Diogo Pacheco de Amorim deve ter sido vendedor de automóveis: “Ó meu amigo, isto está um bocado escuro, mas a cor de origem é branca – é raspar um bocadinho e recupera-se!”
A insuportável superioridade moral de João Miguel Tavares
Entre alguma direita democrática, há muitos que se distraem a defender o Chega. Para quem anda há tanto tempo a dizer que o crescimento do Chega se deve à esquerda (o que faz algum sentido), seria conveniente, nomeadamente para os eleitores do PSD, que a derrota monumental da direita nas últimas eleições
(sim, sim, não esqueçamos: derrota monumental da direita. Também não me esqueço da derrota monumental da esquerda, mas ficará para depois)
se deve à indefinição de Rio relativamente ao Chega – a origem da debandada dos votos de esquerda no colo do PS.
João Miguel Tavares resolveu dar uma lição de democracia a todos os que desprezam o Chega, mostrando-se escandalizado com o tratamento dado a elementos desse partido em debates televisivos e condenando os preconceitos revelados pelos adversários. Já Rui Rio, relembre-se, sentiu necessidade, na ausência de André Ventura, de explicar a posição do Chega relativamente à prisão perpétua. Podemos (e devemos) acusar o Chega de muita coisa, mas não de falta de agressividade ou, como se diz no futebol, de raça, algo que se aplica também aos chamados caceteiros, o que pode ser um elogio ou não. [Read more…]
Vitória moral
Tendo em conta o empate técnico das sondagens, Rui Rio vai reclamar uma vitória moral.
No creo en nazisinhos, pero que los hay, hay!
Rui Rio nos bastidores – um testemunho
Texto encontrado no mural de Facebook do jornalista Paulo Moura, republicado com autorização do autor.

Foto: Fernando Veludo
«Há uns anos, fiz, para o Público, uma grande entrevista a Rui Rio, quando ele era presidente da Câmara do Porto. Correu mal.
Em parte, a culpa foi minha: como, na altura, Rio se recusava a dar entrevistas, alegando que os jornalistas lhe deturpavam as declarações, eu propus mostrar-lhe o texto, antes da publicação, para ele confirmar que não havia declarações deturpadas ou colocadas fora de contexto. [Read more…]
Rui Rio e o 25 de Abril
Rui Rio, como muita direita portuguesa, tem um problema com o 25 de Abril, o que é natural. Essa direita, também de Rio e alegadamente democrática, chega mesmo a relativizar a ditadura do Estado Novo, enveredando por preciosismos terminológicos, tentando provar que não era fascismo. Até imagino que, num acto de revisionismo analgésico, os que foram torturados pela PIDE, por exemplo, relembrem o seu passado e esqueçam as suas dores, ao descobrir que, afinal, os torturadores não eram fascistas.
Em Portugal, temos um problema com a Justiça, desde a morosidade dos processos até às custas. Espera-se que, em campanha eleitoral, os políticos falem do assunto. Rui Rio falou. Mais valia ter ficado calado.
Segundo Rio, uma das duas pessoas que poderá vir a ser primeiro-ministro, a Justiça, em Portugal, é menos eficaz desde o 25 de Abril. Deduz-se que seja o de 1974.
Disse o novel humorista e presidente do PSD: “Tirando os julgamentos políticos, em termos de eficácia, desde o 25 de Abril a justiça piorou”. Para quem mede as acções apenas pela sua eficácia, Rio está errado – os julgamentos políticos foram de uma eficácia imbatível, até porque não havia grandes demoras e até se devia poupar dinheiro.
Entretanto, com todos os defeitos que podemos e devemos identificar em muitas áreas, só quem sofre de algum défice de cognição (também) democrática é que pode dizer que Portugal está pior agora do que antes do 25 de Abril. Este Portugal cheio de defeitos é o melhor de sempre, em todas as áreas. É claro que é muito mais difícil governar em democracia e talvez Rui Rio não goste de dificuldades, o que se notou muito durante o seu consulado autárquico. [Read more…]
Bernardo Ferrão e Ângela Silva…
…são consultores de campanha de Rui Rio. No comentário do debate entre Rui Rio e Catarina Martins, limitaram-se a explicar quais foram os erros de Rio e o que deverá fazer a seguir. Espero que o PSD lhe pague bem.
Rui Rio, porta-voz do Chega
No debate com Catarina Martins, Rio esteve a explicar a posição do Chega sobre prisão perpétua.
Está aberta a época de caça ao voto docente!
O governo de António Costa, durante os últimos seis anos, não reverteu as várias malfeitorias perpetradas por Maria de Lurdes Rodrigues e por Nuno Crato e conseguiu acrescentar algumas da sua responsabilidade, incluindo o roubo de tempo de serviço.
Como há eleições, cá está a prometer fazer o que não quis fazer e deveria ter feito enquanto foi primeiro-ministro.
Note-se que não é possível discordar do ainda chefe do governo quando afirma que é preciso acabar “de uma vez por todas com este absurdo que é [a carreira docente] ser a única carreira no conjunto do Estado em que durante décadas as pessoas têm de obrigatoriamente se apresentar a concursos e andar com a casa às costas e andar de escola em escola de quatro em quatro anos”.
O problema é que “este absurdo” é antigo, não apareceu a semana passada – no mínimo, António Costa teria de explicar por que razão não resolveu este problema, mas o que interessa agora é o soundbite da promessa, sequioso de votinhos. Do lado dos professores, se houver sensatez, só pode haver desconfiança e votos contra. Basta lembrarmo-nos das maiorias absolutas de sócrates e de passos para sabermos do que as casas gastam.
Costa ainda faz uma ligação vazia, fazendo depender a vinculação de mais professores aos quadros de uma alteração do modelo de concurso. Não se percebe (ou talvez se perceba, mas já lá vamos), uma vez que é perfeitamente possível vincular mais professores mantendo o modelo.
O modelo é centralista, é verdade, e cego, é certo, fazendo depender a colocação de uma nota. As injustiças que advêm deste modelo, no entanto, são também a garantia de que não há possibilidade de cunhas. Costa, tal como o resto do arco da governação, sonha entregar as escolas às câmaras municipais, incluindo no embrulho a escolha dos professores.
A municipalização da Educação, tal como a regionalização, é uma ideia maravilhosa no papel e terrível em Portugal. Diante do caciquismo endémico que transforma tantos presidentes da câmara em pequenos ditadores que distribuem favores e dinheiros, as escolas ficariam entregues a caprichos e cunhas.
Costa, amigo, não contes comigo!
Um país oco
A aldeia de um homem só. “Desapareceu tudo, saíram todos, faleceram os meus pais… fiquei eu” – belíssima reportagem de Artur Cassiano
Algumas confusões (minhas) sobre Educação para a Cidadania
Faz-me confusão que faça tanta confusão a tanta gente a existência de uma disciplina ou de uma área disciplinar ligada à cidadania.
Faz-me confusão que seja considerado fundamental por tanta gente a existência de uma disciplina ou área disciplinar ligada à cidadania.
Faz-me confusão que haja tantas pontes queimadas entre quem se interessa por Educação e que as políticas educativas continuem a ser imposições erráticas e avulsas com origem em gabinetes ministeriais e/ou departamentos universitários carregados de gente que se julga dona da Educação, incluindo a que se refere ao ensino básico e ao ensino secundário.
Faz-me confusão que haja quem pense que é possível estar na Escola sem aprender, directa ou indirectamente, cidadania.
Faz-me confusão, a propósito dessa aprendizagem inevitável, que haja quem pense que é possível ensinar Humanidades, Ciências ou Artes sem fazer referências constantes a questões e problemas de cidadania.
Faz-me confusão que haja quem acredite que é possível viver numa escola asséptica e absolutamente imparcial, em que os professores não tenham opiniões ou preferências ideológicas, religiosas ou clubísticas. Aproveito este ponto para informar, para grande surpresa de uma larga maioria, que os professores são pessoas, sendo que alguns chegam a ser pais.
Faz-me confusão que haja quem acredite que os professores são, na sua larga maioria, pessoas sem o mínimo de ética, que aproveitam todos os momentos para catequizar os pobres alunos, arrastando-os para o seu partido, para a sua religião, para o seu clube ou para a sua associação recreativa. [Read more…]
Deus é mentiroso

Rodrigo Moita de Deus, na sua casa de fados, em Cascais, durante a interpretação de “Nasci para ser ignorante”.
Pode um mentiroso ser da família de Deus? Será uma questão teológica, mas, em Portugal, se nos referirmos a Rodrigo Moita de Deus é uma questão de (in)decência. Já não é a primeira vez que este parente do Senhor diz, na televisão pública, mentiras e alarvidades sobre os professores.
O comentador televisivo é, muitas vezes, um espécime da linhagem do tudólogo, que fala de tudo, mesmo, ou sobretudo, se não dominar o tema. Rodrigo Moita de Deus é, portanto, parente próximo de Nuno Crato ou de Carlos Guimarães Pinto.
Deixo uma ligação para o vídeo com a intervenção de Deus no Último a Sair e remato, mais abaixo, com um excerto de um texto copiado do facebook do S.T.O.P. (Sindicato de Todos os Professores), para aqueles que quiserem verdadeiramente informar-se.
Os que não quiserem informar-se, podem limitar-se a ver o vídeo com a palavra de Deus. Com gente desta na família, é natural que as pessoas se afastem da Igreja.
Nuno falta de vergonha na cara Crato

Crato diz que há professores a mais e que “redução é inevitável”
Há muito para repetir (porque já foi tudo dito) sobre o consulado de Nuno Crato. No que se refere às duas declarações patentes na imagem, impõe-se uma pergunta básica: qual é o número mínimo de anos que corresponde a “muito tempo”? Relembre-se que foi, alegadamente, ministro da Educação entre 2011 e 2015.
Nuno Crato foi um digno sucessor de Maria de Lurdes Rodrigues, cumprindo com denodo a tarefa de demolir a Escola Pública, o que incluiu um ataque continuado aos professores.
Tal como Maria de Lurdes Rodrigues, também Nuno Crato, por ter a mesma quantidade de vergonha na cara, aparece regularmente a dar opiniões sobre Educação. Está no seu direito, porque, em democracia, os incompetentes e os desavergonhados também têm direito a exprimir opiniões.
A vida inteira com o salário mínimo
Uma reportagem do Público. Aumentar para quê? “O pouco que nos possam dar, para nós é muito. Vinte euros já me dão para ir ao supermercado e comprar comida para uma semana.” Ao cuidado dos chalupas da meritocracia.
A propósito das crianças portuguesas que falam “brasileiro”
A também nossa Paula Sofia Luz publicou recentemente uma reportagem que deu algum brado e fez sair muitos patrioteiros de tocas mal frequentadas: “Há crianças portuguesas que só falam ‘brasileiro'”. Desde portugueses enojados a brasileiros ressabiados, juntaram-se nos comentários do jornal e das redes sociais dezenas ou centenas de idiotas de ambos os lados do Atlântico, agarrados a estereótipos e a interpretações espúrias da História, ou melhor, de um conjunto de sentimentos e de preconceitos que alguns confundem com História.
O fenómeno da influência do português do Brasil na expressão dos jovens portugueses não é novo e pode (e deve) ser discutido, excluindo qualquer laivo de superioridade ou de inferioridade e incluindo linguistas e professores de Português, sendo que, neste último caso, há um afastamento indesejável entre ambos os grupos – polemizando já um pouco, e sendo eu suspeito, há alguns linguistas que imaginam os professores como meros receptáculos, mesmo quando o assunto é o ensino de uma norma linguística, por muito que este conceito contenha algo de demasiado artificial.
Assim, se é verdade que não faz sentido censurar (em qualquer dos sentidos da palavra) os conteúdos brasileiros, é importante pensar naquilo que se chama o “cultivo da língua”, expressão difusa que se pode prestar a usos elitistas desajustados e que poderá, muitas vezes, entrar em conflito com a natural circulação de palavras e de conceitos. [Read more…]
Tumor maligno da democracia
É o partido cujo vice-presidente afirma que o jornalista é o tumor maligno da democracia.
O lado negro do futebol ou o futebol como lado negro

Na sua crónica de hoje, Miguel Guedes, adepto do Futebol Clube do Porto, considera que os três penáltis que ficaram por marcar a favor do seu clube e uma expulsão “perdoada” constituem exemplos do “lado negro do futebol”.
Fico à espera de saber que expressão usará o cronista para classificar as negociatas escuras de xeques de regimes assassinos ou de magnatas mal-afamados que compram clubes como se fossem brinquedos, o comportamento hediondo de muitos membros de muitas claques que assaltam estações de serviço ou que transformam os estádios em zonas de guerra, a exploração criminosa de operários na construção dos estádios do próximo Mundial, entre outras coisas.
Note-se, a propósito, que esta expressão é usada a propósito de um jogo de futebol em que foi homenageado Tengarrinha, um antigo jogador, morto aos 32 anos, uma idade em que devia ser proibido morrer, consequência de um lado negro da vida. [Read more…]
Comprovativo de transferência
Sessão contínua: secção ou *seção?
O googledocs, ferramenta utilizada em muitas escolas, propõe que se escreva “seção” no lugar de “secção”. Os alunos que recorrerem a este instrumento tenderão a considerá-lo uma autoridade, pelo que muitos passarão a escrever “seção” e, destes, alguns passarão a pronunciar de acordo com a grafia.
Helena Figueira explica, chega mesmo a garantir, que “secção” é grafia portuguesa que permanece inalterada pelo chamado acordo ortográfico (AO90). A infopédia não faz referência a “seção”, o Priberam informa que é grafia brasileira, tal como acontece com o Vocabulário Ortográfico Português. Este, no entanto, na coluna da direita, anuncia que a pronúncia lisboeta é sɛ.sˈɐ̃w (ou seja, seção).
Em que é que ficamos? Ortograficamente, em nenhures, ou seja, no país desencantado do AO90.
Ah, mas os professores têm de explicar aos alunos como é que se escreve e tal e coiso!
Longe de mim desvalorizar os oficiais do meu ofício, mas deixai-me explicar-vos o seguinte: [Read more…]
Monólogo venturoso
Nós somos a favor dos portugueses de bem, somos contra os bandidos, também não gostamos da violência, mas os bandidos deviam era estar presos, somos contra qualquer espécie de violência, mesmo a das espécies mais evoluídas, quando mandarmos vai acabar a bandalheira do twitter, temos um problema com os ciganos, somos orgulhosamente portugueses, temos orgulho na história pátria, a senhora deputada Joacine devia ser devolvida à terra dela, violência é que nunca, somos violentos contra a violência, não é contra as pessoas, tirando os bandidos e os ciganos, que ou não são portugueses ou não são de bem, eu não tiro fotografias com bandidos, prefiro tirar fotografias com portugueses de bem, como os neonazis que estão no meu partido, os políticos deste país são uma vergonha, tirando eu, que cumpri o que prometia, demitindo-me e candidatando-me logo a seguir, numa demissão assim mesmo a sério, somos contra a violência dos nossos partidários de Viseu que agrediram um paneleiro que talvez não fosse homossexual, mas o problema de Portugal é a comunidade cigana, tal como essa gente que vive de apoios, ao contrário dos banqueiros que vivem do Alzheimer.








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