A cor de origem

Diogo Pacheco de Amorim deve ter sido vendedor de automóveis: “Ó meu amigo, isto está um bocado escuro, mas a cor de origem é branca – é raspar um bocadinho e recupera-se!”

A insuportável superioridade moral de João Miguel Tavares

Entre alguma direita democrática, há muitos que se distraem a defender o Chega. Para quem anda há tanto tempo a dizer que o crescimento do Chega se deve à esquerda (o que faz algum sentido), seria conveniente, nomeadamente para os eleitores do PSD, que a derrota monumental da direita nas últimas eleições

(sim, sim, não esqueçamos: derrota monumental da direita. Também não me esqueço da derrota monumental da esquerda, mas ficará para depois)

se deve à indefinição de Rio relativamente ao Chega – a origem da debandada dos votos de esquerda no colo do PS.

João Miguel Tavares resolveu dar uma lição de democracia a todos os que desprezam o Chega, mostrando-se escandalizado com o tratamento dado a elementos desse partido em debates televisivos e condenando os preconceitos revelados pelos adversários. Já Rui Rio, relembre-se, sentiu necessidade, na ausência de André Ventura, de explicar a posição do Chega relativamente à prisão perpétua. Podemos (e devemos) acusar o Chega de muita coisa, mas não de falta de agressividade ou, como se diz no futebol, de raça, algo que se aplica também aos chamados caceteiros, o que pode ser um elogio ou não. [Read more…]

Vitória moral

Tendo em conta o empate técnico das sondagens, Rui Rio vai reclamar uma vitória moral.

No creo en nazisinhos, pero que los hay, hay!

Não foi para isto que se fez o 25 de Abril

Rui Rio, a genealogia da moral pública

Rui Rio nos bastidores – um testemunho

Texto encontrado no mural de Facebook do jornalista Paulo Moura, republicado com autorização do autor.

Foto: Fernando Veludo

 

«Há uns anos, fiz, para o Público, uma grande entrevista a Rui Rio, quando ele era presidente da Câmara do Porto. Correu mal.

Em parte, a culpa foi minha: como, na altura, Rio se recusava a dar entrevistas, alegando que os jornalistas lhe deturpavam as declarações, eu propus mostrar-lhe o texto, antes da publicação, para ele confirmar que não havia declarações deturpadas ou colocadas fora de contexto. [Read more…]

Rui Rio e o 25 de Abril

Rui Rio, como muita direita portuguesa, tem um problema com o 25 de Abril, o que é natural. Essa direita, também de Rio e alegadamente democrática, chega mesmo a relativizar a ditadura do Estado Novo, enveredando por preciosismos terminológicos, tentando provar que não era fascismo. Até imagino que, num acto de revisionismo analgésico, os que foram torturados pela PIDE, por exemplo, relembrem o seu passado e esqueçam as suas dores, ao descobrir que, afinal, os torturadores não eram fascistas.

Em Portugal, temos um problema com a Justiça, desde a morosidade dos processos até às custas. Espera-se que, em campanha eleitoral, os políticos falem do assunto. Rui Rio falou. Mais valia ter ficado calado.

Segundo Rio, uma das duas pessoas que poderá vir a ser primeiro-ministro, a Justiça, em Portugal, é menos eficaz desde o 25 de Abril. Deduz-se que seja o de 1974.

Disse o novel humorista e presidente do PSD: “Tirando os julgamentos políticos, em termos de eficácia, desde o 25 de Abril a justiça piorou”. Para quem mede as acções apenas pela sua eficácia, Rio está errado – os julgamentos políticos foram de uma eficácia imbatível, até porque não havia grandes demoras e até se devia poupar dinheiro.

Entretanto, com todos os defeitos que podemos e devemos identificar em muitas áreas, só quem sofre de algum défice de cognição (também) democrática é que pode dizer que Portugal está pior agora do que antes do 25 de Abril. Este Portugal cheio de defeitos é o melhor de sempre, em todas as áreas. É claro que é muito mais difícil governar em democracia e talvez Rui Rio não goste de dificuldades, o que se notou muito durante o seu consulado autárquico. [Read more…]

A maioria trabalha para sustentar uma minoria

Estado perdoa 81 milhões a empresário que estava a ser julgado por burla ao BPN

Esta malta com Mercedes à porta é, efectivamente, uma vergonha!

Da fractura do fémur aos apoios sociais

A antropóloga Margaret Mead afirmou, certo dia, que o primeiro sinal de civilização humana era um fémur humano com sinais de uma fractura curada – um achado arqueológico com cerca de 15000 anos. Mead explicou que, para que tivesse havido essa cura, houve pelo menos uma pessoa que perdeu tempo a tratar de outra. Se um animal sofrer uma fractura no mundo selvagem, acabará por morrer.

O meu cinismo sussurra-me ao cérebro uma série de possibilidades menos simpáticas, como a de um canibal que curou uma refeição para melhor a engordar, mas, seja como for, acredito que a humanidade reside neste combate quotidiano contra o predador que também somos – se, de um lado, temos esta solidariedade ortopédica, temos de lembrar a frase “O homem é lobo do homem”, presente na Asinaria, de Plauto.

Humanidade será, então, solidariedade, o que quer dizer que a sua ausência é selvajaria.

Há quem ponha Deus no seu lema, preferindo, talvez, o do Velho Testamento, essa figura castigadora e terrível, que chegou ao ponto de afogar a maior parte da humanidade, por considerar que as pessoas eram demasiado defeituosas. O Novo Testamento, cuja personagem principal, Jesus, tem a mania de dizer àquele que nunca pecou que atire a primeira pedra ou de ajudar os desvalidos (antepassados decerto dos beneficiários do RSI), transmite uma mensagem que alguns considerarão laxista, fraca. Num debate com Jesus, André Ventura perguntar-lhe-ia se não tinha vergonha de se ter deixado crucificar com um ladrão de cada lado, mostrando-lhe uma pintura do Gólgota. Já os ricos não terão de preocupar com o buraco da agulha ou com o pagamento de impostos; dos pobres poderá ser o Reino dos Céus, mas nunca o Rendimento Social de Inserção.

Numa sociedade civilizada, humana, ajudar os mais fracos é um dever. Nesta mesma sociedade, não se pode abandonar alguém que fracturou o fémur ou que não tenha meios para se sustentar. Haverá sempre o perigo do parasitismo, mas há valores antigos como o da presunção da inocência, início de um caminho difícil, porque fácil é acusar sem provas. Seguir este caminho não é ser de esquerda ou de direita, é ser decente.

Quem disparar acusações a torto e a direito, atirando lama sobre aqueles que recebem apoios sociais, com o único objectivo de recolher uns votos, ainda tem um longo caminho a percorrer até chegar às fronteiras da humanidade. Não terá uma fractura, mas é uma fractura. Temos o dever de ajudar também quem pensa assim, não lhe entregando votos.

Chega: disparar primeiro e depois se vê

Uma das bandeiras do Chega é, como se sabe, a subsidiodependência. E o Chega, quando agita bandeiras, faz uma barulheira desgraçada.

Penso que podemos entender subsidiodependência como um sinónimo de parasitismo. Não haverá apoios sociais sem parasitismo, como não há medicamentos sem efeitos secundários.

A questão está em se a dimensão do parasitismo e dos efeitos secundários é suficiente para medidas mais drásticas. Depreende-se, então, do discurso do Chega, que a subsidiodependência é uma praga social, com multidões de parasitas alojados no erário público ou, para usar o chavão de Ventura, num país em metade vive à custa da outra metade, o que inclui Mercedes à porta e telemóveis e o diabo a quatro.

Diga-se, de passagem, que o parasitismo endémico, pandémico ou localizado deve ser combatido.

Nos Açores, o Chega alcançou uma boa votação com este discurso de combate à subsidiodependência como um problema, defendendo que é preciso reduzir os apoios sociais. A responsabilidade epistémica, a que se refere o César no seu magnífico texto, obrigaria a que o anúncio deste problema estivesse ancorado num conhecimento profundo.

Parece que, afinal, falta ao Chega-Açores esse mesmo conhecimento profundo, como se pode deduzir do pedido que fez à Assembleia dos Açores, com o deputado do partido a pedir informações sobre o RSI na região.

Diz um ditado antigo: “Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu.” Nem responsabilidade, nem epistémica – o Chega é o pistoleiro bêbedo do faroeste que dispara primeiro e depois se vê.

Bernardo Ferrão e Ângela Silva…

…são consultores de campanha de Rui Rio. No comentário do debate entre Rui Rio e Catarina Martins, limitaram-se a explicar quais foram os erros de Rio e o que deverá fazer a seguir. Espero que o PSD lhe pague bem.

Rui Rio, porta-voz do Chega

No debate com Catarina Martins, Rio esteve a explicar a posição do Chega sobre prisão perpétua.

Está aberta a época de caça ao voto docente!

O governo de António Costa, durante os últimos seis anos, não reverteu as várias malfeitorias perpetradas por Maria de Lurdes Rodrigues e por Nuno Crato e conseguiu acrescentar algumas da sua responsabilidade, incluindo o roubo de tempo de serviço.

Como há eleições, cá está a prometer fazer o que não quis fazer e deveria ter feito enquanto foi primeiro-ministro.

Note-se que não é possível discordar do ainda chefe do governo quando afirma que é preciso acabar “de uma vez por todas com este absurdo que é [a carreira docente] ser a única carreira no conjunto do Estado em que durante décadas as pessoas têm de obrigatoriamente se apresentar a concursos e andar com a casa às costas e andar de escola em escola de quatro em quatro anos”.

O problema é que “este absurdo” é antigo, não apareceu a semana passada – no mínimo, António Costa teria de explicar por que razão não resolveu este problema, mas o que interessa agora é o soundbite da promessa, sequioso de votinhos. Do lado dos professores, se houver sensatez, só pode haver desconfiança e votos contra. Basta lembrarmo-nos das maiorias absolutas de sócrates e de passos para sabermos do que as casas gastam.

Costa ainda faz uma ligação vazia, fazendo depender a vinculação de mais professores aos quadros de uma alteração do modelo de concurso. Não se percebe (ou talvez se perceba, mas já lá vamos), uma vez que é perfeitamente possível vincular mais professores mantendo o modelo.

O modelo é centralista, é verdade, e cego, é certo, fazendo depender a colocação de uma nota. As injustiças que advêm deste modelo, no entanto, são também a garantia de que não há possibilidade de cunhas. Costa, tal como o resto do arco da governação, sonha entregar as escolas às câmaras municipais, incluindo no embrulho a escolha dos professores.

A municipalização da Educação, tal como a regionalização, é uma ideia maravilhosa no papel e terrível em Portugal. Diante do caciquismo endémico que transforma tantos presidentes da câmara em pequenos ditadores que distribuem favores e dinheiros, as escolas ficariam entregues a caprichos e cunhas.

Costa, amigo, não contes comigo!

André Ventura e os apoios sociais

Não é fácil falar de ou, pior ainda, falar com os trogloditas que fazem generalizações sobre os apoios sociais, essa instituição que separa a selva dos países civilizados. O acto de distribuir apoios sociais constitui uma enorme responsabilidade, implica uma fiscalização competente e está sujeito a fraudes.

A propósito desses apoios, no debate com Catarina Martins, André Ventura afirmou que há refugiados que têm telemóvel e beneficiários do RSI que andam de Mercedes. O mesmo André Ventura fez referência à necessidade de combater a subsidiodependência, um vício que, se bem entendo, afecta a maior parte ou a totalidade das pessoas que recebem pensões ou outros apoios e que preferirão ficar nessa condição a trabalhar.

André Ventura, como qualquer português de bem, tem o dever de denunciar às autoridades competentes qualquer caso em que, por exemplo, a posse de um telemóvel ou de um Mercedes possam constituir provas de ilegalidade. Como político sério, deve provar a existência de subsidiodependência, termo que, aliás, só é utilizado pela direita, geralmente muito católica.

Se não denuncia e se não explica, não é um português de bem e não é um político sério. Nada de novo – André Ventura é um parente próximo de gente como Mota Soares (e, portanto, Passos Coelho e Paulo Portas), gente que prefere generalizar, lançando falsos testemunhos, nada que não se resolva com umas ave-marias.

O problema, na verdade, não reside na existência de políticos destes, mas nos votantes que lhes dão vida e que não estão interessados em pensar, em sentir empatia, nem sequer estão interessados na verdade dos números que mostram que as generalizações dos venturas e dos motas soares são conversa de bêbedo. O grande desafio será, portanto, conversar com quem não quer ouvir, sendo certo que, muitas vezes, tem ou descobre razões muito fortes para querer ser surdo.

Um país oco

A aldeia de um homem só. “Desapareceu tudo, saíram todos, faleceram os meus pais… fiquei eu” – belíssima reportagem de Artur Cassiano

A arte de não apalpar cus

Gosto de mãos, gosto de humor, gosto de ternura, de meiguice, de gestos bonitos, de elegância, mas um bom cu é maravilhoso. Penso que também não conseguiria resistir a um cu razoável. Mesmo alguns cus maus passam a ser quase razoáveis em certos dias. Resistir à vontade de apalpar cus é um esforço, como acontece com todas as aprendizagens.

Ando na vida para apalpar os cus de que gosto, mas não posso ou, no mínimo, não devo, pelo menos sem autorização de quem fala em nome do cu.

Sempre que vejo passar um cu que gostaria de apalpar, tenho de fazer um esforço imenso, não para controlar as mãos, não somos animais, mas os olhos. O pior de tudo é não poder ficar a olhar, porque há cus que merecem tempo, porque tempo pode ser dinheiro, mas também é imaginação. Imagino as minhas mãos e o cu observado, mas, como disse, nem sempre há tempo.

Olhar para um cu significa descobrir aqueles segundos em que sei que ninguém está a ver que estamos a olhar, o que inclui, antes de mais, a pessoa a quem pertence. Não há nada pior do que uma pessoa ser apanhada pelo objecto observado em flagrante delito de observação. No fundo, quem tem cu, tem medo e eu não tenho menos cu do que as outras pessoas. [Read more…]

Algumas confusões (minhas) sobre Educação para a Cidadania

Faz-me confusão que faça tanta confusão a tanta gente a existência de uma disciplina ou de uma área disciplinar ligada à cidadania.

Faz-me confusão que seja considerado fundamental por tanta gente a existência de uma disciplina ou área disciplinar ligada à cidadania.

Faz-me confusão que haja tantas pontes queimadas entre quem se interessa por Educação e que as políticas educativas continuem a ser imposições erráticas e avulsas com origem em gabinetes ministeriais e/ou departamentos universitários carregados de gente que se julga dona da Educação, incluindo a que se refere ao ensino básico e ao ensino secundário.

Faz-me confusão que haja quem pense que é possível estar na Escola sem aprender, directa ou indirectamente, cidadania.

Faz-me confusão, a propósito dessa aprendizagem inevitável, que haja quem pense que é possível ensinar Humanidades, Ciências ou Artes sem fazer referências constantes a questões e problemas de cidadania.

Faz-me confusão que haja quem acredite que é possível viver numa escola asséptica e absolutamente imparcial, em que os professores não tenham opiniões ou preferências ideológicas, religiosas ou clubísticas. Aproveito este ponto para informar, para grande surpresa de uma larga maioria, que os professores são pessoas, sendo que alguns chegam a ser pais.

Faz-me confusão que haja quem acredite que os professores são, na sua larga maioria, pessoas sem o mínimo de ética, que aproveitam todos os momentos para catequizar os pobres alunos, arrastando-os para o seu partido, para a sua religião, para o seu clube ou para a sua associação recreativa. [Read more…]

O portuguesinho, a avaliação de desempenho e a inveja

Olhe, não lhe digo mais nada, lá no prédio somos cinco senhoras mais essa… não lhe vou dizer que é uma porca, mas é uma desavergonhada, prontos. No outro dia, estávamos à conversa e vai ela e vira-se para nós e diz que os orgasmos ou lá o que é que ela tinha lá com o homem dela eram quase todos bons e alguns muito bons e até excelentes. E nós virámo-nos para ela e dissemos-lhe assim: “ó coisinha, isso não pode ser, não podem ser quase todos bons, têm de ser muitos regulares e alguns insuficientes”. E então ela vai e diz: “olha, mulher, se não estás satisfeita, faz como eu fiz, fala com o teu homem e arranjem maneira, que eu também levei uns tempos até conseguir pô-lo a funcionar como deve de ser”. Olhe, fiquei de uma maneira! Para já, o meu homem até é muito meu amigo e passam-se dias que não levanta a mão para mim. Imagine se ia agora dizer-lhe que tinha de fazer assim e assado só para ver se eu tinha um orgasmo ou lá o que é. Ele já anda tão cansado lá com trabalho e ainda vinha para casa fazer esforços, coitado. E depois dissemos-lhe assim: “tens de parar com isso, então algumas nem homem têm e tu tens homem e, ainda por cima, andas contente?” E dissemos-lhe mais: “fazes o favor de acabar com isso e se a gente sonha que continuas a ter orgasmos quase sempre bons, a gente chateia-se”. E ela a dar-lhe que também podíamos ter, era uma questão de conversar. Bem, a Adozinda do quarto esquerdo atirou-se ao ar e disse assim: “eu não consigo ter um galo de Barcelos, quanto mais um orgasmo, acabas é com essa porcaria ou então o meu homem vai ter uma conversa com o teu”. A maluca pôs-se para ali aos gritos a dizer que éramos umas invejosas e que em vez de querermos ter uma vida melhor só dizíamos mal de quem estava bem. E no fim disto tudo, ela é que é doida e eu é que venho presa só porque ia atrás do homem dela com uma faca e ele nuzinho. Se ele não se fecha no quarto e não chama os senhores guardas, a descaradona nem insuficientes tinha, acredite que não!

A senhora e o cavador

 

Era uma vez uma senhora que geria uma propriedade agrícola. Certo dia, um dos dois cavadores morreu e, para poupar dinheiro, a senhora decidiu que era melhor não contratar mais ninguém. O outro cavador ainda se queixou, mas lá foi fazendo o trabalho dele e o do falecido.

A senhora, um dia, sempre preocupada em poupar dinheiro, resolveu que a enxada do cavador era muito cara e substituiu-a por um modelo mais em conta. O cavador ainda disse que isto assim ia ser difícil, menina, se ao menos arranjasse mais um cavador, qualquer dia a terra não ia render. [Read more…]

Deus é mentiroso

Rodrigo Moita de Deus, na sua casa de fados, em Cascais, durante a interpretação de “Nasci para ser ignorante”.

 

Pode um mentiroso ser da família de Deus? Será uma questão teológica, mas, em Portugal, se nos referirmos a Rodrigo Moita de Deus é uma questão de (in)decência. Já não é a primeira vez que este parente do Senhor diz, na televisão pública, mentiras e alarvidades sobre os professores.

O comentador televisivo é, muitas vezes, um espécime da linhagem do tudólogo, que fala de tudo, mesmo, ou sobretudo, se não dominar o tema. Rodrigo Moita de Deus é, portanto, parente próximo de Nuno Crato ou de Carlos Guimarães Pinto.

Deixo uma ligação para o vídeo com a intervenção de Deus no Último a Sair e remato, mais abaixo, com um excerto de um texto copiado do facebook do S.T.O.P. (Sindicato de Todos os Professores), para aqueles que quiserem verdadeiramente informar-se.

Os que não quiserem informar-se, podem limitar-se a ver o vídeo com a palavra de Deus. Com gente desta na família, é natural que as pessoas se afastem da Igreja.

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Nuno falta de vergonha na cara Crato

 

Crato diz que há professores a mais e que “redução é inevitável”

Falta de professores é um “drama anunciado há muito tempo”, diz Nuno Crato

Há muito para repetir (porque já foi tudo dito) sobre o consulado de Nuno Crato. No que se refere às duas declarações patentes na imagem, impõe-se uma pergunta básica: qual é o número mínimo de anos que corresponde a “muito tempo”? Relembre-se que  foi, alegadamente, ministro da Educação entre 2011 e 2015.

Nuno Crato foi um digno sucessor de Maria de Lurdes Rodrigues, cumprindo com denodo a tarefa de demolir a Escola Pública, o que incluiu um ataque continuado aos professores.

Tal como Maria de Lurdes Rodrigues, também Nuno Crato, por ter a mesma quantidade de vergonha na cara, aparece regularmente a dar opiniões sobre Educação. Está no seu direito, porque, em democracia, os incompetentes e os desavergonhados também têm direito a exprimir opiniões.

A vida inteira com o salário mínimo

Uma reportagem do Público. Aumentar para quê? “O pouco que nos possam dar, para nós é muito. Vinte euros já me dão para ir ao supermercado e comprar comida para uma semana.” Ao cuidado dos chalupas da meritocracia.

A propósito das crianças portuguesas que falam “brasileiro”

A também nossa Paula Sofia Luz publicou recentemente uma reportagem que deu algum brado e fez sair muitos patrioteiros de tocas mal frequentadas: “Há crianças portuguesas que só falam ‘brasileiro'”. Desde portugueses enojados a brasileiros ressabiados, juntaram-se nos comentários do jornal e das redes sociais dezenas ou centenas de idiotas de ambos os lados do Atlântico, agarrados a estereótipos e a interpretações espúrias da História, ou melhor, de um conjunto de sentimentos e de preconceitos que alguns confundem com História.

O fenómeno da influência do português do Brasil na expressão dos jovens portugueses não é novo e pode (e deve) ser discutido, excluindo qualquer laivo de superioridade ou de inferioridade e incluindo linguistas e professores de Português, sendo que, neste último caso, há um afastamento indesejável entre ambos os grupos – polemizando já um pouco, e sendo eu suspeito, há alguns linguistas que imaginam os professores como meros receptáculos, mesmo quando o assunto é o ensino de uma norma linguística, por muito que este conceito contenha algo de demasiado artificial.

Assim, se é verdade que não faz sentido censurar (em qualquer dos sentidos da palavra) os conteúdos brasileiros, é importante pensar naquilo que se chama o “cultivo da língua”, expressão difusa que se pode prestar a usos elitistas desajustados e que poderá, muitas vezes, entrar em conflito com a natural circulação de palavras e de conceitos. [Read more…]

Bom dia?

Inspirado num texto da página https://www.facebook.com/Livrodponto

 

Era um professor que não cumprimentava colegas, porque, no fundo, detestava professores. Imagine-se o que será detestar professores e conviver com professores todos os dias da semana. Como se isso não bastasse, era casado com uma professora e meio professor por parte da mãe, mais um quarto do lado do avô materno. Como acontece com todos os professores, antes de ser professor, já tinha lidado com dezenas de professores, entre escola primária (era do tempo em que se chamava escola primária ao primeiro ciclo, imagine-se a antiguidade, a senectude) e a faculdade. Entre a casa e as escolas, nunca teria passado um dia sem se relacionar com, pelo menos, um professor.

O professor F. (vamos chamar-lhe assim, para manter o anonimato) vivia, por isso, em estado de sítio por se sentir sitiado, cercado de professores que nunca levantariam o cerco. Um dos dias mais felizes da sua vida consistira naquele em que passara a escrever sumários numa plataforma digital – nunca mais o viram na sala dos professores.

Um leitor aparentemente mais inteligente poderia perguntar por que razão um homem que tanto odiava professores não escolhia outra profissão. Aviso, desde já, o leitor de que a minha responsabilidade de narrador não faz de mim um ser omnisciente. Por outro lado, a vida está cheia de incongruências e o ser humano raramente é racional. Finalmente, se o leitor não gostar da história, escolha outra e meta-se na sua vida, que uma coisa é ler, outra é coscuvilhar. [Read more…]

O mijo e o leite

No frio beirão de uma aldeia já quase espanhola, em tempos que ainda cá estão, o rapaz, o mais novo de nove irmãos, estava sentado na cozinha, olhando para a mãe, que lavava a louça do jantar. A casa alimentava marido, filhos, trabalhadores, uma pequena multidão no tempo em que os animais falavam e as máquinas de lavar louça nem sequer eram ficção científica, porque ali ainda não tinham inventado a ficção científica.

O cheiro dos animais, do suor e do fumo misturava-se com o próprio odor do frio. O rapaz, irrequieto, irreverente, vivia revoltado com os óbices do mundo, com a falta de lógica de um universo que parecia inventar obstáculos à simplicidade que deveria ser a vida. Um dia, talvez incomodado com a necessidade de ordenhar vacas, perguntou em voz alta por que raio não haveríamos de beber o mijo em vez do leite.

Nessa, como em muitas outras ocasiões, diante da constante contestação do filho, o pai, já cinquentenário e absoluto respeitador da Criação, abria a boca de assombro e de preocupação, chegando a pôr a cabeça entre as mãos e perguntando “O que há-de ser deste rapaz?”, antevendo um futuro negro a quem dizia palavras como heresias.

Ver a mãe a lavar tanta louça ferveu dentro do rapaz como uma queimadura, uma revolta proporcional à compaixão que lhe nascia de ver a mãe sobrecarregada. De repente, entre a facilidade do mijo e a dificuldade do leite, encontrou mais uma solução: “Os pratos deviam deitar-se fora todos os dias e havia outros novos. Acabava de se comer e atirava-se com o prato assim!” E imediatamente juntou a palavra ao arremesso, pondo um prato a voar pela janela, enquanto abria a porta a um novo mundo.

Uma velha tia, visita habitual da casa, vinha a subir as escadas e foi atingida pelo prato que nunca tinha chegado a sair do mundo em que se bebe o leite das vacas.

Tumor maligno da democracia

É o partido cujo vice-presidente afirma que o jornalista é o tumor maligno da democracia.

O lado negro do futebol ou o futebol como lado negro

 

Na sua crónica de hoje, Miguel Guedes, adepto do Futebol Clube do Porto, considera que os três penáltis que ficaram por marcar a favor do seu clube e uma expulsão “perdoada” constituem exemplos do “lado negro do futebol”.

Fico à espera de saber que expressão usará o cronista para classificar as negociatas escuras de xeques de regimes assassinos ou de magnatas mal-afamados que compram clubes como se fossem brinquedos, o comportamento hediondo de muitos membros de muitas claques que assaltam estações de serviço ou que transformam os estádios em zonas de guerra, a exploração criminosa de operários na construção dos estádios do próximo Mundial, entre outras coisas.

Note-se, a propósito, que esta expressão é usada a propósito de um jogo de futebol em que foi homenageado Tengarrinha, um antigo jogador, morto aos 32 anos, uma idade em que devia ser proibido morrer, consequência de um lado negro da vida. [Read more…]

Comprovativo de transferência

Marcelo, amigo, obrigado, já entrou o dinheiro que me transferiste!

Recado ao Presidente da República

Bruno de Carvalho exige ser recebido por Marcelo.

Sessão contínua: secção ou *seção?

O googledocs, ferramenta utilizada em muitas escolas, propõe que se escreva “seção” no lugar de “secção”. Os alunos que recorrerem a este instrumento tenderão a considerá-lo uma autoridade, pelo que muitos passarão a escrever “seção” e, destes, alguns passarão a pronunciar de acordo com a grafia.

Helena Figueira explica, chega mesmo a garantir, que “secção” é grafia portuguesa que permanece inalterada pelo chamado acordo ortográfico (AO90). A infopédia não faz referência a “seção”, o Priberam informa que é grafia brasileira, tal como acontece com o Vocabulário Ortográfico Português. Este, no entanto, na coluna da direita, anuncia que a pronúncia lisboeta é  sɛ.sˈɐ̃w (ou seja, seção).

Em que é que ficamos? Ortograficamente, em nenhures, ou seja, no país desencantado do AO90.

 

Ah, mas os professores têm de explicar aos alunos como é que se escreve e tal e coiso!

 

Longe de mim desvalorizar os oficiais do meu ofício, mas deixai-me explicar-vos o seguinte: [Read more…]

Monólogo venturoso

Nós somos a favor dos portugueses de bem, somos contra os bandidos, também não gostamos da violência, mas os bandidos deviam era estar presos, somos contra qualquer espécie de violência, mesmo a das espécies mais evoluídas, quando mandarmos vai acabar a bandalheira do twitter, temos um problema com os ciganos, somos orgulhosamente portugueses, temos orgulho na história pátria, a senhora deputada Joacine devia ser devolvida à terra dela, violência é que nunca, somos violentos contra a violência, não é contra as pessoas, tirando os bandidos e os ciganos, que ou não são portugueses ou não são de bem, eu não tiro fotografias com bandidos, prefiro tirar fotografias com portugueses de bem, como os neonazis que estão no meu partido, os políticos deste país são uma vergonha, tirando eu, que cumpri o que prometia, demitindo-me e candidatando-me logo a seguir, numa demissão assim mesmo a sério, somos contra a violência dos nossos partidários de Viseu que agrediram um paneleiro que talvez não fosse homossexual, mas o problema de Portugal é a comunidade cigana, tal como essa gente que vive de apoios, ao contrário dos banqueiros que vivem do Alzheimer.