Inominável

“Grupos armados, de cara tapada, já terão matado mais de 1.100 pessoas, em cerca de dois anos e meio, e há mais de 200 mil deslocados a precisar de ajuda humanitária…aquilo por que a população de Cabo Delgado tem passado é uma coisa inominável”.

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Árvores do Algarve III

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Fernando Pessoa e a inteligência sem cortinas

O inglês, a língua mais rica da Europa pela junção dos elementos “anglo-saxões” com os latinos, (…) naturalmente, enferma de uma estrutura do verbo relativamente acanhada e que só com uma prolixidade de emprego dos verbos auxiliares de certo modo se redime.
Fernando Pessoa

Retrato de Fernando Pessoa, de José de Almada Negreiros [https://bit.ly/2BXJWLN]

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Quando políticos falam sobre língua e sobre assuntos directa ou indirectamente com ela relacionados, é certo e sabido que tais iniciativas trazem água no bico. Segundo a Iniciativa Liberal (em chilreio antigo, só entretanto lido), Fernando Pessoa “foi uma das principais figuras do liberalismo português”. Para justificar tão ousada afirmação, a IL cita Fernando Pessoa:

Há serviços de Estado em muitos países, que trabalham com deficit previsto para beneficiar o consumidor. Como, porém, esse consumidor é ao mesmo tempo contribuinte, o que o Estado lhe dá com a mão direita, terá fatalmente que tirar-lho com a esquerda. O consumidor é, no fim, quem paga o que deixa de pagar.

Sendo correctíssima quer a citação feita pela IL, quer a seguinte descrição de Pessoa sobre si próprio

Conservador do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário,

também não é menos verdade que Pessoa escreveu esta maravilha:

Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia. Deve ter, não crenças religiosas, opiniões políticas, predilecções literárias, mas sensações religiosas, impressões políticas, impulsos de admiração literária.
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Jornalismo versus Cidadania

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[Salomé Correia]

Um dos trabalhos mais importantes dos jornalistas é verificar a veracidade do que escrevem. Todo este artigo, do texto à imagem escolhida (convenientemente de protestantes que fazem parte do movimento Black Lives Matter) leva quem o leia a pensar que estes protestantes se estão a tornar violentos e a atacar a polícia.

Ora, eu estou cá – eu leio as notícias e vejo vídeos e conheço pessoas que por acaso até têm feito parte de algumas das manifestações.

A primeira coisa a apontar é que estas pessoas que estão, hoje, realmente a ser violentas, são de extrema direita – tendo efectivamente utilizado SAUDAÇÕES NAZIS durante as suas demonstrações. Não vejo isso a ser partilhado. Aliás, no artigo, a única coisa que dizem sobre estas pessoas é: “Alguns membros do grupo de extrema-direita Britain First foram hoje à Praça do Parlamento, segundo relatos dos meios de comunicação social, acompanhando o líder Paul Golding para proteger os monumentos.
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Má-fé

Um Povo que se consegue indignar com tudo e mais alguma coisa (desde que a causa da indignação obedeça aos altos critérios do politicamente correcto), mas que aceita fleumaticamente isto, é um Povo que pede e, já agora, merece que o enganem, que o explorem e que o gozem.

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Medrosos

Imaginem uma povoação com cerca de 1000 pessoas em que 950 ficam em casa caladinhos e os outros 50 vêm para a rua gritar muito e histericamente. Não tenham dúvidas, esses 50 vão parecer 500, 600 ou 700 e o que berram vai aparentar ser o pensamento dominante.

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Não apareceram filmagens

Nem políticos mostrando indignação e solidariedade para com o trabalhador agredido…

«A maior estátua de todas»

Foto: Hugo David (https://bit.ly/2YpDTqY)

Se os vossos feitos foram romanos, consolai-vos com Catão, que não teve estátua no Capitólio. Vinham os estrangeiros a Roma, viam as estátuas daqueles varões famosos, e perguntavam pela de Catão. Esta pergunta era a maior estátua de todas. Aos outros pôs-lhes estátua o senado, a Catão o mundo.
— Padre António Vieira, imperador da língua portuguesa, “Sermão da terceira quarta-feira da Quaresma

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Ontem, depois de ter ouvido a notícia da vandalização de uma estátua do Padre António Vieira, fui reler o Sermão da Terceira Quarta-feira da Quaresma, de 1669. É um dos textos mais bonitos daquele a quem Pessoa chamou o imperador da língua portuguesa. Neste sermão de Vieira, encontramos uma máxima que me acompanha há mais de trinta anos: [Read more…]

40 mil mortes no Brasil.

O Brasil ultrapassou a marca dos 40 mil mortos pela covid19.

Walcott para quatro semanas?

Claro que não. Walcott pára quatro semanas. Efectivamente, A Bola não adopta o AO90.

25 depois da morte de Alcindo Monteiro, no país onde o racismo “não existe”

AM

Se fosse vivo, Alcindo Monteiro teria hoje 52 anos. Azar o dele, foi apanhado pelos “festejos” do 10 de Junho de 1995, que, em extrema-direitês, significou passar a noite a espancar negros no Bairro Alto. Alcindo foi um deles, apanhado por uma matilha raivosa de escumalha skinhead, e não resistiu aos ferimentos. Como ele, vários outros negros foram espancados nessa noite. Felizmente, mais nenhum faleceu.

Dizer que Portugal é um país racista é uma falácia. Dizer que não existe racismo em Portugal é desrespeitar a memória de Alcindo Monteiro, e de outros, que, de formas mais ou menos bárbaras, sofrem, ainda hoje, discriminação com base na sua cor de pele. E importa não esquecer que, alguns destes racistas violentos, com longos e assustadores cadastros, transitaram recentemente de organizações neonazis para o partido unipessoal daquele cujo nome não pode ser mencionado. [Read more…]

Dia de Portugal

13339656_1727132170893326_8944005229948290680_nMais importante do que nos orgulharmos da nossa História e das nossas gentes é refletirmos no que podemos fazer para melhorar sempre este país.

Viva Portugal!

Preconceito e racismo, diz ela

[João Roque Dias]

Hoje, volto ao embuste de continuar a haver gente que acha que português e brasileiro são a mesma língua. Este achismo tem uma explicação simples: os achistas deste achismo acham que sim, porque sim. A apoiar o seu achismo, os achistas apresentam um argumento que tem, contudo, algo de verdade: como há ainda muitas parecenças entre o português e o brasileiro, os achistas ficam-se por aqui e acham que sim, que as parecenças são suficientes para acharem que têm razão. Quanto ao facto de uma e outra língua não servir para comunicação – natural e pronta, como devem ser as línguas – fora do seu espaço original, os achistas fazem de conta que não é verdade. Mas é! E quanto mais a língua, uma e outra, serve para comunicação especializada, mais verdade é. Como vamos ver, os achistas continuam a achar que não é, e acham que resolvem o problema com “glossários”.

E hoje, o embuste vem até profusamente ilustrado por uma achista com doutoramento e tudo, Margarita Correia. Conta ela, hoje, 9 de Junho de 2020, no Diário de Notícias (“E por falar em racismo…”), o seu encontro com uma brasileira, a Juliana, e as vicissitudes desta com a língua que, como ainda tem parecenças com a sua, ela achou até que era a mesma. E mais. Achou até que podia usar livremente, e com proveito, a sua língua (numa espécie de salvo-conduto), em Portugal. E foi a realidade, que é teimosa, que se encarregou de lhe demonstrar quão errado, e perigoso, é insistir neste achismo: [Read more…]

O confinamento voluntário do poder político português

O que quer que aconteça na vida não se reduz nunca ao facto do seu acontecer.
— António de Castro Caeiro, ‘Epidemia’ e ‘pandemia’: manifestações de totalidade (pdf)

I believe it was inevitable
VH

nothing but an ego[‘s]-trip, yeah!
Bach

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Em primeiro lugar, esta comparação entre Cristiano Ronaldo e o ministro das Finanças — seja ele Centeno, seja ele Leão, seja ela Alburquerque ou seja ele Gaspar — é inadmissível e ridícula. A culpa inicial é de Schäuble, sim, mas não vale a pena perpetuar o delírio: já chegam as vaidades patrocinadas pelo Expresso. Estou de acordo com Tennessee Williams, não nos devemos intrometer nas vaidades dos homens — embora o maravilhoso dramaturgo só tenha chegado a esta conclusão depois de satisfeito com a tareia dada à ego-trip de Menotti. No entanto, a vaidade de um maestro ainda é como o outro: mas um ministro, efectivamente, não é um maestro.

Passando àquilo que interessa, sabemos que é inevitável. Abre-se o Diário da República e… ei-los.

Continuai no vosso confinamento voluntário, encolhei os ombros, assobiai para o ar, tapai o sol com a peneira, escrevei Orçamentos do Estado vergonhosos, dai-nos música sobre a língua, blá, blá, blá, e, principalmente, mantei-vos no vosso buraquinho, muito escondidinhos, bem distantes da realidade, para que o vosso faz-de-conta tenha um ar bastante sincero.

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Nótula: Segue-se um desabafo em forma de nótula, com reactivação dos primeiros apontamentos para este meu texto publicado na Torpor. Por mero acaso, tropecei neste debate entre Jack Lang e Éric Zemmour. Estava tudo a correr relativamente bem, até aparecer a história do pai de Zemmour. Enquanto os intelectuais que se pronunciam sobre tradução se mantiverem preguiçosamente encostados ao bordão do traduttore tradittore, continuaremos a assistir a debates vazios, travados por quem insiste em discutir pela rama assuntos efectivamente sérios. Como podereis reparar, o “traduire, c’est trahir” de Zemmour é acompanhado por aquela expressão corporal do “não se fala mais sobre o assunto“. Como diria Finkielkraut, “cette arrogance est absolument insupportable”. Quando políticos discutem língua, já se sabe que há despistes, mas, francamente, “idiot utile” (ou “inutile”, vai dar ao mesmo) não se admite e a réplica “idiot calculé“, passados uns dias, é igualmente inaceitável.

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A GNR chama a atenção para a *contrafação

E o que é a *contrafação? É a contrafacção contrafeita.

Privilégio Branco?

Há umas quantas coisas de que me orgulho. Sou português, portuense, portista, liberal e gosto bastante de salmão. Sou sincero, nunca senti muito orgulho em ser branco, porque nunca pensei nisso sequer. No máximo, posso dizer que me orgulho de ser europeu.

No sábado, realizou-se, por toda a Europa, o protesto contra o racismo. Tudo isto começou pelo assassinato bárbaro numa cena de abuso policial, nos EUA. Tudo isto originou uma enorme revolta e que se baseou em chavões como “privilégio branco”. Lamento informar os mais ativos nesta luta, mas esse tal privilégio branco não existe. E também lamento informar que não existe racismo estrutural em países como Portugal ou os EUA.

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Os ratos são os primeiros a abandonar o barco

Mário Centeno sai do Governo.

Casa Branca rodeada por uma vedação com cerca de 3 Km

Quem tem cu, tem medo. O que se aplica também ao fanfarrão do Twitter. Parece que vai enviar a conta ao México.

Mini-me

Trump larga uns gases e Bolsonaro corre a cheirar. Os últimos casos, num claro e continuado decalque, têm passado pela cópia da resposta ao covid. Desvalorizar, promover a hidroxicloroquina, bloquear a comunicação social, ameaçar sair da OMS e manipular os números.

Em Portugal, um tal ventura do chaga procura a voz do dono entre Bolsonaro, Salvini e Trump, sendo que este último agora anda com pouco tempo devido à debandada no seu próprio partido, desde Powell, Mattis, Mitt Romney a Lisa Murkowski. Até o seu secretário da defesa o mandou pastar quando Trump quis enviar o exército contra a população.

Estes mini-me que idolatram Trump podem começar a ver os filmes do Austin Powers para tirarem ideias, começando pela parte de mexerem os lábios enquanto o dono fala. Se ainda tiverem dúvidas, peçam conselhos ao José Manuel Fernandes, que ele logo mostra como é que se atira areia para os olhos.

O racismo do anti-racismo

Sei que sou eu contra o mundo todo, mas não consigo compreender esta coisa do BLM e as manifestações por todo o mundo.

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Jair Bolsonaro: o pior gestor mundial da pandemia tem medo da verdade

JB

De longe o pior na gestão da crise sanitária, que começou por desvalorizar e apelidar de “gripezinha”, Jair Bolsonaro decidiu restringir o acesso aos dados da pandemia. Com o país mergulhado numa tempestade perfeita, com uma curva epidemiológica a subir a pique, dúvidas quanto à veracidade dos dados divulgados e suspeitas fundadas de fraude na contabilização do total de óbitos, Bolsonaro está refém da sua incompetência e negligência, e, sem surpresas, optou pelo caminho da opacidade total. Eis o regime que capturou o Brasil em todo o seu esplendor: incompetência, negligência, fraude, fanatismo, ocultação e desrespeito pela vida humana. E eis o que nos espera, se algum dia cairmos no erro de nos deixarmos levar pelo canto da sereia neofascista, cujo nome não pode ser mencionado, e que tenta, a todo o custo, aproximar-se do clã jihadista que se empenha em transformar o Brasil num regime autocrata.

Pandega pandémica em Lisboa


Após o desconfinamento e com os números da pandemia a subirem em Lisboa, ouvimos frequentemente aos responsáveis políticos e técnicos da saúde, queixumes que os cidadãos não estão a enfrentar o problema com seriedade. Ameaças veladas que pode ser necessário recuar, interditar praias, centros comerciais, grandes lojas e vários serviços do Estado permanecem encerrados, para nosso bem ao que dizem, enquanto a economia agoniza, aumentando o número de falências e consequente desemprego. Mas em Portugal as regras nunca são exactamente iguais para todos, senão vejamos: [Read more…]

A sessão ortográfica

It was a new breed of men, created by the Renaissance cult of the individual, who embarked on these hazardous voyages of exploration.
Gustav Jahoda

You’re perfect, yes, it’s true.
Mike Patton

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Já aqui se reconheceu a vantagem de sexão em relação a secção, por não haver cê à mão de semear para suprimir. Ou seja, enquanto secção é uma presa fácil, sexão é uma grafia à prova de bala. Há uns anos, secção começou a transformar-se em seção na consciência grafémica de determinados escreventes e chegámos ao ponto de sessão. De facto, no caso aqui apreciado, a doutrina alternativa de 1990 — a do n’importe quoi, estimulada por pérolas como “agora facto é igual a fato (de roupa)” ou “se disser Egito escreve sem ‘p’, mas se disser Egipto escreve com ‘p’” — dividir-se-á entre duas interpretações extremamente sofisticadas: por um lado, a sexão de voto e, por outro, a sessão de voto.

Secção de voto, algures na cidade de Lisboa. Foto: Cristina Carvalho (http://bit.ly/2JGgAo2), cf. Aventar, 26/5/2019 (https://aventar.eu/2019/05/26/sexao-seccao-secao/)

Tudo começou a descambar [Read more…]

“Andar de Transportes” *

O fim-de-semana da RTP

No outro dia, a RTP enganou-nos, dizendo que a semana de calor estava a acabar.

Hoje, a RTP recuperou a forma ortográfica clara.

Todavia, pouco depois, sabe-se lá porquê, a RTP arrependeu-se.

Dizem por aí que está tudo bem.

É provável.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Os coitadinhos

Isto não é sobre futebol. Melhor, isto não é só sobre futebol.

Não gostei de me sentir melhor porque a seguir à derrota do meu Porto, o benf…os coisos empataram. Eu sei que aqui há a vantagem de continuarmos a ser os únicos que só dependemos de nós próprios. Mas os falhanços dos outros, nem podem desculpar nem devem relativizar os nossos erros. Apesar do contrário, pelo menos para mim, já ser perfeitamente aceitável. Ou seja, as vitórias dos outros podem e devem motivar-nos a ser melhores. A conseguir mais. A transcender-nos, elevando o nosso próprio nível de exigência.

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Protesto dos intérpretes nas instituições da UE e #EUsolidarity ?

Nobody should be left behind.
— Nicolas Schmit, 4 de Junho de 2020

I would like to highlight that there is a big issue with the freelance interpreters in this house.
Sophia in ‘t Veld, 4 de Junho de 2020 (entre 09:09:18 e 09:10:29)

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Na página EUAid4Interpreters, podeis encontrar informação completa e actualizada sobre a situação.

 

Protesto dos intérpretes nas instituições da UE (Euronews, 3/6/2020)

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#EUsolidarity ?

Chatice

É sempre um aborrecimento quando aqueles que tratamos como imbecis se recusam a ser tratados como tal. Estraga-nos os planos e as teorias. Chatice.

André Ventura ARRASA LIBERDADE DE EXPRESSÃO e PROMETE CENSURA nas redes sociais

AV

Se for eleito, André Ventura promete acabar com a “bandalheira” que é o Twitter. Uma bandalheira onde Ventura chafurda diariamente, como tantos porcos fascistas, e que o deputado de extrema-direita pretende monitorizar a censurar, caso vença as próximas Legislativas. Está ficar crescido, este aspirante a Estaline. Será que já começou a apagar os dissidentes das fotos?

Sem surpresas, André Ventura continua a imitar as piores práticas de Donald Trump, referência máxima dos neofascistas portugueses, a par de Salazar, Bolsonaro e Hitler. Apesar de inexistente no panorama político internacional, Ventura sonha já com o fact checker do Twitter, a sinalizar as fake news que debita diariamente, no processo contínuo de tratar os chegófilos como otários acéfalos, o que, em bom rigor, não anda muito longe da verdade. [Read more…]

Dia Mundial da Bicicleta

dia_mundial_bicicleta_linhadoalgarveÉ hoje.