Um dia decisivo para a Europa

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Hoje é mais um dia decisivo para a Europa. A ameaça está de volta e a Áustria poderá ser o próximo país governado pela extrema-direita. Ao contrário daquilo que afirma o DN, Norbert Hofer não será “o primeiro chefe de Estado da extrema-direita na Europa desde a Segunda Guerra Mundial“. Esse título já foi atribuído a Viktor Orbán. Mas não se preocupem com nada disto. O perigo real é esse tratante do Tsipras e a diabólica Geringonça. Putin, Le Pen, Trump, Farage e Geert Wilders send their regards!

Foto@Heute

Reconhecê-lo seria péssimo

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O Expresso mente. Podia antes escrever, para soar menos severo, que o Expressso cometeu um erro ou que foi impreciso. Tendo em conta que quem o escreve, a jornalista Joana Nunes Mateus, tem insistido em fazer do Expresso uma espécie de segundo Observador, a conclusão mais provável é mesmo a inicial. Contrariamente ao que diz o título do artigo linkado abaixo, a economia portuguesa não cresceu no 3o trimestre à boleia das exportações. Mais de metade do crescimento do PIB é explicado pela procura interna, sendo decisivo o contributo do consumo privado. Claro que reconhecê-lo seria péssimo para quem precisa muito que se mostre que a estratégia da devolução dos rendimentos falhou. Mas esse não é suposto ser o papel de um “jornal de referência”, pois não?

Ricardo Paes Mamede

Reconhecê-lo seria péssimo. Como é que se justifica uma coisa destas aos devotos do culto catastrofista? É desta que o Diabo foge de F-16 para a Roménia. Sem impacto no crescimento do PIB.

Entretanto, na Marktest.

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

Pedro Marques Lopes explica

o mais recente tiro no pé do PSD.

Novo desenho táctico para resolver os problemas do FC Porto

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Depois de quatro empates a zero, a solução saltou do banco, chama-se Rui Pedro, tem 18 anos e é do Norte, carago!

Fonte: Tribuna Expresso

Braga às escuras

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António Ferreira

Braga, centro da cidade, 17h30m de sábado, 3 de Dezembro.

Já não é só a periferia que está votada ao abandono.
O centro da cidade, dita cidade do comércio, está como se (não) vê. As grandes superfícies comerciais continuam a proliferar enquanto o comércio tradicional definha na escuridão.
Acresce a isto a não existência de uma comunicação social independente na cidade. Os casos, os acasos, as situações avolumam-se e a vergonhosa classe de jornalistas dos dois diários da cidade olham para o lado enquanto assobiam e fotografam todas as inúmeras aparições do fotogénico Ricardo Rio, seu putativo patrão.
Foram precisos apenas 3 anos para a Câmara Municipal de Braga transformar a cidade numa amostra triste, gélida e escura daquilo que já foi.
Foto © Ana Silva

Não esquecer…

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Porto, 2016, © jmc

Imprensa portuguesa? Tudo comunistas.

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Andam por aí uns tipos engraçados, fanáticos quando baste, que se entretêm a tentar transformar propaganda barata em factos, para consumo de indivíduos que estejam na disposição de ser aldrabados. Dizem eles, que para além de engraçados e fanáticos ainda são desonestos, que a comunicação social portuguesa é controlada pela esquerda. Não sei se se referem ao grupo Impresa (SIC, Expresso e Visão), desse histórico comunista que é Pinto Balsemão, se aos marxistas do SOL, I, Correio da Manhã e Observador, sempre na vanguarda da luta esquerdalha. Será o Público, essa referência vermelha, liderada pelo camarada David Dinis? Talvez sejam o JN e o DN, esses pasquins de extrema-esquerda, propriedade de perigosos estalinistas como António Mosquito, Joaquim Oliveira e Luis Montez. São comunas a mais, não são? [Read more…]

Gato Fedorento explica o caso das declarações da Caixa

O meu país por um papel.

O Partido Sobre as Declarações

O PSD está transformado no partido da entrega das declarações de rendimento dos administradores da Caixa. Sem largar o osso, a ver se abre uma ferida no governo, nem que deixe o país com uma fractura exposta.

Não se lhes vislumbra um programa político de oposição que não seja isto. Passos Coelho, fazendo uso da expressão que arremessava repetidamente à oposição quando era primeiro-ministro, é um líder sem ideias para o país.

A ver vamos se o calculismo não lhes sai ao contrário e ainda caem mais nas sondagens. Portugal à Frente, uma porra.

A demência

A líder do CDS Assunção Cristas estava na tribuna, mas da direção social-democrata nem sombra. E assim o puxão de orelhas do Presidente da República só terá chegado a Passos Coelho pelas notícias do dia.

Na evocação da Restauração da Independência, data que ontem se assinalou, Marcelo Rebelo de Sousa foi assertivo ao sublinhar que o 1.º de Dezembro é um “feriado que nunca devia ter sido suspenso”, por ser a data que em que se celebra e se celebrará “sempre” a “nossa pátria e a nossa independência”.

Palavras que ninguém do PSD ouviu no local, porque, segundo referiu fonte do partido ao DN, a cerimónia de Lisboa não era oficial. Tendo chegado ao partido – que “esteve representado em várias iniciativas que ocorreram pelo país, com deputados, autarcas e dirigentes do partido” – um convite da Sociedade Histórica da Independência de Portugal que “no mínimo, não passava de uma provocação”, justifica a mesma fonte. [DN]

Isto é no gozo ou é para levar a sério? Uma cerimónia com o Presidente, Governo e demais representantes do Estado não é oficial? Ou é uma nova variação da tese da usurpação?

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Lettres de Paris #35

Paris is a moveable feast

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escreveu Ernest Hemingway no seu quase diário dos tempos em que viveu nesta cidade. O romance só foi publicado depois da sua morte, em 1964, simultaneamente nos Estados Unidos e em França. Em França, tal como em Portugal, o título escolhido foi Paris est une Fête (Paris é uma Festa, no nosso país, editado pela Livros do Brasil, pelo menos é a edição que tenho há décadas, mas creio que foi recentemente reeditado). Na verdade, a moveable feast não é o mesmo que ser apenas uma festa, quer dizer, é uma festa sim, mas que nos acompanha onde quer que vamos desde que, claro, estejamos em Paris. Disse outro dia que ia comprar o livro na versão original ali na Shakespeare and Company. Ainda não o fiz, porém. Mas lembrei-me disto hoje, já de noite aqui em casa. Tinha, como tenho agora, a janela entreaberta. Apesar do frio que faz na rua, aqui dentro está muitas vezes um calor de ananases. Ouvi barulho de vozes na rua. Estou no primeiro andar e a rua é muito estreita, como também já contei.

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Eu é que sou o pai da criança!

crato_14A partir do momento em que um país se abre ao mundo, após quarenta e oito anos de clausura, é natural que a Educação beneficie, porque as ideias entram, o saber espalha-se, os livros circulam, as mentalidades mudam, enfim, tudo aquilo que a História da Educação em Portugal já sabe e mais saberá no futuro, esse sítio em que o passado fica mais distante e menos presente.

Ainda assim, os que se preocupam verdadeiramente com o assunto vivem insatisfeitos, especialmente quando se fica com a impressão de que o Ministério da Educação é uma instituição cujo principal objectivo é atrapalhar a vida das escolas, introduzindo alterações sobre alterações, sempre com a colaboração de departamentos universitários ou de cliques partidárias.

De qualquer modo, repita-se, as melhorias são evidentes e naturalmente demoradas, porque a Educação leva o seu tempo e porque há, como vimos, quem goste de a atrasar. [Read more…]

Efectivamente, os contatos são inadmissíveis

When Dante loses his way in the dark wood, he is “Nel mezzo del cammin di nostra vita” in keeping with the allotted biblical life span (Psalm 90).

— Adolph Prier (Countercurrents: On the Primacy of Texts in Literary Criticism)

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Contudo, Ralph Hasenhüttl (sim, exactamente, com <ü>) não pensa assim. No sítio do costume? Nem por isso: no jornal da irresponsável resistência silenciosa.

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No sítio do costume, temos um clássico (ver página 7). De facto, já andamos nisto desde Janeiro de 2012.

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Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Deixem o Tua em Paz!

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Filipe Esperança

Se há assunto que tem vindo constantemente para as luzes da ribalta é o recente (ou não) caso da Vale do Tua.
Mas… por onde começar a relatar toda esta patranha de peripécias?
Pelo início, obviamente. Estávamos no final de 1991, e foi já depois de constantes ameaças de encerramento que a CP, mandatada pelo Governo e por uma constante de encerramentos ferroviários desde 1988, decidiu encerrar o troço da Linha do Tua compreendido entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros. Basta uma rápida pesquisa no Google para compreender que este infeliz acaso deixou a última porção do troço (Macedo de Cavaleiros – Bragança) completamente isolada da restante rede, sem ligação ferroviária, e com transbordos rodoviários que eram demorados e pouco articulados. Dias depois, um descarrilamento em Sortes viria a ditar “temporariamente” o fim dos comboios na Linha do Tua, entre Mirandela e Bragança. Temporário ou não, a verdade é que foi preciso esperar pelo dia 14 de Outubro de 1992 para que surgisse uma nova “machadada” nesta importante infraestrutura: pela calada da noite, e durante um forte apagão nas comunicações locais, a CP levava (pela via rodoviária) os comboios e carruagens presentes nas Estações de Bragança e Macedo de Cavaleiros, e sob a justificação de que o material precisava de “manutenção”.
Jamais, em tempo algum, os transmontanos duvidariam da palavra da CP ou dos seus responsáveis… mas a verdade é que o comboio não regressou a Bragança. [Read more…]

Ideias feitas

Carlos Araújo Alves

Nunca a direita entrincheirada aceitará que Estaline, ao derrotar Hitler, permitiu que a Europa continuasse a viver em Democracia, nem a esquerda entrincheirada aceitará que Fidel, apesar da inicial libertação do seu povo do colonialismo, da constituição de um dos melhores sistemas públicos de saúde e de ensino, fosse um ditador feroz.
A vida é tecida destas contradições, cuja falta de liberdade de quem se mete em trincheiras de ideias feitas não consegue ver, quanto mais aceitar.

Paulo Macedo: do elogio ao governo à presidência da CGD

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Já a polémica em torno das declarações de rendimentos da administração da CGD liderada por António Domingues tinha rebentado, surgia uma notícia no DN que dava conta de críticas tecidas pelo ministro da Saúde do anterior governo, Paulo Macedo, que condenava o “ruído enorme” que estava a ser feito em torno das propostas fiscais inscritas no OE17:

Temos um cenário em que há criação de novos impostos, mas sem ser a criação desses novos impostos, há de facto uma estabilidade no resto das outras medidas fiscais comparando com outros orçamentos. Mas, em termos de ruído, tivemos um ruído enorme que afeta os investidores e sobre isso não há nada a fazer.

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Lettres de Paris #34

On prend le pied de Montaigne

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et la force serait avec nous… é o que se diz do hábito de tocar no pé da estátua, bastante descontraída por sinal, como já vos contei outro dia, de Montaigne na Place Paul-Painlevé, mesmo ao lado da livraria Compagnie e mesmo em frente a uma das entradas da Sorbonne. Já tinha reparado várias vezes no extraordinariamente dourado pé esquerdo de Montaigne, estátua, mas só hoje me lembrei de indagar porquê. Afinal é um ritual semelhante a muitos outros, em várias cidades do mundo (assim de repente lembro-me da estátua de St John of Nepomuk na Charles Bridge em Praga ou o pé esquerdo de um dos santos da Catedral de Santiago de Compostela).
 
Tocar o pé esquerdo da estátua de Montaigne é assim um ritual conhecido pelos muitos estudantes que povoam o Quartier Latin. Aprendi isto hoje, depois de pesquisar no google. Parece que para passar exames, orais, concursos, etc, devem os estudantes ou candidatos acariciar o pé de Montaigne e saudá-lo, quer dizer, saudar a estátua, não o pé, bem entendido. Diz-se que a superstição se estende a todos os tipos de votos. Amanhã experimento. Aliás, poderei experimentar todos os dias que aqui estiver. Já tenho por hábito dizer interiormente ‘Bonjour Monsieur Montaigne’ quando passo pela interessante estátua de Paul Landowski, por isso basta-me a partir de hoje acariciar-lhe o pé e formular um qualquer desejo. Não é que tenha muitos, mas hei-de seguramente descobrir alguns. Depois vos contarei se deu resultado o ritual.

A força do cinismo é forte nesta aqui

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É preciso ter muita lata, mesmo.

Manipulação grosseira na comunicação social

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A situação descreve-se muito rapidamente. Alguma comunicação social e a Vodafone criaram um facto político para colar António Costa a uma investigação sobre corrupção. Foi “apanhado”, houve escutas que foram “mandadas destruir” e até se conseguiu colar o nome de José Socrates à “notícia”.

A manipulação na comunicação social atingiu um nível em que simplesmente não merece crédito. Não vale tudo na luta política e na caça ao clique.

Há quem prefira certas ditaduras a monarquias democráticas…

É curioso verificar que alguns partidos políticos portugueses convivem pior com monarquias democráticas do que ditaduras, não todas como é evidente, depende se a ditadura é de esquerda ou direita, como o demonstram acontecimentos recentes…

Sou insuspeito de qualquer simpatia pela instituição monarquia. Também eu não acredito que alguém nasça predestinado a governar. Os espanhóis têm monarquia, é lá com eles, precisamente hoje assinalam-se 376 anos sobre a separação dos nossos destinos. [Read more…]

Mário Ferreira está equivocado

comboio-machu-picchu Carlos Almendra Barca Dalva

Profundamente equivocado. Profundamente.

Honrou-me com dois minutos do seu tempo o empresário da área do Turismo Mário Ferreira, num comentário deixado à carta aberta que ontem lhe dirigi.
Li-o com atenção, com muita atenção.
E permita-me dizer-lhe: está equivocado em quase tudo quanto diz. Quase tudo.

Novamente, vamos por partes?

A sua primeira frase, curiosamente, é a pura das verdades:
“O importante é que visitem o Tua, falem bem ou mal estou todos a falar…”

É verdade: há já cerca de uma década que a linha do Tua passou a fazer parte do quotidiano noticioso de Portugal. A par da linha de Sintra e de Cascais, é mesmo a via férrea de que os portugueses já ouviram falar e até sabem onde fica. E, repare, saber os rios, as serras e as vias de comunicação já não faz parte do programa escolar há muitas décadas.
No entanto, a linha do Tua… toda a gente conhece.

“Gostava que me mostrassem as máquinas a vapor construídas em Portugal.”
Ninguém lhe prometeu mostrar máquinas a vapor construídas em Portugal pela razão simples de que, para além de alguns improvisos oficinais, elas nunca existiram. Todas quantas cá circularam foram importadas da Alemanha, de Inglaterra, da Suiça, de França, até mesmo dos Estados Unidos da América (mas sem aquele design piroso). Importadas, modelos de séries comuns ou com as modificações solicitadas pelas empresas da altura. [Read more…]

Lettres de Paris #33

‘Antes eram os lugares e a Elisabete, agora é a Elisabete em Paris’

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escreveu-me hoje num email uma pessoa de quem muito gosto e, creio, faz o favor de gostar de mim também. A pessoa (que lerá este postal, também, mais tarde ou mais cedo, por isso peço-lhe já desculpa) acrescentou que talvez fosse inevitável. Confesso que fiquei a pensar naquilo o resto da tarde, depois de ler o email. Ia a pensar naquilo quando saí por uma hora do Ladyss, eram quatro da tarde, para ir ter com a Fabienne à livraria Compagnie, na Rue des Écoles. Achei graça a Fabienne ter sugerido aquela que, até ver, é a minha livraria favorita de Paris. Creio ter já falado nela nestas cartas. Na montra tem livros do Gonçalo M. Tavares, do Valter Hugo Mãe. Também já vi lá coisas do Saramago e do Fernando Pessoa. Estranhamente não vi ainda nenhum livro do António Lobo Antunes. Vi ontem ou antes de ontem, na montra já decorada para o natal um livro chamado Contos Portugueses, mas em francês. Não é por isso que a Compagnie é a minha livraria preferida, bem entendido, mas ajuda um bocadinho, confesso.
 

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