Mapas e desinformação

_incendiosNelson Zagalo

Para compreender o descalabro da desinformação que acontece quando não há Sistemas de Informação e Comunicação no terreno e com equipas preparadas para triar rapidamente o que vai sendo veiculado, fica aqui uma imagem que foi massivamente partilhada, chegando a surgir em vários orgãos nacionais de comunicação social.

A imagem de cima não é falsa, o problema é que não diz respeito a Incêndios ativos na Europa. Inicialmente tinham-me passado a informação de que seria um mapa de Previsão (forecast) de zonas de incêndio, mas essa informação não se confirmou. Não consegui ainda confirmar o local de extração do mapa, contudo ele parece surgir a partir da simulação dos últimos 7 dias passados no EFFIS, tendo depois sido tratada em termos contraste de cor para garantir melhor visualização das manchas de fogo.

Mas, abaixo têm a imagem dos fogos verdadeiramente ativos na Europa, entre 15 e 16, e pode ver-se a diferença abismal do que aconteceu realmente na Europa e em Portugal e na Galiza.
Falta sistemas de Comunicação efetiva às populações que possam garantir informação triada, segura, e evitem os alarmismos como os que foram acontecendo um pouco toda a noite.

PS2: Entretanto adicionei um novo mapa nos comentários com o cruzamento das informações do EFFIS com as Notícias de Incêndios veículadas pela comunicação social europeia, e o mapa reforça o enfoque no Centro e Norte de Portugal assim como Galiza (link direto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155063977618602&set=p.10155063977618602&type=3&theater).

FONTES:

O primeiro mapa anda a circular na rede, não se conhece a origem em concreto, mas acredita-se poder ser também do EFFIS mas relativo aos 7 dias passados, depois alterado em cor e contraste para tornar mais visível os focos de fogo durante 7 dias.
O segundo mapa, do EFFIS, diz respeito apenas a 15/16 Outubro 2017.

Texto politicamente incorrecto

Na SICn o tema da noite é a “falha do Estado”. O que é curioso é que esta gentinha confunde Estado com Governo de um modo que está longe de ser inocente. Chegaram ao ponto de tentar que Pacheco Pereira afirmasse que Portugal era um “Estado falhado”! Claro que o sr. José – dotado de mais neurónios que o par de entrevistadores juntos – não foi na conversa e deu-lhes uma palmada no ego. Mas o tema atravessa a noite. Os convidados especiais estão, na sua maioria, na onda. O presidente da Câmara de Viseu bradava contra a falha do Estado, como se o Estado fosse uma entidade longínqua e com a qual ele próprio nada tivesse. Tem! Ele é Estado também e tem obrigações. Ele e todos os autarcas. E, por muito que isso seja doloroso, é bom que alguém, tarde ou cedo, dê um murro na mesa e pergunte pelas responsabilidades dos que, nas suas terras, têm obrigações a que muitos se furtam sistematicamente para não perder a popularidade e os votos. Essas obrigações estão claras na lei e são, em tantos lugares, sistematicamente incumpridas por acção ou omissão. Elas são descritas no famoso relatório da comissão independente, mas não se fala nelas para que não se pense que se está a culpar as vítimas de que alguns autarcas se fazem lídimos representantes, tentando esconder a sua parte da responsabilidade. Compreendo, mas não aceito. Como compreendo o embaraço dos partidos e governantes em tocarem neste assunto. Por isso aqui deixo esta palavra. Por ela só eu respondo. Sim, os governantes têm mais responsabilidade – eu não digo culpa – do que afirmam os seus representantes. Mas quem autorizou o fogo de artifício dos srs. padres não deve ter sido nenhum ministro. Para citar um micro-exemplo…

A antiga casa do guarda florestal ainda não ardeu este ano

Há muitos anos, ainda Vila Real de Santo António tinha um parque de campismo onde era possível passar uma semana agradável no Verão, ardia outro parque de campismo no Algarve, que isto de incêndios não é de agora, apesar de ter piorado. Um cavalheiro com idade para ter netos tinha deitado à minha frente uma beata de cigarro para o chão, ainda acesa, ali mesmo no meio do parque, abundante de caruma e pronto para um belo incêndio. Chamei-o à atenção, até porque se aquilo ardesse seria a minha preciosa tenda canadiana que se perderia. O que eu fui fazer. Só não houve porrada porque o cavalheiro, ao contrário de mim, era pessoa educada. 
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“Os políticos não se educam, pressionam-se”

Fotografia LUSA/Paulo Novais

Uma expressão como “época de incêndios” poderia ser cómica, não fosse enorme a tragédia. Faz tanto sentido como “época de inundações”, como se houvesse uma obrigatoriedade de haver fogo e água por toda a terra, dentro dos períodos respectivos, como se tudo, no fundo, fizesse parte de um planeamento. São expressões que transformam probabilidades em inevitabilidades e que são o retrato de um país ou de um mundo por civilizar.

O professor Jorge Paiva, um especialista em floresta, ao contrário de gente mais mediática e sem vergonha, anda, há anos, a chamar a atenção para vários problemas que poderão estar na origem dos fogos, nomeadamente a falta de guardas florestais. [Read more…]

O país real…

O Estado de forma coerciva apropria-se de praticamente metade dos rendimentos do país, mas não consegue proteger território nem cidadãos, como mais uma vez ontem desgraçadamente os portugueses puderam constatar. E ninguém assume responsabilidade política, no governo estão entretidos com as negociações junto dos interesses corporativos que permitam a manutenção do poder à geringonça. É o que temos e pelos vistos o povo até gosta…

“As comunidades têm de se mostrar mais resilientes”

Não sei se está a decorrer algum concurso que tenha por objectivo premiar a frase mais idiota do Ministério da Administração Interna. Se sim, o campeonato está renhido. Depois do secretário de Estado, e colocando a hipótese de o contexto poder dar outro sentido à declaração, esta frase da ministra reúne condições para alcançar uma belíssima classificação.

Passos Coelho e Luís Montenegro sentem o (des)prestígio, alcançado a duras penas, a ser posto em causa. Há gente que, calada, poderia chegar a poeta ou mesmo gravar um disco.

“Não podemos ficar à espera dos bombeiros para nos resolverem os problemas”

E não podemos ficar à espera do Secretário de Estado da Administração Interna para ajudar a prevenir os incêndios, nem para os apagar. Por isso, mais vale libertá-lo das suas obrigações e usar o dinheiro que se poupa no seu salário para arranjar mais guardas florestais e mais bombeiros. Estes sim, ajudam perante o problema dos incêndios.

Num dia de pandemónio e de incapacidade de resposta é preciso ter lata para sacudir a água do capote desta forma. Encontre a porta de saída, sr. Jorge Gomes, e se tiver dificuldade​em a achar, que lhe seja indicado onde é que ela fica.

[Recorte]

E a Espanha ali ao lado


E entanto, Espanha, mais quente do Portugal, arde menos.
Adenda: parece que a informação divulgada pelo jornal i, aqui citado, não está correcta.

Ricardo Salgado e Cavaco Silva

Desenganem-se aqueles que julgam que daqui sairá alguma acusação de que Cavaco Silva foi um politico corrupto, até porque todos sabemos que seria preciso, ao comum dos mortais, nascer duas vezes para ser mais honesto que o político mais político de todos os políticos, que apesar da sua condição gosta de falar dos políticos e da situação deste país como se não fosse nada com ele.

Acontece que, e à luz dos mais recentes desenvolvimentos em torno da operação/processo/caso Marquês, sabemos hoje que existem fortes indícios – vá, vamos todos fazer de conta que respeitamos o princípio da presunção da inocência – de que Ricardo Salgado abriu os cordões à bolsa para corromper grandes figurões como José Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, apenas para citar alguns nomes. E que, para aqui chegar, foi preciso mover mundos e fundos, que levantam questões pertinentes sobre aquilo que parece a microscópica ponta de um gigantesco icebergue. [Read more…]

Estarão os passistas a orquestrar uma cabala contra Pedro Santana Lopes?

Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens@JN

Primeiro foi Miguel Relvas, que em entrevista à SIC Notícias declarou o seu apoio à candidatura do provedor cessante da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cargo a que chegou por indicação do governo Passos/Portas. De seguida foi a vez de André Ventura, a coqueluche dos dias do fim do passismo, que apesar de se ter mostrado disponível para a corrida, dias antes, vem agora apoiar Pedro Santana Lopes na disputa contra Rui Rio. Quem virá a seguir? Miguel Macedo? Maria Luís Albuquerque? Paula Teixeira da Cruz? Marco António Costa? Hugo Soares? [Read more…]

Sócrates inspirou-se em Sarkozy

 

A resposta de José Sócrates sobre a sua fonte de rendimentos atual, é obviamente inspirada na resposta de Sarkozy ao jornalista Pujadas da France 2 aquando do debate das primárias da direita francesa. Sócrates assistiu ao debate e replicou-a. Ambos, em vez de clarificar os espetadores, decidem atacar o jornalista. Ambos se apoiam na suposta “indignidade” da pergunta para disferir o ataque. O que é dramático nisto tudo é que a fonte de inspiração não poderia ser mais infeliz. Tal como Sócrates, Sarkozy está envolvido num processo cuja narrativa de inocência é tão credível como um conto do Peter Pan.

Descongelamentos, aumentos, feira de Beja, olho do cu

No Público de hoje, está esta nota, que faz parte da rubrica “Orçamento de 2018 explicado em dois minutos”.

Vejamos: primeiro, o Público diz-nos que os funcionários públicos “terão direito a ser colocados no correspondente patamar remuneratório”. Convém lembrar que os funcionários públicos, há vários anos, tiveram direito a congelamentos de carreiras e a cortes salariais. Na realidade, graças a engenharias várias, foi possível fazer com que os mesmos funcionários públicos ficassem mais longe do topo da carreira e passassem a ganhar menos.

Vamos lá a uma parábola: o menino Joãozinho comia, todos os dias, quatro batatas. Um dia, os pais passaram dar-lhe só duas batatas. Passados dez anos, os pais anunciaram ao menino que iria ser aumentado, porque passaria a comer três batatas por dia. Estranhamente, o senhor João (Senhor João? Pois, passaram dez anos!), protestou:

– Chamam aumento a uma reposição? E as batatas todas que eu não comi durante estes dez anos e que vocês andaram a meter ao bolso, que aquilo está cheio de moscas? Nem sequer voltei às quatro batatas… Aumento?! Vocês andam mas é a confundir a feira de Beja com o olho do cu, pá!

Os pais, ofendidos com a linguagem, embatucaram. Realmente, o senhor João deveria ter muito mais cuidado com a linguagem: é que passar a ganhar mais do que se ganhava é, evidentemente, um aumento. Até os jornais de referência, como o Público, dizem que sim.

 

Contra o Orçamento do Estado para 2018

Esta reafectação parece-me ser extremamente problemática.

— Marie-Hélène Aubert

À un moment, elle se fait tej par son keum et elle se réveille à oualpé dans un champ de blé. Du coup, elle est trop déprimée, elle a le seum de la vie, elle se suicide.

Jean Rochefort

Com certeza.

António Costa

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© JO\303\203O RELVAS (http://bit.ly/2zmwknD)

Exactamente: “com certeza”. Foi a resposta do primeiro-ministro, quando interrogado sobre a confiança em relação à aprovação do OE2018. Infelizmente, não perguntaram a António Costa acerca da qualidade técnica do OE2018. A certeza acerca da aprovação de um diploma depende de uma avaliação do desenrolar de negociações e da celebração de acordos entre partes: neste caso, entre PS, PCP, PEV e BE. E o primeiro-ministro, obviamente, “com certeza”. Agora. Porque, há uns anos, perante um documento exactamente com as mesmas falhas técnicas, António Costa votou contra a proposta do Governo.

Todavia, a certeza quanto à qualidade técnica de um documento depende de uma leitura pormenorizada e de alguma bagagem relativamente a aspectos concretos. Por exemplo (e fica como alerta para o futuro próximo), se alguém acreditar que [Read more…]

Para lá da operação marquês

José Sócrates poderá estar apostado em transformar a operação marquês num processo político, levando para o julgamento a sua acção governativa, acreditando que a dificuldade que existe em provar casos de corrupção em Tribunal, resultará a seu favor. Sabemos dos prazos da Justiça portuguesa, da complexidade deste processo, pelo que dificilmente existirá uma decisão em primeira instância antes de 2020. Nessa altura previsivelmente António Costa continuará Primeiro-Ministro e até poderá obter uma maioria absoluta. Obviamente que existe em Portugal separação de poderes, e tal facto é por si suficiente para descredibilizar hoje a tese do julgamento político, quanto mais colocados perante um cenário em que o seu antigo número dois chefia o governo há vários anos. Mas claro está que o pior cego sempre foi o que não quer ver e crédulos por aí não faltam… [Read more…]

Operação Marquês e Panama Papers: e a lista dos jornalistas avençados, pá?

Era uma vez uma lista de jornalistas, avençados por um saco azul do GES. A lista, parida por um papel do Panamá, fez correr rios de tinta, originou indignações e debates acesos, prometeu mundos, fundos e um escândalo sem fim, até que se perdeu, entre as brumas da memória.

Já lá vai cerca de ano e meio desde que o Expresso soltou a bomba. Desde então, os Panama Papers perderam relevância noticiosa, pelo menos por cá, e já quase ninguém se lembra deles. São uma recordação longínqua, armazenada algures, entretanto substituída na ordem do dia pela sucessão de grandes questões que todos os dias emergem, sejam elas a crise na Catalunha ou a aventura de Madonna, na sua incessante busca de residência fixa na Lisboa das rendas exorbitantes. [Read more…]

O Marquês

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Há quem se impressione com o número de crimes imputáveis a José Sócrates pelo Ministério Público mas, depois de assistir a esta entrevista, onde se terão enumerado os pontos fundamentais da acusação, apenas consegui adensar as minhas dúvidas sobre a sobrevivência deste processo judiciário com tão pouco de judicioso. Não sendo a televisão um tribunal, muito embora tenha funcionado, nestes 3 anos de preliminares, como palco para um julgamento que já terá sido efectuado pelo público – ninguém quer acreditar que Sócrates não meteu dinheiro ao bolso -, o certo é que a representação do MP feita pelo jornalista de serviço apenas permitiu que o actor principal tenha dado um passo seguro para reconquistar o seu direito à presunção de inocência junto da opinião pública. Não se esperava que Vítor Gonçalves, que luta contra o estigma das suas supostas simpatias políticas, aguentasse o embate com este ex-primeiro-ministro, e nem mesmo que dominasse as 4.000 páginas da acusação (que trouxe ao ecrã para dar substância e clamor ao libelo, supõe-se…), como naturalmente o demonstrou fazer José Sócrates. Mas este espectáculo, a que mais uma vez assistimos neste campo, teve como único resultado a severa goleada de Sócrates ao Ministério Público.

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Crónicas do Rochedo XIV – Uma direita musculada numa Espanha dividida

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O referendo da Catalunha veio provar que em Espanha ainda existe uma direita “musculada”, profundamente saudosista dos tempos de Franco. Uma direita que está desejosa de dar uns sopapos, de tirar a poeira ao revólver guardado na escrivaninha e disposta a empurrar Rajoy para o colo da ala dura do PP. “Empurrar” é simpatia minha, pois não me parece que D. Rajoy se sinta muito incomodado com a possibilidade.

Esta direita cohabita com uma esquerda ainda mais folclórica que o nosso Bloco. Um misto de saudosistas da cortina de ferro, anarquistas de cubata na mão (mas de Havana 7, que Bacardi é coisa de meninos) e deslumbrados do anticapitalismo internacional. No fundo, estão bem uns para os outros.

E depois temos a confusão: temos os independentistas da Catalunha, os independentistas da Galiza, os Independentistas do País Basco, os Independentistas da Andaluzia, os Independentistas das Baleares (sim, das Baleares que não são catalães e gostam tanto destes como dos de Madrid). Depois temos as Asturias, Castela, Leão e Estremadura sem esquecer as Canárias. Com excepção dos primeiros, os restantes até nem se importam de ficar juntos. Uma enorme salgalhada. E ainda me deve faltar aqui um ou outro movimento independentista mais discreto. Já para não falar nos casos de Ceuta e Melilla…

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Uma escuta aqui, uma escuta ali

Remixed by Bandex, via Bandex TV

Caso Marquês e Ricardo Salgado: duas perguntas que todos os portugueses deviam querer ver respondidas

O Ministério Público acusa Ricardo Salgado de ter corrompido José Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, entre outros, com valores que ascendem a várias dezenas de milhões de euros. Perante a ponta deste icebergue, existem, a meu ver, duas perguntas que todos os portugueses deviam querer ver respondidas:

1. Quantos políticos e gestores, públicos e privados, corrompeu Ricardo Salgado?

2. Quantos Ricardos Salgados existem neste país?

O mais certo é nunca as vermos respondidas. Mas a minha intuição diz-me que esta e outras histórias não se resumem a Sócrates, Bava e Granadeiro. E que a probabilidade de existirem mais uns quantos Salgados é elevada. Que me perdoe a presunção de inocência, mas já são algumas décadas a ser roubado à cara podre.

31 acusações

Três de corrupção passiva de titular de cargo público, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três e fraude fiscal agravada. É este o rol de potenciais crimes com os quais José Sócrates será confrontado no tribunal de primeira instância que julgará o caso Marquês. Será um processo longo e complexo, que conta com 27 outros acusados, e que poderá arrastar-se ainda vários meses, anos até, durante a fase de instrução que antecede o julgamento. Se este vier a acontecer (sim, essa possibilidade existe!). [Read more…]

Bruxelas quer

Ah! As costas largas de Bruxelas. Ocorre-me claramente o que eu quero para “Bruxelas”, mas vou passar à frente.

O meu problema com este tipo de pressões reside em dois aspectos. Em primeiro lugar, o que é que acontece se os alunos, pura e simplesmente, optarem por não estudar? Isso deve ser imputado aos professores? Ao que sei, hoje em dia é corrente os alunos chegarem à sala de aula e mostrarem-se espantados por irem ter teste, tal é a atenção que dão ao seu êxito.

A educação começa em casa, coisa que os ideólogos do Excel preferem ignorar a cada vez que apenas olham para os números. E começar a educação em casa implica dar tempo aos pais para poderem acompanhar os filhos, o que entra em conflito com as correntes de flexibilização do trabalho – em particular, no que respeita vínculos precários e mais horas de trabalho por semana (chamam-lhe produtividade).
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Olha, uma rã com barbas

Andam todos inchados. Apesar de terem tido um resultou pior do que há quatro anos.

O “fato” académico

Santana Lopes orgulha-se de ter assinado, em 1990, o chamado acordo ortográfico (AO90), mesmo se considera a ortografia um assunto maçador. Há cinco anos, julgando mostrar o seu conhecimento sobre o assunto, desvalorizava as críticas ao AO90, acrescentando a seguinte cereja: “Agora ‘facto’ é igual a fato (roupa).”

Em 2009, Paulo Feytor Pinto, então presidente da Associação de Professores de Português, declarava o seguinte: “Contrariamente ao muito que se diz por aí, as alterações que vão ser introduzidas são muito poucas e julgo que basta uma meia hora para os professores aprenderem as novas regras. E depois é aplicá-las.” [Read more…]

Ensaio sobre a ambiguidade

He’s gonna be wild
I’m giving you warning
He’s gotta have room
Keep an eye on him

Waylon Jennings

***

Reflictamos acerca da ambiguidade de “não pedi licença a ninguém para tomar a decisão que está tomada”. Passado esse momento, reflictamos acerca da clareza de “agora facto é igual a fato (de roupa)”.

Depois dessa reflexão e antes do jogo da selecção, vejamos o Diário da República de hoje.

Exactamente.

***

Floresta queimada, trancas à porta

Fotografia: Lusa@Sapo

Milhares de hectares de floresta queimados depois, o Ministério da Administração Interna decidiu reactivar 72 dos 236 postos da Rede Nacional de Postos de Vigia, desactivados vá-se lá saber porquê, que fogos florestais parece ser coisa que não nos assiste.

Mas pior do que esta política de “casa roubada, trancas à porta”, só mesmo a perplexidade que me provoca perceber que estes postos estão desactivados, apesar de precisarmos tanto deles, para poupar um custo miserável que não tem sequer comparação com as várias formas de despesismo com que este e os anteriores governos nos costumam brindar. A começar pela dispendiosa elite política balofa que temos em Lisboa e nas autarquias, com alguns deputados e presidentes de câmara a receber por mês ajudas de custo que chegariam para pagar um salário mensal digno a um vigia ou guarda florestal.

Mas não se preocupem: para o ano há mais.

Governo português manda boca a André Ventura

apelando à abolição universal da pena de morte. Estes geringonços não deixam os passistas em paz, carago!

Os corruptos estão todos no Sul da Europa

Isto é sem dúvida uma aberração.

CDS prepara golpe de Estado

Montagem via Uma Página Numa Rede Social

Isto já vem do tempo em que Paulo Portas afirmava, em debate com Passos Coelho, que não importava se o PS tinha mais votos nas Legislativas, desde que o seu CDS chegasse aos 23,5% e o PSD aos 23%. Estava feita a maioria, e com toda a legitimidade, apesar das palermices que a direita vendeu aos sectores mais estupidificados e/ou ignorantes do seu eleitorado.

Agora é Assunção Cristas, sem surpresas, quem assume estar preparada para governar com o PSD, mesmo que o PS ganhe as eleições, formando aquilo que, na novilíngua da direita estupidificante, se designa por “governo ilegítimo”. Agora a acenar e sorrir e fazer de conta que as imbecilidades proferidas ao longo dos dois últimos anos foram fruto da nossa imaginação. Não faltarão palermas a acreditar e jotinhas para validar esse discurso.

As “meninas”. Certo…

Tresanda a publicidade encapotada de jornalismo. Com direito a link e tudo. No SOL do Saraiva.

Na direita já se fumam ganzas?

Isenção de IRS das horas extraordinárias para premiar o mérito? O que é que o cu tem a ver com as calças? Até porque é mesmo ao contrário. A necessidade de horas extraordinárias revela mau planeamento, o que equivale a dizer ausência de mérito.

Oposição responsável? Não, demagogia barata e em conta-corrente com a senda austeritária de quando Cristas foi ministra.