestas em Lisboa ou Atenas és um irresponsável incapaz de perceber que as tuas atitudes provocam consequências desastrosas junto dos mercados e dos investidores. Pouco importa se te sentes injustiçado, roubado ou enganado porque a legitimidade da tua revolta, ao contrário da dos nossos pares venezuelanos ou ucranianos, depende muito menos desses factores do que do apetite voraz de Wall Street ou da City londrina. O teu país está tão ocupado e vergado a oligarcas como a Crimeia. A única diferença é que em Portugal e na Grécia o poder político já assinou o pacto de vassalagem com o regime certo. Aqui o trabalho está feito.

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Rua Particular dos Ferroviários

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Apontamento (Festival Literário da Madeira)

Antena 2 em directo da ilha da Madeira, um festival literário que lá decorre: escritores em volta de uma mesa a falar da literatura da insularidade, Herberto Helder sempre por perto, o jornalista Luís Caetano (exímio nas coisas da literatura) a suscitar um debate em directo para a rádio pública, e de repente alguém, decerto um escritor madeirense, insurge-se e lembra que a diáspora é hoje uma hemorragia, ou então metástases, sim, metástases da austeridade assassina, e diz que há ilhéus que cortam os pulsos, e que aquele festival literário é uma ilusão na biografia da fome e do sofrimento da Madeira. E logo o calam, claro, como se na literatura não pudesse hoje caber a realidade social que os escritores bem vêem (e vivem, e escrevem), ou os seus realismos passados fossem inultrapassáveis, e fosse hoje tempo apenas e somente de uma fantasia qualquer que sirva para entreter. Palmas para o escritor «sem frio nos olhos», como diriam os franceses.