Consta que esta será a primeira manifestação onde a polícia terá como missão extra verificar se o pessoal é portador de isqueiros ou fósforos (em breve ambos serão alvo de imposto, recuperando uma saudável tradição portuguesa, agora por motivos menos proteccionistas da indústria nacional).
Tumultos docentes
As crianças crescem

(texto em quatro andamentos, escrito velozmente ao som de Tchaikowsky)
Para o meu primo consanguíneo Pablo Morales Redondo, falecido anteontem
Pequena introdução
Éramos 21 primos consanguíneos, filhos de cinco imãs e de um único irmão. As nossas férias ou eram na nossa quinta de Laguna Verde, sempre juntos, ou nas várias fazendas da família. Sempre juntos, agrupados apenas por grupos de idades. Pablo era o rei dos primos, o mais velho, o mais elegante, o mais sábio. Sabia partilhar a sua sã alegria com os seus pais e as suas irmãs. Ironias do destino: nasceu num primeiro de [Read more…]
Um Amigo Para Passos Coelho
Crianças, os senhores do mundo esmagam os fracos?


…meditação de docente perante discente…no começo do ano escolar… a uma pequena que nunca foi a escola antes deste dia
É com uma certa tristeza que vos digo isto. É com stress e melancolia. É a lamentar não poder ser poderoso perante vós. É a pensar que é bem possível que eu seja um senhor do mundo em frente dos pequeninos. É a reparar que, por vezes, a vida nos [Read more…]
Bastonário – Não vale mexer no meu lobbie
O senhor Bastonárioda Ordem dos senhores doutores médicos ao ver que o senhor ministro queria tocar nas intocáveis despesas do SNS, veio muito depressa a terreiro defender mais um imposto, este numa área que lhe é muito grata.
Assim, defende o senhor Bastonário da Ordem do senhores doutores médicos, que com mais este impostozito, já não seria preciso fazer cortes nos serviços, já que quem come comida de plástico iria pagar o que os senhores doutores médicos não entendem dever poupar.
E até parece que há por aí paises que já implementaram sem sucesso uma medida semelhante e outro que a vai concretizar agora.
Um imposto com vantagens colaterais
A ideia do Bastonário da Ordem dos Médicos de aumentar o IVA da comidinha rápida e gordurosa apenas pecou por ter sido apresentada ao ministro errado. Paulo Macedo tem mais que fazer, rebentar com o SNS parecendo que não dá muito trabalho.
Tivesse apresentado a proposta a Pedro Mota Soares e aposto que este teria logo feito contas à vida: ora crianças magrinhas, cabe mais uma em cada sala dos infantários, velhotes sem obesidades, podemos empilhar mais uns três em cada lar, hambúrgueres mais caros vendem-se menos, passam de prazo, dão-se aos pobrezinhos … só vantagens, é claro.
Avenida à Rasca 193, Setembro na Fábrica de Braço de Prata
Depois do êxito que foram as apresentações no Palácio de Laguares, a Teatros Precários & Co. volta a apresentar “Avenida à Rasca 193 – O Condomínio Mistérico” de Luigi Abbondanza e A. Pedro Correia às 5ªs, 6ªs e Sábados durante o mês de Setembro, sempre às 23.30h. A não perder estas apresentações, provavelmente as últimas em Lisboa.
Sobreviver ao acordo ortográfico nas escolas
As primeiras vítimas do acordo ortográfico iniciaram a penitência por estes dias. Tinha de sobrar para os professores, o Paulo Guinote foi dos primeiros a sofrer o choque das letras desaparecidas.
O assunto já fez correr muita tecla no Aventar (ler a categoria acordo ortográfico) e a seu tempo deixei o meu nim: se a língua portuguesa deve ser unificada tanto quanto possível, que o seja a sério, e adivinho no horizonte uma reforma ortográfica. Além disso o vocabulário nacional foi feito por quem fala a norma dos gabinetes, cortando consoantes mudas que não o são, tipos em delírio pensando que a malta diz fato por facto, quando é um facto que quem nos ensina a falar também são as letras e não as etimologias que só vivem na cabeça da erudição mais bacoca. Pessoal ao nível do génio que colocou este ano os professores obrigados à imposição de uma norma quando a maior parte dos manuais ainda está na outra.

Ora isto tudo é muito giro, mas na vida real a dialéctica gajo da esquerda revolucionária mas muito conservador numa data de coisas ameaça-me com psico-avarias potencialmente graves. Salvação? viva a tecnologia: existe uma ferramenta, gratuita, para os três sistemas operativos, onde se mete um ficheiro na norma antiga e sai um novo na norma em que agora sou obrigado a escrever profissionalmente. Tenho testado, funciona e recomenda-se. Descarrega-a, e evite escrever nas duas ortografias, o que convida ao erro e à dupla personalidade, para isso já temos dialécticas que nos cheguem na vida (por acaso o c da dialéctica é dos tais que não estão lá a fazer nada, mas o hábito também faz a escrita, e a idade não perdoa).
Corrigido por indicação de quem sabe. Ia jurar que já li fato por facto, algures num jornal qualquer, mas pelos vistos sobrou um bocadinho de bom senso.
A bolsa e a vida*
Os bancos portugueses estão aflitos com a chegada da troika aos seus balanços. Afinal, o dinheiro que lhes falta para financiar a economia está nas mãos de alguns, poucos, grandes clientes que o pediram para comprar acções que agora não valem nem metade do que custaram.
Isabel Tavares in Sou tão rico, não era? Dívida supera mil milhões
Também já vi este filme, conhecido entre uns por Investir no Mercado Bolsista Através do Crédito e por outros chamado Jogas na Bolsa e Quem Se Lixa Sou Eu.
A simples ideia de um banqueiro emprestar para comprar um papel, agora nem o papel existe, arrepia-me desde que li umas coisas sobre 1929. Quem vai agora emprestadar aos bancos também sou eu, no meu vencimento anual e nos gastos de todos os dias.
Que culpa temos de as acções terem descido, se quando subiram nada ganhámos com isso?
* o título é gamado mas googlando percebe-se que aplicado o provérbio se conseguem milhões de anos de perdão, pelo menos tantos quanto a dívida privada nacional.
Coisas de que ninguém fala…
O actual governo quer acabar com o estado paralelo. Disso ninguém fala. Aqui vai o resumo do documento público em causa:
Em consonância com o PAEF, o Governo reconheceu, no seu programa, a urgência da redução do “Estado Paralelo”, normalmente identificado por institutos, fundações, entidades públicas empresariais e empresas públicas ou mistas ao nível da administração central, regional e local, definindo que nos primeiros 90 dias de governo, com base num levantamento da dimensão deste “Estado Paralelo” serão definidas as opções de extinção, de reorganização, de privatização ou de reintegração na administração direta das entidades que o constituem, sempre visando uma melhoria dos processos e simplificação das estruturas organizativas consideradas dispensáveis, de dimensão excessiva ou cujas tarefas e funções se encontram sobrepostas na estrutura do Estado, e introduzir alterações legislativas necessárias para melhorar a sua monitorização e operação.
Esta ação deverá estar concluída até final de Dezembro de 2011 e com base nos seus resultados a administração (central, regional ou local) responsável pela entidade ou pelo seu financiamento tomará as decisões consequentes com a avaliação, até final do segundo semestre de 2012, em conformidade com a lei, tendo em vista a racionalização do número de entidades. Até Julho de 2012, e com o resultado do levantamento, serão adotados novos regimes jurídicos para os diferentes tipos de entidades, definindo as regras aplicáveis à sua criação, funcionamento, monitorização, reporte, avaliação do desempenho e extinção, aumentando o controlo sobre essas entidades.
Desenvolvimento e paz
Dizia Churchil que a democracia é o menos mau dos sistemas políticos. É verdade. Tem defeitos e falhas, como tudo o que é humano, mas tem vantagens incontestáveis sobre as ditaduras. Também se diz que a democracia é um sistema político caro porque as suas decisões obrigam a debates e consensos, não são tão rápidas como as imposições das ditaduras. É igualmente verdade. Mas a crítica, unilateral, vem dos que não querem ter o trabalho de pensar pela sua cabeça, de participar activamente na coisa pública. Exige civismo 365 dias por ano, 24 horas por dia. É uma vocação de bem comum, de solidariedade, de construção cultural assente em liberdade e respeito pelo próximo.
Todo o ser humano tem direito à educação, à saúde, à habitação, ao trabalho, à livre expressão dos seus pensamentos, à associação na defesa dos seus legítimos interesses – seja qual for a sua raça, religião, sexo, orientaçao sexual, opção política e país de origem. Não é preciso ser crente ou pertencer a uma religião para se saber que é assim. Basta ser decente. [Read more…]
Ciberguerrilha em Portugal: era deste incêndio que falava Passos Coelho?
Um ciberataque a várias páginas institucionais começou esta manhã. Vítimas: psd.pt | ps.pt | cds.pt | sis.pt | idn.gov.pt | bolsa.sic.pt | http://www.parlamento.pt | ceger.gov.pt
Aparentemente trata-se de um ataque de negação de serviço.
O ataque partiu do grupo LulzSecPortugal, que deixou o seu manifesto também em formato vídeo:
a nossa equipa internauta, é um esforço além fronteiras e a consequência de todos os movimentos em uníssono. vamos provocar comichão aos governos on-line, e mostrar-lhes o que é um choque tecnológico quando nos privam dos nossos direitos.. da nossa privacidade e até mesmo da nossa humanidade. é por isso que temos como alvo as primeiras instituições corruptas a conhecer as nossas frotas e vão estar sobre ataque nos próximos dias. pelas ilegalidades que cometem ao nosso povo, e pela destruição gradual da Constituição Da República portuguesa. mas a revolução nas ruas, depende de ti, e dos teus. a revolução não passa na televisão.
Verdade se diga que descobri a notícia pela página online da TVI. O resto da comunicação social ainda não acordou.
Quem nos protege dos nossos protectores?
O João Miranda enumera várias das razões porque as secretas devem muito simplesmente acabar. E nem sequer pede a sua privatização. É certo que tanto o Ricardo Alves como o João Lisboa têm feito a mesma demonstração exaustiva. Mas faltava a cereja para compor o bolo.
Forte Apache
Alguns desalbergados do espanhol, e não só, entrincheiraram-se no Forte Apache. Acho muito bem: se há governo, que haja quem o defenda. A presença do nosso Fernando Moreira de Sá dá-me para já a garantia de que pelo menos no futebol temos coisas a comemorar juntos. Nada como uma faísca para incendiar a pradaria.
Forte Apache, o novo Blog (e falam no Aventar…):
Esta segunda-feira, a partir das 13h, arranca o novo blog “Forte Apache”.
Arredas Folk Fest
Sim, nas margens de um dos rios mais intocados de Portugal – o Neiva – , e a marcar a fronteira entre Barcelos e Viana do Castelo existe uma terra chamada Tregosa; a dois quilómetros fica a estação de comboios de Barroselas e lá desembarcaram uns quantos forasteiros a caminho da 3ª edição do Arredas Folk Fest. Foi este fim de semana, foi grátis, foi óptimo. Foi qualquer coisa…
O abismo
Depois de ver na televisão e ler o artigo acerca da presença de Mário Soares na universidade de Verão do PSD, tirei algumas conclusões bem preocupantes e espero que Portugal não tombe da ponta do penhasco para o abismo.
Já disse que estamos na ponta do penhasco para cairmos de cabeça para o abismo e este sentimento leva-me a pensar que uma nova revolução não vai tardar e desta vez não vai ser com cravos e com os oculta-chamas das espingardas. Desta vez vai ser a doer. Acoitem-se, vem aí o inferno ao vivo.
Os governantes têm que assumir as suas responsabilidades nos erros que cometem. Ninguém os obriga a assumir as funções que desempenham, Não podem continuar a criar situações financeiras irresponsáveis e depois virem a obrigar pela força da Lei a pagarem as suas faltas sem termos culpa nenhuma. [Read more…]
O medo
Servem as crises para o exercício do jogo do medo pisando todos os limites. Com um milhão de desempregados pode a legislação laboral regressar 50 anos atrás que ninguém se espanta, e pode mesmo afirmar-se que o objectivo de facilitar os despedimentos é criar emprego que ninguém se ri.
Mas em contrapartida eles também têm medo. Os pirómanos da economia afligem-se com as potenciais chamas nas ruas que construíram. O discurso de Passos Coelho de hoje mistura uma narrativa desse medo com um hilariante anúncio do fim da crise, que até a Drª. Leite já explicou não ter ponta por onde se lhe pegue.
Nas crises ganha quem tiver menos medo, nos momentos decisivos. Ainda é cedo para contar gasolina e agulhetas, e nem dependemos das nossas ruas, mas das avenidas europeias. É um jogo perigoso, sobretudo quando levado ao extremo, como é o caso. Verdade se diga que vaticinei a este governo uma curta duração, e também armado em tarólogo achei que acabava na rua. Dois meses depois não me parece que seja bem assim: pode acabar mais prosaicamente por via das divisões internas da própria coligação, porque começam a ter medo das ruas: ainda ninguém saiu de casa e já se chamam os bombeiros. Em Outubro conversamos.
Louçã e os refrões mediáticos
Precisamos é de um país que fala por si, que mostra a democracia nas ruas.
Francisco Louçã, citado pelo Público
Esta frase é um programa político. Mas os dez milhões de pessoas deste país não falam por si. Há, isso sim, grupos com maior influência e que têm a arrogância de pretender falar por todos. E nas ruas não há democracia. Há pressão política, há violência, há material mediático. Mas confundir isso com democracia é mais do que um erro, é calculismo para ganhar o poder que os em vão evocados “trabalhadores” não deram a políticos como Louçã.





















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