Guia antipopulista para saber quem é pirómano

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Nuno Oliveira

1. Quem não limpa o mato dos terrenos (só 2% da floresta é do Estado)
2. Quem não actualiza finalmente o cadastro para que o ponto anterior se altere
3. Quem acabou com a Autoridade Florestal, Guarda Florestal, Viveiros, pontos de vigia, etc e fez o Fundo Florestal em vigor (adivinhem quem foi)
4. Quem acha que, sendo a fruta e cortiça duas exportações principais (entre outras), é uma ideia bestial apostar na celulose (em plena era digital)
5. Quem não taxou/impediu conversão de solo rural/florestal a urbano (maioria das habitações em risco)
6. Quem passou a competência logística do combate aos fogos do Exército e Força Aérea para empresas contratadas
7. Quem não associa os nossos hábitos e estilo de vida a extremos climáticos cada vez mais fortes (seca e mais de 30° desde Maio/Junho)
8. Quem não leva a sério o gado extensivo (ou outros ruminantes selvagens),na gestão de um território livre de incêndios e com economia baseada na ruralidade (em crescimento na Europa)
9. O doente ou criminoso que aproveita todas as condições anteriores para causar danos
10. Quem esquece os primeiros oito pontos para culpar só o nono.

O estranho caso da remodelação da “meia vida” dos comboios da Fertagus

António Alves
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Fertagus, Estação de Corroios (origem: Wikipedia)

Ontem surgiu a notícia que os comboios da Fertagus iriam ser sujeitos à revisão da “meia vida”. Essa revisão será efectuada pela EMEF e custará 1,2 milhões de euros. Pagará o Estado, já que é este o proprietário do material circulante. A questão deste subsídio encapotado do estado a uma empresa privada já foi por mim abordada em texto anterior. Hoje a questão é outra.

Ora, 1,2 milhões de euros pareceu-me muito pouco dinheiro para fazer a revisão de “meia vida” a 18 comboios. Fiz as contas e deu-me 66 666 euros por comboio. Quem se move nesta indústria sabe que isso não chega nem para pintar um comboio quanto mais para uma revisão de “meia vida”. Procurei mais informação e o máximo de substancial que consegui foi um artigo do Carlos Cipriano para o Público [1].

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Negócio privado, mas despesa pública, no comboio da Ponte

António Alves

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Eu explico: estas unidades foram compradas pelo Estado para a CP. Mas como o Estado queria um operador privado na Ponte sobre o Tejo, foram cedidas à privada Fertagus. Na verdade foram compradas, a preço de amigo, por um sindicato bancário que as cedeu em leasing à Fertagus.

Um bom negócio.

Bom negócio até ao momento em que elas entraram na idade de fazer a obrigatória revisão da meia vida. Coisa que fica cara. Nesta altura do campeonato ou ela é feita ou compra-se material novo.

E é aqui que a porca torce o rabo. [Read more…]

IMIzade

IMIHavia quem puxasse da pistola quando ouvia falar de cultura. Cada um tem os seus reflexos condicionados. Eu começo a chorar com saudades do dinheiro, sempre que ouço um governo falar de impostos.

Nas últimas horas, tem-se falado muito a propósito do Imposto Municipal sobre Imóveis, IMI para os contribuintes. Não consigo ficar descansado, apesar de ainda não ter parado de comemorar o facto de Passos Coelho não ser primeiro-ministro.

Limito-me, para já, a deixar-vos algumas ligações e a transcrição de um texto de Carlos Matos Gomes encontrado no Facebook. Quando começarmos a pagar mais ou menos, falamos. [Read more…]

100 dias depois, o Expresso continua em silêncio

PP

As horas passam, os dias passam, as semanas passam, os meses passam e não tarda muito começarão a passar os anos também. Era o grande escândalo do século, tudo que era cão grande estava lá metido, havia um saco azul do GES para pagar avenças a jornalistas e a grandes figuras de Estado e o colapso do sistema espreitava ao virar da esquina. O relógio, esse, não mais parou de contar. [Read more…]

Da série “os contribuintes não serão chamados a cobrir o prejuízo” do Novo Banco

Novo Banco com prejuízos de mais de 362 milhões de euros” no primeiro semestre de 2016. Boa Maria Luís! Ainda bem que a Caixa não tem dinheiro lá metido.

Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão?

A questão da isenção do IMI no  Património Cultural continua na ordem do dia. Mais uma vez grassa a ignorância, a confusão, e claro, a incompetência. Sobre este assunto da isenção do IMI nos chamados Centros Históricos há que esclarecer o seguinte:

-a Lei dos Benefícios Fiscais não isenta qualquer Centro Histórico de IMI;  a lei determina que o Património Cultural (igrejas, castelos, palácios, casas senhoriais, quintas, centros históricos ) classificado como  Monumento Nacional  (muitos deles propriedade privada) estão isentos de IMI, e o Património Cultural classificado individualmente como de Interesse Público. Quer isto dizer que se porventura há um Centro Histórico que seja classificado como de Interesse Público, os bens situados nesse espaço não estão isentos de IMI, salvo se cada uma das parcelas (casas, terrenos) fosse classificada individualmente.  Pelo contrário, se há algum Centro Histórico que é classificado como Monumento Nacional, todos os bens (casas, terrenos) deverão ser, à face da lei, isentos de IMI; [Read more…]

O mau aluno

PPC

Em Abril, Pedro Passos Coelho afirmou perante os jornalistas que o crédito malparado não é um problema urgente para Portugal. As instituições da Troika, longe da habitual sintonia que caracterizava outros tempos, parecem discordar. Três dias depois das declarações do líder do PSD, a Comissão Europeia expressou preocupação com a situação do crédito malparado no país. Na última semana, foi a vez do FMI e do BCE se juntarem ao coro.  [Read more…]

O fim do mundo vai ter que esperar

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É o fim da linha. A temível Geringonça avança, impune, e nem Schäuble ou a sua clique de burocratas comunitários conseguiram, até ao momento, manufacturar uma crise suficientemente destruidora para abater a perigosa esquerda. Eles bem tentam, com a sua chantagem e declarações incendiárias, mas ainda não houve meio de liquidar a democracia representativa. Nem atribuindo ao actual governo a culpa pelo rotundo falhanço do anterior em cumprir as metas do défice no período 2013-2015 deu conta do recado. Convenhamos: era um argumento fraquinho. [Read more…]

Renegociações danosas à moda do Pàf

UPNRS

 

Durante a governação de Passos & Portas, Sérgio Monteiro, o ex-Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, foi o responsável pela política de privatizações do Governo de Direita. Nessa época, Passos Coelho apresentou a renegociação de nove parcerias público-privadas rodoviárias como um dos casos de sucesso do famoso “corte nas gorduras do Estado”. A renegociação da concessão da A23 foi exibida como um exemplo de boa gestão pública, com Passos Coelho e Sérgio Monteiro a alegaram que o Estado pouparia 32,2% da verba gasta nessa PPP, o que representaria um valor bruto de 588 milhões de euros.

Agora, através do Jornal de Notícias, descobre-se que essa renegociação implicou a entrega de 717 milhões de euros das receitas das portagens à Scutvias, a concessionária privada que explora a autoestrada da Beira Interior. Ou seja, com esta renegociação, o Estado teve uma perda líquida de, pelo menos, 129 milhões de euros.

Segundo o artigo do JN, as receitas das portagens foram ainda subavaliadas e a poupança para o Estado foi empolada, o que significa que a perda real para o erário público poderá ser ainda muito superior – o JN refere que a perda final poderá chegar aos 300 milhões de euros. Isto vindo do Governo da malta que é regularmente promovida na comunicação social como grandes peritos em negócios.

Irónico, não é?

via Uma Página Numa Rede Social

Para os distraídos que ainda não perceberam e para a escumalha que continua a manipular os restantes

PPC

No caso de Portugal, a Comissão enviou para o Eurogrupo, em 7 de julho, um documento de cinco páginas cuja essência se resume ao seguinte: o governo português, na altura liderado por Passos Coelho, não cumpriu as recomendações dirigidas a Portugal, que a Comissão propôs ao Ecofin, e que este aceitou, endereçando-as a Lisboa em 21 de junho de 2013. É de uma confrangedora desonestidade intelectual continuar a escutar as afirmações do anterior primeiro-ministro e da sua ministra das Finanças negando o óbvio: o país vai ser sancionado pelo desempenho do seu governo. Sejam as sanções nulas, mínimas ou pesadas, o pretexto não reside na ação do atual governo, mas no desempenho da coligação PSD-CDS. O sinal negativo que vai ser dado aos investidores, mesmo com sanções nulas, à DBRS, a única agência de rating que nos liga ao cordão umbilical do BCE, prende-se com a conduta orçamental de um governo que acreditava na austeridade mas não o suficiente para arriscar perder as eleições. Nessas circunstâncias, a bra- vata e o autoelogio dos anteriores governantes são uma indignidade e um insulto ao direito que os portugueses têm à mais elementar verdade factual.

Viriato Soromenho Marques, As regras da Alcateia (DN)

Euro 2016

transferir (1)Não é bonito apontar para os erros dos outros, quando nos chamam a atenção para os nossos. Não há cantilena mais embirrante do que a lamúria do pois toda a gente faz o mesmo e eu é que sou condenado.

Em princípio, portanto, estaria pronto a criticar o facto de Portugal ser um desses queixinhas que apontam para os défices alheios com o fito de desculpar o próprio.

A verdade, no entanto, é que há números que dão que pensar e que podem facilmente transformar um queixinhas num queixoso com razão.

De acordo com o Institute for Economic Research, já houve 114 violações das metas estabelecidas e, neste momento, apenas Portugal e Espanha estão sujeitos a possíveis sanções. Essas 114 (por extenso: cento e catorze) violações não foram levadas a cabo apenas por Portugal e Espanha: o país que mais vezes falhou neste campeonato foi a França, mas Juncker já explicou por que razão a França não pode ser castigada.

Note-se, ainda, que as possíveis sanções são consequência do défice deixado por Passos Coelho e por Maria Luís Albuquerque. Relembre-se, também, que os vários falhanços das metas estabelecidas foram sempre considerados sucessos pelas mesmas instituições que hoje ameaçam um governo que ainda não falhou as previsões. Percebe-se: com Passos, o país continuaria a retirar direitos e dinheiro aos trabalhadores, que os PIIGS querem-se pobrezinhos e prontos a pegar nas bandejas com bebidas exóticas.

O verdadeiro Euro 2016 é este, o campeonato em que há jogadores que são árbitros e que, por isso, podem distribuir porrada à vontade, porque são os donos do apito. Todos sabem que as metas do défice não são alcançáveis, mas usam-nas como instrumento de pressão, para ajudar multinacionais e bancos, à espera do prémio.

Isto já está a dar maus resultados e a União Europeia não é união e nem sequer se pode dizer que seja europeia, porque a ideia de Europa deveria ser outra, especialmente depois de tanta História.

Para os radicais de direita que saibam ler:

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“Além disso, estima-se que o esforço orçamental acumulado empreendido por Portugal no período entre 2013 e 2015 tenha ficado significativamente aquém do recomendado pelo Conselho, o que leva a concluir que a resposta de Portugal à recomendação do Conselho não foi suficiente.” (EU Press release)

Será preciso fazer um desenho para os restantes?

Maria Luís Albuquerque: o que os jornais não contam

30102230919002Maria Luís Albuquerque tem feito furor com o novo refrão estival “Se eu fosse ministra das Finanças, a questão das sanções não se colocava.” Desde “Maria, quero cheirar teu bacalhau” que o Verão português não conhecia um sucesso tão grande, o que é óptimo, porque não há nada melhor do que ir em cantigas.

Alguns jornais têm assinalado que o chamado défice excessivo pelo qual Portugal poderá vir a ser punido é o de 2015, ano em que as finanças portuguesas estavam a cargo da mesma pessoa que declara que não haveria punições se ainda fosse responsável pela área das contas públicas. A antiga ministra das Finanças também terá dito que isso de ser multado por ir em sentido proibido não se colocaria se fosse ela a conduzir.

Alguns mais distraídos poderiam pensar que o défice é apenas uma questão de números, mas as declarações da própria Maria Luís, uma economista, mostram que não é assim. No fundo, Maria Luís é da escola sampaísta, que defende que há vida para além do orçamento. [Read more…]

Manual sobre perda de competitividade

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Imagine que tem um nicho de mercado com ar modernaço. Seja, a título de exemplo, uma rede de carregamento de carros eléctricos. Suponha que essa rede foi construída sem que existissem clientes que a usassem, apesar de ter custado uma pequena fortuna. Como era algo modernaço, bastou-lhe o élan para justificar a sua concretização. Imagine, ainda, que passados 7 anos essa rede continua com uma utilização residual e que a adesão de novos clientes não passa, digamos, de 1% das vendas anuais desse mercado. Isto, apesar de os novos clientes terem um subsídio de adesão na casa dos 12%.

Ainda está a seguir este exercício criativo? Óptimo. Suponha, por fim, que o Estado decide dar, a fundo perdido, 4,2 milhões de euros para renovar e ampliar essa rede que não teve nem se antevê que tenha, em tempo útil, utilidade.

Imaginou tudo isto? Muito bem. Fique então sabendo que o cenário não é hipotético. É real. A sociedade Mobi.E gere de facto a rede descrita e vai receber os milhões indicados. Dizem que estes vêm de fundos comunitários, como se o dinheiro não fosse um lençol que se puxa para tapar de um lado, enquanto destapa do outro.

Para criar este “incentivo”, algo teve que ser desincentivado, seja por não ter recebido incentivo, seja porque foi contribuinte líquido para o incentivo. É tudo uma questão de competitividade.

Brexit – Um sopro de Liberdade…

Os dinamarqueses rejeitaram em referendo Maastricht, mas foram obrigados a repetir votação. Os irlandeses rejeitaram Lisboa e tiveram o mesmo destino. Pelo meio os franceses rejeitaram uma Constituição europeia e entre outras chapeladas até os irrelevantes portugueses nunca viram concretizada a promessa de realização de referendo. [Read more…]

Actividade económica mantém queda iniciada no governo de Passos Coelho

O título deste post, propositadamente provocatório, é factual, como veremos mais à frente, e poderia ser uma alternativa àquele que o Jornal de Negócios fez há dias, numa machete digna de susto. Camilo Lourenço, jornalista de economia, logo atestou, pelo sarcasmo, que a coisa estava feia.
 
2016-06-17 camilo lourenco fb
Depois lemos o artigo, vemos os gráficos incluídos e concluímos algumas coisas.

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Henrique Monteiro indignado com o Expresso

Henrique Monteiro

Nós também, camarada Henrique, nós também.

Via Os Truques da Imprensa Portuguesa

O bolso do contribuinte sempre à disposição…

Houve um tempo em que se discutiu a privatização da CGD. Apesar de ser contra a intervenção do Estado na economia, sou forçado a admitir que pública ou privada, a Banca em Portugal conta sempre com o bolso do contribuinte, pelo que a CGD não vai ser, nem o seria em qualquer situação excepção à prática vigente.

A grande vantagem da Banca privada seria à partida estar imune à instrumentalização partidária, se pensarmos que os maiores prejuízos agora revelados na CGD resultam da gestão de inspiração socrática de nos tempos em que foi liderada por Santos Ferreira e Armando Vara. Porém se nos lembrarmos que esta dupla também liderou o BCP numa espécie de nacionalização informal imposta pelo governo de então, sem esquecer o desastroso resultado da promiscuidade entre BES e empresas públicas, à cabeça das quais a PT, ou que a nomeação de gestores bancários por critérios de filiação partidária está longe de ser um exclusivo do PS, eu diria que o recente episódio da CGD é apenas mais um capítulo da novela “o estado a que isto chegou…”

Para os ressabiados, com amor

PSD

Aplausos para mais uma emissão de dívida pública bem sucedida, apesar do dilúvio bíblico que se aproxima? Pouco provável, principalmente vindo de quem faz do “whisful thinking catastrofista” a sua forma de combate político, independentemente dos números do crescimento económico arrasarem por completo a sua estratégia. Alguém está a precisar de mais uns quantos fazedores de opinião nas TV’s e de mais meia-dúzia de jornais servis. O ministério da propaganda não está a dar conta do recado.

Foto: José Coelho/Lusa@RTP

Em contagem crescente

Panama-papers

Já passaram quase dois meses desde que o Expresso noticiou o envolvimento de jornalistas, ex-ministros e de um antigo presidente no escândalo Panama Papers. Desde então, nada. Vai daí, os hereges d’Os Truques da Imprensa Portuguesa criaram um mecanismo de contagem crescente onde podemos acompanhar o passar dos dias desde a polémica revelação que deu em absolutamente nada. Resta saber quantos dias terão passado quando o caso cair no esquecimento. Já não deve faltar muito. Somos sempre umas jóias do moços quando nos vão ao bolso.

Imagem via Vector Open Stock

Portas-Engil

PP

Meu caro Paulo, nunca, como hoje, o partido precisou tanto de ti.

Telmo Correia, 18/12/2015

Bateu-se pela renovação do seu irrevogável cargo de vice-primeiro-ministro mas, feitas as contas legislativas, começou a tratar da transição para o privado assim que pôde. O CDS-PP precisava dele, no partido como no Parlamento, mas Portas não surpreendeu e olhou, como sempre fez, pela sua vidinha. Cortou o cordão umbilical democrata-cristão, deixando os medíocres à sua sorte, seguiu para a vice-presidência da CCIP, aceitou o convite para o comentário político no TVI e agora, na senda de outros grandes vultos do bloco central, segue para a função da moda entre os ex-governantes público-privados: consultor. Ao serviço de quem? Da Mota-Engil. Alguém disse Jorge Coelho? [Read more…]

Uma palmadinha na mão de Ricardo Salgado

RSCC

Ver Ricardo Salgado a ser condenado pelo Banco de Portugal a pagar uma multa de 4 milhões de euros, como pena pela venda de papel comercial do GES a clientes do BES, mostra que o ex-Dono Disto Tudo ainda é o Dono de Muita Coisa. Ricardo Salgado chegou a receber “presentes” de 14 milhões de euros, de José Guilherme. Para Salgado, 4 milhões de euros é um valor simbólico, uma mera palmadinha na mão.

A venda de papel comercial do GES, um grupo falido e que nada valia, lesou mais de duas mil pessoas, a quem o ruinoso negócio roubou um total de cerca de 500 milhões de euros. Muitas das pessoas que foram enganadas e levadas a subscrever o negócio perderam as poupanças de toda a sua vida de trabalho. Ver Salgado a livrar-se deste problema, pagando 4 milhões de euros, equivale a dizer que, efectivamente, o crime compensa.

E é nestas alturas que dá jeito ter Carlos Costa como governador da entidade que supervisionava a actividade de Ricardo Salgado e que, agora, livra o ex-banqueiro desta situação com uma multa simbólica. Apesar da sua absoluta inutilidade como regulador da actividade bancária, Carlos Costa foi sempre defendido pelo PSD, que escolheu reconduzir o Governador no cargo, enquanto durou o Governo de Direita. Aliás, não foi por acaso que o jurista que saiu em defesa de Salgado, no caso do “presente” de 14 milhões de euros, foi João Calvão da Silva, o homem que Passos Coelho escolheu para Ministro da Administração Interna, após as Legislativas de 2015.

Entretanto, os lesados do BES poderão vir a perder cerca de metade de todo o dinheiro que perderam com a compra do papel comercial do GES, o que, para muitas famílias, poderá ser ruinoso. Quanto a Ricardo Salgado, apesar da multa simbólica, a defesa do ex-líder do BES já anunciou que irá recorrer da sentença aplicada pelo BdP. Na prática, isto significa que há fortes probabilidades de que a multa de 4 milhões de euros será reduzida para um valor bem inferior.

Dá que pensar, não dá?

Via Uma Página Numa Rede Social

O socialismo não falha…

70% dos venezuelanos já vivem em condições de miséria. Mais uns meses e Maduro conseguirá a igualdade plena, uma sociedade sem classes, todos na pobreza absoluta… É fácil apontar agora o dedo ao presidente da Venezuela, apelidando-o de louco, o que até é verdade, à excepção do querido líder da Coreia do Norte não conheço estadista mais bizarro, mas excentricidades à parte, onde é que o socialismo produziu mesmo um resultado diferente? Cada vez que me lembro dos que apontavam a Venezuela como esperança para a economia planificada no sec. XXI… Daria vontade de rir se não fosse uma tragédia humanitária, como sempre acontece quando algum povo de forma voluntária ou imposta experimenta esta pérfida ideologia.

Por sorte (deles), ambos estão longe de Portugal…

Ou no 1º caso teríamos a ilustre Raquel Varela a dizer que criar máquinas foi uma péssima ideia, no 2º caso já temos o habitual cortejo de invejosos a clamar pela imoralidade de tais salários…

Felizmente para ambos, Portugal é um lugar distante ou teriam às costas Centeno, Costa, Martins, Mortágua, Sousa & associados, ávidos por sem esforço algum, em nome do Estado esbulharem mais de 50% do resultado da criatividade e esforço alheio, sob a forma de impostos, prática que tenho dificuldade em classificar, será parasitismo ou proxenetismo?

Neoliberalismo no séc. XXI: a exploração infantil e o capitalismo totalitário

HRW

É o capitalismo do deixar fazer. A selvajaria que recusa restrições ou imposições estatais que condicionem a liberdade de explorar sem freio, onde inúmeras são as grandes multinacionais que escolhem tolerar e pactuar com abusos e violações de direitos humanos para garantir o aumento dos seus lucros.

O mais recente caso chega-nos da Indonésia. A Human Rights Watch denunciou que milhares de crianças estão a trabalhar em campos de cultivo e fábricas de transformação de tabaco, sob condições severas e perigosas e perante a passividade do governo de Jakarta. Para além das tabaqueiras locais, duas nobres multinacionais ocidentais estão a lucrar com a exploração de crianças indonésias: British American Tobacco e a incontornável Philip Morris. [Read more…]

Carta do Canadá – Os brasis

Eu sei de vários Brasis. Tenho-os encontrado ao correr dos anos. O primeiro Brasil que eu encontrei foi o da música, dos sambinhas meio ingénuos, meio marotos. Era o tempo de Carmen Miranda. Ficou-me esse gosto pela batida brasileira (tão próxima da batida angolana), aquele jeito solto de rimar o pão nosso de cada dia. Depois veio o tempo das greves académicas em Portugal, da ditadura no Brasil, e a descoberta de Bethania,  Caetano Veloso, Gilberto Gil,  Chico Buarque, Tom Jobim  – a fazerem o contraponto de resistência às toadas baianas de Dorival Caymi e às figuras esculpidas em prosa por Jorge Amado. E a descoberta, deslumbrada, da poesia brasileira, que leio tanta vez.

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Panama Papers

Para quem quiser procurar e cruzar informação sobre os ditos Panama Papers.

Mas a ideia não era gastar menos?

Mas a ideia não era gastar menos? Ter superavit orçamental? Reduzir o deficit estrutural?

Esta frase, retirada de uma notícia no Jornal de Negócios, é absolutamente lapidar da loucura que é isto tudo: “Dez colégios com contrato de associação vão avançar para tribunal contra o Ministério da Educação para tentar impedir a suspensão do apoio a turmas de início de ciclo (5.º, 7.º e 10.º anos de escolaridades) nos casos em que existe alternativa na rede pública“.

Portanto, o Estado, no cumprimento da lei e cuidando da aplicação dos parcos recursos dos contribuintes, vai analisar caso-a-caso os contratos de associação e verificar sobreposições. No cumprimento escrupuloso dos contratos assinados colocará em causa o apoio a turmas que já não são necessárias, tendo o cuidado de não interromper ciclos. Mas as empresas privadas, leia-se Escolas do Ensino Particular e Cooperativo que foram subcontratadas para suprir a dificuldade momentânea do Estado em certas freguesias, não concordam e pensam que o Estado deve continuar a subcontratar aquilo de que não precisa.

Nota: não é exatamente isso que dizia o memorando da troika sobre contratos de associação, e que o Governo anterior pura e simplesmente ignorou? Na verdade o memorando, na parte referente a despesas do estado, dizia no ponto 1.8: “reduzindo e racionalizando as transferências para escolas privadas com contratos de associação.”

Aparentemente o PSD, pelas declarações que ouvi do ex-PM, Pedro Passos Coelho, concorda e apoia com esta posição das Escolas do Ensino Particular e Cooperativo subcontratadas pelo Estado. O mesmo senhor que queria lutar contra as gorduras do Estado, as sobreposições, as rendas e contratos desnecessários de todo o tipo, etc. Não se percebe tanto populismo e desnorte. Eu pelo menos não entendo.

E ainda diziam umas piadas sobre a Grécia? A Bancarrota resulta de coisas deste tipo. E há milhares por esse país fora, em muitas áreas. Não querem gastar menos e aplicar o pouco dinheiro que temos em coisas que sirvam todos? Mas depois queixam-se da dívida e dos impostos e de tudo o mais com que legitimidade?

Falência das pastelarias será paga pelos contribuintes

A1 (1)João Salgueiro, um homem que vive no sistema bancário, veio avisar que pode haver mais três bancos na linha de resgate, uma fronteira ainda mais perigosa do que a atravessada por Rambo, Chuck Norris e pelos bravos que foram à procura do soldado Ryan.

Estou admiradíssimo, porque pensava que já não havia bancos por resgatar. Por outro lado, já se sabe que, se há bancos, haverá resgates, porque é essa, actualmente, a função dos bancos: serem resgatados. Não me admiraria que o Banco de Portugal viesse a retirar alvarás a bancos que não sejam resgatados.

O termo “resgate”, neste contexto, parece-me, de qualquer modo, mal aplicado. Estamos a assistir, isso sim, a uma troca de prisioneiros: o banco é tirado da prisão da falência, lugar que passa a ser ocupado pelo contribuinte. [Read more…]