Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. O poder absoluto de Mário Soares no PS

continuação daqui

«No II Congresso do Partido Socialista, que teve início no dia 30 de Outubro, cumprir-se-ia a «promessa» que Salgado Zenha e o secretário-geral me tinham feito em sua casa em Janeiro de 1975, no sentido de ser corrigido o erro e a injustiça cometidos no
turbulento I Congresso. Assim regressaria à Comissão Nacional e Directiva do Partido Socialista de que tinha sido co-fundador. Mas seriam, essencialmente, o trabalho entretanto desenvolvido e as decisivas iniciativas para o PS que iriam justificar plenamente
a minha ascensão ao Secretariado Nacional e a confirmação no pelouro de responsável pelas relações internacionais.
A própria comunicação social se apercebera desse facto, comentando um semanário que «o Grupo que em 74 foi marginalizado do PS durante a luta interna com Manuel Serra (grupo este que participava no PS desde os tempos da clandestinidade) deverá regressar ao primeiro plano, em particular, à Comissão Política Nacional. É o caso de Vítor Cunha Rego, Rui Mateus, Alfredo Barroso, Bernardino Gomes e Rudolfo Crespo. A sua ‘reabilitação política’ revelará um acentuar do peso dos moderados no seio do PS». [Read more…]

Votos e presentes de Natal

sócrates e cavacoA hipocrisia  é um lugar geométrico – ou geográfico, Ricardo? – de convergência dos políticos, ornamentado  de demagogia e de cínicos sentimentos. Recado para lá, recado para cá, a controvérsia, ao longo do ano, é mero instrumento ficcional da chamada política activa, ou da “realpolitik”. A despeito de quererem mostrar-se diferentes, a verdade é que pensam e agem com iguais propósitos de fustigar a malta: manter o poder e exercer influência sobre as nossas vidas – passo a passo, mais dificultadas.

O Natal, uma efeméride gradualmente diminuída de sentido estritamente religioso, é o tempo de ‘votos e presentes a terceiros, companheiros ou adversários’; para os políticos, é ainda a época certa para erodir polémicas. Deixando no ar, todavia, o móbil do interesse comum que os move: manter e desfrutar os benefícios do poder. [Read more…]

A pobreza

(adão cruz)

A pobreza transformou-se agora em bandeira eleitoral de todos aqueles que por ela são e sempre foram responsáveis. Descarada hipocrisia.

Em nome da competitividade e da convergência cometem-se as maiores barbaridades. Em nome da competitividade e da convergência, a indiscutibilidade das decisões, a globalização, a modernidade, a flexibilização e a privatização são as palavras inquestionáveis das estratégias de dominação por parte daqueles que sabem quem tudo ganha à custa de quem tudo perde. [Read more…]

apDC lança Petição Pública: Por uma Educação para o Consumo nas Escolas do País

Para quem queira assinar, basta aceder aqui.

o dia internacional da mulher no natal

o trabalho que dá à mulher comemorar o dia de natal

Nestes dias, temos falado de Natal, de Orçamento de Estado, de presentes, mas nunca da mulher internacional que prepara estas festas. Essa mulher que trabalha, não apenas para ganhar um ordenado, mas também em labores domésticas, como esse de preparar o natal e as comidas da festa, limpar a casa, limpar às crianças a casa, os tachos e ornamentar a mesa da festa. Difícil tarefa especialmente em dias como este, com frio, chuva e lama que desfaz ornamentos, suja a casa, dá frio e sono e faz das crianças uma sujidade, após banhos, penteados que as mães têm tomado esse especial cuidado para mostrar o melhor do melhor. Será que consegue? Para saber, falemos de mulheres…

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Candidatos presidenciais 2011 – Cavaco Silva

"A Todos um Bom Natal"…


Directamente da Linha de Cascais, o Coro de Santo Amaro de Oeiras alegra os corações sempre tristes dos portugueses. Bom Natal, portuguesas e portuguesas.

CP – o agente reincidente

A 29 de Janeiro, com base em fundada reclamação de um consumidor, passageiro regular da CP, a ACOP difundiu um comunicado do teor seguinte: [Read more…]

Contos Proibidos: Angola, Manuel Alegre e a visão pró-americana de Soares

continuação daqui

Reunimos durante quatro dias no Palácio Presidencial com Agostinho Neto, o então  primeiro-ministro, Lopo do Nascimento e o então ministro dos Negócios Estrangeiros, José Eduardo dos Santos. A reunião, que tinha uma enorme cobertura mediática internacional, começou com o pé esquerdo.
António Macedo que antes de partir para Angola se encontrara como o presidente Ramalho Eanes, transmitira a Agostinho Neto um convite do presidente português para visitar Portugal.
Tal convite não era oficial, não existiam relações diplomáticas entre os dois países e não fazia parte da agenda socialista. Nem o Tito de Morais nem eu tínhamos sido avisados, nem sabíamos que antes de partir para Angola, António Macedo se tinha encontrado com o presidente português. Naquela altura, dada a grande hostilidade que certos sectores, sobretudo entre os retornados, sentiam pelo MPLA um tal convite era altamente inconveniente para o PS. [Read more…]

Trinta e Três Cêntimos Por Dia

UM PAÍS SEM VERGONHA NA CARA
O salário de miséria que os Portugueses têm como mínimo vai subir em 2011. Grande vitória dos trabalhadores Portugueses e de quem os representa e lidera.
Todos tinham acordado em que passaria a ser de quinhentos euros, havendo assim uma subida de vinte e cinco euros por mês para cada trabalhador nessas condições. Só no Norte do País, trinta e oito por cento dos trabalhadores estão nessa situação.
Mas atenção, estamos em crise. Crise de valores, de empregos, de lucros e de mais uma dúzia de coisas, e por causa disso, o (des)governo e os sindicatos da cor dele com o senhor João Proença à frente, aceitaram uma subida faseada desse aumento. Assim, [Read more…]

Cavaco amigo, os banqueiros estão contigo

Uma lista dos principais financiadores de Cavaco Silva, retirada do blogue Tabus de Cavaco:

Gente anónima, pobres que tiraram das suas pequenas reformas ou parcos ordenados um modesto contributo para ajudar quem tanto os auxiliou: Joaquim Coimbra, João Pereira Coutinho, Manuel Fino, José de Mello, Américo Amorim, Ricardo Salgado, Stanley Ho, José Oliveira e Costa, Jorge Jardim Gonçalves, Alípio Dias, Paulo Teixeira Pinto, é o país real, o Portugal profundo, pessoas desinteressadas e humildes, num gesto comovente e desinteressado. Diz-me quem te financia, e dir-te-ei quem és.

Canção De Natal 12 Dias da Wikileaks, Por Zina Saunders

O Vídeo.

A Lírica

On the first day of Xmas, WikiLeaks gave to me:
A [redacted] in a [redacted] tree.

On the second day of Xmas, WikiLeaks gave to me:
Two maids a-suing
and
A [redacted] in a [redacted] tree.

On the third day of Xmas, WikiLeaks gave to me:
Three Gitmo manuals
Two maids a-suing
and a [redacted] in a [redacted] tree.

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João Proença devia ter vergonha

E O SALÁRIO MÍNIMO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS?

Há anos que o acordo para aumentar o salário mínimo para 500 euros, em 2011, estava assinado. Não havia qualquer motivo para pô-lo em causa, mas o militante do PS João Proença decidiu dar uma mãozinha ao seu camarada José Sócrates. E de forma vergonhosa, aliou-se aos patrões na miserável subida de 10 euros por mês a partir de Janeiro. Estava decidido que seriam 25, mas João Proença, José Sócrates e patrões foram descaradamente, mais uma vez, ao bolso dos trabalhadores. Os mesmos de sempre.
Será um aumento de 33 cêntimos por dia. Bem, sempre dará para 2 pães. Só apetece perguntar o que anda a fazer no mercado uma empresa que não consegue pagar mais 25 euros por mês aos seus funcionários.
Ainda em 2011 chega aos 500 euros? Não acreditem nisso. A verdadeira máquina de mentir que se chama José Sócrates arranjará um Proença qualquer para inventar mais uma patranha e adiar o inadiável.
Já agora, que mal pergunte: os milhares de funcionários públicos que recebem o salário mínimo vão voltar a ganhar, como acontecia até há bem pouco tempo, menos do que os trabalhadores privados?

O Pai Natal Lixado

As boas festas do PSD

Os votos do PSD são mesmo votos.

via O que fica do que passa

O presidente de todos os patrões

Em Portugal um bom negócio é aquele que o estado financia. Um investimento rentável é aquele que todos pagamos.

Querem acabar com os chorudos lucros dos empresários dos colégios privados? O presidente veta. Poupar na despesa pública é só para alguns. No subsídio aos patrões, nunca.

Tudo em nome das famílias, é claro. Vetou as novas regras do abono de família? Bem, pois, nesse dia estava distraído.

Pisa: Mentiras, perplexidades e factos

Por SANTANA CASTILHO

Assentou a poeira e desfez-se a espuma dos dias. É tempo de analisar as mentiras, recordar os factos e partilhar perplexidades.

Andreas Schleicher, director do PISA, é claro quando diz ao que o programa veio: medir quanto “value for money” (conceito económico que exprime a utilidade do dinheiro despendido) resulta dos sistemas de ensino em análise. O PISA não se ocupa de determinar e comparar todo o conhecimento que deriva dos vários domínios curriculares. O PISA centra-se na capacidade para resolver problemas básicos, detida por jovens com idades compreendidas entre os 15 anos e quatro meses e os 16 anos e quatro meses. Sendo de inegável utilidade, este quadro é redutor porque deixa de fora valências humanistas e culturais dos sistemas de ensino. Merece alguma reflexão ver democracias líderes do desenvolvimento tecnológico e científico mundial (Alemanha, França, Reino Unido e USA) remetidas para posições modestas no PISA, enquanto um sistema ditatorial se guinda ao primeiro lugar do ranking (Xangai).

Com a ressalva supra, é incontestável a importância de todo o manancial de informação que o PISA proporciona. Mas a contrapartida para esse benefício está a tornar-se perniciosa: nas orientações que dele emanam têm vindo a ser aceites com uma preocupante atitude reverencial. Os resultados obtidos pelos estudantes portugueses em 2009 melhoraram muito e isso é bom. Mas onde estamos? No último terço da tabela dos 33 países da OCDE. Abaixo da média em todos os domínios considerados (489 pontos em leitura, 487 em Matemática e 493 em ciências, para médias da OCDE de 493, 496 e 501, respectivamente). E tudo isto por referência a 698 pontos possíveis. Cerca de 19 por cento dos nossos estudantes não souberam justificar por que devem lavar a língua quando lavam os dentes, sendo certo que a resposta estava contida no texto do teste; 23,7 por cento não souberam fazer uma simples conversão cambial; e nas ciências, 16,5 por cento não responderam a uma pergunta de nível 1, o mais baixo dos 6 cotados. Justifica isto a histeria de Sócrates e dos cronistas do regime e a recuperação de defuntos políticos? A propaganda lida mal com os factos. Mas eles existem. Continuemos a recordá-los. [Read more…]

o natal deste ano 2010

…para a minha mulher, que tudo faz por mim… 

Todos sabemos o que é o Natal, pelos menos nos países do Ocidente e cristãos. É a comemoração do nascimento de quem nos salvara do pecado, faz 2010 antes deste dia. Para as pessoas de fé religiosa é o nascimento do Redentor do Mundo. O problema, mais uma vez, é definir estas palavras, estes conceitos a que não estamos habituados por não sermos religiosos, ou sendo religiosos, aprendemo-los na infância mas depois esquecemo-los porque a vida, dura como ela é, faz-nos pensar todo o dia nos nossos deveres profissionais remetendo partes da nossa história, longa como é, para o esquecimento, também o stress do dia-a-dia não nos permite sermos homens e mulheres de fé e de acreditar na existência de uma divindade, que nos proteja das aleivosias de outros seres humanos.

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Em apoio a Vera Fischer, como a compreendo

A actriz brasileira Vera Fischer, agora armada em escritora (e com elevada produção, pelos vistos escreveu 10 livros no espaço de um ano), foi bem clara na apresentação da sua, por certo, obra prima: “Eu não sei escrever pra gente pobre. Eu detesto.” Diz que a vida dos ricos é mais interessante. "Cada livro tem pelo menos uma viagem ao exterior." Uau…

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Como a compreendo, Vera. Há que fazer opções, não é?

Por mim, há muito optei não ler livros de gente reles. Por isso, os nossos caminhos nunca se irão cruzar.

Parece que, afinal, não somos dos que trabalhamos menos horas…

… podemos é trabalhar pior, mas isso é outra história.

Vacation Time
Via: Credit Score Blog

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. A independência de Angola


continuação daqui

Em meados do mês de Agosto de 1976, estava eu na Suécia a acompanhar Olof Palme e em colaboração com a campanha eleitoral do Partido Social-Democrata daquele país, quando recebi uma chamada urgente de Mário Soares com instruções para ir imediatamente para Luanda, onde me deveria juntar ao presidente do Partido António Macedo e a Manuel Tito de Morais, ainda formalmente responsável pelas relações internacionais do PS. Portugal reconhecera a República Popular de Angola a 22 de Fevereiro de 1976, mas as relações diplomáticas entre os governos dos dois países seriam suspensas dois meses depois, em Maio, pelo Governo Angolano. Este, depois de não respeitar os acordos que tinha assinado em Alvor, consideraria serem as atitudes do VI Governo Provisório inamistosas. Esta atitude derivava essencialmente da enorme e compreensível campanha na comunicação social contra Angola, naquele difícil momento das relações entre os dois países, quando centenas de milhares de portugueses regressados de Angola acusavam o MPLA de responsabilidades pelo seu dramático êxodo.
Entretanto, apenas dois meses após o corte de relações com Portugal, Agostinho Neto compreenderia que tal acto acabaria por atirar ainda mais o seu país para uma quase total dependência da União Soviética. [Read more…]

A Prenda de Natal*

“Trás-os-Montes, região esquecida e despovoada, vítima de promessas políticas incumpridas. O anúncio da construção de uma barragem ameaça a centenária linha ferroviária do tua. A identidade do povo transmontano está em risco de submergir.”

*Que, para causar orgulho, glória e vergonha, eu ofereceria a Cavaco Silva, António Mexia e a Fontes Pereira de Melo.

Presidenciais: Os ricos e os pobres

Na campanha para as Presidenciais, ouvimos todos os dias os ricos a falar dos pobres. Mais: os ricos enchem a boca com a palavra pobres, mesmo que da pobreza nada conheçam.
Cavaco fala dos pobres. Está mal, mas, apesar de hipócrita, tem desculpa: não passa de um pobre de espírito.
Alegre fala dos pobres, enxugando as lágrimas no intervalo de uma caçada no Alentejo vasto (mil perdizes cairão a seus pés enquanto o poeta recita «Cão como Nós»), entre duas bandarilhas espetadas no dorso de um touro, no arroto final de um lauto jantar com fados e guitarradas e onde os funcionários de serviço – os únicos pobres que ali estão – serão olhados com superioridade. Manuel Alegre não é um pobre de espírito. Mas é um hipócrita.

Querem uma boa avaliação? então vão comprar

Blogopédia – Dicionário da Blogosfera (Ana)

continuação daqui

(este post serve apenas como ténue amostra daquilo que se pretende para a Blogopédia – todas estas entradas, bem como aquelas que estejam em falta, podem e devem ser editadas na plataforma já disponível)

Ana Cristina Leonardo – Nasceu em Olhão em 1959. Estudou Filosofia, mas os livros foram desde sempre a sua grande paixão. Trabalhou na Assírio & Alvim, publicou o livro infantil «Joaninha, a Menina que não queria ser Gente» e foi uma das autoras da obra «Princesas, Príncipes, Fadas e Piratas». Faz traduções, revisões literárias e é crítica literária do jornal Expresso. Mantém desde 2007 o seu blogue pessoal, Meditação na Pastelaria. Mais recentemente, começou a escrever no blogue colectivo Vias de Facto. Nos seus posts, é bem visível uma visão de Esquerda da sociedade e da política portuguesa.

Ana Gomes -De seu nome completo Ana Maria Rosa Martins Gomes, nasceu em 1954 em Lisboa. Licenciada em Direito. Antes do 25 de Abril, entre 1972 e 1974, foi activista dos CLAC – Comitês de Luta Anti-Colonial. No período que se segiu à Revolução, militou no PVTP/MRPP. Esteve ligada à diplomacia desde 1980. Exerceu funções junto da ONU, em Genebra, e nas Embaixadas de Tóquio e Londres. Entre 1999 e 2003, esteve em Jacarta como Chefe da Secção de Interesses e depois como Embaixadora de Portugal. Nesse período, assumiu posições de grande coragem, defendendo Timor-Leste  na sequência do referendo que concedeu a independência ao país. [Read more…]

no meu corpo mando eu: nem governo, nem médicos, nem…

…para Catarina Almeida, interessada na minha saúde, fez um comentário que inspirou este texto…

Normalmente pensa-se que somos governados, quer pelas nossas células, quer pelas nossas vísceras, ou pelos cidadãos que gerem a nossa soberania.

O primeiro é o corpo. Somos seres humanos e pode criar-nos brincadeiras

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Cortes natalícios

Contos Proibidos: O I Governo de Mário Soares. Dividir para reinar numa corte de intrigas. O Secretário de Estado Manuel Alegre.

continuação daqui

«Conforme prometera antes de ser eleito, o general Ramalho Eanes convidaria o secretário-geral do Partido Socialista para formar o I Governo Constitucional após o 25 de Abril. Tomaria posse no dia 23 de Julho de 1976 e duraria pouco mais de um ano, caindo precisamente no dia em que Mário Soares celebrava os seus 53 anos de idade. No dia em que chegara ao governo, Soares «não percebia nada de economia, podia ser um ás na política mas na economia era um zero» e dada «a forma displicente com que [tratava] dos números que traduzem a realidade económica, trocando os milhões e os milhares», muitos se perguntavam se «deveria ter sido [ele] o primeiro-ministro do I Governo Constitucional, apesar de o Partido Socialista ter ganho as eleições?»
Muito provavelmente, se Portugal vivesse num regime democrático normal, a resposta seria não mas, em 1976, considerando que o secretário-geral do PS rejeitara a proposta de Sá Carneiro, só existiam dois homens com autoridade política para chefiar o governo de Portugal. Mário Soares e Salgado Zenha. [Read more…]

Banksy em Guimarães?

Parece que sim. Guimarães é fixe!

Dia 5 há propaganda aos clubes de vídeo mas já anunciam hoje

A Associação do Comércio Audiovisual de Obras Culturais e de Entretenimento de Portugal (ACAPOR) vai apresentar uma queixa-crime contra mil portugueses por pirataria de filmes através da Internet.” – conta o Público. E como o vai fazer? entregando uma lista com mil endereços IP’s à justiça. E como obtiveram eles tais endereços? Espiando ilegalmente comunicações privadas entre cidadãos.

Para os leigos na matéria: imaginem que uns caramelos se metiam a interceptar chamadas telefónicas e depois apresentavam queixa porque tinham escutado conversas privadas onde se referiam eventuais crimes. Depois imagine a Procuradoria Geral da República a rir-se.

A estupidez vai mais longe: a Associação dos Chulos do Audiovisual e das Obras Culturais e de Entretenimento de Portugal (que representa entidades arqueológicas do tipo clubes de vídeo) afirma que os endereços  abrangem “todos os distritos do país“. Ora em Portugal é possível saber através de um IP qual o fornecedor de serviço (ou empresa se for o caso) a que pertence. Distritos deixem-me rir: se estiver em Trás-os-Montes o seu IP estará atribuído à empresa que lhe fornece o acesso à Internet, o que pode corresponder ao Porto ou a Lisboa. É certo que por ordem judicial todos os IP’s são posteriormente identificáveis, mas isso é outra conversa.

Nem sabem do que falam. Depois admiram-se que lhes aconteçam acidentes do género que a imagem documenta.