Autárquicas 2017: assim vai o PSD

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Um certo dia, andava eu em passeio virtual pelos rigorosos meandros da imprensa nacional, tento aceder ao site do Diário Económico, que ainda não se sabia bem se estava falecido, e, se estava, qual a causa da morte, e dou por mim no (novo) Jornal Económico. Fiquei sem perceber o que aconteceu, mas o certo é que fui lá parar hoje outra vez.

Diz o jornal – malta de Lisboa, bem informada – que José Eduardo Moniz foi sondado e poderá ser o candidato do PSD à câmara de Lisboa. Um candidato independente, claro está, que entre as dezenas de milhares de militantes que o partido tem não parece haver um que sirva. Ainda esteve para ser a D. Cristas, mas parece que não vai dar. [Read more…]

Um comunicado que vale a pena ler

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n’Os truques da imprensa portuguesa

RESGATAR O JORNALISMO – um texto aberto à subscrição e partilha pela comunidade de leitores da imprensa portuguesa

Caras e caros jornalistas,

Em 4 de maio de 1993, foi aprovado o vosso Código Deontológico. É, na simplicidade dos seus 10 mandamentos, um documento extraordinariamente claro quanto aos princípios que vos devem nortear. Enquanto leitores, sentimos que estes vossos deveres, quando integralmente respeitados, nos protegem, nos consideram e nos dão confiança em vocês e no vosso trabalho. Contrariamente, sempre que os ignoram, a todos ou a cada um deles, criam em nós suspeição, desagrado e revolta.

Todos erramos, é certo. E por vezes somos demasiado intolerantes com os vossos erros. Mas vejam de onde partimos: de um quadro em que os vossos princípios – que vocês escolheram definir e partilhar com o mundo – são por alguns de vós desrespeitados diariamente, à frente dos nossos olhos.
Talvez vos surpreenda – intimamente, cremos que não – mas temos pelo jornalismo, enformado pelos princípios que tão bem souberam definir, o maior respeito e admiração possível. O jornalismo é a mais bonita de todas as ocupações, se feito por missão, por amor à verdade, à justiça e à democracia.

Esta página, que certamente muitos de vós já aprenderam a odiar, por ser um espelho onde vêem reflectido o que há de pior na vossa profissão, não pretende ser um exercício de superioridade moral. É, isso sim, um exercício de confronto entre os vossos princípios e as vossas práticas, elaborado (de forma artesanal, é certo) pelos vossos leitores. O campo de disputa e subjectivação que, do nosso ponto de vista, não existindo, era absolutamente fundamental.

Reconhecemos que o modelo de negócio do jornalismo tradicional atravessa uma fase difícil. Os jornalistas que ainda têm emprego vivem de corda ao pescoço, sob pressão, sem tempo, em condições precárias, mal pagos,… Os jornais andam de joelhos em busca de mais receitas, inventado estratégias e dispositivos cada vez mais sofisticados para inserir publicidade e amplificar a visibilidade dos seus conteúdos.

Pode parecer-vos até que poucas opções vos restam: que se querem continuar a ter trabalho, têm de aceitar que as regras do jogo mudaram e que têm de se subjugar à alienação dos princípios que vocês próprios entenderam estabelecer. Mas essa via – a de aceitarem que isso tem de ser assim – é uma escolha vossa. Terão de ser vocês a assumir esses custos.

A nossa, enquanto leitores, é a de rejeitar esse jornalismo. Sempre. Queremos rigor e exatidão. Não queremos a vossa opinião dissolvida nas vossas notícias. Não rejeitamos interpretações, mas queremos interpretações honestas. Queremos imparcialidade, investigação e respeito pela privacidade, pela dor, pela presunção de inocência. Não queremos sensacionalismo. Não queremos publicidade encapotada. Não queremos subliminares. Não queremos artigos plagiados.

Queremos o que, em 1993, se comprometeram a dar-nos, que está muito longe do que tão frequentemente nos têm dado. Talvez seja injusto e doloroso para alguns de vós ler isto. Mas serão precisamente esses os primeiros a reconhecer que temos razão. São esses os que têm a grande responsabilidade de exigir e de dar um impulso para resgatar o jornalismo.

Os vossos leitores contam convosco.

Com enorme respeito pela vossa profissão, subscrevemo-nos abaixo.

Lettres de Paris #67

Moi, la gourmande…

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que é como quem diz, eu a comilona, eu a gulosa ou ainda eu a que gosta de comer bem. Não tiro geralmente fotografias a comida e, mesmo que tire eventualmente, não tenho por hábito publicá-las. As razões são várias, mas digamos que tenho um certo pudor em publicar o que como. Não que coma demais habitualmente mas… adiante que não é disso que se trata. Abro hoje uma exceção e publico uma fotografia de comida. Uma fotografia da minha sobremesa de hoje, um café gourmand, que é como quem diz, então, guloso ou destinado aos gulosos e àqueles que gostam de comer.
É quase uma instituição o café gourmand em Paris. Ainda outro dia bebi um extraordinário, ainda que menos abundante que este (e bastante mais caro, diga-se) no Café de la Paix, um dos cafés – acho que posso dizê-lo – mais clássicos de Paris e mais bonitos, com vista direta sobre a Opéra. No fim de semana passado bebi outro no Marché des Enfants Rouges, à laia de almoço, mais modesto do que o de hoje e do que o do Café de la Paix, mas saboroso – guloso – ainda assim. Para quem não saiba, adoro comer, de verdade. Gosto praticamente de tudo (bom, menos de polvo, de chocos, de lulas, de ostras, de tamboril, de caracois e dos seus primos franceses, os terríficos escargots…) e tanto faz serem doces ou salgados, marcha tudo, por assim dizer, com apetite e alegria. Mas, apesar disto, tenho um fraquinho por doces. E muita dificuldade em resistir-lhes.

O Facebook (afinal) sabe

Só não é claro como é que o Facebook sabe dos patrocínios do Expresso.

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Com que então, a melhor juventude partidária?

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Estilo pós-soviético em Caliningrado

O retrato de Peter Marlow sobre a cidade ex-alemã, ex-URSS, agora russa. Na Magnun Photos.

Lettres de Paris #66

C’est Paris

Há uns dias, num café perto do Marché des Enfants Rouges, falei com a minha prima Lena acerca do livro de Julien Green (‘Paris’, Tinta da China, 1ª edição de 2008). Reli o livro, que comprei em 2012, no avião. E falámos dele a propósito da flânerie, palavra que literalmente poderia ser traduzida como ‘vadiagem’, mas que está longe de ser apenas isso. Flâner é basicamente passear pelas ruas e praças e observar e absorver. Com tempo. Ociosamente até. Gosto de pensar em mim como flâneuse, embora na maior parte das vezes que viajo não tenha o tempo necessário para o ser verdadeiramente.
Diz Julien Green no texto ‘uma cidade secreta’ que «Paris é uma cidade de que se poderia falar no plural (…) porque há muitas parises e a do estrangeiro só superficialmente tem algo em comum com a Paris dos parisienses». E eu sou estrangeira, irremediavelmente, para ter tempo para conhecer o que é possível (mesmo a um parisiense) de uma cidade tão diversa – já o reconheci numa carta anterior – como esta. Mas a verdade é que passear em toda a parte, subir a sítios altos e descer de sítios altos, sentar-me nos cafés, fumar nas esplanadas e observar ociosa, mas atentamente o que vai acontecendo à minha volta é uma das coisas que mais gosto de fazer, em Paris como noutro sítio qualquer. Assim mesmo, sempre estrangeira, estou certa que não conheço nenhum lugar bem, tal como, estou igualmente certa, não conheço nenhuma pessoa bem – nem a mim mesma. As cidades, escrevi também isto num postal de Bucareste, há muito tempo, precisam de tempo, como as pessoas. E as cidades tão múltiplas como Paris precisarão ainda de mais tempo. E, assim, mesmo nunca será suficiente. Ao contrário do que diz Green, no mesmo texto que mencionei, nem mesmo com tempo poderemos afirmar conhecer bem uma cidade (ou uma pessoa). Isto é bom e mau, como quase tudo, sendo que entre estes dois extremos existe toda uma série de possibilidades. Bom porque seremos sempre surpreendidos. Mau porque seremos sempre surpreendidos. Não é contraditório. Absolutamente.

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Beleza americana

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O Facebook bloqueia quem publicar fotos de mamocas, mas não tem problemas com mensagens racistas ou de ódio.

A última onda por cá consiste em publicar uma foto de Mário Soares na praia com uma jovem em topless e ser-se bloqueado pelo Facebook. A ironia tem destas coisas e o falso moralismo americano, mais a sua visão totalitária do mundo, também.

Uma boa oportunidade para ver ou rever o filme Beleza Americana.

Entretanto…

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Operação Outono

O Facebook lembrou-me este post, de há dois anos. Aconteceu-me mesmo isto. Até agora ainda não percebi.

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Funerais de Sá Carneiro e Mário Soares

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Miguel Teixeira

– o “culto” do disparate numa comparação infeliz

Tenho assistido com alguma perplexidade e até surpresa à comparação da afluência do povo aos funerais de Francisco Sá Carneiro e Mário Soares, comparações que são absolutamente disparatadas e desfasadas no tempo e na situação política. Essas comparações têm-nos chegado através de “sites” ligados à Direita radical que não perdoam a Mário Soares o apressado processo de “descolonização”(embora como se tem visto nos últimos dias através de vários testemunhos à Direita, cito Ribeiro e Castro, ex. Presidente do CDS, é injusto ele ser unilateralmente responsabilizado) e ainda por comentadores radicais como João Miguel Tavares.
Em primeiro lugar, devo dizer que considero o Dr. Francisco Sá Carneiro um dos vultos maiores da nossa democracia, que lutou incansavelmente por um Portugal mais justo, tolerante e solidário. Fundou o PPD, um partido de centro esquerda, que pediu inclusivamente adesão à Internacional socialista, situação que alguns mais jovens poderão desconhecer. [Read more…]

Quem serve quem?

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Por via da petição que requer o debate e a decisão sobre o CETA na Assembleia da República, promovida pela Plataforma Não ao Tratado Transatlântico, os partidos que são contra a submissão dos interesses dos cidadãos aos das multinacionais apresentam hoje as seguintes recomendações ao governo (por ordem alfabética):  [Read more…]

Ajustes directos à lupa – Vila Nova de Famalicão

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O concelho de Famalicão é conhecido pela sua forte vertente exportadora. A partir de hoje ficará também conhecido pela sua forte capacidade “ajustadora”. A sua Câmara Municipal não deixa os créditos por mãos alheias e ajusta “à patrão” com um valor que supera os 156 milhões de euros. Em quê? Ora é isso que vamos analisar. [Read more…]

À atenção do Bloco e do PCP

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A Ana Moreno, no seu esforço hercúleo e permanente para alertar e denunciar os perigos do CETA e do TTIP, voltou ontem à carga:

Qual será a percentagem de portugueses que ouviram falar desse acordo que já foi assinado e será votado no Parlamento Europeu no próximo mês de Fevereiro? 1%? Não faço ideia, mas quando se pergunta aleatoriamente a alguém, mesmo na capital, ninguém conhece sequer a sigla.

Já dizia o outro: não te preocupes, está tudo bem. Que interesse têm dois tratados aborrecidíssimos, para os quais nos estamos nas tintas, e sobre os quais ninguém fala? Não devem ser assim tão importantes. Se fossem haveria mais debate, mais alertas. Mas alguma vez uma multinacional poderá processar um Estado pelas perdas de lucros geradas por algo tão simples como o aumento do salário mínimo nacional? Isso são disparates de teóricos da conspiração.  [Read more…]

Ontem, o país ficou mais pobre 1269 milhões de euros

O abastecimento de 20% das necessidades de financiamento para o país custou 1269 milhões de euros, a pagar daqui a 10 anos. É um valor que se soma à gigantesca dívida de Portugal, a qual não pára de aumentar de uma forma bastante linear desde 2012. Percebe-se. Depois dos cortes cegos e dos brutais aumentos de impostos, pouco há a espremer agora aos portugueses. Obviamente, a situação não é sustentável.
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O pós-Público do Sr. Dinis

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É claro que a malta d’Os truques irrita muita gente. Durante anos, o 4º poder fez o que lhe deu na real gana, servindo interesse aqui, interesse acolá, até que as perigosas redes sociais emergiram e deram à luz novas formas de escrutínio, nem sempre objectivas ou sequer coerentes, é certo, mas ainda assim capazes de desmontar e expor a falta de rigor e a manipulação de informação. Informação que é absorvida, processada como verdade absoluta e propagada de forma descontrolada, fomentando percepções distorcidas, criando focos de tensão, alimentando ódios sectários. [Read more…]

Lettres de Paris #65

«Sei tudo o que você faz em Paris….»

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podia ser uma frase mais ou menos assustadora, se a tirassemos do contexto. Mas a frase tem um contexto, como é evidente, e esse contexto como sempre, como em tudo – e não é por ser socióloga que o digo – é muito importante. Já o contei no Facebook para alegria – aparentemente, a avaliar pelo número de ‘likes’ – dos meus amigos, mas conto de novo o contexto desta frase. Antes disso, devo dizer que dedico esta carta à G., a pessoa que a proferiu. Se me estiver a ler, G., como creio que me lê com frequência – o contexto, portanto – saiba que esta carta lhe é dedicada.
Estava eu hoje a fumar um cigarro à janela do meu estúdio, no 1º andar, virado para a estreita Rue Suger, já passava da hora do almoço, mas ainda assim, estava de calças de pijama, t-shirt e um casaco de carapuço, velho, de andar-por-casa, que o André me emprestou, tinha o carapuço posto, além do mais, por causa do frio e da rouquidão que tenho e do surto de gripe que assola a França (vi na BMFTV)… estava eu, nestes preparos, a fumar um cigarro debruçada na grande janela, quando vejo passar duas pessoas, uma senhora e uma adolescente. Continuei a fumar, de carapuço enfiado na cabeça e calças de pijama vermelhas aos quadrados, enquanto as duas olhavam insistentemente para mim, de cabeça no ar. Passaram debaixo da janela e continuaram a olhar. Achei que devia ser por causa dos meus preparos e, sobretudo, por causa do carapuço na cabeça, que me daria um ar de dread-intelectual, devido aos óculos de massa… em qualquer caso, estranho, supus eu. A senhora volta um bocadinho para trás e do passeio do outro lado da estreita rua diz-me ‘Bonjour!’. Respondi-lhe de volta ‘Bonjour’ e instintivamente tirei o carapuço, convencida que ela me iria pedir uma direção qualquer. Aconteceu já algumas vezes, enquanto fumo à janela pedirem-me direções, cigarros ou simplesmente – se é tarde – como agora – algum bêbado cumprimentar-me.

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Trabalhamos muito, mas temos pouco valor acrescentado

Este gráfico mostra o PIB por hora trabalhada. Portugal está no fim da tabela, o que significa que produzimos pouco valor acrescentado.

É este o significado da produtividade neste contexto e não se cada um de nós está a moinar ou não no local de trabalho.

Por exemplo, a Alemanha é o país da OCDE onde se trabalha menos horas por ano e, simultaneamente, é dos que têm o maior PIB por hora trabalhada.

Portugal é dos países da OCDE onde se trabalha mais horas por ano. E, como vemos, o PIB por hora trabalhada é muito baixo, o que significa que cada hora trabalhada produz pouca riqueza. Para melhorar a nossa situação, precisamos de nos concentrar em produtos que acrescentem valor. Por exemplo, não basta produzir uma boa camisa, também é preciso constituir a respectiva marca. Ou ainda, no negócio do software, não basta escrever linhas de código a metro, é preciso construir produtos que vençam no mercado. Não sendo assim, ficamos com o esforço da produção, mas vemos o grosso do lucro fugir-nos para quem fecha o ciclo do negócio.

Gráfico: página da OCDE no Facebook

Um legado sem herdeiros

Rui Naldinho

sa-carneiro-1O Blogue Direita Política que alguns escribas dizem não ser de gente ligada ao PSD, por não estar devidamente “patenteado”, não soubéssemos nós como estas coisas funcionam, resolveu durante os dias em que decorreram as exéquias fúnebres de Mário Soares, divulgar através do Facebook, uma espécie de elegia a Francisco Sá Carneiro, cuja morte ocorreu há 36 anos.
Percebe-se a orfandade da direita perante figuras que se opuseram à ditadura de forma explícita, e cujos valores democráticos Soares ajudou a construir em Portugal de uma forma ímpar, no contexto político da segunda metade do século XX.

Francisco Sá Carneiro, um homem da alta burguesia portuense, advogado de profissão, que dentro do regime fascista sempre se opôs à ditadura, teve indiscutíveis méritos. Era um democrata naquilo que a palavra tem de mais genuíno. Contudo, não há comparações possíveis entre os dois personagens, porque um viveu na clandestinidade, outro não. Um esteve preso e exilado, outro foi deputado, ainda que da chamada ala liberal da ANP. Infelizmente, Sá Carneiro teve uma vida efémera, motivada por um acidente aéreo com contornos estranhos, que para muitos não passou de um atentado. Soares viveu uma vida longa. Tudo isso são realidades indesmentíveis, mas que não acrescentam nada ao que já se conhece dos dois. Portanto, o valor intrínseco que cada um deles tem na construção do nosso regime democrático, não lhes pode ser retirado. [Read more…]

Amanhã, na Assembleia da República

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As razões intrínsecas que podem levar um partido no poder que se denomina Partido Socialista a tomar uma posição declaradamente pró-CETA – o acordo de “comércio livre” entre a UE e o Canadá – são insondáveis. O conhecimento das amplas implicações do acordo revela o seu carácter nocivo para os interesses dos cidadãos, os quais passam a estar submetidos ao arbítrio de multinacionais que poderão exigir, num tribunal especial (ICS), indemnizações milionárias por medidas governamentais que considerem danosas para os seus lucros futuros.

Ao contrário do que aconteceu na Valónia, onde o processo de consulta pública foi real e abrangente e levou a exigências claras antes da assinatura do acordo, o governo português não informa os cidadãos portugueses sobre o acordo e suas consequências e os media votaram o tema ao ostracismo.

Qual será a percentagem de portugueses que ouviram falar desse acordo que já foi assinado e será votado no Parlamento Europeu no próximo mês de Fevereiro? 1%? Não faço ideia, mas quando se pergunta aleatoriamente a alguém, mesmo na capital, ninguém conhece sequer a sigla.

Foi essa a razão que levou a Plataforma Não ao Tratado Transatlântico a apresentar uma petição subscrita por mais de 5.000 cidadãos informados, exigindo um debate público sobre o CETA na AR. O que irá acontecer amanhã, 12 de Janeiro de 2017. Paralelamente, haverá uma concentração com microfone aberto em frente à AR.

Participe e informe-se! O CETA vai MESMO ter um impacto negativo para os cidadãos e para as Pequenas e Médias Empresas!

O Discurso.

O poucochinho de 2016

Santana Castilho*

O que se ensina e o modo como a Escola se organiza para ensinar deveria traduzir um projecto de sociedade, decidido de modo suficientemente participado para a representar. Infelizmente, traduz apenas o querer de quem manda em cada momento, fruto da recorrente incapacidade de os partidos construírem um entendimento político que acomode os tempos da Educação. Com efeito, nenhuma reforma se compadece com a duração estreita de uma legislatura.

A Escola que o anterior Governo deixou visava criar “recursos humanos” produtivos, pacíficos face aos grupos económicos a que se destinavam e agressivos face à competição desumana que deviam vencer para lá entrar. O que o actual Governo fez para mudar essa Escola e preparar cidadãos capazes de agirem de modo crítico e independente é manifestamente poucochinho.

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Ao cuidado da direita indignada com o despesismo

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que vocifera, com toda a razão, contra os salários obscenos que se pagam na função pública, seja a um António Domingues ou a um perigoso sindicalista, desses que só sindicalizam e não querem trabalhar, e que ainda por cima são comunistas, os nababos! Peço um minuto da vossa atenção e indignação para que atentem neste dispositivo contabilístico, gentilmente disponibilizado pela Geringonça, que nos permite assistir em directo ao acumular de euros por parte do antigo secretário de Estado privatizador de Passos Coelho, que o próprio Passos Coelho escolheu para vender o Novo Banco, e que em 14 meses já nos levou qualquer coisa como 365 mil euros, sem que ninguém tenha ainda percebido para quê, dada a inexistência de resultados que justifiquem os cerca de 25 mil euros por mês que aufere.

Como sei que a vossa indignação é honesta e genuína, e aqui alargo o convite a todos os paladinos anti-despesismo da nossa cândida direita, estejam eles no comentário político televisivo, nas colunas de opinião anti-esquerda, na blogosfera liberal/conservadora ou nos grupos de ódio laranja nas redes sociais, ficarei a aguardar, com expectativa, pelos vossos contributos indignados. E caso para dizer: e o Sérgio Monteiro, pá?

Foto: Diana Quintela/Global Imagens@DN

Informação de qualidade

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Correio da Manha, what else?

via Uma Página Numa Rede Social

Lettres de Paris #61 a #64

Ma maison me manque

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ou não sei o que é. Depois da visita da Sílvia e do Guilherme, das celebrações dos 50 anos de ambas e de três dias com eles, fiquei hoje a modos que ‘em baixo’. Ou não sei o que é. Não é que esteja farta de Paris. Ninguém no seu perfeito juízo poderá, objetivamente, ficar farto de Paris (bom… sou capaz de pensar em duas ou três situações em que isso pudesse acontecer), é evidente. Mas começo, talvez, a sentir falta da minha casa, do meu gabinete, das minhas coisas, das rotinas diárias. Essas coisas. Ou não sei o que é. A verdade é que ultimamente, desde há 4 ou 5 dias, o tempo tem estado muito cinzento e chuvoso. Não aquela chuva desempoeirada, que cai com abundância. Mas uma chuvinha chata, poucochinha mas continuada, que enche tudo de uma espécie de viscosidade que aborrece. Isso e a poluição. Tenho tosse há dois ou três dias e chateia-me tossir. Também me doi o polegar da mão esquerda. E isso também me chateia. Enfim, estou lamurienta, queixinhas e ‘em baixo’ e portanto deduzo que tenho saudades de casa, sendo casa tudo o que a mesma significa, como é evidente.
 
Na verdade estou quase a ir-me embora e por isso devia estar mens queixinhas e aproveitar as duas últimas semanas(ou quase isso) por aqui. Vou aproveitar, penso, mas logo a seguir já não me apetece aproveitar. Só me apetece estar em casa. Hoje não há nada a fazer. Escrevo outra carta que são muitas, cartas por atacado, também por isso. Porque nem me apetece escrever, apesar de haver coisas a contar, sobretudo dos últimos dias em que celebrei com a minha irmã-praticamente-gêmea os nossos 100 anos de existência. Não creio que ter feito 50 anos me tenha afetado particularmente (bom, esta dor no polegar se calhar é uma artrose, e as artroses são coisas que se agravam com a idade… portanto, talvez os 50 anos me tenham afetado, afinal, logo assim, para começar). Nunca me importei de fazer anos. Será sempre bom sinal e toda a gente sabe que fazer anos é melhor que não os fazer. Ninguém pode ficar parado nos 20 anos e, sinceramente, tirando a questão dos ossos, eu também não quereria ter 20 anos agora. Nem 30, nem 40, nem 10, nem 5. Quero ter estes 50 anos que tenho. Com o que a vida me deu (menos as dores nos ossos). E quero a minha casa. Pronto.
 

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Sons do Aventar

O auto-retrato feito pelas escolhas

Homens da dimensão de Mário Soares nunca são unidimensionais. Assim, as avaliações e referências que a eles se fazem reflectem sempre esta realidade. Na morte, ficam entregues às palavras dos outros sem direito a apelo. É por isso que os que agora se pronunciam escolhem o retrato que querem desenhar e ficam, eles próprios, sujeitos a julgamento pelas inclusões e omissões que fizeram, pela probidade e procedência do que dizem, sabendo-se que o que afirmam diz tanto deles como do objecto das suas apreciações. É por isso que um elogio pode ser insultuoso, uma distanciação pode ser honrosa, uma crítica pode ser um sinal de integridade. Ao escolher os atributos que definem aquele de quem falo, não me posso furtar de definir-me a mim próprio. Estes dias têm sido, neste domínio, uma lição do que há de pior e de melhor. Assim sendo, aguardava com alguma expectativa os discursos da cerimónia fúnebre a que assistimos hoje. Queria saber qual, nas palavras dos oradores – os filhos de Mário Soares e as figuras institucionais -, era a a imagem que emergia. Foi, há que reconhecer, um momento digno. Ilustro o que digo com o discurso de João Soares, o qual sublinhou, sobretudo, a dimensão de lutador anti-fascista e resistente do homenageado, a sua busca de liberdade. Em palavras que reflectiam, como é natural, a sua vivência pessoal dos acontecimentos. E lembrando factos que a comunicação social mal mencionou por estes dias, ocupada que estava em construções ficcionais tão indignas nos ditirambos como nos insultos e falsificações da história.

Leituras

A “traição” de Soares e outros mitos sobre a descolonização portuguesa

Nas redes sociais, ódio e boatos em copy-paste

E a vírgula, senhores?

mario_soares_camara_lisboaObrigado, senhores da Câmara Municipal de Lisboa, por lerdes este texto. Ponto final.

 

Portugal, Soares e os outros

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Não é o momento para fazer julgamentos. Tivemos e usamos décadas para o fazer, continuaremos a fazê-lo dentro de alguns dias, mas a quantidade de ódio que se tem visto por aí, num país onde um tirano foi eleito, por esmagadora maioria, como o grande português da nossa história, soa-me algo bizarro. Temos sido salteados por diferentes actores políticos ao longo dos anos, incessantemente, e poucas são as personagens que granjeiam tamanha aversão, a ponto de haver quem celebre a sua morte em paragens supostamente democratas e honradas. Não obstante, devemos-lhe muito. Não acho que Mário Soares seja o maior, como tenho lido por aí, mas será, não tenho dúvidas, um deles. [Read more…]

À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

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Encontrado n’Uma Página Numa Rede Social

Um dia após a morte de Mário Soares, o grupo Cofina dá uma mãozinha às pessoas que adoram partilhar as histórias mais escatológicas acerca daquele que hoje é reconhecido como o pai da democracia portuguesa. Na revista, é alegado o seguinte: “Soares quis montar um império da comunicação social. O sonho ruiu, num escândalo de alegada corrupção que ainda hoje está por explicar.” Depois, para sustentar este conceito, a revista Sábado junta factos confirmados com boatos nunca verificados e tece uma narrativa genérica o suficiente para permitir todo o tipo de suposições.

Para quem odeia Mário Soares, isto é perfeito. Sem provar rigorosamente o que quer que seja, a Sábado deixa um clima de suspeição no ar e repete a palavra “corrupção” três vezes ao longo do artigo, permitindo que qualquer opositor da Esquerda use o texto para confirmar o seu enviesamento ideológico.
Esta forma de fazer jornalismo, que deliberadamente pisca o olho às teorias da conspiração, é perigosa. Ela alimenta o clima de pós-verdade (leia-se, “de mentiras”) que está a corroer o jornalismo sério e objectivo. Ela cria hordes de ignorantes que adoram queimar bruxas na fogueira e para quem o conceito de presunção de inocência é uma extravagância criada para proteger corruptos.

Porém, não é esse o motivo que nos leva a escrever acerca do assunto. O que nos chamou a atenção neste artigo é a espectacular dualidade de critérios no tratamento que a comunicação social portuguesa dá à Esquerda e à Direita em Portugal.
Reparem, a revista Sábado pertence à Cofina Media SA, um dos grupos mais influentes da nossa comunicação social e que, através do Correio da Manhã, regularmente alimenta o ódio e o preconceito contra a Esquerda. Ainda em 2011, o Governo de Passos & Portas, através de Miguel Relvas, procurou privatizar a RTP, entregando-a à Ongoing e, precisamente, à Cofina.

A outra empresa que domina as notícias em Portugal é o grupo Impresa, criado por um dos fundadores do PSD, Francisco Pinto Balsemão, e que caracteriza a sua acção pelo destaque (leia-se, “pela promoção”) dado aos dirigentes do PSD. Neste preciso momento, enquanto escrevemos isto, Marques Mendes dá a sua homilia dominical aos espectadores.

Posto isto, falemos de dualidade de critérios. Em Portugal, os grupos Cofina e Impresa são vistos como grandes empresas, que dão trabalho a milhares de pessoas e determinam o tipo de conteúdos que os portugueses vêem, lêem e ouvem. Francisco Pinto Balsemão, para todos os efeitos, é um dos fundadores da nossa democracia e um dos maiores empresários do país. Porém, quando alguém ligado ao PS tentou criar um grupo exactamente com as mesmas características, isso rapidamente foi classificado como corrupção.
Ou seja, num país onde a comunicação social é dominada por um dos fundadores do PSD e por um grupo opositor da Esquerda, os jornalistas promovem a ideia de que um grupo criado por pessoas do PS consistiria numa tentativa de controlar a informação.

À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

Este é, provavelmente, o caso mais sintomático de como o preconceito e a dualidade de critérios estão enraizados na interpretação que muitos jornalistas fazem da nossa realidade.

Orgulhosamente empreendedores.