Cai logo fora, Dilma

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(c) Evaristo Sá/AFP [Fonte: Público]

Punheta de Bacalhau

2053 pessoas já pagaram

para ver o texto do TTIP. Uma campanha de fundos da Wikileaks que já realizou quase 70% do objectivo: 100 mil euros. [fonte]

Quem terão sido

os autores (ou autor) disto?

Se sabe, escreva-nos.

PAF é PAF

Coco Chanel, Mirror Games In Paris, France, 1953

Para quem ainda não tenha reparado na coincidência,

  • PAF=Programa de Assistência Financeira
  • PAF=Portugal à Frente

Sublinhando o óbvio, a coligação é a austeridade.

*Licenciamento da imagem pendente de alterações contratuais para uso em política

Em terra de sapos não há moscas rasantes

Miguel Moreira

Clicar nas images para ver a galeria

Decerto já por muitas vezes nos deparamos com os já conhecidos sapos de porcelana à entrada de lojas.
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Postcards from Scotland #1 (between Liverpool and Glasgow, by train)

«The railway cuttings covered in wild flowers, the deep meadows where the great shining horses browse and meditate»*

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Acordo em Liverpool antes das dez e meia e está um sol encantador e um céu azul de verão. Arrumo as coisas, tomo banho, visto-me, pago e deixo as malas para ir tomar o pequeno almoço à Dale Street Eatery, como nos últimos dias. O hotel é muito simpático, tem apenas seis meses e, já o disse no postal de antes de ontem, era uma antiga prisão. É tudo limpo e confortável, mas minimalista. Deve ser por isso que não é caro, apesar de ser absolutamente central. É o Main Bridewell (da cadeia Staycentral) e fica em Cheapside. O pequeno almoço é servido a 2 minutos de distância, num café muito simpático. Mal entro, hoje, uma das meninas pergunta se quero o mesmo que ontem, ou seja, fruta e ovos. Digo que seria ‘lovely’ ter outra vez fruta em vez de feijões e tomates guisados e que desta vez quero os ovos mexidos. Uma taça com maçã, uvas e, que bom, morangos. Os ovos mexidos, pão e um sumo de laranja a que acrescento depois um café expresso. A arte de fazer café não é muito praticada nesta parte do mundo. Mas bebo o café, assim mesmo. Penso que na estação poderei beber outro, no Costa. Aí tenho a certeza que um café expresso é um café expresso. Assim farei.

Ando um bocado pelas ruas a seguir ao pequeno almoço até que são horas de ir para a Lime Street Station e apanhar o comboio para Glasgow. Quando chego à estação cumprimento, e despeço-me, do senhor e da senhora da escultura Chance Meetings e, desta vez, tiro uma fotografia com o senhor. Bebo o café e vou procurar a plataforma 5. Quando me aproximo ouço um barulho de vozes grossas e vejo mais de 10 polícias daquele lado da estação. Chego-me à frente e vejo um grupo pequeno de homens vestidos de preto, com as cabeças rapadas e, alguns, com as caras tapadas. Sei imediatamente do que se trata mas, mesmo assim, pergunto a um rapaz que tem uma máquina fotográfica… responde-me que são nazis e que vai haver uma manifestação em Liverpool, hoje – a White Men March. Faço uma cara de nojo e ele diz-me que lá fora estão manifestantes de esquerda e que a polícia teme que existam confrontos. Os nazis gritam muito alto com as mãos estendidas e aquilo assusta-me tanto que digo adeus ao rapaz da máquina fotográfica e vou fumar um cigarro do outro lado da estação, arrastando o trambolho da mala. Enquanto fumo vejo mais nazis do lado de fora da estação. Penso que é um excelente dia e uma excelente hora para deixar a cidade.

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Poderia ser falso…

crise

… mas é verdade. Não é uma qualquer brincadeira que se inventa para um gerador de cartazes. O texto é mesmo notícia.

Depois de muito cair, [o] peso dos rendimentos do trabalho no bolo familiar estabilizou em 62,5% do total, com o ajustamento. Mas rendas do capital estão no segundo maior nível de sempre: 36,4%

Crise tirou 7,6 mil milhões a salários e deu 2,5 mil milhões ao capital

No Dinheiro Vivo

 

Carta do Canadá: A padeira de cracóvia

Dificilmente se perde o vício  da bica ao fim da manhã depois de uma vida inteira a alimentá-lo lá onde a pátria é de sol, sul e sal.  Só por castigo se renuncia. Ou eu assim o entendi quando cheguei ao Canadá e verifiquei que o expresso só se vendia nos cafés  italianos e vinha a ser uma mísera gota no fundo de uma chávena minúscula, e passa para cá 2 dólares, che porca miseria, che maffiosi. Suspendi, por decência. E fiquei sem alternativa porque, nesse tempo,  ainda não havia cafés portugueses, a doçaria portuguesa era vendida pelas padarias que a serviam com uma água de cozer castanhas a que tinham, e têm, o topete de chamar café regular ou canadiano. Beberagem que os canadianos engolem aos litros durante o dia, sem açúcar, de caneca na mão – como nos filmes. Mais tarde abriu o primeiro café a sério e então havia bica à maneira, abatanado e tudo quando é devido a uma alma portuguesa. Actualmente, há muitos cafés e esplanadas que enchem de cor e alegria a cidade que alberga três milhões de habitantes oriundos de 190 países.

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Um abraço para o deputado social-democrata Rodrigo Ribeiro

Rodrigo Ribeiro

Na sua página de Facebook, o deputado do PSD Rodrigo Ribeiro publicou esta fotomontagem com a legenda “Nós não esquecemos nem perdoamos…NÓS PAGÁMOS.“. Dedicado ao deputado, deixo aqui uma selecção de abraços e outros momentos de ternura, testemunhados por Santos, Estrelas e por todos os portugueses ao longo dos últimos anos. Estou certo que a esmagadora maioria dos portugueses não esqueceu, não perdoou mas, como vem sendo habitual por cá, pagou e não bufou. José Sócrates, António Costa, Cavaco Silva, Dias Loureiro, Pedro Passos Coelho, Alberto João Jardim, Luís Filipe Menezes, Marco António Costa, Teixeira dos Santos, Durão Barroso, Vítor Constâncio, Paulo Portas… Quanto pagamos nós por todos estes abraços?

Um abraço senhor deputado!

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epa04865535 President of PSD (Social Democratic Party), Pedro Passos Coelho (R), greets the CDS-PP (Social Democratic Party) president, Paulo Portas (L), in Lisbon, Portugal, 29 July 2015, during the presentation of the coalition electoral programme for the upcoming legislative elections that will take place 04 October. EPA/MARIO CRUZ

A verdade por trás do cartaz do PS

Cartaz PS

Os cartazes da campanha do Partido Socialista têm dado muito que falar. Depois do momento evangelista-seita, tão inspirador para uma nação em apuros à procura de uma luz ao fundo do túnel, a estratégia do partido socialista espetou-se ao comprido com o episódio em que os rostos de funcionários da junta de freguesia socialista de Arroios foram usados para figurar em cartazes que contavam histórias que aparentemente nada tinham que ver com eles. E fico-me pelo “aparentemente” pois confesso que nunca fiquei totalmente esclarecido sobre se o embuste abrangia a totalidade dos cartazes ou apenas a parte. Em todo o caso, um embuste. [Read more…]

Pensionista: a reforma do Estado é você!

Pensoes

Cecília Meireles afirmou hoje no Parlamento que o CDS-PP concorda com um novo corte de 600 milhões de euros nas pensões. Existe um problema de sustentabilidade e quem o deve resolver são esses magnatas dos pensionistas que andaram a viver acima das suas possibilidades apesar de terem descontado a vida toda para a sua reforma. Para Portas, “a TSU dos pensionistas é uma fronteira“. As suas pensões não. Alguém tem que pagar as isenções fiscais do PSI-20 e os boys precisam de comer.

Postcards from Liverpool #3

«All the lonely people, where do they all belong?»*

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Visitei hoje Another Place. Outro lugar. Uma das razões principais por que vim a Liverpool. Já lá iremos a esse outro lugar onde parece que estão todas as pessoas sós em frente ao mar. Talvez achem estranho vir a uma cidade de propósito para ver, afinal, outro lugar.

O dia começa cinzento. Devo dizer que acaba do mesmo modo. Mas estou no Reino Unido, suponho que faça parte do cenário, o cinzento dos dias. Chovia quando acordei, quando tomei banho e me vesti e saí para tomar o pequeno almoço no bar que serve o hotel. Pedi à menina se podia trocar os feijões e restantes vegetais por fruta. Que sim. Preparou-me uma bela taça com maçã, uvas e, suprema amabilidade, morangos. Dispensei o bacon e comi os ovos, desta vez estrelados como dois sois amarelos a subsitituir o que faltava no céu. Empurrei isto tudo com sumo de laranja e aí vou em em direção a Lime Street Station onde, pensava eu, apanharia o comboio para Waterloo. Passo em frente aos St. John Gardens, subo mais um bocadinho e aqui está a bela estação de Lime Street. Aproveito e tiro os bilhetes, que comprei via internet, da máquina. Tendo comprado 4 viagens, a máquina parece, ao produzir cada bilhete com o respetivo recibo, oferecer-me um jackpot de bilhetes de comboio, o que faz – claro está – todo o sentido, já que adoro viajar assim.

No hall da estação, antes de perceber como e onde comprar o bilhete de ida e volta para Waterloo, reparo numa escultura muito engraçada – Chance Meeting – que retrata o encontro casual de dois liverpoolianos (espero que seja assim) de gema. Tiro fotografias. Peço a um senhor que me tire uma a mim, junto da mulher da escultura. Imito as suas mãos para alegria do filho pequenino do senhor, que se ri divertido. Depois deste encontro casual com estes dois habitantes da cidade vou tentar perceber como comprar os bilhetes para ir a Crosby Beach. Pergunto nas informações onde um rapaz extraordinariamente solícito me imprime um mapa e escreve as indicações. Tenho de sair da estação, apanhar o metro para Liverpool Central e depois daí o comboio em direção a Southport. Assim faço, sem me enganar.

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Berna, uma cidade para as pessoas

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Largos passeios, sem pressão automóvel, bons transportes públicos, bicicletas.

República da Guiné-Bissau, 13 de Agosto

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À 23ª hora do dia 12 de Agosto de 2015, o PR guineense José Mário Vaz (JOMAV), exonerou o Executivo do Engº Domingos Simões Pereira (DSP), tendo finalmente materializado alguma das suspeitas, quando tanto se especulou sobre corrupção, peculato, gestão de recursos, etc. JOMAV pergunta ao Executivo demitido, onde se encontram, onde foram aplicados, se é que foram aplicados, os 53 mil milhões de Francos CFA, cerca de 50 milhões de euros, doados à RGB, desde que DSP tomou posse, a 04 de Junho de 2014! [Read more…]

Os cartazes ilegais da coligação PSD/CDS-PP

Shuttershock

Muita tinta correu sobre o caso dos cartazes e o último episódio chegou-nos ontem à noite com uma história insólita relatada por vários jornais portugueses (aqui ficam as versões do I, Expresso e JN) que revelam ilegalidades na campanha da coligação Portugal à Frente. Como se a aldrabice não tivesse sido já suficiente. Resumidamente, a empresa a quem a coligação comprou as fotografias para os cartazes, que estão nas ruas desde o início de Agosto, afirmou que a utilização das suas imagens para fins políticos é “estritamente proibida“, assegurando “não ter excepções“. A informação sobre as licenças da Shuttershock pode ser consultada aqui, no site da própria Shuttershock.

Apesar destas declarações do fornecedor do PàF, na passada Quarta-feira algo mudou e a empresa emitiu uma licença especial, que não só permite a utilização dos seus produtos para fins da campanha política como aparenta ser a primeira licença a ser emitida para o efeito. Quer isto dizer, mesmo que a licença que surgiu agora como que por magia já existisse escondida em algum recanto da Shuttershock, que durante vários dias, os cartazes da coligação estiveram pura e simplesmente ilegais uma vez que a licença não existia. Ilegalidades em campanha com os partidos que integram o PàF? Onde é que eu já vi isto? Ah, já sei: no caso Webrand. Alguém viu por aí o juiz Carlos Alexandre?

Paulo Portas, o desempregado

Cartaz Portas

Ao contrário dos cartazes do PS que apresentam dramas da vida real que nada têm que ver com as caras que neles surgem, este cartaz é todo ele um retrato fiel da história do irrevogável. Esteve duas horas (mais coisa menos coisa) desempregado – opção sua, não da entidade patronal – mas foi rapidamente readmitido com direito a uma simpática promoção e todos os benefícios à prova de austeridade que vêm com estas coisas. Pelo caminho fez disparar os juros da dívida pública, causando prejuízos avultados ao Estados, sem que isso preocupasse muito os seus colegas moralistas e respectivas claques, e sem nunca ter tido a humildade de pedir desculpa aos portugueses. Está na hora de o mandarmos de volta para o desemprego. O CDS-PP que o sustente.

Postcards from Liverpool #2

In My Life*

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Há lugares de que me lembro, é assim que começa ‘In My Life’ dos Beatles. Liverpool será provavelmente por mim lembrado como uma cidade silenciosa. Falo do centro da cidade, evidentemente, que para mim, hoje, vai do Knowledge Quarter até aos Pier Head e Albert Dock, passando pelo Hope Street Quarter, pelo Ropewalks Quarter e, claro, pelos Stanley Street e Cavern Quarter. Talvez tivesse uma ideia diversa de Liverpool, mas, na verdade, eu sabia pouco sobre esta cidade. Não é que agora saiba mais, mas sei do seu silêncio e da sua calma. Talvez os habitantes de Liverpool estejam de férias em Portugal ou noutro país do sul da Europa. Ontem, um dos rapazes da recepção disse-me, diante da minha queixa sobre os preços dos bilhetes de comboios (e sobre a necessidade de ele me imprimir as referências dos que, depois, comprei, pela internet), que aqui é tudo caro e que é exatamente por isso que os britânicos vão de férias para Espanha e Portugal. Em qualquer caso, sei que ele foi hoje de férias. Para a Flórida.

Não acordei muito cedo, mas não me importei logo. Mais tarde haverei de me importar, quando descobrir que tudo termina cedo. Os museus, as viagens de autocarro turístico, a comida e o café. Mas agora acordei e ainda não estou preocupada com isso. Tomo um pequeno almoço extraordinariamente calórico (bacon, ovos, dispensei os feijões guisados mesmo se já eram 11h30, sumo de laranja e um café horrível). Deixo a Cheapside e viro à esquerda para a Dale Street que se junta mais adiante à Water Street. Faz sentido que assim seja, já que esta é a principal rua que desagua no porto. Os edíficos da Dale e da Water são belíssimos, principalmente os desta última e sobretudo quando nos aproximamos do rio Mersey, já muito largo, quase a desaguar no mar da Irlanda. Tal como eu, acabada de sair da Water Street, desaguo no porto. À minha esquerda as Três Graças, como aqui lhe chamam. Três edifícios – do Royal Liver, do Cunard e do Porto de Liverpool – imponentes. O primeiro deles tem dois relógios enormes, hei-de saber mais tarde que maiores que os do Big Ben, e dois pássaros igualmente enormes de pedra em cada torre. Hei-de também saber mais tarde que reza a lenda que se estes pássaros voarem ou cairem, Liverpool cairá também. Espero que nunca voem, estes grandes pássaros de pedra.
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Tão conveniente

A representação permanente do FMI em Portugal fechará no último dia de Setembro, a quatro dias das eleições legislativas.” [Jornal de Negócios]

Dedicado a todos os emigrantes lesados pelos terroristas do BES

Não que sejam os únicos merecedores desta dedicatória, mas Agosto é o mês deles e custa-me vê-los abdicar de um dia que seja das suas merecidas e sempre curtas férias para terem que ir para a rua reivindicar o que é seu mas que um bando de trafulhas lhes roubou, sem que nada de relevante lhes tenha acontecido. Infelizmente vivemos num país em que o trafulha, em particular o trafulha da elite banqueira, tende a estar acima da lei. Afinal de contas, com tanto político que comprou pelo caminho, se um destes tipos cai, a probabilidade de caírem uns quantos engravatados parlamentares dispara.  [Read more…]

Já não se fazem radicais de esquerda como antigamente

PIB grego cresce 0,8% no segundo trimestre.

Um Elogio à Vodafone

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Cá para os meus lados, o serviço que me é prestado pela Vodafone tem vindo a atravessar uma “silly season”, e se bem que o atendimento telefónico – pago por mim – tem tido pouco ou nenhum efeito paliativo, certo é que o comportamento da Vodafone nas redes sociais é digno de um elogio – pela coragem que é preciso ter para “dar o rosto” perante uma tão vasta plateia e, mais importante, a diligência com que as reclamações são tratadas.
Espero, dentro de curtos dias, vir dar conta da competente resolução do meu caso, não do meu contrato…

Peter Stein em entrevista ao Le Monde: “Senti-me sempre no dever de lutar”

Entrevista de Brigitte Salino ao encenador alemão Peter Stein, publicada no Le Monde em Agosto de 2005 e sobre a qual se debruçou a Sarah Adamopoulos num artigo de Março deste ano “Europa: misantropia e terrorismo de Estado“, foi traduzida pelo Luís Sérgio Reis Fernandes. Para ele, o agradecimento do Aventar.

Peter Stein é, política e esteticamente indissociável da história “maior” do teatro europeu: a companhia Teatro Schaubühne de Berlim que ele dirigiu de 1970 a 1987. Depois o encenador alemão instalou-se em Itália, onde vive entre Roma e a região da Úmbria, naquilo que ele chama “a sua Villa”: um campo de oliveiras, um lago e florestas a perder de vista em redor das habitações cujo largo central tem as medidas exactas do anfiteatro grego em Epidauro.

A sala de repetição, tão espaçosa quanto à do seu “Teatro”, aparece abrigada por árvores. É neste local ideal para aninhar uma Academia, que Peter Stein continua a imaginar os futuros projectos: depois de FAUSTO, de Goethe, em que é o primeiro a encenar a integral com 23 horas, em 2000, prepara Wallenstein de Schiller, em 9 horas, para 2007, na Alemanha, e Édipo-Rei de Sófocles que deverá encenar em Paris no Odéon – Teatro da Europa, com Michel Piccoli. [Read more…]

A reestruturação da dívida grega e agenda alemã

Merkel

Com as milícias de extrema-esquerda entrincheiradas na linha da frente da batalha pela reestruturação da dívida grega, a poderosa chanceler continua a resistir, enfiada no seu bunker berlinense. Angela Merkel prefere deixar o FMI fora do terceiro resgate à Grécia do que aceitar a sugestão do Fundo de reestruturar a dívida, nem que isso signifique colocar toda a pressão de um eventual incumprimento sobre as economias fragilizadas dos estados membros da União Europeia. Para quem lidera um país tão experiente em calotes, o fanatismo do executivo alemão é admirável.

Assim, e segundo o jornal alemão Die Zeit, citado pelo Expresso, a solução proposta pelo executivo alemão passará pela prestação de garantias da União Europeia ao Fundo Monetário Internacional que acautelem potenciais perdas, para que este possa participar na nova intervenção deixando cair a exigência de reestruturar a dívida grega. Se correr mal, a Europa a 28 paga. Se correr bem o FMI leva a sua fatia. O problema é que o Fundo entende que a dívida de Atenas é insustentável e impagável nas condições actuais, motivo pelo qual vê a sua participação no resgate com apreensão. Já Merkel prefere avançar em direcção ao abismo e arrastar a Europa consigo. Sensato vindo da parte de quem tem na catástrofe grega um negócio tão lucrativo. No dia em que a dívida se tornar sustentável e pagável, a torneira pode muito bem começar fechar.

Postcards from Liverpool #1

Day Tripper*
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Este postal é curto e não é inspirado. São estas horas e eu quero dormir que amanhã há muito que ver e que fazer e nem estou a falar das coisas dos Beatles. Acho que já terei mencionado que não sou particularmente fã dos quatro rapazes de Liverpool. Mas aqui chegada é, realmente, impossível não tropeçar, em cada esquina, em toda a espécie de referências.

Cheguei a Liverpool, ao hotel-prisão maravilhoso onde estou agora, em Cheapside, eram quase 11 da noite. Costumo enfatizar o tempo que demoro nas viagens e desta vez não será exceção. Era uma da tarde quando saí de casa dos meus pais, 3 e meia quando o avião descolou. 5 e meia da tarde quando aterrou sem sobressaltos em Heathrow e 7 da tarde quando entrei na Euston Station para apanhar o comboio para aqui. Antes apanhei o Heathrow Express para Paddington. Daí atrevi-me a tomar um taxi para a Euston Station, já farta do enorme trambolho que contém, entre outras coisas, a minha roupa para os próximos 16 dias. Isto significa que passei 10 horas em viagem. Comi no comboio (cujo bilhete me custou os olhos da cara e me ensinou a comprar, a partir de agora, na internet) já farta de saber que depois das 11h da noite não há grandes hipóteses de comer e de beber em praticamente qualquer cidade inglesa. Fiz bem. Também aqui se confirma que um copo que seja depois desta hora é extraordinariamente difícil. [Read more…]

O cartaz perfeito

conficanca

daqui

Cavaco, uma personagem menor e menorizante

Presidente ratificou acordo que exclui o português do Tribunal de Patentes. Portugal foi o oitavo país a ratificar o acordo. A chamada pressa para nada.

Estações de comboios no centro da cidade é regra na Europa

comboios estacoes centrais na europa

Só um país com parolos no poder, suportados por parolos que os elegem, teria a ideia de retirar do centro da cidade uma estação de comboios.

A ver: Santa Apolónia: fora de linhas.

A ler: Santa Apolónia, que Manuel Salgado quer fechar, é a terceira estação do país

Afinal, a coligação PSD/CDS-PP também aldraba em campanha. E não é a primeira vez

PSD cartaz

O cartazgate que está a agitar a silly season atravessou a fronteira do Largo do Rato e chegou à São Caetano à Lapa e ao Caldas. Tratam-se de situações muito diferentes, gritam as claques, da blogosfera da corda até ao jornal electrónico do regime. E têm razão: são situações diferentes. No caso do PS manipularam-se os figurantes, a quem foram coladas histórias que nada tinham que ver com eles, e mentiu-se os portugueses. No caso do PSD o logro atingiu apenas os portugueses, os figurantes não são para aqui chamados porque as suas fotografias vieram de um banco de imagens. Estarei a mentir, com o intuito de iludir os meus concidadãos por motivos de estratégia política? Nada disso: não sou político nem me chamo Pedro Passos Coelho. Mas trago comigo as palavras de um político, José Matos Rosa, dirigente social-democrata encarregue de dirigir a campanha da coligaçãol, que permitirão explicar melhor onde quero chegar: [Read more…]

Grécia, a região mais lucrativa do império alemão

German Greece

Vale a pena ler o artigo Sala de Pânico 2.0 de Viriato Soromenho-Marques, publicado hoje no DN. A crise é sempre lucrativa para alguns e a Alemanha está sempre incluída nos alguns. Mesmo nos alguns que deixam dívidas por pagar.

Entre 2010 e 2015 a Alemanha lucrou cem mil milhões de euros com a baixa de juros ligada diretamente à crise grega. Mesmo que Atenas declarasse agora bancarrota total, as perdas alemãs seriam inferiores em dez mil milhões aos ganhos já obtidos. Os investigadores do Leibniz Institut analisam também, com minúcia, o modo como as más notícias na Grécia têm sido um bom sinal para o custo da dívida alemã. Este é um estudo de grande qualidade. Que honra a ciência alemã, e a honestidade académica dos seus autores. Por quantos mais anos poderá sobreviver uma união monetária em que os mais fortes beneficiam da desgraça dos mais frágeis? Por quanto tempo sobreviverá uma Europa governada pela propaganda, e não pela coragem de estar à altura da realidade?

Foto@Wikimedia