Fetos abortados usados na produção de energia (e outros sinais de talibanização e demência avançada na América de Trump)

Do que vou lendo por aí, sinto que muita gente não tem noção daquilo que hoje se passa nos EUA. Que acredita que os EUA são o cosmopolitismo de NY ou a vibe hollywoodesca das grandes cidades da costa oeste.

Não é.

Os EUA são hoje uma democracia em profundo declínio, em larga medida fruto da brutal radicalização do Partido Republicano, que sempre teve os seus flirts com extremismos e extremistas.

Podia aqui escrever linhas e mais linhas sobre inúmeros temas, da multiplicação dos tiroteios, sem paralelo à escala mundial, à recente revogação de Roe vs Wade, passando pelo racismo estrutural ou pelo fundamentalismo religioso, que não distingue alguns movimentos americanos da praxis Taliban, mas vou antes pegar num dos grupos que melhor ilustra este estado de alucinação colectiva que parece marcar o início do fim da hegemonia dos EUA: os movimentos “pró-vida”.

Catherine Glenn Foster, uma activista da extrema-direita norte-americana que preside à Americans United for Life, uma dessas organizações radicais travestidas de “pró-vida”, prestou declarações no congresso norte-americano, em Maio deste ano, no âmbito do processo que terminou com a revogação de Roe vs Wade. Sob juramento, Glenn Foster garantiu que as empresas de energia de Washington DC usam fetos abortados para produzir energia:

“Bodies [are] thrown in medical waste bins, and in places like Washington DC, burned to power the lights of the cities’ homes and streets”

E acrescentou:

“Let that image sink in with you for a moment. The next time you turn on the light, think of the incinerators, think of what we’re doing to ourselves so callously and numbly.”

Este discurso absolutamente absurdo, demente e digno do mais radical dos imãs wahhabitas já não é um discurso de franja. É mainstream. É o legado de Trump. E será gravado na campa do Ocidente: aqui jaz a civilização mais avançada de sempre, que decidiu sucumbir à estupidez, à conspiração mais idiota e ao mais arcaico fundamentalismo religioso.

RIP, uncle Sam.

O Super Bock Super Rock e o egoísmo imbecil travestido de liberdade

Julho de 2011. Desci o país em direcção ao Meco, na única edição do Super Bock Super Rock em que acampei na Herdade do Cabeço da Flauta, ainda no tempo em que o rock não se esgotava no nome. Por lá passaram Artic Monkeys, Tame Impala a dar os primeiros passos, The Legendary Tiger Man, Arcade Fire, The Strokes e um gigante chamado Slash, entre outras coisas boas como Portishead, Rodrigo Leão ou Sven Väth. Um senhor cartaz.

Foram três dias bem passados, quase perfeitos, não fosse um pequeno detalhe: a viagem para o Meco. A viagem não. A viagem fez-se bem. Refiro-me àqueles 10km finais, que separam Fernão Ferro do recinto do festival, e que demoraram umas quatro horas a fazer. Ou mais, mas fiquemo-nos pelas quatro horas.

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Luís Montenegro e a extrema-direita

A política é uma arte, para quem a tem e domina. É verdade que as massas são predominantemente ovinas, a começar pelo centrão, onde qualquer filho do papá ou da mamã com posses pode ser líder da jota e chegar ao Parlamento, lambendo ou até fornicando as solas certas, mas isso não invalida que por ali pontuem alguns artistas.

Luís Montenegro tem arte, e isso é inegável. A cria do maior da aldeia até pode chegar a deputado, mas não vai para líder parlamentar com a massa encefálica de uma alforreca. E Montenegro, gostemos ou não do homem, tem retórica acima da média da classe.

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Maria Luís Albuquerque

A Maria Luís Albuquerque que foi eleita no segundo lugar na lista de Luís Montenegro ao Conselho Nacional do PSD não é aquela Maria Luís Albuquerque que há uns meses apresentou um livro de um extremista dedicado a Trump, Orban e Bolsonaro, pois não?

Não, não pode ser. O PSD é um partido moderado que não se mete com essa gente nem se mistura com extremismos.

Pois não?

Abortos republicanos

Sarah Huckabee Sanders, outrora porta-voz de Donald Trump, hoje candidata a governadora do Arkansas, quer que as crianças estejam tão seguras no ventre da mãe como nas salas de aula. E diz isto sem se rir.

Projecto de Resolução do Bloco de Esquerda plagiado pelo Chega

A extrema-direita tem muito que fazer. Produzir e disseminar o ódio dá muito trabalho e nem todos os Putins têm dinheiro para contratar Bannons e Cambridge Analyticas.

Na falta de melhor plagia-se o Bloco, que fazer projectos de resolução dá muito mais trabalho que gerir grupos no WhatsApp e trolls no Twitter. Também podiam ir mas é trabalhar, mas viver à custa dos outros é mais fácil. E todos sabemos que se há coisa que a extrema-direita aprecia, são facilitismos. E “mamar” no Estado sem fazer nenhum.

Porque é que o Chega odeia a dona Rosa?

Eis Rosa Pinto, uma mulher que trabalha desde os 11 anos, que comeu o pão que diabo amassou e que recebe 189 miseráveis euros de RSI. Ou, nas palavras da extrema-direita muito católica e pela família, uma parasita subsídio-dependente.

Porque é que o CH e o exército de André Ventura odeiam a dona Rosa?

A domesticação de André Ventura, fase I

Alguém me sabe dizer se André Ventura já se pronunciou sobre o ajuste directo de 100 mil euros que o governo, através do Banco de Fomento, deu ao escritório de Luís Montenegro? Só para perceber onde acaba a “vergonha” e começa a vassalagem da extrema-direita ao sistema.

Ted Cruz como uma porta

Ted Cruz, senador ultraconservador do Partido Republicano, teve mais um momento de brilhantismo, a propósito de mais um massacre numa escola americana. O 30° este ano. 39°, se contarmos com universidades.

Afirma Cruz que o problema não é a proliferação descontrolada de armas nos EUA. O problema é as escolas terem demasiadas portas, quando deveriam ter apenas uma, guardada pelas forças de segurança. Estava resolvido o problema. Nunca um destes terroristas se lembraria de estacionar o carro em frente à escola e esperar pelo toque de saída. Ou de saltar o muro. Ou de começar por matar os polícias que guardavam a porta. Nada disso. Um génio, este Ted sem X.

Não admira, portanto, que Ted Cruz seja um dos oradores da conferência da NRA, o poderoso lobby que garante que a ideologia da morte sobre a qual assenta a proliferação descontrolada de armas continue a matar crianças, adultos e idosos todas as semanas, em escolas, igrejas e supermercados, só para citar os massacres deste mês. Em 2022, registos oficiais revelam um acumulado de 251 tiroteios, uma média de 1,7 por dia. Mas campanhas de Cruz não se vão pagar sozinhas. Dance, monkey, dance.

Fraude pró-vida e o massacre de Uvalde

Já repararam que os “pró-vida/deixem as crianças em paz” nunca emitem um pio quando um terrorista americano entra numa escola aos tiros?

E sabem porquê?

Porque a vida, as crianças e tudo o resto são apenas meios que se instrumentalizam para atingir fins. São fachadas politicamente correctas para ocultar o que realmente os move: o fundamentalismo religioso e o ódio à democracia liberal.

Elon Musk, Twitter e liberdade de expressão: a desconstrução de uma fraude

Maria Vieira, incondicionalmente com Putin

Sinto-me na obrigação de elogiar Maria Vieira. Perante o surto de cobrado-hipocrisia na área mais extrema da direita, Vieira é uma lufada de ar fresco de honestidade. Diz ao que vem e quem diz ao que vem não merece castigo.

Duas décadas a financiar a extrema-direita, e é esta a paga que Putin recebe. Mas nem todos são traidores, ou dissimulados, ou sleeper agents. Algumas, como Maria Vieira, não cospem no prato que deu de comer ao projecto ideológico em que o seu partido se insere. Uma Europa de soberanias nacional-fascistas.

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Partido Republicano nas mãos da jihad cristã

Um slogan que fala por si.

Na Pensilvânia, a nomeação dos republicanos para governador do Estado recaiu sobre Doug Mastriano, militar na reserva e actual senador estadual.

Apoiado por Donald Trump, Mastriano integra a ala mais radical do partido, sendo conhecida a sua proximidade ao movimento QAnon e outros grupos de extrema-direita.

Recentemente, desempenhou com mestria o papel de caixa de ressonância de Trump para a narrativa da fraude eleitoral, tendo financiado o transporte de centenas de delinquentes envolvidos na tentativa de golpe de Estado a 6 de Janeiro de 2021. Quando a violência tomou conta da ocorrência, porém, Mastriano fez o mesmo que Trump e outros cobardes no local: fugiu.

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“Deus, Pátria e Família” (versão CH), segundo Ricardo Araújo Pereira

É um partido que é contra falcatruas, excepto as do Vieira.

Contra familiares na política, excepto os dele.

Contra pedófilos, excepto os da Igreja.

Terrorismo supremacista volta a matar nos EUA

Nos EUA, um terrorista de 18 anos entrou no supermercado de um bairro de população maioritariamente negra, matou 10 pessoas, feriu três e transmitiu tudo em directo na Twitch.

Os EUA têm um problema de terrorismo, com origem em organizações e propaganda de extrema-direita, que tomaram o Partido Republicano de assalto desde Trump, onde, de resto, a invasão de Putin colhe inúmeros apoios, do Congresso ao Senado, passando pela Fox News.

Estranhamente, a imprensa do mundo livre insiste em abordar esta realidade como uma sequência de casos isolados, levados a cabo por maluquinhos, como se não fosse possível encontrar um padrão e uma série de responsáveis, com o anterior presidente americano à cabeça, coadjuvado por personagens sinistras como Steve Bannon, Tucker Carlson ou Marjorie Taylor Green.

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Marine Le Nine

Alguém avise o André Coisinho que a amiga dele bebeu demais e está a precisar de um exorcista. Ele que traga o veterinário da Opus Dei, que em princípio resolve-se tudo de uma vez.

Viktor Orbán, o ponta-de-lança de Putin para destruir o projecto europeu

True love…

Vyacheslav Volodin, presidente da Duma, fez eco do velho coro fascista do colapso iminente da UE, objectivo que o regime do qual é vassalo tem financiado ao longo dos últimos 20 anos, e encorajou os estados-membros a abandonarem o projecto europeu.

Chamem-me putinista, mas há uma certa sensatez nestas palavras. De facto, países como a Hungria enquadram-se mais numa lógica de República Popular autoproclamada à sombra do Kremlin. Não partilha dos valores fundamentais da União, não-respeita a separação de poderes e não é um regime democrático. Mas não é o único. A Polónia pode ir pelo mesmo caminho.

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A escolha fácil entre Macron e Marine Le Putin

A vitória de Macron era expectável, mas não estávamos livres de uma desagradável surpresa. Felizmente, a extrema-direita fez aquilo que sabe fazer melhor: não passar. E não passou.

Se Macron seria o meu candidato, fosse eu francês? Seguramente que não.
Se eu votaria nele na segunda volta?
Sem pestanejar.
Quando as escolhas são todas más, opta-se sempre pelo mal menor. E Macron, na pior das hipóteses, era o mal menor. Infinitamente menor que a emissária de Putin no centro da Europa.

No Kremlin, as garrafas de champanhe voltaram para o frigorífico. Havia esperança, proporcional ao medo do lado de cá, mas Putin acabou por ser o grande derrotado da noite. Putin, Salvini, Orbán, Farage, Gauland, Wilders, Abascal, o coiso e todos os novos fascistas que sonham com uma Europa dividida, à mercê do Kremlin. Como diria o grande Diego Armando Maradona, “que la chupen y sigan chupando”.

P.S: Para aqueles que continuam a normalizar o CH, a começar pelo PSD de Rui Rio, notem que Ventura e Putin estiveram no mesmo coro de apoio a Le Pen. Porque, no fundo, jogam todos na mesma equipa, diga o CH o que disser no Parlamento. Querem sentir o pulso à extrema-direita portuguesa? Ide ler a carta de amor de Maria Vieira ao regime russo.

Mithá vai com as outras

Gabriel Mithá Ribeiro, o deputado do CH que anda há anos a jurar a pés juntos que não existe racismo em Portugal, apesar de há dias ter garantido ao país ter sido vítima de racismo, por não ter sido eleito vice-presidente da AR, deu esta semana o ar da sua graça ao assumir todo o interesse do CH em integrar uma comissão que o CH tentou extinguir. Quando não estão a perdigotar ódio ou a aldrabar a nação com “factos alternativos” a la Trump, os deputados da extrema-direita fazem bons sketches de humor. Está ali um excelente elenco para um remake dos Batanetes.

Marine Le Pen e o terramoto que poderá virar o jogo a favor de Putin

Mentiria se dissesse que não estou preocupado. É claro que estou preocupado. Como deve estar preocupado qualquer um que acredita no nosso modo de vida, no projecto europeu e na democracia liberal. E na nossa segurança colectiva. A possibilidade de Marine Le Pen chegar ao Eliseu equivale a escancarar os corredores mais restritos da UE e da NATO a Vladimir Putin, altera a balança de poder no conselho de segurança da ONU e coloca um dos exércitos mais poderosos do mundo, com capacidade nuclear, sob tutela de alguém que moderou a linguagem para ganhar as eleições, mas que foi a mesma pessoa que, a propósito de Putin, afirmou o seguinte:

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Carlos Guimarães Pinto atropela a luso-Wehrmacht

Há todo um oceano que me separa de Guimarães Pinto e da IL em matéria de relações laborais, Estado Social e opções macroeconomicas. Mas irrita-me, profundamente, quando se mete a IL no saco do CH, algo que de resto apenas contribui para normalizar a extrema-direita. Neste curto extracto de uma recente sessão parlamentar, está a prova de que, nas questões essenciais, como o são os direitos humanos e a decência em geral, a IL está na trincheira da democracia. E isso, nos tempos que correm, parece-me fundamental. Expor a xenofobia, o racismo, a manipulação, a demagogia e o extremismo putinista da extrema-direita portuguesa é, inequivocamente, um serviço ao país, no qual me sinto sempre representado.

Le Pen, uma bomba-relógio

A crónica de Daniel Oliveira na TSF é um excelente exercício que merece ser lido ou ouvido. Não estamos imunes a igual desfecho.

Putin e Ventura, a mesma luta

Num momento particularmente delicado para a extrema-direita ocidental, a passagem de Marine Le Pen à segunda volta das presidenciais francesas é uma lufada de ar fresco e o renovar da velha esperança de destruir a UE, destruir a NATO, destruir todo o multilateralismo e, sobretudo, destruir as instituições democráticas e trazer de volta os autoritarismos que nos mergulharam na Segunda Guerra Mundial.

Ventura e o seu grupo parlamentar já se puseram em bicos de pés para saudar o resultado do partido-irmão, alegria partilhada por um dos principais apoiantes e financiadores dos neofascistas franceses, Vladimir Putin. E se Putin é o alvo a abater, Le Pen, Trump, Salvini ou Ventura são inimigos das democracias liberais, alinhados política e ideologicamente com o Adolfo de São Petersburgo, que devem ser combatidos, sem contemplações. E não nos deixemos enganar por declarações de circunstância. Ao mínimo deslize ou sinal de fraqueza da União, os novos fascistas assumirão aquilo que sempre foram: peões do Kremlin.

E se não tivermos sempre Paris?

Marine Le Pen e o seu financiador, Vladimir Putin

A possibilidade real de Marine Le Pen ser a próxima presidente francesa é uma ameaça séria ao projecto europeu mas, sobretudo, uma enorme ameaça à segurança do mundo Ocidental. Ter esta mulher como líder da única potência nuclear da UE, cuja ascensão foi em larga medida patrocinada e financiada pelo Kremlin, mais ainda num momento como o que vivemos, devia fazer soar todos os alarmes. Ter uma emissária de Putin com poder em Bruxelas, na NATO e no próprio Conselho de Segurança da ONU, alterando a balança do poder em favor do eixo Moscovo-Pequim, pode ser o fim da história como a conhecemos. Não estarmos todos alarmados com esta possibilidade alarma-me ainda mais. Não sei se a Eurasia de Medvedev chegará algum dia de Vladivostok a Lisboa, mas está a aproximar-se perigosamente de Paris.

O vassalo de Putin infiltrado na UE e na NATO

Putin apressou-se a parabenizar Orbán pela vitória nas Legislativas de Domingo, sublinhando a importância dos laços que os unem, e que são sobretudo ideológicos.

Orbán é um dos líderes europeus que mais entraves tem colocado à estratégia da União Europeia para sancionar Moscovo, postura que já remonta à anexação da Crimeia. Nas últimas semanas, e só para dar alguns exemplos, opôs-se a sanções ao sector energético russo e à passagem de armamento oferecido à Ucrânia por outros estados-membros da União Europeia. E este Domingo, no discurso de vitória, deixou bem clara a sua posição:

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Grupo parlamentar do CH estreia-se na AR com dedicatória a Vladimir Putin

André Ventura usou o termo “ocupar” para assinalar a chegada do seu partido à Assembleia da República. Tal como Putin, farol europeu da área política e ideológica do CH, Ventura quer ocupar o Parlamento por Portugal e pelos portugueses, que maioritariamente o desprezam, a ele e às suas ideias, tal como Putin quer ocupar o Donbass e outras áreas da Ucrânia, pelas populações russas e pelos “irmãos” ucranianos. Só lhe faltou afirmar que vinha para desnazificar o hemiciclo, mas o sector neo-nazi do CH poderia não achar muita graça, e Ventura já tem dissidências que cheguem com que se preocupar.

André Ventura rendido ao politicamente correcto

André Ventura, membro proeminente da extrema-direita histrionicamente histérica, uma dessas minorias sobre-representadas de que muito se fala, usou hoje o Twitter para elogiar o chapadão que Will Smith espetou ontem à noite, durante a cerimónia dos Óscares, na cara de Chris Rock, que resultou de uma piada desconfortável de Rock sobre Jada Pinkett Smith, esposa de Will, relacionada com a doença da actriz.

Ventura, por estes dias à beira de um ataque de nervos por ninguém querer saber dele – só mesmo palermas como eu – aproveitou o estalo, e sobretudo o mediatismo do acontecimento, não para criticar o péssimo exemplo de uso da violência física, que para a extrema-direita é um método legítimo como qualquer outro, mas para expressar a sua tristeza por nunca ter tido a coragem de fazer o mesmo a Ferro Rodrigues. Parafraseando o extremista:

Que coragem! A vontade que já tive de fazer isto na AR ao Ferro Rodrigues e não executei.

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Uber Eats neo-nazi

foi como RAP resumiu o passeio de Mário Machado à Ucrânia. E foi perfeito.

Ucrânia e a extrema direita

Nada como um banho de realidade: alguma malta não se cala com a pretensa força da extrema direita na Ucrânia. Eu sei que basta um facho, eu sei. Mas vamos lá olhar para as coisas como elas são:


🇫🇷 34% (2017)
🇮🇹 17% (2018)
🇪🇸 15% (2019)
🇧🇪 12% 2019)
🇳🇱 11% (2021)
🇩🇪 10% (2021)
👉🇺🇦 2% (2019)

Ah, e em Portugal? O triplo da Ucrânia: 7,18% para o Chega.

Refugiados, segundo André Ventura (feat. Vladimir Putin)

Apesar das dissidências, e dos processos de autodeterminação de vereadores eleitos pelo CH, André Ventura conseguiu montar uma convenção autárquica. Mais dois ou três meses era capaz de só lá estar ele, Maria Vieira e Nuno Afonso.

Parafraseando Bruno Aleixo: “a mim que me importa”, a convenção do CH?

Não importaria muito, de facto, não a tivesse Ventura usado para lançar o isco a palermas como eu, sempre preparados para lhe dar o palco que ele deixou de ter há semanas, por não terem – no meu caso – a capacidade de ficar calados perante manifestações de racismo e xenofobia que, em boa verdade, já não surpreendem ninguém. Pela conveniência do momento, os refugiados da Ucrânia são receber de braços abertos. Já outros refugiados, de outras guerras e latitudes, não passam sub-pessoas, munidas de um extravagante iPhone, que querem vir para Portugal “viver à conta dos nossos subsídios e dos nossos impostos” e “tornar as nossas mulheres objectos e obrigá-las a andarem de burqa na rua”.

Este discurso é abjecto. Lamento se contribuo para dar palco ao indivíduo, na insignificância do palco que lhe possa conceder, mas não é para mim possível ficar calado perante este nojo. Ventura encara os refugiados do Iémen, da Síria ou da Líbia com o mesmo desprezo e a mesma falta de humanidade com que Putin encara os ucranianos. E causa repulsa, a tentativa forçada, e sucessivamente falhada, de difundir a islamofobia, num país sem historial de problemas com a comunidade islâmica, apenas para seguir a cartilha dos seus parceiros europeus, que ainda ontem recebiam financiamento em rublos e envergavam t-shirts de Vladimir Putin.