
Impressionante a reportagem da «Sábado» desta semana com um pedófilo em prisão preventiva que assume todos os seus crimes. Jovem advogado da «Teixeira Duarte», chegou a inscrever-se em colónias de férias, como monitor, para poder estar mais perto das crianças. O uso de clorofórmio como forma de adormecer as suas vítimas tornava-o especialmente perigoso.
O que mais impressiona neste caso, para além da confissão total, é a educação deste rapaz. Filho de um militar, passou os primeiros anos no Colégio Militar e, depois, fez todo o ensino básico e secundário num colégio interno para rapazes. Não vou dizer que a sua pedofilia se deveu a este contacto íntimo com rapazes durante tantos anos, mas decerto que ajudou. Foram muitos anos de fardas, de camaratas e pijamas, de balneários, duches e sabonetes a cair ao chão.
Seria pedófilo na mesma? Certamente que sim, mas o ambiente em que viveu toda a infância e adolescência só ajudou a incrementar essa sua faceta. Porque, quer se queira quer não, um colégio interno é das coisas mais anti-natura que se podem conceber na educação de uma criança. É pegar numa criança e enfiá-la numa prisão durante os melhores anos da sua vida. É tirar-lhe tudo.
E, em casos como este, os resultados estão à vista…
O pedófilo do Colégio Militar
Ibn Qasi e os Muridinos
“Eu quero ser nada…para poder compreender tudo”
Shaykh Hisham Kabbani
A derrota dos Almorávidas na batalha de Ourique marca o início de um novo período de fraccionamento do Andalus em reinos independentes, que ficou conhecido como os segundos Reinos de Taifas.
É um período conturbado e de digladiação de várias facções muçulmanas e destas com os cristãos, já que os Almorávidas em declínio, os Reinos de Taifas que logram a independência e os recém-chegados Almóadas detêm o poder em diferentes áreas da região.
Durante este período o Sul do Gharb Al-Andalus constitui-se no Reino da Taifa de Silves, inicialmente governada pela família dos Banu Al-Mallah, mas posteriormente dominada por aquele ficou na história como o grande Mestre do Sufismo no Gharb Al-Andalus, Abu Al-Qasim Ibn Qasi.
Se o período das primeiras taifas constituiu o expoente da poesia Luso-Arabe, representada por figuras como Al-Mu’tamid e Ibn Amar, as segundas taifas ficaram como o expoente da filosofia Misticista Islâmica, representada por Ibn Qasi e o movimento Muridíno.
Natural de Silves, Ibn Qasi era provavelmente um muladi, ou descendente de cristãos convertidos, de origem romana, dado que se pensa que o seu nome de família viria do romano Cassius.
Funcionário da alfândega de Silves opta por uma vida de meditação e recolhimento, entregando metade dos os seus bens aos pobres e refugiando-se numa Zauia ou Azóia onde inicia um caminho na busca de Deus, fundando uma confraria designada por Movimento Muridíno.
Essa Zauia daria origem ao famoso Ribat da Arrifana, em Aljezur, que constrói com a restante metade dos seus bens, e que se torna sede da sua Cavalaria Espiritual, e incluía uma mesquita, celas para os seus discípulos e cavalariças. [Read more…]
Chafurdar na mentira não é higiénico
O pior que nos pode acontecer é relativizar tudo o que nos acontece. O nosso déficite é de 9.3% do PIB o da Espanha tambem; a dívida é de 100% a da Grécia é maior; o desemprego é de 10% o da Espanha é 19%….
Mas, para as coisas que gostaríamos que nos acontecesse mas não acontecem, aí já não se relativiza nada, não se falam nelas sequer.
A Espanha anda há anos a renovar o seu tecido empresarial, com melhores equipamentos, inovação e formação aos desempregado e muito do desemprego tem a ver com essa renovação. A Alemanha dá mostras que o seu sector de exportação está a retomar. Todos, na UE, são muito mais ricos e justos que nós…
O primeiro ministro é escutado e as conversas são reveladoras de atentados à liberdade de expressão. Pois, não devia, mas não houve um ministro que alinhava os telejornais da RTP ? José Sócrates mentiu na Assembleia da República ao dizer que nada sabia do negócio da PT com a TVI . Mentir mentem todos. O PGR e o Presidente do Tribunal Superior não ouvem nada de especial onde uns “eruditos e experientes” boys de 32 anos (pagos a peso de ouro) são incumbidos de irem a Espanha fechar o negócio com os espanhóis donos da TVI.
Vara ralha com o primeiro ministro e diz que ele não devia dizer que não conhecia o negócio e isso, de mandar calar o primeiro ministro, é “tão natural como a nossa sede…” Os jornalistas que criticavam Sócrates foram todos afastados, mas afinal o que é que se espera, não é a suposta vítima promover a limpeza, afastar os adversários?
Tudo relativizado, não há perigo nenhum, salvo no dia em que alguem considere que tudo isto não é mais do que merecemos!
Da última vez tivemos um governante a pensar assim durante quarenta anos!
Constâncios aos milhões

Pasmou o país inteiro pela insistência germânica no nome de Vítor Constâncio. Ou se se tratava de ignorância quanto ao desempenho do dito senhor à frente do Banco de Portugal, ou então, algo existiria envolto por aquele tipo de mistérios bem próprios dos ambientes político-financeiros ou de aventais a uso fora da cozinha.
Afinal, temos o cardápio do costume. O sheik Vítor é a moeda de câmbio que garante a convertibilidade do colega alemão à presidência do Banco Central Europeu. Simples aritmética norte-sul.
A única questão a colocar: sabendo os portugueses que V.C. aufere no Banco de Portugal de um salário e mordomias bastante superiores às do seu homólogo da Reserva Federal Americana, quanto será o quinhão disponível na instância europeia?
nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO – Especial:
Só no dia 8 de Março de 2010, um dia muito especial e dia Internacional da Mulher, é que é lançado o novo trabalho das fantásticas First Aid Kit, umas miúdas que prometem e muito.
Ora, como vosso amigo e grande apreciador da música das irmãs Soderberg, deixo-vos aqui em grande estreia o seu novo trabalho (eu já tenho o álbum, eheheheh), “I Met Up With The King”, uma das faixas do álbum (The Big Black & The Blue) e respectivo clip. Não ouvir é crime! Quem é amigo, quem é????
É domingo…
Vá passear. Imite-os. Divirta-se. E esqueça a publicidade. Água d’el cano, cervejinha, suminho de fruta, caipirinha… divirta-se.
Faltam 431 dias para o Fim do Mundo:
Organizar uma revista de imprensa ao Domingo não é pêra doce. Boa parte das notícias é como o arroz do dia anterior, requentadas.
O futebol domina e a tragédia de Cardozo poderia servir para um remake do filme: A Angústia do Guarda-redes na Hora do penalti só alterando para a angústia do atacante. E como o futebol é o ópio do Povo, o Euro 2012 marca a agenda com outro tipo de ânsias lusas: será a Dinamarca mais forte? Fica uma pergunta: será que vão gastar o mesmo em estádios que se esbanjou em 2004? O Octávio, esse, não se cala.
Porém, o Mário Crespo e o processo Face Oculta dominam a agenda mediática da política nacional. As escutas, nas suas diferentes nuances, continuam a ser escutadas por todos com a máxima atenção. Um avisa que permite. Outro nem confirma nem desmente. Todos vão rumar à AR.
Enquanto tudo isto se passa mesmo em frente dos nossos olhos, Marco António Costa (e bem) sublinha o óbvio: o actual PSD não está à altura do momento. Na minha terra define-se o actual PSD desta forma lapidar: “Nem f… nem deixa f…er”. Ou em linguagem adaptada ao convento: nem procria nem deixa procriar.
Pedro Marques Lopes, a «isenção» da TSF e o «amigo Joaquim»

«Bloco Central» é um programa de actualidade política da TSF cujo nome diz tudo. De um lado, Pedro Adão e Silva representa o PS. Do outro, Pedro Marques Lopes representa o PSD.
Pedro Adão e Silva foi dirigente nacional do PS e autor da moção de José Sócrates no último Congresso. Pedro Marques Lopes não é nem nunca foi nada no PSD. Pedro Adão e Silva defende com todas as forças o PS e o primeiro-ministro e está sempre a atacar o PSD. Pedro Marques Lopes ataca com todas as forças o PSD e Manuela Ferreira Leite e não raras vezes defende o primeiro-ministro.
É assim a isenção da TSF. Claro que ninguém foi dizer a Pedro Marques Lopes o que ele devia dizer. E ninguém foi dizer a o director da TSF Paulo Baldaia para contratar Pedro Marques Lopes para um programa deste género. Não é preciso. Lembram-se da história do cãozinho amestrado? Pois, o «amigo Joaquim» não precisa de dar ordens. Todos sabem, a cada momento, o que hão-de fazer.
Adeus Victor, Obrigado Ângela
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ADEUS VICTOR
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Uma boa notícia para Portugal :
Imprensa Alemã garante que a nomeação de Victor Constâncio será assegurada por Berlim
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O melhor jogador em campo
O futebol não é apenas um desporto. É filosofia disposta num esquema tático de 4 4 2. Metafísica à baliza. Um quarteto defensivo formado por ontologia, ética, religião e moral. No meio campo, lógica e epistemologia. Nas alas estética e linguística . Política e economia a pontas de lança. Tudo isto servido por uma reserva de luxo, onde suplentes frequentemente utilizados como retórica, psicologia, psicánalise, antropologia, sociologia e semiótica, saltam do banco para resolver as partidas.
Mas, apesar do que se possa pensar a, sua pátria não é a Grécia nem a Alemanha é o seu expoente máximo. Filosofia futebolística fala-se em português , e todas as outras línguas são menores. É evidente que tal como no campo, o Brasil ganha com larga vantagem. A atestá-lo estão figuras como Valter Matheus, Galvão Bueno e Nenem Prancha, homens cujo pensamento deveria ser ensinado em todas as faculdades de letras. No entanto, neste Olimpo ombreia um português cuja importância não poderá nunca ser menosprezada. Referimo-nos, como o leitor mais cultivado já deduziu, a Gabriel Alves, injustamente ignorado pelos nossos irmãos brasileiros sem algum chauvinismo. Talvez porque a escola Alvesista constitui um contraponto platónico de raiz lusitana, ao Sambismo aristotélico da tradição brasileira.
O Terramoto de 1755 e a cultura europeia da época
Em textos anteriores, vimos já que se perdeu muita coisa importante no Terramoto de 1755 – os seis hospitais da cidade, incluindo o de Todos-os-Santos, 33 palácios da grande nobreza, o Palácio Real, a Patriarcal, o Arquivo Real, a Casa da Índia, o Cais da Pedra, a Alfândega palácios, igrejas, bibliotecas, a faustosa Ópera do Tejo, inaugurada sete meses antes… Na «Gazeta de Lisboa» do dia 6 de Novembro, afirmava-se que «O dia primeiro do corrente mês ficará memorável pelos terremotos e incêndios que arruinaram uma grande parte desta cidade». Diga-se, de passagem, que a «Gazeta» nunca interrompeu a sua publicação devido ao sismo, constituindo uma importante fonte de informação sobre o que aconteceu. Vimos já, como dizia, o que se perdeu, relação enriquecida com um excelente comentário do aventador Nuno Castelo-Branco.
O que se ganhou, também sabemos: uma cidade nova, muito moderna para a época em que foi construída e, pormenor importante, edificada de acordo com um sistema anti-sísmico – a famosa estrutura flexível de madeira dos edifícios, «em gaiola». Como disse José Augusto França, a nova Lisboa saída do inspirado traço de Eugénio dos Santos, surge como uma autêntica «cidade das luzes», uma obra emblemática do espírito do iluminismo. [Read more…]
E agora que as escutas foram escutadas?
Todos tínhamos uma ideia acerca das escutas. Os juízes de Aveiro não podem ser uns atrasados dando-se ao rídiculo, diziam uns, não há nada, ou são ilegais, diziam outros.
E agora que sabemos? As escutas podem ser queimadas? O PGR e o Presidente do Supremo não têm que vir explicar o que não ouviram? Não ouviram as vozes a urdir um plano para “desactivar” informação jornalística incómoda? Vamos todos fazer de conta que não há nada? Que já houve um ministro da propaganda que fazia a “linhagem” do telejornal da RTP e, por isso, há que relativizar mais este tropeção democrático?
E o que acontece à imagem do primeiro ministro? E à sua credibilidade? São coisas sem importância para o país, para a credibilidade junto das instituições internacionais que nos podem ajudar a sair desta situação aflitiva?
Sócrates pode continuar como primeiro ministro? O Presidente não tem uma palavra a dizer? A Assembleia da República não pode propor a substituição de José Sócrates, por outro socialista? Tem a maioria oposicionista para o fazer!
O país, mesmo quem o defende, acredita em José Sócrates?
Após a publicação das escutas nada será como dantes, agora a questão passa a ser, quando?
Invictus

A pergunta ecoa-nos na mente, desde o encontro de Mandela com Pieenar. Como o fazemos? Como nos inspiramos, onde vamos buscar força quando temos que ser os melhores, melhores que todos os outros?
E a resposta é nos dada quando Pieenar e a equipa de raguêbi visitam Robben Island. Aí, o capitão da equipa ouve a voz de Mandela a recitar o Invictus e percebemos como ele, Mandela, o fez, e percebemos como é que a África do Sul foi ganhando todos aqueles jogos, mesmo que a final tenha sido adulterada. Percebemos como Mandela conseguiu unir o país, conseguiu perdoar as pessoas que o tinham colocado na prisão, percebemos como é que viveu anos e anos dentro de uma cela minúscula e sair de lá, ainda acreditando que tinha forças para liderar um país.
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Alma Salgueirista por terras do Sado
http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/EGdaaIIvajenZoYlVzE6/mov/1
Uma vez escrevi um post sobre o meu Avô Couto e cujo teor reproduzo mais abaixo. O meu avô Couto era um grande Salgueirista que fazia o favor de ter como segundo clube o Porto, algo raro na espécie, e o Guimarães como terceiro, por ligação à terra que o viu nascer.
Sempre que vou a Setúbal lembro-me, com saudade e lágrima no canto do olho (como só o Bonga sabia descrever), do meu Couto. Era um excelente contador de histórias e um belo dia, a caminho de um jogo de futebol, lembrou-se de me contar uma história que se passou com ele.
O seu Salgueiros jogava nesse dia com os sadinos, no campo do Vitória. Às tantas, um jogador do salgueiral, inconsciente, resolve marcar um golo. O Couto, nem chus nem mus. Quietinho e caladinho em nome da integridade física, a única exigência da Maria Augusta, sua dedicada esposa, para lhe permitir continuar nestas longas saídas de Domingo por causa do pontapé na bola.
Mais à frente, uma grande jogada dos rapazes de Paranhos e…Golo. Ora, o Couto, esqueceu-se dos mandamentos da Maria Augusta e toca a berrar que nem o vocalista dos Iron Maiden, Bruce Dickinson, no SBSR. Resultado, uma velha peixeira resolveu mimosear o Couto e, em especial, a mãe do Couto. Ora, como bom minhoto de larga estadia na Invicta, o Couto consentia tudo menos abordagens menos simpáticas à senhora sua mãe que nem sabia o que era futebol, quanto mais.
Consequência: o Couto teve que dar à perna, e bem, para não levar uma polinheira memorável. É por estas e outras que sempre que vou a Setúbal me lembro, com eterna saudade, do meu Couto.
Águia perde penas no Sado
O Benfica empatou em Setubal e perdeu dois pontos que podem vir a ser preciosos. Ou, a águia perdeu duas penas sobre o Sado que podem ser importantes para o voo. Dois auto-golos num empate 1-1 é obra.
Esperemos que não vá perdendo mais penas pelo caminho. Era uma pena!
(Ver os golos em baixo):
Os golos do Sporting-Académica
Os pardalitos do Mondego foram a Alvalade alcançar a sua primeira vitória fora neste campeonato.
0-1
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A noite em que o George Clooney jantou lá em casa
E contra todas as probabilidades, à hora marcada, a campainha soou. Tirei o avental, admito que possa ter dado uma última espreitadela ao espelho, e fui abrir a porta. Lá estava ele, com o sorriso estudado e o fato aprumadíssimo, mas no seu olhar pareceu-me entrever alguma desconfiança. É natural, pensei, não é todos os dias que uma estrela de Hollywood vem jantar à Rua do Bonjardim.
Dei-lhe as boas vindas, agradeci a previsível garrafa de vinho e conduzi-o à sala. Ele mostrou um interesse diplomático pela casa, apreciou à distância alguma das fotos dispersas pela sala, olhou mais de perto uma peça de cerâmica, sem contudo se atrever a tocar-lhe, ensaiou uma espreitadela à varanda, mas desanimou-se e acabou por ir sentar-se no sofá. Movia-se com à vontade, num exercício de informalidade muito trabalhada.
Eu sentei-me no outro extremo da sala e a conversa foi avançando aos tropeções, em grande parte graças à minha fraca habilidade para evocar filmes nos quais ele tivesse contracenado. Depois um arranque titubeante, comigo a falar-lhe de filmes protagonizados por outros actores, perdi a paciência e confessei-lhe que sempre o vira como um Cary Grant dos tempos modernos, com a mesma subtil combinação de charme ingénuo e de atrevimento pouco picante. Ele gostou da ideia e, aproveitando o momentâneo idílio, resolvi servir o jantar. [Read more…]
max weber

Após ter escrito sobre os contributos, ou antes, a fundação da Ciência Social por Émile Durkheim e Marcel Mauss e os contributos de Bronislaw Malinowski para o desenvolvimento de ciência, parece-me o mínimo escrever sobre as ideias de um sociólogo, que, por escrever em língua alemã, quase passa desapercebido pelos Ocidentais de fala inglesa e francesa. É verdade também, que a Sociologia e a Antropologia nascem dentro dos parâmetros franco saxónicos, mas se não fosse por Max Weber, que dedicou a sua vida ao estudo da sociologia da religião, pouco ou nada saberíamos das formas criticadas por Marx sobre a acumulação capitalista. Marx nunca leu Weber, nasceram e faleceram em diferentes quartéis do Século
XIX. Enquanto Weber nascia Maximillian Carl Emil Weber (Erfurt, 21 de Abril de 1864 — Munique, 14 de Junho de 1920) foi um intelectual alemão, jurista, economista e considerado um dos fundadores da Sociologia, Marx organizava em Londres a Primeira Internacional ou OIT, estava a preparar a o seu livro mais importante, O Capital.
O Capital Weber, no entanto, estudou a obra de Marx e criticou a teoria materialista na que Marx baseava a sua crítica à acumulação do capital. Para Marx, essa acumulação era o resultado do valor a mais ou mais-valia, que rendia a fabricação de mercadorias para o proprietário dos meios de produção. Essa mais-valia definida por Marx em 1862 e 1863, como o excedente bruto que rendiam as vendas dos bens para o capitalista ou industrial: pela mercadoria, era pago ao produtor do bem um salário fixado previamente, na base de horas trabalhadas e não da quantidade de bens produzidos nem o preço com que eram vendidos no mercado. [Read more…]
Como Se Fora Um Conto – A Sra D. Hortélia
O RIO À MINHA FRENTE, CORRE CALMO, E EU ESTOU PREOCUPADO COM A SRA D. HORTÉLIA
O rio à minha frente corre calmo, muito calmo, entrando suavemente no mar.
Espalhados pela margem, meia dúzia de pescadores esperam pacientemente que algum peixe se digne morder a bicha e ficar preso ao anzol. Lá mais longe, à minha direita, o farol velho, agora sem utilidade prática e o outro, recente, ainda com as cores de novo, orgulhoso das suas riscas vermelhas e brancas.
De vez em quando, entra na barra uma traineira. Vem da faina nocturna, e se tiver corrido bem, estará carregada de peixe para vender na lota da Afurada.
Lá fora, estou sentado no banco do passageiro do meu carro, está fresco. Não chega a ser frio. São oito da manhã e estão cerca de sete graus centígrados. O Inverno não vai ainda a meio, e nem tem sido rigoroso. Está um dia bonito.
Do local onde me encontro, consigo ver o mar, lá ao fundo. Não se notam quaisquer ondas. Não há vento. O céu, carregado de nuvens de um cinzento claro, não pronuncia chuva. Por entre elas, [Read more…]
Liberdade de expressão é monopólio de alguem?
É preciso saber o que é liberdade de expressão. Claro que é muito importante e faz parte da liberdade de expressão os jornais e outros meios da comunicação social terem liberdade para informar, dar opiniões, revelar casos que são do desconhecimento público. Mas alto lá, não acaba aí a liberdade de expressão.
Tão importante é a liberdade dos cidadãos, onde se enquadra a liberdade de expressão, nem mais nem menos que a dos jornalistas, aos quais não reconheço nenhum privilégio neste campo, bem pelo contrário, se há alguem que tem muitas culpas que a liberdade de expressão seja vista como uma quinta de maledicência são, justamente, os jornalistas.
Tal como Sócrates e o seu governo, o grande mal da comunicação social é terem um déficite de credibilidade, já todos vimos muita notícia encomendada, muito estrume travestido de jornalismo.Dá impressão que o jornalismo não é criticável porque têm um poder enorme por serem lidos e ouvidos por milhões de pessoas. Isso não lhes dá direitos nenhuns , só deveres, de reserva, de transparência, do contraditório, não acusarem pessoas que anos depois nunca foram acusadas de nada. A não ser assim metade do país andaria às voltas com a Justiça!
O que me faz ter vómitos quanto à personalidade do primeiro ministro é o mesmo que detecto nos jornalistas, o mesmo desprezo pelo país, pelos cidadãos, pela verdade, a verborreia ao sabor dos acontecimentos, a prepotência…
Mas se tiver que escolher entre um político eleito e um jornalista assalariado escolho o político, a este posso tirá-lo do lugar noutras eleições, posso ir para a rua gritar contra, mas em relação aos jornalistas nada posso fazer, só estar atento para apoiar os poucos jornalistas dignos desse nome!
Liberdade de expressão não é os jornalistas dizerem o que lhes metem nas mãos, andarem a conspirar ao estilo socrático, não fazerem o seu trabalho. Liberdade de expressão é cada um de nós dizer o que bem entende sem difamar, reconhecer o limite onde começa o direito dos outros.
Atiramo-nos a Sócrates porque ele e o seu governo querem limitar a nossa liberdade e apoiamos os jornalistas que querem fazer o mesmo? Os mesmos jornalistas que entregam a carteira no sindicato, vão para assessores de um qualquer governo e a seguir voltam para os jornais, campeões da liberdade de expressão?
Não, obrigado!
As notícias de hoje pelo buraco da fechadura…
O nosso Primeiro, esse grande defensor da Liberdade de Imprensa, exclama hoje sobre o que apelida de “jornalismo de buraco da fechadura” e eu a pensar que ele se estava a referir aos negócios do jornalismo por debaixo da mesa que, pelos vistos, os seus mais chegados andam a fazer. Até Cavaco Silva, vejam bem, apela ao respeito pela Liberdade de Imprensa. Amanhã, ou muito me engano, ou vai apelar a que devemos ajudar Sócrates a terminar o mandato com toda a dignidade. A vingança é um prato que se serve frio. Aqui e em Boliqueime.
É obrigatório ler o editorial do i. É uma forma de melhor compreender o que escrevi em cima.
Mas, na óptica dos portugueses, vamos lá falar do que interessa: o vírus Sá Pinto. Então não é que o fleumático Carlos Queiroz bateu no sensaborão Jorge Baptista? Deve ter sido uma coisa arrepiante. Tipo “lutadores de Sumo”. Espero pelas imagens deste túnel e do competente castigo a aplicar pelo menino da Liga. Ups, neste caso só a FPF e a ERC é que podem actuar. Deixem lá.
Nota final: ainda pensei que tinha sido o Aventador Luís Moreira…
Sá Pinto faz escola!

Carlos Queirós e jornalista Jorge Baptista à batatada no avião.
E agora, o que é que se faz? Não se faz nada. Jorge Baptista não é muito recomendável em termos de objectividade e isenção, mas o seleccionador não pode responder ao sopapo. Quem ele pensa que é? O Scolari?
Sócrates, a comunicação social e os sapos
Um comentário de uma leitora ao texto que ontem publiquei leva-me à seguinte reflexão:
Não pretendi, nesse texto, apelar à demissão de José Sócrates porque alguém ( Moniz e Moura Guedes ) o tenha feito. Pretendi, isso sim, afirmar que alguém (quem quer que seja) não disposto a conviver com a liberdade de expressão e de imprensa não pode ser primeiro-ministro. No caso de o ser, resta-lhe deixar de sê-lo. Admito que a redacção do artigo se preste a mal-entendidos, especialmente a última frase.
O Correio da Manhã transcreve hoje os despachos do procurador Marques Vidal e do juíz António Costa Gomes, em que o primeiro afirma:
“do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo para interferência no sector da comunicação social visando o afastamento de jornalistas incómodos e o controlo dos meios de comunicação social, nomeadamente o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes, da TVI, o afastamento do marido desta e o controlo da comunicação do grupo TVI, bem como a aquisição do jornal Público com o mesmo objectivo“
e o segundo:
“ ‘Indícios da existência de um plano em que está envolvido o Governo’
Do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro, visando: [Read more…]
Moura Guedes, Eduardo Moniz, José M. Fernandes têm razão!
Nestes casos a razão está, sem qualquer dúvida, do lado de quem foi calado, perdeu o seu emprego, foi censurado pelo governo.
E nestes casos, que são gravíssimos, as vítimas deveriam levar os casos a tribunal. Bem sei que todos eles saíram com grandes indemnizações e isso acalma os ânimos, mas estamos perante a prepotência do governo, misturando-se com as empresas de comunicação social e influenciando a sua linha editorial.
Foram calados porque o governo não gosta que as notícias informem devidamente os cidadãos, utiliza a informação em proveito próprio, mente descaradamente e não quer ser contraditado. A democracia está em perigo quando as empresas do Estado são utilizadas para silenciar adversários políticos, para esconder os resultados da governação ou para calar as suspeitas várias que recaem sobre o caracter de José Sócrates!
Antigamente era a censura oficial do Estado Novo que utilizava estes métodos, o célebre lápis azul, agora é mais subtil, fazem-se negócios, a propriedade das empresas de comunicação mudam de mãos, e com os seus apaniguados nos lugares centrais filtram-se as notícias, entorce-se a verdade.
Tudo isto é tambem o maior labéu contra Sócrates, porque quem, como ele, está sujeito a tantas notícias que põem o seu bom nome pelas ruas da amargura, deveria pugnar mais do que ninguem pela liberdade de expressão, a melhor forma de mostrar a sua inocência.
Depois da queda do fascismo não esperava ter, novamente, que olhar por cima do ombro quando ouço determinada estação televisiva ou leio determinado jornal.
Antes era a PIDE e agora são os boys que pululam por tudo quanto é empresa pública?
Mais um post sobre futebol e cabelos
Manuel Solá-Morales, o arquitecto conhecido entre nós pelo edifício Transparente ? do Parque da Cidade no Porto – o que não se trata propriamente de um bom cartão de visita – escreveu há alguns anos um excelente texto – como quase todos – sobre a área metropolitana de Barcelona em que dizia, citando Cruifj – sim o treinador –, que um arquitecto/urbanista deve pautar a sua intervenção na cidade, tal como o jogador de futebol dentro do campo, em dois modos. O modo curto e o longo. No modo curto tem de perspectivar o campo de todo, o gesto deve ser entendido como uma manobra estratégica de longo alcance e no longo deve ser perspectivado por forma a permitir que o gesto curto se faça de maneira mais eficaz. Bem, eu não sou o Luís de Freitas Lobo, nem nunca poderia ser. Para mim, tácticas são como os indicativos dos telefones e o que eu quero é que o Benfica ganhe (como dizia o grande Artur Semedo) após o que cumprida essa premissa, o futebol é um jogo, não haja dúvida, fantástico.
Questões e alternativas (Memória descritiva)
Já aqui tenho falado desta revista que um grupo de amigos editou em 1984 e da qual se publicaram quatro números. Até reproduzi, com algumas alterações, textos ali publicados e que entendi manterem alguma actualidade. A «Questões e Alternativas» foi uma iniciativa editorial que se baseou em reuniões de alguns militantes de esquerda, maioritariamente saídos do PRP, mas também do MES, da FSP, da LCI, da LUAR. E alguns independentes. Pode contar-se assim a história:
No chamado núcleo duro do projecto, só sábios éramos nove: o Carlos Leça da Veiga, médico, o Rui de Oliveira, médico também, a Augusta Clara Matos, bióloga, o Jaime Camecelha, bancário e dirigente cineclubista, o Bruno da Ponte, editor, a Clara Queiroz, professora universitária, o João Machado, sociólogo, o Pedro Ramalhete, na altura ainda estudante de Sociologia, e, como dizia o outro, um nono sábio que a modéstia me impede de designar.
Corria o orwelliano 1984. Não se vivia a realidade distópica que o escritor irlandês criara na sua famosa ficção, mas vivia-se um tempo de difícil transição, de ajustamentos, de receios com fundamento. O socialismo real afogava-se no vómito dos erros cometidos, de numerosas traições ao espírito solidário e fraterno do comunismo. Aqui, Eanes ia, de hesitação em inacção, cedendo passo ao bloco central que chegava através de Mário Soares e do seu slogan de «socialismo em liberdade» (que nós prontamente traduzimos por «capitalismo à solta»). [Read more…]
















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