Não sei como devo endereçar-me a si. Temos pensamentos diferentes, somos de ideologias desencontradas: o senhor é democrata neoliberal, eu sou socialista materialista histórico; o senhor deve ter sentimentos de fé, eu já os tive; o senhor é economista e entende de fórmula para converter a água em vinho e da multiplicação dos peixes e do pão como é referido no Sermão do Monte que os cristãos usam como parábola para se orientar na vida; o senhor governa, eu sou governado; o senhor e eu somos portugueses e comemoramos a restauração da autonomia de Portugal para se governa só, sem estrangeiros que assumam um poder que não é devido. O senhor diz que o nosso país está em falência e no bordo da rutura, mas o senhor também sabe os imensos esforços, porque tem vivido entre os esforçados todos os seus anos de vida, dos soldados de Portugal e do povo português para se libertar de um governo unitário que acreditava apenas no pai da nação, o ministro Salazar, e abandonava a fórmula trinitária dos cristãos que moram no nosso Estado, até cair.
Segredo do Pai Natal descoberto!
Afinal, os gnomos são um mito: os ajudantes do Pai Natal são estivadores.
Revolucionar o estado passa por revolucionar os partidos
O Partido Comunista Português realizou este fim-de-semana mais um Congresso que acompanhei com alguma atenção e onde
confirmei uma ideia contrária à vendida pela comunicação social: os jotinhas comunistas são de facto espectaculares. Foram várias as intervenções de grande qualidade, com conteúdo e que mostram que eles não brincam em serviço. Continuam a ter uma reflexão política de grande qualidade e, ao que vejo, em quantidade. Com uma vantagem – ali ninguém anda atrás de uma nomeação para uma empresa pública!
Mas Henrique Monteiro, no Expresso, pega no encontro de outra maneira – vai buscar a tese do Partido de funcionários, algo a que o Daniel Oliveira já respondeu e bem. Há uma relação de grande proximidade entre o PCP e o mundo sindical (todos o sabem) e, nessa medida, uma parte muito significativa dos quadros sindicais da CGTP são também militantes e dirigentes do PCP. Mas também é do conhecimento público que há uma enorme diferença entre esta gente e outra, que militando no PS, do PSD e no CDS, procura ascender socialmente, tenta encontrar o emprego e o salário que um percurso normal não lhe daria. E é aqui que a nossa revolução ou refundação ou seja lá o que for, tem que acontecer – nos Partidos! [Read more…]
Simplória Demagogia, Bésame Mucho!
Há certos espíritos dobrados sobre si mesmos, a boca autocolada à pilinha-pombinha, num círculo fetal perfeito fecal, que insistem em revisitar o passado como se a respectiva reescrita a martelo e a respectiva releitura marreta fossem passíveis de operacionalização. Não são. Por exemplo, algures por Março de 2011, houve efectivamente uma alma peregrina, com as mãos sujas de comissões atrás de comissões em razão do seu poder, alma aliás sobre a qual decidi nunca mais escrever, que baseou toda a sua pré-campanha e campanha eleitorais na afirmação aflitiva do que não faria, daquilo a que se recusaria, caso fosse reeleito: governar com o FMI. Tipo: um gajo está teso, endividado até ao caralho-sem-pescoço, mas faz peito e diz ao testa-de-ferro dos credores: «Pá, devo-te cem. Ganho trinta. Vai-te foder, mas nem penses que conto com a tua ajuda para te pagar.»
Estou para saber como é que a Argentina não resistiu a disponibilizar-se para o FMI que veio destruir ainda mais o que estava debilitado. Estou para saber como é que mesmo o Brasil não foi capaz de passar sem a mesma disponibilidade, já longínqua, para que o FMI viesse cagar leis, pareceres e medidas, como conselheiro e messias autorizado por Brasília. O que é que estava na cabeça dos gregos, dos irlandeses, dos argentinos, dos brasileiros? Como puderam disponibilizar-se para governar com o FMI?! [Read more…]
Uns sabem, outros não
O Ministério da Privatização do Ensino Público, vulgo da Educação, decidiu centralizar os dados de carreira dos seus funcionários, operação com uns bons anos de atraso e que até poupa umas horas de trabalho a muita gente, incluindo os visados, os professores.
Claro que assim terá finalmente possibilidade de saber exactamente quem gere em termos de pessoal, o que se chama entrar na normalidade.
Vai daí mandou um mail a todos os professores, solicitando que via net colocassem os seus dados. Sucede que como a informática e o estado funcionam assim, um tolo mandou um endereço https ir parar a um endereço http. Nada de estranho. Estamos em Portugal.
Anormal é o meu sindicato, da Fenprof, me spamar com um mail avisando que podia ser uma tentativa de phishing, o que é de infoburro para baixo, e sendo de senso comum nem vou perder tempo a explicar porquê.
Os professores, ao longo da última década, foram obrigados a tornarem-se infoincluídos, o que faz todo o sentido. O meu SPRC mesmo assim insiste em mandar-me o seu jornal em papel, a somar ao da Fenprof, em pdf não porque deve ficar muito caro. Podia contar mais estórias, a [Read more…]
Os governos querem fechar a Internet
Abandono escolar: uns desistem, outros aldrabam
David Justino descobriu que os jovens prolongam a escolarização quando o desemprego aumenta, o que parece ser inquestionável, face aos números apresentados. Logicamente, quando havia mais emprego e a escolaridade obrigatória terminava no ensino básico, havia mais jovens a abandonar a escola, sendo que, na opinião de David Justino, se tratava “de um abandono sem que os jovens adquirissem as competências mínimas para uma inserção qualificada no mercado de trabalho.”
Se estas conclusões de David Justino fazem sentido, em grande parte, é necessário ver, por outro lado, que o mercado de trabalho não costuma estar disposto a absorver qualificações de que não necessita, o que quer dizer que as baixas habilitações literárias de muitos dos estudantes que abandonaram a escola foram consideradas suficientes para quem lhes quis dar emprego.
Na actual conjuntura, por várias razões, incluindo as aduzidas por David Justino, os jovens tenderão a prolongar a sua escolarização e a retardar a busca de emprego. Qual assaltante emboscado, o antigo ministro da Educação diz que é tempo de saltar ao caminho dessa juventude: “faça-se um esforço por proporcionar uma escolarização qualificante, mantendo a aposta no ensino vocacional, independentemente do modelo mais ou menos alemão ou mais ou menos compulsivo, apesar das carpideiras …” [Read more…]
Trezentos e Sessenta e Três Mil Euros
É quanto disseram na última Assembleia de Freguesia de Ruílhe (Braga) que iria custar a renovação do adro da igreja;
a obra, laica, ficará concluída em 2013, poucas semanas antes das próximas eleições autárquicas. No entanto, a ponte para Arentim, sobre o rio Este, “ficou ainda mais frágil com as cheias do passado dia 26 de Outubro“, está já sem tráfego automóvel há alguns meses mas, dizem, “a passagem a peões mantém-se..” (sic, com reticências e tudo).
Interrogo-me como foi possível – e ainda bem que foi! – encontrar esta Junta de Freguesia 363.000 euros numa época tão austera e severa. Sentido de humor ou apenas má despesa pública?
Esta história dava um filme
![By USN (http://www.history.navy.mil) [Public domain], via Wikimedia Commons Destino de grande parte dos submarinos alemães feitos até hoje. U-134 sob ataque da RAF em 8 de Julho de 1943.](https://i0.wp.com/aventar.eu/wp-content/uploads/2012/12/u-134_bomben.jpg?w=640)
Destino de grande parte dos submarinos alemães feitos até hoje. U-134 sob ataque da RAF em 8 de Julho de 1943.
Não tenho pretensões a compreender nada do que se segue. Mesmo nada.
Passa hoje
São colégios privados, totalmente financiados pelo estado, ou seja, pagos por todos nós. Só este ano receberam de financiamento, qualquer coisa como 25 milhões de euros. Foram construídos de Norte a Sul do país, onde supostamente, as escolas públicas já não podiam receber mais alunos. Mas, na realidade o que uma equipa da TVI encontrou no terreno é completamente diferente. Fomos encontrar escolas públicas subaproveitadas, com salas vazias, à espera de alunos que foram transferidos para os colégios privados. O «Repórter TVI» mostra-lhe também um retrato do que se passa nesses colégios, com professores a serem ameaçados de despedimento, denúncias de manipulação de notas, professores que se sujeitam a humilhações. Ao todo são 26 colégios, todos do Grupo GPS, que tem como consultores, deputados e Ex-Secretários de Estado que depois de deixarem o cargo, passaram a trabalhar para o grupo. «Dinheiros Públicos, Vícios Privados» é uma reportagem da jornalista Ana Leal, com imagem de Gonçalo Prego e montagem de Miguel Freitas
Quem tem medo dos movimentos sociais?
Excelente vídeo do Ministério da Verdade. O medo que esta gente tem do povo à solta nas ruas é cá uma coisa…
Os Pândegos – sobre a carta de Soares e outros a Passos Coelho
No Real Gana encontrei um dos melhores textos sobre esta carta assinada por um punhado de pândegos. A não perder.
Se eles se juntam há que imaginá-los divididos
Não li uma única citação que comprove ter sido aprovada no XIX Congresso do PCP qualquer orientação no sentido de excluir de uma unidade de esquerda o BE e mesmo o PS (embora tenham salvaguardado que este terá de mudar de política, o que não é novidade nenhuma). Mesmo na resolução política o BE leva a mais suaves das referências desde que existe e o PS apanha o (merecido) tratamento habitual.
Cecília Honório que representou o BE no Congresso também não parece ter ouvido:
Confrontada com a ideia de que o PCP se demarcou estrategicamente do Bloco de Esquerda ao considerar mais importante saber com que política se chega ao Governo do que discutir com quem se chega ao Governo, Cecília Honório disse não partilhar essa interpretação.
Mas entretanto o DN, e não só, criou uma ficção política. Pelos vistos há quem tenha medo, muito medo, de uma alternativa de unidade de esquerda, e o melhor será começar já a parti-la.
Diz que não disse mas disse
Passos Coelho afasta copagamentos no ensino obrigatório.
Mentiroso.
Nada é o que parece
É um domingo cinzento, de chuva miudinha, um dia frio, chato, um tempo tinhoso, que raio de ideia vir de passeio. Abrigada sob as colunas da praça vai-se fazendo a feira de coleccionismo das manhãs de domingo. Compram-se e vendem-se moedas, selos, fotos de louras em topless, estampas dos três pastorinhos e da virgem de Fátima. Um septuagenário aguerrido regateia o preço de um DVD com a Sofia Loren na capa. Um míope muito míope examina os selos amarelados que lhe tentam impingir.
Os três velhotes, em pose conspiratória, falam baixinho e não mostram grande interesse pela feira. Podem ser reformados a discutir a situação política e social. É provável que falem de futebol e critiquem as opções do treinador. Podem trocar queixas sobre o custo de vida e os cortes nas pensões. São baixinhos, todos vestidos de subtis gradações de cinzento, dois com óculos, o terceiro de boné. Falam baixinho, sim, mas com entusiasmo, e ao passar escuto:
– Tu o que tens que fazer é criar um nick, que é um nome que tu inventas para a gaja não saber quem tu és. E depois dizes o que te apetecer: que és alto, louro, rico, e que a tens grande.
Riem todos à socapa, como miúdos a preparar a maior partida de sempre.
Congratulo-me por saber que os info-excluídos estão em vias de extinção.
Nunca Mais Latrinarei
Prometi a mim mesmo que, mesmo não tendo esgotado a raiva, nem a queixa, nem o nojo, não mais escreveria acerca de Sócrates. Nunca mais latrinaria. Nunca mais é nunca mais! Nunca mais falaria do passado socratista, da sua perfídia deliberada, do plano trapaceiro e pomposo de discursar gloriosamente ao arrepio da gestão corrente ruinosa e ao arrepio do oculto resvalar inexorável do País rumo ao Abismo; nunca mais escreveria da corrida alegre e impante contra os cornos da dívida massiva; não mais falaria do meu asco pela eventualidade do seu regresso às lides políticas [quem, não sendo louco, concebe esta ideia-frankenstein?], quando uma cela e uma pena exemplar lhe encaixariam na perfeição. Prometi que, mesmo sendo essa personalidade porventura o mais legítimo e justíssimo alvo de escárnio e execração por qualquer português com dois palmos de testa até aos cem anos de idade, também há limites para o meu auto-envenenamento por um justificadíssimo e legitimíssimo ódio de estimação. Prometi? Cumprirei!
Por mim mesmo. De resto, por mais que escreva, não há como purgar e expurgar o meu amado País de uma acção política toda maléfica, à qual, não se percebe porquê, logo com um Povo em polvorosa, a Justiça não põe mão. [Read more…]
Yael Ronen
A encenadora israelita Yael Ronen (n.1976) esteve no passado mês de Julho em Lisboa para, no âmbito do Festival de Teatro de Almada, apresentar no Teatro Nacional D. Maria II a sua mais recente criação: A véspera do dia final. Encenadora associada da Schaubühne (a mítica companhia de Berlim), Ronen foi nomeada em 2009 para o New Theatrical Realities Prize, um importante prémio europeu que reconhece a originalidade e a inovação das dramaturgias emergentes. Oráculo prudente, a encenadora trabalha no fio da actualidade, constantemente seguindo o que está a passar-se no teatro do Mundo, incessantemente actualizando o seu objecto teatral: “Estamos sempre prontos para que no fim da representação o Mundo já não seja o mesmo”, explicou a um jornalista alemão. As suas peças têm normalmente actores de diferentes nacionalidades (sobretudo israelitas, alemães e palestinianos), com quem Ronen trabalha em conjunto os seus textos, levando para as peças partes do próprio processo criativo: os telefonemas dos pais dos actores árabes e judeus, pedindo-lhes para que não representem terroristas, para que não falem mal da própria religião; o actor israelo-palestiniano que não teme o terror no Médio Oriente mas sim que alguém em Berlim, onde os teatros não têm checkpoints, entre armado pela Schaubühne adentro e o mate.
Constantemente no fio da actualidade, Yael Ronen tenta contudo ver para além das parangonas dos jornais e da desinformação que distraem a Humanidade daquilo que está a acontecer-lhe: a alienação pela religião, o recrudescimento das identidades nacionais, os grandes conflitos cujos desfechos terão inelutáveis consequências para todos, e de que é evidente paradigma o estado das coisas na Cisjordânia. O racismo, o preconceito, o fundamentalismo religioso, a violência por detrás dos falsos compromissos de negociação entre povos desavindos, a manipulação a que estão constantemente sujeitos, a desesperança: eis a combinação explosiva que segundo Ronen (mas não está sozinha nessa visão) nos afectará a todos se não interviermos atempadamente. Para dissecar as idiossincrasias de tudo o que nos separa ou reúne, Yael Ronen e a sua trupe abordaram as religiões como produtos nos quais apenas o marketing (essa ciência que é um remédio santo) parece ser capaz de encontrar qualidades. Assim, requalificando comercialmente os grandes símbolos (Jesus não já na cruz mas numa cadeira eléctrica, ou o judaísmo como religião de elite – “apenas 0,3% da população mundial mas 35% dos prémios Nobel”), a encenadora israelita consegue demonstrar-nos a que ponto a globalização da bárbara cultura da economia está a alienar-nos da histórica vocação universalista da Europa – actualmente paralisada, apenas capaz de, através do seu tribunal internacional, declarar ilegal o muro de várias centenas de quilómetros que separa os ‘ocupas’ de Israel dos restantes territórios palestinianos.
As diferenças entre José e Pedro
José foi Pai por convite e Pedro um amigo de Jesus. Não creio que, pela proximidade ao Mister, qualquer um deles tenha merecido
uma convocatória para a cidade condal. Aliás, estes dois nomes, com muitas semelhanças e algumas diferenças, terão alguma dificuldade em encontrar um lugar simpático lá em Cima.
Acredito que possa haver perdão em doses industriais para distribuir a quase todos, mas palpita-me que perante o evidente interesse público do perdão, este vai a caminho de ser privatizado ou então convertido numa parceria público-privada.
Na prestação de contas educativas in loco, cá pela Litosfera, diria que há uma enorme diferença entre José e Pedro – José fez mal, mas não procurou transformar e educação num negócio. Pedro olha para a Educação e para a cultura como uma coisa menor, vendável e apetecível aos amigos. [Read more…]
A Restauração? A de 1640 ou a de 2012?
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Proclamação de João IV como rei de Portugal livre, Veloso Salgado
Entre 1558 e a1668, Portugal esteve sujeito ao reinado da casa de Habsbugo , de Castella. Filipe II, III e IV de Habsburgo, passaram a ser os Filipe I, II e III de Portugal. A história é conhecida, bem como é sabido. Quem deseje saber mais, pode consultar o blogue histórico da página web . Sabemos também que João de Vasconcelos e Sousa, 2º Conde de Castelo Melhor liderou a conspiração que derrubara à denominada Dinastia Filipina, proclamando Rei de Portugal, após uma pesada guerra contra os soldados espanhóis, a João de Bragança como João IV de Portugal. A paz final foi assinada apenas em 1668 entre Afonso VI de Bragança e Carlos II de Habsburgo. Portugal tem tido sempre o hábito da autonomia e da independência. Não eram apenas os Habsburgo que perturbavam esse costume de autonomia, era o hábito da autonomia enraizada na nação desde a existência do Primeiro Rai, Afonso I ou Afonso Henriques como é mais conhecido.
A Educação, em Portugal, é gratuita?
As manobras e as contramanobras do governo à volta do tema da gratuitidade da Educação em Portugal servem para lançar uma cortina de fumo, com o objectivo declarado de vir a sobrecarregar os contribuintes com mais impostos disfarçados. A comunicação social, por desconhecimento ou colaboracionismo, vai ajudando o governo.
Numa reportagem de hoje, no Jornal de Notícias, várias pessoas chamaram a atenção para o facto de que, na verdade, a Educação já não é gratuita, em Portugal, há vários anos: para além dos impostos, a maioria dos encarregados de educação paga manuais, material escolar, transportes e refeições.
Limito-me a juntar algumas reflexões avulsas, só para lembrar que, entre outros problemas, e tendo em conta que as escolas têm ficado com cada vez menos tempo e com cada vez menos recursos, há crescentes dificuldades em proporcionar apoios mais individualizados aos alunos. Para além disso, verifica-se uma progressiva destruição das escolas como instituições que poderiam permitir a alunos mais desfavorecidos o contacto com determinados bens culturais, como a música, o teatro e outras artes e actividades fundamentais para o desenvolvimento harmonioso de qualquer jovem (o próprio desporto escolar sofreu cortes enormes).
Conclui-se, assim, que quem quer proporcionar aos filhos uma educação mais completa terá de pagar por isso. Tendo em conta o empobrecimento geral da população portuguesa e a ruína da Escola Pública, é fácil perceber que os jovens estão, na sua maioria, a ser afastados de uma educação com um mínimo de qualidade.
É claro que, entretanto, há entidades privadas a salivar por poderem deitar a mão à gestão das escolas, desde que o Estado as sustente: tendo em conta que, por exemplo, no sector privado, qualquer trabalhador está cada vez mais desprotegido, será fácil adivinhar que os professores poderão ser obrigados a dar ainda mais, continuando a receber cada vez menos, tal como acontece em muitos colégios, embora haja, sobre esse assunto, um muro de silêncio criado pela necessidade de sobreviver.
O ensino, em Portugal, num futuro próximo poderá ser gratuito para todos aqueles privados que passarem a receber do Estado e dos encarregados de educação.
António, não me mates, que sou tua mãe!
O ouro para o privado
Passos Coelho abriu a boca e, como quase sempre, saiu asneira.
Ou talvez não – reparem que os do costume aproveitam a onda para ver se apanham peixe, que é como quem diz, os famosos liberais, tão amigos do privado atrás do dinheiro fácil que uma renda de serviço público possa garantir.
Se a ideia absurda das escolas públicas passarem a ter uma gestão privada fizer algum tipo de caminho, sugiro então que os liberais de ocasião comecem por pegar apenas nas Escolas TEIP. Se são assim tão bons e se a gestão privada é tão competente, então deverá ficar com as escolas mais complicadas para as melhorar, certo?
E só mais uma coisinha, um pequeno detalhe – não podem escolher alunos, ok? Ficam com o peixe que aparecer, pode ser?
Santa estupidez!
Os nossos velhos passam fome

Embora tivesse consciênca de que isto acontece, sei que há idosos que já não compram medicamentos porque não os podem pagar e não se alimentam convenientemente porque não encontram forma de se sustentar, a realidade parece mais cruelmente real quando me atinge de frente. Há dias disse-me alguém, uma médica que trabalha num hospital, que são cada vez mais os casos de idosos que aparecem nas urgências com uma maleita que mais não é do que FOME. Aparecem, queixam-se de uma qualquer dor, de um qualquer achaque e, quando esta médica lhes pergunta se comeram, a resposta é um não. Ou um encolher de ombros, um baixar dos olhos envergonhados. Logo ali se percebe que aqueles pessoas vão ao hospital na esperança de lá poderem comer qualquer coisa. Alguns insistem mesmo em ser internados. [Read more…]










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