Meu caro amigo, a coisa aqui está preta

Não vale a pena esconder. Estes são tempos difíceis e de trevas, na economia e na sociedade. Portugal passa, provavelmente, pelo mais complicado período da história do pós-25 de Abril. Por falar nisso, façamos um pequeno regresso ao passado. Vamos até 1976.

O artista brasileiro Augusto Boal (1931 – 2009) mora em Lisboa, exilado, em fuga de uma ditadura repressora. Por Lisboa há-de ficar dois anos, antes de rumar a Paris, num percurso que começou em 1971, depois da prisão e tortura, forçando-o a fugir para a Argentina, e que só terminará em 1986.

Na capital portuguesa recebe um dia uma carta em forma de disco. No vinil negro, Chico Buarque tinha ‘escrito’ o momento que o Brasil estava a viver. Dias em que em é preciso “pirueta pra cavar o ganha-pão”, num povo que “vai cavando só de birra, só de sarro”.

Regressemos a 2011. Por estes dias, o  inverso. Um qualquer Chico português pode enviar uma carta, um email, um disco, um ficheiro MP3 a um qualquer Augusto no Brasil.

Com muito ligeiras alterações (tanto mais que a Marieta já não é a mulher do Chico), a letra adequa-se na perfeição a estes nossos dias de portugueses às escuras.

Um país adiado ou apenas a brincar

Vamos a ver se não me engano. O chefe do Governo visita o Presidente da República e diz-lhe que não quer continuar a brincar, porque os outros meninos não quiseram jogar segundo as regras que ele tinha definido. Chamou-lhe ‘pedir a demissão’.

O Presidente demora dois dias até conversar com os outros meninos e com os amigos do chefe do Governo para perguntar o que se passou e como querem resolver a coisa. Todos quiseram uma eleição para saber se o chefe continua o mesmo ou se é outro.

portugal-bandeira

Uma semana depois desta conversa, o Presidente chama um grupo de meninos mais experientes e habituados às discussões para lhes pedir uma opinião. Parece que se chama um Conselho de Estado. Horas depois diz que sim, que aceita a demissão e que é tempo de eleger o próximo chefe de Governo. Marca as eleições para 60 dias depois. Parece que há um livro que não permite que seja em menos tempo.

O mesmo livro indica que depois de escolhido o novo chefe, seja quem for, este só toma posse cerca de 30 dias depois. Até lá é o limbo. Reduzir estes prazos é que não. Não deve ser próprio de nações modernas. É coisa praticada, por exemplo, pelos anacrónicos britânicos.

O país continua adiado. Nada de estranho, é assim há uns séculos.

Se não comes a sopa toda, chamo a Fitch

Acto I

Portugal, 2014

Cenário: Uma sala pequena, que também serve de quarto pequeno e cozinha pequena, com uma mesa pequena, um rádio a pilhas pequeno e com um som abafado e foleiro, uma vela pequena a iluminar a cena.

Personagens: Pai, mãe e filha

Filha: Não quero.
Mãe: Come, anda, não faças fitas.
Filha: Não.
Mãe (voltando-se para o marido): António, a tua filha não quer comer.
Pai (voltando-se para a filha): Maria, se não comes a sopa toda, chamo a Fitch.

Shunga 春画

 

Shunga Escola Utagawa

春画 ou Shunga é a designação dada à arte Erótica Japonesa. Em tempos shunga, estes que estamos a vivenciar, a assistir embasbacados, incrédulos – pior: desarmados – com o que se está a passar com Portugal, é uma benesse ter esta alternativa Shunga Japonesa para irmos entretendo o olhar, pois já nada nos sobra. Já nada sobra de Portugal no estertor deste gozo Europeu.

(Sim. Estou F-de-Decepcionada).

PS.: 春画 ou Shunga também significa Imagem de Primavera. Podem explorar mais Imagens da Primavera no F-Se! , especial destaque para o Kitagawa Utamaro.

PS2: Parabéns Aventar! Obrigada! Esta é a minha Shunga Prenda.

Portugal Vive Um Sonho

…quentinho, húmido, doce, livre de impostos…

Portugal euro-cruxificado

Como dizem aqui no Alentejo, Sócrates está de abalada. Saiu como e quando quis. Com o pretexto de não poder aplicar o PEC IV, envergou a  pele de vítima. O objectivo era sair queixoso desta batalha, colocando o ónus da crise política sobre os adversários políticos. 

Paradoxal ou não, da ordem de trabalhos da reunião da zona euro, de hoje, foram retiradas à última hora as decisões sobre o reforço do fundo de socorro; nas quais, lembre-se, se integravam as medidas do rejeitado PEC IV. Sócrates e Teixeira dos Santos sabiam-o ou souberam-o, provavelmente, antes ou durante o debate parlamentar. É uma das hipóteses para  explicar a saída prematura do PM e as temporárias ausências de Teixeira dos Santos e Silva Pereira da sala do plenário da AR. 

Vamos a eleições. Sócrates voltará à linha da frente, na disputa com Pedro Passos Coelho. Os dois, em coligação restrita ou alargada com Portas ou isoladamente, têm possibilidades de vir a governar os portugueses. São, diz-se a torto e a direito, os homens do arco do poder – a semântica da política está em enriquecimento constante. Todavia, nos momentos históricos que vivemos, não estamos sujeitos apenas a arcos. Há  também o enorme crucifixo com que  subimos ao calvário da ‘Zona Euro’, onde os nossos eleitos apenas relatam, ouvem e obedecem. Sim, não haja ilusões; quem comanda ou comandará será sempre a Sr.ª Merkel ou outro gauleiter que a substitua. 

Penitentes por erros acumulados, estamos condenados ao PEC IV, V, VI, VII …   e não sei até quantos os comandantes da Europa do Norte venham a impor. Os nossos governantes limitar-se-ão a cumprir, com zelo e respeito, as orientações para fazer navegar um Portugal euro-cruxificado. Prometam os nossos políticos o que prometerem, assim vamos continuar. Sofrendo.

Um país falido e miserável

Vejamos: Recessão já este ano, com a economia a perder quase 1 por cento; aumento de impostos sobre o consumo; privatizações antecipadas e alargadas, que é como quem diz, a preço de saldo; prestações de compra de casa vão ter menor dedução fiscal no IRS; autarquias com mais cortes.

Assim de repente, este é um pedaço do PEC IV.

Já sabíamos que o país estava de rastos. Agora sabemos que está ainda pior. Por este andar, vamos mendigar a Espanha que tome conta de nós.

De Civismo Anémico a Civismo Vitaminado! Não nos dêem é o xarope da demagogia envenenada, muito receitada pelo jornalismo afecto à Direita.

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Audio: Declarações de Augusto Santos Silva Sobre a Manifestação de 12 de Março – ou o Protesto da geração à Rasca.

F-Se! No Meu Post Pré-Manifestação, eu dava o meu Contributo “Falem com o Augusto Santos Silva”. Reforço: tendo sido ele o “Porta-Voz” do Governo, assim o parece, é! Falem mesmo com o Augusto Santos Silva. Um Político que já deu Provas de ser capaz de mudança de realidades Amargas, cujo resultado – sem o ser ideal – pelo menos, foi o mais ajustado às circunstâncias. Y tinha sido tão fácil apresentar algo um pouco melhor. Aconteceu que Oposição Y Sindicatos apresentaram alternativas que tornariam a realidade ainda mais injusta y grosseira: por ignorância, desleixo, incompetência Y, acima de tudo, com isso só deixaram patente um enorme desrespeito pela vida alheia. A vida dia-a-dia, não a vida teórica do “se cá neva-se fazia-se cá sky”.  O Augusto Santos Silva tem Vantagem: é um técnico pragmático.

F-Se2! Aqui a Sugestão ao Augusto Santos Silva não é Demagogia Envenenada, a lá Jornalista de Direita a apregoar o Salvar da Pátria pela mudança de Governo – essa Derrocada Nacional. Em que, tal qual Arca de Noé, só se Salvariam um par de poucas coisas: o Apogeu da Indústria emergente da Caridade Y Privatização do Direito à Saúde. É, a sugestão do Mal-Amado Augusto Santos Silva é mesmo fruto de Saber Empírico. [Read more…]

Carnaval em Portugal

Mais um ano, mais um Carnaval que na maior parte do país, é estrangeiro, sendo que neste ano, e por causa da crise e das crises, a contenção de despesas tenha obrigado a que sejam muito menos os artistas do outro lado do Atlântico convidados a ‘abrilhantar’ as festas.

Continuam no entanto por aí uns senhores, e uma parte significativa da população, a fazer corsos, à moda do Brasil, com as miúdas nuínhas e tudo, a desfilar debaixo de chuva e cheias de frio, e a tentar dançar samba, despidas com as roupas do Carnaval do Rio.

Até quando?

Por muito bonito que seja, por muito alegre que seja, não é nosso, não é da nossa tradição, não está bem.

Felizmente ainda há por aí umas terras onde se faz o dito à nossa moda, com as nossas tradições a imporem a sua valia. São todavia uma pequena gota no charco da nossa vida.

Mais um ano, mais um Carnaval importado apesar de cada um lhe chamar ‘à moda da sua terra’.

Tenho saudades dos outros tempos. [Read more…]

Expresso censura telegramas divulgados pela Wikileaks

Expresso censura cablesLi no Do Portugal Profundo e, estando incrédulo, fui à fonte. O semanário Expresso censurou parte dos cables que tão bombasticamente trouxe  à capa na ultima edição.

Ainda não estou bem certo de ter escrito o parágrafo supra. Se calhar é melhor repetir. Os telegramas tornados públicos pela Wikileaks relativos a Portugal foram divulgados pelo Expresso mas este jornal rasurou partes dos mesmos. Com que objectivo?

Ironia das ironias, algo que a Wikileaks coloca em estado bruto para os que queiram ver, chega até nós com um lápis castanho. Sinal dos tempos. Note-se que o jornal em causa é o mesmo que, ainda recentemente, fez uma sequência de artigos sobre o que a censura havia cortado no jornal nos tempos da ditadura.

Os telegramas em causa:

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Um país de generais sentados

portugal, país de generais sentados

«WikiLeaks Portugal: Expresso revela negócios ruinosos na Defesa» [Expresso]

«Nas mensagens enviadas a Washington, o embaixador passa a imagem de um país de “generais sentados”, dizendo que o Ministério da Defesa não é capaz de tomar decisões e que “os militares têm uma cultura de status quo, em que as posições-chave são ocupadas por carreiristas que evitam entrar em controvérsias”. O embaixador sublinha ainda que o dinheiro na Defesa é gasto de forma imprudente e que Portugal tem mais almirantes e generais por soldado do que quase todas as outras forças armadas» [Público]

560, Made in Portugal


Não se trata apenas de bacoco patriotismo, mas sim, de sobrevivência. Uma ida ao supermercado, leva-nos direitos aos “produtos em promoção especial” e sem hesitar vamos colocando no cesto, tudo aquilo que de fora vem. O argumento é sempre o mesmo e reporta-se ao …”é mais barato”. Pois é. Mas até quando?

Como poderá a nossa incipiente indústria sobreviver, se continuarmos a dar preferência ao que além-fronteira chega? Conservas, massas, arroz, batatas, cebolas, alhos – invariavelmente chochos ou secos -, cogumelos, salsichas e enchidos, fiambre, café – muito mauzinho, por sinal -, chá, leite, vinho para cozinha, bolachas e até, pasme-se, verduras! Uma invasão sem fim ou controlo.

A falácia da “unificação de mercados”, impõe a aceitação apenas num sentido, erguendo os outros alegadamente mais poderosos, barreiras que se não estão firmadas em papel de Lei, existem pela prática de todos os abusos. regras atrás de regras, vida infernal feita à nossa camionagem, desdém das distribuidoras, etc.

Uma vista de olhos no código de barras, pode ajudar e muito, no mitigar desta situação escandalosa a que a incúria do regime nos obriga. Comprem o produto que no código de barras apresenta os seguintes primeiros três números: o 560 quer dizer Made in Portugal.

Em boa verdade, esta opção torna-se num sacrifício, mas este será mitigado por compras mais criteriosas e propiciadoras de uma melhor gestão do nosso dinheiro. Não se trata de qualquer boicote, mas de razão. De outra forma não vamos a sítio algum e bem podemos garantir a nossa completa ruína.

FMI, o orgasmo está a chegar

A pátria preparada para receber o FMI

A direita anda muito feliz com a ameaça de o FMI se instalar no Terreiro do Paço. Consulta todos os dias a meteorologia esperando neblinas e nevoeiros matinais, para uma encenação sebastiânica perfeita.
Compreende-se. A anterior passagem do FMI por estes lados abriu o caminho à Europa e seus fundos estruturalmente desviados para os bolsos das empresas, estendendo o tapete ao cavaquismo que iniciou a privatização do estado nas pontes sobre o Tejo. O FMI funciona para a nossa direita como o pai polícia que vai meter os meninos pobres e ranhosos na ordem com uns bons açoites no rabo.

Mais desemprego, salários mais baixos, mais lucros para uma minoria, mais bancos, mais capitalismo financeiro. Uma felicidade.

Só é pena que o FMI não use preservativo.

Governo vende identificação dos portugueses a potência estrangeira

Janet Napolitano E vende barato: em troca de um sorriso.

“Em Junho de 2009, Janet Napolitano, secretária do Departamento de Segurança Interna norte-americano esteve em Portugal e firmou o acordo com os ministérios da Administração Interna e da Justiça.”

“Os Estados Unidos (EUA) querem ter acesso a bases de dados biométricas e biográficas dos portugueses que constam no Arquivo de Identificação Civil e Criminal. O FBI, com a justificação da luta contra o terrorismo, quer também aceder à ainda limitada base de dados de ADN de Portugal” in DN

Sendo de esperar que o acordo seja aprovado no parlamento, teremos então os nossos BI´s numa base de dados onde serão cruzado com o sistema Echelon, permitindo-lhes saber tudo o que queiram, de quem queiram.

Pode ser que assim descubram como Bin Laden se retirou para uma simpática aldeia beirã, e se dedica agora à produção de maças bravo esmolfe. O potencial terrorista de uma maça brava não é em caso algum de descurar.

Wikileaks, pois pois, brincadeiras de crianças.

Mensagens de Natal: por um país mais pobre

Campanha de STRICK2TARGET, inspirada nisto:

Portugal tem dois problemas: a crise económica e a eleição presidencial

este era Portugal. Hoje em falência, o Terreiro do Paço será também vendido?

Fui convidado a investigar e leccionar em Portugal, em 1981. Gostei do país, da sua terra e da sua gente e da forma de resolver os seus problemas. Eram dois meses apenas esse convite, mas gostei tanto, que falei com a minha família e propus mudar-nos a um país sem comparação com os outros países da Europa. Farta a família de andar por tantos países, recusou o convite, ficaram em Cambridge e eu tinha que viajar entre um e outro. Aliás, foi preciso confrontar ao meu chefe, Sir Jack Goody e anunciar que cancelava o meu contrato com ele e ficava no Porto do Galo – nome romano para Portugal -, porque havia muito trabalho para ser feito. Ficou furioso, disse-me que no nosso Departamento havia mais ainda. Não ouvi e fiquei. Esses dois meses passaram a ser 30 anos… até ao dia de hoje.

Nunca pensei que a República Portuguesa ia ter tantos problemas para resolver em frente de si. Especialmente económicos, políticos e éticos. Se na Grã-Bretanha tomávamos conta do penny, em Portugal era do tostão antes, hoje em dia do cêntimo.

Não há dia em que não se deva poupar. Não há dia em que não devamos pensar duas vezes antes de levar a mão à carteira. Olhamos os preços, comparamos, e as compras passam a ser um cumprido passeio. Aliás, já nem compramos o que costumamos adquirir. [Read more…]

A flexibilização das leis do trabalho – a farsa

A flexibilização das leis do trabalho é repetida receita do FMI e da Comissão Europeia para vencer o problema da competitividade e do desemprego em Portugal. O nosso governo, servil e obediente, nem hesita. Hoje, o Conselho de Ministros legislará de acordo com a receita.

Se em anterior, e de certo modo recente, revisão do Código de Trabalho, já tínhamos entrado na farsa, agora cantamos, tonitruantes, a presença. O socialista Sócrates, no seio da família europeia, exultará amanhã estar a governar um País reverente e até humilde na partilha da soberania – o social-democrata Coelho, a quem este trabalho sujo servirá de proveito, mantém-se naturalmente calado e sereno.

Há evidências de que a citada flexibilização é, de facto, uma farsa. Veja-se, por exemplo, o que diz hoje The Guardian, ao denunciar o agravamento do desemprego para 2,5 M de pessoas no Reino Unido. Um país de leis laborais flexíveis; assim como os EUA, citado no último parágrafo do jornal inglês, que não logram baixar dos 10% de desemprego. Que medidas terá o FMI para estes casos?

A regionalização não vai custar nem mais um tostão…

Um dos argumentos apresentados para justificar a não reorganização administrativa e política do estado é o custo que isso iria ter.

Esta verdade absoluta é postulada inclusive por aqueles que tiveream responsabilidade directa na criação do estado que temos actualmente que, tenho ouvido dizer, não é assim tão sustentável quanto isso.

Para perceber porque não pode a regionalização custar nem mais um tostão e apresentar ideias sobre como o fazer, o Movimento Partido do Norte vai realizar no próximo sábado, 18 de dezembro, no Ateneu Comercial do Porto, ás 16.30, uma sessão sobre este tema com a participação de Eng. Carlos Brito, Dr. Pedro Froufe Madeira e Dr. Paulo Morais.

Estamos na altura de construir novas opções e pensar de forma diferente na resolução dos nossos problemas, se quiserem fazer parte dessa discussão apareçam.

Sábado

Hoje é sábado. Poderia ser outro dia se a luz viajasse com velocidade diferente. Que até viaja, já que nos tempos do Big Bang  a constante c era, afinal, uma variável.  E numa redoma de vidro, por não ser o vácuo, também a luz demora mais tempo a ir de um ponto a outro.

Portugal, dizem, está 25 anos atrasado relativamente à Europa. Parece que o tempo corre aqui a outro ritmo. Poderá assim ser por a luz no nosso rectângulo viajar a uma velocidade menor. O que faz sentido se atendermos a essa campânula vítrea que parece isolar os nossos governos do país que os rodeia.

 

Sobre a teoria da velocidade variável da luz e sobre João Magueijo, um dos seus autores, é de ouvir o programa Pessoal e Transmissível de 25 de Setembro de 2007. Deveras interessante.

O Pai Natal Está Para o Imaginário Crédulo Infantil Como A Civilidade Sueca Está Para O Imaginário Fantasista Dos Humanos Na Idade Adulta.

Acompanhem com alguma atenção y cuidado o alto trabalho da Polícia Sueca no caso Assange, depois pensem duas vezes: a primeira (por favor esforcem-se) sem as palas de que é uma sociedade civilizada que está a proceder a acusações; a segunda, que não sendo uma sociedade paradigma de civilidade coisa nenhuma, o que é que tal sociedadezinha é capaz de engendrar, à laia de ser mundialmente apontada como paradigma para a humanidade de excepcional exemplo social?  Y se vos sobrar tempo: economizem-no, poupem-no a tecer imaginações Y fantasias sobre a tal, dita, Sociedadezinha.

É bem melhor Y honesto deliciarem-se com estes produtos magníficos da Hardcore fofo cuja foto do Post é 1 dos exemplos da BOA civilidade ( Sim, a nossa) Made In Portugal. Y sim!: limpem o pó às vossas crenças sobre os tais altamente civilizados. É só imaginação.

Merkel a forçar a intervenção do FMI em Portugal

 

Não é propriamente novidade. Há muito era conhecida a falta de solidariedade de Merkel com os parceiros do euro,  endividados. É mais um exercício do macabro  nacionalismo alemão. Desta vez, de carácter económico-financeiro. No caso de Portugal e da Grécia, começou com a negociata de submarinos e outros equipamentos de guerra; agora é a fase de submissão ao capricho da rejeição alemã de duas medidas cruciais para as finanças do grupo de países em dificuldade:

  1. Recusar a emissão de obrigações de dívida pública pelo BCE, proposta pelo presidente do Eurogrupo, o luxemburguês Jean-Claude Juncker;
  2. Declinar o aumento do fundo de resgate para proteção do euro, ao contrário do aconselhado documentalmente pelo presidente do FMI, o francês Strauss-Khan.

Estes atos inflexíveis de  Merkel e seu governo estão a compelir a queda de Portugal  nas teias do FMI, entrando, desse modo, em prolongada recessão económica. Como, de resto, outros países impossibilitados de se furtar à nefasta intervenção daquela instituição – apenas o decrépito Medina, Mário Crespo e uns tantos companheiros de aventuras escatológicas creem no contrário. [Read more…]

From Belgium, without shame!

Didier Reynders e Durão Barroso

didier reynders barroso

Reuniram-se em Bruxelas os Ministros das Finanças da zona Euro. O anfitrião belga, Didier Reynders, defende que, depois da Irlanda, é preciso “encontrar uma solução para Portugal”. E eu replico: “É preciso falta de vergonha para tal afirmação, por parte de qualquer belga quanto mais do ministro das finanças!”.

De facto, através de simples dados, relativos ao período de 2000 a 2009, é mais do que evidente de que a Bélgica, com uma população total semelhante a Portugal, tinha em finais de 2009 uma dívida bruta superior (dívida bruta): 326.555 M de euros contra os nossos 127.907 M. Reconheça-se que o PIB per capita belga, em declínio dos 128 de 1995, atingiu em 2009 o valor de 116 – avaliação em PPS (Padrões do Poder de Compra) – enquanto Portugal se limitou a 78 unidades. Mas ainda assim, há a destacar que, nas contas de 2009, a dívida da Bélgica representava 96,2% do PIB, ao passo que esse indicador para Portugal, na mesma data, se fixava em 76,2% (dívida bruta em % do PIB).

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O Dia da Libertação

Ele há-de vir (pode é já ser tarde).
*sim, o desenho fui eu que fiz.

Portugal in solvente

PORTUGAL in solvente

Portugal está “insolvente” e terá de pedir ajuda, diz o Citigroup.

Depois são os jornalistas os obsessivos. Devem trabalhar no BCE.

FMI – Fundo da Miséria Internacional e a União Europeia

O Cavaleiro do FMI

FMIO sistema capitalista internacional, de forma mais evidente na periferia europeia, vive intensa crise. Todavia, a irracionalidade dos defensores do sistema e das teorias de Adam Smith continua a bater-se pela  excelência do modelo  classificado de neoliberalismo.

Tal ideário económico e social, embora constantemente desmascarado, teima na dogmática aplicação de instrumentos e medidas que, na Europa e em outras partes do mundo, conduzem milhões de cidadãos à precariedade do emprego, ao desemprego,  à miséria e à fome. Tudo isto, imagine-se, também facilitado pelo ‘capitalismo comunista de Estado’ e dos paraísos fiscais. Os grandes líderes actuais constrangem, sufocam e dizimam a vida de milhares de milhões de cidadãos ao redor do planeta – Robert Zoeleck, presidente do Banco Mundial, dizia há pouco tempo: “Há mais de mil milhões de seres humanos que se deitam todos os dias de ventre vazio”. Eloquente, até por ser afirmado por quem foi.   [Read more…]

República Portuguesa 5, Reis de Espanha 0

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/ywe0IfYcpqPiC9SwLMof/mov/1

Este golo do Ronaldo foi roubado numa altura em que o jogo comemorativo do centenário da República ainda estava a zero, possivelmente por árbitro e fiscal-de-linha pensarem que se tratava de uma homenagem à República Espanhola mas rapidamente até os franceses perceberam que se tratava de comemorar o nosso centenário.

Os outro 4 golos, legalizados, que podem ser vistos aí em baixo, remataram um dos melhores momentos das comemorações deste ano. Viva a República!

Loto Azul

Chegou o Senhor JinTao e não veio exactamente de junco. Saindo de um aparelho de tecnologia ocidental de marca a ser futuramente  construída sob licença no Império do Meio, trás aquilo que noutros tempos, só um jade da boa sorte poderia significar.

Pelo que se faz crer, vem comprar a dívida portuguesa, ou pelo menos, uma parte dela.  Em troca – é esta a base dos tratados que contrariam os acordos de canhoneira -, deverá receber uma concessão no porto de Sines. Nada de estranho, pois o Aventar já o tinha dito.

Garantimos apenas, não ter escutado o “aventar” da hipótese através de qualquer assessor de serviço. É a simples lógica das coisas que dispensa perfeitamente um discreto jarrão de porcelana.

Teresa de Sousa, a presunçosa analista do BRASIL

O estilo da jornalista é conhecido. As presenças, na SIC Notícias, foram actos de revelação da postura presunçosa. De quem tudo sabe e pouco acerta, acentue-se. Ontem no ‘Expresso’, hoje no ‘Público’, mantém o sofisma da sabedoria sem limites, sejam temáticos ou geográficos.

No artigo intitulado ‘No país das boas notícias’, começa por decretar que o actual modelo de expansão brasileiro, baseado no consumo interno, é insustentável a longo prazo. Teresa de Sousa, ao estilo de Pandora, antecipa a abertura da caixa que derramará os males sobre o Brasil inteiro.

O comportamento é próprio da altivez ‘proto-intelectual’ de certos fazedores de opinião portugueses, em relação aos povos de África, América Latina e Ásia. Pode não ser uma patologia endógena, de âmbito nacional; mas, nos tempos que vivemos, a soberba de alguns analistas de um país arruinado é moeda corrente e anómala dos nossos ‘media’.  

No fundo, na posição assumida por Teresa de Sousa e outros comentadores da nossa praça, relativamente ao Brasil de Lula, percebe-se um sentimento de enorme frustração. Custa-lhes, e de que maneira, que a esquerda, através de um ex-metalúrgico, tenha conquistado o poder e dotado a Nação Brasileira de um processo de desenvolvimento económico e social com os resultados que o mundo inteiro reconhece – o percurso não foi um caminho imaculado, longe disso, e no caso de Dilma Rousseff ser eleita é obrigatório aperfeiçoar a obra de Lula em vários domínios e actuar drasticamente sobre o fenómeno da corrupção. Lá, como cá.

De um país pequeno e pobre, enfunada pela indiferença com que desdenha os seus compatriotas com vidas dificultadas, impõe-se a Teresa de Sousa que termine a viagem ao  “Fim da História”. Ao menos, tenha a lucidez de entender que entre o Portugal de uma Europa exaurida e um Brasil, com uma economia de abundantes recursos naturais, a diferença é abismal e favorável aos brasileiros. O que lhes falta, e não é pouco, é a continuação do combate à estrutural desigualdade social e de distribuição de rendimentos. Têm os recursos necessários para o alcance desse objectivo. Haja vontade e capacidade para cumprir. Nós, até ver, continuaremos pendurados na Europa e nos caprichos de Merkel, Sarkozy e de outros que tais. Mesmo que Teresa de Sousa e mais uns quantos se entretenham com as prédicas da desgraça brasileira.

O que pode Jorge Sampaio fazer pelo país?

Na TSF, Jorge Sampaio diz que pensa muitas vezes no que pode fazer pelo país. Assim de repente, vêm-me à cabeça 2 coisas muito simples:
– abdicar dos privilégios pornográficos a que tem direito como ex-Presidente da República (gabinete com secretária, carro com motorista e subvenção vitalícia).
– indemnizar o país pelos 10 anos lamentáveis do seu mandato.
Boas ideias, não?

Portugal em orçamentação e corrupto

O País vive mais uma jornada do complexo trabalho orçamental, desta feita tendo como ruído de fundo o 35.º lugar no Índice da Percepção de Corrupção publicado pela organização Transparência Internacional para um conjunto de 178 países.

Os trabalhos orçamentais, com participação exclusiva dos partidos do ‘centrão’, diz-se, estão a ser acelerados, com o objectivo da viabilização do OGE ficar assegurada antes de Cavaco Silva, esta tarde, anunciar a recandidatura. Isto revela a típica maneira de fazer política na actualidade. Há uns quantos super-cidadãos e, numa pura lógica de individualismo acentuadamente provinciano, o tempo do acordo orçamental tem de submeter-se ao “timing” do anúncio de recandidatura de Cavaco. Se não fosse ocasião de candidaturas para eleições presidenciais, qual seria o prazo limite? Indefinido, certamente. São os interesses deste tipo de estadistas que fazem mover o País e não o inverso. Infelizmente.

Como sublinhámos antes, ao som das trompetas orçamentais junta-se o ruído da queda para 35.º lugar no índice da Transparência Internacional. Classificámo-nos no 32.º lugar em 2009. Piorámos. Com legislação confusa e ineficaz e demora de processos judiciais, continuam a proliferar por aí os Varas, os Isaltinos e outros mais ou menos conhecidos, como o ex-deputado do PS acusado de 19 crimes de corrupção. Honra lhe seja feita, João Cravinho bem lutou por legislação dura e eficaz neste domínio. Porém, afastaram-no. Continuaremos, pois, a assistir à ascensão, súbita e altiva, de certos ‘Zés ninguéns’ que, chegados à política, a cargos de gestão pública de institutos, hospitais e empresas, são impulsionados pelo dinheiro vilipendiado ao erário público através de adjudicações, compras ou ajustes directos. Quando é que esta gente ajusta contas perante o País?