Confirmação dos votos

No dia 3 de Dezembro de 2012, pelas 15h47 de uma segunda-feira, redigi no meu blogue pessoal, ao qual não acedia há anos, uma publicação intitulada: “Porto Canal e mística portista” (https://letrasecoisas.blogspot.com/2012/12/porto-canal-e-mistica-portista.html).
Não tenho recordação de alguma vez ter abjurado as minhas convicções clubistas naquilo que alguma vez escrevi (e foram muitas as vezes em que o fiz), mesmo quando não estava de acordo com as posições da Direcção (nem se falava em SAD por essa altura) ou de um departamento do clube cuja comunicação me estava entregue.
Tenho um percurso limpo, embora polémico e inflamado, saí das Antas, muitas vezes, de madrugada, e paguei muitas vezes o táxi para casa, vivi sempre na aura da paixão que ainda nutro, hoje, ao fim de tantas décadas, pelo meu clube. Sim, apaixonei-me pelo FC Porto numa tarde, quase criança, no Monte dos Arcebispos, a ver um Sporting de Braga-FC Porto, penso que amigável, e sonhei ser o Hernâni para marcar aquele golo…
Neste intervalo vasto de vida, parti muita pedra, vi nascer craques em todas as modalidades, mais no futebol, no basquetebol, no hóquei em patins e no hóquei em campo, as modalidades a que estive ligado, entrevistei campeões, treinadores e atletas, também padeci perdas irreparáveis, sofri e venci como poucos adeptos e tenho usado os 40 anos disto para me vingar do que passei quando o Porto jogava bem, quando perdia, e não merecia, quando ganhava… [Read more…]

Marcelo mentiu ao país

Marcelo Rebelo de Sousa mentiu ao país. Mentiu de forma deliberada, com o calculismo que se lhe conhece, e quis fazer-nos todos de parvos. E mentiu porque não só sabia da vinda de Lula da Silva, como foi o próprio Marcelo a fazer o convite. Tal como foi ele quem, a 31 de Dezembro, informou pela primeira vez o país sobre a participação do presidente do Brasil nas cerimónias do 25 de Abril. O poeta de Fernando Pessoa é um fingidor, mas tem muito que aprender para fingir tão completamente como o Presidente da República de Portugal.

E agora BE?

 

 

Durante o governo da geringonça houve amor ou sexo no casamento entre o BE e o PS? Ou os dois? Quem amou ? Quem fez a outra coisa?

Papel passado houve. Os votos ( na Assembleia da República ) também.

E agora? Chorar sobre leite derramado? Querem casar outra vez?

Atenção, pois o divórcio só foi bom para a outra parte……

 

A paz dos mais fracos

Conta-se que durante a transmissão televisiva de uma final de um torneio de ténis  (Borg/McEnroe), Álvaro Cunhal, que se encontrava na sede do PCP, quando perguntou qual era o mais fraco, responderam “John McEnroe“, e começou a torcer por ele. Tendo sido confrontado com o comentário de que se tratava de um norte-americano, o então Secretário-Geral do PCP terá respondido qualquer coisa como “É o mais fraco, e os comunistas estão sempre do lado dos mais fracos“.

Dito isto:

A substituição de Jerónimo de Sousa à frente do PCP pelo actual Secretário-Geral Paulo Raimundo soou, de início, a uma tentativa de  interpretar o que correra mal nas últimas eleições legislativas, abrindo um eventual novo ciclo.

Todavia, percebe-se que, afinal de contas, e por mais paradoxal que pareça, o PCP insiste e persiste na estratégia que Nixon usou na gestão das fitas de gravação no “Caso Watergate”: se um erro não resolve, tentemos outro.

Primeiro, foi a narrativa de que a invasão da Ucrânia pela Rússia foi por culpa da Ucrânia. Isto, depois da versão de que Rússia se preparava para invadir a Ucrânia, era uma fantasia criada pelos EUA.

Agora, perante o forte apoio militar do Ocidente com vista a equilibrar os pratos da balança no combate, a lógica é de que tal apoio apenas serve para alimentar a escalada do conflito. E que aquilo que se devia promover era a negociação da paz e não a alimentação da guerra.

Ora, o que fez o PCP quando invadiram as suas sedes no PREC?

Convidou os invasores para se sentarem e negociar um qualquer entendimento?

Não: defendeu, e bem, as suas sedes com tudo que podia arranjar, desde armas de fogo até fueiros, braços e punhos, e peitos dispostos a enfrentar balas, para garantir a integridade perante os invasores e incendiários. E toda a ajuda era bem-vinda.

Ora, se um país é invadido por outro, tanto mais uma super-potência, vai fazer o quê? Um convite para um chá? Ou luta pela sua integridade territorial e pela sua existência? [Read more…]

Ucrânia: calculismo, hipocrisia e um povo que sofre sem solução à vista

Um ano depois, ainda há países europeus a importar produtos russos, contribuindo para o esforço de guerra das tropas invasoras. A indústria dos diamantes sediada em Antuérpia segue intocável. Algumas empresas ocidentais continuam em solo russo, sem que se exija, do lado de cá, qualquer tipo de boicote. E nos paraísos fiscais, a maioria controlada ou parte integrante do território de países como o UK, o business segue as usual. And the list goes on and on.

Um ano depois, não conseguimos bloquear a economia russa. O sofrimento do povo ucraniano, e de tantos outros povos, continua uns degraus abaixo dos interesses económicos da elite global. Na guerra como na paz, o capitalismo é quem mais ordena. Muito dano foi causado, é certo, mas pouco teria acontecido sem pressão popular. A democracia, com todos os seus defeitos, continua a ser o melhor sistema. Não admira que os ucranianos também o queiram. [Read more…]

Joe Biden em visita surpresa a Kiev (c/ video)

Trump rastejou e poliu os sapatos de Putin em Helsínquia, Biden visitou Kiev ao som das sirenes. Goste-se ou não de Biden – e eu não morro de amores por ele – a diferença é inequívoca.

Cavaco Silva e a rentabilidade “muito discutível”

Cavaco Silva questionou ontem os gastos de milhões em projetos sociais de rentabilidade “muito discutível”. Isto num evento da Santa Casa da Misericórdia. Sem se rir.

Mas não ignoremos o alerta deste ícone maior da velha guarda da porta rotativa. A julgar pela compra e venda de acções da SLN, pela permuta na Herdade da Coelha e pelo financiamento que as suas campanhas receberam de sacos criativos do BES, Cavaco é, efectivamente, uma autoridade no que toca a projectos de rentabilidade “muito discutível”.

FAKE NEWS vindas de Portugal

Supostamente, o pequeno país situado no extremo oeste da Europa é governado há sete anos por um Partido Socialista.

Após analisarmos alguns dados estatísticos do dito país, bem como extensa documentação de políticas e declarações dos seus governantes, estamos em posição de garantir que o nome auto-atribuído pelo partido no governo não passa de FAKE. Conforme se constatou, o conteúdo dos cérebros de todos os elementos do governo e dos seus programas são inteiramente neoliberais e têm conduzido a uma espargata tão aberta entre pobres e ricos que ameaça esgaçar irremediavelmente o tecido social. Disso é também indicador o crescimento acelerado da extrema-direita.

Ao nível da comunicação social, é surpreendente a proliferação de comentários pró-neoliberais que requerem uma aplicação ainda mais rigorosa desta ideologia. Obrigados a sobreviver nesta pretensa “normalidade”, os portugueses apresentam já fortes indícios de, em massa, padecerem de esquizofrenia.

O “sistema” em defesa de André Ventura: o caso de Miguel Relvas

Disse Miguel Relvas, a propósito da integração da extrema-direita num governo PSD:

A verdade é que  há um grande preconceito por parte da comunicação social e do país em relação ao discurso do CH e à imagem do CH.

Mas Relvas não partilha desse preconceito. Aliás, não lhe repugnaria ver o CH integrado num governo PSD. Se dúvidas restassem sobre a capacidade da elite capitalista em acolher a extrema-direita nos seus braços, Relvas foi claro e transparente a esse respeito. Coisa que Montenegro, entre uma dissimulação e outra, não conseguiu ainda ser, apesar de ser evidente, o caminho que pretende seguir.

P.S: Se André Ventura é tão “antissistema” como afirma ser, estou certo que rapidamente se afastará deste endorsement. Ou expõe ainda mais a sua hipocrisia e a falsidade da sua narrativa.

Ventura e Montenegro: descubra as diferenças

Nunca pensei dizer isto, mas quando André Ventura fizer ao PSD de Montenegro o que fez àquele pequeno partido do pai da deputada Rita Matias, vou ter saudades do CDS. E vocês também. Eram tempos mais simples.

Saudades da guerra santa dos bolsominions

Jihad cristã, como não amar?

Na Mouraria, Montenegro ficou mais próximo de Ventura

No rescaldo do incêndio na Mouraria, que vitimou mortalmente dois emigrantes e expôs as condições desumanas em que vivem, com a cumplicidade dos senhorios que não têm como ser alheios ao que se passa nas suas propriedades, Luís Montenegro apresentou ao país a sua visão para a emigração: um programa para escolher os colaboradores que queremos em Portugal.

Se Montenegro descesse ao país real, rapidamente perceberia que os colaboradores que a economia procura são sobretudo aqueles que estão disponíveis para trabalhar, por salários miseráveis, nas entregas, na restauração, na construção civil e no lado menos glamouroso do turismo. Projectos com nomes pomposos e objectivos moderníssimos como “atrair talento” não resolvem o problema imediato de grande parte dos empresários portugueses, que é encontrar quem venda a sua força de trabalho pelo menor valor possível, para fazer as tarefas que a maioria dos portugueses já não quer fazer.

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Os esquemas de contratações de Santana Lopes na Figueira da Foz

Denunciámos os esquemas de contratações através de avenças de Santana Lopes na Figueira a 4 de dezembro de 2022. Alguma imprensa local publicou o nosso comunicado, como a Figueira TV ou o Diário As Beiras, mas outros houve que pura e simplesmente nos ignoraram. Informalmente, foi-nos comunicado que os editores tinham receio de perder receitas da publicidade institucional da câmara ou de empresas que dela dependem. Também enviámos a denúncia para a Lusa. Na altura, nas redes sociais locais as reações foram mínimas, aqueles que nos atacam furiosamente por tudo e por nada quando criticamos o executivo, desta vez, estavam estranhamente calados, percebemos que houve ordens para não reagir. A estratégia era abafar o assunto. O que é certo é que o assunto esteve perto de ser abafado não fosse a nossa insistência na Assembleia Municipal.

 

O nosso comunicado de dezembro denunciava a distribuição de avenças a alguns dos seus apoiantes, amigos e companheiros de estrada, sem qualquer justificação plausível. Para a Câmara da Figueira vieram pessoas, de Lisboa a Montemor-o-Velho, que trabalharam anteriormente com Santana Lopes no partido Aliança e no PSD para realizar trabalho para o qual já existe pessoal especializado e com qualidade na própria câmara. Uma das avençadas, Ana Isabel Martins, veio assessorar a vereador da Ação Social, auferindo uma remuneração superior à da própria vereadora. [Read more…]

Se fosse na bola era vermelho directo!

Como expliquei aqui, o que se está a passar é muito grave. 

E lembrei-me logo da altura do governo Passos Coelho/Paulo Portas, e da posição, assertiva e muito importante, do BE, através da sua eterna  Coordenadora  a  atriz  e deputada Catarina Martins, contra a extinção do Ministério da Cultura levado a cabo pelo governo da PAF.

A situação é igual. Só não é igual para Catarina Martins, que para uns tem uma posição e para outros tem outra. Transcrevo partes de  uma entrevista de 2012:

P: Num momento como este o governo prescindiu do Ministério da Cultura. É uma questão simbólica ou profunda? Significa que a cultura está a perder o seu lugar, a sua importância?

R: Acaba por se revelar uma questão mais profunda. O que foi dito é que não haveria ministério e que isso não era grave porque o Secretário de Estado estava na dependência direta do Primeiro Ministro e portanto a cultura ficaria mais perto do centro de decisão. Isto é logo uma ideia de subserviência da cultura. A cultura tem que estar mais perto do príncipe para ter algumas migalhas. Esta é uma ideia reacionária. 

É sintomático que nesta comissão interministerial estratégica do QREN, que é um conselho de ministros presidido pelo ministro das finanças, que não haja ninguém que represente a cultura. Está representada a educação, a defesa nacional, a administração interna, a solidariedade social, o ambiente e a agricultura, a economia e as finanças. Está lá tudo menos a cultura. Logo isto não é apenas um problema simbólico.

Julgo que há um outro sinal que é muito flagrante. A ideia que a cultura iria ser transversal. Há um parágrafo no programa do governo que é provavelmente o único parágrafo que eu concordo do princípio ao fim que diz que a área de intervenção prioritária da cultura tem de ser a presença da educação para a arte e a cultura na escola. Eu concordo, a nossa escola está distante da cultura, da arte. Mas fez-se agora uma revisão curricular que não tem nada a ver com isso. Isso foi aprovado no programa do governo, foi aprovado nas grandes opções do plano do orçamento e passados quinze dias a revisão curricular não tem uma linha sobre isso.

Na resposta a outra pergunta:

Em Portugal temos projetos que embora tendo tido financiamento estão a fechar as portas porque as CCDR – Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional não estão preparadas para lidar com o setor cultural. Nunca ninguém pensou que a cultura tinha uma palavra a dizer e lidam com as estruturas como se fossem obras públicas. 

O ensurdecedor silêncio de Catarina Martins e do BE sobre esta matéria continua.

Se quiserem saber a sério o que se passa estou disponível, e para o BE não preciso de ajuste directo nem de avença.

Este post é dedicado ao Aventador Fernando Moreira de Sá, que em boa hora me convidou para este antro de pecado que é o Aventar.

A falta de lastro cultural

O Governo aprovou uma Resolução de Conselho de Ministros onde determina uma série de alterações radicais na Administração Pública. 

Está em curso o desmantelamento dessa mesma Administração. Sob o argumento da descentralização (sem definirmos o significado dessa palavra no contexto político português, e de outras como desconcentração, regionalização, municipalização,), estão previstas as extinções de vários organismos de diferentes áreas da governação.

Estão em causa organismos regionais, isto é, administração pública sectorial, presente no território nacional. E querem “passar” para as CCDRs uma série de competências. Como se as CCDRs fossem “governos regionais”. Estas entidades, CCDRs, são organismos da Administração Central, e não são organismos sufragados democraticamente. A sua natureza é de coordenação, não de implementação de políticas governamentais. É mais uma machadada da presença do Estado no território. As competências de cada área governamental eram asseguradas pelos diversos organismos dos diferentes Ministérios. É o governo a transmitir a decisão de não querer saber o que se passa fora de Lisboa. Esta matéria daria uns bons debates e muita gente daria o seu contributo para melhorar a Administração Pública do nosso País. O actual Governo como não sabe o que fazer, “chuta” para fora. 

No que me diz respeito, sou trabalhador em funções públicas com contrato a termo indeterminado (agora é assim que se diz), num organismo da área governativa da Cultura. 

Estamos a viver o maior período da nossa democracia em que não há Ministério da Cultura. 

O Governo da troika extinguiu esse Ministério e extinguiu também a Secretaria de Estado respectiva. 

Mais tarde o governo da “geringonça” anunciou, com pompa e circunstância, a reposição do referido Ministério. Mentira, camuflada até agora. Limitou-se a ter  Ministro/a e Secretária de Estado. Sem Ministério e com tudo o que isso implica. Até hoje. Poderemos naturalmente discutir se há necessidade ou não de haver um Ministério nesta área. Não foi o caso. Curiosamente o BE, que na altura se fartou de criticar a extinção do Ministério, mantém um silêncio ensurdecedor sobre este assunto. 

Entretanto escrevi um post sobre a área da Cultura, intitulado O Coveiro. É sobre o papel do actual Ministro da Cultura neste processo, e dar o meu contributo profissional (sempre trabalhei nesta área, desde 1984, e assisti a todas as mudanças que se processaram até agora). No entanto voz amiga disse-me, “Orlando,  o Ministro aceitou ser Ministro sem Ministério, e aceitou e defende o processo de desmantelamento em curso, e portanto quer ficar sem serviços nem tutela sobre o território nacional. Não sabe assumir as suas responsabilidades. Não auscultou os profissionais  (Arqueólogos, Arquitectos, Engenheiros, Historiadores, Conservadores Restauradores, empresas do sector, etc.). É um urbanóide do Bairro Alto. Não tem lastro cultural. Mais, entregou este processo a uma colega do Conselho de Ministros (a tal que nem sequer sabe o que faz o marido)”

E eu, pensando nisto, e também na questão de que quem nos governa não gosta de ser avaliado, nem criticado, e há que evitar retaliações, decidi não publicar o post. Quando o actual Ministro  deixar de o ser (terá aspirações a mais………) lá postarei o que escrevi.

Simples.

Melancia Azul

O terror da Iniciativa Liberal, de Nuno Simões de Melo, pelo menos, é tornar-se numa “melancia azul, liberal por fora mas bloquista por dentro”. Bem, para já, o novo líder, Rui Rocha, promete uma manifestação – imagino que seja uma manifestação com KPIs bem definidos e suportada por um business case. Nada dessas coisas grotescas de incomodar pessoas.

Depois das greves dos Estivadores, dos Motoristas e dos Enfermeiros, chegou a vez de ilegalizar a greve dos Professores?

Todas as greves são passíveis de serem criticadas, umas são mais justas que outras, umas mais claras e outras mais confusas, umas acertadas e outras erradas seja do ponto de vista político seja sindical, mas nenhuma deve ser criticada por razões que se prendem com sua suposta ilegalidade. A greve é um direito inalienável que tem vindo a ser sistematicamente posto em causa, sobretudo quando as greves se metem no caminho do governo.

Autoridade Tributária, o homem do fraque da Brisa

Ouvi, a espaços, partes do Fórum TSF de hoje. Já tinha ouvido, lido aqui e ali, mas só naquele momento me apercebi da perversidade que é ter a Autoridade Tributária a fazer o papel de homem do fraque de empresas como a Brisa, destruindo vidas por conta de dívidas de cêntimos. À Brisa, não à AT.

A Brisa é um daqueles negócios ditos da China, que começa com o contribuinte a pagar tudo, passa para uma privatização em várias fases, durante as quais sucessivos governantes envolvidos, do PSD, PS e CDS, saltam da decisão para o conselho de administração, e termina com o privado a lucrar pesado, mas sempre com a possibilidade de recorrer novamente ao bolso dos contribuintes.

Ou, dito em português corrente, uma chulice.

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Sobre a normalização do fascista Bolsonaro

É bom recordar que não foi só André Ventura e o CH a alimentar a falsa equivalência entre Lula e Bolsonaro. Também no seio da IL, PSD e CDS ouvimos vozes a normalizar o extremismo. Por muito que agora assobiem para o lado, fica o alerta para o futuro.

André Coelho Lima ARRASA a extrema-direita

Este PSD tem que sair do armário e impor-se ao PSD que quer alianças com a extrema-direita. Ao PSD que faz fretes ao CH. Ao PSD que não aprendeu a lição de Angela Merkel. Ao PSD que, no fundo, deu à luz André Ventura. Ponham os olhos em André Coelho Lima. Nesta fase do campeonato, com o seu partido já tão comprometido com o CH, é preciso coragem para chamar os extremistas pelos nomes.

Eva Kaili e o estranho caso das ditaduras que adquirem serviços de altos cargos da UE

Eva Kaili, vice-presidente do Parlamento Europeu e membro do PASOK, foi detida em Bruxelas, por ser suspeita de integrar um esquema de corrupção, organização criminosa e branqueamento de capitais patrocinado pelo Qatar, com o intuito de favorecer o execrável regime em tomadas de decisão comunitárias.

Não sei se se relacionará com isto, até porque a Comissão Europeia é liderada pelos conservadores do PPE, e este caso, segundo a comunicação social, envolve sobretudo membros dos S&D, mas as importações de gás liquefeito qatari aumentaram substancialmente no último ano, dada a necessidade de substituir Putin por um ditador com aspecto mais lavado. E aquelas dishdashas brancas a imaculadas sempre são mais frescas que o cinzento escuro do K(remlin)GB.

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Parlamento chumbou manuais escolares gratuitos no privado. Discriminatório?

Na passada sexta-feira, o Parlamento chumbou a gratuitidade dos manuais escolares para alunos do privado. Os três projetos de lei, propostos pelo PSD, Chega e Iniciativa Liberal, contaram com o apoio dos proponentes, a abstenção do PAN e os votos contra do PS, BE, PCP e Livre.

É certo que a qualidade do ensino público e das condições que este oferece aos seus alunos tem de ser obrigatoriamente assegurada pelo Estado para toda a gente. O que, verdade seja dita, por vezes não acontece. Mas colocar os filhos no ensino particular não deixa de ser uma escolha apenas para quem tem condições para o fazer. E, apesar de algumas pessoas terem de fazer sacrifícios para o conseguirem, há muita gente que nem fazendo esses mesmos sacrifícios tem essa possibilidade.

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O Ronaldismo Desportivo hoje nas bancas

Eu percebo que os tempos estão difíceis para a imprensa. Sobretudo para a escrita. As audiências são muito más, a publicidade pira-se para outros lados. É complicado. O que eu não percebo é acreditarem resolver momentaneamente a coisa com “Cristiano Ronaldo”. Porque ele disse, ele fez, não disse, não fez. Todos os dias e a todas as horas.

O ridículo em tudo isto é ver a Marca ou alguns esgotos a céu aberto ingleses serem fonte de boa parte dos jornais “desportivos” portugueses.
Não, o “ronaldismo desportivo” não vos vai salvar.


Pior, todo este “serviço” que hoje vejo por aí no “jornalixo” desportivo só serve para destabilizar e poluir o ambiente com um cheiro nauseabundo. É o resultado de se aceitar ser cúmplice da agenda de terceiros. Ou de se ser o “idiota útil” de serviço. Parabéns.

Desleixo, prepotência, desrespeito?

A PSP de Braga, depois dos atritos com o Deão da Sé, e ter resolvido “à Lagardère” (as autoridades adoram aplicar os ensinamentos de Paul Féval em Le Bossu) parte do estacionamento abusivo às horas de culto com o fechar de olhos a que os fiéis estacionem nos Largo do Rossio, situação que se estende nos restantes dias a quem tem conhecimentos entre os moradores, os quais por sua vez também fecham os olhos e dão uma ajudinha aos amigos, abrindo telefonicamente o pino que condiciona o acesso à zona de peões, onde manifestamente se inclui o tal Largo do Rossio, transformado, então, em impróprio parque permanente de estacionamento…
Segundo me garantem, o Largo da Rossio e as ruas circundantes e adjacentes são zona de peões, vedada ao trânsito, exceptuando os moradores, com garagem, e os comerciantes, nas horas previstas para cargas e descargas.
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Geração de Mulheres Europeias Agressivas

Igor Korotchenko, jornalista do regime de Putin, transmite a mensagem do mestre contra essa nova “geração de mulheres europeias agressivas” que vieram “da cozinha” para a política. Segundo Korotchenko, essas mulheres que até lideram países como a Finlândia ou a Estónia, que lideram ministérios da defesa como na Alemanha, que defendem princípios socialistas ou ecologistas e que até protestaram contra as bases americanas na Europa, são agressivas e rudes contra o regime de Putin e provocadoras da “nova guerra”, obviamente…
Palavras deste calibre também poderiam ter sido proferidas por alguém da bancada do Chega, por um Pedro Frazão por exemplo. Mas não é preciso ir tão longe, no início desta guerra ouvimos excelentíssimos cavalheiros da área do PSD (e até do PS), como José Miguel Júdice, a prognosticar o fim desta Europa das ministras da defesa de saltos altos e de maquilhagem que, obviamente, não seriam capazes de fazer frente a Putin.

Este é um excelente exemplo para quem ainda não percebeu que as fronteiras desta guerra não são as fronteiras da Ucrânia, da NATO ou do Donbas, e que as verdadeiras fronteiras são absolutamente ideológicas, desenham-se entre quem está no campo de Putin, Trump, Orban, Ventura, Le Pen e Bolsonaro e entre quem defende o humanismo, a igualdade, o estado de direito, uma sociedade baseada no conhecimento ou a erradicação da pena de morte. Muito recentemente o cenário Trump-Putin-Le Pen não esteve assim tão longe do horizonte e ainda não está tão afastado quanto isso. Este cenário a acontecer no atual contexto, não tenham dúvidas, seria o fim da picada.

O último Mundial do Ronaldo… e de 6500 trabalhadores!

Amanhã, parece que começa o Mundial de Portugal. Muitos já o chamam de Mundial da vergonha, mas não é o suficiente para deixarmos de seguir com a mesma intensidade os heróis nacionais que se irão sacrificar pela nossa pátria. Os direitos humanos são inalienáveis, menos quando se trata de bola, porque o desporto irá unir toda a gente. O Qatar, neste momento, é aquele homem que bate na mulher e depois pensa que resolve tudo com umas flores. Neste caso, as flores são o futebol.

 

Entendo que para o Ocidente este Mundial seja uma vergonha e tal, mas agora esqueçamos isso. Quem não deve esquecer são as famílias dos trabalhadores que faleceram em condições terríveis, aqueles que não podem assumir a sua identidade no Qatar, aqueles que vêem as suas liberdades individuais aniquiladas. No entanto, o Ocidente perde cada vez mais a moral para criticar estes regimes totalitários. A cada oportunidade de ver dinheiro à frente, o Ocidente coloca as tretas dos direitos humanos de parte e verga-se perante os cifrões que lhes são colocados no papel. Perdemos constantemente os valores a troco de preços. A culpa disto já não é do regime assassino do Qatar, é de quem se aceita corromper por tão pouco.

 

Mas esqueçamos isso. Esqueçamos isso, porque sabemos que, em princípio, nunca será um dos nossos ou próximo a sofrer o que esses migrantes sofreram. Esqueçamos isso, porque vivemos neste canto à beira-mar plantado que até é bem sossegado. Esqueçamos isso, porque sim, trabalhadores a falecer é chato, mas agora a preocupação é se o Danilo joga a central. Esqueçamos isso, porque ter um estádio em cima de um cemitério pode não ser agradável, mas já imaginaram se o Félix marca um golo mesmo ao ângulo naquela baliza? Esqueçamos isso, porque é o último Mundial do Ronaldo… O pior é que também foi o último de 6500 trabalhadores.

Nunca nos esqueçamos.

Aberração em Alvalade

Pouco se falou ou debateu o caso mas, à beira desta aberração, o “esqueçamos isso” de Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu ser menos embaraçoso para a democracia portuguesa.

Não é admissível que um cidadão português seja proibido de entrar no estádio de t-shirt da Amnistia Internacional vestida com uma mensagem sobre violação dos direitos humanos na construção dos estádios do Mundial do Qatar. Alvalade não é nem pode ser o Lusail.

Pessoalmente, penso que a Amnistia Internacional devia processar o estado português, por permitir esta ingerência inaceitável da FIFA na soberania de Portugal. A Constituição da República Portuguesa protege aquelas pessoas que foram impedidas de entrar no estádio e não está submetida a uma organização corrupta como a FIFA.

Mas foi precisamente a FIFA, voz do seu dono qatari, o Vladimir al Thani, quem levou a melhor.

E eu senti, naquele momento, vergonha de ser português. Vergonha de ver Portugal vergado a um regime totalitário que exigiu o silenciamento e castração de uma liberdade individual fundamental, constitucionalmente protegida. E vieram-me a cabeça as palavras do pastor Martin Niemöller:

  • Quando os nazis vieram buscar os comunistas eu fiquei em silêncio, porque não era comunista.

Que não chegue o dia em que eles venham buscar os tipos com t-shirts da Amnistia Internacional. Os próximos, em princípio, serão vocês.

Até das vitórias temos medo?

Os cerca de 700 estivadores de Liverpool conseguiram uma importante vitória. Depois de uma greve de cinco semanas conseguiram aumentos entre os 14.3% e os 18.5%. Entretanto, por cá, ninguém deu a notícia, estejamos a falar da comunicação social, estejamos a falar da comunicação das demais organizações. Estes conflitos são fundamentais para lembrar que a única maneira de enfrentar a crise económica, política, social e sindical, é a recuperação das formas de luta, mas se as formas de luta não forem notícia, sobretudo quando são vitoriosas, perde-se o efeito pedagógico da sua aprendizagem. O silêncio dos meios de comunicação das grandes corporações é óbvio – estão a trabalhar para os seus interesses – mas dos demais não. Estamos num tempo tão defensivo que até das vitórias temos medo?

Cristiano Ronaldo e a entrevista

Um jogador de futebol, provavelmente um dos melhores da história deste desporto, deu uma entrevista. Até aqui, nada de muito importante. Porém, antes mesmo da entrevista ter sido emitida, todo o cão e gato deu opinião sobre a dita. Já a tinham visto/ouvido? Não. Leram umas coisas no twitter (ainda existe?), viram umas linhas no facebook (uma magnífica fonte, como se sabe) e imediatamente tiraram conclusões. Os comentadores da bola “botaram” sentença. Os que amam o rapaz declararam o seu amor eterno. Os que o odeiam reforçaram o seu ódio. A jornalada (não confundir com jornalistas, essa espécie em vias de extinção) publicou umas coisas para procurar vendas e cliques. E essas “coisas” eram verdadeiras? Pergunta estúpida esta, como se isso nos dias que correm fosse importante. Frases retiradas do contexto? Resmas. Frases atribuídas ao jogador que afinal foram proferidas pelo entrevistador? Imensas. Frases que nem sequer foram proferidas? Demasiadas.

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Não temos água, não temos electricidade, mas também não temos os russos

“Não temos água, não temos electricidade, não temos televisão, não temos internet, mas também não temos os russos.”
Cidadão de Xerçon em entrevista divulgada na CNN ontem.
Lembro-me dos tempos em que debatia quando surgiu a nação em Portugal e, ainda hoje não temos, nem precisamos de uma resposta, porque é algo que se vai assimilando e incorporando no tempo, mas este senhor define, na sua simplicidade, o seu sentimento de pertença a uma nação, no caso, a da Ucrânia.

Quando abalam esse sentimento de pertença ao grupo que faz parte da nossa identidade, dói-nos e reagimos na defesa dele, mesmo colocando a vida em risco. A essência social humana e a de muitos outros animais, diga-se, é essa, a de pertença a um grupo com características naturais, econômicas, sociais, culturais e um território. Foi esse o salto civilizacional da família para a sociedade, grupo de famílias e indivíduos que partilham a mesma identidade [Read more…]