Gente como a gente

Mostrar que isto pode ser outra coisa. Ter a sobriedade dos humildes e a ousadia dos combatentes. Romper com os elitismos e os consensos de cavalheiros. Conservar a honra e a palavra certa. Ser de confiança, tão certo como justo. Lutar sempre, até ao fim, na enchente e no recuo. Saber sair, de pé e com dignidade. Ser gente como a gente. Que a luta por uma vida melhor também é isto. É sobretudo isto.

Obrigado, Jerónimo.

Quando morre um fascista

Quando morre um fascista, o país levanta-se num alvoroço bafiento de carpideira saudosista. Quando morre um fascista, as televisões louvam “o democrata histórico” que reabriu um campo de concentração para encarcerar patriotas africanos. Quando morre um fascista, os jornais falam no “humanista sereno” que acompanhou toda a História recente de Portugal, esquecendo-se convenientemente de referir que não só a acompanhou como nela participou, do lado dos torcionários e esbirros que a queriam presa a ditames e obediências. Quando morre um fascista, o centrão dos contorcionismos destaca o “académico brilhante” que ajudou a teorizar e divulgar a infame teoria do lusotropicalismo, que nos apresentava como um povo fadado para o contacto entre os povos, ainda que esse contacto se fizesse à base da força bruta e da submissão violenta do Outro. Quando morre um fascista, os papagaios do reino desfazem-se em elogios ao “grande senhor” que aceitou ser ministro das colónias no início da guerra colonial, sinal supremo de coragem e abnegação de um patriota imaculado. Quando morre um fascista, o presidente da República (ele próprio filho de um outro fascista) homanageia institucionalmente o defunto, falando pretensamente em nome de todo o país. Quando morre um fascista, isto é mesmo tudo um putedo.

Quando morre um fascista, e face ao (quase absoluto) consenso relativista e branqueador, o dever do antifascista é recordar o fascista como aquilo que ele foi, sem pejos nem benevolências de hora fúnebre. Quando morre um fascista, o dever do antifascista é recordar as vítimas desse regime odioso que o fascista serviu. É resgatar a memória dos mortos que não ficaram na História. É não calar a colaboração, o servilismo, a participação do fascista em décadas de silêncio forçado. Adriano Moreira, por mais branqueado que seja pelas televisões, pelos jornais, pelos papagaios do reino, pelo centrão dos contorcionismos ou pelo presidente da República, foi um fascista. E é como tal que a História o deve recordar. As minhas condolências às famílias dos anticolonialistas africanos encarcerados pelo fascista (e herói temporário cá do sítio) no campo de concentração do Tarrafal, reaberto por Adriano Moreira enquanto ministro de Salazar.

Acaba o Cartão. Continua a repressão.

No final do ano passado, assistimos ao fim do Cartão do Adepto. Esse Cartão que era até então a maior aberração alguma vez feita aos adeptos portugueses. O esperado era que acabasse o Cartão e acabasse a repressão sobre os adeptos. Como é óbvio, não poderíamos estar mais enganados. A repressão mantém-se viva, a discriminação de adeptos continua, apenas desaparece o tal retângulo e os 20 euros que custava.

Este Cartão dava acesso às ZCEAP (Zonas com Condições Especiais de Acesso e Permanência dos Adeptos). Apenas nestas zonas são permitidas bandeiras, tarjas, faixas e afins com mais de 1 metro por 1 metro, megafones, tambores, etc. E para aceder a estas zonas é necessário ser maior de 16 anos. O objetivo proclamado por quem quis imitar algo que já falhou pela Europa fora era combater a violência. Como nunca foi um pano ou um megafone que fez de alguém mais ou menos violento, o objetivo real era claro: limitar a liberdade de expressão dentro dos estádios. [Read more…]

Labirintos

Que deleite é verificar que os fact-checkers estão tão perdidos na sua narrativa labiríntica que passaram os últimos dias basicamente a alegar: “Não foram as farmacêuticas que mentiram. Fomos nós”.

Doha a quem doer, 1-0 para os adeptos do Braga!

Depois de um trocadilho barato com a capital do Qatar, vamos a coisas mais sérias e mais caras. Não por podermos falar de preços absurdos, mas por custarem vidas humanas e não só.

Na semana passada, foi sabido que a Qatar Sports Investements, proprietária do Paris Saint-Germain, adquiriu 21,67% da SAD do SC Braga. Anteriormente, estes mesmos 21,67% eram adquiridos pela Olivedesportos. Felizmente, a SAD do SC Braga viu-se livre dessa gente da Sport TV que não interessa para nada. Fazem com que jogos sejam marcados para horas indecentes, controlam os direitos televisivos e isso parece tudo muito obsceno. É muito melhor ter participação da Qatar Sports Investements, que é subsidiada pelo Estado qatari, chegando mesmo a ser considerada propriedade do Ministério das Finanças do Qatar. E como sabemos, o Qatar é um exemplo de país no que diz respeito a direitos humanos. Estamos a falar de um país que criminaliza orientações sexuais, que não permite pessoas andarem vestidas como querem, que não respeita outras crenças… Mas isto do futebol une as pessoas e como o Mundial é lá, de certeza que tiveram bom senso. Certo? Errado. Recorreram a trabalho escravo que já custou a vida de milhares de pessoas para se prepararem para o Mundial. Entre dezenas de federações e uma FIFA que prontamente expulsou a Rússia de todas as competições, ninguém se levanta perante isto. Todos sabemos que quando se fala de democracia, o Qatar mete a Rússia num bolso. Hipocrisia por parte da FIFA e afins? Não, que ideia. [Read more…]

Mateus, 7:3

«Porque reparas tu no cisco que está na vista do teu semelhante e não vês a trave que está nos teus próprios olhos?»

(Ambos os artigos foram publicados hoje, na edição online do jornal Público)

16 anos do assassinato de Politkovskaya e aniversário de Putin

Há 16 anos, no dia de aniversário de Vladimir Putin, Anna Politkovskaya era assassinada na escadaria do prédio onde vivia. A prenda de aniversário para Putin vinha da parte de Ramzan Kadyrov, na altura primeiro-ministro da Chechénia e hoje presidente desta república da Federação Russa. Kadirov, filho do grande mufti Akhmad Kadyrov, é um islamista, um delinquente como Putin, com um vasto passado de violência, assassinatos, tráficos lucrativos, etc. O acordo com Putin era simples. Kadirov fazia o que bem entendia na Chechénia, repressão, corrupção, tráfico, etc., mas tinha a obrigação de garantir o fim das pretensões separatistas. Putin, em troca, transferia fatias generosas do orçamento de estado para a Chechénia e para a conta de Kadirov. Anna Politkovskaya era uma voz inconveniente para este negócio, denunciou este acordo tácito entre os dois, bem como os esquemas criminosos em que estava envolvido Kadirov, denunciou ainda a repressão, a perseguição a homossexuais ou as restrições à liberdade das mulheres chechenas.

Mas o papel mais importante de Politkovskaya foi a denuncia bem documentada e detalhada da natureza do regime de Putin e em especial das forças armadas russas. O que o mundo tem estado a descobrir desde fevereiro já tinha sido escrito e documentado por Politkvskaya no início da década de 2000. Caracterizou a podridão instalada no regime de Putin ancorada numas forças armadas profundamente corruptas, onde a mentira é moeda corrente e a desumanidade tem como principais inimigas as associações de mães de soldados russos, as únicas que Putin não teve coragem de triturar até hoje. É graças a estas mães que Anna Politkovskaya tem acesso a processos judiciais contra variadas patentes das forças armadas, processos que raramente têm um desfecho. Esses preciosos textos plasmam uma hierarquia militar alienada da humanidade, violenta, acima da lei, onde o valor da vida dos soldados é praticamente zero e onde se mente, mente, mente, mente e mente sem freio. Descrevem-se com detalhe praxes militares de violência extrema, onde se morre, ou ainda a falta de material no campo de batalha da Chechénia, a falta de um teto ou de uma simples tenda para dormir, a falta de alimentos e de água, soldados que são obrigados a pilhar supermercados para ter o que comer. Estes textos ajudam a perceber bem a desorganização e o terceiro mundismo das forças armadas russas que constatamos nas reportagens que nos chegam da invasão da Ucrânia. O exército russo pouco evoluiu desde a II Guerra Mundial. Se na altura era compreensível que o sucesso das forças armadas da URSS dependesse muito da massa humana, ancorado em perdas de imensas vidas humanas, já no século XXI isso não é aceitável.

[Read more…]

Como destruir a propaganda bolsonarista em 80 segundos

A jornalista brasileira Amanda Lima, mostra como se faz. Pega na notícia falsa, confronta-a com declarações oficiais e públicas que destroem por completo a mentira, e termina reduzindo o elemento bolsonarista a mero receptor/emissor de propaganda veiculada via WhatsApp, no questions asked. Isto sim, um conteúdo a considerar seriamente para o programa curricular de qualquer disciplina de Cidadania nas escolas. Pedagogia anti-fascista. Haja alguém que a faça.

Aplicações

Hoje é o dia em que nos despedimos da app StayawayCovid, e todos afirmarão com certeza que esta experiência totalitária falhada ficará registada como um dos mais pateticamente divertidos memes deste manicómio. Todos? Não. Um irredutível matemático – Jorge Buescu, um dos principais arautos da peste – continuou convencido de que a instalação de uma app teria sido a panaceia para uma pandemia devastadora. O que é que arruinou o brilhantismo desta solução? A absurda opinião pública. Ah, a opinião pública… essa subversiva entidade, especulativa, incontrolada, inimiga da ciência. Agora, olha, fodemo-nos. Ele avisou-nos. Como dizia o outro, “instalasses”.

Estes nerds autistas vêem-se com pivots giras a fazerem perguntas sobre o seu “trabalho” e isto vicia, um gajo fica agarrado e custa muito largar o mediatismo. No entanto, no caso do Jorge, o seu pessimismo parece congénito. Encontrei, por curiosidade, um livro da sua autoria na biblioteca da minha mãe, também ela matemática, mas daquelas matemáticas estranhas, que não trabalha com vírus nem apps. O titulo da obra, “O Fim do Mundo Está Próximo?” é sugestivo do seu carácter catastrofista. É de 2007, mas finalmente podemos dar a resposta: sim, Jorge, provavelmente. E a culpa é tua. Agora vai criar uma app que conte kilowatts.

A faculdade de exigir comprovativos de fatos

King. Euen as the rockes please them that feare their wracke.
Withhold reuenge deare God, tis not my fault,
Nor wittinglie haue I infringde my vow.
— Shakespeare, Henry VI, Part 3 (Octavo 1, 1595)

***

Efectivamente, a faculdade existe e, pior, encontra-se consagrada no Diário da República.

Esta javardice continua e os responsáveis também continuam a fingir que nada disto está a acontecer. Em vez de perderem tempo com “a fita encarnada” de Santana Lopes, perguntem-lhe mas é o porquê do “agora facto é igual a fato (de roupa)“. E aí está o busílis da questão. A culpa, garanto-vos, não é minha. A culpa é dos defensores, promotores e amigos do Acordo Ortográfico de 1990. Exactamente.

***

Focas

Foi a votos um país magnífico, inundado pelos fluxos incontroláveis de migrantes culturalmente hostis e brutalizado pelo fascismo covideiro que impediu tantos cidadãos de ganhar o pão. Consta que as focas gordas do primetime – que, bem treinadas, bastou mostrar-lhes o peixe e aplaudiram a segregação – estão em choque com o facto de os resultados não reforçarem o status quo. As focas gordas do primetime não vão perceber o que se passa nem quando estiverem a comer insectos à luz das velas – e Deus sabe a falta que lhes faz a comida. Digam-lhes, por favor, que acalmem o pito – até porque os governos em Itália mudam com quase tanta frequência como a indignação delas em relação aos “direitos humanos” dos italianos.

“Nosso Senhor não é mouco!”, disse a beata-mor

Persona 1 – Profissional feminino de igreja – no sentido depreciativo tão bem definido pela Infopédia – dando-se ares de sua dona, tem um ar acentuadamente masculino: na forma como se move, nos gestos, no corte de cabelo curto, no ar alegadamente piedoso como se curva profundamente perante o altar-mor da Igreja dos Terceiros, a arrogância de certas atitudes, o tom de voz…
Persona 2 – Uma pobre mulher, que se lhe vê nos sacos de plástico e na forma como os acarreta no suor de uma manhã de Verão exagerado, no ar doente, de maladias diversas e de diversos foros, desde logo o mental, no tom de voz que se afazeu desagradável na vida que o universo a obrigou a levar e lhe retira o sossego com que tem direito a viver, todos – aliás – temos direito a viver. [Read more…]

Um PS à direita da direita

No debate do Estado da União Europeia, uma espécie de Estado da Nação comunitário, Ursula Von Der Leyen defendeu a aplicação do badalado windfall tax às energéticas – ao qual António Costa e a sua maioria parlamentar insistem em resistir – e a flexibilização das regras orçamentais, para que não se repita o desastre que foi a resposta à crise do subprime e das dívidas soberanas. Mais do que defender esta ideia, a presidente da comissão foi mais longe e anunciou um windfall tax comunitário, com o qual espera arrecadar 140 mil milhões de euros.

Por cá, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, defendeu há dias que existem alternativas ao windfall tax, sem especificar quais. Eis o “socialismo” português em todo o seu esplendor: uma espécie exótica que se coloca à direita dos conservadores em matéria de políticas redistributivas, no momento em que elas são mais necessárias. Agora façamos um minuto de silêncio por todos os doutorados da universidade da vida que garantem que o PS está tomado pela esquerda radical.

Oremos.

Braga, um município de interesses

Diz-me alguém anormalmente bem informado no coração da cidade, em quem acredito porque devo e não porque seja levado a credenciar intrínseca ou extrinsecamente, que uma Junta de Freguesia de Braga interpôs recentemente uma acção contra o Município, devido a constantes atropelos da edilidade, exemplarmente por omissão ou por inconformidade entre os interesses do munícipe e os do dono do bar, aliás os dos donos dos muitos bares e os muitos munícipes, da zona histórica, donde, aparentemente, a Câmara quer expulsar os moradores que pagam IMI e portagem anual para aceder às garagens das suas residências.
E, se falo em IMI, é porque os moradores da zona histórica de Guimarães, por exemplo, não pagam IMI, algo a que Braga fugiu, vá lá saber-se porquê e com que intenção subliminar, tendo – como tem – uma zona com passado histórico bem propínquo ao da civitas rival minhota, quiçá mais importante que o vimaranense. [Read more…]

Estado de operação de Zaporijjia

 

Dos 6 reatores que constituem a Central Nuclear de Zaporijjia apenas 1 está em funcionamento. Um dos sete pilares de segurança de uma central nuclear é a garantia de ter em permanência alimentação elétrica exterior para fazer funcionar a central. Desde sexta-feira, a central de Zaporijjia deixou de ser alimentada pelas 4 linhas de 750 kV da rede elétrica exterior. A linha de alimentação de emergência providenciada por uma central a carvão foi ontem cortada na sequência de um incêndio exterior. A central ainda pode assegurar o seu funcionamento através de geradores a gasóleo ou através de um processo de realimentação utilizando um dos reatores, mas esta é uma solução para pouco mais de uma semana. Neste momento o único reator em funcionamento está a fornecer energia para que todos os sistemas de segurança se mantenham operacionais, em particular as piscinas de arrefecimento onde é guardado o combustível usado (durante cerca de 8 anos).

Outros pilares da segurança estão a ser seriamente comprometidos, em particular as condições de trabalho dos engenheiros e técnicos da central que têm sido tratados de uma forma totalmente irresponsável pelas tropas russas, impondo ritmos e organização de trabalho desadequados às exigências de segurança. O erro humano está ao virar da esquina.

Num cenário de a central ficar sem energia elétrica, perdendo a capacidade de arrefecer o combustível usado, uma série de acidentes de diferentes escalas poderão acontecer que vão desde a fuga de água altamente radioativa das piscinas até a um cenário semelhante a Fukushima. Em caso de mais bombardeamentos da central, a tipologia de acidentes pode ser muito mais complexa e difícil de estimar a sua gravidade. Recordo que em Chernobyl estivemos muito perto de ter uma explosão colossal com capacidade de contaminação gravíssima à escala continental (toda a Europa) evitada in extremis por 3 técnicos que arriscaram a vida por todos nós.

Hóquei (novamente) de luto

Em 21 de Novembro de 2012, no meu blogue pessoal de então, entretanto a hibernar há anos (http://letrasecoisas.blogspot.com/2012/11/o-hoquei-em-campo-esta-de-luto.html), escrevi, aquando da morte de José Machado, um dos maiores dirigentes que conheci, “A variante indoor foi praticamente introduzida em Portugal por ele, a par de José Nora, que lhe conferiram uma nova identidade. Com eles, esta variante passou a ser respeitada como a grande hipótese que tínhamos de fazer crescer a modalidade, ainda sem campos condignos para a sua prática na variante de campo. Então, se não tínhamos condições, havia que fazer formação num piso onde os mais jovens atletas tivessem condições mais próximas dos outros, os de lá de fora. E os títulos apareceriam: José Machado tinha uma fé enorme no atleta português e nas suas características inatas, o resto teria de ser feito através de trabalho”.
Hoje, no Aventar, atrevo-me a reverenciar o alter ego, o compagnon de route, de José Machado. É que, no passado dia 21, o José Nora faleceu.
Ambos eram um tandem permanentemente aberto ao futuro, sempre prontos a ideias e projectos, perduravelmente na vanguarda. Como atletas, fosse no Vilanovense ou no FC Porto, a par de outros emblemas dos muitos que, entretanto, se perderam, ou como treinadores e dirigentes, de clube, da Associação do Porto ou da Federação Portuguesa de Hóquei, nunca foram agentes desportivos cómodos nem acomodados. A modalidade e o seu futuro mexiam com eles.
Aí por 1974/1975, havia uns encontros de jovens no desporto, os ENDO e os JUVENDO, que englobavam novas modalidades ou mexiam com as existentes, num novo paradigma que pretendia criar-se para o desporto jovem em Portugal.

Vivia-se, então, no hóquei europeu, o aparecimento do hóquei de seis, ou de sala, jogado em pavilhão, o que permitia que os vultos da modalidade nos países mais frios pudessem praticar a modalidade em ambiente indoor, a coberto dos invernos rigorosíssimos. A Alemanha tornou-se líder dessa prática, dominou-a durante décadas sem permitir que alguém se aproximasse, até que um dia, sem contar, perde o primeiro europeu para a Áustria, que, entretanto, se tinha tornado uma potência.
José Machado e José Nora lá desenvincilharam uma tradução das regras, começaram a treinar miúdos, ainda formaram um clube – o Bairro do Cedro – cuja primeira camisola e projecto de símbolo vos mostramos, ainda fizeram um jogo não oficial com o Perosinho, no rinque deste, em 1975, mas em 1976/1977 já eram os infantis do Vilanovense, começando então a competir regularmente. Dessa equipa registamos alguns futuros internacionais absolutos e várias equipas de indoor nos diversos escalões de formação, que marcaram a primeira geração de grandes equipas (todos se lembram da era Vila, da era AA Espinho, da era Sport Clube do Porto, da era AD Lousada ou do Dramático de Cascais e CS Nun’Álvares ou como se tornaram referências as equipas de formação do Lisbon Casuals, Casa Pia AC e do CF Benfica, do GD Viso, do GD Carris…). Este enumerado não obedece a qualquer rigor histórico, apenas pretendi enunciar algumas equipas que pessoalmente me marcaram: umas, por uma, duas, três épocas; outras, por verdadeiras gerações. As que não me vieram à mente e à primeira, me desculpem: o Perosinho, o FC Porto (que vi desaparecer no meu tempo de Presidente da AH Porto, levada pelo mau feitio do actual administrador para o futebol profissional, o Eng.º Luís Gonçalves), o Ramaldense, essa fortaleza hercúlea no campo durante várias gerações, que, no entanto, não resistiu ao tempo, ainda que acredite na sua ressurreição, há muita gente apostada nisso. Ou Serzedo…
Os pioneiros arriscam-se, na sua forte personalidade e por serem constante incómodo para os interesses instalados, a cair no esquecimento de muitos.
José Machado ainda teve, em 2012, direito a um comunicado, com fundo negro da FPH, da tutela da modalidade, até porque José António Machado (a quem agradeço o suporte para esta publicação em datas, factos, competições e fotografias), filho de José Machado, era à data dirigente da Federação.
José Nora já não teve essa sorte. No vórtice de comunicação federativa, um estágio da selecção nacional; a despedida de Rodrigo Castro, a mais jovem esperança-certeza como atleta para a Alemanha, onde vai jogar ao mais alto nível, treinado por um português de Cascais, Bernardo Fernandes; as férias da eminência parda do regime; as intromissões à boa maneira dos haters das redes sociais, de dirigentes em questiúnculas de má índole dos futebóis ; a distracção do Presidente da FPH, figura incontornável como atleta dos maiores que Portugal algum dia viu e como árbitro, que vi brilhar internacionalmente, mas que, ao entregar o poder que tem de ser ele a exercer, está a perder toda a credibilidade que granjeou ao longo da sua esmeradíssima carreira; tudo isso roubou a José Nora o protagonismo numa morte humilde, calada. Até porque José Nora era vilanovense de nascimento, nunca jogou no Casa Pia, para quê avivar a sua memória?!
Por isso partiu, no silêncio de quem lhe deve, ainda hoje, um nome na modalidade. Porque da sua obra emergiu a realidade que permite a alguns estarem onde estão, terem sido quem foram, terem recebido as loas que receberam.
Porque não consigo separar ambas as almas, junto aqui o José Nora ao José Machado, que por certo foi recebê-lo com um enorme abraço à porta do paraíso. Onde, acredito, repousarão as almas com mau feitio, mas com corações de oiro e todos os sonhos do mundo na palma da mão. E terão sempre a sorte de não se cruzarem, como nós ainda do lado de cá temos que suportar, com os prepotentes desta realidade tão tuga, tão pequena, tão rede social, tão “marquetizável”.

O primeiro astronauta arguido

 

Enquanto está a decorrer o processo de seleção de astronautas da ESA através do qual Portugal poderá ter finalmente @ primeir@ astronauta, Mário Ferreira (imagem Blue Origin), igual a si próprio, está a tentar antecipar-se ao processo e pagar um bilhete num voo parabólico da Blue Origin para rapinar para ele o título de primeiro astronauta português. Uma coisa é certa poderá ter o fantástico título de primeiro “astronauta” arguido, esse será garantido. Quanto ao resto não me representa, nem como português, nem como astronauta (um espertalhaço num voo parabólico de 10 min. não tem nada de astronauta). Ele que leve uma bandeirinha de Malta e um crachá da International Trade Winds, a empresa offshore que ajudou a criar.
#espaco #fraude

PS- os humanos que voaram acima da linha de Kármán (que se convencionou ser a altitude a partir da qual é espaço) recebiam da Federal Aviation Administration (FAA) as Asas de Astronauta Comercial. A partir de 2022 esse critério foi abandonado pela FAA que exige que um astronauta realize atividades mais consentâneas com um verdadeiro astronauta do que alguém que faz um mero voo parabólico de 10 min. a bordo da Blue Origin ou de outra companhia que promova voos parabólicos turísticos.

Incêndios: o jornalismo de merda da CMTV exposto em 7 segundos

Abençoada mulher.

Malditos sensacionalistas.

Transfobia Gramatical

Sei que a reflexão que agora apresentarei não cumpre o agenda setting da sazonalidade das crises globais, que o Pride Month terminou e que o meu foco deveria estar agora nestes insustentáveis e inauditos vagalhões de calor à qual os nossos avós apelidaram erroneamente de Verão. Tendo em conta que considero estudar e discutir os elementos do clima tão fastidioso como assistir a Stranger Things estando sóbrio, pronunciar-me-ei sobre gramática, que domino com um bocadinho mais de familiaridade.

A prova definitiva de que a preocupação delirante com pronomes alternativos não é o reflexo de sensibilidades ou preferências individuais, mas sim mais uma importação das doutrinas perturbadas dos manicómios universitários americanos, é o facto de ninguém querer saber dos determinantes.

Os pronomes são utilizados para evitar a repetição de palavras já referidas; no limite, podem ser completamente evitados. Já os determinantes, no português, são pedidos pela língua, exigidos de cada vez que a expiramos. Até aqui, nestas curtas frases, já escrevi dezenas de determinantes, entre artigos, possessivos e contracções; e só usei um pronome aqui e ali. Eu não preciso de me referir a alguém como “ele” e “ela” se utilizar o seu nome. Já o uso dos determinantes, esse é ineludível. Alguém que vive o seu quotidiano dentro da língua portuguesa teria então no uso incorrecto dos determinantes, e não dos pronomes, uma dor de cabeça muito maior.

Até porque, em português, os determinantes assumem género: sejam artigos (o, a, os, as, um, uns, uma, umas), sejam demonstrativos (este, aquela, etc…), praticamente não conseguimos fazer referência a pessoa ou coisa alguma sem assumirmos um género para o determinante. Acontece que o inglês, essa língua bárbara moldada à imagem das cognições mais limitadas, utiliza raros determinantes e os que utiliza – tirando os possessivos – não variam em género.

[Read more…]

Rácios

Fizeram-no nas nossas barbas e nós, passivos internautas, resignamo-nos, que remédio: em Novembro de 2021, o Youtube removeu a contagem pública de dislikes de todos os seus vídeos. O botão continuou disponível, o número de likes continua a ser exibido, mas o rácio like/dislike já não está exposto.

A razão para tão bizarra e impopular decisão? Nobre, claro está, ou não se tratasse esta de uma corporação alinhada com o eixo do qual vemos emanar nada senão probidade. Alega a presidente, a Sra. Susan Wojcicki, que detetaram ondas de dislikes que prejudicavam imenso os pequenos e novos criadores de conteúdos (A Sra. Wojcicki é conhecida, aliás, pelas suas posições em defesa da liberdade dos seus criadores de conteúdos de crescerem independentemente das suas posições políticas e sociais. Mas a isso iremos noutro dia.)
 
Não é preciso chamarem o Poirot para descortinar o verdadeiro motivo desta mudança: o rácio like/dislike era tão hilariantemente negativo em relação a tudo o que se relacionava com o Partido Democrata, Joe Biden e o “combate à pandemia” que começou a tornar-se um glitch na Matrix difícil de ignorar. Os sapientes líderes do “mundo livre” sabem melhor do que ninguém a importância que tem a opinião das massas na moldagem das posições individuais. Usaram isso para todos os pontos da sua agenda criminosa. E as narrativas, para serem mantidas, têm de apresentar a ilusão do consenso à sua volta, precisam de ser blindadas com o escudo da inegabilidade, para que qualquer contestação possa ser descartada como loucura.
 
Eis o guião que temos todos de seguir para que os hamsters continuem, entretidos e sem sobressaltos, a correr na sua roda: Joe Biden foi o presidente mais votado da história dos Estados Unidos da América, logrando mais votos do que Barack Obama e Donald Trump, incríveis fenómenos de popularidade que arrastam legiões massivas de fanáticos seguidores. Ora, se esta premissa já custa aceitar com base no mero contraste entre o carisma de uns e a decrepitude oca do outro, é com certeza mais difícil acreditar quando toda a actividade online do Partido Democrata, ou de Joe Biden em particular, estava eivada de feedback negativo por toda a internet. E não o feedback artificial, incutido, afagador de egos anti-fascistas, propagado por celebridades do bem e propalado pela imprensa em letras garrafais e bombardeamento incessante dos talking points das linhas unidimensionais de pensamento virtuoso; mas sim o feedback do internauta comum, pobre, amante de memes, ignorado por uma cúpula cujos nobres se desligaram tanto da humanidade – quer física, quer espiritualmente – que agora têm dificuldades em sequer agir normalmente como seres humanos, quanto mais falar para eles.

Este feedback negativo estende-se, naturalmente, ao “combate à pandemia”, a maior experiência psicológica em massa da história da nossa incauta humanidade. Até hoje, continuamos a fingir que acreditamos nos preceitos mágicos da seita covidérica com medo da censura social que acarreta qualquer posição contrária (ao qual se juntou, naturalmente, a aversão à admissão do erro). Essa ideia de unanimidade – que os portugueses, tão bem amestrados, adoptaram como bons meninos que são – não foi igual em todo o lado: enquanto os covideiros se masturbavam com as suas fotos, uma grande parte da sociedade americana desde cedo se prontificou a denunciar os crimes hediondos do farsante e despótico Dr. Faucci. No processo de beatificação do salvador da nação, ousaram fazer um filme da Disney de adulação divina e o resultado foi o esperado: apesar das tentativas desesperadas de ocultar a chacota do povo – leiam a nota feita pelo IMDB – este é, sobre qualquer perspectiva, um dos filmes mais odiados de sempre, sem precisar sequer de ser visto. É descarada e abjeta propaganda e a internet, sem desiludir, correspondeu condignamente cuspindo-a fora.

 
A agenda globalista avança a todo o vapor porque é carregada por uma unanimidade mitológica, inexistente, mas artificialmente construída por uma brilhante estratégia, que orbita em redor da disputa social para ver quem tem melhor coração e quem se preocupa mais com as pobres minorias ucranianas não-binárias vítimas de racismo climático. As causas virtuosas – ambiente, rituais covideiros, Ucrânia… – são os escudos perfeitos a qualquer acusação de vileza. A olho nu se vê que todas estas causas são, claro está, burlescos teatros canastrões. Contudo, estar contra o pedantismo nojento destes fidalgos e contra as suas ditatoriais, opressivas e distópicas soluções é estar contra as próprias causas. Ousar questionar a perversidade indisfarçada desta oligarquia psicótica é colocar em causa o futuro da humidade.
 
Como poderia então a elite globalista, alicerçada no falso consenso que as suas marionetes asseguram existir e que tem nestas corporações como o Youtube os cordelinhos com que manuseia os nossos cérebros-fantoche, passar a ideia de que os líderes seleccionados a dedo e as suas ideias não são completamente populares? O risco era demasiado grande. Num mundo em polvorosa, a indignação começa numa acendalha e espalha-se em incêndios descontrolados de rebelião.
 
“Removam-se os dislikes“. A ordem foi dada no Capitólio.
 
Sem eles, volta a reinar a sua unanimidade; sem eles, Biden e Faucci são venerados. E tu, se não queres ser fascista, venerarás também. E sempre que um acesso súbito de consciência te fizer discordar dos seus preceitos perversos e falaciosos, o sistema estará aqui para te mostrar que estás errado, que a maioria discorda de ti e, pior, que a tua posição é perigosa, subversiva, jacobina, uma ameaça à ordem pública e, como tal, justifica-se o seu silenciamento, e o teu. Embalado pelos comprimidos de Soma, adormecerás esfomeado, despersonalizado e oco, um corpo moribundo que usará das suas derradeiras forças para acenar uma última vez a bandeira assassina da unanimidade virtuosa.

Construam-me porra!*

 

 

Há uma canção dos Xutos e Pontapés que começa assim – de Bragança a Lisboa são 9 horas de distância. E por aí fora. De Beja a Lisboa são mais ou menos 175 km de carro, 2 horas e pouco de viagem. Há um aeroporto em Beja. E porque não investir numa linha ferroviária, rápida, entre Beja (aeroporto) e Lisboa? Os custos (financeiros e ambientais) serão ridículos comparados com os custos de um novo aeroporto em Lisboa. Se o Ministro Pedro Nuno Santos, agora transformado em Egas Moniz, tivesse tomates (que demonstrou não ter), era isto que fazia, em vez de andar armado em Duarte Pacheco.

  • Pichagem existente no local de  Alqueva, muitos anos antes da construção da barragem.

Professores: O regresso dos mortos-vivos

Estão doentes durante o ano lectivo inteiro, mas ė vê-los a regressar todos ao serviço na última semana de aulas.
Parecem os mortos-vivos.
Nada de grave. Em Setembro, voltarão a cair de cama gravemente enfermos.
É uma minoria, eu sei. Mas uma minoria extremamente ruidosa. Fazem tanto pela má imagem pública dos professores como fez a escumalha de Maria de Jesus Rodrigues há uns anos.
Como é que eu explico isto a quem se queixa da escola?
O ensino público resistirá. Porque, apesar deles, continua a ser o único sistema justo, democrático e inclusivo.
Lições de moral não recebo. Sou de Esquerda, sou professor e nunca renunciei a alunos nem mandei outros colegas para o desemprego só porque as aulas tinham acabado.
Ao pessoal de Direita que pensa poder usar isto como guerra ideológica, pode dar meia volta.

«Somos o quarto país mais seguro do mundo. Somos um parceiro na construção europeia, numa Europa que não deixa ninguém para trás. Somos o segundo país da OCDE mais aberto ao investimento estrangeiro. E, de acordo com as projeções [sic] da Comissão Europeia, seremos o país da UE com o maior crescimento económico e a menor inflação em 2022, num contexto de contas públicas sãs e sustentáveis»

(António Costa)

Todavia:

«A digressão comemorativa do 60.º [fmv] aniversário do primeiro concerto dos Rolling Stones começa esta quarta-feira em Madrid e não passa por Portugal»

(Expresso)

***

O PSD de cabeça perdida, rendido aos métodos da extrema-direita

Tinha este rascunho de molho, e entretanto passou um mês. O PSD anda tão apagado que acabei por me esquecer que existia. Mas ontem lá tropecei numa notícia sobre as internas de amanhã, e a primeira coisa que me veio à cabeça foi esta absoluta imbecilidade de tweet. Existem muitas maneiras de criticar um partido ou governante, bem mais eficazes e inteligentes, e dignas também, mas isto é bater no fundo. É, inclusive, um grande favor que faz ao PS. Um “regime totalitário socialista”? Contrataram os estrategas de marketing do CH, foi?

O PSD é livre para praticar o estilo de propaganda política que bem entender. Vivemos em democracia e somos livres para exprimir as nossas convicções e opiniões sobre a realidade que observamos. O PSD, por exemplo, entende que ficou provado, pelo próprio António Costa, que o que Portugal poderá esperar deste governo é:

[Read more…]

A Sonae no país do sOciaLisMo

Em apenas dois dias, ficamos a saber que a Sonae bateu recorde de vendas trimestrais, na casa dos 1,7 mil milhões de euros, com lucros a ascender aos 42 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, e que se prepara para abrir um hotel de luxo nos Aliados, que custou qualquer coisa como 20 milhões de euros.

Ainda bem que o Estado injectou 450 mil euros no grupo, para o ajudar a suportar o aumento do salário mínimo. De outra forma, e a julgar pelas notícias que nos chegam, ainda corria o risco de declarar falência. A credibilidade do socialismo português está ao nível da existência do termo “democrática” na designação oficial da Coreia do Norte.

Matar e profanar o funeral: bem vindos ao apartheid israelita

https://twitter.com/jannisgrimm/status/1525071629675536384?t=mX5_XTZgn0yV-THVQ50ZEw&s=09

No funeral de Shireen Abu Akleh, militares do IDF irromperam por entre a multidão que se despedia da jornalista e distribuíram porrada a torto e a direito, incluindo àqueles que carregavam o caixão.

Só a pior da escumalha vai para um funeral à procura de confusão. Mesmo nas barbas da imprensa internacional, para que todos vejam que o regime israelita, sempre autoritário, fez o que bem lhe apetece e atropela quem tiver que atropelar.

O que distingue esta gente do regime russo?

Alterações ao Código Penal

Código Penal Português

Artigo 164.º

Violação

4 – Não haverá lugar a procedimento criminal se a presumível vítima tiver por qualquer meio provocado as condutas previstas no presente artigo. 

5 – Não haverá também lugar a procedimento criminal se a presumível vítima durante a prossecução dos actos aqui previstos não tiver responsavelmente cessado todas e quaisquer diligências, físicas ou verbais, que visassem a sua própria defesa ou a manutenção da sua integridade. 

Desculpa nº47 and counting…

A chocante falta de razão de quem não está solidário com a Ucrânia revela-se na forma como vão sucessivamente descobrindo argumentos que também sucessivamente são obrigados a deixar cair por… óbvia falta de razão.
Agora são o “maniqueísmo” ou o “macarthismo” dominantes.

[Read more…]

48 anos de liberdade

Faz este ano tantos anos que estamos em democracia como existiram de Estado Novo. Faz sentido refletir sobre a celebração do 25 de Abril – qual o sentido de celebrar e qual o sentido da Direita o celebrar?

A liberdade é o que inspira a política. O dia em que reconhecemos ao outro o direito a lutar por si, pelo seu projeto de vida, pela sua felicidade, para viver como quer, dizendo o que quer, amar quem quer, ser quem quiser. O dia em que nós afirmamos em plenos pulmões que nenhum dirigente do Estado nos pode proibir de pensar, de rir, obrigar a dizer, nem nos pode fazer sentir que só podemos celebrar a liberdade se formos de um partido de esquerda. É o dia em que deixamos bem claro que as ditaduras não nos servem – e que não são exclusivas de tiranos de direita. O problema são os totalitarismos, e esses não tem ideologia.

A Direita das liberdades que é a minha, de pessoas que não estão frustradas com o mundo, que não arranjam desculpas para jusitificar a censura, é uma Direita livre e que adere ao debate entre ideias diferentes. A liberdade é isto e é tudo. É a possibilidade de cada um encontrar o seu caminho, de o tentar, de o fazer com quem queremos, percorrendo rumo ao futuro.

Para quem acha que a liberdade é uma noção egoísta e individual, pelo contrário, é até uma noção até bastante cristã – há uns anos, o Papa Bento XVI disse que haviam 7 mil milhões de caminhos possíveis para chegar até Deus. Esta frase tem um sentido e valor político muito importante. O que deve um governo fazer quando no seu território coexistem milhões de pessoas diferentes? A resposta não pode ser outra que não através da liberdade. Só essa nos permite em igualdade sermos realizados, respeitando todos e dando a todos o espaço para encontrar o seu caminho. É esse o valor que esta data celebra.

Há muitos herdeiros que se dizem donos da revolução. A revolução só teve sucesso porque a esses autores se juntaram milhares de pessoas que nos permitem hoje festejar aquilo que há 48 anos foi o começo de algo novo. Todas essas milhares de pessoas representavam sonhos, ideias, projetos, aspirações que tornaram possível a revolução. É por isso que ela não é de ninguém, é de todos. E ninguém tem o direito de se apropriar dela. Se há quem queira fazer o papel de dono da revolução, que o faça e se exponha ao absurdo.

E que sirva para nos dar força para gritar “NOSSA” liberdade e recusar essa tutela.

Marine Le Pen e o terramoto que poderá virar o jogo a favor de Putin

Mentiria se dissesse que não estou preocupado. É claro que estou preocupado. Como deve estar preocupado qualquer um que acredita no nosso modo de vida, no projecto europeu e na democracia liberal. E na nossa segurança colectiva. A possibilidade de Marine Le Pen chegar ao Eliseu equivale a escancarar os corredores mais restritos da UE e da NATO a Vladimir Putin, altera a balança de poder no conselho de segurança da ONU e coloca um dos exércitos mais poderosos do mundo, com capacidade nuclear, sob tutela de alguém que moderou a linguagem para ganhar as eleições, mas que foi a mesma pessoa que, a propósito de Putin, afirmou o seguinte:

[Read more…]