Quem nos protege dos nossos protectores?

Segundo o cidadão, tudo começou quando um dos agentes lhe tira à força dois documentos negando devolvê-los. Indignado com o abuso, o cidadão insiste que lhe devolvam os documentos. O agente acaba por chamar reforços (1 carrinha + 2 ou 3 carros patrulha). O cidadão aflito chama o filho para o seu colo momento em que a polícia decide detê-lo.

Toda a Morais Soares assistiu indignada. Embora rapidamente afastados, até velhotes transeuntes tentaram impedir que separassem pai e filho.

Actualização: segundo a própria PSP o hediondo crime que justifica esta “abordagem” –  falar ao telemóvel enquanto conduzia -, e esse eterno clássico policial:  injúrias.  A justificação, publicada no Facebook, é todo um tratado, de contradição e língua portuguesa, que  aqui reproduzo: [Read more…]

O Medo nos CHUC*

Por Diogo Cabrita

Falo por ti minha amiga Lina que conheces o Hospital há mais tempo que eu.

Falo por ti Manuela, que tens limpo os espaços de trabalho e tens trazido a marmita diariamente.

Falo por ti Carlos que nunca fizeste compras maiores que o teu salário e com dificuldade consegues gasolina para vir todos os dias aos Covões.

Também falo de ti Josefa que te escondes do trabalho e de ti que nunca sabes e nunca queres aprender.

Falo porque sinto o medo que transversalmente vos afoga. O medo de não saber nada do futuro e a certeza que as decisões são feitas sem vos ter em conta.

Há um receio que atinge os bons, os imprescindíveis e os maus.

O medo como um perfume que nos tolhe a todos e sobretudo a vós, a quem os doutores desconhecem o nome, a vós a quem “os grandes” nunca nomearam além de “olhe”, “chegue aqui”.

Falo do medo do futuro, da insegurança sobre o futuro, da subserviência que o medo incute, do silencio cúmplice que vem do receio. [Read more…]

Bloggers on the Cloud

Bloggers on the Cloud

A doença maldita

Por Noémia Pinto

Há doenças que são uma merda, perdoa-me a expressão. E tu és das piorzinhas que por aí andam. Atacas pela calada, matas lenta e silenciosamente. Apoderas-te de quem é forte e a tua cobardia leva-te a desferir sempre os golpes mais baixos, minando primeiro todas as formas de defesa dos teus inimigos e só depois dando a cara. És repulsivo. De repente, pessoas que tinham saúde transformam-se em marionetas, bonecos nas tuas mãos experientes na arte de matar. Pessoas que, na maior parte das vezes, nada fizeram para que as maltratasses tanto. [Read more…]

Ó Ticas, vá à méda qrida

É por estas e por outras que gostaria de assistir ao extermínio dos pobres. Os ricos desapareceriam naturalmente: ao deixarem de ter a caridadezinha para se entreterem e exibirem aposto que se desvaneceriam no ar.

Ou como escreveu o Calimero que nos brindou com estas imagens:

 “Ajudar uma família ajudar os pobrezinhos, cantar-lhes fado e publicar as fotografias no Facebook.”

(e não me venham com a tanga de que aquelas pessoas precisam; eu sei que precisam, todos sabemos que precisam, mas quem exibe a sua “generosidade” desta forma também precisa de ter vergonha na cara)

via Paulo Guinote

Merecemos muito mais!

Os portugueses estão mais pobres, mas nem por isso menos solidários: o Banco Alimentar reuniu 2 644 toneladas de alimentos. “Os resultados excederam em 13,7% os atingidos no ano passado por esta altura do ano, pese embora a evidente contracção do rendimento disponível e do poder de compra dos portugueses.”

Um povo assim merecia governantes à altura…

Só nos resta ser uns para os outros.

Só me resta continuar a votar em branco.

Automotora de Fabrico Nacional na Estação de Carviçais


Pequena automotora de fabrico português (pós-II Guerra Mundial) na estação de Carviçais, Linha do Sabor.

RTP1 – Edição Especial – As Cobaias

Quinhentas e sete crianças, da Casa Pia, foram utilizadas como cobaias num estudo para determinar os efeitos neurocomportamentais da utilização de amálgamas contendo mercúrio nos dentes. Não deixe de ver esta reportagem.

Despedir é pecado

“Despedir é pecado”. “Despedir é pecado.”

Ouvi na rádio esta frase que ecoa até agora na minha cabeça: “despedir é pecado e uma grande falta de solidariedade”.

Estas palavras do padre missionário António Fernandes caiem em saco roto. Sabemos. Tudo vale neste mundo. Mas podemos substituir «pecado», palavra que não existe no dicionário de muitos patrões, por outras palavras que talvez ainda restem por lá (no dicionário e nas consciências, se é que a têm): despedir é desumano, é maldade, é crueldade, etc.

Penitência para eles!

As Cobaias da Casa Pia

Quinhentas e sete crianças, da Casa Pia, foram utilizadas como cobaias num estudo para determinar os efeitos neurocomportamentais da utilização de amálgamas contendo mercúrio nos dentes. Este estudo durou 8 anos, de 1997 a 2005, as crianças teriam entre 8 a 10 anos em 1 de Janeiro de 1997. O estudo foi conduzido, em conjunto, por elementos da Universidade de Lisboa e da Universidade de Washington. O paper que descreve este estudo, Neurobehavioral Effects of Dental Amalgam in Children (PDF em inglês), foi publicado no “The Journal of the American Medical Association“, um jornal científico, com peer-reviewing, que é um dos mais conceituados do mundo na sua área.

À primeira vista este estudo seguiu todas as normas, no entanto, o facto de usarem crianças para testes clínicos é desde logo bastante duvidoso. Ainda mais estranho, quando são do conhecimento geral os riscos para saúde que o contacto com o mercúrio pode originar, existem inclusive campanhas para proibir o uso de mercúrio nos dentes.

É assim, com alguma expectativa e ansiedade, que espero pelas 21 horas para ver na RTP 1 a reportagem de Rita Marrafa de Carvalho, no programa Edição Especial – As Cobaias, sobre este estudo e a forma como foi feito.

Edição: A reportagem está disponível aqui.

O Comboio no Apeadeiro de Moz

Moz, Linha do Sabor, anos 70.

Não Poupe

Não poupe em agradecimentos.

Diga mais vezes «Obrigado»!

Os investigadores apontam muitas vantagens: mais saúde, resistência ao stress, alegria e até sucesso profissional.

Um simples « obrigado» tem um efeito poderoso no organismo, para além de que está demonstrado “que as pessoas gratas são também menos agressivas”.

Não devemos poupar naquilo que é de graça e faz tão bem aos outros e a nós mesmos!

Eu desejo um dia normal

Há muito, muito tempo, que queria escrever, nem que fosse uma linha, sobre a normalidade no nosso quotidiano. É muito bom chegar ao fim do dia e dizer «tive um dia normal, sem sobressaltos. Os nossos filhos estão bem, os nossos pais e irmãos atenderam-nos o telefone.»

Muito bem escreveu Miguel Esteves Cardoso a propósito da chegada da sua amada a casa, depois da já conhecida cirurgia:

 Não há no mundo maior delícia do que a normalidade.

Um dia normal, é um dia sagrado!

Famílias em crise

Em 2011, foram retiradas às famílias quase 3000 menores, ou seja, crianças e adolescentes separados das suas famílias e entregues a instituições.

Famílias em crise, onde, ao contrário do que se possa esperar e onde não é suposto, as crianças não encontram o carinho, a compreensão, o apoio e a paz, mas antes a violência, a negligência e os maus tratos.

É muito preocupante.

Há casais que não podem ter filhos e procuram naquelas instituições «filhos» a adoptar, os filhos de outros que não souberam nem puderam ser pais no verdadeiro sentido da palavra.

Metallica no Rock in Rio Lisboa 2012 e Reportagem Completa do Primeiro Dia

Ontem à noite foi assim

Mais videos dos Metallica ao vivo em Lisboa 2012 para ver aqui. A reportagem do primeiro dia, banda a banda, com texto fotos e vídeos pode encontrar-se  aqui.

“Enter Sandman”, “The Unforgiven” e “Nothing Else Matters” foram os momentos altos da noite. “Enter Sandeman”, com o público todo a cantar foi como se vê no vídeo a seguir: [Read more…]

Patamar Gest Corp

Leitor devidamente identificado

Caros blogger´s

Há uns tempos, durante a minha busca por trabalho, fui contactado por uma agência de viagens do Porto, de nome Patamar Gest Corp. Durante a entrevista falaram-me maravilhas da empresa, e da minha futura função na empresa. Teria que ligar a uma lista de possíveis clientes, que segundo a entrevistadora, já teriam conhecimento da empresa, através de amigos etc…
Pois muito bem, no final do dia contei a uns amigos sobre o assunto, os quais me avisaram sobre a existência de queixas na Internet referentes à tal agência. Essas queixas iam desde “clientes” a queixarem-se de burlas, a ex-trabalhadores a queixarem-se de não-pagamanto. Perante isto, decidi desistir da ideia de ir trabalhar para tal agência. Não andei dezasseis anos a estudar para ganhar a vida enganando e burlando as pessoas, para isso seguia a política. Mesmo assim decidi alinhar na formação, para ver com os meus próprios olhos o que tinha lido na Internet. [Read more…]

Apologia de um país

Foto: Pranto, Vinha da Rainha, Soure

Amigos

Quando descobrimos que os nossos alunos são também nossos amigos…

Dei-me conta disso esta semana, de forma consciente.

A este propósito:

(…) a troca, (…)  numa base de confiança recíproca e, de facto, de amor (…). O Mestre aprende com o discípulo ao mesmo tempo que o instrui. A intensidade do diálogo gera amizade no sentido mais elevado do termo.

(George Steiner, As Lições dos Mestres, Gradiva, 2005, p.13)

Coisas que coisam os coisos

Cartoon de  Zapiro

Gosto muito de fazer rir. Se tivesse jeito, vocação ou ocasião, gostaria de ter sido humorista e agradeço muito ao Aventar dar-me a possibilidade de compensar, minimamente, esse meu desejo infantil, ao ser-me permitido, por vezes, escrever umas larachas e ficar convencido de que fui engraçado. [Read more…]

Um ladrão não deixa de ser ladrão por declamar poesia

A frase, em si, é deliciosa.

Esqueçamos quem a usou e em que circunstâncias. Esqueçamos, aliás, as circunstâncias. Mais, esqueçamos mesmo as circunstâncias que deram origem às circunstâncias em que a frase foi usada. Como bónus, até podemos esquecer que a frase foi proferida com razão  e adequada às circunstâncias.

A frase, em si, é deliciosa.

Quase tão deliciosa como esta: um poeta não deixa de ser poeta por ser ladrão.

(Ou pior)

A situação dos tradutores independentes em Portugal

Michelle Hapetian é autora desta carta aberta/petição, em que denuncia a situação dos tradutores independentes em Portugal.

A situação é lamentável, não é nova, mas raramente alguém a denuncia na praça pública.

Parabéns à autora.

Vale a pena ler a carta e reflectir acerca do seu conteúdo.

E vale a pena assinar a petição.

A Sentença dos Precários Inflexíveis

O cerne desta questão reside no seguinte:

Ora, se nenhumas dúvidas existem quanto à dignidade constitucional do princípio fundamental da liberdade de expressão e do direito de informação (“liberdade de informar”, “de se informar” e “de ser informado”), também se perfila como não menos relevante o princípio da salvaguarda do bom nome e reputação individuais consagrado no artº 26° n° 1 da CRP. [da sentença que se reproduz neste post]

Ou seja, muitos juízes em Portugal dão mais relevância ao princípio da salvaguarda do bom nome e reputação individuais do que à liberdade de expressão – mesmo quando não se está a injuriar, insultar, caluniar, mesmo quando se está a dizer a mais pura das verdades.

Depois do corte pode ler toda a argumentação que conduziu à decisão do juiz.

Note que a passagem da versão em pdf (2.6MB) da sentença, para texto corrido pode ter gerado alguns erros, em caso de dúvida não deixe de consultar o original. A formatação foi refeita por mim, assim como a criação de alguns links e aplicação de negrito a algumas passagens.

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O Grillo que se faz ouvir em toda a Itália

Imaginar o blogue mais lido da Itália… Mais de 1000 comentários por post. Quantas visualizações…

O blog de Beppe Grillo é qualquer coisa. (O Aventar um dia lá chegará!!)

Grillo («o comediante despenteado») criou, além do seu blog há uns anos, o Movimento 5 Estrelas que acaba de conquistar 4 câmaras nas eleições municipais no seu país.

Grillo não vai à televisão. Defende a democracia direta e sonha com “cidadãos que se elegem entre si” através do seu movimento, “um instrumento ao serviço dos cidadãos para lhes permitir administrarem-se a si próprios”.

Segundo o Público, onde descobri o Grillo, “as suas listas juntam desempregados, estudantes ou professores. Gente normal com vontade de fazer política de outra forma. Gente jovem.” [Read more…]

Seja você o juiz

Quando no ano passado um representante da Unicef me bateu à porta fiquei com uma dúvida que persistiu até há dias, quando, involuntariamente, imagino, um meritíssimo juiz trouxe à luz as escuras práticas de alguns grupos que, eufemisticamente,  se apelidam de empresas.

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O ex-espião, os sms e a jornalista

Tenho um ex-espião que me manda sms sem eu lhe solicitar.  Ele é clippings pela manhã, listas de nomes à tarde, sugestões de gente a empregar à noitinha. Coisas de espionagem, zero, segredos militares, niente, manobras de bastidores e ameaças à segurança do estado, nem sinal. Esses recebe-os um vizinho meu, reenviados por um cunhado que mora em Alguidares de Cima e por via de um outro ex-espião que faz o favor de os partilhar com o dito cunhado.

O meu vizinho, que é um tipo porreiro mas algo linguarudo e com a mania de armar aos cucos, volta e meia descai-se e revela-me algum material confidencial a que chama top-secret.

Ora, o homem, se mos mostra, dá-os também a conhecer ao resto da vizinhança. Andávamos nisto, fazíamos uns petiscos, bebíamos uma cervejinha no café cá do bairro e, como se acabou a bola, íamos conversando sobre coisas de espiões e segredos de estado.

Nunca, como nos últimos tempos, os moradores da minha rua se deram tão bem:

– Já sabes aquela da tal célula terrorista que anda a preparar um atentado?

– Sei, pá, sei, contou-me o Lopes que foi informado pelo Teixeira do 3º esquerdo. Até me disse os nomes dos cabecilhas mas eu não fixo nomes estrangeiros.

O pior foi ter aparecido aí uma jornalista a fazer perguntas. Quer dizer, o pior nem foram as perguntas, foi a jornalista ter dito ao meu vizinho que precisava de ter respostas em trinta e dois minutos. [Read more…]

Cantando processarei por toda a parte, se para tal me ajudar o engenho que não tenho arte

Depois de publicar o vídeo sobre a Segmento Azul, descubro agora que está tudo processado.

Lei de Arrendamento e Repúblicas

Explicado este assunto republicano, sempre acrescento que até o PSD tem deputados que podem fazer um desenho à ministra.

Segmento Azul, a saga da Ambição Internacional Marketing continua

Ou como conseguir projecção nacional através dos tribunais.

Entretanto os comentários vítimas de providência cautelar apareceram no Pasterbin. Aguarda-se a todo o momento que um juiz português mande suspender a internet. [Read more…]

Dívida Existencial

Como é que esta hábil mocinha consegue isto? O que é que ela tem que eu não tenha?! Sou infinitamente mais bonito que ela, diz-mo o meu espelho e o meu Facebook, e eles não mentem. Ok, visto a mesma roupa quase uma semana inteira e só mudo de calças [de ganga, sempre de ganga!] quando já começam a cheirar a uma multidão de romenos na gare da Trindade, mas é precisamente para disfarçar essa minha drástica medida anti-crise, em consonância com o grande depenar nacional do Governo Passos-coelhoniano, que serve um bom perfume e eu não me poupo em borrifos. Lavo-me. E muito, tá?! Tudo bem que raramente mude de casaco, se ele me evita o frio e disfarça um bom ventre quarentão feliz. Passam meses sem comprar roupa.

Sim, também não tenho nem uso pulseiras, colares, nem relógios ou maquilhagem. Não percebo nada de malas, brincos, cintos, vernizes. Impressionante o sucesso reprodutivo de uma Pipoca, aliás cada vez mais chique e cada vez mais rica, dinheiro faz dinheiro e a publicidade, ali, é um tubo de gás natural acoplado ao furico da referida moça, cuja boca só pode regurgitar petróleo para a marmita.

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Que ficou do Es.col.a?

Não é preciso calcorrear muito o Porto para confirmar que a cidade se vai transformando numa sucessão de edifícios em ruínas. Propriedade privada e pública entregue às pombas e aos ratos, a ruir lentamente aos olhos de todos. Os proprietários privados não podem ou não querem recuperar os seus edifícios, ou simplesmente estão longe e tanto lhes dá (experimentem pedir o contacto dos proprietários de prédios em ruínas e verão quantos moram fora da cidade).

A Câmara do Porto não dispõe de meios para recuperar todos os edifícios sob a sua alçada, já sabemos. Ora, essa insuficiência de meios poderia fazer supor que a autarquia aceitaria de bom grado, até com gratidão, qualquer proposta de intervenção cívica, não dependente de subsídios camarários, que pretendesse reabrir espaços que a autarquia foi deixando encerrar e os devolvesse à comunidade, mas a actuação recente da autarquia demonstra, de forma totalmente ilógica, o contrário. [Read more…]