- Prefácio
- Capítulo I– As culturas da cultura: infantil, adulta, erudita
- Capítulo II – Amas-me como eu te amo?
- Capítulo III – É de ti que aprendo a fugir dos meus pais. A criança significativa
- Capítulo IV – Vejo e não entendo, pergunto e não sabes. O processo de aprendizagem
- Capítulo V – Queres que leia. Mas eu pratico para entender os textos. O processo de ensino.
- Capítulo VI – Eu sou homem e mando. Eu sou mulher e obedeço. Meninos e meninas. O comando da ordem social.
- Genealogias
- Bibliografia
O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Indíce
A Estação de Coimbra em 1870
Quem perdeu o debate Passos Coelho-Sócrates?
O moderador, nitidamente. Interrompeu por diversas vezes os dois opositores a meio de um raciocínio, não conseguiu aproveitar as intervenções para colocar questões e, quando as colocou, eram tão fora do contexto da conversa que não era expectável que fossem respondidas de imediato. Para piorar, o sistema que mostrava o tempo aos candidatos avariou.
Fora isso, houve um perdedor claro e foi aquele que teve a lata de insistir que o défice de 2010 foi de 6.8%. Já chega de Alice no País das Maravilhas.
Adenda: Começou agora na RTP o debate da segunda divisão com Relvas e Assis.
Leituras:
- Sócrates x Passos Coelho: Revisão da Constituição e Estado Social abrem debate
- Balanço Do Debate
- o debate
- O “animal” moribundo
- Nunca imaginei vir a escrever isto.
- Passos quer mudança, Sócrates liderança forte
- Legislativas (11)
- Sócrates aponta contradições, Passos responsabiliza PS
- A cassette (upgrade)
- Mais uma entrevista da treta.
- Pedro 6 – José 4
- Agora sim: por favor, não votem no Sócrates!
- Portugal ganhou um primeiro ministro
- O debate
- Quem ganhou? Quem perdeu?
Nota final: tentei incluir posts mais favoráveis às posições socialistas mas não os encontrei. E procurei. Socialistas, então, meteram férias?)
Caridade
Quando ontem vi Paulo Portas a explicar que quem sabe tomar conta dos pobrezinhos são as IPSS, e para que não restassem dúvidas, a Cáritas e as Misericórdias é que sabem quem deve receber RSI em moedas ou em senhas de racionamento, fiquei desconfiado que indo a coisa em frente convirá à miséria em Portugal mostrar-se pelas igrejas.
É tão legítimo, em tempo de crise, a direita querer voltar a 1973, como a esquerda a 1975.
Mas haja ao menos uma pequena noção do ridículo.
Novas oportunidades – IV
Até vieram lágrimas a Sócrates quando falou nas Novas Oportunidades. Por vezes a mim também, mas é de tanto rir, com a cultura de facilitismo que se instalou no país… Aproveito para relembrar um post do Ricardo Santos Pinto, já com algum tempo, mas absolutamente certeiro, quanto às maravilhosas possibilidades das Novas Oportunidades…
O DNA dos principais partidos políticos portugueses.
Durante a vida política, fora e dentro do Parlamento, antes, durante e depois das eleições, há sempre um discurso muito semelhante entre os partidos: todos se culpam e ninguém tem a culpa. Nesse sentido, a classe política, da Esquerda à Direita, acaba por acoitar-se sob um manto de desresponsabilização que caracteriza a Partidocracia. Numa democracia especificamente controlada por partidos, é natural que os partidos se defendam entre si, depois os seus clientes e eleitores e só depois, no final, os cidadãos, votantes e não votantes.
Para perceber até que ponto o discurso político-partidário não só é inócuo como semelhante, elaborei uma análise vocabular dos programas e compromissos eleitoral para as eleições que se aproximam. Recorrendo a um programa informático muito simples (o Polaris word count), contei os 20 substantivos mais vezes referidos pelos 5 partidos com assento parlamentar: BE / CDU / PS / PSD e CDS-PP. O resultado foi muito interessante e revela, de certa forma, como o discurso partidário se aproxima em forma e estilo de uma ponta à outra do espectro parlamentar nacional. É esquemático, pobre em conteúdo e pouco imaginativo. [Read more…]
Indignados!
Pontos acordados do manifesto plural redigido durante a madrugada de 18 de Maio, na Puerta del Sol.
Os manifestantes, reunidos na Puerta del Sol, conscientes de que esta é uma acção em movimento e de resistência, acordaram declarar o seguinte:
- Depois de muitos anos de apatia, um grupo de cidadãos, de diferentes idades e extractos sociais (estudantes, professores, bibliotecários, desempregados, trabalhadores…), irritados com a falta de representação e com as traições levadas a cabo em nome da democracia, reuniram-se na Puerta del Sol em torno da ideia de Democracia Real.
- A Democracia Real opõe-se ao paulatino descrédito de instituições que dizem representar os cidadãos e foram convertidas em meros agentes de administração e gestão, ao serviço das forças do poder financeiro internacional.
- A democracia promovida a partir dos aparelhos burocráticos corruptos é, simplesmente, um conjunto de práticas eleitorais inócuas, em que os cidadãos têm uma participação nula. [Read more…]
O estado da nação
Hoje de manhã tinha dois convites no facebook: um para a “Revolução Portuguesa / Portuguese Revolution,” o outro para o “Fim do Mundo!“.
Em princípio vou ao da revolução, e de qualquer forma o fim do mundo é logo a seguir.
Conduzir com álcool? depende da profissão
Uma procuradora do Ministério Público foi detida por conduzir em contramão com 3,08g de alcoolemia. Ainda por cima, usando o trocadilho popular, foi apanhada em flagrante delitro pela Polícia Municipal em Cascais. Soprado o balãozinho e cumpridas as formalidades legais, foi notificada para se apresentar em tribunal no dia seguinte.
Até aqui tudo normal, pode acontecer a qualquer um, em qualquer profissão, que conduza com uns belos copos a mais, confunda mão com contramão e ponha em risco a vida dos outros. No dia seguinte…
Pelos vistos, fora-da-lei, estava a polícia municipal. Dentro ou fora, afinal, é só uma questão de profissão. E de colegas, claro.
Sessão de esclarecimento popular
Para que o povo não fique órfão da Justiça.
FUNDAÇÃO FILOS & apDC – associação portuguesa de DIREITO DO CONSUMO, associam-se para prestar um Serviço Público de INFORMAÇÃO a Consumidores “consumidos”… com cobranças ilegítimas e ilegais!
Para um povo indefeso
Um defensor… de peso!
Sessões de esclarecimento popular:
Defensor do povo em acção!
Se tem qualquer problema num dos seguintes domínios,
1. Contratos de Compra e Venda de Consumo.
2. Contratos de Fornecimento de Serviços Públicos Essenciais.
3. Água predial.
4. Energia eléctrica.
5. Gás e gás de petróleo liquefeito canalizado.
6. Comunicações electrónicas.
7. Serviços postais. [Read more…]
Ana Jorge, a ministra que desistiu de ser médica
Ana Jorge terá sido médica, em tempos. Agora, ministra, limita-se a macaquear a linguagem insensível de uma certa raça de gestores para quem os números são tudo, as pessoas menos que nada. Ora, mesmo não sendo completamente aceitável que um gestor seja um autómato feito de desumanidade, é compreensível que seja contaminado pela linguagem glacial das folhas de cálculo. De alguém que exerceu o ofício de Hipócrates esperar-se-ia mais alguma tendência para o humanismo, mas Ana Jorge já não é médica, é só mais uma figurante do circo socrático, sendo certo que não está sozinha no Ministério da Saúde, instituição muito frequentada por ex-médicos.
Assim, ouvir a senhora dizer que os portugueses recorrem a “demasiadas consultas médicas” é mais uma prova de insensibilidade, até porque, que se saiba, não há estudos que comprovem essa afirmação ou a contrária ou outra qualquer que fique a meio caminho. Deixar escapar esta afirmação é apenas insultar os portugueses. Nada de novo.
Novas Oportunidades: Bloco de Esquerda ao lado do PS
O Bloco de Esquerda volta a escolher a má companhia do PS, ao participar na defesa acrítica das Novas Oportunidades. Será eleitoralismo? Será uma atitude instintiva, face a aparentes ataques aos desfavorecidos? Será crença sincera? Seja como for, é a escolha do facilitismo, é o elogio da lágrima obscena de Sócrates, é querer estar ao lado de duas figuras sinistras como Luís Capucha e Valter Lemos.
Embora não acredite na sinceridade de Passos Coelho, desgosta-me saber que Cecília Honório, deputada do BE, se limite a usar argumentos que conseguem descer ao nível de Sócrates (ou mais abaixo), transformando as críticas a um sistema num “atestado de burrice” passado aos milhares de trabalhadores que passaram pelas NO. O próprio Francisco Louçã já havia iniciado esse caminho no debate com Passos Coelho.
Nesta caixa de comentários, tive oportunidade de concluir que não é obrigatório comungar deste dislate do Bloco para se ser de Esquerda. Ainda bem, mas não deixa de ser preocupante. Entretanto, na mesma caixa, vale a pena ler o testemunho do leitor António Monteiro.
Torre de Moncorvo Estação
Nos primeiros anos da República, a estação de Torre de Moncorvo (Portugal)
Junta eleitoral proíbe protestos no fim de semana
Barcelona
Perto das duas da madrugada (hora de Portugal) a Junta Eleitoral de Espanha proibiu, numa renhida votação 4 contra 5, os protestos que ocorrem um pouco por todo o país. Os protestos continuam pela madrugada dentro e podem ser vistos em directo aqui. Mesmo antes desta decisão havia sido decidido em assembleia que a manifestação na Porta do Sol em Madrid também iria continuar no Sábado.
Mas é um actor ou um governante que vamos eleger?
O Sócrates é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que nunca sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele não teve,
Mas todas as que ele não tem.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a ilusão,
Esse comboio de corda
Que se chama eleição.
* resultado de se estragar o poema Autopsicografia de Fernando Pessoa
Também sou Português, Para Além de Portista
Rocío
E enquanto George Bailey corre a cidade em desespero, e Rocío se encolhe no sofá, reconfortada na sua tristeza, eu penso como seria o dia de hoje na rua Preciados se Rocío nunca tivesse nascido, se não houvesse esta tarde em que coincidimos nos grandes armazéns e eu a deixei fugir para sempre sem saber que a inventei.
ler nas cousas lindas que a Carla Romualdo continua a escrever.
São cravos, senhor, são cravos. E apodrecem.
A única coisa que me atrai nas revoluções, é a carga anímica. É o romantismo! É o imaginar que o colectivo tudo consegue, quando sai à rua! Vejo o Maio de 68, os combates nas ruas de Paris, os estudantes e aquela bela aristocrata francesa (a Caroline de Bendern) encavalitada, envergando a bandeira da libertação. E sonho com revoluções diárias, com o uso daquela extraordinária força para, todos os dias e todas as horas, construirmos um mundo melhor, mais justo e mais solidário. Infelizmente, uma multidão tão facilmente usa os punhos para depor governos, como para linchar “criminosos”. E o romantismo acaba aqui. Pior, só sai à rua por egoísmo, quando se acaba o emprego, tem fome ou lhe falta dinheiro para comprar o novo modelo de telemóvel. As revoluções são como os cravos que estão outra vez em moda: ou se plantam num vaso e se regam ou, cortados, murcham, apodrecem e deixam de ser importantes.
Dominique Strauss-Kahn e a empregada de hotel
Ainda não escrevi uma linha sobre o caso Stauss Kahn e não é hoje que o vou fazer, do ponto de vista da culpabilidade ou inocência deste. De resto, nunca me pronunciei sobre casos em julgamento e, para mim, todos são inocentes até prova em contrário.
Admito que alguém como DSK, pelo lugar que ocupa e pelas ambições políticas que tem (ou tinha), seja alvo de uma cabala que vise a sua destruição. Também não ignoro a sua fama pública de conquistador nem o facto de, como li algures, haver mulheres jornalistas que se negavam a entrevistá-lo a sós.
Significativo, parece-me, é o facto da defesa de DSK ter passado rapidamente de uma alegação de inocência absoluta a uma argumentação que envolve sexo consentido, mas apenas após recolha de ADN e confrontação com alegadas “provas forenses”.
Ainda assim, e mantendo a presunção de inocência, esta notícia não deixa de ser perturbadora; quando a defesa de um dos homens mais poderosos do mundo se prepara para arrasar a credibilidade de uma simples empregada de hotel, consegue-o, de uma forma ou de outra, quanto mais não seja por questões de status, vizinhança e relacionamentos pessoais.
A estratégia é natural e conhecida: se, numa questão de consentimento ou não consentimento, a alegada vítima não for credível, provavelmente estará a mentir.
Resta saber se a justiça americana se consegue colocar acima de preconceitos deste tipo e se tudo não se resumirá a uma luta entre David e Golias. É que, generalizando, um qualquer indivíduo pode simultâneamente ser não credível e vítima. E ter razão na acusação, portanto.
E se privatizássemos a ideia de Ministério da Cultura?

O ministério da Cultura é, como todos os outros, apenas a extensão de um governo. Independentemente de quem está à cabeça, se existe ou não, não passa de uma filial político-partidária. É certo que existiram consulados ministeriais mais activos do que outros. O de Manuel Maria Carrilho, apesar de muitas críticas, conseguiu dinamizar a cultura pública e os seus múltiplos organismos. Mas por muito que se discuta, discute-se o irrisório, a banalidade. Gabriela Canavilhas desfila pelos salões, sorri, distribui gracejos. Umas pianadas. Talvez isso faça dela uma excelente ministra: o existir, apenas. Como até há bem pouco, o ser-se directora de Museu, para cujas habilitações concorriam, em primeiro lugar, aquelas damas que sabiam tocar piano e falar francês, Canavilhas encarna o papel na perfeição. O resto são fait-divers. O Ministério da Cultura é, antes de mais, a sopa dos pobres: para quem circula lá dentro como cliente de um partido ou, cá fora, dos artistas que aceitam todo o tipo de subsídios, desde que isso os mantenha a trabalhar. O MC não passa de uma extensão da Segurança Social.
E, por isso é que se discute uma banalidade: para quê tanta tinta sobre se irá existir, ou não, um Ministério da Cultura, se tudo o que se passa neste Ministério é, isso sim, e no mínimo discutível?
Por que não privatizar a ideia do Ministério? Por que não, traçar uma estratégia de verdadeira dinâmica nas extensões que dele dependem? Conferir estatuto de verdadeira independência a certas organismos como ao Igespar ou aos Museus Nacionais, por exemplo. Como é possível que o Igespar, cuja função é superintender e salvaguardar o património nacional esteja submisso aos interesses político-partidários frequentemente financiados pelos favores da construção civil e do asfalto? O património e o ambiente (outro ministério aberrante) deviam reger-se por fundos próprios, na directa administração de instituições público-privadas com poderes muitos específicos que o próprio Estado só pudesse contestar a nível judicial. Caso contrário, as situações como as do Tua, em que alguns arqueólogos, pressionados pelas chefias, chumbaram o interesse histórico e patrimonial de uma linha férrea centenária, continuarão a suceder-se.
A ideia de um ministério meramente formal, que exista para cortar fitas, distribuir benesses e prémios a uma elite endogâmica é que devia ser discutida, e não se o PSD vai extinguir o ministério. Nós sabemos – conhecemos muito bem, aliás -, qual são as estratégias do PS e do PSD para a cultura. Ambos os partidos estão no poder há tempo suficiente para perceber que qualquer um deles e cada dos seus apaniguados encaminhados para o MC não entendem, nem precisam entender o alcance e o valor da cultura. Bom, e talvez tenham alguma razão.
Os livros e o teatro não dão votos, nem passam cheques. Mas aí já teríamos que discutir os gostos do “povo”. E o povo, afinal, é quem mais ordena.
Cravos nas ruas de Madrid
Primeira manifestação de bom gosto: a geração à rasca no resto da península chama-se Indignados. E a poesia já está na rua:
Además, muchos llevan ramos de claveles recordando a la revolución portuguesa. Argumentan que si la policía carga se defenderán con flores.
Puerta del Sol, texto lido a 18 de Maio
Pedem-nos propostas, os que nunca tiveram propostas.
Pedem-nos programas políticos os que guinam sistematicamente os seus programas políticos.
Pede-nos transparência quem nunca nos contou nada. Quem nunca nos perguntou nada.
Pedem-nos propostas, os que têm milhões e milhões aos que têm barracas e insegurança, papelão e desemprego, dívidas e mais dívidas.
Pedem-nos propostas porque o poder já não são eles, o poder somos nós todos.
Pedem-nos propostas porque têm pressa, têm pressa porque têm medo.
Mas nós não temos pressa, porque o tempo agora já não é o alheio. O tempo é nosso.
Temos paciência porque sabemos que isto vai crescer.
Temos paciência porque não temos medo.
Roubado no 5Dias
Estação do Pocinho
Primeiros momentos da década de 70, no actual terminus da Linha do Douro; à esquerda, duas locomotivas de via larga são abastecidas, à direita, dentro da via métrica, a locomotiva da CP E41 prepara-se para outra viagem até Duas Igrejas-Miranda, ao longo de 105 km num Portugal nos confins do Império.
Amar o Porto, tão só.
Por isso, ao olhar orgulhoso para mais uma vitória histórica do meu Porto e rumar para o meio da multidão, do meu Povo, nos Aliados senti pena. A pena de não ter visto em Dublin, ao lado dos autarcas de Braga, do Presidente da sua câmara, o seu colega do Porto. Um sentimento justificado e sublinhado ao olhar para os Aliados e espreitar para a NOSSA casa e vê-la fechada, como que envergonhada. Uma vergonha não de si mas daqueles que ainda a ocupam não compreenderem o seu significado.
Qualquer um pode ser Presidente da Câmara Municipal do Porto mas não é um qualquer que ficará no coração dos Portuenses. Uma coisa sei de Pinto da Costa: estará para sempre no coração dos Portistas e no da maioria dos Portuenses.
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