Porto Canal: A Lei da Rolha?

No momento em que escrevo estas linhas, 21h59, está uma multidão nunca vista de sócios do FC Porto a pretender participar na Assembleia Geral do clube. Um momento de afirmação do sentimento Portista, do ser Portista. O meu clube é detentor de um canal de televisão, o Porto Canal. Uma casa onde tenho amigos, por onde passei e  que sempre tive muito orgulho, antes mesmo do canal pertencer ao clube.

Por isso é com vergonha que escrevo estas palavras. A esta hora, neste momento importante da vida do clube, o Porto Canal está em silêncio. Estavam a dar notícias, as mesmas de qualquer outro canal de notícias, como se fossem um outro qualquer canal. Não são! São o Porto Canal e se o canal do clube não considera importante este momento, quem o vai achar? A Benfica TV? A Sporting TV? E no site do canal, nem uma palavra (conforme foto). Nada.

Fica a pergunta a quem de direito: Porquê? Está instaurada a lei da rolha?

FC Porto: Limpar a(s) causa(s) do fedor

O jornalista Miguel Carvalho escreveu, na sua página de Facebook, o texto que a seguir transcrevo. Porque partilho com ele quase a 100% o conteúdo e porque esta não é hora para silêncios!

PAIXÃO E LIBERDADE
A paixão por um clube nada deve a quem o dirige. É paixão simplesmente. Quando é paixão, a grandeza e a pequenez não contam. Haverá sempre quem escolha os vencedores, os poderosos e o lado para onde sopra o vento. Eu não escolhi ser portista numa adorável família de muitos benfiquistas (de onde saiu um outro tio adorável, portista de camarote e alma grande). Aconteceu. Foi um arrebatamento. Uma mistura de afetos e circunstâncias.


O meu clube não é o do Pinto, do Sérgio, do André ou do Zé das Iscas. Quando o amo ou com ele me irrito para lá das fronteiras da racionalidade faço-o em nome de muitas memórias e cumplicidades, não a partir de uma trincheira ou da cegueira. Amar é transbordar, é uma torrente. E eu não me espremo para caber nas molduras.
Não sou Norte contra Sul, não sou Porto contra Lisboa, por muito que ache que o centralismo mora em todas as casas, afeta cérebros instalados e, sobretudo, o pensamento de alguns reciclados de província (Eça e Camilo explicam).


Pois bem: o meu Porto perdeu com o último. Nada de novo.
Mas acontece num dos tempos mais traumáticos do clube, quando o seu símbolo e as suas cores estão ligados – mais uma vez – a uma desgovernada e desavergonhada gestão financeira e às criminosas e insanas práticas de gangsters de bancada contra o antigo treinador André Villas-Boas (não se iludam: há-os por todo lado e de todas as cores).
Acresce que este é ainda um período em que, pelos vistos, a liberdade tem um preço alto para quem ousa dizer que os trapos não tapam uma certa miséria titulada (e as suas práticas). Mas é preciso avisar toda a gente: o meu clube vai nu. Segue em contramão a manchar o que há de mais devoto, popular e íntegro na sua história (e não é a primeira vez nem será a última). Sérgio Conceição e Villas-Boas não são, pois, o problema.

O problema é ter, do topo à bancada, um lastro que fede. E cheira a léguas.
Não se troca a liberdade pela servidão.
Disse quem sabe e são palavras que vestem esta cidade por dentro da sua História. Uso-as agora, como portista que também sou, para dizer: não em meu nome. A minha paixão não precisa de patentes, de cartões ou atestados de militância (já os teve, mas livrei-me deles). Bastam-me “as certezas do meu mais brilhante amor”. Também sou povo e ilusão. E com eles também se faz uma revolução. Querendo.

André Villas-Boas, a real ameaça aos poderes instituídos

André Villas-Boas é mais portista do que os macacos que batem no peito com muita força. Fotografia retirada do Facebook.

Os tempos do reinado de Jorge Nuno Pinto da Costa no FC Porto estão a acabar. Aliás, corrijo: os tempos do reinado de Pinto da Costa já acabaram. E já acabaram porque já não é ele quem manda.

Ser presidente do FC Porto é, actualmente, um cargo figurativo. Pinto da Costa está naquela fase em que esteve Salazar, já meio tan-tan, quando achava que mandava enquanto Marcello Caetano já era presidente do conselho. Dão-lhe umas folhas para assinar, tiram-lhe umas fotografias ao lado de novas contratações e reservam-lhe um cantinho nos órgãos oficiais e oficiosos do clube, assim como um editorial (que, duvido, seja ele a escrever hoje em dia) na revista Dragões. Nada mais. Enquanto isso, tentam cristalizar a sua imagem, já polida pelas atrocidades da História, para continuarem a viver do passado de glórias e do presente de mordomias.

Aferido isto, é natural que alguns se vejam desesperados com a potencial candidatura de André Villas-Boas. O antigo treinador do FC Porto tem posto o dedo na ferida. E a sua potencial candidatura incomoda muito mais sabendo que, durante vários anos, Villas-Boas viu o cenário a partir de dentro. E quando digo “alguns”, digo aqueles que ainda hoje se vêem amarrados às vantagens de fazer parte do “núcleo” do ainda presidente. Mas indo ao que interessa… [Read more…]

Os Lobos!

O vídeo.

O sketch humorístico de Pedro Marques Lopes

No Eixo do Mal, Pedro Marques Lopes afirmou que o futebol é uma indústria onde há rigor.

A corrupção, os negócios manhosos e ruinosos, os clubes maioritariamente em falência técnica e a promiscuidade com a política e a justiça serão, em princípio, fruto da nossa imaginação.

Rigor é, de facto, a palavra certa.

Se foi sketch humorístico – fiquei com essa sensação – teve a sua piada.

Mundial 2030 será jogado em Portugal, Espanha, Marrocos, Uruguai, Paraguai e Argentina. E na tua carteira

Acaba de ser anunciado que o Mundial de 2030 será organizado por Portugal, Espanha e Marrocos.

Pese embora os jogos inaugurais tenham lugar na Argentina, Uruguai e Paraguai. O que me parece estúpido, mas isso sou eu que sou um gajo do contra, ou lá o que é.

De maneira que, minhas amigas e meus amigos, preparem as carteiras. Vai ser um fartote de palcos e ajustes directos. E ainda temos que ir a Madrid ver a final.

Campeonato inquinado

Foto: TSF, © Igor Martins / Global Imagens

Há uns anos mais por acaso que propriamente por influência, soube antecipadamente do que estava a ser preparado com o material (emails) que tinham chegado às mãos de pessoas do FC Porto. Asseguraram-me que havia uma estratégia para acautelar todas as vertentes relevantes: jurídica, comunicacional, ética, etc. Pois, foi o que se viu. Anos depois, as condenações alcançadas só foram as que não queríamos, as nossas. Os verdadeiros criminosos, os reais trafulhas, escaparam incólumes.

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O Porto Canal, sempre pronto a dar notícias sobre o FC Porto

(porque é um canal de fretes, apesar de o FC Porto não ser o clube da cidade do Porto), não transmite esta notícia. Porquê?

Um País dominado pela comunicação da “capital”

Ontem por amizade e generosidade de Siramana Dembelé (vénia, enorme vénia), fui ao Dragão. Quando, a seguir, tive acesso às imagens e respectivos comentários, fiquei com a impressão que não tinha visto o mesmo jogo.

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Varela: que esconde a SAD do FCP?

O FC Porto, clube que conheci como pessoa colectiva de bem há mais de sessenta anos, para o qual contribuí de forma desinteressada, ou seja pro bono, durante vários anos, no regresso de Moçambique, onde cumpri serviço militar, criou recentemente um espaço oficial de adeptos, o “maisfcporto“, o qual, pelo facto de ser oficial, pressupõe que aquilo que publica corresponde à verdade; o que não pode ou não deve sair da noite do silêncio manter-se-á aí, sem menção.

Ora, hoje, a meio da manhã, deparei-me com esta publicação no dito espaço:
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De imediato, muitos adeptos, tão revoltados quanto eu, começaram a comentar, protestando com a mentira do post: o nome de Varela, pasme-se, figura no site da Liga como devidamente inscrito…

Tentei também comentar, mas já não fui a tempo, a publicação tinha sido retirada.

Entretanto, alguns pasquins online, páginas brancas de não sei quem nesta coisa dos futebóis, citando OCS, multiplicaram-se a propalar, não sei a mando de quem, que terá havido um problema com o pagamento ao clube argentino donde provém o atleta, razão por que este não enviou atempadamente a documentação necessária à sua inscrição. Inscrição que, como podem ver, continua activa no site da LPFP:
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Para que não restem dúvidas, e para que a SAD possa sair o menos ferida possível de mais este tiro no pé, um desporto em que parece apostada para ser campeã nacional, seria bom um esclarecimento. Exijo-o como portista que, pela sua história, conquistou esse direito.

O Sérgio

Fotografia retirada do site https://observador.pt

O Sérgio veio de um lar humilde e pobre. O Sérgio aprendeu, desde cedo, que quem nasce no berço de vime tem de trabalhar a partir do berço. O Sérgio foi feirante, depois jogador de futebol.

O Sérgio começou na Académica de Coimbra, de onde é natural. Aos dezasseis anos, o Sérgio foi para o Porto para jogar no FC Porto. No dia seguinte, morreu-lhe o pai. Poucos meses depois, morreu-lhe a mãe. Ainda nem tinha completado a maioridade e o Sérgio já se via sozinho no mundo. Singrou no FC Porto, depois de um empréstimo bem sucedido a um Felgueiras treinado por Jorge Jesus.

Depois, foi para Itália. Naquela altura, o Sérgio era um dos melhores jogadores da Serie A, o melhor campeonato do mundo nos anos 80 e 90. Voltou ao FC Porto já na fase descendente da carreira, passou pelo Standard Liège na Bélgica e acabou na Grécia, no PAOK. Na memória ficarão, para sempre, os três golos marcados à Alemanha no Europeu de 2000. E a sua postura aguerrida e intempestiva.

O Sérgio fez-se, depois, treinador. Começou no Algarve, em Olhão, e foi escalando muros. Voltou à terra-mãe para treinar a Académica, esteve no SC Braga e no Vitória SC e emigrou para França onde fez uma excelente temporada no modesto Nantes. E é então que surge, novamente, o FC Porto. Em 2017 volta à cidade Invicta e ao clube do coração, o que nunca escondeu.

E, quem segue mais vezes o coração do que a razão, não sabendo encontrar o balanço, acaba vítima da sua própria paixão. É o caso do Sérgio.

O Sérgio é um excelente treinador. É, aliás, o melhor treinador português da actualidade. É o único treinador que, no FC Porto do Papa Pinto, conseguiu manter-se mais do que três anos no cargo. E, ao contrário do que transparece dentro das quatro linhas e da opinião generalizada dos rivais, o Sérgio não é um arruaceiro ou mau Ser Humano. Pelo contrário, o Sérgio tem mostrado, fora dos estádios, ser uma pessoa com bom coração, acudindo a diversas causas sem pedir nada em troca. [Read more…]

Eu sou SÉRGIO CONCEIÇÃO

Não, não é nenhuma derivação do “je suis” qualquer coisa. Quando digo que sou Sérgio Conceição, digo-o porque me identifico avassaladoramente com o seu carácter, com a sua determinação, com a sua honorabilidade, com a sua empatia pelos outros, etc. E acima de tudo com a sua Educação. Sim, com a sua Educação.

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Obrigado, Navegadoras!

Fizeram história ao apurar-se para o Mundial, sucumbiram ao peso da inexperiência, mas bateram-se como as melhores entre as melhores e mais não se lhes podia exigir. O empate frente aos EUA, uma das selecções mais poderosas em competição, poderia muito bem ter terminado numa surpreendente vitória, não fosse o poste meter-se no caminho. Não obstante, foram enormes. E deixam em aberto um futuro promissor para a modalidade.

Respeito máximo, Navegadoras. Muito obrigado!

Dois actualíssimos retratos de Portugal

We elicited four pairs of words for each of the two contrasts embedded in 16 response sentences in L2-Spanish (/e/-/ei̯/: maceta-aceite, pena-peina, reno-reino, vente-veinte; and /d/-/ɾ/: cada-cara, moda-moras, oda-oras, todos-toros) and the same in L2-English (/i/-/ɪ/: cheap-chips, feet-fit, seat-sit, sheep-ship; and /ʃ/-/ʧ/: shake-cheque, sheep-cheap, shows-chose, shops-chops). The task took 5–7 min to complete.
— Mora & Darcy (2023)

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Hoje, além deste testemunho n’O Jogo

É bom falar nesse assunto, porque na altura retratei-me lá [em Portugal], foi uma coisa totalmente inesperada. Só me retratei no momento, nunca falei sobre isso. Estávamos a comemorar o título lá nos Aliados, estávamos muito empolgados, a praça estava lotada e, ao chegar lá e ver aquilo… Era boné para cima, faixas, bandeiras… Antes do cachecol, eu já tinha aberto umas trinta. O meu erro foi abrir à frente da Imprensa. Não vi, não pensei. Até me lembro do rosto da pessoa que me atirou. Apanhei aquilo, levantei dois ou três segundos. Sou um rapaz que respeita as instituições, mas depois, como não estava com o telemóvel, vi que a Internet estava a bombar três horas depois. Recebi ameaças e tive de me retratar. Sou uma pessoa que gosta da rivalidade dentro de campo, faz parte do futebol, mas do outro lado também há profissionais, amigos. Senti-me mal com esse momento, não faz parte da minha pessoa. Não preciso de desrespeitar um clube para ser amado no meu. Não sei se em Portugal houve outro atleta a retratar-se com um clube rival, não sei se já aconteceu, mas eu fiz isso porque achei que era necessário.

temos este pitoresco episódio político [Read more…]

Cristiano Ronaldo, embaixador informal do totalitarismo saudita

vem a Portugal com o Al-Nassr inaugurar um centro de alto rendimento. Triste.

O Manuel do Laço (1947–2023)

Vi-o, pela última vez, há quatro anos, no dia 28 de Abril de 2019. Eu, ao  balcão do nosso Convívio, entre a melhor tosta mista do Porto, um príncipe e o SC Braga — Benfica. Ele, vindo do lado da tabacaria, a espreitar à pressa o mais cobiçado televisor da sala. Na ausência de informação do resultado no ecrã, olhou para mim, com confiança, à espera do veredicto: “O Glorioso está a ganhar”, disse-lhe eu: “3–1”. “Este já não me escapa”, rematei, piscando-lhe o olho. O Manuel riu-se, ainda viu uns cinco minutos do jogo — não chegou a ver o 1–4, golo do Rafa — e despediu-se. Um abraço aos familiares e amigos e a toda a nação boavisteira.

A quem serve o Estádio Nacional?

À beira de completar 80 anos, o Estádio Nacional, obra inspirada no estádio olímpico de Berlim, foi inaugurado com pompa e circunstância pelo Estado Novo no dia da raça 10 de Junho de 1944, servindo os propósitos do regime.

Desde 1946, salvo alguns anos que são excepção à regra, acolhe a final da Taça de Portugal, durante muitos anos recebeu jogos da selecção nacional e até a final da Taça dos Campeões Europeus em 1967. [Read more…]

Rafael Leão e os fascistas

Nascido no Bairro da Jamaica, no Dia de Portugal, negro, poliglota, inteligente e mais bem-sucedido que toda a tralha fascista junta alguma vez será. O Rafael Leão
não é só o jovem jogador português com maior potencial da sua geração. É uma dor de cabeça para a narrativa da extrema-direita.

Uma pequena lufada de ar fresco no jornal A Bola

Some argue that explicit instruction methods encourage children to view mathematics as a set of facts and procedures rather than a reasoning process.
— Fisher et al. (2012)

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Efectivamente, o excelente comunicado de Éder, o herói de Paris, é uma lufada de ar fresco n’A Bola.

Com carácter e adoptada, sim, mas também Outubro e objectivo.

 

A Bola, francamente, o herói Éder grafou Outubro e objectivo (alguém d’A Bola deu-se ao trabalho de traduzir — e mal , obviamente —  *outubro e *objetivo).

 

Exactamente.

Valha-nos o Éder.

No entanto, com o Diário da República… [Read more…]

Miguel Oliveira: Resumo da prova

Sem espinhas….

Entre o Sérgio Conceição e esta SAD a minha escolha é clara.

Semelhanças entre Eriksson e Schmidt, no jornal que resiste silenciosamente em tempos de liberdade

Pois. Acrescentaria Bruno Lage ao rol e indicaria duas: não são javardos (são três cavalheiros) e ganharam fora, sem espinhas, com elegância e educação ao FC Porto: nas Antas (Eriksson, em 83 e 91) e no Dragão (Lage e Schmidt). Uns senhores.

Obrigado Sérgio Conceição!

As grandes dores são mudas e, por isso mesmo, não fosse a intervenção do Sérgio Conceição na conferência de imprensa no final do jogo da Champions contra o Inter de Milão,  e eu estaria calado após a eliminação desta noite.

Só que o Sérgio falou. E fê-lo de forma clara, dura e assertiva. Aquilo não foram recados internos para a estrutura do F.C. Porto. Não foram recados, desenganem-se. Foram tiros de rajada. Bem dados. Muito bem dados. O desastre financeiro do clube ao longo dos últimos anos não é virtual. É real. E sem ninguém assumir as respectivas responsabilidades. Nada. Uma incompetência gravosa para o presente e futuro do clube. E no final de cada exercício financeiro desastroso não se coibiram em pagar milhões em salários aos responsáveis deste despautério. Aliás, a esses nunca faltaram os milhões. Já para assegurar uma equipa minimamente em condições ao Sérgio….

Por isso, uma vez mais, este sócio do FC Porto com o número 8660, reafirma o seu obrigado ao Sérgio Conceição. Obrigado pela tua dedicação, pela tua entrega e por fazeres muito com tão pouco.

Confirmação dos votos

No dia 3 de Dezembro de 2012, pelas 15h47 de uma segunda-feira, redigi no meu blogue pessoal, ao qual não acedia há anos, uma publicação intitulada: “Porto Canal e mística portista” (https://letrasecoisas.blogspot.com/2012/12/porto-canal-e-mistica-portista.html).
Não tenho recordação de alguma vez ter abjurado as minhas convicções clubistas naquilo que alguma vez escrevi (e foram muitas as vezes em que o fiz), mesmo quando não estava de acordo com as posições da Direcção (nem se falava em SAD por essa altura) ou de um departamento do clube cuja comunicação me estava entregue.
Tenho um percurso limpo, embora polémico e inflamado, saí das Antas, muitas vezes, de madrugada, e paguei muitas vezes o táxi para casa, vivi sempre na aura da paixão que ainda nutro, hoje, ao fim de tantas décadas, pelo meu clube. Sim, apaixonei-me pelo FC Porto numa tarde, quase criança, no Monte dos Arcebispos, a ver um Sporting de Braga-FC Porto, penso que amigável, e sonhei ser o Hernâni para marcar aquele golo…
Neste intervalo vasto de vida, parti muita pedra, vi nascer craques em todas as modalidades, mais no futebol, no basquetebol, no hóquei em patins e no hóquei em campo, as modalidades a que estive ligado, entrevistei campeões, treinadores e atletas, também padeci perdas irreparáveis, sofri e venci como poucos adeptos e tenho usado os 40 anos disto para me vingar do que passei quando o Porto jogava bem, quando perdia, e não merecia, quando ganhava… [Read more…]

Pepe: São 40 anos disto

Este Domingo o Pepe, jogador do FC Porto e da selecção nacional, celebra 40 anos de vida.

Não vale a pena recordar o que já inúmeros jornais, revistas e televisões contaram sobre a sua infância, a forma como chegou a Portugal com míseros cinco euros no bolso e a forma como conseguiu atingir a excelência na sua profissão ao serviço do seu clube do coração, o FC Porto, no Real Madrid ou com a camisola de Portugal. A sua mais recente entrevista à Sport TV fala por si (uma brilhante peça de jornalismo, por sinal).

Para mim, portista, será uma das grandes referências do meu clube. Um exemplo de entrega e amor à camisola para os jogadores da formação do FC Porto e para todos aqueles que queiram vestir esta camisola.

Muitos parabéns e Obrigado Pepe!

Montanha já temos. Parirá o rato?

O realce do dia de hoje em títulos de caixa alta, com a pompa e as circunstâncias do público-alvo (o encargo noticioso tornou-se um serviço à lista), é a sentença do Dr. Paulo Gonçalves, com a pena suspensa, pelo crime de corrupção.
Gostaríamos que a Associação Nacional de Futebol de Rua pudesse ser agraciada não com os 5 mil euros que o réu deve depositar semestralmente na conta da instituição para não ser preso, mas com uma fatia maior dos lucros que o senhor teve pelas suas façanhas e com o alegado pagamento de favores, com que a SAD do SLB terá saldado a dívida moral a S. Ex.ª.
Pelo menos um magistrado, com responsabilidade na aplicação e graduação da pena, considerou o Dr. Paulo Gonçalves culpado, bem como o corrompido funcionário judicial que apanhou mais do dobro do corruptor.

Já a seguir, reentram em jogo os advogados, que, quanto se sabe, partirão da premissa de que simpatia e cortesia, por mais desmedido, encantador e afável que seja o seu alcance financeiro, não são corrupção, e um dia destes, por entre argumentações rendilhadas dos causídicos e a benevolência deste país de brandos costumes que convive servil na opulenta devoção à fé do réu, leitor emérito de missas dominicais e cumpridor exemplar dos sacramentos, teremos a Associação Nacional de Futebol de Rua a deixar de receber a semestralidade, regressando assim o país à paz de uma justiça às vezes alardeada, mas raramente cumprida quando se trata de fidelíssimos servidores dos grandes negócios, protegidos que estão pela elite dos sibaritas escritórios de advogados, pagos a peso de oiro na defesa dos sacrossantos clientes, as suas mordomias e os seus proverbiais esquecimentos que aguentam os Mercedes, BMW e outros luxos dos paladins, etimologicamente, pela via latina, trabalhando como “oficiais do palácio imperial”, mas, por corruptela, mastins de guarda das elites.
Claro que nesta teia se enredam todos os haters de redes sociais e afins que, não vendo sangue, já murmuram que, quem de 50 crimes abate 49 e guarda aquele que em sede de recurso é o mais difícil de manter, está a seguir um padrão da magistratura portuguesa, o da intangibilidade dos Grandes.
Não sou tão céptico! Para mim, enquanto viver, acreditarei que os karmas se cumprem, tarde ou cedo, por mais vorazes que sejam os cérberos que guardam a porta do inferno.

O que se passa no Porto Canal?

Esta história começou a 10 de Fevereiro de 2023. Na sua página no Facebook, o Porto Canal publica uma fotografia do comentador desportivo Rui Santos (CNN) acompanhado da sua companheira e da filha desta, assim como da informação de qual era o restaurante de que a mesma é proprietária.

O momento não era, de todo, inocente. O comentador desportivo Rui Santos tinha, no seu programa na CNN, tecido duras críticas a uma arbitragem de um jogo do FC Porto e, mais tarde, opinado de forma polémica sobre o treinador do clube, Sérgio Conceição. O somatório dessas duas intervenções provocara um enorme mal estar dentro do clube e a ira nas redes sociais de inúmeros adeptos do FC Porto, inclusive de alguns que pertencem ao blogue Aventar. O futebol, como se sabe, é gerador de paixões e de alguma irracionalidade provocando, inúmeras vezes, situações violentas. O Porto Canal, ao publicar qual era o restaurante da companheira de Rui Santos, ainda para mais sendo um conhecido local da cidade do Porto sabia ou, pelo menos, deveria saber as repercussões que poderiam advir de tal decisão “editorial”. E o óbvio aconteceu: ameaças de morte por telefone e nas redes sociais ao ponto de a companheira de Rui Santos e a sua família mais chegada estarem a receber protecção policial e, segundo apurou o Aventar, a Polícia Judiciária e o Ministério Público estarem a investigar toda esta situação. Não será preciso sublinhar o terror que tem sido para estes cidadãos e quem conhece o universo que rodeia o futebol, facilmente perceberá o porquê.

Passados alguns dias, no seu programa televisivo, Rui Santos denunciou a situação que estava a ser vivida pela sua companheira e respectiva família. Após a denúncia pública na CNN, entendeu o Conselho de Redacção do Porto Canal emitir um comunicado público sobre o assunto:

“Enquanto jornalistas, portadores de carteira profissional e cientes e zelosos de cumprir o Código Deontológico dos Jornalistas, repudiamos por completo o facto de conteúdos que não obedeçam às regras mais básicas do jornalismo serem publicados nos meios informativos que a estrutura azul e branca detém. Demarcamo-nos da publicação em causa e assumiremos publicamente essa posição”

A posição do Conselho de Redacção do Porto Canal, ao que o Aventar apurou, criou enorme polémica e desconforto dentro de parte da estrutura do FC Porto. Ao demarcarem-se da referida publicação deram a conhecer que a mesma não foi nem produzida nem publicada por jornalistas da casa. Segundo as nossas fontes, alegadamente, a publicação foi da responsabilidade da direcção de conteúdos do FC Porto (liderada por Diogo Faria) e pela direcção de conteúdos digitais do clube que gere, também, as redes sociais e o site do canal (direcção liderada por Pedro Bragança). Ora, ainda mais recentemente, boa parte dos órgãos de comunicação social portugueses e, também, o Aventar receberam um comunicado “anónimo” da autoria de jornalistas do Porto Canal. Após a leitura do mesmo e atendendo à gravidade do exposto, o Aventar procurou saber da veracidade dos factos relatados e iniciou um processo de investigação. Aqui chegados, cumpre sublinhar que o Aventar não é um órgão de comunicação social. Mesmo assim, tivemos todos os cuidados necessários e que em nosso entender eram devidos a uma situação desta gravidade: foi enviado um email ao Porto Canal e ao cuidado tanto de Diogo Faria como de Pedro Bragança, informando-os das respectivas denúncias e dando a oportunidade de responderem e se defenderem, informando-os que o Aventar iria publicar este artigo a 21 ou 22 de Fevereiro e que para tal poderiam responder para o nosso email até às 23h59 de segunda-feira 20 de Fevereiro. Ao mesmo tempo, o Aventar auscultou inúmeras fontes.

Então quais são as denúncias de alguns jornalistas do Porto Canal? Que na sequência do comunicado, membros do conselho de redacção foram punidos pelos seus superiores sendo-lhes proibido sair em reportagem. Foram punidos, alegadamente, pelos directores Diogo Faria e Pedro Bragança. Além disso, denunciaram que, alegadamente, os castigos são uma constante nas duas redacções e já levaram ao despedimento ou saídas coercivas de diversos jornalistas. Ao que o Aventar apurou e num comportamento similar ao que está a acontecer com a companheira de Rui Santos (e o próprio), estes jornalistas e as suas famílias, alegadamente, estão a ser ameaçados ao ponto de alguns terem tirado os filhos das respectivas escolas por medo. Um clima de terror.

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Taça da Liga: Diz-me o que fazes….

O senhor Secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Correia, no intervalo da sua campanha de “candidato a candidato do PS à Câmara Municipal de V.N. de Gaia” já se pronunciou sobre o momento pirotécnico na final da Taça da Liga?

Ou vai continuar caladinho e sem fazer nada continuando a assobiar para o lado enquanto estes vândalos (desta vez foram do Sporting mas ontem foram de outros clubes) conspurcam os estádios de futebol? Eu até posso aceitar a pirotecnia nos estádios mas, apenas e só, de forma controlada e segura.

Já o senhor Secretário de Estado até pode continuar em silêncio mesmo quando o acontecido foi debaixo das suas barbas. Pode. Até pode continuar concentrado na sua tarefa de preparação de candidatura a candidato. Também pode. Só não pode é esperar que a malta o respeite. Para se ser respeitado é necessário dar-se ao respeito….

Cristiano Ronaldo, as ronaldettes e o regime saudita, igual ou pior que o russo

Descobri estes dias que tenho uma dívida para saldar com Cristiano Ronaldo. Como se não me chegasse o crédito à habitação e a dívida externa do país. Sorte a minha, é uma dívida de gratidão. Mas não deixa de ser uma dívida involuntária, na medida em que tenho que a aceitar, mesmo que me esteja nas tintas para o futebol jogado.

Quem não aceita a dívida sujeita-se ao homem do fraque. E, neste caso, o homem do fraque são as ronaldettes, que logo surgem, de tocha na mão, a exigir que se venere o melhor do mundo, garantindo que Ronaldo está acima da crítica e, por conseguinte, da liberdade de expressão e do estado de direito. O que é interessante, já que Ronaldo foi trabalhar precisamente para um país onde se cultiva a rejeição desses valores.

Eu disse cultiva? Queria dizer reprime. Com brutalidade medieval.

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Gianluca Vialli (1964 – 2023)

Gianluca Vialli foi um dos grandes craques que marcou a minha infância, para sempre ligado a uma Sampdoria que já “não existe”, mas que era adversário temível nos anos 90.

Foi com o seu talento, numa época quase perfeita, que emblema de Génova ganhou o seu primeiro (e único) campeonato, em 90/91, ano em que foi o melhor marcador da Série A.

Morreu hoje, cedo demais, aos 58 anos. Vítima do suspeito do costume. Que descanse em paz.