Quem branqueou o regime da Venezuela?

A resposta nas imagens. Abaixo.

Pedro Passos Coelho (PSD) e Hugo Chávez.

José Sócrates (PS) e Hugo Chávez.

Paulo Portas (CDS-PP) e Hugo Chávez.

As bolotas e os porcos

Falava uma deputada do Partido Socialista. Falava e enquanto falava acusava o partido Chega de ser racista e xenófobo. Indignados, os deputados da agremiação tasqueira, pediram a palavra: para dizer que é uma ofensa serem chamados de racistas é xenófobos.

A deputada do Partido Socialista que falava é, só por acaso, negra. Como o é, o deputado Filipe Melo, do Chega, mais conhecido como Bidão Galo, por ser largo e transpirar azeite, decide mostrar que não é nem racista nem xenófobo, atirando um “vai para a tua terra” à deputada socialista.

Eva Cruzeiro, deputada do Partido Socialista.
Imagem: Expresso

Ora, a deputada Eva Cruzeiro nasceu em Portugal, tem origens angolanas e cresceu no Seixal. A menos que o ‘deputedo’ chegano queira que Eva Cruzeiro volte ao Seixal, não estou a ver o que mais pode confirmar o racismo e a xenofobia da seita aventurada transformada em bancada ‘para-lamentar’.

Isto ainda vai piorar: para já, a violência é só verbal. Mas tem vindo a escalar, porque o que interessa é ser notícia, aparecer e “mal ou bem, falem de mim”. Filipe Melo, o deputado que deve mais de quinze mil euros ao fisco, já fez as figuras todas da extrema-direita: já foi machista, já foi homofóbico, já foi racista e já foi xenófobo. Agora, só lhe falta ser anti-semita… mas desconfio que quem arrisca o seu dinheiro no Chega não lhe dê autorização para tal. Durante a troca de palavras, Melo levantou-se e estacionou a sua figura de Barrosão na escadaria entre a bancada da seita que representa e a bancada do partido que representa o quase-governo; a estratégia de intimidação é óbvia e não é nova: levantar a voz, primeiro; levantar-se do lugar, a seguir; aproximar-se do inter-locutor, pressionando-o… e já só falta o próximo passo, o qual todos sabemos qual será.

Filipe Melo, deputado chegano. Imagem: Chega.

Quando a nulidade que temos como presidente da Assembleia da República disse que se pode dizer o que se quer e o que bem nos apeteça na casa da Democracia, não antevendo que quem é tolerante com intolerantes acaba comido pelos segundos, a estória já estava escrita: se a carta é branca e a deputada é negra, “vai para a tua terra” é tão legítimo como qualquer outro argumento, até porque o Aguiar é Branco.

O Chega clama por Salazares. Chora por estados novos. Vocifera contra a indisciplina. E fá-lo porque sabe que toda a autoridade está incumbida de branquear as práticas anti-democráticas, inconstitucionais, criminosas e cleptomaníacas do partido de Um Homem Só, qual União Nacional modernizada.

Quando a autoridade é uma bolota, acaba a ser comida pelos porcos.

Aguiar, o Branco. Imagem: SIC Notícias.

Escutas

Era uma vez um primeiro-ministro muito fraquinho a que chamavam socialista e que ficou muito aborrecido por ter conseguido uma maioria absoluta, quando estava desejoso de ir para a Europa, essa região distante de Portugal, não em quilómetros mas em euros.

Era uma vez um presidente da República que vivia obcecado com a popularidade, tão carregado de opiniões, que se tornou incontinente, desejoso de estar dos dois lados da política, comentador-político ou político-comentador. Este mesmo presidente da República tinha sido constitucionalista e declarou, apesar disso, que a demissão do primeiro-ministro implicaria a queda do governo, com base num argumento próprio de um comentador e impróprio de um constitucionalista.

Era uma vez uma investigação inconsistente que deu ao primeiro-ministro a oportunidade de se demitir em direcção à Europa, demissão aproveitada pelo presidente que deu ouvidos ao comentador e ignorou completamente o constitucionalista, que uma pessoa não é obrigada a ouvir as vozes todas que tem dentro de si.

Pelo meio, um antigo ministro, que já tinha procurado emprego como comentador, voltou muito depressa à política para ser primeiro-ministro e acabou na oposição e um antigo chefe parlamentar que estava na oposição chegou a primeiro-ministro.

No ano em que o 25 de Abril comemora cinquenta anos, cinquenta amantes do 24 de Abril chafurdam na Assembleia da República.

Continuemos à escuta.

A derrota do social-liberalismo

O Partido Socialista (PS) perdeu as eleições que ninguém ganhou, excluindo a agremiação onde se arrolam mil e um interesses obscuros.

Em relação a 2022, o PS perde quase meio milhão de votos. A “grande” Aliança Democrática (AD), coligação entre três partidos – uns mais moribundos do que outros -, conseguiu a proeza de, em relação a 2022 e ao PSD de Rui Rio, só ter ganho 259 224 votos. Já a terceira força política, arregimentou os votos daqueles que no seu extremismo se vêem representados mas, sobretudo, dos descontentes; se, por um lado, nos congratulamos porque a abstenção baixou, também saberemos ver que esses, os cordeiros inocentes, saíram para votar no lobo que lhes esfolará a pele mal tenha oportunidade. É, de todos, o mal menor, pois hoje, se a gente adulta estiver atenta e se galvanizar, será o primeiro dia do fim da vida da extrema-direita como a conhecemos na Assembleia da República. Com tantos deputados quantos os anos que durou o Estado Novo, a cooperativa de interesses de colarinho branco chamada Chega terá, agora, a difícil tarefa de transformar os votos que teve em propostas concretas e realistas, para lá da gritaria, do insulto e da mentira reles e facilmente desmontável, o que, convenhamos, será quase tarefa impossível para quem entrou na política apenas e só a reboque dos caciques milionários que comandam o país. [Read more…]

Jogos de sombras

Daniel Oliveira, no Eixo do Mal, acerca das “diferenças” entre o suposto “radical” Pedro Nuno Santos e o suposto “moderado” José Luís Carneiro:

“Não me parece que haja aí grande diferença. No essencial, a agenda é a mesma. Até porque a União Europeia não dá grande espaço de manobra nem sequer para uma agenda social-democrata, quanto mais para uma agenda radical.”

Há apoios que não se desejam nem aos nossos piores inimigos

É mais do que certo: Pedro Nuno Santos será o próximo secretário-geral do PS.

É um novo capítulo n’A história de Sérgio: o Sousa Pinto.

O pitbull que o PS coloca nas TVs a malhar na esquerda, junta-se a um candidato que diz querer fazer acordos com a esquerda.

Números

Fotografia: Rita Chantre/Global Imagens

8 108 200 000. Oito mil cento e oito milhões e duzentos mil.

É quanto o Governo, depois de aprovado o Orçamento de Estado, vai entregar ao sector privado da saúde, vindo do orçamento do Serviço Nacional de Saúde.

Demissões

Primeiro-ministro que se demitiu das funções assume no seu governo demissionário a pasta do ministro que se demitiu do governo demissionário e que já tinha tentado demitir-se antes, mas o primeiro-ministro à altura não deixou.

As montanhas e os ratos

Imagem retirada do Facebook @alexandremartins

Agora, vamos falar mais ou menos a sério:

O Ministério Público (MP) não vale a ponta de um prego enferrujado e é, hoje, antes de tudo o resto, um instrumento político.

Um MP que anda há mais de 9 anos a tentar “caçar” um ex-Primeiro-ministro sem provas concretas, não me merece qualquer credibilidade.

E isto não desculpa o PS, porque não sou como o João Soares e não ponho as mãos no fogo por corruptos mais ou menos socialistas, mais ou menos social-democratas, mas deixa com ainda pior imagem o próprio MP.

Resumindo: como sempre, e graças ao sempre incompetente MP, a montanha vai parir um rato.

Siga a banda, seja com o P”S” ou com as suas derivações centristas e populares democráticas.

O fim de um ciclo. O início de outro.

Fotografia: João L. Maio

Catarina Martins deu muito à esquerda portuguesa, fez crescer o Bloco de Esquerda (BE) como este nunca tinha crescido antes. Merece, portanto, todos os elogios dos democratas e dos militantes e eleitores do BE.

Perseverante, estóica e delicada, Catarina Martins deu um novo rumo ao BE e um novo rumo à esquerda. Colocou o BE no lugar onde este deve estar: perto das decisões que influenciam a vida das pessoas. Obrigou o Partido Socialista a pôr-se de joelhos, duas vezes. É verdade que, em certas alturas, se aproximou (ou quis aproximar) demasiadamente do poder, mas também é verdade que foi essa aproximação que amedrontou o PS e o obrigou a apostar as fichas todas na maioria absoluta, que hoje é mais empecilho do que virtude para os social-liberais do Largo do Rato. E é, também, graças ao trabalho de Catarina Martins enquanto coordenadora do BE que o PS, quando fala para dentro, tenta ser uma espécie de BE 2.0; enquanto que, quando governa, se mostra como uma espécie de PSD+IL.

Segue-se, presumivelmente, Mariana Mortágua na liderança do partido. Está preparada, ou não estivesse a ser preparada para o lugar há vários anos. Traz consigo a bagagem acumulada da experiência enquanto figura de proa de Comissões de Inquérito e carrega consigo a empatia de muitos dos que se revêem na esquerda à esquerda do PS como uma solução credível para o futuro do país.

Na imagem, Catarina Martins olha em frente, encara o futuro do Bloco onde estará Mariana Mortágua, que na imagem olha para trás, encarando os milhares que a acompanham e torcem por ela. A Catarina Martins, o meu mais profundo obrigado. A Mariana Mortágua, toda a força.

Somos muitos, muitos mil, para continuar Abril.

À chapada

Já tivemos populares a bater em gajos do PS. Já tivemos gajos do PS a ameaçar bater em populares. Parece-me óbvio que, mais tarde ou mais cedo, iríamos ver gajos do PS a bater em gajos do PS.

Parece que o ditado sempre fez sentido: quem se mete com o PS, (dá ou) leva!

Marxismo liberal

Da exposição: os 50 anos do Partido Socialista.

O Partido Socialista (PS) foi marxista por um breve período da sua História.

O socialismo democrático ou, se quisermos simplificar, a social-democracia clássica morreu no PS no dia em que decidiram que, por puro tacticismo eleitoral, o melhor seria ceder à ideia de Bloco Central e se tornaram no extremo-centro que hoje representam (e ocupam).

Da social-democracia clássica ao social-liberalismo de hoje, impulsionado pela ideia de Terceira Via introduzida por Tony Blair (e que é um favor ao neo-liberalismo europeu – já o dizia Margaret Thatcher) foi um instante.

A Juventude Socialista ainda tenta, por breves momentos, ressuscitar o PS de esquerda da fundação, sobretudo como estratégia de captação de jovens para as suas fileiras, mas rapidamente se transformam em tecnocratas neo-liberais quando lhes cheira a poder (quem é que, no seu perfeito juízo, denominaria como “socialistas” políticos como António Costa, Sérgio Sousa Pinto, Fernando Medina, Francisco Assis ou António José Seguro?). É pena, perde a esquerda e perde o país, envolto neste engodo de socialistas que não o são.

Consequência de tudo isto, não é admirar que os programas políticos do Bloco de Esquerda ou do PCP – Partido Comunista Português sejam, hoje, de cariz essencialmente social-democrata, pois vieram, com o tempo, ocupar um espaço que estava desocupado com a viragem do PS à direita.

O PS a ser PS

 

Há 13 anos, hoje e sempre: amor vincit omnia

Fotografia retirada do Instagram de: Bloco de Esquerda

Assinalam-se hoje, dia 8 de Janeiro de 2023, 13 anos desde que a Assembleia da República aprovou e legislou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em 2010, uma das lutas mais antigas do Bloco de Esquerda foi aprovada com os votos a favor do próprio partido, do Partido Socialista, do Partido Comunista Português e do Partido Ecologista “Os Verdes”. O Partido Social-Democrata e o CDS-PP votaram contra, sendo que sete deputados/as do PSD se abstiveram e duas deputadas independentes do PS votaram contra.

Os direitos não são eternos, conquistam-se e, se não houver zelo, num instante os perdemos. É, então, necessário mantermo-nos alerta e não deixar que as forças reaccionárias de direita revertam os direitos sociais que foram conquistados nos últimos 20 anos.

Voltamos a estar numa situação em que forças extremistas de direita querem usurpar o Estado de Direito para si, para assim o poderem destruir para criar outro em que o Direito não dite leis fundamentais.

Se a votação decorresse hoje, seria novamente aprovada, como é óbvio. Perante a nova conjugação de forças, é sabido que os que aprovaram a lei em 2010 (BE, PS e PCP), a voltariam a aprovar. Não é linear, hoje, a posição do PSD, uma vez que nos últimos anos vários militantes e figuras de proa do partido assumiram, em público, a sua homossexualidade; mas desconfio que se absteriam. O CH votaria contra, ocupando o lugar do CDS. E a IL, apesar de alguns movimentos conservadores dentro do partido, votaria a favor, tal como o PAN e o Livre.

Mas, por muito que a aferição nos diga que, hoje, a posição talvez saísse reforçada, há tendências da sociedade cada vez mais extremistas que nos fariam questão de lembrar que, para além dos ciganos, das gajas e dos pretos, os gays são um dos maiores problemas da sociedade.

Zelemos pelos nossos direitos e digamos a quem ainda não se habitou: é lidar.

Moção de Folclore: o triste espectáculo que nos proporciona a classe política

Fotografia: Carlos M. Almeida/LUSA

Foi a votos, hoje, uma moção de censura apresentada pela Iniciativa Liberal.

Como era expectável, a moção chumbou, ou não bastassem os deputados eleitos pelo Partido Socialista, em maioria, para a moção não passar. Com os votos contra do próprio partido do Governo, do Partido Comunista e as abstenções do Partido Social-Democrata, do Bloco de Esquerda e do Partido Animais e Natureza, só o proponente da moção, a IL, votou a favor, juntamente com a extrema-direita, representada pelo Chega.

Rui Rocha, deputado liberal e candidato à liderança da IL. Fotografia: António Pedro Santos/LUSA

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Poema do Rato

Fazem-se acordos e demissões.
Não há dinheiro para as Habitações.

O Pedro Nuno já ninguém atura,
Metam o Galamba na Infra-estrutura.

Há para o menino e para a menina,
Mas quem é esta Marina?

Mas que o socialismo é esse?
É o caciquismo do PS.

Divide-se o ministério em dois
e há mais jobs para os boys.

“Costa nomeia João Galamba para ministro das Infraestruturas e Marina Gonçalves para ministra da Habitação”

Pedro Nuno Santos, a prepotência de António Costa e a cultura de traição no Partido Socialista

A social-democracia de mão estendida.

Ao fim de sete anos no Governo, Pedro Nuno Santos saiu. E saiu pela porta pequena. Depois de herdar uma das pastas mais difíceis, sabia-se, de antemão, que Pedro Nuno Santos ou faria um excelente trabalho ou um péssimo trabalho. Fez um péssimo trabalho. Entrou de peito feito, a prometer fazer tremer as pernas aos “banqueiros alemães” e saiu de pernas a tremer, com a Ferrovia em condições cada vez mais precárias, a TAP em piloto automático à espera de se despenhar e a Habitação pela hora da morte.

Apontado como um putativo sucessor de António Costa no PS, Santos nunca se afastou dessa hipótese, bem pelo contrário, dando-lhe força e arregimentando apoios nas bases do PS. Tal facto irritou, e continua a irritar, de sobremaneira, António Costa. Se o Primeiro-ministro é um político audaz, experiente e oportunista, Pedro Nuno Santos é o miúdo impertinente, com vontade de chegar aos lugares mais altos e desbocado que foi fazendo frente, umas vezes de forma assumida, outras com vergonha, ao líder social-democrata do PS. Prova disso foi a decisão, em nome próprio, sobre o novo aeroporto de Lisboa. E, desde então, PNS estava no fio da navalha, à espera de um novo “caso” que o obrigasse a sair pelo próprio pé. [Read more…]

A não perder!

Em entrevista a Piers Morgan que sairá amanhã, Pedro Nuno Santos critica o seu anterior clube e diz que o cozinheiro do PS ainda é o mesmo do tempo do engenheiro Sócrates.

ÚLTIMA HORA: Pedro Nuno Santos, Ministro da Habitação e das Infra-Estruturas, apresenta demissão do Governo

Fotografia retirada de poligrafo.sapo.pt

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Dia 20 anda à roda!

Boa sorte!

Somos liberais e não sabemos?

Segundo dados da Eurostat (gráfico em baixo), há cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza e exclusão social (22,4%). Os números agravam-se quando falamos de idosos. E, se pensarmos que somos dos países mais envelhecidos da União Europeia, ainda pior se torna o cenário. Já a média da UE situa-se nos 21,7%.

As pensões não sobem por aí além, os salários são baixos e tendem a estagnar. Acresce a isto uma carga fiscal desmedida sobre a classe média e uma fraqueza/laissez faire incompreensível com quem lucra milhões com a mão de obra barata. Pagamos a nossa própria pobreza, enquanto uma minoria vai comendo a maior parte do bolo (dica: não são os ciganos do RSI ou os desempregados).

Hoje em dia, e cada vez mais, assistimos a uma distribuição deficiente do bolo económico. Há cada vez mais ricos e, por contraponto, cada vez mais pobres. E só quem for inocente achará que entre uma e outra tendência não existe correlação. Só a título de exemplo, a fortuna dos bilionários cresceu 60% desde 2020 (cerca de 5 triliões de dólares), ao mesmo tempo que aumentou a pobreza no mundo. A isto, acresce a notícia que nos diz que há mais de 50 milhões de escravos espalhados pelo mundo. [Read more…]

Social-liberalismo

Nunca falha. Quando o PS se apanha sozinho no poder, lá vêm os rosinhas do costume falar das maravilhas do neo-liberalismo.

Mudem o nome, seus manipuladores social-liberais com socialista no nome. Partido Social-Liberal (PSL) adequa-se melhor àquilo que é a actuação política do partido nas últimas décadas.

Não é de estranhar, portanto, que o PS tenha sido o partido que mais privatizou e liberalizou a economia em Portugal, antecipando-se ao PSD (outro que tal – de social-democracia só mesmo o nome) e que seja, com orgulho, “o melhor aluno da UE”. Não precisam de ir longe, pesquisem por essa internet o que António Costa dizia das maravilhas do liberalismo e os ataques constantes à esquerda parlamentar. Aliás, num dos debates da última campanha legislativa, o homem disse, à boca larga, que “também eu sou um liberal”. Vocês é que tapam os olhos e os ouvidos.

Há, em Portugal, com representação parlamentar, quatro partidos que, de uma forma ou de outra, se advogam do neo-liberalismo: o PS, o PSD, a IL e o CH. Já os que sobram no resto do espectro, hoje, não passam de social-democratas (até porque se fossem comunistas, nunca participariam em eleições da democracia burguesa)… é só ler os programas eleitorais.

É História, é facto.

Beleza!

Duplas personalidades

Ouvir Augusto Santos Silva (ASS) dizer que esteve sempre “empenhado na defesa da democracia e da liberdade”, quando o mesmo foi um dos maiores bastiões dos governos de José Sócrates e dos que mais tentou, desde sempre, impedir a esquerda parlamentar de ter poder de decisão, confesso, fez-me rir muito. Isto, claro, para lá do espectáculo de circo com fogo de artifício entre Partido Socialista e Chega na Assembleia da República, onde ASS tem sido dos maiores protagonistas e que vocês, ingénuos, tanto aplaudem.

Santos Silva é a cara chapada do PS neo-liberal, nunca o escondeu, nunca disso se envergonhou e não será agora, depois de se tornar numa estrela de Hollywood da Assembleia da República, que isso mudará. Ver-vos aplaudir alguém que sempre abominou a esquerda parlamentar e o socialismo dá-me gozo e náuseas ao mesmo tempo.

O Chega é o seguro de saúde do PS que, por entregar 40% do orçamento da saúde aos privados, depende agora da extrema-direita para alcançar o monopólio do eleitorado. Um não vive sem o outro e é por isso que andam de mãos dadas desde Janeiro.

E ainda dizem que o romantismo morreu!

Palhaço rico, palhaço pobre

Um ministro prostrado e sem futuro neste governo.

Convenhamos: este confronto António Costa-Pedro Nuno (agora sanado com a humilhação pública a que o ministro das infra-estruturas e da habitação se submeteu) nada tem a ver com o aeroporto ou com os problemas do país.

Tem a ver, sim, com jogos partidários típicos do Partido Socialista. E é assim desde que António Costa sabe que, no futuro, poderá ver o seu legado destruído por uma futura vitória que coloque Pedro Nuno Santos à frente dos destinos do partido. E é por isso que António queima Pedro e Pedro desautoriza António.

Isto não tem nada a ver com o País. Nunca teve.

A história de Sérgio: o Sousa Pinto

Sérgio Sousa Pinto é um senhor que encontramos sempre no café da rua, de há uns 20 anos para cá. É quase mobília. Está lá sempre, nunca falha, a compor a sala.

Antigamente, quando era mais jovem, o senhor Sérgio era um homem activo, dinamizador, pungente. Falava com toda a gente, ajudava a servir às mesas, deixava as maiores gorjetas e ainda era capaz de fazer o fecho – só na carolice.

Agora? Agora não. Não sei se foi da vida, não sei se lhe aconteceu alguma coisa, mas o velho Sérgio hoje não fala com ninguém a não ser com um puto de gravata, chamado Sebastião, que lá aparece e que pede sempre um copo de leite morninho (o Sérgio que só se sentava connosco, a malta do lúpulo, do tinto e da aguardente!). Sentam-se os dois, velho e adolescente, todos os dias no canto direito da sala – lugar taciturno, lúgubre e húmido. O Sérgio, hoje já sem a genica de outros tempos, lá vai resmungando umas coisas imperceptíveis. Imperceptíveis para nós que conhecemos o Sérgio há mais de 20 anos… mas o jovem que com ele se senta ri-se de tudo o que o Sérgio diz. Não admira que seja o Sérgio a pagar os copos de leite ao miúdo.

Quando era jovem, antes de se ir embora, o Sérgio dizia sempre:

  • Tenham um resto de bom dia, camaradas!

Hoje em dia, a única coisa que conseguimos perceber vinda dos lábios do Sérgio é, também, a despedida. Só que a memória não é mesma e as palavras já não saem iguais. Agora, antes de sair, o Sérgio grita sempre:

  • Eu sou afilhado do Mário Soares!

Não sei se é a ânsia de não se esquecer, não sei se é para nos relembrar, mas a verdade é que parece ser a única de que se orgulha na vida, pois é a única coisa que sai perfeita da sua boca. Não é bonito de relembrar, mas percebe-se a dicção.

E depois lá vão eles, o Sérgio agarrado à bengala a murmurar desalentos (bengala que diz, com orgulho, ter sido feita pelo mesmo madeireiro que fez a cadeira ao Botas) e o jovem Sebastião (que foi quem lhe ofereceu a bengala) ao lado a rir muito de tudo o que o Sérgio diz e não se percebe.

No outro dia, surpreendentemente, o Sérgio berrou a toda a gente no café uma frase que se ouviu inteira:

  • Eu sou um social-democrata!

E responde-lhe o Oliveira, um social-democrata:

  • Então eu sou um anarquista!

O Sérgio e o Sebastião nunca mais lá apareceram.

Trio higiénico

Um trio higiénico… com o penso no sítio errado.

Vitória!

O Governo, por proposta do Livre e da Iniciativa Liberal, decidiu baixar o IVA dos produtos menstruais para a taxa mínima.

Estes produtos, outrora sujeitos à taxa mínima de 6%, passam agora a estar disponíveis… à taxa mínima de 6%.

Portugal sempre na vanguarda! Viva Portugal!

Corrida neo-neo-liberal

São a favor do cheque-ensino, querem introduzir o cheque-saúde, mas dizem que são contra a ideia liberal que o PS teve: o cheque-combustível. “Muita burocracia”, dizem.

Na verdade, não são contra. A Iniciativa Liberal só ficou chateada porque o Partido Socialista teve uma ideia liberal muito mais rápido que eles. Mas há que ver pelo lado racional: antes de existir IL, já o PS se tinha rendido ao neo-liberalismo.

Maioria amnésica

Na CNN:

Mafalda Anjos decidiu explicar o porquê de o país ter dado maioria absoluta ao Partido Socialista. Segundo a jornalista, “os portugueses recuperaram os seus rendimentos, tiveram o passe social, manuais escolares gratuitos, aumento das pensões” e, como tal, “decidiram que ainda não era o momento de tirar o poder ao PS”.

Mas Anabela Neves, que até passou a campanha eleitoral com António Costa ao colo, decidiu relembrar o que, aparentemente, Mafalda Anjos já esqueceu:

  • Sim, Mafalda, mas parte disso foram conquistas do BE e do PCP, negociadas com o PS. Eram bandeiras de BE e PCP!

Haja alguém que relembre o óbvio.

Retrocesso: uma certeza, entre várias certezas

O PS vence por larga margem. A esquerda, no global, também vence, mas a esquerda da esquerda perde de forma retumbante.

BE e CDU terão, agora, de fazer uma reflexão interna. Sabemos que a força da esquerda não se mede por números, como já se viu no passado, mas por propostas; sabemos, no entanto, que terá de ser feita, de forma ponderada, serena e comprometida com o eleitorado, um balanço dos últimos seis anos, nomeadamente da estratégia seguida desde o fim da geringonça em 2019.

O neo-liberalismo cresce a olhos vistos, mostra a perna ao eleitorado, mas este não vê que ele é perneta. Terão agora, pelo menos, dois anos para reflectir se era uma maioria do PS (ou perto disso) que realmente queriam e se o crescimento do neo-liberalismo nas últimas três décadas tem sido benéfico para o país.

Vamos à luta, camaradas. O povo castigou-nos, à boleia da manipulação do PS e da pressão das sondagens, mas continuaremos, sempre, sempre, sempre a lutar por vós. O reforço dos serviços públicos, o aumento dos salários e das pensões, justiça fiscal, criminalização das offshores, e por aí em diante. Não renunciaremos aos nossos mandatos. Viemos à luta, estamos na luta, estaremos na luta.

Avante.

Fotografia: MAYO

A máquina de fazer vilacondenses (cinco tostões sobre Valter Hugo Mãe)

Rosa Mota referiu-se, na semana que passou, a Rui Rio como “nazizinho”, pela sua acção na CM do Porto.

Entre várias condenações e várias tentativas de escusa, uma das pessoas que veio, imediatamente, a público defender Rosa Mota foi o escritor Valter Hugo Mãe. Escreveu o meu conterrâneo, no Facebook, que a frase da antiga atleta olímpica tinha sido dita num clima de “nervosismo, sem tempo e de forma imediata”, ou qualquer coisa do género.

Como somos conterrâneos e, em Vila do Conde, frequentamos o mesmo espaço cultural (O Pátio), atrevi-me a responder ao virtuoso Valter. Disse-lhe:

“Ainda que tenha sido infeliz, quem viveu no Porto durante a governação de Rio, sabe o que quis dizer Rosa Mota. Mas convenhamos, o Valter apoiou Elisa Ferraz, outra ‘nazizinha’, para a CM de Vila do Conde”. [Read more…]