A guerra do trono rosa

guerra do trono

A elegância de quem fez uma vida de jota a querer chegar a primeiro-ministro com estratégias de jota e a coragem de quem esperou até ao último minuto para pegar nas rédeas de um cavalo sem energia mas que chegará à meta.

Seguro acusa Costa de só avançar por a vitória do PS em 2015 ser uma certeza

Costa diz que o PS “não precisa de questões pessoais”

O país vai assistindo ao espectáculo demonstrativo de um segredo de polichinelo: primeiro, o partido. O governo agradece.

Os jotas são só os do PSD?

Não raro lemos e ouvimos, sobre um político, “é mais um jota!”. E isto é referido como comentário depreciativo do personagem em causa. Vejamos o CV deste: Licenciatura em Direito, dirigente associativo, militante de uma jota, deputado municipal (Lisboa, 1982 e 1993), deputado à Assembleia da República (1991 e 1995), vereador eleito ao município de Loures (1993), dirigente de um partido político (1987/1990 e desde 1994 até agora), Secretário de Estado (1995/1997), Ministro (1997/2002 e 2005/2007)), deputado e vice-presidente no Parlamento Europeu (2004/2005), Presidente de Câmara (2007/2014?). Trata-se de António Costa, candidato a dirigente máximo do PS, e consequentemente candidato a 1º. Ministro. 

Será o preferido de muita gente, até da Impresa/SIC, mas porque é que ninguém o apelida de “jota” como fazem a outros?

Governo apresenta demissão enquanto o PS está de cuecas

E esta gente, que é pouco inteligente mas esperta como um alho, já deu a conhecer a sua narrativa: esticar a corda com os juízes do Tribunal Constitucional, acusá-los de todos os falhanços da sua governação e, em última instância, apresentar a demissão por não ter condições para governar e pedir eleições antecipadas.
Com o PS em guerra interna e sem líder, este é o melhor momento. Ou muito me engano ou teremos novidades antes ainda do Verão.

Estratégia de sobrevivência política

Não se percebe bem, se é que existe, a estratégia de António José Seguro. Por um lado pede eleições antecipadas, várias vezes tem desafiado o primeiro ministro a demitir-se para ouvir os portugueses, na passada sexta-feira votou uma moção de censura na A.R. que se aprovada implicaria a queda do executivo. Por outro, desafiado, recusa ouvir os militantes do próprio partido, refugiando-se numa legitimidade estatutária, que embora exista, não é menos legítima que a do governo continuar em funções até às próximas legislativas. Como referi aqui, a vitória escassa do PS não fazia prever a tempestade que se levantou, mas o líder da oposição revelou-se completamente incapaz de gerir a crise interna, num primeiro momento entrincheirando-se no aparelho do partido, depois disparando em todas as direcções. Por princípio sou favorável à proposta para redução para 180 deputados e introdução de círculos uninominais. Mas como isso se aplica? Será para eleger à primeira volta ou será necessária uma segunda? Serão permitidas candidaturas independentes nos círculos uninominais? [Read more…]

Era fatal

Não adianta fazer platónicos votos para que o PS trate em paz dos seus problemas, deste modo fazendo contrato: nós deixamos o PS em paz e o PS deixa-nos em paz a nós. Nada a fazer.

Tal como aqui se prognosticava desde a fala de António Costa na Quadratura, o programa ia ser fazer a cantada à esquerda para casar com a direita. E digo cantada porque toda esta retórica é e será oca de ideias e propostas concretas de entendimento e recheada dos truques habituais, com uma nota só, como o samba: convencer o pagode de que não há alianças à esquerda porque a esquerda “radical” não quer comprometer-se. Soares, ontem, até lembrava os “bons tempos” – que lata! – de Álvaro Cunhal em que foi possível a unidade (referia-se às presidenciais, em que ele, Soares, enfrentava na 2ª volta um recente – posteriormente reciclado – delfim do regime deposto). [Read more…]

From Lisbon with tactics

CULTURA - Antonio Costa presidente da Camara Municipal de Lisboa na a

Apesar do desastre, este PSD diverte-me. Sempre feroz quando o PS puxa da cartada da antecipação das eleições, reforçando que este governo exerce funções no âmbito da legitimidade que lhe foi concedida pelas urnas, e que é inegável, o PSD-Lisboa reagiu imediatamente à intenção de António Costa em disputar a liderança do PS pedindo eleições antecipadas na Câmara Municipal de Lisboa. Ainda não há data para o congresso e as laranjas lisboetas já estão a contar espingardas. Já agora, onde estava mesmo Pedro Santana Lopes antes de ser nomeado (não confundir com “eleito“) para Primeiro-Ministro? Ganda nóia, estava presidência da CML. Claro que tal constatação não passa de um detalhe curioso e pouco relevante.

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Olha António,

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vim aqui várias vezes dizer que eras the man. Bem sei que não era ainda o teu tempo, bem sei (era eu a ver a vida do povo toda esfrangalhada e tu a fingir que não era nada contigo). Hoje ouvi-te a falar da responsabilidade que finalmente decidiste aceitar, no timing das coisas da política, nesse tempo que não é de modo nenhum o do povo, mas pronto, tu e vocês é que sabem, antes agora que nunca. Continuo a pensar que és the man e congratulo-me (como muitos mais) com o teu anúncio: cá te esperávamos, um bocado desanimados e já a preparar-nos para beber Camilo Alves, mas sempre acreditando que podia acontecer. Somos óptimos a esperar, apesar das muitas baixas.

Mas olha António, não penses que esquecemos o que foi o PS ao longo destes 40 anos. Não esquecemos, e por isso a responsabilidade a que agora te abalanças não é apenas a de formar «um governo forte» (palavras tuas), um governo que defenda os interesses do País (que deverão sempre ser, ao menos em grande parte, os do povo desse país, não achas António?), no país como na Europa, defendendo ao mesmo tempo uma ideia de uma outra Europa, que esta comprovadamente não serve António, e tu sabe-lo bem.

Que possas efectivamente ser the man, é o que nos desejo: alguém que pensa pela própria cabeça, capaz de dignificar a política, recuperando-a para a Democracia.

Coisas que se encontram no facebook…

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Qual é a pressa?

É nos jogos palacianos que claramente se demonstra que primeiro está o partido, ilustrando igualmente como é que  alguém chega a primeiro-ministro. Democracia? Está bem, está.

O dia em que Seguro passou ao lado…

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Os resultados de domingo já o anteviam. O anúncio de hoje de António Costa serve como certeza. Aconteça o que acontecer no PS, António José Seguro já não será o próximo Primeiro-ministro de Portugal.

Mesmo que o aparelho segure o Seguro, aos olhos do eleitorado este deixou de ser confiável. Se nem segura o próprio partido, como raio consegue Seguro segurar o país em mares tão revoltos como estes?

 

(foto do Público)

 

O PS dá à costa

Ponte 25 Abril - bóia de salvação

Depois do naufrágio, o fundador do PS deve ter puxado orelhas mais em privado que em público, e António Costa vai empurrar António José Seguro borda fora, ou é suposto.

Não tenho expectativas de que isso vá mudar grande coisa no PS, excepto o óbvio: António Costa pode vencer eleições, Seguro no máximo seria ministro de Passos Coelho.

Há diferenças? há, principalmente porque no Domingo, muito embora ande toda a comunicação social a fingir que não viu, pela primeira vez  (ou quase, esqueçamos o PRD) o dito arco da governação soltou-se nos 60%. Não foi a hecatombe do estado espanhol, mas o tripartidarismo agoniza, há que enterrá-lo.

Um PSeguro sem maioria (admitindo que ficasse em primeiro) estacionaria o Clio do Assis na direita. Um Costa, não sei. Sei que no estado a que chegámos a urgência é afogar um governo criminoso. E que para isso há que reforçar a esquerda, e que estas eleições também demonstraram que assim não vamos lá, mas já faltou mais (é somar os votos dos partidos à esquerda). Infelizmente também sei que as capelinhas se colocam acima do interesse geral. É pena. Essa sim, era a bóia de salvação.

Imagem encontrada num sonho.

Foi há 20 anos, recordam-se?…

Nas eleições legislativas de 1991, o PSD obteve mais de 50% dos votos, contra 29% do PS, que lhe permitiram governar confortavelmente até 1995. Nas europeias de 1994, sentia-se no ar o fim do cavaquismo, o PS liderado por António Guterres que sucedera a Vítor Constâncio, capitalizava a esperança dos descontentes, não faltando então quem lhe exigisse uma vitória clara, capaz de catapultar o partido para a vitória nas legislativas em 1995. O PS elegeu então 10 deputados, conquistando 34,87% dos votos, contra os 9 deputados eleitos pelo PSD com 34,39%. Convém relembrar que na altura Portugal elegia 25 eurodeputados, os restantes 6 ficaram equitativamente distribuídos entre CDS/PP e PCP/PEV, o primeiro acima dos 12%, o PCP acima dos 11%.Vitória de Pirro, o PSD seria capaz de dar a volta à situação recorrendo a políticas mais ou menos eleitoralistas, etc… À época também se exigiu a demissão de Guterres, com ele o PS não ía lá. Acabou a vencer de forma clara em 1995 e quase conseguia uma maioria em 1999. Depois veio o pântano numa noite de hecatombe autárquica, mas isso é outra história e todos os ciclos políticos têm o seu final. Ao contrário de alguns autores aqui do blogue, eu não apressaria já o enterro político de António José Seguro.

Esta Europa não.

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Ele gostava de votar, de votar com convicção num partido, movimento, pessoas que verdadeiramente representassem o interesse da parte maior do povo, em que orgulhosamente se inclui. Sou povo, diz com a verdade de quem é. O discurso da esquerda, que bem conhece de a ter militado (e depois abandonado, por não mais ser possível pertencer-lhe assim), não lhe chega. Atento, há muito que esse voto perdeu sentido. Votar em quem?, pergunta-me todo perdido e chateado de vida, indisponível para a comunhão de fé com essa esquerda titubeante, de pensamento omisso sobre a Europa, e sobre o lugar de Portugal nessa economia de competição inter-pares. Um jogo que gera a desigualdade anacrónica que também em Portugal está a liquidar a recente classe média patrimonial em que também ele, que é povo, até ver se inclui.

Ele até nem se importava de votar na esquerda dos governos, que já o enerva a vocação opositora de quem espera a sublevação histórica dos deserdados do capitalismo para tomar o poder. Bem conhece o cartório de culpas comprometidas com o cavaquismo dessa esquerda. Mas lá está: com Seguro a puxar a carroça é que nem pensar, e Costa tarda, tarda, zanga-se com quem insiste para que de uma vez por todas se chegue à frente, diz que por ora Lisboa lhe basta, que ainda tem lá muito que fazer.

Ele gostava de votar, mas diz-me que esta Europa merece o castigo da abstenção dos povos. Por uma vez, a abstenção tem um outro significado. Um sentido político que aponta o dedo à Alemanha do euro-oportunismo comercial e financeiro e dos egoismos da «emigração interior» dos alemães. Um sentido político, ouviste Angela?

Descubra as diferenças

O mesmo discurso repleto de promessas que ficam por cumprir. Se acrescentarmos mais alguns que os antecederam, diria que Portugal ainda não foi governado este século, andou sempre à deriva. Já os políticos e sua clientela não podem dizer o mesmo, pois têm-se governado e muito bem…

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Os abutres e o cheiro a merda

Abutre

À medida que o regresso ao pote público se vai afigurando como uma realidade no horizonte dos pseudo-socialistas do PS, a tendência para o reaparecimento de velhos abutres torna-se uma constante. Há três dias atrás apareceu por ai Jorge Coelho, antigo homem forte da construtora preferida dos socialistas da direita nacional, a bater continência ao líder. Se os portugueses continuarem na senda do masoquismo e do abstencionismo irresponsável e António José Seguro chegar ao governo em 2015, algo que só não será verdade caso alguma manobra interna o substituía por António Costa, Antonio Mota tem motivos para esfregar as mãos. Nem que tenha que contratar outro (ex) ministro socialista.

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Diálogo democrático [dramolete para um actor]

Não, de modo nenhum, nós não somos contra as manifestações. Numa sociedade democrática, as manifestações são uma coisa natural, e saudável. A liberdade de expressão, o direito à indignação, e até o direito à resistência, formulação que agora está muito na moda, são conquistas inalienáveis num Estado democrático como é o nosso. Mas há uma distinção a fazer entre isso e uma outra concepção que também decorre da Democracia, e que é o Estado de Direito. Ora, num Estado de Direito há regras que devem ser respeitadas. A Constituição? Ela não está a ajudar-nos, eis tudo. Como diz? Não respeitamos a Lei Fundamental do Estado de Direito? Vamos lá ver: [Read more…]

OPS!…

silva lopes
O PS convidou Silva Lopes para se dirigir, em sumarento discurso, aos participantes no seu encontro. Ainda por cima, esqueceram-se de silenciar – piedosa e prudentemente – as câmaras que por lá estavam.

E assim, pudemos ver e ouvir, no seu estilo de velho ranzinza sem qualquer preocupação de contenção verbal, o cáustico Silva Lopes a desancar o partido convidante, chegando ao ponto de classificar como “estúpidas” algumas das medidas e posições assumidas pelo PS.

Não digo que concorde com o que disse o orador – longe disso -, mas lá que foi divertido, isso foi.

Uma prenda

Francisco Assis

Francisco Assis está para a esquerda como Paulo Fonseca para os adversários do FC Porto: é um abono de família, ambos o querem como rival.

Na ânsia de ir buscar votos ao mítico centro, Seguro apresentou a pedido e no tempo da concorrência, o melhor adversário que João Ferreira e Marisa Matias podiam ter: defensor de blocos centrais, hábil em despistar-se com Clios,  um discípulo de Blair e outros cangalheiros da social-democracia europeia na economia.

Paulo Fonseca conseguiu ressuscitar um clássico do Rui Veloso:

Este espírito natalício em vésperas de entrudo, esta generosidade ímpar que segue a par, vai acabar mal, para o PS e para o FC Porto. Ora se o segundo caso me preocupa, o primeiro terá o que merece.

Paulo Portas:

irrevogavelmente cheio de moral.

Pós troika, vida velha…

«Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!»

-Em vésperas da saída da troika, Portugal prepara o regresso aos velhos e maus hábitos, sinal que nada mudou, apenas as circunstâncias obrigaram os poíticos a tomar medidas. O PSD, pensando já em eleições, admite voltar a abrir a torneira a Alberto João. Por sua vez o PS não deixa margem para dúvidas, entre reduzir despesa ou aumentar impostos opta pela última. Não surpreendem.

O dia de traidores

Giovanni Canavesio_ A Morte de Judas

Se por um lado da parte do PS se pode falar mais de tradição, descer o IRC que todos pagaremos é uma mera evolução na continuidade, do outro a coisa não é muito diferente: nalgumas salas de professores perguntava-se:
– é colega ou contratado?
e esses, hoje, policiaram os meus colegas, confere, a aristocracia do cargo continua a não perceber que Roma, mais tarde ou mais cedo, se esquece de pagar aos traidores.

Imagem: Canavesio, A Morte de Judas

Confesso: sou (também) um mau socialista

O texto é do Manuel Alegre e está no Público de hoje. Penso que vale a sua partilha integral:

O bom socialista é aquele que em diferentes circunstâncias diz as coisas sensatas que a direita gosta de ouvir: que é preciso rever a Constituição, fazer um pacto de regime, negociar um consenso com o Governo sobre as medidas de austeridade.

O bom socialista defende que “ o arco da governabilidade” se restringe à direita e ao PS.

O bom socialista revela abertura para um eventual governo de coligação com os partidos da direita, ou só com o CDS, ou uma reedição do “bloco central”.

O bom socialista é sensível, atento e moderno quanto à necessidade de imprescindíveis cortes e mudanças na Saúde, na Educação e na Segurança Social, tendo em vista diminuir o peso do Estado e dar lugar aos privados com apoio público.

O bom socialista aceita as “reformas” que tendem a transformar em assistencialismo a garantia de direitos sociais pelo Estado.

O bom socialista colabora em medidas que desvalorizam o trabalho em nome de um pretenso aumento da competitividade.

O bom socialista dá prioridade à estabilidade financeira em prejuízo do desenvolvimento económico e da coesão social.

O bom socialista aceita o aumento das desigualdades como consequência inevitável da globalização e considera que não há alternativa.

O bom socialista pensa que a divisão entre esquerda e direita não passa de um arcaísmo. [Read more…]

A ouvir a Aula Magna, um dúvida:

o que une o PS, o BE, o PC e o resto do povo de esquerda não é MUITO mais do que aquilo que nos separa?

Coimbra, património criminal da impunidade

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Em 24 horas duas reportagens televisivas atiraram à nossa cara como em Coimbra se lecciona uma aula de criminalidade impune, consciente desleixo de quem a podia punir, pura corrupção. A despeito de as ovelhas e carneiros que somos não terem cara, mas mero embora ternurento focinho.  [Read more…]

O PS Braga, uma história

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Sou, penso que me reconhecem isso, insuspeito de ser socialista. Logo a abrir fica a nota para dissipar qualquer dúvida.

Em 2010/11 conheci um jovem de Braga, de seu nome Hugo Pires, arquitecto e vereador na Câmara Municipal de Braga eleito pelo PS. Ao longo de meses a lidar, profissionalmente, com o Hugo Pires fiquei a conhecer o Autarca, o Profissional e o Homem. Como autarca a sua visão do que deveria ser o futuro de Braga fascinou-me. Como profissional verifiquei a sua capacidade de trabalho e, sobretudo, a sua inteligência. Como Homem não esqueço a sua simpatia, humildade e capacidade de gerar consensos. [Read more…]

Sócrates está de volta

A minha entrada na blogosfera foi feita por um blogue pessoal que nos anos quentes da luta dos professores contra a Ministra Maria de Lurdes teve um papel instrumental muito forte. Em setembro de 2008 resolvi acabar com o Diário de um Professor escrevendo:

The END
Boas,
car@s amig@s, car@s colegas,

o Diário de um Professor chegou ao fim!
São vários os motivos que me levam a deixar este espaço que ocupei durante três anos:
– um país de faz de conta em que a pior Ministra da Educação da nossa Democracia é vista como um
génio;
– um Primeiro que o foi antes de ser engenheiro…
– uma Democracia de faz de conta, onde a cidadania é vista como uma brincadeira
– uma pro fissão que o deixou de ser…
E claro, o desgaste, o tempo que um espaço como este também exige.

Quando decidi escrever isto tinha um percurso feito de oposição quase permanente a José Sócrates e às suas políticas para as carreiras dos funcionários públicos e em especial os professores. Os ataques feitos à profissão docente foram tão intensos que nem me atrevo a trazer para cima da mesa as decisões acertadas que foram tomadas em relação à Escola Pública. [Read more…]

Não Ficar Para Trás, Dever Nacional

Pois, João Paulo, a nossa fome não é, de facto, um dever constitucional, mas por exemplo o fim das subvenções de ex-políticos, actuais políticos, como Cavaco, Assunção Esteves e Catroga, e futuros políticos, a esta luz, torna-se um dever imediato da legislatura e outros movimentos similares autorreformistas do Sistema tornam-se imperativos precisamente perante a penúria, a fome e a nudez de muitos portugueses apanhados no tsunami deste ajustamento. Não deverias partir do pressuposto de que acato acriticamente a papa regurgitada pelo Governo Passos Coelho II ou papo com cara de tolo todas as desculpas para o agravamento da factura social para suster a factura do défice: também eu fui posto a pão e água pela Troyka e por Passos e se me rebelo, rebelo-me, sim, cumulativamente contra o passado culpado e contra a covardia e incompetência que são as do Governo, mas também em larguíssima medida da Oposição liderada pelo Partido Chupcialista.

Não deverias cavar a trincheira das nossas distintas razões por finalidades comuns colocando-me no lado sádico da questão e ficando tu com o lado monopolista do bom senso e da sensibilidade e do sentido social. A Esquerda farta-se de estigmatizar outros redutos desapossando-os de humanidade e de boas intenções, pelo menos tão boas quanto as dela: concordarás comigo que se o Aparelho de Estado foi colonizado pelos partidos com camadas e camadas de clientes, há-de ser uma magna tarefa desparasitá-lo e é por isso que Soares reincide em apelar ao motim, à balbúrdia, à queda fragorosa de todos os esforços por mudar o paradigma parasitário segregado no pós-Abril. [Read more…]

A fome não é um dever constitucional

Caro camarada aventador,pinheiro

não há nada de pessoal nas minhas análises. Obviamente, quando sugiro um Pinus no reto de alguns governantes, não é porque tenha algo contra os pinheiros. Antes pelo contrário. Do mesmo modo, os erros de Mário Soares não justificam, nos argumentos que ele usa, a assertividade ou a ausência dela. Umas vezes argumenta de forma lógica, outras nem por isso. O mesmo acontece com qualquer dos escribas deste corner, que são pouco recomendáveis apenas do ponto de vista do mercado blogueiro – são um produto a evitar.

Mas, não tenhas qualquer dúvida, nós, os que estamos do lado oposto ao de Relvas e Coelho, fazemos mais pelo futuro de Portugal no Euro e na Europa do que aqueles que, como tu, aceitam sem questionar as práticas imorais deste governo. Eu, como Adriano Moreira, sinto que estamos à esquerda dessa gente porque temos – usurpação de argumento, reconheço – a convicção de que a fome não é um dever constitucional.

E, dizer que este não é o caminho é defender o futuro de Portugal e dos Portugueses. O que eu escrevo – renegociação da dívida – é uma certeza. Vai acontecer. Só não sei quando, mas vai acontecer por uma razão simples: Portugal não a vai conseguir pagar.

Se calhar fazemos os dois falta ao Governo: tu segues a linha passista e passadista – a culpa é do dia de ontem. Eu faço o favor de não me preocupar com o ontem, com a raiz do problema, e procuro apontar uma saída para o labirinto onde Passos se meteu.

E agora, vamos lá meter os pés ao caminho para ir atravessar a ponte. Por um futuro, para ti e para mim!

Este orçamento não liberta!

João Galamba diz na cara daqueles tipos o que eu lhes diria:

Rui Moreira, Tango e Governabilidade

Os partidos, os partidos, e os partidos. As lições aos partidos. A moralização dos partidos. É espantoso que o dr. Rui Moreira, nesta entrevista, revele demasiada permeabilidade a uma aliança com o Partido Socialista, vendo nela uma solução natural para a câmara do Porto, o que na verdade equivale a tresdizer [tresleitura dos eleitores!] o que se disse dos partidos e das dinâmicas partidárias no poder local ao longo de toda a campanha.

Para que serviu o terror caça-hereges do dr. Lobo Xavier, o pudor eremita do dr. Pacheco Pereira e os pruridos preferencialistas do dr. Costa, tudo e todos contra a putativa perigosíssima eleição do dr. Menezes, se a eleição do dr. Rui Moreira, ao que parece, já redunda nisto, nesta forma de capitulação?! Dentre todo o tipo de alianças possíveis arquitectáveis para a governabilidade do Porto, alugar agora a barriga aflita de independente inexperiente ao PS de Pizarro para que o PS cresça, lidere, federe, no Porto, não lembrava ao careca. Na prática, quem dança o Tango com o PS, leva um pontapé no cu, não tarda, secundarizando-se naturalmente.

Depois de ter ganho a autarquia sem maioria absoluta, o independente Rui Moreira, apoiado por um certo CDS e um certo PSD enrustido, entrega afinal a sua independência, o seu projecto, as suas ideias, à caução determinante de um partido, o PS?! Se um tango não se dança sozinho, ao dr. Moreira já não importa a governabilidade proporcionada por quem votou nele, por quem confiou nele e por quem o pode apoiar nas causas e batalhas da cidade?! Será preciso chamar o António, que por acaso se chama Manuel Francisco Pizarro de Sampaio e Castro?!

Não percebo como é que os eleitores do PSD-Porto interpretarão esta rendição. Nem percebo o que os eleitores do CDS-Porto ganham com isto. Do que tenho a certeza é que o tal ethos do Porto que aparentemente rechaçou Menezes, os seus porcos assados, as suas bailarinas pimba e os seus interesses nebulosos, também não suporta fraqueza ou demasiado azar na rifa. Como será, dr. Moreira?! Se não é político, vai ter de se tornar num, quer queira quer não queira.