Ouvi Carlos Magno no Contraditório da Antena 1, anos a fio, bater nos jornalistas, sobre a falta de qualidade do trabalho deles e sobre a forma como pegavam nos temas, seguindo agendas partidárias, em vez de se orientarem por critérios jornalísticos.
Agora acha que um canal televisivo de propaganda estará dentro do espírito da lei. Ou seja, que mostrar “obra feita” cabe em “organização de serviços de natureza doutrinária, institucional ou científica”. Arons de Carvalho, outro socialista, concorda, e nem o deve espantar, face à gigantesca máquina de propaganda que foi o anterior governo.
Estou entusiasmado. Já imagino um programa doutrinário baseado na personagem do Squealer, o porco de Animal Farm que, às escondidas, emendava os mandamentos acordados, conforme lhe desse jeito. Para a componente institucional, nada como um frente-a-frente semanal intitulado “Ja, liebe Merkel”. E a parte científica poderá resumir-se a trazerem para o formato televisivo a actual prática de lançarem rumores na comunicação social para testarem a reacção a medidas que queiram implementar. Uma espécie de método científico, portanto. Teremos, sem dúvida, belos serões de conversas em família.
[Imagem: 1984]











Uma das características das máquinas é a sua intrínseca inércia, que as faz continuar a trabalhar durante algum tempo, mesmo depois de finda a energia que a alimenta. Dizem que o PS teve uma enorme máquina de campanha e eu acrescento que a respectiva ignição aconteceu logo em 2005 e que, sem dúvida, continua a funcionar.










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