O elevado custo dos grupos prioritários de vacinação

À entrada da época turística estamos aflitos com o aumento de contágios e internamentos em algumas zonas do país particularmente no grupo etário entre os 20 e os 40 anos.
Se não tivéssemos tontamente estabelecido grupos prioritários para vacinação, nomeadamente profissionais de saúde que não lidavam com doentes COVID e professores do 1º, 2º, 3º ciclos e secundário, estaríamos agora a vacinar cidadãos a partir dos 20 anos!

Os excelentes resultados só começaram a verificar-se quando se começou a vacinar por grupos etários, dos mais idosos para baixo, evitando assim, a mortandade e internamentos dolorosos a que assistimos a partir dos 60 anos.
Valeu a pena? Está à vista de todos: poderemos, em breve, perder o estatuto de país seguro para receber turistas como aconteceu no ano passado devido às taxas de incidência e de contágio na Área Metropolitana de Lisboa!
É preciso bom-senso, sim mas, acima do mais, coragem para decidir independentemente de grupos de pressão ou de votos em eleições vindouras.

O meu nome é Richard

Por ser de Esquerda, nunca poderia gostar deste Governo. Não obstante, aceitei todas as medidas desde Março de 2020. Afinal, era uma pandemia e ninguém estava preparado. Erros compreendem-se num contexto global de ignorância total.
Deixei de aceitar e de compreender.
Permitir festejos como os do Sporting Campeão e, muito pior, organizar de forma metódica a vergonha da Final da Liga dos Campeões ultrapassa todos os meus limites.
Nunca me preocupei minimamente com o vírus (viver não é assim tão interessante), mas respeitei sempre. Compreendi. Cumpri. Aceitei. Nunca por mim, sempre pelos outros.
(mesmo quando o meu melhor amigo me rejeitava só porque vinha nas notícias)
Não mais.
A partir de agora, sem máscara nem distanciamento social, o meu nome é Richard.

Vaticano criminaliza abusos sexuais em menores e adultos

Após ter criminalizado actos de pedofolia praticados por membros da Igreja, o Papa Francisco aprova a criminalização por abusos sexuais e assédio em sede do Direito Canónico, onde engloba o assédio sexual, a exploração menores para a pornografia, bem como as práticas que identifica como próprias de “predadores sexuais” adultos.
Pela primeira vez o Vaticano reconhece oficialmente o comportamento de “predadores sexuais” como criminoso.

Muito haverá ainda para fazer, uma vez que ainda nada é dito sobre a obrigação de denúncia às autoridades laicas de quem pratica esses crimes, mas é um passo importante para o reconhecimento de décadas de abusos sexuais dentro da Igreja.
Convém congratular a organização “Sodalitium Christianae Vitae”, sediado no Peru, que se dedica a averiguar queixas sobre alegados abusos físicos, psicológicos e sexuais tanto de menores como de adultos, por muito ter contribuído para este importante passo.
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Terceira intifada palestiniana contra a radicalização da ocupação israelita | Do cessar-fogo à guerra por outros meios | Semana #3

Sobreviventes prestam homenagem às quatro vítimas do ataque aéreo

 

Quando daqui a poucos dias a Federação Portuguesa de Futebol vender o seu prestígio para ajudar a lavar as mãos de Israel, no último jogo de preparação para o campeonato da Europa, fará sete anos do ataque aéreo à praia de Gaza, que tirou a vida a quatro crianças que jogavam à bola. Escolho o dia da criança para lembrar este crime de guerra, num território que é vítima de crimes de guerra em número suficiente para ilustrar todos os dias e onde as crianças não têm nenhum sossego. Como diz Gabor Maté, sobrevivente de Auschwitz, médico e ex-sionista: “na Palestina as crianças não sofrem de stress pós-traumático porque nunca há o ‘pós’ e o trauma se acumula indefinidamente”. Fernando Gomes, presidente da FPF, Fernando Santos, treinador, Cristiano Ronaldo, capitão de equipa, e os jogadores que aceitem em silêncio este ultraje, devem saber que não estão a jogar um simples jogo de futebol. Estão a ser usados pela propaganda de um estado confessional e criminoso, para o ajudar a esconder o terror da sua natureza genocida. Temos provavelmente a melhor geração de jogadores de futebol de sempre, falta demonstrarem se são ser humanos à altura do seu talento. Apelo, do meu singelo lugar da arquibancada, para que se recusem a jogar e para que aproveitem a atenção da opinião pública para se juntarem ao lado certo da história, denunciando um regime que não pode continuar a ser normalizado por todos os campos da sociedade. Para Israel não se trata de um jogo, trata-se de um indulto que todos se devem recusar a subscrever. Todo o colaboracionismo é cúmplice, num tema onde a neutralidade joga a favor de quem agride.

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Joe Biden – mudança de política relativamente às Coreias

No passado dia 21 de Maio, na cimeira entre Joe Biden e Moon Jae-in, abriu-se uma nova página na política dos Estados Unidos relativamente às duas Coreias.
Biden recusa-se a continuar a tratar o Presidente da Coreia do Norte como alguém fiável para negociar, apontando para a ausência de qualquer evolução nas últimas 4 presidências, recolocando a Coreia do Sul como principal aliada e interlocutora para as questões da península dividida.

Se é certo que Moon Jae-in continua a não mostrar disponibilidade para abordar o dossier China, uma vez que é o principal parceiro económico da Coreia do Sul, é verdade que abre aos EEUU a sua fortíssima indústria tecnológica de chips, com o intuito de desenvolver uma parceria bem sucedida para travar e/ou rivalizar com a tecnologia 5G chinesa. Mau grado a tentativa de Trump de proibir os países europeus de aderirem à 5G, não foi bastante para evitar a sua disseminação por toda a Europa.
Biden não pretende [Read more…]

A PAC que os governos querem – Não admira Odemira

 

As negociações sobre a nova Política Agrícola Comum (PAC) da UE decorrem há mais de dois anos e a sua conclusão durante a presidência portuguesa é um dos grandes objectivos da ministra da Agricultura Maria do Céu Antunes. Porém,  ao quarto dia das negociações do trílogo (entre negociadores do Parlamento Europeu, o Conselho dos Estados-Membros e a Comissão da UE) ocorridas na semana passada, estas foram interrompidas sem acordo.

A principal razão deste falhanço foi a recusa do Conselho (governos nacionais) em se mover no que toca à questão da sustentabilidade, ou seja, quanto à percentagem das ajudas directas aos agricultores destinada aos regimes ecológicos, que o Parlamento Europeu queria que chegasse aos 30% e os governos fixaram em 20% – inicialmente queriam 18%. – não tendo sido possível fechar os 25%.

Note-se que já a exigência do Parlamento Europeu de 30% é demasiado baixa para a urgente mudança de rumo na relação com a Natureza.

Significa isto que os governos europeus querem deixar pendurados os agricultores que apostam na agricultura sustentável e estão-se nas tintas para o Pacto Ecológico Europeu e para os seus bem sonantes objectivos de protecção climática e ambiental.

Em Junho, os Ministros da Agricultura voltarão ao tema; ao serviço dos grandes exploradores da fertilidade da terra e da mão-de-obra quasi escrava.

Resta fazer figas para que o PE não se deixe ir na conversa.

Eurico Carrapatoso – Água Morrente do Pequeno Poemário de Pessanha

De Eurico Carrapatoso, “Água Morrente” do “Pequeno Poemário de Pessanha (4)”.
Coro Gulbenkian sob a direcção de Paulo Lourenço, Auditório Gulbenkian, Gravação da estreia a 7 de Novembro de 2014 (Portuguese première).
Encomenda da Fundação Gulbenkian por ocasião do 50º aniversário do seu Coro.

Rui Pinto e o chiqueiro da política

O chiqueiro criado por Salazar é o mesmo em que chafurda João Cotrim DE Figueiredo e André Ventura.
De Cavaco a Passos Coelho; de Marcelo a António Costa; de Ana Catarina Mendes a Telmo Correia, chafurdam todos no mesmo chiqueiro.
Todos eles têm medo do Rui Pinto e do que ele pode revelar sobre Ricardo Salgado e restante pandilha. Estão todos implicados, são todos amigos.
Vivem todos no mesmo chiqueiro.
Hoje, Fernando Paulo Ferreira, João Paulo Correia, Jamila Madeira, Isabel Oneto, Hugo Carvalho, Fernando Anastácio, Joana Sá Pereira, Cecília Meireles e João Cotrim DE Figueiredo foram apenas os porcos de serviço.
O dia 27 de Maio não foi trágico para a democracia portuguesa. Foi mais do mesmo.
Para aqueles deputados, aliás, foi só mais um dia no chiqueiro.

Sapiofilia

ALICIA TATONE / THE ATLANTIC

Ok, eu não sei o que aconteceu. Completamente contra a corrente do jogo, o Doutor Anthony Fauci desbocou-se todo: afinal o homem não está convencido de que o vírus tenha surgido de forma natural e é, portanto, provável que a sua origem tenha sido o laboratório de virologia que – também por sua admissão – beneficiou de investimento americano. Alguém que me segure, porque eu estou prestes a colapsar de perplexidade. Como dizia um filósofo, “Qu’informação dramática!”. Sim, Trump enunciou por diversas vezes essa possibilidade, mas eu assumi naturalmente que o fazia por ser racista. Vamos a ver: então o vírus surgiu em Wuhan – cidade que aloja um instituto que faz perigosas experiências com vírus destes –  foi encoberto por um regime que tem um controlo cada vez mais sufocante das instituições internacionais, um regime que discutiu em 2015 a possibilidade de utilizar estes vírus como armas biológicas e cuja repressão global em que tudo isto resultou vai completamente de encontro aos objetivos do Great Reset do World Economic Forum, e estão a dizer-me que pode não ter sido tudo um acidental fenómeno da natureza? Chocante.

Não sei o que justificou esta alucinante pirueta de discurso. É particularmente relevante ter surgido já durante o mandato de um presidente que é tão comprometido pelo Partido Comunista Chinês que fez questão de abolir investigações à forte possibilidade de o vírus ter surgido no referido laboratório. Aguardam-se apetitosos desenvolvimentos. Não exclusivamente nas informações que começarão cada vez mais a vir à tona, mas também na maleabilidade de jornalistas, comentadores e inquisidores, perdão, verificadores de factos. A torção de colunas vertebrais atingirá flexibilidades impressionantes. Para já, deixo aqui um pequeno memorial a Dr. Anthony Fauci, grande senhor da epidemiologia que logrou ter a versatilidade de, num tão curto intervalo de tempo, sugerir o uso de nenhuma máscara, de uma máscara e de duas máscaras. Em memória dos agora idos tempos áureos da sua popularidade, partilho aqui estes cabeçalhos – reforçando que se tratam de artigos reais, e não de paródia – para que nunca nos esqueçamos de que a hipocondria atingiu uma dimensão tal que os daddy issues das americanas vieram todos ao de cima: ficaram completamente apaixonadas por um senhor de 80 anos que não as deixou sair de casa.

Terceira intifada palestiniana contra a radicalização da ocupação israelita | Acompanhamento | Semana #2

Ao final da segunda semana a radicalização da ocupação israelita vê-se forçada a recuar, não obstante o seu poderio militar e a brutalidade da destruição imposta, sobretudo na Faixa de Gaza. A Palestina venceu em várias frentes, apesar das 250 vítimas, um terço delas crianças. Em 73 anos, Benjamin Netanyahu é o líder mais fragilizado da história do campo sionista e a resistência palestiniana ganha pela primeira vez o apoio de massas da opinião pública mundial. Israel estava apostado numa espécie de “solução final” com a sua radicalização, provocada estrategicamente a partir das questões de Jerusalém, mais saiu mais isolado que nunca, com um líder sem legitimidade, no limiar da guerra civil dentro das fronteiras da ocupação e com menos margem para continuar o genocídio do povo palestiniano com a impunidade com que o tem feito até agora.

Aqui fica o arquivo no Aventar do acompanhamento da segunda semana do conflito, da inédita greve geral ao cessar-fogo:

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Falemos de Ceuta…

[Paulo Santos]

Num mar de sensacionalismo importa repor a verdade.

 

Nos últimos dias a entrada de mais de 10.000 ilegais em Ceuta tem estado na ordem do dia e perante mais um evento polémico não faltou o habitual: uma multidão de pessoas pouco informadas sobre o assunto a dar os seus cinco tostões. No meio disto não faltou o típico sensacionalismo dos media, a procurar passar imagens parciais e que pouco davam a conhecer a realidade do problema mas tinham todo o potencial de se tornar virais, tal como tornaram. Tendo isto em conta importa, antes de mais, contextualizar este grupo de pessoas que invadiram Ceuta.

Devido à vulgarização do termo “refugiado” para definir todo e qualquer individuo que chega a um país ilegalmente por via marítima importa lembrar que não, nenhum destes cerca de 10.000 indivíduos beneficia de qualquer estatuto de refugiado. Marrocos não está em guerra, não foi alvo de nenhum desastre natural nem houve qualquer pedido de asilo por perseguição do governo a algum destes cidadãos. Este deve ser o ponto de partida da análise a esta situação. Como tal, nenhum destes indivíduos estava desesperadamente a lutar pela sua sobrevivência, nem a fugir do terror da guerra ou das garras de um governo sanguinário que o aniquila, nem a procurar abrigo depois de um desastre natural.

Dada a ausência deste desespero, tantas vezes caracterizante de certas travessias do Mediterrâneo, não é de espantar que esta travessia de Marrocos a Ceuta não seja minimamente equiparável a tantas outras a que fomos assistindo, como por exemplo as diversas chegadas a Itália. Na verdade a fronteira entre Ceuta e Marrocos não passa de uma simples vala de 8kms de extensão, com um gradeamento de 10m de altura do lado espanhol e 2m do lado marroquino. Esta vala tem uma pequena extensão para o mar e são raras vezes em que a fronteira é ilegalmente transposta por via marítima já que Marrocos tende a proteger o seu lado da fronteira, como é sua obrigação, tratando-se da forma menos comum de realizar a travessia ilegalmente. Nas vezes em que a fronteira é ilegalmente transposta essa entrada ilegal acontece maioritariamente por terra, muitas das vezes com ataques às autoridades espanholas mas raramente em números maiores que poucas dezenas. A travessia marítima que vimos apenas aconteceu porque as autoridades marroquinas não só o permitiram, como ainda o incentivaram, não tendo aqueles que passaram a fronteira incorrido em risco significativo de vida, pelo menos não mais do que correm aqueles que gostam de nadar no mar um pouco mais longe da costa, tendo a extensão da fronteira para o mar cerca de 35 metros.

 

Devidamente contextualizado este acontecimento, [Read more…]

Puxa mais um pintelho de cona que uma junta de bois!*

 

 

*Já dizia o meu avô, e assim se diz no Minho!

Num arcaico urinol

 

numa ruela de Lisboa à beira do Castelo, alguém, inspirado, escreveu assim:

 

Francisco J. Marques caladinho….

…. era um Poeta. Vamos lá ver, além de não ter razão na questão da carga policial (aconteceu o mesmo em Alvalade), esta é a hora de se dar os parabéns a quem ganhou. Não custa nada: Parabéns Sporting. O FJM não é mais portista que eu. Quando muito será tanto. E sabe perfeitamente que se o FC Porto estivesse outra vez 19 anos sem ganhar nada e fosse campeão este ano, nem a pandemia nem as cargas policiais evitariam festejos de arromba. Sabe o FJM e sabe, certamente, aquela coisa que está de Ministro da Administração Interna, o tipo que segundo o último “PodAventar – Esquerda, Direita, Volver” só ainda está ministro porque deve ter uns “nudes” do Costa. Este último e a Dona Graça não prepararam o momento. Como costume. Era assim tão difícil abrir as portas de Alvalade, de forma controlado e deixar os adeptos festejar com a equipa em segurança?

 

Vai-te a eles, Cotrim!

Passa mais um dia e a parece que não há esquerda competente a refutar liberais. Começa a ser cansativo precisarmos apenas de desfazer as mentiras e não debater propriamente assuntos. Mas compreendo, fica difícil argumentar contra as ideias que maiores benefícios trazem para as pessoas, deixando de alimentar os vícios do Estado e dos seus minions.

 

Ontem, o João L. Maio teve de recorrer a um tweet de 2019 para tentar encontrar alguma incoerência no discurso do deputado único liberal, o João Cotrim Figueiredo. Mais: é sobre uma notícia de 2008. O João diz que o João Cotrim Figueiredo, “em 2008, na qualidade de administrador da PH (Privado Holding), detentora, na altura, do BPP (Banco Privado Português), pediu ao Estado 750 milhões de euros (tendo recebido 450 milhões)”. Mesmo 12/13 anos depois, é necessário espalhar mentiras? João Cotrim Figueiredo foi nomeado administrador da PH em Janeiro de 2009 e esteve apenas meses. Se ao menos as datas batessem certo, podíamos estar aqui a discutir a situação, mas nem isso.

 

Não sei ao que leva à esquerda precisar destas mentiras e aldrabices de pensamento. Talvez se deva à sua inveja por pessoas bem sucedidas revestida por uma luta pela igualdade social. Em relação a ontem, quase de certeza que se deve à coerência liberal. Aqueles que defendem lucros privados e prejuízos privados. Que não escolhem amigos, quando está em causa o dinheiro dos contribuintes. Já o Tiago Mayan tinha enfrentado André Ventura, em pleno debate, sobre o Vieira. Desta vez, foi a vez do JCF brilhar e bem. Até teve um bom momento de humor e tudo.

 

Cotrim, vai-te a eles. E sempre que a cabeça deles inchar, sugere-lhes desenhos animados. Ouvi dizer que nunca acaba mal.

 

Agora vou fingir que esta época de futebol não existe e celebrar o oitavo aniversário do golo do Kelvin.

 

Esquerdecer do centro

Uma das conversas que vem sempre à mesa, quando alguma das franjas mais radicais tem uma postura pouco democrática para o outro espetro, é sobre o que são os extremos. Para analisarmos isto, temos de perceber, antes de tudo, onde é que está o centro.

É bastante comum ouvir que não há extrema-esquerda em Portugal. Normalmente, quem o diz é a própria extrema-esquerda ou então uma esquerda que precisa de aliados para combater a ascensão da extrema-direita. Chega a ser enternecedor ouvir os argumentos “complexos” da extrema-esquerda, desculpando-se com a existência de movimentos ainda mais radicais. Obviamente, há extrema-esquerda em Portugal e é representada também pelos comunistas e pelos bloquistas. Atenção, lá por ser extrema-esquerda, considero que o Bloco tem forças democráticas dentro do Partido e que são suficientes para me fazer confiar muito mais nele do que no PCP. Esta é a esquerda, não só partidária, que usa exatamente as estratégias que detesta no seu adversário. Ora, estigmatiza o outro lado, chegando mesmo a pedir a ilegalização de um partido, mas considera inaceitável uma declaração vergonhosa sobre o seu, como foi no caso de Suzana Garcia. Considera-se a verdadeira esquerda, a única possível, considerando tudo o resto, até uma esquerda mais aproximada ao centro, algo que distorceu os “reais” valores. Citando Francisco Mendes da Silva, “É uma lei infalível da política: quando um adversário se aproxima de nós, é porque é um livre-pensador; quando um dos nossos se aproxima do adversário, é porque é um traidor.”. Tem uma visão única para a sociedade, como se de uma disquete se tratasse. Demonstra-se contra instituições que promovem a paz, mas fecha os olhos a células terroristas. No fundo, quase ninguém se assume de um extremo, tal como nenhum criminoso diz “Pronto, fui eu, fui eu que matei o puto. Para que prisão vou?”. [Read more…]

E se fosse um adepto?

Na última segunda-feira, após o jogo entre o Moreirense vs FC Porto, um agente desportivo agrediu um jornalista. Obviamente, a discussão foi tornada num debate clubístico em que se tenta provar que uns são melhores do que outros. Parece que ainda não perceberam que é impossível racionalizar algo que apenas mexe com emoções. Mas pior do que isto foi não ter visto quase ninguém a falar do alegado crime em si – uma agressão. Também não vi ninguém a defender um tratamento especial aos agentes desportivos a partir de agora. O que não seria se tivesse sido a agressão de um adepto? Aí caía o Carmo e a Trindade. Aí teríamos de acabar com as claques. Aí teríamos de calar os adeptos. Aí teríamos uma ação policial digna de criminoso terrorista.

Não esqueçamos que, neste mês, houve episódios de abuso policial sobre adeptos do Sporting que foram apenas esperar a sua equipa. Vai haver cartão do polícia? Houve uma discussão grave que envolveu o treinador do Sporting e noutro episódio envolveu o treinador do FC Porto. Vai haver cartão do treinador? [Read more…]

V. Excias. estão equivocados? Não me parece.

Temos assistido aos pseudo arremessos do BE ao actual governo. Na área da Cultura a tónica tem sido na questão dos precários, nos apoios aos agentes culturais, e recentemente o estatuto dos trabalhadores da Cultura.

Não raras vezes é Ministério da Cultura para ali, Ministério da Cultura para acolá, e por aí adiante. Aliás basta ver o jornal Avante da SONAE, e por exemplo a voz do dono (Governo) neste artigo. Também noutras bandas é igual.

Enfim, a corte no seu melhor.

Mas voltando à questão, não existe Ministério da Cultura. Não no sentido irónico de dizer que esse eventual Ministério não actua, mas de facto não existe.

Desde 1974 até 1980 (6 anos) não houve nos sucessivos governos qualquer pasta governativa  dedicada à Cultura. A partir daí sempre houve Secretaria de Estado da Cultura  e/ou Ministério da Cultura. Com tudo o que isso implica. Em 2011, o Governo da troika extinguiu a pasta. Nesse governo não havia nem Ministério nem Secretaria de Estado. Havia um Secretário de Estado (Francisco José Viegas, e depois Jorge Barreto Xavier, ambos de triste memória). Na altura muita gente  usou o argumento de não haver Ministério. Mas referiam-se à Secretaria de Estado da Cultura, que não havia. Hoje, 2021, passados 10 anos, continua a não haver nem Ministério da Cultura , nem Secretaria Estado da Cultura. Temos uma Ministra e uma Secretária de Estado, mas ambas sem pasta, tal e qual como em 2011. Mas curiosamente o BE nada diz sobre a matéria. Aquilo que seria o exemplo de como o governo da troika tratava (mal) a cultura, não se aplica ao actual governo.

Percebo, e na minha terra esse comportamento tem um nome.

A democratização do dia da Liberdade

Há uns meses, os liberais foram criticados por defender, em alguns pontos, intervenção estatal. A esquerda, incluindo o primeiro-ministro, começou a criticar como se fosse alguma novidade. Sempre foi assim e continuará a ser: os liberais são atacados por aquilo que não são. Agora, a história mantém-se na mesma linha, mas os liberais já não são acusados de serem socialistas e estatistas. Agora são salazaristas.

Depois dos últimos anos, era mais do que esperado que para as Autárquicas este fenómeno aumentasse. A Iniciativa Liberal está a fazer tão bem o seu trabalho, que os adversários teriam de arranjar qualquer coisa para criticar o partido. Já fizeram o seu filme por causa de ajustes diretos que envolvem Bruno Horta Soares, como se os liberais fossem contra colaborações com o Estado e, obviamente, iriam continuar. Honestamente, pensava que mais tarde ou mais cedo ia aparecer a notícia tipo “Candidato Liberal à Junta de Onde o Diabo Perdeu As Botas não recicla”. Mas não, foi uma notícia que, numa perspetiva, coloca em causa os valores liberais. Supostamente, foram apresentados dois candidatos a Viseu que têm opiniões pouco liberais. Um optou por declarações fortemente desrespeitosas, a outra optou por algo ainda pior: deu a entender que admira Salazar. Ora, momentos infelizes qualquer um tem. Qualquer um já se excedeu atrás de um ecrã? Podemos dizer que sim. No entanto, fazer apologia a um regime que enclausurou o povo português? Não. Isso não. [Read more…]

E se a Celeste fumasse?

No dia 25 de Abril de 1974, uma senhora, a Celeste, estava no meio de uma Revolução. Entretanto, um militar perguntou à Celeste se tinha um cigarro. Ela respondeu que não, mas que tinha cravos e ofereceu um. Foi assim que Celeste começou a distribuir cravos e deu esta simbologia ao dia em que se deu o pontapé de saída para tornar Portugal democrático.

Agora, imaginemos que Celeste fumava. Imaginemos que não tinha cravos e tinha dado um cigarro. Ainda bem que não foi assim, pois não ia colocar miúdos a fazer cigarros de papel. Foram cravos. Os cravos que representam a nossa liberdade.

Nunca deixem que alguém vos tire a liberdade. Nunca queiram tirar a liberdade a ninguém. E por muito que sintam que do outro lado há pessoas dessas disfarçadas de democratas, não permitam que isso vos leve ao outro extremo. A luta pela liberdade deve ser feita por ela em si e não por ressentimentos.

Fiquem com a Grândola em versão Karviná tocada por uma professora de música checa. E fiquei com os cravos feitos por miúdos que todos os dias enfrentam desafios ligeiramente mais árduos que os meus. O 25 de Abril é de todos. Obrigado por terem festejado comigo.

Fascismo nunca mais!
Viva à Democracia. Viva à Liberdade!

Sócrates vs Madoff

Bernard Lawrence Madoff morreu na passada semana com 82 anos num hospital prisional da Carolina do Norte, na mesma semana em que o juiz Ivo Rosa pronunciou a decisão instrutória relativa à Operação Marquês. Há uma ideia errada em Portugal de que o caso de Madoff é um bom exemplo de eficácia da justiça e há até quem julgue que deveria servir de exemplo para a Operação Marquês. Nada poderia estar mais errado.

A obra de investigação “Too Good to Be True: The Rise and Fall of Bernie Madoff” de Erin Arvedlund, que condensa as décadas do esquema de investimentos fraudulentos de Bernie Madoff e o período após Bernie se ter entregue à polícia pelo seu próprio pé, mostra claramente que o sistema de justiça americano falhou a toda a linha. Ao contrário do caso Sócrates, a justiça americana nunca tomou a iniciativa de investigar com profundidade os negócios de Madoff. A prisão de Madoff apenas foi consumada em 2009 após o próprio ter chamado a polícia à sua luxuosa penthouse da 133 East 64th Street em Nova Iorque e de ter encenado uma confissão previamente ensaiada com a ajuda de um dos seus filhos sobre uma parte dos crimes económicos da sua empresa, alegando ter cometido todos os crimes sozinho.

Não foi na sequência de qualquer processo de investigação que Madoff se entregou às autoridades. Madoff entregou-se porque temia pela sua vida, quando estava a ser quotidianamente ameaçado pelos seus credores que lhe exigiam de volta o dinheiro investido no seu esquema fraudulento, na sequência da crise financeira de 2008. Apresentando-se como culpado de crimes que não estavam a ser alvo de investigação, o processo seguiu para julgamento sem que qualquer investigação fosse lançada para verificar se existiam mais crimes e mais gente envolvida. A sua entrega voluntária criou assim um impasse no seu processo que apenas permitiria a abertura da investigação muito tardiamente, possibilitando imensa destruição de prova, ocultação de fundos e inúmeras fugas à justiça de familiares e de mais de uma centena de cúmplices à volta do mundo, de Londres a Singapura. Pouco mais de meia dúzia foram condenados até hoje. Por exemplo, Ruth, a sua esposa, que participou desde o início (desde os anos 60) no esquema fraudulento de Madoff, captando dezenas de investidores, não foi presa, nem condenada, nem sequer investigada. [Read more…]

Volta, Passos, estás perdoado

O PSD de Rui Rio é uma casa a arder. É uma oposição absolutamente incapaz de acrescentar, de se afirmar e de ombrear com o PS, colocando-se, não raras vezes, no papel de muleta de António Costa, em situações tão degradantes como a partilha das CCDR-N ou o fim dos debates quinzenais no Parlamento. Quando não está a fazer fretes ao governo, ou oposição a roçar a mediocridade, degladia-se com o Chega, que normalizou com o tiro de bazuca nos pés que deu nos Açores, e que custará caro, muito caro ao seu partido. E entre Suzanas Garcias e Isaltinos, iliberalismos e bafio a Estado Novo, o futuro próximo deste PSD parece passar mais por uma luta com o Chega, pelo controle do lado direito do espectro, do que por um embate com António Costa pelo controle do país.

Sou de esquerda, nunca votaria neste PSD (ou no anterior), mas nem por isso retiro qualquer prazer ou satisfação da situação em que o PSD está mergulhado. Acima de tudo porque Portugal precisa de uma alternativa à direita, mais ainda agora que os neofascistas parecem imparáveis no acambarcamento do eleitorado conservador, do qual o PSD ainda é o principal guardião. Mas Rio não está à altura da tarefa. Nem lá para perto. Lidera, de longe, a pior direcção de sempre do PSD. Tão má, tão fraca, tão recheada de nulidades e incompetentes, que me vejo na inesperada situação de afirmar o bizarro: volta, Passos! Estás perdoado.

Amar pelos dois. Por todos.

Ontem, ficámos a saber que, para alguns, o 25 de Abril e a Avenida da Liberdade são propriedade privada de uma franja da sociedade. Franja essa que decidiu monopolizar os bons valores de liberdade e democracia que terão sempre como data maior o 25 de Abril. Portanto, democrata? Sim, mas se fores democrata como eu quero.

 

A Associação 25 de Abril tentou impedir a Iniciativa Liberal de ir à marcha no dia em que se celebra a revolução que tirou Portugal de uma ditadura. Um partido que representa cidadãos na Casa da Democracia foi impedido pela A25A como se esta fosse proprietária da Avenida ou das celebrações. O mais lamentável disto não é a atitude da Associação, que surpreende um total de zero pessoas, pois há ódios ideológicos que se sobrepõem ao amor à democracia. Tanto protestam que os outros não ligam ao 25 de Abril como tentam evitar que vão às celebrações. O mais lamentável é ver que isto é encarado com normalidade. É certo que a democracia não fica em causa com este tique ditatorial, até porque se trata de uma associação que se apropriou de uma data de todos, mas devia causar algum desagrado a uma sociedade democrática. Ou democracia é só saber que podemos votar de 4 em 4 anos? Da mesma forma que se algum anormal desenhar uma suástica numa parede, também não fica a democracia em causa, mas mau é se acharmos normal. Mas não, pelo contrário. Confortavelmente, quase ninguém da esquerda, principalmente das forças mais radicais, se mostrou contra. Sendo que alguns até acharam uma boa atitude. Admira? Não, não admira. São gente que confortavelmente defende que o 25 de Novembro não é decisivo também para a nossa democracia. Isto, amigos, é a esquerda portuguesa? Errado. Deixemo-nos dos maus exemplos e falemos do melhor momento de ontem nas redes sociais. O Partido LIVRE convidou a IL e o Volt a juntarem-se à marcha. Mais uma vez, o LIVRE a mostrar que é a única esquerda que é progressista e contra dogmatismos. E também aproveito para aplaudir a atitude de Rodrigo Sousa Castro, que se colocou contra a atitude da A25A.

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Até no futebol: mais capitalismo, menos amiguismo!

Houve algo que sempre me fascinou no futebol. Mais do que grandes golos, belos passes, jogadas monumentais. É o sonho. O sonho daqueles que ambicionam sempre mais um bocado e, por vezes, conseguem feitos que nos fazem querer a todos sentir um pedaço daquele momento. Quem não vibrou minimamente com a chegada do Braga à final da Liga Europa? A ida do Paços de Ferreira à Champions? A ida do Leixões à Taça UEFA por ter chegado à final da Taça de Portugal? Com o Leicester Campeão? Com a chegada do Ajax às meias-finais da Champions? Com a passagem do Porto contra a Juventus?

 

O futebol tem destas coisas. O futebol dá-nos uma certeza: ganha quem marcar mais, quem conseguir melhores resultados. As dimensões dos campos são as mesmas, as balizas também e o campo é plano. [Read more…]

O FC SHeriff Tiraspol e a Superliga Europeia.

Quando na época passada O FC SHeriff Tiraspol da Moldávia defrontou o Cercle Sportif Fola Esch do Luxemburgo, provavelmente nenhum de nós terá naturalmente ligado muito. Nessa eliminatória, o campeão de um dos países mais pobres da Europa defrontou o vencedor do país mais rico. Mas naquele jogo quase insignificante não estiveram apenas dois clubes, mas sim símbolos de países, cidades e culturas. Um bocadinho da Europa esteve ali. Uma Europa que não pertence a esta Superliga.

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Carla Castelo: A Liberdade que nos falta

(Carla Castelo, Consultora na área da Comunicação e Ambiente,Co-Fundadora do Movimento de Cidadãos Evoluir Oeiras e ex-jornalista da SIC)

 

Memória de Abril sempre

Quantas vezes cantei “Uma gaivota, voava, voava (…) Como ela, somos livres (…)”
Em correrias de miúdos à solta
Numa azinhaga de pó entre prédios e campo?
Eram tempos em que nada sabia do inverno da ditadura
E me parecia que seria primavera todo o ano
Desse tempo, guardo o vermelho das papoilas sopradas pelo vento
Na encosta que se estendia para lá da via rápida
E a sensação de que, se quisesse,
Poderia correr para sempre seara adentro
Num voo rasante até ao mar.

 

Ainda não tinha 4 anos quando aconteceu o 25 de abril e só muito mais tarde compreendi o significado do dia, de tudo o que ficava para trás, permanecendo como um pesado legado, e do caminho que então se abriu. Mas tenho várias memórias das discussões políticas que me escapavam, e da efervescência que se viveu naquela segunda metade da década em que nasci. Lembro-me das passeatas com outros miúdos em que cantávamos e celebrávamos qualquer coisa que para nós era apenas o presente de correria e de brincadeira na rua.

Tendo crescido numa família patriarcal, a ideia de liberdade começou por ser para mim um ideal de autodeterminação. Poder fazer o que quisesse e com quem quisesse, sem dar satisfações a ninguém. Ser dona de mim, do meu corpo, das minhas opiniões, da minha forma de ser e de estar. Décadas depois, o meu ideal de liberdade foi-se ampliando, muito para lá de mim própria e das minhas irmãs, às outras mulheres, às pessoas LGBT, negras e ciganas, e a toda a comunidade da Terra, que inclui seres vivos e ecossistemas. A comunidade ética da Terra de que fala Aldo Leopold (A Sand County Almanac) e o alargamento da consciência social que passa a ser também uma consciência ecológica.

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Do 25 de Abril à Pandemia: O estado da liberdade em Portugal e os nossos leitores

Começamos hoje a publicar os textos de autores convidados relativos ao 25 de Abril, à pandemia e ao estado da liberdade em Portugal.

No Aventar, os comentários dos leitores, por norma, não são moderados. Nunca foram.

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Um país cobarde tem os Sócrates que merece

José Sócrates é corrupto. E foi Ivo Rosa quem o disse. Mas antes de Ivo Rosa o dizer, já nós o tínhamos sentenciado. Porque a informação disponível nos convenceu disso. Da parte que me toca, e sabendo que a minha opinião de jurista virtual, no que à aplicação da lei diz respeito, vale zero, há vários anos que não tenho dúvidas que Sócrates foi corrompido, que usou o seu cargo para favorecer amigos e militantes do partido, entre outras cunhas, que lesou financeira e moralmente o Estado, que utilizou recursos públicos em benefício próprio, ou para pagar favores, para não falar nas múltiplas fraudes cometidas.

Dito isto, e voltando a um tema que me é caro, porque inclusive já cheguei ao ponto de uma antiga chefia directa me dizer, no final de uma avaliação anual, que “fizeste globalmente um bom trabalho mas tens que parar de escrever e denunciar situações relacionadas com a CM da Trofa, mesmo que tenhas razão, caso contrário deixará de haver lugar aqui para ti, porque existem pessoas com muito poder e influência a exigir que sejas silenciado ou despedido”, quero dizer-vos duas coisas:

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À Moda do Medina:

(Texto do Autor Convidado Jorge Cruz)

A destruição do edifício do Diário de Noticias, na Avenida da Liberdade em Lisboa, é um escândalo e um sinal dos tempos que vivemos em que o capital destrói tudo, mesmo com um governo que se diz socialista, ou social democrata, eles próprios não sabem o que são, e suportado por partidos que se dizem de esquerda, supostamente defensores do património e dos valores culturais.Tanta defesa do património, tantas classificações de património da Unesco, tanta cagança com o património, e todos os dias se arrasa e destrói património. E tudo disfarçado de grandes “recuperações”, porque se “mantém a traça” e se “mantém a fachada”. Tudo o resto é destruído, demolido, alterado.

O edifício do Diário de Noticias, do Arqt. Porfírio Pardal Monteiro, um dos mais icónicos edifícios da boa arquitetura existente em Portugal, desenhado para ser uma sede de um jornal com escritórios, redacção, gabinetes, salas de jornalistas e tudo o demais pensado para aquela função específica, foi travestido para edifício de apartamentos. Mantiveram a fachada, deixaram o anúncio luminoso, a entrada foi salva, e ficou um guichet de vidro e alumínio como símbolo da destruição perpetuada. Para que serve termos um Ministério da Cultura, uma Direcção Geral do Património Cultural, uma Câmara Municipal com serviços técnicos, tantos técnicos especialistas e serviços para analisar projectos e dar pareceres, se depois, quando há alguma coisa que deve ser salvaguardada, defendida, protegida, ninguém faz nada, ninguém cumpre com o seu papel?

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Aos jovens da minha Terra

Sou o Francisco Salvador Figueiredo, tenho 21 anos, estou matriculado em Filosofia – sim, “matriculado” é a palavra certa – e estou a trabalhar em Karviná (República Checa) num projeto de voluntariado com crianças deficientes. Não, isto não é uma apresentação nos Alcoólicos Anónimos. Estejam descansados.

Nasci no Porto, vivi no centro do Porto desde os 10 anos e ainda tive uma passagem por Lisboa. Sim, faço parte dos privilegiados, seja lá o que isso for. Sempre me interessei por política. Era defensor da Marisa Matias em 2016, porque a história de vida dela e a sua qualidade em unir pessoas de várias cores políticas me fascinavam. Simpatizava com o Bloco, porque tinha 16 anos, queria igualdade, liberdade e tudo na paz. Entretanto, as minhas ideias foram caminhando para a direita e desde aí já pensei muita coisa, mas instalei-me rapidamente no Liberalismo. Atualmente, considero-me um liberal em toda a linha, focado no indivíduo e na liberdade como um bem em si mesmo. No entanto, este texto não é para falar da minha ideologia, é um texto dirigido para as pessoas da minha geração.

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