That Little Girl Was Me
Aquando das primárias do partido democrata em 2020, Kamala – munida de uma vulva e tez bronzeada, valiosos trunfos que a fizeram legitimamente sonhar com o cargo – teceu graves acusações direccionadas ao futuro presidente Bidé:
- que acreditava nas mulheres que o acusaram de crimes sexuais;
- e que, nos idos 1970’s, Bidé promovera políticas racistas que visavam impedir crianças pretas de frequentar a escola. Para adicionar carga dramática à acusação, usou o seu próprio exemplo, procurando torná-lo até um slogan: “That little girl was me”, que até chegou a colocar em t-shirts.
Reforço, sem embelezamentos ou cognomes jocosos, para que seja claro: antes de aceitar ser sua vice, Kamala acusou Joe Biden de ser um criminoso sexual e um racista activo que usava a sua influência política para segregar crianças pretas como ela própria.
Sendo Bidé o ungido pelo Deus dos warlords Barack Obama, isto valeu naturalmente a Kamala a perda de apoios, o que – a juntar ao seu caricaturalmente detestável e vil carácter, que fez com que nem sequer lograsse mil votos populares, num resultado absolutamente humilhante – a obrigou a largar precocemente a corrida.
Ressuscitada pelas referidas vulva e tez, é ver agora o partido que a rejeitou – bem como o comentariado americano mainstream, que os nossos Marques Lopes, a quem basta acenar uma cenoura apetitosa, adoram plagiar – a anunciá-la como a grande Candidata.
Que Bidé é um racista perverso não é propriamente informação fresca; muito menos o é a escandalosa hipocrisia e descaramento destes montes de merda que enxameiam o universo político – e, claro, a conveniente memória píscea dos agenda setters. Mas os poucos de nós que se recordam destas coisas têm obrigação de relembrar os outros, porque as massas só sabem o que lhes dizem os media das elites bem-pensantes e eu não estou a ver Marques Lopes a falar disto tão cedo.
O preço civilizacional
Nos últimos dias, tem sido notícia que a população portuguesa está a crescer.
Mas, passaram os casais portugueses a ter mais filhos?
Sim, houve um ligeiro aumento da natalidade. Mas, a razão principal foi que importou-se gente.
O aumento dos imigrantes trouxe o tão badalado crescimento da população, que tanto tem excitado alguns dos que, há pouco tempo – e bem -, alertavam para os perigos do decréscimo demográfico e do envelhecimento da população portuguesa.
Na verdade, não se fez nada de relevante para os casais se darem ao luxo de ter mais filhos. Ou sequer ter filhos. Aliás, nem sequer a garantia de coisas básicas como salários dignos e acesso à habitação, foi objecto de real preocupação política de quem tem governado o país ao longo de décadas.
Faltam salários, faltam habitações, faltam médicos de família, faltam enfermeiros, faltam professores, faltam funcionários, etc.
Em suma, falta cumprir uma Constituição que está a caminho dos 50 anos.
Talvez porque saia mais barato, preferiu-se importar gente.
Se essa importação vai ter consequências culturais e religiosas de fundo nas próximas décadas, quer para Portugal quer para a Europa em geral, é algo que, pelos vistos, não importa avaliar. [Read more…]
O Deus de Frazão
Pedro dos Santos Frazão, deputado do Chega, escreveu no X aquilo que podemos ler na imagem mais abaixo. Segundo Pedro, que conhece bem a divindade – ou não se atreveria a escrever o que escreveu –, foi a mão de Deus que protegeu Donald Trump do caminho das balas.
Não sei quantas mãos tem o Deus de Frazão, mas, se forem duas, ainda ficou com uma desocupada. Talvez por já ter uma provecta idade, tal como Biden, o Deus de Frazão não conseguiu evitar a morte do pai que protegeu a mulher e a filha no mesmo comício em que Trump foi alvejado. Era muita coisa para fazer ao mesmo tempo e o velhinho de barbas brancas (Frazão deve ter um retrato em casa) teve de escolher. Ou então, assim como tem planos maiores para Trump, o Deus de Frazão tinha planos menores para Corey Comperatore. Também há a possibilidade de o Deus de Frazão não ter tido tempo para pensar em planos para o morto, abandonando-o à sua sorte, enquanto, no último segundo, desviou a cabeça de Trump. Fico, ainda, a saber que o Deus de Frazão não teve tempo ou planos para todas as crianças mortas em tiroteios nas escolas americanas. [Read more…]
Nico Williams, o egoísmo e a falta de memória

Nico Williams, a estrela do Atlético de Bilbau que se sagrou campeão da Europa no Domingo passado, nasceu em Pamplona.
Os seus pais, contudo, atravessaram o Saara a pé, em busca de uma vida melhor. Caminhando desde o Gana, chegaram a Marrocos e entraram em Espanha por Melilla. Aí, tendo chegado com uma mão à frente e outra atrás, beneficiaram de apoios sociais para se estabelecerem e sobreviverem.
Passados 22 anos, Nico Williams foi um dos craques que conduziu Espanha ao quarto título europeu, para grande desgosto da extrema-direita espanhola.
Com um salário anual de 8,8 milhões de euros, o jovem jogador é já dono de uma fortuna que garantirá uma reforma tranquila aos pais, que tanto sofreram para que nada faltasse aos seus filhos. [Read more…]
Os super atletas dos colégios privados

Sabem o que está de regresso?
Os rankings escolares.
E, com eles, todo um novo universo de super atletas com 19 e 20 a Desporto.
Gordo ou magro, marreco ou coxo, os colégios privados portugueses recebem crianças normais e devolvem-nas transformadas em Phelps, Bolts e Comănecis.
Não falha um.
Se eu mandasse nisto tudo, substituía os incompetentes do Comité Olímpico Português por directores de colégios privados deste país. Voltávamos para casa com mais medalhas que os americanos.
Fumos, ruídos e outros fatos semelhantes
Mantenho aquilo que é o meu direito ao silêncio.
— António Lacerda SalesPelas razões que já referi, não tenho nada a responder.
— Nuno Rebelo de Sousa
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Há deputados incomodados com os silêncios de Lacerda Sales e de Rebelo de Sousa. Todavia, não vejo qualquer deputado incomodado com o permanente silêncio de quem escreveu “agora facto é igual a fato (de roupa)“. É silêncio antigo, mas sem referir razões. No entanto, aparentemente, não incomoda.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.
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O dia 8 e as duas vitórias de Putin

Foi ontem, dia 8 de Julho, mas quase passou entre os pingos da chuva: Putin tem um novo grupo parlamentar na União Europeia e vai, assim, corroendo aos poucos o Titanic europeu, qual icebergue pronto a receber este barco que se afunda ainda antes de embater.
O novo grupo de extrema-direita, liderado pelo amigo húngaro e que acolhe partidos proto-fascistas como a União Nacional francesa, o Vox espanhol, os Nacionalistas-Liberais da Áustria ou a agremiação de pategos chamada Chega, será o porta-estandarte dos valores do putinismo na Europa. [Read more…]
A rebelião de Gonçalo da Câmara Pereira
aconteceu na Assembleia Municipal de Lisboa. Antes das eleições, queriam-no na campanha todos os dias. Vencidas as eleições, deixaram de lhe atender o telefone. Dramático.
Tamara Volokhova, agente de influência

Na mesma semana em que o partido de Marine Le Pen anunciou a intenção de vedar o acesso a certos cargos públicos a cidadãos franceses com dupla nacionalidade, veio a público este fabuloso “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”. A fazer lembrar os grandes sucessos do Bolsonaro da Wish que temos por cá.
O que sucede?
Sucede que o RN tem cidadãos com dupla nacionalidade que foram candidatos às eleições de Domingo, entre eles Tamara Volokhova.
Quem?
Isso: Tamara Volokhova.
Sim, também nunca ouvi falar. [Read more…]
Quando um Homem Parte Cedo Demais – Fausto (1948 – 2024)

Deixou-nos uma das vozes da revolução. Cantou pela liberdade, fez música com Zeca Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho ou Adriano Correia de Oliveira, e deu-nos temas eternos e intemporais como “O Barco vai de saída”, “A Guerra é a Guerra”, “Quando um Homem Quer Partir” ou “Por este rio acima”.
Fausto tinha 75 anos e partiu cedo demais.
Um dia triste para a democracia, para a música e para a cultura portuguesas.
Que descanse em paz.



O primeiro debate Biden/Trump de 2024
(Transcr.)
President Joe Biden and former President Donald Trump participated in their first debate of the 2024 election season on CNN Thursday.
Read the rush transcript of the debate here: [Read more…]
Maria João Marques, juíza, procuradora e tudo
Ontem, foi um dia triste: fui bloqueado pela Maria João Marques no X.
A colunista do Público e comentadora no Malditas Segundas Feiras na SIC Notícias publicou o seguinte tweet, a propósito da libertação de Assange:

Resolvi comentar o que se segue:

Fui, finalmente, brindado com esta edificante resposta.

Quando um liberal apoia um socialista…
…o socialista é muito liberal – «António Costa é o melhor socialista para o Conselho Europeu.» (Luís Montenegro).
O Costa do Castelo
Quando a emigração é muita, há fortes possibilidades de que o país não ofereça o suficiente aos seus cidadãos, que, naturalmente, irão procurar no estrangeiro aquilo que a pátria não tiver.
António Costa, como qualquer outro cidadão, tem direito a emigrar. Efectivamente, Portugal já não tinha capacidade de albergar um político tão hábil, pelo que é justíssimo que suba dentro da estrutura da Multinacional onde foi obrigado a começar por baixo, exercendo o cargo de primeiro-ministro de Portugal.
É fácil confirmar a extrema habilidade de António Costa. Em primeiro lugar, conseguiu, com a Geringonça, criar a ilusão de que o país foi governado à esquerda. Depois, ainda transmitiu a impressão de que ficara contente com a maioria absoluta que lhe caiu indesejavelmente no colo. Após vários casos e casinhos, alcançou o objectivo de se sentir obrigado a demitir-se, mostrando-se suficientemente revoltado para parecer que estava descontente com a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa. E estamos a falar apenas dos últimos oito anos, que o currículo de Costa é vastíssimo.
Lisboa é pequena para quem revelou tanta competência. Bruxelas e a Europa serão suficientes durante uns anos.
Entretanto, Costa será uma referência para todos aqueles, dentre nós, que têm esperança em subir na vida, um modalidade de alpinismo que, em Portugal, só se exercita verdadeiramente no estrangeiro, esse país que nos fascina.
TotoTories
Alister Jack, ministro dos Assuntos Escoceses, é um dos envolvidos no escândalo de apostas relacionado com a data das eleições gerais no UK. A implosão do Partido Conservador segue dentro de momentos.
Assange livre da prisão e da extradição

Não se conhecem ainda as vírgulas do acordo, mas ter Julian Assange livre da prisão e da extradição, 14 anos depois da publicação dos documentos que deixaram claro o papel que jogam os EUA, e 5 anos depois de detido em Londres, é uma vitória muito importante. Saem humilhados a CIA e a Scotland Yard, que acumularam ilícitos para ofereceram aos seus patrões uma das mais significativas derrotas dos últimos anos.
O patriota português que fala alemão
Rui Fonseca e Castro, o tristemente célebre ex-juiz, é uma figura ridícula e perigosa, tal como era Hitler, que inspirou Chaplin e provocou milhões de mortos.
Nas redes sociais, Fonseca e Castro publica os habituais conteúdos dos fachos obcecados com invasores estrangeiros, pedófilos e homossexuais, tendo boicotado há poucos dias o lançamento de um livro.
Num discurso paupérrimo, em frente à Assembleia da República, gritou umas coisas identitárias, vociferou o seu patriotismo e terminou com um “Ausländer raus” (“Estrangeiros, fora!”, em alemão), porque ser português é menos importante do que ser nazi.
Não é um caso de política, é um caso de polícia.
O novo álbum de Lenny Kravitz
Ça posera un problème pour la Grèce parce que ça n’a pas très bien marché.
— Michel Foucault (2019: 201)
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O actual primeiro-ministro de Portugal, na ausência de comentários de antigos primeiros-ministros desse mesmo país, deveria perder alguns (poucos) minutos a reflectir acerca destes fenómenos: os One Diretion, os Artic Monkeys e o novo álbum de Lenny Kravitz (Blue Eletric Light). Poderia acrescentar os fator issues, mas são contas de outro rosário.

É um problema para Portugal, mas a vista grossa, pelos vistos, é feitio. Exactly. Or should I spell exatly? Mon cœur balance.
Primeira nótula: Hoje, por mero acaso (informático), fui obrigado a estar em casa durante a hora do almoço. Resolvido o problema (e terminada a refeição), liguei o televisor na RTP Internacional, em vez de ir espreitar, alhures, aquilo que se passava no Croácia-Albânia. Ainda bem.
Segunda nótula: Há pouquíssimas horas, para curar um ataque de saudade, pus-me a ouvir o Buddha of Suburbia, do David Bowie, mas na versão feat. Lenny Kravitz… Efectivamente, o Kravitz. Ele há coisas… Adiante. Siga.
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Duas nótulas desportivas:
Neemias é campeão (oh yeah!) e hoje joga a seleCção (‘selecção’ ≠ ‘seleção’).
A primeira vez que um português marcou pontos numa final da NBA
Foi há bocadinho. Efectivamente. Parabéns, Neemias!


Era uma vez um primeiro-ministro muito fraquinho a que chamavam socialista e que ficou muito aborrecido por ter conseguido uma maioria absoluta, quando estava desejoso de ir para a Europa, essa região distante de Portugal, não em quilómetros mas em euros.





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