Com mais miúdas

CDS

Li este título do DN e veio-me imediatamente à cabeça este célebre sketch dos Gato Fedorento. Claro que, sobre as “miúdas”, não nos é apresentada qualquer informação de natureza física, o que é um alívio não fosse alguém achar que isto era uma posta ordinária. Mas o título, convenhamos, é sugestivo. Mas o que é a imprensa dos nossos dias senão uma maravilhosa e inventiva compilação de títulos sugestivos?

Quanto às “miúdas” da “geração Cristas”, ficamos apenas a saber, constatou o jornalista do DN que assistiu a um debate improvisado à beira da piscina, que são “frontais, carismáticas e aguerridas”. Quem sabe um dia não chegam a vice-primeira-ministra. Hoje em Peniche, amanhã no congresso do MPLA. Chique a valer!

Bilhete do Canadá – Fenómeno curioso


Continua a Universidade de Verão do PSD, diz a RTP. Passam imagens de molhos de jotinhas a agitar bandeiras da loja e a babarem-se à ideia de virem a ter tacho garantido. Um magrote, sem graça nenhuma, disse sem se rir que está a preparar-se para ser primeiro-ministro. Temos de reconhecer que o Passos Coelho, a Maria Luís Albuquerque, o Relvas, o MarquinToino e quejandos, fizeram escola. O mesmo acaba de se passar com o CDS.

E eis que os criadores de gado entram em fúria porque a palha encareceu. É isto todos os anos. Coisa estranha! Porque será?

A Cristas estava lá

cristasNinguém me tira da cabeça que aquele bebé do Trump estava ao colo da Cristas. É um palpite. Ou, talvez, até mais do que isso. Depois de ouvir a maezinha a falar sobre o IMI e a taxa sobre o sol, o puto desatou a chorar com tanta coerência. Foi isso.

Uma comissão de inquérito como arma de jogo político

Ontem, ao fim do dia, os dois partidos anunciaram que retiravam, para já, do objecto do inquérito, a questão das negociações, em curso, entre o Governo Português e as autoridades europeias. [TSF]

Outras comissões de inquérito que poderiam ter existido:
– negociação da venda da TAP;
– negociação do salvamento do BES;
– negociação da venda da REN.

Três exemplos apenas para ilustrar a ideia. Se negociações em curso é matéria para comissões de inquérito, então muitas deviam ter sido constituídas até agora. Isso não aconteceu e nem faz sentido que tivesse acontecido. Reclamá-la agora para a CGD demonstra que o objectivo não é o apuramento da verdade, mas sim o jogo político.

E se fosse apenas uma intenção normal?

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Não houve provas nem especial intenção relativamente aos crimes de que os 11 arguidos do caso vinham sendo acusados, considerou o tribunal. Por isso, decidiu absolvê-los a todos. (Público)

Como sabemos, de boas intenções está o inferno cheio. Agora ficamos a saber de que é que está vazio. De intenções especiais.

Já vazia, pelo que consta, não ficou a conta do CDS, que viu lá cair um milhão de euros, quiçá do céu. Perdão, afinal deve ter tido uma origem muito terrena, já que Jacinto Capelo Leite Rego não deve ser nome de anjo.

Agora é perguntar à Portas v2.0 se tão distinto benfeitor andou em colégio amarelo para sabermos se ela se poderia juntar ao cavalheiro. Com gente arruada por esquisitos já sabemos que não se mistura. Agora, gente bem, sei lá.

Às vezes, o tiro sai pela culatra

2016-06-16 tiro pela culatra

Recordando:

ADSE: «(…)o Tribunal de Contas refere que, em Setembro de 2015, a ADSE usou excedentes gerados em 2014 e receitas próprias de 2015 para pagar mais de 29 milhões de euros ao Serviço Regional de Saúde da Madeira que resultou da utilização de unidades de saúde por beneficiários da ADSE entre 2010 e 2015. O Tribunal considera que dois secretários de Estado do anterior Governo “comprometeram dinheiros da ADSE para fazer face a uma despesa que é do Estado e que devia ter sido satisfeita pela dotação orçamental do SNS.”»

CGD: “A Caixa Geral de Depósitos tem, pelo menos, 1.300 milhões de euros em risco no resgate ao Novo Banco.”
O BES foi só mais um prego entre os tiros que o antecederam (p.ex. BPN) e que lhe sucederam (p. ex. BANIF). Um mealheiro do bloco central.

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O fel

Os visados acusaram o toque. E, no entanto, o relatado sobre o bando que empesta as redes sociais é um facto, tendo um deles sido bem detalhado no Aventar. Incomoda-os que alguém não seja mais uma ovelha no rebanho. Habituem-se.

(…) é muito interessante ver aquilo que são os bas-fonds da nossa direita radical, entre comentários, blogues e twitter. (…) estou a falar de apoiantes do PSD e do CDS, do extinto PAF, muitos “jotas”, mas também gente adulta que enfileirou nos últimos cinco anos do “ajustamento”, vindas de alguns think tanks e amadores da manipulação comunicacional que se formaram nestes anos. São também alguns colunistas no Observador, no Sol, no extinto Diário Económico e nos sites que estes jornais patrocinam com colaboração gratuita para formar uma rede de opinião que funciona para pressionar os órgãos de comunicação que, muitas vezes, de forma muito irresponsável, a ampliam em “informação” como oriunda das “redes sociais”. Não são um grupo muito numeroso, mas escrevem todos os dias e em quantidade, parecem estar de patrulha nas caixas de comentários e no twitter e são muito agressivos. Não se coíbem em usar citações falsas ou manipuladas, boatos, calúnias e insultos (Costa é o “monhé” e o “chamuça”, por exemplo). É na vida política portuguesa um fenómeno novo e não adianta dizer que o mesmo existe à esquerda, porque não é verdade. [Read more…]

Um nojo

Os votos contra do PSD e do CDS já se esperavam. Afinal de contas, enquanto governo foram os partidos que mais incentivaram esta relação pedante que temos com o regime angolano: censuras e violações à parte, a relação que aqueles partidos criaram com o regime angolano pode ser explicada com recurso a uma analogia de tasca, ou seja, aquele bebedo que já não tendo fichinhas para ir ao balcão malhar meio-porto numa casa que não lhe presta fiado, contenta-se em ficar com os restos da picheira de 5 litros de Real Lavrador que os amigos trouxeram para a esplanada, ficando ali a aguar pela vez de ir beber directamente da picheira os restos para matar o vício. O Princípio Jurídico da Igualdade Soberana foi só a escusa usada pelos meninos para não cortar já uma possível ponte de entendimento futura perante o dito regime. Todos sabemos que desde a invasão ilegal do Iraque por parte das forças aliadas, o Direito Internacional serve precisamente para aqueles momentos de aflição na redondinha.

O voto contra dos deputados da CDU também não me estranhou. Arreigados até à medula ao velho pacto, os camaradas continuam a tapar a viseira aos atropelos judiciais que lá se cometem em prol de uma fraternidade sem sentido.

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“Não estraguem o que está feito”

O custo do Banif nas contas é, assim, de 2463,2 milhões de euros, o equivalente aos 1,4% do PIB. Mesmo sem este impacto não seria cumprida a meta de 2,7% traçada pelo anterior Governo. A dimensão do Banif acabou por ser superior ao esperado. Aliás, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) tinha estimado que um custo equivalente a 1,2 pontos percentuais do PIB. [Público]

Em tempo de eleições vale tudo, não é? Meta do défice falhada (novamente), bomba-relógio de 1.4% do PIB escondida e a constatação da farsa que foi o jornalismo económico. A um mês e tal do fim do ano, disse o génio para não estragarem o que eles tinham feito.

A coerência de Paulo Portas

Ilustrada de forma eloquente no seguinte vídeo:

(Roubado do site da SIC Notícias, ver aqui).

Bendito o cartaz…

…e o fruto do seu ventre, Nuno Melo.

Duplo pensar na política – o CDS e a propriedade privada

pousio

“CDS acusa Governo de estar a atingir o coração da propriedade privada”, lê-se na comunicação social sobre um eventual novo imposto sobre as doações. Muito bem, vamos lá defender os portugueses do papão Estado, que come tudo e não deixa nada. Imagine-se, por exemplo, se as terras, ícone da propriedade privada, ficassem na mira deste guloso mostro. O que faria o CDS, o ex-partido da terra? Discursos inflamados, cheios de um ar mais sisudo do que teriam numa segunda revolução dos cravos, seria o mínimo que se poderia esperar. O Observador e a Helena Matos fariam a reportagem sobre os abusos estatais, o Camilo Lourenço traria os números da situação e alguém com jeito para a piadola faria uma fotomontagem sobre “outro” conselho do Costa. A fórmula usada e abusada da desacreditação, forjada com a reportagem opinativa, tornada séria com números e ridicularizada com sarcasmo.

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Equívoco

Não é que PSD e CDS não se atrevessem a negociar com Bruxelas. Apenas nunca estiveram interessados em fazê-lo. Sendo isto óbvio para muitos, não está de mais lembrá-lo.

O Pedro Passos Coelho de há cinco anos precisa de um upgrade

foto@expresso

foto@expresso


Hoje o director da campanha do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Duarte, dá uma entrevista ao ” Expresso ” muito interessante, curta, mas assertiva.

Como diz Pedro Duarte ” O Passos de há cinco anos está desactualizado “. E o problema é exactamente este. O ex-secretário de estado e antigo deputado do PSD coloca precisamente o dedo na ferida.

O actual Partido Social Democrata teve nos últimos 5 anos um posicionamento e uma deriva para uma direita neo-liberal. Porém o que esteve na origem da formação do Partido, fundado por Francisco Sá Carneiro, foi uma matriz social-democrata assente em grande medida no pensamento político de Willy Brandt, Helmut Schmidt e Olf Palme adaptada à realidade sociológica portuguesa.

Talvez muitos não tenham conhecimento mas Francisco Sá Carneiro fez vários contactos internacionais de modo a integrar o Partido, na Internacional Socialista e consequentemente no Partido Socialista Europeu, de forma acentuar a sua natureza social-democrata, reformista e europeísta.

Aliás a mudança de designação de Partido Popular Democrático para PPD/PSD tinha como objectivo a sua integração na Internacional Socialista, mas a influência do Partido Socialista, nomeadamente de Mário Soares, impediu a pretensão de Francisco Sá Carneiro.

Aliás, o actual director da Microsotf, Pedro Duarte, afirma e muito bem que ” o PSD deve perceber que nasceu no centro-esquerda “. Entendo também que o PSD precisa de muito rapidamente recentrar-se politicamente, mas isso apenas poderá acontecer se Pedro Passos Coelho tiver a capacidade de regenerar o Partido, percebendo que o País vive um novo tempo, apresentando novas ideias e novos protagonistas.

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PS começa a dar os primeiros sinais de cedência a Bruxelas

orcamento_estado A proposta de orçamento apresentada pelo governo socialista ainda não passa de um draft mas já está a ser alvo de críticas e a levantar muitas dúvidas de vários sectores nomeadamente de Bruxelas.

Aliás ainda hoje Carlos César, líder parlamentar do Partido Socialista, admitiu que poderão vir a ser feitas algumas cedências à Comissão Europeia.

Este anúncio de Carlos César penso que é estratégico vindo assim abrir caminho a algumas cedências prévias de António Costa que amanhã terá que enfrentar os deputados na Assembleia da República.

E não tenho dúvidas que este será o tema forte do debate quinzenal no Parlamento.

Estou curioso para ver a estratégia que Pedro Passos Coelho vai começar a trilhar na oposição ao governo agora que se conseguiu libertar de alguns dirigentes do PSD que o condicionaram, nos últimos anos, mas que agora passaram a meros figurantes.

Mas será também interessante observar os primeiros sinais de um novo CDS que está claramente num processo de mutação que vai implicar um novo posicionamento político do partido que vai passar a ser liderado por Assunção Cristas.

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Nuno Melo, nem hoje, nem nunca

foto@globalimagens

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Apesar de ter todas as condições internas para ser o futuro líder do CDS/PP Nuno Melo afasta-se da corrida à liderança do seu partido. Confesso que nem tomei muita atenção aos argumentos apresentados porque sempre achei que assim seria.

Nuno Melo não vai ser candidato agora, nem nunca à liderança do CDS. Esta é a minha convicção. Ainda bem que o próprio tem consciência das suas próprias condicionantes. Infelizmente muitos não tem esta lucidez. A ambição tolda a muitos o bom senso e o pensamento. Penso que faz bem apoiar Assunção Cristas, mas também não lhe restaria outra opção.

E com esta nova liderança parece-me que o partido vai afastar-se da linha PP centrando-se mais no plano ideológico do que foi no passado o CDS. Um partido menos liberal e mais democrata-cristão.

Gaia: um dia o feitiço vira-se contra o feiticeiro!

foto@jn

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Entre 1997 e 2013 os executivos liderados por Luís Filipe Menezes fizeram uma obra notável em Gaia. Trouxeram o Município de Gaia do ” terceiro mundo “, em diversas áreas, para um patamar de excelência à custa de uma visão estratégica notável de Menezes, mas infelizmente também com custos elevadíssimos para as finanças da autarquia e para a dívida do Município que comprometem a gestão autárquica dos próximos anos.

Por isso li com atenção e interesse o texto do João Paulo sobre as evidentes dificuldades financeiras da autarquia de Gaia, mas entendo que o mesmo passa muito ao lado daquele que foi o responsável pelo pelouro financeiro da Câmara Municipal de Gaia, entre 2005 e 2011.

Essa pessoa tem um rosto e tem um nome. Chama-se Marco António Costa. Temos que ter a coragem, como diz o nosso sábio povo, de chamar ” os bois pelos nomes ” .

Aliás, fica-se com a ideia que Marco António tem tanto orgulho no trabalho que efectuou em Gaia que o omitiu no seu currículo de deputado na Assembleia da República! Ou será que o fez propositadamente porque considera ” cadastro ” a sua passagem ao longo de 7 anos pela Câmara de Gaia?

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Os rostos da falência do BANIF: Passos Coelho, Portas, Maria Luís e Carlos Costa

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Após os escândalos do BPP, do BPN e do BES os portugueses tinham a legítima expectativa que os políticos e a supervisão bancária tivessem aprendido a lição, mas afinal não, esta gente continua a brincar com o dinheiro dos portugueses.

Mais uma vez neste caso do BANIF a culpa tem caras e as caras têm nomes. Mas, mais uma vez, parece-me que os ex-governantes tudo estão a fazer para que a culpa morra solteira. Mas sublinho esta falência tem caras, responsáveis e motivações.

E esses responsáveis são Pedro Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e todo o anterior governo de coligação PSD / CDS, estendendo-se a responsabilidade ao Governador do Banco de Portugal.

carlos costa

Ninguém tem dúvidas que em 2013 a intervenção no BANIF era necessária, mas tudo o que se seguiu foram opções políticas E a manutenção da gestão do BANIF, como a nomeação para um novo mandato de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal, foram opções políticas. Aliás, ainda há dias o ex-primeiro-ministro, Passos Coelho afirmava ter toda a confiança no Governador do Banco de Portugal e como a supervisão estava a acompanhar a situação do BANIF. [Read more…]

Os exames e a cassete da Direita: Michael Seufert

mw-250Michael Seufert, como qualquer político, é, na maior parte do tempo, um papagaio ou um leitor de cassetes, ou seja, alguém que se limita a reproduzir aquilo que o partido defende ou manda defender. Recentemente, escreveu sobre a questão da revogação das provas finais de quarto ano e da prova de avaliação de e capacidades dos professores (PACC).

Sobre Educação, a esquerda não produz menos disparates. Produz disparates diferentes. Leiamos Seufert e aprendamos os disparates de direita.

Começando por abordar a questão da PACC, Seufert enreda-se numa longa citação do acórdão do Tribunal Constitucional, concluindo que a prova em causa não é inconstitucional e que é do interesse público. A primeira conclusão é inútil e a segunda é, no mínimo, discutível.

Há dois anos, Nuno Crato aparecia na televisão a defender a PACC, o que o levou a zurrar dois disparates de todo o tamanho: explicou que esta prova, imposta a todos os que davam aulas há menos de cinco anos, servia para resolver os problemas de acesso ao ensino superior (ora, quem já terminou um curso superior não só já entrou na Universidade como já saiu dela); por outro lado, Crato declarou ao entrevistador que os professores deveriam ser sujeitos a uma prova, tal como uma televisão deveria pedir a um licenciado em Comunicação Social que simulasse a apresentação de um telejornal (curiosamente, um licenciado que opte pelo Ensino é obrigado, durante um ano lectivo, a dar aulas sob a supervisão de um professor mais experiente: chama-se estágio pedagógico e obriga os candidatos a dar aulas, o que é diferente de simular).

Quer isto dizer que não há problemas com os professores? Claro que sim, mas fazer uma prova depois da licenciatura e do estágio faz tanto sentido como querer limpar a foz de um rio poluído na nascente. [Read more…]

100 nomeações para o governo PSD/CDS no dia em que o Presidente indigitou novo Primeiro-Ministro (*)

100 nomeacoes para governo PSD CDS

Repare-se no detalhe de o Observador conseguir associar Costa a uma morosca da direita

Há alturas em que os actos valem mais do que as palavras e nomear pessoal quando há novo governo à vista é uma delas. Demonstra-se que a dor do PSD e CDS por deixarem de ser governo, das mais prosaicas que se possa imaginar, se resume a ter que abandonar o pote.

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Mais uma alegoria para a venda da TAP

Vou vender-lhe o meu carro mas sou, simultaneamente, o fiador da sua compra.  Faço-o para deixar de ter problemas com o carro. Descanso, finalmente. Ou não.

Venda da TAP: lucro máximo, risco nulo

Imagine o seguinte negócio. Você tenciona comprar uma bela mansão com um problema nas caleiras mas com luxuosos e numerosos quartos. Precisará de investir algum dinheiro e de resolver um problema num anexo que o anterior dono comprara à toa, mas, no geral, o potencial de turismo de habitação dá-lhe boas perspectivas de lucro. Aliás, não fora o raio do anexo e nem o anterior dono precisaria de vender. Acontece que as suas posses financeiras não são propriamente as de Abramovich e precisará de recorrer à banca para fazer o negócio. Para complicar, o anterior dono já tinha feito uma hipoteca à mansão e a banca só aceitará a mudança de dono caso você lhe indique um fiador. Apesar destas condicionantes, você conseguiu convencer um parente com vastos recursos a ser fiador e levou o negócio a bom termo. E o arranjo global até é animador. Se o negócio der lucro, você paga à banca e amealha o que sobrar. Por outro lado, se algo correr mal, você deixa de pagar a mensalidade da mansão e o fiador entra em despesas por sua causa. Lucro máximo para si, com risco nulo.

Que tal lhe parece este negócio? Interessante, não acha? Excepto para o fiador, claro.

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Agora troque, no anterior negócio, a mansão pela TAP, o Consórcio Azul toma o seu lugar, o anexo é a Varig Engenharia e Manutenção e o fiador é o Estado. As caleiras representam os problemas estruturais e a banca é mesmo a banca. Já está? Pronto, fica explicada a venda da TAP, feita pelo governo PSD/CDS. Com uma nuance: no negócio da venda da mansão era claro que seria você quem nela iria mandar, enquanto que na venda da TAP continuamos sem saber quem terá o controlo da empresa.

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Mentira dita com cara de sentido de estado não deixa de ser mentira

Vamos à avantesma. Os nossos dicionários são inequívocos “aparição de uma pessoa morta”, “pessoa ou objecto assustador, disforme ou demasiado grande”. Morto está, mas o Presidente da República ainda lhe permite que mexa, para ainda maior susto dos portugueses. Mete medo? Mete e ainda devia meter mais. Todo o processo da avantesma, o seu “conceito” como agora se diz, está bem explícito na história da devolução dos 35% da sobrecarga do IRS, que agora se verifica ser zero. Porque é que a história da devolução do IRS fantasma está na massa do sangue da avantesma? Porque foi isso que reiteradamente semana sim, semana sim, a coligação fez nestes últimos quatro anos e continua a fazer como quem respira.

É a mentira muito comum na esfera pública e política? É. Há uns especialistas na mentira que estão agora a contas com a justiça e que vinham do lado da geringonça. Mas isso não justifica o uso sistemático da mentira como mecanismo de governação, com a agravante de que uma comunicação social que nunca esteve tão perto do poder, em particular no chamado jornalismo económico, mas não só, dá uma amplificação enorme a estas mentiras. Transformaram-se naquilo que é o mais próximo que já alguma vez conhecemos, do “pensamento único”. E o “único” tem muita força, mas é do domínio dos “objectos disformes”, “demasiado grandes”, das avantesmas. [Público, 21-11-2015,  Pacheco Pereira]

A mentira como estratégia política para manter o poder pelo que o poder oferece. Não deixa de ser irónico que, na sociedade da informação, é a desinformação que dá vitórias eleitorais.

O mundo de pernas para o ar:

“se ganharam para que querem outras?”, pergunta o António Filipe a Telmo Correia (Via Rui Zink).

“Um Presidente a gozar com o pagode”

“O país é ele e se ele pôde esperar, o país também pode.” [Paulo Baldaia, TSF]

À direita, sempre a mesma estratégia

Atacar os outros, em vez de defender as suas ideias.

Assunção Cristas critica colegas de governo

“Inspirei-me em Jesus, que nunca teve medo de se meter com gente pouco recomendável”

Pedido de ajuda

E, caro leitor, é mesmo um pedido sério porque me parece que o mais alto cargo da nação merece a nossa atenção. Repare, por um lado, diz:

A última palavra cabe à Assembleia da República ou, mais precisamente, aos Deputados à Assembleia da República.

Mas, no mesmo discurso, diz:

Considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas.

Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível.

O maior defensor da Constituição sublinha que há uns deputados com cotação diversa, em função do  seu lugar no Paralento. Trata-se de uma interpretação absolutamente insólita do documento fundador. Por um lado, os Deputados têm a responsabilidade de decidir, mas se for para escolher como ele quer. Se a Democracia parlamentar escolher um Governo de Esquerda, então, ai Jesus! Nem pensar. O senhor não quer. Os mercados não deixam.

Só uma atenção da área clínica poderá ajudar a resolver tantas contradições, já que, ao nível político não há nada mais para dizer, ou se calhar até há: nunca mais chega o dia de Portugal se ver livre de Cavaco Silva.

 

Conversas em família ou sugestão à direita lusa

Sobre o cenário partidário pouco tem sido dito, em especial, à direita. Os erros estratégicos de Pedro Passos Coelho e, em especial, de Paulo Portas sucedem-se. Confesso, perante tal inoperância estratégica, a minha surpresa. Se, nunca  esperei nada de muito especial do homem com interesses privados, sempre pensei em Paulo Portas como o mais astuto dirigente partidário da nossa praça, apesar de irrevogável.

Mas, a minha surpresa é ainda maior com o silêncio que grassa na nossa Comunicação Social, onde os erros da direita são um tabu. E, porque o Aventar é uma casa de serviço público, resolvi trazer algumas sugestões à direita, onde as conversas em família do familiar do candidato comentador poderiam ser uma boa terapia inicial.

É este o momento. Juntem-se, discutam o que vos tem acontecido este mês e até podem fazer um vídeo ao país com o Professor Marcelo, até porque o domingo à noite está livre em termos de comentadores com mais de um metro e meio. Entendam esta primeira sugestão como uma dica  ao nível da forma. [Read more…]

A saída de Belém III

Cavaco terá que ser, finalmente, Presidente, nem que seja por um só dia. O mercado das destruidoras de papel está em alta no Terreiro do Paço.