muito medo de Laszlo Toroczkai, o presidente da câmara de Asotthalom, pequena cidade na fronteira entre a Hungria e a Sérvia. «Se a Hungria é uma má escolha, Asotthalom é a pior».

Refugiados: tenham medo,
Cartoline di Roma #4
‘Roma è un tesoro e noi siamo tutti capitani’***
Este postal é mais curto que os anteriores. Levantei-me às sete e meia, depois de ter dormido quatro horas e já são três da manhã. Apesar de ter acordado muito cedo, chego à Faculdade de Economia de Roma Tre um bocadinho depois das nove. Pouquíssima gente na sessão que será a última do meu grupo de trabalho. Estou ainda meia a dormir, apesar do duplo espresso que tomei. Quando acabamos, vamos (eu e o A.) beber mais café. O Diogo também chegou entretanto e ficamos na conversa. Peço ao primeiro que conte ao segundo a sua história hilariante com um monge budista de visita a Florença. A mesma primeira estória que me contou em Wageningen, tínhamos acabado de nos conhecer. Em 2007. Rimos-nos muito, outra vez, a estória é realmente hilariante, pode ser que um dia conte… e chega a hora de voltarmos, eu para uma sessão sobre vendedores de rua (street food, vá), porque me apetece, o Diogo já não sei para que grupo e o A. para casa, em Florença.
Toda a gente sabe que as despedidas me enervam. Mas algumas deixam um vazio tão imenso, um buraco tão fundo, que não sei o que fazer. O A. abraça-me. Diz-me coisas que só eu devo ouvir e saber. E eu fico triste enquanto o deixo para trás, na cadeira, à espera do amigo que o há-de levar a Termini. E entro triste na sala da sessão sobre street food. Há casos de NYC, França, Chad. Gosto especialmente do último. E do senhor que o apresenta. Ou é do vazio que sinto ainda ou é do esforço notável que o senhor faz para falar inglês, mas só me apetece agradecer-lhe. Almoço com o Diogo e quase no fim aparecem duas mulheres e uma delas, loira e de olhos azuis pergunta-me ‘are you Mrs. Figoeredo?’ ou qualquer coisa do género. Respondo que sou eu sim, mais i menos e, mais u, menos o. E ela diz que irá à conferência de Aveiro daqui a duas semanas e apresenta-se. Reconheço o nome, da lista de participantes. É grega. São as duas gregas, aliás. Ficamos para ali a conversar. Elas conhecem os outros gregos de quem tanto gosto. E, na verdade, gosto delas também, assim de repente.
Há menos 370 mil empregos em Junho de 2015 do que em Junho de 2011

Temos regularmente direito a uma sopa de números sobre o desemprego. Está tudo a correr bem, diz o governo. O INE é confuso, diz o governo. Portugal recuperou, acrescenta o governo.
Nuno Serra fez um trabalho detalhado sobre o emprego e o desemprego, pesquisando os números oficiais e olhando para os detalhes. Separou o emprego efectivo, os estágios que escondem o desemprego (cujo número disparou para 156 mil) e o subemprego registado (que aumentou em 36 mil pessoas). [Louçã]
Engenharia política do desemprego, como já se tinha constatado. Um saco de propaganda. Por isso, faz muito mais sentido falar da taxa de emprego do que da taxa de desemprego. Até porque os desempregados ao deixam de se inscrever no IEFP quando acaba o subsídio mas não se evaporam. E atendendo aos números da emigração (cerca de 450 mil desde 2011), estes números até devem ser conservadores.
Entrevista de Bashar al Assad, presidente da Síria
Inferno: 9 meses num call-center de reclamações da Uber
revelam que as queixas são iguais às que são dirigidas aos táxistas tradicionais.

[Les Inrockuptibles]
Hungria tem agora uma fronteira humana,
esta literal.
[Tweet de Pedro Moreira, repórter da TVI]
Sócrates, uma referência no ensino à distância
Não se trata de uma brincadeira de mau gosto, muito menos da mais recente investida de um dos clones com baba no canto do focinho que os terroristas virtuais ao serviço do PàF vão soltando nas redes sociais. O cartaz em cima, onde o incontornável José Sócrates aparece com um look demasiadamente académico para quem concluiu a sua licenciatura num Domingo, terá sido adquirida a um banco de dados pelo consórcio CEDERJ – Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro – e, bem vistas as coisas, a escolha de Sócrates até faz sentido na medida em que se trata aqui de ensino superior à distância e, como sabemos, o preso domiciliário mais famoso do país é aquilo a que se pode chamar uma autoridade no que a tirar cursos à distância diz respeito.
*****
P.S. No espaço de tempo em que você leu estas linhas, Miguel Relvas licenciou-se em todos os cursos disponíveis na instituição.
PAN: os novos Verdes?
Toda a gente sabe que os Verdes praticamente não existem. Já o PAN surge como uma alternativa credível, independente, organizada e com um discurso prospectivo. Uma formação necessária em Portugal e que vai crescer, julgo, respondendo aos anseios de uma população crescente de gente que pensa o Mundo e se pensa a si própria de uma outra maneira: uma maneira em que o Homem não é a medida de todas as coisas e em que a sustentabilidade (em sentido largo e não apenas financeira) tem primazia. Outra semântica.
Aqui, André Silva na RTP2. E aqui o programa do PAN.
Passos: nenhum Governo afecta rendimento das pessoas “por prazer”
Exacto. É por opção ideológica.
O tacho do pai do Sec. Estado da Energia e a história que se repete até à exaustão
Em Abril passado, surgia no Diário de Notícias o seguinte título: “Pai do secretário de Estado da Energia é consultor da EDP“. Até aqui tudo bem, o senhor até pode lá ter chegado fruto das suas competências e experiência, e o facto do seu filho ser o dirigente máximo que tutela do sector não ter nada a ver com isso. Mas esta notícia cita o empresário Manuel Champalimaud, autor da denúncia, que refere que “a EDP soube defender-se politicamente” da Contribuição Extraordinária do Sector Energético (CESE). [Read more…]
«Pobres dos pobres se a coligação
se mantiver». D. Januário Torgal Ferreira. [Expresso]
Jeremy Corbyn: o discurso da vitória
«Crescemos porque há cada vez mais pessoas que estão fartas dos níveis grotescos de desigualdade, injustiça e pobreza. (…) Mas nada disso é inevitável. As coisas podem e vão mesmo mudar.» [Channel 4 News]
Passos Coelho bem tentou fugir
mas Ricardo Araújo Pereira não deixou. É tudo muito bonito mas…
A carta de Passos a Sócrates na íntegra
Era previsível que apareceria. A prova de que o PSD não chamou a troika mas desejou-a. Aliás, toda a oposição desejou eleições, quando chumbaram o PEC IV, mesmo que isso significasse a vinda da troika. É bom recordar.

Passos Coelho: “Não me venham falar de Dias Loureiro”. Não “nacionalizámos o BPN”
Pois não. Só nacionalizou o BES, como agora se comprova ao não conseguir recuperar os empréstimos para salvar o banco. Em todo o caso, não percebo. Não é Dias Loureiro um exemplar empresário?
Guia para a visita de Nuno Crato ao concelho de Pombal
Efectivamente: excepcionais
There were more urgent emergencies than mine.
***
Esta imagem, do Prós e Contras de ontem, merece três breves comentários (*):
- Depois de ‘selecção‘, de ‘Egipto‘ e de ‘pára‘, voltamos a verificar que o AO90 não é nem adoptado, nem necessário.
- Devido ao AO90, em português europeu, é criada a grafia ‘excecionais‘ e eliminada a grafia ‘excepcionais‘— contudo, em português do Brasil, a grafia ‘excepcionais‘ mantém-se.
- Octávio Ribeiro é o autor da frase:
A nova ortografia só se estenderá a todos os textos do jornal, respectiva primeira página e manchete, caro Leitor, quando já ninguém estranhar a palavra “facto” escrita sem cê.
Continuação de uma óptima semana.
(*) O ‘contra-natura’ da frase de Ribeiro é extremamente interessante, mas neste momento há “more urgent emergencies”.
Passos Coelho indignado por provar o seu próprio veneno
Como Pedro, o apóstolo, Pedro, o abridor de portas, renegou hoje o seu amigo, companheiro, conselheiro e referência (espiritual?) Dias Loureiro. Para trás ficam os tempos em que o primeiro-ministro tecia rasgados elogios ao exigente, metódico, viajado – pelo menos no que a Cabo Verde diz respeito – e empresário exemplar que, coitado, tem sido vítima de uma cabala e arrastado injustamente para o caso BPN, cujas consequências, como sabemos, são responsabilidade da tralha socialista. Disse o abridor de portas:
Cartoline di Roma #3
‘Tutta la merda dell’universo succede a me’, murmurou ele…
Hoje não tenho muitas fotografias. Há pouco que fotografar num congresso e mesmo que fotografe os colegas não vou, ainda que às vezes o faça, publicar aqui as fotografias… não vão eles aborrecer-se comigo.
O dia começa cedo. Mas assim mesmo eu e o Diogo não vamos à Sessão de Abertura. Chegamos a tempo da primeira Sessão Plenária, depois de apanharmos o metro na Piazza Bologna, em direção a Laurentina e de sairmos na estação da Basilica de S. Paolo e caminharmos uns bons 15 minutos até à Faculdade de Economia da Universidade de Roma Tre. A sala da sessão está bastante composta e vejo algumas caras conhecidas. No entanto, este congresso não é exatamente a minha ‘praia’, por assim dizer, já que é sobre agricultura e eu percebo pouco de agricultura propriamente dita. Mas o G. um dos organizadores convidou-me a mim e ao A. para fazermos um Grupo de Trabalho sobre Turismo e Agricultura. Aceitámos. Recebemos propostas de comunicação em número mais que suficiente e, portanto, aqui estou eu. O A. há-de chegar apenas depois de almoço, mas ainda a tempo da primeira sessão do dito grupo de trabalho.
Qual é a pressa?
(c) Mstyslav Chernov / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0
8 de Outubro: é a data da próxima reunião do Conselho Europeu dos ministros do Interior para debater as quotas de acolhimento de refugiados em cada país – determinadas em função do número de habitantes, performance económica, taxa de desemprego e número de pedidos de asilo em pendência. Será que não sabem que os refugiados já chegaram? Que há 15 mil bloqueados na Áustria? Que é preciso o quanto antes repartir entre todos os perto de 120 mil refugiados que estão neste momento em Itália, na Grécia e na Hungria? O Plano Juncker, sustentado numa alínea do Tratado de Lisboa, fracassou. Por sabotagem de vários países do Leste, apoiados por exemplo pela Eslováquia, que leva o racismo ao ponto de excluir refugiados que não sejam cristãos.
Perante isto (e sem esquecer o verdadeiro rosto do poder na Hungria, que esta crise destapou), a existência da União Europeia deixou de fazer qualquer sentido, remata o jornalista alemão Kai Littmann. [Eurojournalist]
“Fui eu que chamei a troika”
É preciso ter nascido ontem para engolir que o PSD não quis a troika em 2011. E é preciso ter passado por morte cerebral para aceitar que não foi o PS a chamá-la. Claro que foi, forçado por vários grupos, incluindo o PSD e a banca, mas sobretudo forçado pelas circunstâncias que a sua própria incompetência e negacionismo criaram. Adaptando uma famosa frase de Napoleão*, vemos agora a história do “quem chamou a troika” transformar-se num conjunto de mentiras sobre as quais jamais estaremos de acordo. Mas é simples: o PSD quis mas não chamou; o PS não quis mas chamou. [Pedro Santos Guerreiro]
Ler também “Cronologia: como Portugal chegou ao pedido de resgate” no Público de 06/04/2011.
Grandes Questões do nosso tempo*: Quem foi mesmo que chamou a Troika?
Tenho um palpite para o debate da próxima Quinta-feira na TSF, entre Pedro Passos Coelho e António Costa: o centro nevrálgico da argumentação do primeiro-ministro – José Sócrates – será substituído pela mais recente e suposta tentativa socialista de reescrever a história. A menos que Passos Coelho seja estúpido e pretenda ser novamente trucidado, o que não seria estranho para quem consegue atrair tantos eleitores com tendências masoquistas. [Read more…]
Novo Banco: contradições e contos para crianças
No final de Agosto, a possibilidade de adiar a venda do Novo Banco chegou a ser equacionada mas o governo bateu o pé, defendendo a venda o mais rapidamente possível. Duas semanas depois, perante os sucessivos falhanços nas negociações, primeiro com o Anbang, depois com o Fosun, algo mudou e o primeiro-ministro afirmou “Não temos pressa nenhuma“. Haja coerência!
Entretanto, os técnicos da UTAO, a tal unidade técnica à qual a coligação exigia que a análise do programa do PS fosse sujeito, vieram alertar o governo para as consequências do adiamento da venda do Novo Banco, que poderá obrigar à emissão de dívida pública ou a recorrer aos depósitos da administração central, a tal que tem os cofres cheios. Já Marques Mendes, porta-voz não oficial do governo na SIC Notícias, informou no Sábado os portugueses que o processo será adiado até ao final do ano, após os testes de stress do BCE, confirmando os receios levantados pela UTAO. E Marques Mendes costuma estar bem informado. Mas não se preocupem que o governo já garantiu, ao melhor estilo de Cavaco Silva, que o processo não terá custos para os contribuintes. Durmam descansados.
Boa noite!
Cartoline di Roma #2
La pioggia su Roma ed essere a metà strada*
Não é preciso dizer-vos que perdi o pequeno almoço. Já é um clássico, onde quer que vá. Levantei-me ja passava das 11h. Dormi pouco e mal. tomo banho e visto-me e saio para a rua rapidamente. A Piazza Bologna está praticamente deserta. Está calor como ontem, mas o céu anuncia que a chuva virá. Lembro-me que não trouxe chapéu de chuva. Mas penso que tanto faz e que se for preciso compro um algures. Antes tinha visto uma mensagem no facebook do Stefano que me dizia bom dia e que ia fazer isto e aquilo e que talvez por volta das nove estivesse livre. Respondo-lhe que então, falaremos depois. No bar da esquina, aqui mesmo em frente ao hotel, bebo um sumo de laranja, um espresso e como um croissant com doce. Desço as escadas do metropolitano. O jardim está deserto, mas alguém deixou uma garrafa em cima da fonte com uma rosa vermelha. Considero aquilo um bom sinal. Não sei que sinal, nem sei por que o considero bom. Mas desço as escadas a pensar em coisas boas.
Tomo o metro em direção a Termini, claro. Aqui tomo outro para a Piazza de Spagna. Não tenho um plano bem definido para hoje. Não tenho um plano, ponto. Mas há lugares onde quero regressar. Não ao Vaticano, seguramente. Uma vez é suficiente. E já o visitei antes. Não é sítio onde queira voltar. Demasiada pompa e demasiado embaraço diante de tanta ostentação. Lembro-me que quando visitei o Vaticano estava um calor abrasador e desagradável. Lembro-me que dentro da Capela Sistina nos trataram como se fossemos gado, sempre a mandar-nos avançar. Não, o Vaticano não é definitivamente, um lugar a que queira regressar. Uma vez na vida creio que será suficiente. Tão pouco penso em regressar ao Coliseu. Ainda ontem lá passei à noite. Está no mesmo sítio e deve continuar bonito como dele me recordo. Mas não está nos meus planos hoje ficar em filas infindáveis para ver o que já foi visto. No entanto, há lugares onde gostaria de regressar e é esse o meu plano, dentro do plano que, afinal, não tenho.
Crónica de algumas adopções anunciadas

Gabriel García Márquez, con un ejemplar de la primera edición de ‘Cien años de soledad’ sobre la cabeza. ©Colita (via El País) http://bit.ly/1iq0cqi
A partir de entonces ya no era consciente de lo que escribía, ni a quién le escribía a ciencia cierta, pero siguió escribiendo sin cuartel durante diecisiete años.
— Gabriel García Marquez, Crónica de una muerte anunciada
***
Os Tradutores Contra o Acordo Ortográfico indicam que o jornal Sol se juntou “à lista dos que contribuem para o caos ortográfico”. Efectivamente, no dia 6 de Setembro de 2015, a notícia da Lusa acerca de Gabriel García Marquez, além de ter contagiado, por exemplo, o Correio da Manhã e o Observador, afectou o jornal Sol — isto é, dois dias depois da data anunciada: “A partir de 4 de Setembro, todos os textos respeitarão o Acordo”.
Hoje, o caos ortográfico continua no sítio do costume — contudo, além dos habituais ‘fatos’, temos outro problema grave e o problema tem um nome: chama-se Fernando [Read more…]
Portugal lá atrás
Doentes psiquiátricos ao cuidado das misericórdias e instituições católicas, ao melhor estilo medieval; informação sobre contracepção e doenças sexualmente transmissíveis excluída, “por opção política”, da disciplina de Educação Sexual; um vice-primeiro-ministro que entende que é função das mulheres “organizar a casa e pagar as contas a dias certos, pensar nos mais velhos e cuidar dos mais novos”, numa tirada que parece saída de um manual da Mocidade Portuguesa Feminina.
Junte-se a isto uma televisão pública cada vez mais descaradamente voz do patrão e está composto o retrato da nossa aldeia, que Deus a proteja, a ver passar a procissão.
Manifestação contra o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (Lisboa, 12 de Setembro de 2015)
Os meus agradecimentos a Artur Magalhães Mateus e José Pacheco Pereira.


















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