Uma entrevista a reler…

…enquanto as pipocas estão ao lume. Que isto hoje só com um balde de pipocas.

JOSÉ SÓCRATES: “UMA PESSOA DEIXA DE EXERCER FUNÇÕES PÚBLICAS HÁ MAIS DE DOIS ANOS E NÃO TEM O DIREITO DE PEDIR DINHEIRO EMPRESTADO? MAS ISSO ESTAVA ESCRITO NALGUM LADO?” Revista Visão, Maio 2018
(Foto de Marcos Borga)

Duque de Edimburgo

Faleceu o Duque de Edimburgo, o marido de Isabel II. Com 99 anos.

Quotas? A discriminação do bem.

Estava a fazer uma passagem pelo Twitter e deparo-me com este título de uma notícia: “Plano contra o racismo prevê quotas para acesso de alunos de escolas desfavorecidas às universidades”.

Antes de tudo, admiro-me que estas quotas sejam inseridas num plano contra o racismo. Só há “alunos de escolas desfavorecidas” não-brancos? Há desfavorecidos privilegiados? Sinceramente, esta parece ser a pior forma de racismo de todas: é quando vem disfarçado de igualdade. Esta ideia presume que uma pessoa tem mais ou menos condições, em princípio, pela sua etnia. É um insulto a pessoas de etnias que seriam beneficiadas, pois há uma elite pseudo-antirracista que considera que necessitam de um empurrão. E é também um insulto a quem não seria beneficiado, pois colocam nos ombros destas pessoas o sentimento de que apenas são o que são pela sua etnia, como se não tivessem de trabalhar. [Read more…]

O dia D de Ivo Rosa

Ao contrário do que se escreve nalguns jornais hoje não é o Dia D da Operação Marquês. Em bom rigor, hoje nada se decide. Em bom rigor lusitano, só lá para 2030 é que alguma coisa será decidida em definitivo. Hoje é o dia D mas de Ivo Pinto, o Juiz.

O juiz Ivo Rosa precisou de quase 1000 dias para analisar e decidir. Segundo as fontes dos órgãos de comunicação social são mais de seis mil páginas. O juiz vai ler uma súmula das mesmas explicando a decisão e vamos ter fé que o dito resumo seja mesmo reduzido, caso contrário, vamos levar com umas valentes horas de directos televisivos com Ivo Pinto a ler. Só espero que tenha boa dicção – imaginem se eram alguns dos aventadores (este incluído) a ler 🙂

Ora, 1000 dias e 6.000 páginas depois, vamos aguardar pacientemente para ver o que produziu todo este trabalho. Quero acreditar que a montanha não vai parir um rato. Que se faça justiça é o que se pede. Se exige.

Ovos d’Ouro

«Doidas, doidas, doidas
Andam as galinhas
Para pôr o ovo lá no buraquinho

Raspam, raspam, raspam
Para alisar a terra
Bicam, bicam, bicam
Para fazer o ninho»

Suzana Garcia não exclui acordo com o Chega (a primeira entrevista da candidata do PSD à Amadora)

 

 

Hoje, morreu a minha vizinha Ana Luíza.

Jorge Cruz

(Texto publicado na edição de Fevereiro de 2021 do Jornal “Palavra”, Mensal da paróquia de Reguengos De Monsaraz).                                                            

Vincent van Gogh, Woman with a Mourning Shawl [https://bit.ly/3t4tDlZ]

Hoje, 7 de Fevereiro de 2021, morreu a minha vizinha Ana Luiza. Era a última das vizinhas da rua das Áreas de Baixo de quando para lá fui morar. A vizinha Ana Luiza era viúva do vizinho Miguel Tareja. O vizinho Miguel Tareja era escriturário no Zé Rosa, que era um senhor que tinha muitos negócios em Reguengos, entre os quais a loja dos rapazes que ficava no prédio onde depois foi o banco Espírito Santo, hoje Banco Novo. O vizinho Miguel Tareja era do Sporting e gostava muito de futebol. Foi ele quem me ensinou o que era um “offside”. E gostava muito de canários. Tinha uma casa cheia com canários, a que chamava a casa dos canários. No quintal tinha um porco e uma cisterna com uma bomba manual de tirar água. A vizinha Ana Luísa tinha muito medo das correntes de ar e do frio. Quando, às vezes, iam à noite à nossa casa ver televisão, de inverno, a vizinha Ana Luísa quando saia embrulhava-se toda com um xaile pela cabeça por causa do frio. A gente dizia que parecia um avejão. A vizinha Ana Luiza e o Vizinho Miguel Tareja só foram viver para a rua um pouco depois de eu já lá viver. Antes, naquela casa que fazia esquina com a rua de Mourão, viviam duas irmãs, já velhas, a que chamavam as “cabecinhas de rola”. Tinham muitos gatos.

Mais acima vivia o vizinho Miguel, que era casado com a vizinha Maria Antónia, que morreu muito nova. O vizinho Miguel era choffeur de camionetas. 

A vizinha Catarina, que era costureira, e o vizinho Lino que era canteiro de granito, viviam na casa seguinte. Era o nº 10. Mais tarde, o vizinho Lino emigrou para França, e quando voltou, já reformado, ia à pesca, numa mobillete azul que trouxera de França. Ainda fui com o vizinho Lino à pesca algumas vezes. Era um bom pescador. 

Sempre a subir a rua, viviam a vizinha Ilda e o Vizinho Joaquim Barbeiro, que era barbeiro. Nessa altura, em que eu era pequenino, tinham uma vaca no quintal para dar leite. Ainda não havia leite de pacotes, e o leite era vendido à porta. Os leiteiros traziam um cântaro de zinco e um receptáculo com as medidas, dos quartilhos e meios quartilhos até ao litro.

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Liberdade, liberdade, quem a tem chama-lhe sua…

Vêm aí as comemorações do 25 de Abril e, isso sim, é uma óptima razão para se falar de Liberdade. É uma bela razão para celebrar a Liberdade e a libertação.

O que é totalmente incompreensível para mim é este desfraldar sistemático do tema Liberdade na nossa actual sociedade, na qual, muito mais do que falta de Liberdade, existe falta de Igualdade.

Ele é partidos liberais a despontar, ele é uma forte ala intelectual a colocar o tema na agenda mediática, ele é uma pressão para alargar os limites da Liberdade e tolerância até englobarem aqueles que são, declaradamente, intolerantes, exclusivos, violentos.

Como se não houvesse outros valores a colocar na balança,

como se a liberdade de um não acabasse onde começa a liberdade do outro, [Read more…]

Que comunicação na comunicação de crise em Saúde pública: o papel dos meios de comunicação social (MCS)?

(Autora convidada: Professora Isabel de Santiago, Professora Convidada e Investigadora em Comunicação em Saúde Instituto de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UL)

Os dias de pandemia vieram trazer à arena da sociedade politica nacional e mundial os dilemas e os paradigmas sobre os quais os investigadores e teóricos da comunicação em saúde (CS) se debruçam diariamente: sejam em planos de intervenção para reduzir risco em situação epidémica ou pandémica ou, numa esfera mais caseira, na politica de promoção da saúde e prevenção da doença (PSPD), cujo exemplo mais elevado e recente é o do Governo Regional dos Açores, criando um inteligente pilar de desenvolvimento (humano). Veremos aqui, como se desenharam e desenham os caminhos dos MCS.

Nos últimos 50 anos do século XX, desenharam-se grandes teorias de CS que se atravessaram de forma corajosa e invadindo de forma avassaladora os mundos encriptados das ciências da saúde, da medicina, da psicologia, até da enfermagem. A comunicação em saúde não é senão a maior e melhor ferramenta da saúde pública. Pensarmos que todos têm competências para, começa por ser o erro número um. E o erro número 2, e o maior deles, tomar esta área científica como um arremesso de instrumentalização política. O que se aprendeu no terreno com a doença por vírus Ebola, em países lusófonos, dos quais destaco todo o território da Guiné Bissau1, foi  literalmente esquecido com esta pandemia da SARS-CoV2. Ela veio mostrar como a sociologia comportamental dos políticos e a psicologia de determinados egos destruiu aquilo que deveria ser uma mensagem chave singela para os diferentes públicos-alvo, considerando as diferentes idiossincrasias regionais deste País, verdadeiramente vulneráveis. Sem acesso a nada: internet, satélite, televisão por cabo, SMS, jornais ou o que queiram. Os povos deste país, são pobres. São humildes. Sofrem de uma elevada iliteracia em saúde e os maiores responsáveis são os agentes políticos que (des)comunicam saúde para se ouvirem e (des)informarem os seus (inter)pares.

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“A culpa não pode morrer solteira” – Jorge Coelho (1954-2021)

Foi o único político português na minha geração que não deixou a culpa morrer solteira mesmo se, verdade seja dita, não tivesse sido sua a culpa. Assumiu-a enquanto Ministro da tutela. Foi a aventadora Noémia Pinto que nos relembrou esta frase dita por Jorge Coelho na madrugada da queda da ponte de Entre-os-Rios. Faleceu hoje tragicamente.

 

(foto de Sérgio Azenha / Sábado)

Rui Rio não descansa…

…. enquanto não der cabo de vez do PSD.

O que distingue este PSD de Rio/Suzana Garcia do Chega de André Ventura? E escusam de culpar a senhora, ela não está aqui a enganar ninguém, todos sabem (e sabiam quando a convidaram) o que pensa e como pensa. E não serve a desculpa de que foi uma escolha da estrutura local, pois em Coimbra a estrutura local tinha escolhido um candidato e a Nacional vetou.

A candidata do PSD à Amadora, Suzana Garcia, é advogada e foi comentadora da TVI, onde manifestou posições polémicas como o apoio à castração química para pedófilos reincidentes, que tem sido defendida em Portugal pelo partido Chega.

Obviamente, o Chega elogiou esta escolha (pelos vistos a senhora até tinha sido convidada pelo partido de André Ventura) e devem estar a rir-se. Este PSD de Rui Rio é uma caricatura e uma ofensa aos seus fundadores.

Ao contrário do que pensa alguma comunicação social da capital, este é o mesmo Rio que governou a cidade do Porto. Exactamente o mesmo. Só que agora está em Lisboa, sob escrutínio directo. É o mesmo Rio intolerante, uma espécie de tiranetezinho de trazer por casa, um achista que “acha” umas coisas sobre o papel dos agentes culturais, que arrota uns bitaites sobre subsídio-dependência, que persegue (manda perseguir pois Rio sempre foi um cagão) os que discordam dele. Só que quando era presidente da Câmara do Porto, a comunicação de Lisboa achava-lhe piada porque se pegou com Pinto da Costa e ignorava tudo o resto. Não via a forma como destratava a oposição, não via a arrogância própria dos medíocres na forma como lidava com os trabalhadores da sua instituição, não queriam saber dos tiques de tiranete feudal. Nada. O que importava é que o homem enfrentou Pinto da Costa – nem isso é bem verdade, mas não vale a pena explicar pois quem sabe não precisa que lhe explique e quem não sabe não quer ouvir a explicação.

Este Rio é o garante político de António Costa e o melhor adubo do Chega.

Abril é o mês da Liberdade no Aventar

O “Pod Ser ou nem Por Isso” desta semana, que será publicado hoje (18h), conta com a participação de duas grandes figuras da política nacional: Rui Tavares e Adolfo Mesquita Nunes. É com eles que arranca um ciclo de de debates e publicações sobre Liberdade que o Aventar vai lançar durante o mês de Abril com diversas personalidades dos mais diversos quadrantes da nossa sociedade. Celebrar os 47 anos do 25 de Abril de 1974 e os 12 anos de Aventar é celebrar a Liberdade.

Aqui fica um pequeno apontamento do debate a não perder entre Adolfo Mesquita Nunes e Rui Tavares com a moderação do aventador Salvador Figueiredo.

Enquanto não derem cabo de tudo, não estão contentes

Em defesa da Tapada das Necessidades”

Os traidores de 6 Abril e um outro abrilismo que também interessa

Com 45 anos de idade, sou e serei sempre grato ao 25 de Abril e a liberdade que daí resultou. Esse dia encheu de alegria a geração dos meus pais e avós e eu invejo-os por terem vivido esses dias, ainda jovens ou adultos. Este é o Abril deles.

Mas hoje o meu Abril é também outro. É sempre será.

“O Governo decidiu hoje mesmo dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira”
A 6 de Abril de 2011, José Sócrates anunciava a capitulação do país.
A crise não foi causada por portugueses, isso é óbvio. Assim como é óbvio que não foram os mercados os responsáveis pela protecção a banqueiros como Salgado, Oliveira e Costa, Rendeiro ou Armando Vara. Ou Vitor Constâncio. [Read more…]

6 de Abril de 2011 não foi uma noite de nevoeiro

Já passaram 10 anos e parece que foi ontem. Até porque uma parte substancial dos membros desse governo estão actualmente em funções. Parece que foi ontem porque o Portugal político que em 2006 nos levou para o buraco em pouco se distingue do de hoje.

O na altura ministro das finanças e o único, no governo de então, que foi capaz de enfrentar José Sócrates é senhor de uma frase lapidar no Dinheiro Vivo (DN/JN) de hoje: “Portugal, de 2011 até agora, foi consistente e mostrou rigor nas contas públicas“. Assumindo a falta de rigor das contas públicas no reinado do “animal feroz”. A falta de rigor que teve como consequência a bancarrota e a vinda da troika. A que se seguiram anos de sofrimento, de pobreza e de um Portugal intervencionado.

Sem perdão possível.

Ora, os filhos, os enteados e as viúvas de Sócrates continuam a “andar por aí”, como se nada fosse. E ninguém foi preso. Porque em Portugal a culpa morre sempre solteira. Entretanto, José Sócrates continua a aguardar se vai ou não a julgamento. E Portugal continua à espera de D. Sebastião…

Braga: por este Ricardo abaixo


[Costa Guimarães]

Os últimos comportamentos do presidente da Câmara Municipal demonstram o estertor ético da actividade político-partidária da maioria PSD/CDS/PPM em Braga. O povo diz, na sua secular sabedoria, que Ricardo Rio devia olhar por ele abaixo e, quando quer ser mais acutilante, sente pena do seu pai porque deve sentir-se envergonhado com o filho que tem.

Vamos aos factos.

  1. É conhecida de todos os bracarenses obsessão pela fotografia, fazendo com que a Câmara Municipal de Braga, nos últimos oito anos, gaste rios de dinheiro com publicidade nos jornais e rádios de Braga, do Porto e de Lisboa. Basta consultuar o site http://www.base.gov.pt/Base/pt/ResultadosPesquisa?type=contratos&query=adjudicanteid%3D3773, sempre por ajuste directo.

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Extrema-Insciência

Desde 2015, depois de Bloco de Esquerda e Partido Comunista terem feito um acordo de governação com o Partido Socialista, que se repete uma ladainha que, antes, não tinha a proporção extremada que hoje tem. Essa ladainha desonesta acentuou-se em 2019, depois da entrada do CHEGA na Assembleia da República, com a ajuda de outra direita que, no mesmo ano, também entrou pela primeira vez na AR. Curiosamente, estes dois novos partidos de direita têm como bandeira “acabar com o socialismo”. Onde é que já ouvimos esse discurso, na História?

Essa estória do diabo, dizem-nos os carrascos do socialismo, afirma sem pejo que BE e PCP são representantes da extrema-esquerda no Parlamento português; narrativa que nunca teve grande dimensão antes da entrada e ascensão da extrema-direita e dos ditos liberais no panorama político-ideológico português. Esta é uma narrativa pífia de argumentação válida, sem afirmações concretas sobre o extremismo de esquerda representado, na cabeça destes senhores, pelos dois partidos à esquerda do PS. Ignoram a diferença etimológica entre “extremista” e “radical”, e nem por haver uma extrema-direita que põe em causa a Democracia, as instituições e as leis fundamentais do país impressas na Constituição, conseguem os iluminados dos extremismos reivindicar duas características que sejam, desde que há regime democrático, exemplo do extremismo de esquerda, inversamente proporcional ao extremismo de direita de André Ventura e Cª. Se ao PCP, durante o PREC, se pôde apontar o dedo (como se pôde apontar o dedo às forças reaccionárias contra-revolução, como o eram o CDS-PP – e ninguém, hoje em dia, no seu perfeito juízo, considerará o partido democrata-cristão de extrema-direita), hoje em dia não faz sentido colocar no mesmo saco de extremos opostos o PCP, o BE e o CH, pelas razões que aponto no supracitado. [Read more…]

Extrema-direita e negacionistas: um bromance de ódio ignorância e oportunismo

O Relatório Anual de Segurança Interna de 2020 alerta para aquilo que só ainda não viu quem não quis: que a extrema-direita e os negacionistas da pandemia se aproximaram. Que andam, na maior parte dos casos, de mão dada.

Para além da ameaça que isto representa para a segurança de todos os portugueses, da nação e da própria democracia, existe uma outra perversidade nesta questão, que consiste em arrastar consigo um debate que pode e deve ser feito, mas que está minado pelo negacionismo, embrulhando, na mesma bola de neve, chalupas irresponsaveis e pessoas bem intencionadas, que questionam, com toda a legitimidade e rigor, várias opções que foram e estão a ser feitas, no domínio social e económico.

É preciso separar as águas. É preciso que quem levanta questões pertinentes não seja confundido com malucos doutorados por páginas “da verdade”. Até nisto, a extrema-direita, ela própria a viver uma fase de negacionismo científico que é anterior à pandemia, é um vírus para o qual urge encontrar uma vacina. Nunca a nossa democracia esteve tão ameaçada. E não são as medidas de confinamento, aplicadas em todas as democracias liberais europeias, a causa do problema. Essas são temporárias. O problema são aqueles que pretendem aplicar outro tipo de medidas de confinamento. Permanentes.

Prémios de Turismo: Paga Zé….

Primeiro foi o Elidérico Viegas que denunciou o esquema e entretanto foi corrido (disso já se falou no Aventar)

Já se sabe que a brincadeira com o nosso dinheiro custou mais de 80 mil euros em Braga. E como foi no Porto (e em Lisboa sem esquecer a Madeira e o Algarve)? Só para a malta saber e perceber. Sobretudo, perceber como se criam mitos de génios da gestão, como se justificam salários milionários de certos gestores públicos e como os responsáveis do Turismo de Portugal nos vendem a banha da cobra.

All a bunch of socialists

Até o Chega.

Memória Fotográfica I: Lisboa – Cidade triste e alegre

Lisboa – Cidade Triste e Alegre, edições Círculo do Livro, 1959

“Um livro que é um poema, ou uma história de Lisboa que é uma fotografia da cidade (…)”
(in Público, Joana Amaral Cardoso 12 de Abril de 2018)

Em 1959, por iniciativa e trabalho da dupla de arquitectos Victor Palla e Costa Martins, é publicado, pela primeira vez em Portugal, o livro fotográfico Lisboa – Cidade Triste e Alegre.

“O livro reúne cerca de 200 fotografias, que os autores paginaram em estreita relação com excertos de poesia da autoria de Fernando Pessoa (et Álvaro de Campos, Ricardo Reis), António Botto, Almada Negreiros, Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Alberto de Serpa, Cesário Verde, Gil Vicente, e inéditos de Eugénio de Andrade, David Mourão-Ferreira, Alexandre O’Neill, Jorge de Sena, entre outros nomes da cena literária portuguesa de então, com destaque ainda para o texto de abertura de José Rodrigues Miguéis.” (Círculo do Livro, Lisboa – Cidade Triste e Alegre, 1959). Em 2006, após a morte de Victor Palla, o livro foi re-editado. [Read more…]

¿Por qué te callas, Joacine?

Hoje, na TVI, Miguel Sousa Tavares fez as perguntas que ninguém se atreveu a fazer nos nossos meios de comunicação social. Em especial a pergunta que dirigiu a Joacine Moreira:

“O que temos aqui é o negócio que é a venda de gás natural no Norte de Moçambique para o qual o governo de Moçambique chamou grandes multinacionais, como a Total, garantiu a segurança dos estrangeiros que trabalhavam para o negócio e quanto à população local não só foi desalojada das suas terras gratuitamente, alguns pescadores foram desalojados das suas zonas de pesca, não recebem um tostão pela exploração do gás natural e em troca recebem morte, insegurança e fome. Como já tinha acontecido antes, quando Moçambique concedeu a empresas de celulose portuguesas grandes áreas de exploração de eucalipto e as populações foram retiradas de lá. Moçambique é um país rico vítima dos seus próprios dirigentes políticos e nós assistimos a isto em vários outros países africanos e faz-me impressão e numa altura em que a narrativa dominante é questionar-mos o nosso passado colonial e só aquilo que ele teve de mau, eu pergunto-me: E estes países, a Guiné Bissau, por exemplo. O Presidente da Guiné Bissau, no primeiro ano do seu mandato fez 50 viagens ao estrangeiro, privadas e oficiais, a receber 1.350 dólares por dia e 50 mil dólares em despesas de representação por cada viagem, num país miserável como a Guiné Bissau e eu não oiço a Joacine Katar Moreira, que é originária da Guiné Bissau, que tanto crítica Portugal, país de acolhimento, ter uma palavra sobre a Guiné Bissau”.

Podem ver e ouvir toda a intervenção de Miguel Sousa Tavares AQUI.

Adventista capitalista: um sonho molhado

«Money, money, money
Must be funny
In the rich man’s world
Money, money, money
Always sunny
In the rich man’s world
All the things I could do
If I had a little money
It’s a rich man’s world
It’s a rich man’s world»
Um sonho molhado.

Se a aldrabice pagasse imposto

Por vezes, aparece menos polido, tal como Louçã apareceu há semana e pouco. Por outras, aparece mais polido, como hoje apareceu o João Maio. Mas nunca se deixará de notar no fanatismo ideológico típico do Bloco. Mais um chorrilho de mentiras e que não admira ninguém. Porquê? Porque o Bloco não passa disto. O Bloco faz lembrar as Produções Fictícias, que tinha um lema parecido com “contra factos, arranjamos argumentos”.

Sempre que quiserem visitar um resumo da cartilha bloquista sobre o que os liberais querem para a saúde é visitar o texto do João, que nem conhece o meu gosto por calçado.

O modelo que os liberais defendem para a saúde não caiu do céu. Existe e resulta em vários países europeus. Por muito que o João gostasse que assim fosse, a IL não defende o modelo dos EUA.

A IL defende que acima do lucro, de ser privado, público, etc, está a saúde das pessoas. No entanto, a esquerda está a marimbar-se para a saúde das pessoas, porque é mais importante provar que um modelo falhado funciona.

Até a socialista Marta Temido assumiu que é necessária uma melhor colaboração entre todos os setores. O maior adversário do socialismo, talvez maior do que o liberalismo, é a realidade.

Se temos filas e filas de espera deve-se as péssimas políticas públicas que excluem privados das soluções como se não fossem úteis. Enquanto os liberais querem alargar as hipóteses de escolha, não aumentando a despesa pública, o Bloco pretende aumentar a despesa num modelo mais do que falhado? Parece que sim. E para isto, é necessário criar espantalhos como se a saúde deixasse de ser um direito com o modelo liberal.

O João decide ainda dar um ar da desonestidade a que o Bloco nos habituou e pegar num caso isolado que aconteceu num hospital privado. Foi de facto algo desumano e que não aconteceria se não tivéssemos o privado reservado a ricos. Mas é preferível criar filas de espera intermináveis do que recorrer a todos meios disponíveis. Ou isso, ou o João quer privados a trabalhar de graça. Enfim, é toda uma realidade paralela em que se agitam umas bandeiras fáceis com as mentiras habituais sobre os liberais. Até o termo liberal tentam deturpar.

Os anos passam, a realidade mantém-se: o Bloco não consegue largar os seus preconceitos.

Quando o mentiroso é ideológico

«No dia das mentiras, no esquerda.net foi lançado um artigo fiel à identidade do Bloco. O texto é de Bruno Maia, médico neurologista. Também é ativista, claro está. O que podemos ler neste texto é mais uma mentira e uma tentativa de colar os liberais a regimes ditatoriais.»

No preâmbulo do seu último artigo aventaresco, o meu colega Francisco Figueiredo decidiu ir pelo caminho da lama. Tendo o Francisco, como bom liberal que é, uns Stan Smith brancos calçados, desaconselharia o caminho lamacento, envolto em pó e poeira, pelo qual os liberais tanto gostam de caminhar. Desaconselho, por duas razões:

1 – O liberal Francisco Figueiredo não entendeu o texto que leu;

2 – Ao não o entender, mesmo assim, sentiu-se tocado pelas “mentiras de sempre sobre liberais”, cito, e, por tal, enfureceu-se escrevendo um rol de disparates ideologicamente mentirosos.

Vamos a factos. No seu artigo, lançado no primeiro dia de Abril, Bruno Maia, médico neurologista, intitulado “A ideologia liberal é antiga”, faz uma analogia entre o que hoje defendem os neo-liberais para a saúde (e basta consultar programas dos partidos para o aferir) e o que defendia e praticava o Estado Novo. O que defende, então, o Iniciativa Liberal para a saúde? Queremos mais liberdade para decidir onde queremos ser tratados.”: é o mote do partido para a sua defesa do reforço dos privados e o enfraquecimento do Serviço Nacional de Saúde; diga-se, é essa a proposta do IL: reforçar o capital, aumentar os custos e deixar morrer, aos poucos o SNS, mantendo-o magro e em serviços mínimos (sim, os Mr. Burns da política dir-vos-ão que não, que o objectivo será manter um SNS de serviços mínimos que garanta aos pobres o seu acesso e, por outro lado, dar mais autonomia aos privados – aqui, dir-vos-ão que o objectivo é que mais gente tenha acesso ao privado). Dado o mote, o partido discorre meia dúzia de medidas que acha necessárias para alavancar a saúde que defendem. Passo a enunciar um par delas: [Read more…]

Os maus banqueiros na Islândia

A prisão onde estão os maus banqueiros islandeses. Por cá, o problema está nos apoios sociais.

Quando a ideologia é a mentira

No dia das mentiras, no esquerda.net foi lançado um artigo fiel à identidade do Bloco. O texto é de Bruno Maia, médico neurologista. Também é ativista, claro está. O que podemos ler neste texto é mais uma mentira e uma tentativa de colar os liberais a regimes ditatoriais. Como o Bloco padece de uma qualidade argumentativa terrível repleta de lugares comuns e bandeiras fáceis como se fossem influenciadores de Instagram, tem de recorrer aos fantasmas que cria para tentar atacar o maior adversário do coletivismo que alimenta o Bloco há mais de 20 anos: o liberalismo.

Uma semana torna-se invulgar se não aparecer alguém desta esquerda a repetir as mentiras de sempre sobre liberais, beneficiando da memória curta das pessoas. Os liberais começaram por explicar a sua ideia para a saúde de uma forma pouco clara, pelo menos para o Bloco, mas a cada vez que isto acontece, os liberais tornam-se mais claros. Mais meia dúzia de meses e vemos liberais a explicar a sua ideia para a saúde com bonecos da Playmobil. [Read more…]

Quando 16 pontos dá direito a título, será que 15 pontos também pode?

O título da notícia do ECO reza assim: “Sondagens colocam Rio 16 pontos abaixo de Costa“. Um valor que me surpreende. Sendo Rio um verdadeiro zero à esquerda enquanto líder do PSD (e da oposição) a surpresa é Costa só estar 16 pontos na frente.

Só que o título podia ser outro: “Chega de André Ventura já só está a 15 pontos do PSD de Rio”. E isto sim, é surpreendente e assustador. O problema de Rio ser o presidente do PSD não é o de ser uma garantia de vitória para Costa. Não. É o de estar a tornar o PSD tão insignificante que até o Chega se está a aproximar. Dirão alguns que não passa de uma sondagem e de um momento. Foi o que pensaram os do Partido Popular em Espanha sobre o VOX e agora, nas últimas sondagens, aparece o PP com 19% e o VOX com 15%.

Ou os militantes do PSD se organizam e tiram de lá o Rio ou vão todos ao fundo com ele. Neste momento o PSD é o Titanic da política portuguesa e o maestro Rio continua a tocar. Valha-nos Deus…

 

(cartoon palmado AQUI)

Suzana Garcia e o buraco sem fundo onde Rui Rio enfiou o PSD

Se dúvidas restassem sobre a enrascada em que Rui Rio enfiou o seu partido, no dia em que decidiu romper o cordão sanitário nos Açores – quando nem sequer precisava de o fazer para governar, bastando-lhe ter sido suficientemente estratégico para deixar a batata quente nas mãos de Ventura, obrigando-o a escolher entre a coligação de direita e o PS – a escolha da concelhia do PSD Amadora para o combate autárquico que se avizinha, nada mais, nada menos que Suzana Garcia, é reveladora da condição de refém de Rio e do PSD face ao storytelling da extrema-direita.

Suzana Garcia não é apenas uma comentadora histriónica que apareceu em cena como artista de variedades populistas no programa de Manuel Luís Goucha, conhecido por dar palco aos mais variados entertainers da autocracia, como o neo-nazi Mário Machado ou o próprio André Ventura. É alguém que, com uma agenda política, que agora fica evidente, aposta tudo numa retórica populista e demagoga, repleta de tiradas racistas, xenófobas e extremistas, características da narrativa de ódio, divisionismo e ressentimento que encontramos na cartilha do Chega. O próprio André Ventura aproveitou a deixa para humilhar Rui Rio, uma vez mais, na rede social Twitter:

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15 de Abril de 2009

Foi a 15 de Abril de 2009. A minha primeira vez.

Quando me perguntam o que mais gosto no Aventar respondo com uma simples palavra: Liberdade. Por sinal, a palavra mais bela. A palavra com sentido.A palavra para expôr ao vento.

Arrepiante!

Há uma ligação muito especial das estruturas de alguns clubes ao próprio clube. A Real Sociedad e o Athletic Bilbao são exemplos disso. Calhou ser a Real Sociedad a levar a Taça para casa e o treinador deu-nos esta pérola. Este exemplo de amor ao clube. Isto é Futebol no seu estado mais puro.