
Quando o rigor está ausente das redacções portuguesas
Valha-lhes São Schäuble
Com estas palavras de Pierre Moscovici, a Comissão Europeia deitou para o lixo um ano de discurso do medo.
PSD, CDS e outros terroristas da palavra ficaram desarmados e balbuciam incoerências, mas apenas porque a sua profissão é não estar calados.
Jornalistas, à míngua de apocalipses para títulos, gaguejam e nem São Schauble, padroeiro dos sem alternativa, lhes vale.
Enfim, uma chatice! Pior: uma geringonça! Pior ainda: o diabo!
Eu não pago o Imposto sobre o Tabaco!
Por uma razão simples: não fumo.
Por esta razão simples e acessível mesmo ao mais primário analfabeto, será difícil perceber que as pessoas X e Y não pagam o imposto Z pela razão simples de que não possuem o bem tributável?

Parabéns, Correio da Manhã, por ter já ultrapassado a fase da notícia-sensação à sensação da não-notícia.
Parabéns. A sério.
Não, não vou linkar. Os leitores do Aventar merecem respeito.
Jornalismo no Festival Utopia 2016
Sem a Utopia o que é o homem mais do que besta sadia, cadáver adiado que procria? Não foi bem isto que o Sebastião pessoano disse nessa sessão de espiritismo chamada Mensagem, mas serve, como veremos.
Tendo em conta a tentação ditatorial do predador que teimamos em ser, a democracia está sempre em perigo. Um dos maiores sintomas actuais desse perigo reside na desvalorização do jornalismo e dos jornalistas, espécie permanentemente ameaçada e um dos pilares da mesma democracia. Assim, aquilo que era um valor aparentemente seguro até há pouco tempo está perigosamente perto de voltar a ser uma utopia, esse não-lugar em que a palavra do jornalista não está a esforçar-se por permanecer à tona de uma enxurrada de infotainment, de exploração de estagiários, de afastamento de gente experiente ou da sobrevalorização de espaços de opinião vendidos e comprados por partidos.
Como apaixonado dos jornais e como admirador e amigo de muitos jornalistas, congratulo-me com o facto de o Festival Utopia 2016 ter como tema, ou melhor, como causa, o jornalismo. Saúda-se, portanto, a parceria entre a Átomo – Cooperativa Cultural e Social, a Junta de Freguesia de Campolide e a Comissão Organizadora do IV Congresso dos Jornalistas.
Para os que usam o facebook e querem saber mais, é só seguir a página. Mais abaixo, é uma fartura de cartazes com o programa musical incluído, que é festa!, e outras informações úteis e agradáveis. Utopia é no Jardim da Amnistia, no combate contra o cadáver adiado que procria, pois. [Read more…]
Bonecos

Os vários canais de televisão, entre outras patologias, obedecem, de há uns meses para cá, ao princípio ” os telespectadores são, em geral, nabos”. Logo, querem sempre ver bonecos a mexer, mesmo que só longinquamente tenham a ver com a notícia que se está a ler. Os noticiaristas televisivos devem ter, por estes tempos, assistido a inúmeros workshops – como se diz agora em português – onde “formadores” lhes explicam que a malta é básica, sofre de distúrbio de défice de atenção e sem imagens não vai lá. Assim, toca a pôr no ar seja o que for que haja lá pelas prateleiras, qualquer coisa que ilustre o que o pivô está a debitar. O jogo de futebol que acompanha a notícia do ocorrido ontem já foi há um ano? Ninguém vai notar. É preciso noticiar um naufrágio e não há reportagem? Avança um parecido, de há quatro anos. E um incêndio é sempre semelhante com outro incêndio, logo, enquanto não há repórter no local a fazer perguntas tolas, vai-se ao arquivo. Aquele partido reuniu a sua direcção e não mandamos lá ninguém? Usam-se imagens antigas de um reunião semelhante, ocorrida anos antes, mesmo que em grandes planos apareçam pessoas já falecidas.
E assim, com a falta de profissionalismo dos indigentes, a irresponsabilidade dos idiotas, a crueldade dos sociopatas, eles vão-nos “informando”. Verdade e decência, não têm. Mas bonecada nunca falta.
O Ex do Arq.º Saraiva
A caça ao clique ou como fazer jornalismo de merda em 3 passos

A caça ao clique está na ordem do dia. A página Os truques da imprensa portuguesa tem estado atenta ao fenómeno, e o caso da cantora Adele, que supostamente passou uma grande vergonha numa loja da H&M, é paradigmático.
Há uns minutos recebi uma daquelas notificações no canto inferior direito do ecrã, do Notícias ao Minuto, que dizia “Alerta de bomba em dois aviões que vão aterrar em Bruxelas”. Apanhado no estratagema do clickbait, entrei no link e dei com aquilo que podem ver em cima. O mesmo título, um estrondoso rectângulo vermelho a dizer ÚLTIMA HORA e uma informação adicional, em letras pequenas, que refere “imprensa local” como origem do reportado. Nem a fonte é dada a conhecer ao leitor. Quanto ao corpo da notícia, simplesmente não existe. Apenas uma nota, entre parêntesis, onde se pode ler “Notícia em atualização”. [Read more…]
O fumo, o fogo e o PÚBLICO

Capa do PÚBLICO de 24/07/2016 (ontem), a destacar uma notícia que já tinha sido desmentida
A direcção editorial do Público pergunta “Bruxelas e Portugal: há fumo sem fogo?“. Nós não sabemos mas este diário parece ter um fósforo na mão.
“No sábado, uma carta assinada pelo vice-presidente da Comissão Europeia, o finlandês Jyrki Katainen, gerou uma onda de afirmações e desmentidos”, lê-se no PÚBLICO, sendo que este jornal apenas deu eco às afirmações. E regista que a carta “cumpriu o objectivo: manter a pressão e instalar um clima de nervosismo” e que o “cumpriu”. E, concordando com a observação, é legítimo acrescentar que o jornal foi um dos instrumentos primários dessa pressão. [Read more…]
Jornal PÚBLICO optou por não publicar desmentido sobre as sanções de Bruxelas
Ontem, o jornal PÚBLICO deu grande destaque às supostas sanções de Bruxelas. No online, teve direito a ser o artigo mais destacado durante a tarde:

Destaques online do Público às supostas sanções de Bruxelas
E foram, também notícia na edição impressa de hoje:

Artigos na edição impressa de 24/07/2016 do Público
Acontece que a notícia teve um desmentido, mas o PÚBLICO decidiu não o publicar. Sendo ambas as fontes (da carta e do desmentido) oficiosas, pelo que ambas de validade questionável, seria prudente dar o mesmo destaque às duas.
O desmentido foi publicado por diversos jornais, tal como o Expresso, perto das 8 da noite de ontem. O PÚBLICO teve, portanto, tempo suficiente para o publicar, tanto no online, como na edição impressa. Não o tendo feito, este diário dá mais uma machadada na sua isenção jornalística. Assim se vai desistindo de um jornal que se seguia e comprava há umas décadas.
O Zé julga que é historiador
O Zé acredita que é jornalista. Agora, pensava que era historiador, mas fascismo não é quando um homem quiser.
Colégios: opções editoriais amarelas
A opção de algumas redacções pelos amarelitos é algo que não surpreende, mas que me fez alguma comichão. Se um mísero corte em apenas 39 colégios (há mais de 2000) levanta esta poeira toda, imagino o que aconteceria se o governo tentasse despedir 40 mil professores da Escola Pública. Até a Igreja viria dizer qualquer coisa.
Mas, não gosto que os meus cometam os mesmos erros e o Jornal Público ainda é o meu jornal e por isso tenho que lhes bater.
Nas últimas horas conheceram-se três factos sobre este processo e todos eles merecem referência no site do Jornal: [Read more…]
Jornalistas, Jornalismo
“A gente aqui faz um jornalismo mais ágil, mais dinâmico, mais moderno. Jornalismo-jornalismo já está meio ultrapassado, não dá para ficar apurando, correndo atrás de fontes, checando informação”.
Porta dos Fundos, a falar verdade todas as Segundas, Quintas e Sábados.
Vamo-nos rindo…
Uma adolescente histérica
é o que me vem à mente quando visualizo este momento anedótico de José Rodrigues dos Santos. É o jornalismo que temos.
Que raio de jornalismo é este?

Não me choca minimamente que se parodie o que se tiver que parodiar. A liberdade de expressão é um dos poucos valores que ainda me fazem acreditar num futuro risonho para a nossa sociedade. Mas uma coisa é o que eu, o caro leitor ou um apoiante da direita radical diz ou escreve sobre o governo. Outra, muito diferente, é a forma como um jornalista o faz. E depois do episódio que aqui trouxe há um mês atrás, sobre a falta de profissionalismo do jornalista Bernardo Ferrão do Expresso, é do mesmo jornal que nos chega outro exemplo de como as agendas ideológicas estão a condicionar o que resta do jornalismo neste país. [Read more…]
A geringonça jornalística

Sempre atenta, a equipa da página Os truques da imprensa portuguesa chamou a atenção para a forma como alguns jornalistas, como foi o caso de Bernardo Ferrão do Expresso, se referem ao governo em funções como “a geringonça”, um termo cunhado por Paulo Portas. Não me choca o uso do termo, como não me choca a utilização de “irrevogável” quando o tema é anterior líder do CDS-PP. Mas uma coisa é serem usados por uma pessoa como eu ou o caro leitor. Outra muito diferente é ser um jornalista de um dos maiores grupos da imprensa nacional, um jornalista que, imagino, deve observar princípios de ética, isenção e deontologia, que deve ser objectivo e informar de forma imparcial. Infelizmente, Bernardo Ferrão não é o único protagonista desta forma tendenciosa e destrutiva de fazer jornalismo. A geringonça jornalística.
Imagem@Os truques da imprensa portuguesa
O lápis azul de Angola – há 16 anos era assim
Textos, textos e mais textos. Basicamente a minha vida tem mais textos do que dias. Hoje, ao arrumar uma série de ficheiros, encontrei um texto que escrevi há quase 16 anos. Em Junho de 2000, mais precisamente. Por tudo o que se passa hoje, 16 anos depois que aparentemente não passaram, decidi publicar aqui o texto.
A 11 de Novembro de 1975 nascia a maior esperança africana – a República Popular de Angola. Agostinho Neto proclamava a independência e punha fim aos anos do colonialismo repressivo português. Vinte e cinco anos depois, assiste-se em Angola à morte da dignidade e da liberdade de um povo.
O tabu do tabu
Fazer uma reportagem com um ângulo definido e não procurar o outro lado é mau jornalismo. O Público este domingo, com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, estreia a “Série Especial: Racismo em português” com a reportagem “Ser em africano em Cabo Verde é um tabu”. Não porque seja mentira que Cabo Verde, na generalidade, não quer ser África. É verdade. Mas a identidade cabo-verdiana existe e está bem vincada, nas nove ilhas habitadas. A generalização de África, enquanto continente, a uma única cultura (a dita “africanidade”) é a típica visão ocidental. Mas agora os ocidentais querem quebrar o tabu. E caíram no perigo da história única, que Chimamanda Ngozi Adchie explica tão bem. Entramos, portanto, na era do tabu do tabu. [Read more…]
«O ‘Jornal de Negócios’, relativamente à maioria parlamentar de esquerda que rejeitou o governo da coligação PàF,
tem tido um comportamento impróprio de um jornalismo da democracia, i.e., responsável, imparcial e consonante com os interesses do País.»
[Carlos Fonseca disse-o e agora repetiu-o]
Liberdade de informação: ainda o caso Cofina
(c) Shannon Stapleton/Reuters
Julho de 2011. Empregadas de hotelaria em manifestação junto ao Palácio de Justiça de Nova Iorque
Sim, “as trevas do fascismo” (designadamente o autoritarismo e a censura) pesam ainda na natureza profunda de um povo habituado a comer e a calar o que lhe estende uma elite que a democracia não conseguiu transformar em capazes representantes desse povo, antes tendo-se regenerado através dos serviços que tem prestado a todos menos a esse povo. Passados mais de 40 anos, as marcas desse tempo demasiado ainda estão presentes nos lugares mentais de todos: dos que detêm o poder, com a naturalidade perpétua de ser assim, numa sociedade fortemente desigual (herdeira de um feudalismo que prossegue determinando composições sociais que negam a mobilidade social que a democracia justamente favorece), e dos que o sofrem, pois o poder exerce-se quase sempre contra o Outro, mesmo quando se diz dele que é representativo. Trata-se de um padrão humano, que em Portugal toma a forma de característica constitutiva.
Vêm estas considerações histórico-político-filosóficas ainda a propósito do caso Correio da Manhã (CM) e da proibição decretada por um tribunal de toda e qualquer publicação relativa ao caso Sócrates no conjunto de títulos detidos pelo grupo Cofina. Considerada excessiva – entre outros por mim própria neste texto –, a medida censória choca pela aparente desproporção da sua abrangência. [Read more…]
Afinal havia outro (precedente grave)
Democracia e liberdade de informação
A proibição de publicação no Correio da Manhã (CM) e demais órgãos de comunicação social detidos pelo grupo Cofina de notícias ou outros conteúdos informativos sobre a investigação que prossegue no DCIAP ao ex-primeiro-ministro José Sócrates é um evidente excesso. Um excesso censório que atenta contra a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e o direito à informação.
Podemos não gostar do jornalismo que é praticado pelo CM, considerar que peca por manifesta falta de isenção e pluralismo, e também por excesso de perseguição política a determinados actores e/ou sectores da sociedade portuguesa, isto é, por falta de imparcialidade – condição do jornalismo deontologicamente auto-enquadrado, o único que aceitaríamos legítimo num mundo idílico, onde para além de jornalismo tablóide e sensacionalista não houvesse também médicos esquecidos do juramento de Hipócrates, advogados a soldo, etc.
Podemos considerar que esse jornalismo cabe na categoria do entretenimento mediático ou que é propaganda, por evidente e reiterada manipulação da informação e dos dados e factos que a sustentam, omissão de contraditório, anulação de adversários, violação do segredo de justiça, etc., práticas que revelam um exercício deliberado de desinformação, em favor da manutenção de audiências populares. [Read more…]
José Rodrigues dos Santos e o lobo
Entre o episódio dos paralíticos gregos e o da possível brincadeira à volta da sexualidade de Alexandre Quintanilha, há uma diferença: desta vez, José Rodrigues dos Santos (JRS) pediu desculpa. Justiça lhe seja feita.
Convém, de qualquer modo, lembrar a persistência das dúvidas de Alexandre Quintanilha e ler o texto de Ferreira Fernandes. Além disso, se é certo que este problema não se colocaria se Quintanilha não fosse homossexual, é igualmente certo, na minha opinião, que, com outro jornalista, a polémica dificilmente atingiria as proporções que atingiu.
Basta ver, mesmo fazendo justiça a JRS, que, no meio das desculpas, não consegue deixar de enviar alguns remoques: que está tudo louco e que as críticas resultam de invejas. Nada que espante em alguém que está demasiado cheio de si. Junte-se a este caldo que é, no mínimo, estranho que um jornalista não saiba nem queira saber que Alexandre Quintanilha é homossexual ou a por que partido foi eleito, não por pura coscuvilhice, mas pelo eventual interesse jornalístico que isso possa ter.
Digamos, portanto, que, tendo em conta as pantominices e os disparates que JRS tem produzido ao longo dos anos, não ficaria admirado que lhe passasse pela cabeça fazer uma piada sobre a homossexualidade de uma figura pública. Acrescento, a propósito, que não tenho nada contra piadas sobre qualquer assunto, mas deixaria isso para humoristas ou, na pior das hipóteses, para gente que escreve em blogues. [Read more…]
Redes de linchamento popular
Marco Faria
As #redes sociais são um novo campo de linchamento popular. Basta um lapso ou deslize de alguém, para o cidadão-médio, normalmente mais atento às falhas/erros dos outros do que às suas próprias fraquezas, atirar a primeira pedra. E os pedregulhos vão-se multiplicando. Nunca acreditei que houvesse intencionalidade homofóbica por parte de um apresentador de TV experiente.
Rodrigues dos Santos volta a envergonhar
a RTP, o Serviço Público de Televisão e o jornalismo. Um homem preconceituoso e homofóbico, de um conservadorismo que muito dá que pensar, e que ainda por cima não vota “para não perder a independência”,
diz ele. Não há mesmo quem o privatize? Era um favor que nos faziam e um serviço público que prestavam à democracia e ao jornalismo.
[Facebook de Pedro Lopes Marques]
Golpe de manchete
Olha para isto, pá! Olha-me só para este título do Diário de Notícias! Os alunos, ali, prontos para terem aulas, se calhar sentados na sala e tudo, e os professores, esses malandros, vão-se embora, pá, e deixam os miúdos sem aulas! Isto é uma vergonha, é o que é! E para fazer campanha, imagina! Com um bocado de jeito, ainda vão fazer campanha por algum partido que não devem. E isto dos políticos são todos iguais, ainda são piores que os professores. Um professor político deve ser lindo, deve! É que devem estar tanto na campanha como nas aulas. Ler o quê? Ler a notícia? Estás parvo ou quê? Mas então tu achas que iam pôr um título destes, que se está mesmo a ver que estão a chamar malandros aos profes, e iam escrever uma notícia ao contrário? Isto é escrito por jornalistas, amigo! Se não fossem eles, estas coisas não passavam cá para fora. Chulos do caraças, pá! Vou já ligar ao meu puto, a dizer-lhe que não vá para as aulas, que vá mas é para a campanha, pode ser que aprenda qualquer coisa.
Reality Showcrates II: o regresso do jornalismo de merda
O reality show favorito dos portugueses está de volta. José Sócrates viu a medida de coacção alterada para prisão domiciliária e, de repente, nada mais parece existir. Os telejornais abrem com José Sócrates e dedicam-lhe seguramente cerca de 1/3 da sua duração. Por todo o lado se discute Sócrates e tudo o resto – que conveniente – deixa de ter importância, seja a atribulada campanha para as Legislativas, a venda do Novo Banco aos camaradas do PCC, a alienação ao desbarato do património do Estado ou o futuro da Segurança Social. Já vimos este filme. [Read more…]
Não é jornalismo José Gabriel, é demência
e se achas isto grave, o que dizer do 72º lugar do ranking ser entregue ao senhor Aníbal?












Recent Comments