Já é azar

E se o azar do primeiro-ministro influenciar a sorte dos portugueses? Porque sorte o homem parece não ter.

O Nosso Primeiro É Como Uma Tartaruga Em Cima De Um Poste

O.

Olhando para um poste que tem uma tartaruga lá em cima a tentar equilibrar-se,

– Ninguém entende como ela chegou até lá;
– Ninguém acredita que ela esteja lá;
– Todos sabemos que ela não subiu para lá sozinha;
– Todos sabemos que ela não deveria nem poderia estar lá;
– Todos sabemos que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
– Ninguém entende bem porque a colocaram lá;
– Então, tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá e providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima definitivamente não é o seu lugar!
.
.

José Sócrates: O PEC(ado) da Mentira

Ontem, em horário nobre das TV’s, José Sócrates divulgou ao País as ideias gerais do Programa de Estabilidade Crescimento (PEC). Ao referir-se aos impostos garantiu explicitamente não estarem previstos aumentos, excepto para rendimentos superiores a 150.000 euros que, em sede de IRS, passam a ser tributados à taxa de 45%. Anunciou ainda que a tributação das mais-valias mobiliárias também será aumentada, assim como a imposição de limites de benefícios fiscais para os escalões de mais elevados rendimentos. Se dúvidas subsistissem quanto à interpretação do discurso do PM, ficariam inteiramente dissipadas com o texto inserido no Portal do Governo PEC.

Haverá incremento dos valores de IRS para milhões de cidadãos. A garantia do contrário é mais uma mentira do PM; e a verdade está camuflada através da capciosa frase “passará a haver limitação de benefícios fiscais para os escalões de mais elevados rendimentos”.

Com efeito, ao reduzir os anunciados benefícios fiscais, ou seja, as deduções respeitantes a despesas de saúde e de aplicações em PPR, o Governo toma uma medida que eleva a matéria colectável, a taxa efectiva de IRS aplicada e consequentemente o valor do IRS a liquidar pelos contribuintes. Mas há mais: os pensionistas que aufiram mais de 22.500 euros (1.607,14 euros / mês) verão ainda a dedução específica reduzir-se, o que equivalerá a pagar mais 489,35 euros de IRS para quem ganhe até 30.000 euros / ano – isto adicionado à redução no valor das despesas de saúde com direito à dedução significará a perda, por ano, de cerca de 1/3 de uma mensalidade. Segundo o Jornal de Negócios, as alterações previstas para pensionistas em termos de IRS representarão aumento de imposto a entregar ao Estado, para cerca de 2,5 milhões de contribuintes.

Sabe-se da gravidade situação económica e financeira das contas nacionais e da subsequente necessidade de medidas excepcionais, se distribuídas de forma socialmente justa. Usar a mentira e iludir a grande maioria dos cidadãos é condenável. Há aumento de impostos para muitos e José Sócrates não falou com sinceridade e clareza. O PM está para mim como o algodão do anúncio: já não me engana.

O corno foi à Assembleia

O corno foi à Assembleia da República e, como se esperava, defendeu o primeiro-ministro. Que não, que o primeiro-ministro não sabia do negócio PT/TVI. Mesmo que as escutas provem o contrário, e mesmo que não conste que está dentro do pensamento de José Sócrates, Granadeiro consegue garantir que o primeiro-ministro não sabia.

E depois queixa-se de ter sido encornado. Foi encornado e gostou.

Para o PEC, este conselho

No momento do PEC, aqui deixamos um conselho velho de dois milénios. Ao governo e toda a oposição.

Sócrates é como o sexo

Se julgam que vou fazer brejeiras comparações entre a fornicação e a governação socialista, desenganem-se porque a minha intenção não é essa.

Olhando para a comunicação social e para a blogoesfera,  somos forçados a reconhecer que, tal como o sexo na publicidade, José Sócrates vende. Está sempre em forma.

Não me refiro às qualidades comerciais de José Sócrates, que as tem, é inegável – veja-se a magnífica campanha feita em El Salvador, em que apresentou e distribuiu na XVIII Cimeira Ibero-Americana, o nosso Magalhães, o nosso portátil “tipo lancheira” que todos os assessores do Primeiro-Ministro usam (ou pelo menos usavam) (ou pelo menos foi publicitado que usavam) (não interessa…). José Sócrates vence e ainda convence, e isso é digno de registo.

Refiro-me mesmo ao facto de que José Sócrates é sempre um tema que suscita interesse, curiosidade, fale-se de suspeitas, de onde faz compras, ou de milhões. Tanto é, que é capaz de arrastar multidões que, de tanto peso – imagine-se! -, fazem cair um servidor, com direito a desabafo.

Gracias, Majestad…


Um simples SMS pode resolver muitos problemas. Por intermédio de várias casas reais – que como se sabe e pelas leis da hereditariedade são todas a mesma, embora tenham nomes diferentes -, tudo se resolveu. O Aventar está de volta e mais risonho que “já-mé“!

Não partilhamos qualquer tipo de teorias da conspiração, porque mais conspiradores que nós próprios, é decerto difícil de encontrar. Contamos entre nós, com admiradores do João das Regras e dos pés-rapados que ilegalmente alçaram o Mestre de Aviz. Temos por aqui, entusiastas partidários do Prior do Crato. Por cá também medram como trevos de três folhas, herdeiros directos dos Conjurados do 1º de Dezembro, da revolta anti-Junot, assim como batedores de palmas à gente do Sinédrio. Numa grande e exultante confusão, cá está a turbamulta anti-Ultimatum, anti e pró 31 de Janeiro. Por aqui grassam admiradores do 5 de Outubro, da Monarquia do Norte e… preferimos- alguns – ficar por aqui, até porque se prosseguirmos, tropeça-se em partisans de Salazar, de Estaline, de Otelo e só Deus, Buda, Javé, Alá, Shiva e Confúcio saberão de quem mais!

A tecnologia do século XXI e as boas relações – à distância …de una tapa – com gente que conta milénios como números de série no B.I., são os recursos de que dispomos. O Aventar cá está uma vez mais… y todo esto gracias a un simple SMS. Gracias Majestad!

* Já agora, não existe alguém que queira blogar connosco e seja apaniguado do Miguel de Vasconcelos?

A capa do «Sol» – O Sócrates devia dar uma sticada na gaja


«Dar uma sticada na gaja»?
Não me parece bem. O primeiro-ministro é um senhor comprometido, a Secretária de Estado também…

Precisa-se de Blogger simpatizante de José Sócrates


Anúncio publicado hoje na secção de Classificados do «Público». As candidaturas estão abertas…

A barrela: Miguel Sousa Tavares lava mais branco

Quem viu os «Sinais de Fogo» desta semana, no qual foi entrevistado Gonçalo Amaral, não pode ter deixado de ficar surpreendido com a súbita transformação de Miguel Sousa Tavares. O jornalista voltou a ser o «animal feroz» a que nos habituou ao longo dos anos. Rude, directo, roçando por vezes a falta de educação, nomeadamente quando não deixa os seus convidados falar.
No entanto, uma semana antes, ao receber o primeiro-ministro, Miguel Sousa Tavares foi de uma candura a que não estávamos habituados. Calmo, simpático, educado, ofereceu a José Sócrates mais 60 minutos de publicidade e ouviu, sem pestanejar nem questionar, as patranhas do costume.
Algo vai mal no país, muito mal, quando pessoas que desde sempre foram independentes se tornam de repente os maiores defensores do Governo ou, pura e simplesmente, deixam de emitir as suas críticas de sempre. Falo de Miguel Sousa Tavares, mas falo também de Marinho e Pinto, por exemplo.
Nos «Sinais de Fogo» desta semana, Miguel Sousa Tavares trucidou Gonçalo Amaral. Na semana passada, foi o que se viu. Mais uma barrela. MST lava mais branco.

Da PJ a Sócrates, do sexo oral ao Parlamento

A PJ foi à SAD do Porto, buscar uns documentos. Terá a ver com transferências de jogadores, no cumprimento de uma carta rogatória da Bélgica. Pois é, o “clube regional”, negoceia transferências de jogadores a nível internacional, quem diria…

A “Comissão de Ética” do Parlamento ouviu o Director do “Expresso“, Henrique Monteiro, afirmar que José Sócrates chegou a telefonar-lhe para lhe pedir por tudo que não fosse publicada uma dada notícia acerca da sua licenciatura. Continuarão a chover exemplos da difícil relação de José Sócrates com a liberdade de imprensa. Algo que não é novidade, servirá apenas para refrescar a memória lusitana que é, tendencialmente, curta.

O sexo vende. É mais do que sabido. A publicidade que o diga. É o caso desta campanha anti-tabagista, que associa o acto de fumar ao sexo oral forçado. Que é outra coisa (o sexo oral) que é uma fixação dos portugas (relembro que para constatar isso basta ir á versão portuguesa do Google e escrever a palavra “como”).

Inês de Medeiros arrisca-se a ter de pagar do seu bolso as viagens a Paris para ver os filhos. Isto não se faz, conforme o nosso Ricardo Santos Pinto decerto concordará…

Uma nota final: aprovada a redacção final do casamento homossexual. Aguardemos pela decisão de Cavaco Silva.

Cândida Almeida não precisa de ser escutada – não, não precisa, uma magistrada impoluta acima dos políticos e dos partidos


Quer que os magistrados, os seus colegas, sejam escutados por causa das fugas ao segredo de justiça? Claro que quer!
Não consegue encontrar um único indício da ligação de José Sócrates ao Freeport? Claro que não!
É amiga do peito de Almeida Santos e foi mandatária de Mário Soares? Mas o que é que isso tem a ver? É magistrada, mas das sérias, daquelas que não precisa de ser escutada. Séria, impoluta e acima de todas as suspeitas.
E não é verdade que uma foto vale mil palavras?

Diálogo de surdos

Depois da entrevista de ontem, José Sócrates disse o que irá dizer sempre.

Depois da entrevista de ontem, a Oposição irá continuar a questionar José Sócrates sobre as mesmas coisas.

O Primeiro-Ministro disse, taxativamente, duas coisas lapidares:

1 – Não deu ordem para qualquer plano ou avanço da PT sobre a TVI;

2 – Não comenta nem tem qualquer reponsabilidade por aquilo que afirmam ou conversam terceiros, mesmo que esses mesmos terceiros envolvam o seu nome.

Face a isto, das duas uma: ou se descobre provas de que tal é mentira, ou mais vale parar com um diálogo de surdos em que alguém repete sempre a mesma coisa e um outro insiste em que seja dita coisa diversa.

No ponto em que estamos, isto parece aquelas investigações criminais – à boa maneira do Estado Novo e que ainda vai dando sinais nos tempos que correm -, que são orientadas para a confissão do suspeito.

O mal disto é que não há verdadeira  investigação: alguém vendeu a bom preço as escutas – não sei se transcritas ou não -, e o Despacho do Procurador. Fez bom dinheiro, e a imprensa fez bons títulos. Isto não é jornalismo de investigação. É um negócio de tiragens, à custa da clássica “fonte anónima” e de fugas de informação, de atropelo em atropelo à Lei. Isto é luta político-partidária, a querer corroer um Governo à custa de ausência de ideias ou de vontade em assumir compromissos – até Paulo Rangel já disse que com ele não haverá moção de censura, pois neste momento não é “apetitoso” governar.

Já o disse em tempos e reitero: entendo que José Sócrates não tem as condições pessoais necessárias para liderar o Executivo. Mas sei que não se demitirá. Não é do seu temperamento. E, também, há que o dizer, ninguém neste momento quer calçar os seus sapatos e fazer-se à espinhosa estrada. Seja esse alguém do PS ou da Oposição.

Assim sendo, a menos que se obtenha provas concretas que José Sócrates participou no alegado plano, que tal lhe seja ouvido, ou lido, seria bom que se parasse de vez com o Carnaval. O país deveria estar já preocupado a discutir o PEC e as respectivas opções estratégicas para os próximos 4 anos. A agenda política deve ser ditada pelo interesse nacional, não pela imprensa.

Está tudo louco…

Como é possível que venham políticos criticar as presões políticas sobre a comunicação social?

Agora é a vez de Jerónimo de Sousa, criticar tais pressões que não sendo crime, na óptica do Procurador-Geral da República, são, para o comunista, inaceitáveis. Não sei se o mesmo ainda se recorda dos saneamentos políticos no Diário de Notícias? Pelos vistos não.

Figo, garantiu que o seu apoio a José Sócrates foi pessoal, não havendo qualquer contrapartida. Algo que contraria a tese do “Polvo” (a lembrar a série italiana de televisão dos anos 80), pois que na Máfia nada é pessoal, simplesmente negócios. 

Paulo Rangel cola a candidatura de Pedro Aguiar-Branco à de Pedro Passos Coelho. E agora diz que a ruprtura é com a governação socialista e com o estilo de se fazer política em Portugal. Para alguém que avançou como avançou com a sua candidatura, é notório que é muito diferente a fazer política em relação aos demais, não haja dúvida…

Pelo meio, o blogger Carlos Santos, cujo percurso na blogoesfera foi errante (no sentido amplo do termo), vem deitar achas para a fogueira socialista. E assim, a blogoesfera entra para o habitat do alegado polvo.

Às 20 horas, o Primeiro-Ministro vai falar ao país. Irá fazer uma declaração à visada, ou seja à comunicação social. A “hipótese pântano” parece estar afastada, embora nunca fiando…

…a religião é o ópio do povo…

É bem sabido que esta frase não é minha. Foi escrita por Marx no seu livro de 1843, para criticar o seu antigo mestre Georg Hegel, que em 1820 tinha escrito o seu texto  Filosofia do Direito, livro que desqualificava ao povo.  Marx tinha sido educado na escola jesuíta de Triers a sua cidade e mais tarde no Ginásio de Triers, onde escrevera O amor de Jesus e a união dos cristãos, na base do Evangelho de São João.~

Marx era luterano e recebeu educação luterana e casou com uma baronesa da Prúsia, católica. Uniram se em matrimónio, e entre a fé de Marx e de Johanna von Westphalen, souberam lutar pela liberdasde de expressão especialmente essa do povo  mal pagão que não  tinha mais valia, era retirada pelos proprietários dos medios de produção nas vendas dos bens fabricado pelo operariado ao cobrar mais pela mercadoria do que pagavam em salários as suas ideias foram mudando e criaram a teoria do materialismo histórico, com base na economia e nas suas ideias de fé.  Nada tinham contra a religião. Até a defendiam por ser parte das formas de pensar do povo, os seus amigos, que mais tarde denominaram o proletariado. [Read more…]

Os nossos políticos são maus e oportunistas

Dia dos namorados… Um dia de contradições: o amor entre o povo e os dirigentes não existe e quando há um segundo para um beijo, é para o beijo da morte!

Há muito tempo que tenho defendido que O Problema de Portugal são as nossas elites – não é, ao contrário do que dizem os fazedores de mentes, o povo! Esse, procura sobreviver no meio da selva civilizacional em que nos tentam manter ano após ano.
Os últimos episódios em torno do sr. José Sócrates são a prova disso mesmo.
Há coisas que são factuais:
a) O Governo, através da PT, tentou criar um grupo de comunicação social com o objectivo de controlar a linha editorial;
b) O Governo sabia disto e faltou à verdade ou teve lapsos de memória quando disse que não sabia de nada.

Qualquer destas duas realidades é MUITO má e MUITO mais que suficiente para que a demissão fosse só o primeiro passo antes de um pedido de desculpas ao país.
Mas… eis que vemos o PS a clamar pela justiça… Ai Jesus, que as conversas são privadas (tanto como as do Prof. Charrua!)… E depois a oposição (TODA!) com paninhos quentes… Será que estão com medo de se queimar?
E, já agora, onde está o Manuel Alegre? [Read more…]

MAT ao contrário

1. É ou não verdade que a rejeição pelos responsáveis do poder judicial baseia-se numa interpretação altamente subjectiva e, face ao que veio a público, criticável, de factos (e não de direito) por orgãos não colegiais, que, ainda por cima, no caso do Presidente do STJ, não analisa matéria de facto regularmente há cerca de 12 anos, dado essa função não caber, em regra, ao STJ?

2. É ou não verdade que José Sócrates é o primeiro português que, face a despachos como os do teor do Juiz de Aveiro e do Procurador Adjunto, não é sequer alvo de inquérito?

3. É ou não verdade que, face a atentados ao Estado de Direito, até, em ultima ratio, o recurso a armas é legitimo, sendo, por isso, a questão da violação do segredo de justiça perfeitamente irrelevante?

4. É ou não verdade que, o despacho emanado do Presidente do STJ é subjectivo e fruto de uma interpretação e convicção de dois únicos magistrados (os mais políticos de todos)?

5. É ou não verdade que sem o apoio de José Sócrates, Pinto Monteiro não seria procurador?

6. É ou não verdade que, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça é um orgão não colegial, e que o teor das escutas o desmente e o descredibiliza?

7. É ou não verdade que José Eduardo Moniz saiu da TVI, que o Jornal de Sexta acabou, que José Manuel Fernandes já não é director do Público, e que Sócrates falou com o director de programas da SIC que era necessário resolver o problema Crespo?

8. É ou não verdade que, o jornal Sol foi cúmplice da violação do segredo de justiça para defender valores muito mais elevados do que a eficácia das investigações e o bom-nome de quem não é sequer dele digno?

9. É verdade que, da leitura da peça jornalística do jornal Sol, se pode inferir, a partir de uma conjugação global dos factos que complementam as escutas, uma interferência do 1º ministro na liberdade de imprensa.

10. É ou não verdade que, o nome de José Sócrates só aparece ligado a este alegado plano porque é ele o principal beneficiado?

[Read more…]

Mais escutas do «Sol» (II)

continuação daqui

TRANSCRIÇÃO DAS ESCUTAS REVELADAS NA EDIÇÃO DE 12 DE FEVEREIRO DO «SOL»

[Vê se podes] «dar um pontapé para cima em relação ao Paulo Fernandes, porque a CGD borregou um bocado. Está previsto uma compra da parte dele da informação pela empresa do Nuno Vasconcelos com conhecimento do amigo do Vara, ou melhor, por indução do amigo.» (Fernando Soares Carneiro, representante do Estado na PT, para Armando Vara).

– «Por indução de cima foi acordado que se tentaria comprar o Correio da Manhã ou mesmo a Cofina e que isso foi colocado na empresa [PT] como objectivo». (Fernando Soares Carneiro para Armando Vara)

– «Quem falou foi do gabinete do amigo de Vara lá de cima.» (Armando Vara para Fernando Soares Carneiro sobre se já tinham falado com um administrador da Caixa Geral de Depósitos)

– «Já começaram as negociações, a Caixa não está a ajudar e esse assunto foi comunicado a quem de direito e que queria alguma pressão a alguém de cima.» (Fernando Soares Carneiro para Armando Vara) [Read more…]

Sinais

Neste corrupio de acontecimentos, desde as revelações do semanário “Sol”,  – revelações que o semanário aumentou o ritmo – passando pelas primeiras providências cautelares de censura prévia em mais de 30 anos de democracia, uma pequena nota não para o que se diz e para o que se escreve,ou para o que é lembrado, mas antes para o silêncio.

Neste momento ninguém, a não ser do núcleo duro do Governo e da direcção do PS, parece querer aproximar-se de José Sócrates. A dita ala Esquerda mantem-se quieta e dos “históricos” nem uma palavra. A consciência da gravidade do assunto, legalidades à parte, existe. Por mais que se queira esconder a situação por trás de elogios de levar às lágrimas.

À medida que o tempo for passando e a informação se for espalhando, infiltrando, estes silêncios terão cada vez mais peso, e ou são quebrados ou irão esmagar aqueles sobre os quais pairam.

Os sinais mais marcantes começam a ser, e serão cada vez mais, os silêncios, as omissões. Mais do que as palavras e as reacções. Porque neles se irá sustentar a desagregação do Governo.

Entretanto, o que se tem escrito, editado, revelado e contradito, são os piores sinais que se transmitem lá para fora, para os nossos credores, para os investidores que queremos cativar, para os analistas financeiros que queremos convencer acerca da nossa economia.

Sejam justos: o homem até falou verdade, mesmo quando não queria

Eis a primeira página do «Sol» de amanhã


Ver mais aqui, aqui e aqui.

Vão ser publicadas na mesma

Mesmo que o «Sol» seja impedido, as escutas vão ser publicadas na mesma. Nos jornais, na internet ou em qualquer outro meio de comunicação.
Mas o gajo é burro ou faz-se?

Agora levaram-me a mim e, quando percebi, já era tarde*

«Primeiro levaram os comunistas, mas eu não me importei, porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários, mas a mim isso não me afectou, porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas, mas eu não me incomodei, porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir, chegou a vez dos padres, mas como eu não sou religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim e, quando percebi, já era tarde.»

Bertolt Brecht

* Este «post» é dedicado a José António Saraiva, Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo.

Estranhas manobras

O surrealismo lusitano, canta e ri, corre e dança, inebriante, vicioso, contagiante. Num carrossel contínuo que mal permite repor o fôlego. Tudo é informação, tudo é actualidade, e no entanto nada parece verosímil.

Dois episódios de ontem, deste carrossel:

1 – A escova de Francisco Louçã sobre os ombros de José Sócrates, no plenário parlamentar, em híbrido gesto de solidariedade para com o Primeiro-Ministro, acerca das escutas.

Não bate certo, algo está por trás disso. Talvez as presidenciais. Talvez.

2 – O estranho avanço de Paulo Rangel, numa sôfrega candidatura à presidência do PSD, a dividir um eleitorado com Aguiar-Branco, e a solidificar um outro eleitorado, o de Pedro Passos Coelho.

É uma candidatura tardia, incoerente e desleal. Imprópria para quem assumiu o compromisso de que ficaria no Parlamento Europeu, e que as excepcionais razões do actual momento político por ele invocadas, só servem de injusto atestado de incompetência a Aguiar-Branco.

Parece que o Norte continua a assustar as ditas elites do PSD, desde os tempos de Francisco Sá Carneiro.

Pedro Passos Coelho agradece.

Num inebriante começo de mês, estas são apenas duas voltas de um carrossel de estranhas manobras. Tudo à roda, sem tino ou razão.

Por que razão há tantos candidatos ao PSD?


Porque, cheirando a morte, já todos parecem interessados. Não há fome que não dê em fartura e, agora, os coelhos não param de sair da toca.

Da Emaudio à TVI


Os socialistas no poder são useiros e vezeiros na «arte» de controlar ou tentar controlar a Comunicação Social portuguesa. É curioso que, agora que se sabe os contornos exactos desse controle, seja precisamente Mário Soares a defender o primeiro-ministro, dizendo que, no seu tempo, nunca foi tão atacado como ele.
Mário Soares que esteja calado e que deixe de alardear aos quatro ventos a sua senilidade: ao lado da Emaudio, um grupo empresarial com «testas de ferro» no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais, o negócio da TVI é uma brincadeira de crianças. E nisto dos negócios esconsos, Sócrates nunca conseguiu chegar aos calcanhares de Soares.
Mais: nos tempos em que, como primeiro-ministro, Mário Soares telefonava para os Telejornais aos gritos sempre que qualquer notícia o incomodava, só havia dois canais de televisão do Estado, meia dúzia de rádios e jornais, não havia internet e podia-se facilmente comprar toda a tiragem de um livro incómodo para que ele não chegasse ao grande público.
Claro que Mário Soares não foi tão atacado como José Sócrates.

O que o povo exige

Em pleno Parlamento, Paulo Portas propôs aquilo que é há muito exigido pelos portugueses: os políticos devem ser os primeiros a tomar a iniciativa, dando o exemplo de morigeração de atitudes e abdicando de uma parte dos seus privilégios.

O presidente do CDS sugeriu o corte de salários do presidente da república, primeiro-ministro, ministros, secretário de Estado, deputados, autarcas, governos regionais e dirigentes de empresas intervencionadas.

No entanto, para que tal iniciativa seja credível, é necessário ir muito mais longe.

[Read more…]

Jornalismo de buraco de fechadura? Excelente!

José António Saraiva diz e diz muito bem. «O grande jornalismo é aquele que vai aos bastidores, que vai atrás da cortina ou do buraco da fechadura. O trabalho jornalístico que verdadeiramente enobrece a imprensa é aquele que consegue desmontar e pôr a nu as coisas que o poder político, económico, judicial ou religioso pretendiam manter escondidas e camufladas e denunciar determinadas actuações ilegítimas do poder, e em que há notória cumplicidade do poder judicial» (via Desabrantizante)
E não venham os moralistas de pacotilha, que sopram para o lado que lhes convém, falar de privacidade e de intimidade. Quem está a cometer um crime não tem direito à privacidade.
Se os jornalistas espreitassem pelo buraco da fechadura para saber quem é a nova namorada de José Sócrates, os defensores do primeiro-ministro teriam toda a razão.
Agora, se os jornalistas espreitam pelo buraco da fechadura para saber se José Sócrates tentou dominar a comunicação social em vésperas de eleições, então não têm razão nenhuma. Porque para os criminosos não há direito à intimidade.

«O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes da PT entrar» (Rui Pedro Soares)

MAIS ESCUTAS TRANSCRITAS NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO «SOL»

continuação daqui

– «A confirmar-se a operação da TVI, terá algum fôlego na reorganização da comunicação social – as transacções do grupo Impresa nas últimas horas. Está tudo ligado.» (Paulo Penedos para um tal de Luis)

– «Está tudo a seguir o seu caminho. [Vou] jantar com o primeiro.» (Rui Pedro Soares, administrador da PT, para Paulo Penedos)

– «A abordagem está a correr bem. [Sócrates] diz que tem de ser a PT, especificamente, a fazer a operação.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «O chefe diz que é tudo ou nada e que não pode ficar com a fama sem o proveito.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «Já está escolhido o homem da informação, o Paulo Baldaia.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «[Depois disto, espero] obter do chefe luz verde para lhe tratar da comunicação durante 3 meses.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos).

– «É uma cortina de fumo [o interesse da Telefonica na PT] para dar a ideia de que há mais interessados e que se trata de algo com mero interesse empresarial para justificar a operação.» (Paulo Penedos para José Penedos)

– «Se o Moniz é corrido sem nós entrarmos, é melhor para a PT, mas é pior para o chefe máximo.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes da PT entrar.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos) [Read more…]

Indiferente às notícias, ignorando que eram os seus últimos dias, cumpria o programa habitual

.