
O racismo não tem cor clubística.
O racismo não é do SL Benfica, do Sporting CP ou do FC Porto.
Mas os racistas têm clube: e podem ser do Benfica, do Sporting, do Porto ou de qualquer outro clube.

O pior que se pode fazer nestas situações é, por um lado, apontar como racistas todos os adeptos de qualquer clube, o que ajuda, inconscientemente, a relativizar o racismo quando ele acontece perpetrado por adeptos do nosso clube. E acontece, porque os racistas estão em todo o lado. E, por outro, defender quem usa o racismo como arma “legítima” de arremesso, apenas e só por ser do nosso clube. Ou somos anti-racistas ou só o somos consoante a cor da camisola que o racista veste: quando aos racistas, o que os incomoda é sempre a cor da pele. E para isto pouco interessa se o jogador insultado é irritante, chato, trapaceiro ou gozão: se para nos defendermos disso, temos de ser racistas, então já perdemos a razão. Quem passa essa linha deixa de ter perdão.

O racismo e a xenofobia não têm lugar no desporto, porque não têm lugar numa sociedade que se quer saudável, inclusiva e respeitadora de todas as diferenças. E onde o desporto, sobretudo o futebol, devia ser o espelho de todas essas diferenças que nos unem em prol de algo tão bonito.

O que se exige aqui, como noutras situações, o que infelizmente nem sempre sucedeu, é mão pesada: neste caso, para Prestianni, jogador argentino do SL Benfica que, de boca tapada (ou de cara tapada, é sempre o refúgio de quem lança insultos racistas), chamou “macaco” a um jogador brasileiro, no caso Vini Jr. Um jogador tão jovem e com uma atitude destas, caso eu fosse benfiquista, defenderia que nunca mais poderia vestir as cores do clube; por outro lado, não pode, na minha opinião, volta a pisar um relvado num jogo da Liga dos Campeões por muito tempo, se o que queremos é passar o exemplo de que ataques racistas e xenófobos não têm espaço no futebol.



Marques Mendes, no seu espaço de intoxicação alimentar, 



No tempo do salazarismo, havia um faduncho anticomunista que servia para alimentar o medo do papão leninista-estalinista-siberiano. Incluía, o dito faduncho, versos como “Maldita seja a Rússia soviética!” e “Malditos os que comem criancinhas!”. Quando se pensava que já não seria possível reencontrar um discurso tão primário, eis que Passos Coelho reaparece para reavivar fantasmas em que ele próprio não acredita, mas que lhe dão jeito para a campanha em que se integra, juntamente com outros intelectuais do mesmo calibre, como Paulo Otero ou João César das Neves, alguns dos autores que integram a colectânea “Identidade e Família”.



Quando nos pisam os calos, no mínimo, exprimimos um gemido de desconforto. Se nos pisarem os calos demasiadas vezes, a coisa descambou para falta de cuidado ou para agressão.












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