Até nas desculpas são incompetentes

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Nuno Crato garante que no próximo ano lectivo não haverá “experimentalismos”. Portanto, deduz-se que este ano lectivo foi preparado em cima do joelho. Isto é no que dá ter mortos-vivos a usurpar o lugar de ministros.

Entretanto o grande objectivo de transformar as escolas em centro de nomeações políticas continua. MLR criou as bases, com o conceito dos directores que carecem de aprovação ministerial, e Crato dá a estocada final.

Foi ainda adiantado pela equipa ministerial que, a partir da próxima semana, serão os directores das escolas TEIP (Território Educativo de Intervenção Prioritária) e com contrato de autonomia que chamarão os professores em falta. [P]

Para completar o circo só falta o cavalheiro da fraca memória que deambula por Belém vir falar da qualidade de não sei quê.

Não tenho certezas e raramente acerto

cavacoO presidente juntou hoje umas frases sobre o concurso dos professores e confirmou, mais uma vez, que é “um génio da banalidade”, como dizia José Saramago.

Primeiro, afirmou que é preciso fazer uma “reflexão séria sobre o modelo de colocação de professores”. Todos sabemos que não há nada pior do que uma reflexão que não seja séria, como algumas que andam para aí perdidas e vão com qualquer um.

Depois, com a argúcia vácua que o distingue, declarou que “as coisas não correram bem na colocação dos professores.” Não há palavra mais reveladora do rigor de alguém do que “coisa”. No fundo, é o descanso do ignorante: Houve ali uns problemas na colocação dos professores: deve ter sido uma daquelas coisas que correm mal. Se as pessoas, ao menos, tentassem arranjar coisas que correm bem, mas não…

“Parece que está em vias de resolver-se o problema, mas até este momento já houve atrasos nas aulas e, portanto, os alunos foram prejudicados.” silvou, a seguir. Parece-me que não há como o verbo “parecer” para exprimir certezas e para mostrar que se está dentro de um assunto. [Read more…]

Dinamarca 0–1 Portugal

Selecção venceu (0-1) em Copenhaga com golo no período de compensação“. Efectivamente: Selecção.

Uma atitude louvável

Com as mãos sujas, do BPN a toda uma presidência ao serviço dos interesses de uma classe, Cavaco Silva recusa-se a manchar as mãos limpas de um trabalhador distraído. É de aplaudir a preocupação com a higiene alheia.

Prós e contras

 

Ontem liguei a televisão mesmo a tempo de apanhar, no “Prós e Contras” dedicado ao caso BES, a Fátima Campos Ferreira a lançar a pergunta “Acha que os portugueses estão muitos entretidos a sobreviver?”

E de repente pareceu-me obsceno que alguém que junta na mesma frase entretenimento e sobrevivência possa conduzir um programa informativo.

Mas nenhum dos presentes pareceu ficar incomodado com a pergunta e eu, vencida pelo dia ou pelo sono ou pela impotência, desliguei a televisão e fiquei a remoer o sentimento de que este país já não é para pessoas.

Cavaco: entre o delírio e a inspiração divina

Cavaco desfocado

A minha dúvida relativamente a Cavaco Silva é se existe algum tipo de estratégia por trás de declarações deste nível de inconseguimento  ou se se trata apenas de perda progressiva de lucidez. Apesar de ambas as opções me parecerem válidas, estou mais inclinado para a segunda, até porque momentos de falta de lucidez são coisa a que o senhor Aníbal nos vêm habituando. Claro que, entre o batalhão de assessores e restantes membros da sua dispendiosa corte, alguém o deveria ter avisado que o Passos e Maria Luís já tinham informado o país sobre a inevitabilidade do efeito BPN sobre os contribuintes. A menos que Nossa Senhora de Fátima lhe tenha aparecido e revelado que estaria pronta para inspirar uma solução alternativa. Não seria a primeira vez que a sua inspiração intercedia por nós. Afinal de contas, ontem foi 13 de Outubro

Já é presidencial: concursos de professores é com cunha, trabalhar tem de ser tacho

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De manhã o camarada José Espada avançou com o mote e Cavaco logo soltou a redondilha: colocação de professores é escola a escola, cunha a cunha, município a município, e lá chegaremos ao gestor privado, o grande sonho da ora condenada e sempre visionária Rodrigues.

Alguns directores já devem ter posto o espumante no frigorífico: o dia em que a escola será quase sua aproxima-se, o dia em que a prima da prima ocupará o lugar daquele chato que no Pedagógico me passa a vida a atazanar o juízo já se vê ao fundo do túnel.

Privatize-se, estado que é estado começa por colocar nas mãos dos governantes a gestão dos recursos humanos, expressão moderna equivalente ao clássico domesticação de quem trabalha.

Entretanto fiquei a saber como ocorreu o caso da senhora que hoje fez as gordas em alguns jornais: foi a um estabelecimento privado, havia ameaça, cuspiram-na de transporte público para um hospital, e devem ter ido a correr desinfectar o atendimento.

O problema não é um vírus como o ébola, como nunca foi a colocação de professores de forma objectiva e quantificável com decência e sem canalhices: é mesmo o privado. Fosse no colégio, que teria feito o mesmo a um aluno, seja na saúde: servir o cidadão, preocupar-se com um possível contágio pelo caminho, não interessa para nada. O lucro, apenas e a todo o preço o lucro.

Algum dia teremos de começar

a construir uma sociedade democrática para o século XXI. Um colóquio dá contributos. Já depois de amanhã, em Coimbra.
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O abraço fraterno de Soares e Isaltino

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(foto: Expresso)

Segundo Mário Soares, Isaltino Morais foi injustiçado, algo que se compreende se considerarmos que, dos iniciais sete anos a que foi condenado por branqueamento de capitais, fraude fiscal, corrupção passiva e abuso de poder, o simpático ex-autarca acabou por ser condenado a apenas dois, tendo permanecido enjaulado por apenas 14 meses, período esse que, segundo o seu advogado, terá sido ilegal. É realmente muita injustiça junta. E Soares, esse pólo aglutinador das esquerdas da Aula Magna, apreciador de Contos Proibidos e um dos rostos da renovação liderada por António Costa não podia deixar de dar um abraço fraterno a esse ícone do boa gestão autárquica, que nem da gestão dos seus discursos se esqueceu. Todo o bloco central num só abraço.

Tempo de Cratos

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Quantas vezes o nosso riso é uma substituição para a agressão pura e simples. Quantas vezes a ironia ou o humor sublimam a violência que nos vai na alma. Já o fiz aqui muitas vezes e sobre este mesmo tema. Não hoje.

Hoje quero outro modo. Visita que sou do canal AR, tenho visto momentos que arrastam para a lama o que devia ser dignificado a todo o custo, a casa da Democracia. Não me refiro à maior ou menor dureza dos debates. Penso, até, que há por ali almas demasiado sensíveis à crítica, como se fossem mais insuportáveis as palavras ditas que os actos que as motivam. Mas Nuno Crato, com a seu número bufo dos tempos verbais, produziu um dos momentos mais canalhas e estúpidos que jamais vi naquele lugar. Não, não me estou a esquecer das absurdas cenas da União Nacional que nos narravam os impagáveis “Factos e Documentos” da Seara Nova. Não me lembro de alguma intervenção que tanto desconsiderasse os destinatários, que em tão pouca conta tivesse a inteligência e o sentido de decência dos seus ouvintes. Um marco na história do nojo político.

Não canto porque sonho


Noiserv  [tema de Fausto Bordalo Dias – com José Afonso -, do álbum P’ró que der e vier, 1974]
Letra de Eugénio de Andrade

Lembra-me um sonho lindo


Fausto Bordalo Dias, do álbum Por este rio acima (1982, 1984 em CD)

Quantas pessoas são “pouquíssimas centenas”?

papagaio010803Ser político é uma das várias maneiras de os seres humanos poderem integrar a simpática classe dos Psitacídeos. Entre um deputado e um papagaio, as diferenças não serão, portanto, muitas, porque, no fundo, um bom fato é outro tipo de plumagem, um assento na Assembleia é um poleiro e basta repetir palavras pensadas por outros. Para além disso, todos sabemos que não há piratas sem papagaio em cima do ombro.

Carlos Abreu Amorim (CAA), por várias razões, tem-se feito notar, desde que integrou a bancada do PSD, nomeadamente quando perdeu as eleições para a Câmara de Vila Nova de Gaia. Tendo escolhido a função de papagaio, é natural que tenha perdido, também, qualquer sentido de decência. Por isso, comentando os recentes e contínuos problemas na colocação de professores, declarou, num debate com Marcos Perestrello: “Temos problemas com pouquíssimas centenas de professores.”

Em primeiro lugar, não sei a quem corresponde a primeira pessoa do plural. Será o governo? Será o partido? Será o país?

Mesmo admitindo qualquer uma das hipóteses, a frase pode levar-nos a pensar que os professores são um problema. No entanto, são as “pouquíssimas centenas” de professores, entre outras pessoas, que têm problemas. [Read more…]

Não pirilamparás o orçamento do vizinho

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Que é como quem diz, não produzirás orçamentos inconstitucionais.

Errar é humano, errar três vezes é intenção. Com o truque de apresentar orçamentos inconstitucionais, propositadamente, este governo conseguiu nos três orçamentos sacar mais dinheiro do que aquele que a lei lhe permitira. BPN, BPP, Swapps, BES, PPP, etc., agradeceram.

Será que é preciso a véspera de eleições para este governo sair da ilegalidade? A ver vamos se haverá mais fogo de artifício para além de manter a sobre-taxa do IRS em 2.5%, em vez dos 3.5% (nota aos mestres do spin: não há baixa no IRS mas sim manutenção de uma sobre-taxa).

A foda começa bem

Os preliminares ocorrem com modéstia e humildade, sem traços de preciosismo na chupação ou excesso de manipulação anal.
Falta cadência no meter. Uma foda medíocre que, como comédia, não diverte e, como drama,  não emociona.

França — Portugal

Selecção. Selecção? Oui, évidemment, bien sûr: Selecção.

Diálogo sobre a intervenção directa no processo de avaliação

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© 2006 La MaMa production (http://bit.ly/toothofcrime1)

Hoss: How could this happen?
— Sam Shepard, The Tooth Of Crime

 ***

– Explique-me, por favor: quem é que intervém directamente na avaliação do desempenho dos docentes do ISCTE-IUL?

– É muito simples. Na avaliação do desempenho dos docentes do ISCTE-IUL, intervêm directamente quer o Avaliado, quer…

– O Avaliado intervém directamente na avaliação do desempenho?

– Sim, o Avaliado intervém directamente na avaliação do desempenho. Leia o Regulamento de avaliação do desempenho dos docentes do ISCTE-IUL e perceberá: “Intervêm directamente no processo de avaliação do desempenho: a) O Avaliado; b) O Diretor do Departamento…”…

– O Diretor?

– Exactamente: o Diretor.

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– Está a insinuar que o Diretor do Departamento intervém directamente na avaliação do desempenho? O Diretor intervém directamente? Desde quando é que um Diretor intervém directamente? Qualquer dia, temos [Read more…]

Sumo de Gelo em Braga

sumo_de_laranja_sem_geloCom menos € 2,90, cheguei a casa e procurei no google qual é ou qual deveria ser o aspecto de um “sumo de laranja“.
Curiosamente, nenhuma das imagens que o google me sugere me mostra um sumo de fruta com gelo; aliás, tenho para mim que os sumos de frutas não se vendem nem se servem com gelo.
Lá fora, se eu tivesse querido, tinha-me sentado na esplanada a contemplar o Arco da Porta Nova, a ver quem passava – e passava muita gente – , a ver quem corria para apanhar o comboio.
Não quis sentar-me lá fora, quis sentar-me lá dentro. Lá fora estava muito frio, 15º C, não mais que isso. É o Inverno a chegar e a entranhar-se- nos nos ossos, o mesmo Inverno frio que nos traz as laranjas… frescas. Já por isso, sem gelo.
Lá veio a peça de pastelaria e tal copo com sumo de laranja extraído na hora. Apesar do frio, 1/3 do volume do meu copo vinha preenchido com gelo, gelo que não pedi, de que não preciso (porque está frio) mas que paguei no final como se fosse… sumo de laranja.
O gelo, pelo contrário, além de me deixar menos saciado, aguou-me o sumo de laranja a ponto de não querer mais.
Se Braga se vai mostrando como um destino cada vez mais interessante, é assim que as pessoas vão ser tratadas? – como parvas?
Obrigado… mas não.

Tubarão

Amanda Brewer shark© Amanda Brewer (via The Huffington Post)

Ricardo Carvalho e a retractação

Barcelona's Messi is challenged by Real Madrid's Carvalho during their Spanish King's Cup soccer match in Madrid

© FELIX ORDONEZ/Reuters/Corbis (http://bit.ly/carvalho-messi)

«There is no self—portrait of me. I am not 
interested in myself as ‘material for a picture’, 
rather in other people, especially women, 
and even more in other phenomena»
— Gustav Klimt *

Em princípio, considerando a grafia adoptada pelo jornal RecordRui Águas terá cometido um erro de avaliação extremamente grave, ao insinuar que “Ricardo Carvalho fez bem em retratar-se“.

Não sei qual o auto-retrato de Carvalho a que Águas se refere. Não são conhecidos a Carvalho nem entusiasmos como os do Dolby, de Joanesburgo ou do Palácio de Belém, nem sequer qualidades como as de Rembrandt, Freud ou Picasso  — Carvalho dedica-se, com mérito, a outras actividades.

Das duas, uma: ou Rui Águas se retracta (recordo que “a retractação é acto digno e responsável“), ou o Record passa a adoptar uma grafia que não dê azo a confusões.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

* Schiele never attempted the public, monumental narrative painting that occupied Klimt until his ill-fated University murals, while Klimt, always Vienna’s darling despite the controversies,  made only two, comparatively insignificant self-portraits

(…)

In an undated manuscript cited in Nebehay Klimt, Dokumentation, 32, Klimt wrote that in fact «There is no self—portrait of me. I am not interested in myself as ‘material for a picture’, rather in other people, especially women, and even more in other phenomena».

— Robert Jensen, “A Matter of Professionalism: Marketing Identity in Fin-de siècle Vienna,” in Rethinking Fin-de-siècle Vienna, ed. Steven Beller (New York: Berghahn Books, 2001), pp. 195-­‐219 [pp. 210 e 218]. Revised from the original essay which appeared in  Austrian History  Yearbook, vol.  28  (1997): 247-68.

 

O novo papão

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Falta de ideias é o novo papão. Ele mesmo, é um papão com falta de ideias, tal é a recorrência deste argumento quando não se tem… outras ideias para argumentar.

É também um papão cábula, que não tem outra ideia que não a “austeridade” (leia-se contribuintes a pagar BES e coisas afins) mas espera que outros lhe dê as ideias que ele mesmo não tem.

É este o estado da arte da nossa discussão política. E é de meter medo, já que centrando a conversa em jogos palacianos foge-se à real discussão do estado do país. E no fim pagam os mesmos: nós (estou a assumir que a família Salgado e demais não lê o Aventar).

Alunos vão continuar mais uma semana sem aulas

E já não há paciência que aguente isto.

No parlamento, o responsável pelo erro nos concursos, Pedro Passos Coelho teve oportunidade de dizer a Ferro Rodrigues que o erro tinha, de facto existido, mas num contexto de reforma. Isto é, erraram, mas ao tentar fazer melhor. E, como sempre, Pedrinho Coelho é capaz de ter parte da razão – a legislação de concursos mudou e foram as mudanças que resultaram nesta confusão. Logo, se estivessem quietinhos, a coisa tinha corrido melhor.

O Governo procurou passar parte dos concursos a contrato para a esfera das escolas e criou uma réplica do concurso nacional em cada escola. Ora, no ponto em que estamos, cada professor concorre a tudo o que lhe aparece, de Melgaço a Tavira, porque, basicamente, o que nós queremos é trabalhar.

Ora, se em cada escola, há um concurso diferente e completamente “estanque” em relação aos outros temos novamente um problema – a Professora A foi hoje colocada em 6 escolas. Vai aceitar, até 3ª feira numa das escolas. Logo, as outras 5 só depois de terça poderão convocar outro e assim sucessivamente. Só que há um detalhe. Se, na semana seguinte o MEC chamar o candidato 2, que até pode ser o mesmo nessas 5 escolas, na semana seguinte serão 4 as escolas sem professor…

Mais uma moedinha, mais uma voltinha...

A praia: fronteira com o mar

Museu Marítimo de Ílhavo: no próximo dia 21 de Outubro, uma conferência por John Mack, curador do British Museum e autor do livro The Sea, a Cultural History (Reaktion Books, 2011) abre um seminário que quer pensar em voz alta a nossa relação com o mar, nos domínios cultural, estético e científico.

 

Mack The Sea Cover

Uma organização do CIEMar-Ílhavo. Participação gratuita.

A cabeça de um ministro por 0,8%

As trapalhadas de Pedro Passos Coelho em torno da escola nos últimos três anos têm sido o pano de fundo para tantas e tantas declarações ignorantes que saltaram para o espaço mediático.

Nos últimos dias houve uma nota dominante: Pedro Passos Coelho falhou na colocação de professores e isso é a prova de que não é possível fazer um concurso nacional para colocar os professores.

Ora, nada mais falso, como já procurei provar ontem. O concurso não falhou por ser central e nacional. Essa foi a parte que correu bem. O erro aconteceu quando Pedro Passos Coelho o tentou passar para o nível local. Aí é que o porta-aviões foi ao fundo.

Os laranjas de serviço colocaram também em cima da mesa um argumento que se vira contra o próprio governo: os erros aconteceram apenas com 0,8% dos professores. Se esta afirmação for verdadeira, atendendo a que há cerca de 100 mil docentes na Escola Pública, estaremos a falar de um universo de 800 e não de 150 como foi dito pela tutela. Mas, a ser verdade uma coisa ou outra, de onde surge tanta confusão? Acreditam mesmo que foram apenas 150 os professores envolvidos nesta confusão. Se assim fosse, um mês não seria suficiente para os colocar? Até à mão, os serviços teriam tempo para o fazer. É claro que não foi essa a dimensão do problema.

Podem correr e saltar e até sugerir que deve ser o Ricardo Salgado, do BES mau, a escolher os professores segundo os apertados critérios familiares, porque, todos o sabemos, os nossos gestores são todos fantásticos.

Mas, os factos estão aí para o provar: sempre que o Governo (este e os outros) respeitou a graduação profissional, os concursos correram bem. E, ao contrário, sempre que o Governo (este e os outros) desrespeitou a graduação profissional, a coisa correu mal.

Logo, parece-me que por causa de uns míseros 0,8% de docentes contratado não vale a pena arriscar a cabeça de um ministro.

Fazendo uso da nova imagem da cidade do Porto: GRADUAÇÃO.

Zeinal Bava e o Lince

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© Nuno Botelho (http://bit.ly/1t4CXFC)

“Quem tramou Zeinal Bava?”, pergunta-nos Público. Não faço a mínima ideia. No entanto, à primeira vista, diria que este desfecho apenas vem confirmar a tese da irrelevância.

Ao ler

Facto relevante: o comunicado da Oi que anuncia a saída de Zeinal

e

FATO RELEVANTE,

 

num jornal com recaídas de excelência ortográfica, lembrei-me de uma citação de Ivo Castro que divulguei em 2009 (p. 94)

Nós dizemos ‘facto’, escrevemos o c. Os brasileiros dizem ‘fato’ não escrevem o c. Portanto, mantêm-se as grafias duplas.

Como é sabido, nada disto impediu que fossem dados todos os passos necessários em direcção ao abismo ortográfico.

Ao folhear o diploma mencionado no ‘fato relevante’, isto é, a Lei nº 6.404/76, decidi alimentar o Lince (sim, o Lince) com o articulado e obtive os seguintes comentários:

respectiva convertido para respetiva

respectivas convertido para respetivas

respectivo convertido para respetivo

respectivamente convertido para respetivamente

prospecto convertido para prospeto

perspectiva convertido para perspetiva

aspectos convertido para aspetos

Resumindo: apesar de em português europeu se escrever respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, o conversor Lince (adoptado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011) não admite estas grafias. No entanto, em português do Brasil, tais grafias são perfeitamente legítimas — aliás, “em atendimento” a um parágrafo de um artigo de uma Lei com respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, ficámos a saber que “o Sr. Zeinal Abedin Mahomed Bava renunciou nesta data ao cargo de Diretor [sic] Presidente da Companhia”.

Sem sombra de dúvida, mais uma vez, eis-nos perante um “passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

A vida das pessoas continua a não estar melhor

BES PSD

E porque recordar é viver e a aldrabice anda de mão dada com este governo e respectivos lacaios parlamentares, eis que chega o momento de recuperar esta frase inspiradora do maçon Montenegro, autor da célebre frase “eu sei que a vida quotidiana das pessoas não está melhor, mas não tenho dúvidas que a vida do país está muito melhor do que em 2011”. Montenegro, qual virgem ofendida, insurgia-se no início de Agosto contra demagogos que acusavam o governo de ajudar banqueiros enquanto eles, os samaritanos dos tempos modernos, isentavam os contribuintes de responsabilidades.

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Concurso de professores: ai que horror, o centralismo!

patetaDurante alguns anos, o Ministério da Educação prejudicou um pouco as escolas. A partir de 2005, tornou-se o principal problema. A população, pouco esclarecida e com pouca vontade de se esclarecer, tem gostado de assistir à acção dos marialvas políticos, que isto é um país em que o pequeno salazarismo é a sujidade das unhas e, por isso, há muita gente que treme de gozo quando alguém “mostra quem manda”. Sendo a classe docente um dos grupos mais invejados, tem sido grande o regozijo das gentes, face aos ataques perpetrados pelos gémeos Sócrates e Coelho.

Entretanto, há quarenta anos, Portugal ocupava o lugar na linha de partida da Educação em Democracia, com um atraso de séculos carregados de miséria, de analfabetismo e de elitismo. Nem sempre escolhendo o melhor caminho, os avanços foram gigantescos, como se tem confirmado, por exemplo, nos resultados de vários testes internacionais. Gigantescos, entenda-se, face ao ponto de partida.

É claro que alguns políticos, evitando qualquer laivo de honestidade, tentaram aproveitar os resultados desses testes para se vangloriarem. José Sócrates, o verdadeiro político, nunca perdeu uma oportunidade de reclamar como obra sua aquilo que não lhe pertencia. [Read more…]

Boa vai ela!

Vivo afastada da comunidade portuguesa e porque a idade me tornou preguiçosa, só de vez em quando me dou ao trabalho de mudar de transporte duas vezes para ter o prazer de passarinhar pelo Mercado da Saudade. Isto é, por motivos gastronómicos. É ali que me abasteço do que é regra báseica da cozinha portuguesa.
Foi o caso há dias. E o acaso foi encontrar, à porta do café, um compatriota que não via há muito tempo. Homem estabelecido com negócio próspero. Mal nos cumprimntámos, logo disparou:
– Sabe que esteve aí um milhafre do governo do Passos?
– Qual deles? – quis eu saber.
– O Portas, aquele dos submarinos.
– Ah, mas esse é um milhafrão. E o que é que ele veio cá fazer?
– Veio promover o papel higiénico da Renova. E largar as postas de pescada do costume. Que aldrabão! Isto é sempre o mesmo, e nós estamos fartos de saber: quando estão falidos, vêm à emigração prometer farturas. Devem julgar que somos estúpidos. [Read more…]

Manuel Pinto Coelho, um perigo para a saúde pública

resizer

É importante saber-se que o vírus Ébola não se transmite com facilidade. Para haver transmissão do vírus, tal como acontece com o vírus da SIDA – o VIH – é necessário um contacto direto com um líquido biológico do doente, como o sangue, as fezes ou o vómito.

O vírus Ébola é sobretudo perigoso quando mal acompanhado. Como os doentes infetados morrem de desidratação ou de hemorragias, então o tratamento consiste logicamente na hidratação e/ou transfusão sanguínea, e não na administração de uma qualquer vacina ou hipotético medicamento.

Que um tolinho escreva isto algures, compreende-se, uma aldeia sem tolinho não é aldeia. Que quem o fez assine como médico (e doutorado em Ciências de Educação, abstenho-e de comentar) e tenha saído no Público, é outra louça. [Read more…]

Choveu em Braga

Dizem que sim. [imagens FB]