Crónica de algumas adopções anunciadas

ggm

Gabriel García Márquez, con un ejemplar de la primera edición de ‘Cien años de soledad’ sobre la cabeza. ©Colita (via El País) http://bit.ly/1iq0cqi

 A partir de entonces ya no era consciente de lo que escribía, ni a quién le escribía a ciencia cierta, pero siguió escribiendo sin cuartel durante diecisiete años.
Gabriel García MarquezCrónica de una muerte anunciada

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Os Tradutores Contra o Acordo Ortográfico indicam que o jornal Sol  se juntou “à lista dos que contribuem para o caos ortográfico”. Efectivamente, no dia 6 de Setembro de 2015, a notícia da Lusa acerca de Gabriel García Marquez, além de ter contagiado, por exemplo, o Correio da Manhã e o Observador, afectou o jornal Sol — isto é, dois dias depois da data anunciada: “A partir de 4 de Setembro, todos os textos respeitarão o Acordo”.

Hoje, o caos ortográfico continua no sítio do costume — contudo, além dos habituais ‘fatos’, temos outro problema grave e o problema tem um nome: chama-se Fernando [Read more…]

Portugal lá atrás

Doentes psiquiátricos ao cuidado das misericórdias e instituições católicas, ao melhor estilo medieval; informação sobre contracepção e doenças sexualmente transmissíveis excluída, “por opção política”, da disciplina de Educação Sexual; um vice-primeiro-ministro que entende que é função das mulheres “organizar a casa e pagar as contas a dias certos, pensar nos mais velhos e cuidar dos mais novos”, numa tirada que parece saída de um manual da Mocidade Portuguesa Feminina.

Junte-se a isto uma televisão pública cada vez mais descaradamente voz do patrão e está composto o retrato da nossa aldeia, que Deus a proteja, a ver passar a procissão.

Manifestação contra o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (Lisboa, 12 de Setembro de 2015)

Os meus agradecimentos a Artur Magalhães Mateus e José Pacheco Pereira.

Prós e contras está de volta e o tema é demasiado mau para ser verdade

justica

 Margaret Scott/NewsArt

O Prós e Contras está de volta e o tema decorre da pergunta de Paulo Rangel “Teríamos um ex-primeiro ministro preso se o PS fosse governo?” Um programa de televisão, que se auto-define como “um ponto de encontro da cidadania”, decidiu retomar as emissões com um spin directamente saído da Universidade (cof, cof) de Verão do PSD.

Oficialmente, o programa irá esclarecer se “há interferência da política na justiça.”  Talvez Macedo venha à baila. É menos provável que Portas e Passos sejam tema. Mas, seguramente, Sócrates estará omnipresente. Antecipa-se que se assista à continuação da campanha da direita para manter o ex-primeiro-ministro na agenda, com o objectivo de o colar a Costa, assim criando o medo de um segundo resgate –
apesar do último ter sido desejado e defendido pela direita.

Há muito para falar quanto à justiça. Mas escolher uma formulação lançada pela propaganda de um partido é demasiado mau. Novamente fica claro que este programa é um braço do poder, independentemente do partido que estivesse no governo.

Adenda

Quem entrevista os candidatos na RTP é (…) Vítor Gonçalves de sua graça.
Amanhã no Prós e Contras, a irmã de um membro deste governo [Fátima Campos Ferreira / Luís Campos Ferreira] modera um “debate” (LOL) onde se pergunta “Se o PS fosse governo havia justiça?” (não é bem assim, eu sei, mas a ideia é essa). E pronto, é isto.
Agora vou ler umas coisas sobre a Coreia do Norte.  [roubado e adaptado daqui]

Porque há de facto memória

Excelente recolha de declarações a recordar o desejo e apoio do PSD e CDS quanto à vinda da troika.

Azia geral na coligação de direita

anti-costa

Estafetas do Facebook  em serviço anti-Costa

Depois do debate do Costa/Passos, o exército de comentadores oficiais e oficiosos, incluindo os estafetas do Facebook, viraram a metralhadora ao carácter do Costa. Até aí o prato do dia eram as “provas” da recuperação. Sinais de desespero.

Já agora, sobre o argumento de quem chamou o FMI/etc. é de ler isto: Deixem-se de merdas e contem a verdade aos portugueses: a direita esteve em todas as intervenções do FMI

Cartoline di Roma #1

‘Il passato è un fiume’ o ‘Giuro che me sembrava francese’

Voltar a Roma depois de sete anos (embora entretanto aqui tenha passado de comboio para outras paragens algumas vezes, sem, no entanto, parar) é regressar a um sítio muito familiar. Voltar a Itália depois de dois anos é, definitivamente, regressar a uma casa que é nossa, mesmo se a visitamos apenas de vez em quando. Uma casa onde se conhecem os cantos, mesmo no escuro. Onde nos movemos bem, mesmo de olhos fechados. Uma casa que se entende, mesmo sem acender a luz.

Saio de Lisboa quase às 3 da tarde. Estou com os meus pais apenas umas horas, algumas das quais passamos a dormir. Decidem ambos ir levar-me ao aeroporto, apesar da minha insistência em contrário. Apanho um táxi, repito, para não dar trabalho. Mas o meu pai, apesar dos seus 77 anos, é um homem que não se deixa vencer assim tão facilmente. Se já consegui que não me vá buscar à estação ou ao aeroporto quando chego de noite, não consegui ainda (e espero que o não consiga por mais alguns – muitos – anos fazê-lo desistir do prazer que tem em ir buscar e levar as filhas (faz o mesmo com a minha irmã) a qualquer lado. Às vezes, quando não trago – como agora – o carro para Lisboa, leva-me ao cinema ou onde for preciso, mesmo que eu lhe diga que não é necessário, que vou de transportes públicos. É também o meu pai quem frequentemente se levanta, seja que horas for, mesmo muito de madrugada, para me fazer o pequeno almoço muitas vezes que estou em Lisboa de passagem para algum lugar. É também o meu pai que me faz o café depois das refeições, mesmo que eu lhe diga que não se levante. Há estes rituais de mimo de que gosto tanto e que quero aproveitar sempre, muito e por mais tempo.

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PAF: Passos a Fugir do BES

passos bes

As bandeiras dos lesados do BES misturam-se com as da coligação. Passos manda-os dar uma volta. Um dia alguém se lembrará de fazer algo como o “Vai estudar Relvas”. Até lá, suspeito que a coligação de direita até sonha com a hora em que a situação se possa transformar na sua Marinha Grande, como quase aconteceu hoje em Braga.

A fome do povo e dos lesados do BES

Paulo Portas disse que conhece desde 1975 (desde o PREC) o povo que hoje em Braga gritou que tem fome.
[TVI 24]

Até quando durará esta mentira?

PPC NB

No debate de ontem com Catarina Martins, Pedro Passos Coelho voltou a insistir no conto para crianças que o J Manuel Cordeiro desmontou de forma simples e objectiva. Ficam aqui algumas citações do primeiro-ministro, que ontem voltou a negar a realidade, aumentando o stock de mentiras com que insiste em bombardear os portugueses:

Ao contrário do que a senhora deputada Catarina Martins disse, o estado não perdeu dinheiro e portanto os contribuintes não perderam dinheiro com o Novo Banco. Nem irão perder. Quer dizer, o Estado emprestou ao Fundo de Resolução 3,9 mil milhões de euros, que vai receber porque emprestou, vai receber, e vai receber com juros, como de resto fez relativamente a outros bancos.

Não há nenhum impacto directo para os contribuintes, e não há porque será a banca que irá pagar qualquer prejuízo que possa haver, se houver prejuízo. Segundo, se isso acontecer, claro que o banco público que é e CGD terá a sua parte nessa matéria. Mas, nós não podemos querer ter um banco público para muitas coisas e depois, quando se trata de serem os bancos a pagar a factura, não ter custos.

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Votem em mim mas não me chateiem

Primeiro-ministro a um dos lesados do BES:
“Diga às pessoas que estão consigo que percebo que estejam angustiadas com este problema, mas não é por virem a todas as minhas acções de campanha que vão resolver isso”.

Tal como o BPN, também o BES foi nacionalizado

fundo de resolucao

Como já referiu o João Mendes, o fundo de resolução do NOVO BANCO contou com 4900 milhões de euros, dos quais 1000 milhões vieram da banca, CGD incluída, e 3900 milhões vieram directamente do Estado.

Isto é importante por dois motivos. Em primeiro lugar, ao contrário do que o governo PSD/CDS afirma, o BES foi nacionalizado. O processo apenas teve um nome diferente. E em segundo lugar, significa que os prejuízos não serão consequência de termos um banco público, tal como afirmou a ministra das finanças, mas sim do Estado ter entrado com a fatia de leão.

Vamos por partes. [Read more…]

Eu, refugiada

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Max Ernst, Les apatrides (1940)

A senhora da secretaria da escola anunciou cruel:
Sem um documento de identificação válido não poderá fazer o exame.
Tínhamos tido uma trabalheira para arranjar aquele documento, que a senhora da secretaria, que jamais tinha visto algo assim na vida, se recusava agora a aceitar.
Este documento não serve, disse ela firme.
Não tenho outro, ripostei segura dos meus direitos.
Diga à mãezinha que venha à escola, disse a senhora da secretaria.
Este documento não serve, repetiu ela. O que a menina precisa de trazer é um bilhete de identidade de cidadão nacional. A menina é uma cidadã nacional, não é?
Eu não sabia se era uma cidadã nacional. Se ser um cidadão nacional era ter um documento onde isso estava escrito, então eu não era um desses cidadãos. E no entanto, no meu coração, ainda tão jovem, eu era alguém que trazia já o país todo dentro de si, [Read more…]

Pagar para não receber refugiados

é possível. [Rádio Renascença]

E você, também acredita que o prejuízo da venda do Novo Banco não sairá do seu bolso?

Se acredita não fique alarmado. Anda por aí muito boa gente que acredita no Pai Natal, na inocência de José Sócrates ou na justiça portuguesa. Mas factos são factos, independentemente do que digam as Marias Luís Albuquerques desta vida. Quando um banco rebenta, você paga, não bufa (ou bufa um pouquinho vá lá) e nem se chateia muito com isso. Se chateasse não continuava a votar naqueles que resgatam bancos com o seu dinheiro. Isto no caso de integrar o lote, cada vez mais pequeno, da maioria da população que continua a votar no bloco central que resgata banqueiros.  [Read more…]

PAF: Passos a Fugir (2)

zina de conforto

Entrevistas de passadeira estendida são sempre manteiga em nariz de cão. Debate onde se seja de facto confrontado é que é melhor não.

Questionado sobre se Passos Coelho irá dar mais entrevistas, Matos Rosa  [director de campanha] diz que a questão está em aberto e que a única recusa foi a participação no novo programa dos Gato Fedorento, na TVI. “A estratégia não se comunica, executa-se”, disse. [P]

E sujeitar-se à “crítica política embriagada” dos Gato Fedorento, jamais.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, não vai estar presente no programa Isso É Tudo Muito Bonito, Mas (…) “Acho que a única esperança é convencer a chanceler alemã, Angela Merkel, a vir ao programa. Conhecem aquelas varejeiras que andam sempre atrás das luzes roxas”, questionou Ricardo Araújo Pereira, na conferência de imprensa de apresentação, sempre pontuada pelo humor. “Nesta metáfora, Merkel é a luz”. [Sábado]

Quem é que uma vez recomendou que saíssemos da zona de conforto? Pois. Aplica-se à personagem. Suspeito que o medo de Passos em ir a este programa venha a ser tema para durar.

“Plafonamento vertical”? “Cenário macro-económico”?

As palavras da linguagem técnica e obscura do actual combate político, que o cidadão comum gostaria de ver trocadas por miúdos, como bem lembraram Pedro Lopes Marques e Pedro Adão e Silva na TSF hoje ao fim do dia.

11.09.2001 – o dia que marcou o mundo para sempre.

11.09.2001

Esta foto mostra uma criança a caminhar, hoje, num parque em Winnetka, nos Estados Unidos da América, entre algumas das três mil bandeiras colocadas em memória das vidas perdidas nos ataques de 11 de Setembro de 2001.

Foi precisamente há 14 anos. O primeiro avião embatia, às 8h46, hora de Nova Iorque, contra a Torre Norte do World Trade Center. Este foi o primeiro dos quatro atentados levados a cabo nesse dia. Os outros foram contra a Torre Sul do WTC de Nova Iorque, às 9h03, um outro contra o Pentágono, às 9h37 e por fim um, às 10h03, em Shanksville, na Pensilvânia.

Em 77 minutos morreram 2996 pessoas, tendo ficado feridas 6291 pessoas, oriundas das mais diversas nacionalidades e credos. Este foi um ataque coordenado pela organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden.

A partir deste dia nada mais foi igual no mundo. Foram muitas as mudanças. O terrorismo passou a ser um dos alvos mais importantes dos EUA e da grande maioria dos países desenvolvidos do mundo ocidental. As nossas vidas também mudaram. Passamos todos a ser muito mais vigiados e controlados por muito que até às vezes não pareça. Passamos a viver debaixo de um enorme ” Big Brother “,  já narrado por George Orwell no seu livro, publicado em 1949, intitulado Nineteen Eighty-Four.

Os Estados Unidos responderam aos ataques do 11 de Setembro com o lançamento de uma guerra ao terrorismo, invadiram o Afeganistão para derrubar os Taliban, que abrigavam os terroristas da al-Qaeda. O mundo reforçou a sua legislação anti-terrorismo e ampliaram os poderes para uma aplicação mais rápida e efectiva da lei.

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“A prova dos factos”

Muito boa série no Público. Assim se desmonta a propaganda.

Vamos lá falar de Sócrates

Miguel Macedo sai com termo de identidade e residência após interrogatório.

Cartolina prima di tornare in Italia

Ora vado e non so se torno

roma

Esta fotografia foi tirada há muitos anos – sete – em Roma. Piazza Navona, creio. Sete anos não são quase nada e, no entanto, podem ser tanto, na verdade. Em 2008 eu era feliz em Roma. Como sempre fui, aliás, feliz, em Itália (ou deverei dizer em toda a parte onde estive e estou). Não daquela felicidade absoluta e inquestionável, mas daquela que vem de um bem-estar quase permanente. Suponho que seja uma maneira de ser. E sei que a fui aprendendo, com o tempo, muito antes desta fotografia, muito antes de muitas coisas importantes que me aconteceram por viver e estar viva. Não é exatamente a mesma coisa, creio que sabem isso tão bem como eu o sei.

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Catalães querem independência

Querem mesmo. E são muitos.
catalunha_independente_11sept2015
[Huffington Post.es]

Matem-se uns aos outros, era um favor que nos faziam

Al-Qaeda “declara guerra” ao grupo Estado Islâmico” [JN]

PSD e CDS responsáveis

pela vinda da troika de credores. [Lobo Xavier e Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo/fonte: TSF]

«O mal

que levara o menino à praia eu sabia o que era, mas demasiado longe (e não só em quilómetros). Agora, reconheço o inimigo à mão. (…) Obrigado, Petra Laszlo. Há dias que me sentia desarmado.» [Ferreira Fernandes/DN]
petra_lazlo_rasteira_abjecta_hungria_setembro2015

PAF: Passos a Fugir

É vergonhosa e inaceitável a estratégia do PSD/CDS em se esconder, tanto pela fuga aos debates, como pela ausência de um programa que apresente em concreto o que pretende fazer a coligação durante os próximos quatro anos. Sabe-se que pretendem continuar a privatizar o SNS, a SS e a educação. Sabe-se que se comprometeram cortar 600M nas pensões. Sabe-se que pretendem privatizar ainda mais as águas e os transportes públicos. Sabe-se vão lançar um banco. Mas não o dizem. É um programa camuflado, a fazer de conta que estão em 2011. E depois de tudo vendido, qual é o plano para o país?  Não existe. O único plano é manterem-se escondidos, como muito bem explica o Público de hoje no seu editorial.

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BES: resolução e interesse público

«A “resolução” do BES foi injusta pois pôs nos contribuintes um encargo que devia pertencer ao BCE (pormenores). E foi, claro, uma decisão feita pela mão do Governo.  (…) Mas, afinal, ela pode ter sido bem-vinda, porque pôs a decisão do negócio nas mãos do BCE (e do BdP) [e não do Governo] (…)»
[Pedro Lains]

Sarkozy não quer refugiados em França

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O antigo PR dos franceses e potencial candidato à sucessão de Hollande acusa a Alemanha de estimular a vinda de refugiados para a Europa. E diz que há entre Merkel e Hollande un complot em favor das quotas de acolhimento na UE. Sarkozy quer centros de retenção junto às linhas de fronteira. Viktor Orban II. (Eurojournalist)

Zeitgeist 1: The Movie

No dia do 14º aniversário do mal explicado ataque às Torres Gémeas, o documentário que esmiuçou o atentado e não só. Não se trata da verdade absoluta, mas traz consigo um conjunto de verdades que nos deveriam incomodar a todos. Conspiração?

 

10 razões para não acolhermos refugiados

A leitura que faltava nestes tempos de jihad anti-refugiados de guerra nas redes sociais. Raptado ao blogue Por Falar de Noutra Coisa em nome de um deus fanático qualquer. Com explosivos e burqa.