“Piratas das Caraíbas” sem silicone

A Disney anunciou um casting para escolher actrizes para o próximo “Piratas das Caraíbas”. Exigem que as candidatas tenham um corpo escultural, com as medidas por eles indicadas, e – e é este ponto que está a ser notícia – que não tenham implantes mamários.

Está visto que não estão à espera que lhes saia a próxima Meryl Streep, que talento para a representação não é bem o que eles querem. E também é certo que ninguém é obrigado a apresentar-se a semelhante casting e quem vai conhece as regras.

Mas eu pergunto: e se para um casting de um filme “mainstream”, como este, um filme que até se dirige a público familiar, se estipulasse que os actores do sexo masculino teriam de baixar as cuecas no casting e permitir que se lhes medisse o pirilau, sendo certo que abaixo da medida estipulada não seria aceite nenhum?

Não se entenderia, pois não?

Um campeonato viciado. E agora?

A decisão do Conselho de Justiça da FPF de “reduzir” a canalhice aplicada a Hulk e Sapunaru a 3 e 4 jogos de suspensão revela o que estava mesmo a ver: este campeonato, e todas as outras competições, foram viciados.

Jogo baixo, de através da secretaria obter vantagem sobre um adversário, jogo claramente manipulado pelo sport lisboa, o que se prova pela multa ridícula que lhe foi aplicada no mesmo caso, e pelo facto de um tal de um arruaceiro de seu nome  Rui Costa que já andou metido em confusões pelo menos 3 vezes ainda não ter sido castigado uma única vez.

Não é nos túneis que se ganham os jogos. Não devia ser. Mas assim foi. E agora, como se repõe a verdade desportiva?

O Kadafi deve ter-se sentido envergonhado

Violência antes do futebol, um testemunho

Tenho por mim que a existência de claques organizadas de clubes de futebol muito simplesmente devia ser proibida. Agora e uma vez que o não são, em caso de conflito convém ouvir as duas partes. Este é um depoimento recolhido de uma caixa de comentários de um blogue portista, e referente a domingo passado:

Isto tudo das claques, tem uma explicação muito simples.

Legalização.

As nossas claques são legalizadas, o que faz delas, organizações com estatutos onde todos os membros são identifcados quando se inscrevem.
E traz outro se não, que é a POLICIA, todos os nossos bus, vieram acompanhados por bófias desde o Porto, ou mesmo outros que partiram doutro lados do país, a bófia sabe onde eles partem e há uma organização por trás, que comanda os bus de maneira a que determinada altura junta os bus em escolta para o estádio.
Por isto a nossa querida sic, sabia por onde enviar os carros exteriores e assim fez chegar algumas filmagens, como na portagem onde era o reencontro dos bus todos pra ir em marcha organizada para o estadio.

As claques do Benfica não são legalizadas, como tal, não dão cavaco a ninguém , ninguém sabe de onde partem, e se vêem de bus ou de carros, e quantas são, são escoltadas ou a partir das portagens ou mesmo só à chegada ao estádio, por aqui se pode ver porque nao chegam filmagens dos vermelhos…

A explicação é simples e não é muito difícil de compreender ate o MAJOR dos bofias do algarve disse isso hoje em directo na sic no jornal da tarde, mas o jornalista cagou para ele e ainda o tentou ridicularizar…

1. área de serviço de alcácer do sal… mini concentração de no name gays, à espera dos 1ºs autocarros, eis que chegados os primeiros, apedrejamento aos mesmos, ene vidros partidos nos 2 autocarros, mas azar dos azares, não eram autocarros das casas do fcporto… eram das claques… azar do caralho… nem tempo tiveram para fugir para a carrinha de 9 lugares mais os 2 carros que estavam ali ao lado deles… galgaram estrada e mato fora, tendo um deles sido capturado… ficou estendido em muito mau estado, para além de lhes terem deixado os 3 veículos em ‘bonito’ estado… e quê? azar do caralho!!! pena não lhe terem pendurado o escalpe em cima d’uma estaca! só se perderam as que cairam no chão!!! [Read more…]

O socialismo morreu? (Memória descritiva)

No pórtico do seu livro “O Pós Socialismo” (“L’Après socialisme”) que recentemente reli, quase trinta anos depois de ter sido editado em Portugal), dizia Alain Touraine: «O Socialismo está morto. A palavra figura por todo o lado, nos programas eleitorais, no nome dos partidos e mesmo dos Estados, mas está vazia de sentido». Este reputado sociólogo francês, criador do conceito de sociedade pós-industrial, propõe uma acção apoiada, não em partidos ou em sindicatos, mas sim em movimentos sociais.

Note-se que Touraine fazia esta afirmação antes de, na Europa, a grande ofensiva dos partidos socialistas ter tido lugar – em 1981, François Miterrand vencia as eleições presidenciais francesas e Andreas Papandreu as legislativas da Grécia; em 1982, Felipe González ganhava as eleições legislativas em Espanha e em 1983, Mário Soares, as de Portugal. Embora em Itália, o Partido Socialista de Bettino Craxi não conquistasse votações significativas e o seu nicho no ecossistema político italiano fosse, desde 1976, preenchido pelo euro comunismo do Partido Comunista de Enrico Berlinguer, o socialismo parecia estar vivo. A realidade contrariava a tese de Touraine? Foi precipitada a sua afirmação?

Ele falava de uma coisa diferente – do ideal que com Saint Simon e Owen deu os primeiros passos, acertando depois a respiração pelo resfolegar das máquinas com que o capitalismo inaugurava a era industrial e, com Marx e Engels, passou da fase utópica à fase cientifica. Filtrado pela revisão leninista, definido como ponte entre o capitalismo e o comunismo, após o pesadelo estalinista, entrou na senda do «socialismo real».

Num livro mais recente, “Un nouveau paradigme” (2005), Touraine analisou o percurso histórico das difíceis relações entre política, economia e sociedade, assinalando três etapas na laicização e privatização da economia europeia. Na Idade Média, séculos XI e XII o poder político fugia à tutela da Igreja. Os senhores feudais e as casas reinantes começavam também a sacudir o jugo religioso e a consolidar as fronteiras e soberanias. Deu-se depois uma aliança entre o poder político e económico. Nobres e mercadores conciliaram interesses Os príncipes patrocinaram grandes empreendimentos mercantis (nomeadamente os descobrimentos). Só, séculos mais tarde, com o advento da era industrial e do liberalismo, o poder económico ganhou vida própria, fora da esfera do poder político. A economia de mercado faz a sua aparição e estabeleceu o seu império. [Read more…]

Escola autónoma tem pés para andar

Há muito, há mais de dois anos que eu atesanava a cabeça ao Ricardo falando-lhe na autonomia para a escola. Sempre tive a convicção que não é possível ter um fato feito que sirva a milhares de escolas todas diferentes, cobrindo todo o país. Que a distância da escola para quem realmente manda, fechados nos seus gabinetes, sejam sindicalistas, sejam burocratas, que não estão no terreno, que não enfrentam os problemas, não permite a tomada de decisão atempada, nem a compreensão dos problemas, todos diferentes e diários.

Os sindicalistas e os burocratas do ministério não tratam da escola, tratam de si mesmos. Se a escola tiver autonomia suficiente e, principalmente, funcionar bem, todos ganham menos os burocratas. Co-governam a educação há 36 anos, parece que andam às turras mas não andam, chegam sempre a uma solução má para quem está no terreno. Passado algum tempo, os desavindos aí estão com novos problemas que ninguém sente a não ser eles. Sem inventar problemas não sobrevivem.

Mas começam a aparecer vozes, aqui e ali, a denunciar esta vergonha e este prejuízo para os país e para as escolas. A descentralização é dado adquirido para termos uma escola capaz, a gestão escolar entregue a Directores e gestores profissionais, a abertura às instituições locais, todas profundas conhecedoras do ambiente local em que está mergulhada a escola, a capacidade de resolver os problemas localmente e no momento .

Apontamentos de Óbidos (17)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

Violência no futebol

Em tempos um blogger convidado escreveu no Aventar sobre o poder excessivo que uma claque tem na realidade azul e branca.
Em tempos um clube foi jogar a Londres acompanhado por três mil adeptos. Essa equipa perde 5-0 e os jogadores nem aos adeptos se dirigiram.

Um dia depois, imaginem que há um treino à porta fechada no estádio e não no centro de estágio, como é hábito. E, nesse treino à porta fechada, suponham que a liderança super entra no relvado e um a um (poupa o Falcão e o Rodriguez) ameaça os jogadores. Com o treino a decorrer.
Certo ou errado, imaginem que no jogo seguinte, o capitão de uma equipa que nada diz, aparece a dizer que queria pedir desculpa aos adeptos por … Pois..
No Domingo foi o que se viu.
Mas, depois, cai o carmo e a trindade aqui no Aventar por se escrever sobre alguns temas… Será que há temas, uns mais delicados que outros?

Nota: os adeptos das claques do SLB não são exemplo para nada, antes pelo contrário.
Nota 2: o futebel fica melhor sem claques. (ponto final!)

Filosofia de bolso (12)

Para mim, bossa nova é fado transformado em jazz.

Pastel de Vouzela

O pastel de Vouzela conjuga dois ingredientes que apenas estão ao alcance dos melhores entre os pasteleiros: o creme de ovo, essa bomba proteínica capaz de levantar um doente da cama (ou mandá-lo de vez para o lado de lá) e a finíssima massa folhada, leve como uma pluma, a desfazer-se contra o céu-da-boca.

Vouzela, situada na região de Lafões, no distrito de Viseu, é famosa pelos seus pastéis, cuja versão original apenas lá se pode encontrar, acreditem, e muito enganados andam os que se contentam com a caixinha da estação de serviço.

Retrato da terra e das gentes que a fazem, reflexão sobre o passado e o futuro da região, assente num equilíbrio delicado entre o olhar enternecido sobre um passado histórico cuja memória se deve resgatar, e o espírito crítico que siga com lucidez o rumo que a vila leva, eis o Pastel de Vouzela, o blogue que esta semana provamos, em tarde de amena primavera, sentados na margem do Zela.

Voando num ninho de cucos

O primeiro estudo que pretende retratar a saúde mental dos portugueses tem um resultado curioso: em cada cinco, um de nós não bate bem da bola.

Tenho as minhas reservas quanto a estes estudos por amostragem (eu sei que não há outro meio) e um dos resultados é suspeito: só 1,6% de perturbações provocadas pelo álcool levanta dúvidas quando se sabe através de estudos sistemáticos que “cerca de 10.3% da população portuguesa com +15 anos é doente alcoólica (800.000 alcoólicos) e 13.7% é bebedora excessiva (1.000.000)”. Alguém se enganou, ou bebeu um copo a mais.

Comparando internacionalmente parece que somos os maluquinhos da Europa a grande distância, e ficamos ao nível dos EUA, o que não é lá muito abonatório.

Apesar de tudo estes números encaixam na perfeição num país que se quer de poetas e marinheiros. E explica muito bem pelo menos os últimos 200 anos da História política de Portugal.

Pode não ser verdade, mas explica mesmo muita coisa.

Louvor à polícia do meu bairro

Andou aqui um alvoroço na minha rua com uns barbudos mal-encarados que se passeavam por aí, a olhar para cima, como que a tomar nota de cada prédio, quem sabe também a atentar nos hábitos dos moradores para saber a que horas poderiam encontrar a casa desamparada. Deu-se o alerta na esquadra aqui do bairro, e lá saíram para a patrulha os agentes da zona.

Entre os agentes policiais existem duas categorias: aquela a que no submundo se chama “a bófia” e a que ocupa a esquadra do meu bairro. Quando vejo o agente A, bigodudo, com os quadris gordos e gingões, com a arma que se vê que é velha como um bacamarte de museu a gingar, também ela, a caminho da tabacaria do comunista,  e o ouço a saudar os trabalhadores da transportadora que aguardam, à porta, a chegada do camião, com um jovial “então bom dia, meus senhores”, eu não consigo não gostar da polícia do meu bairro.

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Admirável Mundo Novo: redes sociais

Miguel Sousa Tavares tem uma visão apocalíptica dos blogues e das redes sociais, especialmente do Facebook, por ele considerado “a maior ameaça do séc. XXI”. Eu, por mim, confesso que há outras coisas de que tenho mais medo e que considero ameaças maiores. Apesar disso, não deixo de olhar com repugnância – e até preocupação, admito – algumas redes sociais que vão aparecendo e conquistando cada vez mais aderentes e seguidores.

Se algumas seguem uma “filosofia” meramente exibicionista e voyeurista, como, por exemplo, o Dailyboot.com, onde os membros publicam fotografias suas com legendas do género “isto sou eu a comer um bife” ou “isto sou eu a ver televisão”, ou o Failin.gs.com onde os aderentes se expõem às críticas anónimas de terceiros com base no mote “veja aqui o que ninguém teve a coragem de lhe dizer antes”, outras são a encarnação do pesadelo orwelliano levado a extremos de estupidez e exposição. E, pior ainda, voluntariamente.

Veja-se o Blippy.com, cuja pergunta-base é “O que estão a comprar os teus amigos?”. Nesta rede os membros registam o seu cartão de crédito e todas as compras efectuadas são tornadas públicas acompanhadas da informação “O Manuel acaba de comprar uns sapatos de x dólares no sítio y“. Os amigos podem depois comentar, perguntar a cor dos sapatos, se são confortáveis, gostar ou não gostar, etc.

Outra rede, o Foursquare.com, funciona com recurso a telemóveis de última geração e, após registo e descarga de uma aplicação, permite que terceiros saibam onde o utilizador se encontra. Quantas mais vezes este acionar o mecanismo de localização, mais vai subindo na “hierarquia” da rede até ganhar o estatuto de super-utilizador.

Existem outras redes do mesmo estilo, mas acho que basta para exemplificar. E, se não concordo com a visão apocalíptica de MST, tenho que concordar com ele em alguns pontos: eu também odeio a devassa, também odeio que invadam a minha privacidade e, de uma vez por todas, quero lá saber dos sapatos do Manuel ou onde está a Maria, a menos que eu me queira encontrar com ela. Mas para isso, já que a coisa funciona por telemóvel, basta-me dar-lhe uma apitadela.

É preciso ter viajado no Douro

Para perceber que raio de riqueza ali se gerou e ali se deixou ficar meio século depois da chegada das barragens.Portugal visto de Lisboa é um sítio com piada…

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Como Se Fora Um Conto – Na capital do País que um dia foi um Império

“Assim, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital.”

Quem me conhece saberá, por certo, o quanto me terá custado esta viagem. Ou melhor dizendo o quanto me terá custado aceitar fazê-la.

Isto de descer a sul de Coimbra tem sido, nos últimos anos, uma impossibilidade para mim. No entanto, depois de mais de três lustres, lá me decidi a aceitar a ideia de ir até lá, e mais do que isso, ficar para o dia seguinte.

Porém, antes de mais, tenho de me desculpar perante os amigos que por lá tenho. Alguns, que antes de o serem já o eram, e outros, que antes de o serem já o são. A Maria, o Luís, os Carlos, o Nuno, para só citar aqueles com quem mantenho um maior contacto, entenderão, tenho a certeza, o meu silêncio e o secretismo da viagem, que foi decidida em cima da hora e teve como objectivo curar alguns pequenos males familiares, e uma tristeza em mim instalada. Outra oportunidade haverá.

Assim, decisão tomada, tratei dos papeis, tomei as vacinas, fiz as malas e rumei à capital. [Read more…]

A problemática do “couvert” e as soluções da lei em geral e da das práticas comerciais desleais em particular

Em tempos, suscitou a apDC – sociedade portuguesa de Direito do Consumo – a questão de um uso negocial, qual seja, o da oferta nos restaurantes de acepipes ou aperitivos tão logo os comensais se instalassem ou ainda em momento anterior.

E, por aplicação das normas gerais ínsitas no ordenamento jurídico dos consumidores, concluía a instituição que não seriam devidos os montantes exigidos e que os fautores de tais práticas se sujeitariam a coimas que, no limite, seriam susceptíveis de atingir, tratando-se de sociedades mercantis, os 35 000 euros.

De novo corre na internet, de lés-a-lés, a notícia, numa redescoberta tardia de alguém que se propôs difundir urbi et orbi o escrito de origem.

Claro que o tema, ao tempo, provocou distintas reacções, mormente de quem, com menor apetência pelo direito do consumo, entendia que os usos negociais deveriam distorcer as leis, sobrepondo-se-lhes. E de particulares que, dissociados do direito, a criticavam porque entendiam que quem não quer não come, recusa…

E até a televisão, omitindo, com censurável quebra de ética, a audição dos autores da notícia, ousou ouvir uma outra instituição que não a que se propusera propagar as soluções havidas como correctas.

Independentemente de o couvert constar ou não da ementa, repare-se no enquadramento factual:

– ou as pessoas mal se sentam e têm diante de si os acepipes;

– ou surgem após a ocupação da mesa.

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Subsídios, a nova agricultura

É um produto dada à cultura biológica, rico em proteínas, sais minerais, vitamina C que baste. Útil na confecção das mais variadas sopas. Cultiva-se em terrenos pobres e ricos, no sequeiro ou no regadio.

Importado da Europa o subsídio  veio substituir com vantagem muita batata e muita couve e mostra-se bastante rentável. O parque automóvel de veículos todo-o-terreno está aí a atestá-lo.

Eleições regionais francesas,semelhanças e diferenças portuguesas

Três mulheres francesas , unidas, do Partido Socialista Francês , Europa Ecologia, e Frente de Esquerda, comunista,   ganharam em França as ultimas eleições regionais  deixando a aura do Presidente Sarkozy em crise,e a esfumar-se.Foi a maior derrota eleitoral da direita, desde a ultima guerra mundial,e foi lhe infligida por três mulheres.
Os analistas apontam  inúmeras razões ,mas algumas dos temas  que lá se colocam ,também se põem em Portugal.
Para Martine Aubry ,lider do P.S , vencedora, “os franceses  rejeitaram a politica de Sarkozy,que premeia com  isenções fiscais,os que mais têm, protege bancos e banqueiros,e pôs  em perigo a Escola Pública , e  o generoso Sistema de Saúde nacional francês. [Read more…]

A água e o seu desperdício – privatizar ?

” O maior desafio é não deixar que a água seja privatizada” diz o sr. William Cosgrove. especialista em água e consultor das Nações Unidas, foi vice-presidente do Banco Mundial.

” As pessoas podem viver sem petróleo mas não podem viver sem água” “A Tunísia, que tem muita pouca água, tem uma estratégia para o sector, começando a cobrar pela água utilizada em função das possibilidades de cada família, e aplicou uma taxa acrescida para o Turismo!”

” Na agricultura são utilizados 3/4 da água existente no mundo, que é suficiente.” “A boa gestão passa por não a desperdiçar, na indústria já se começou a reutilizar a água que aplicam. Em grande parte do mundo não se paga a água que se consome o que leva ao desperdício, uma medida é aplicar taxas segundo o consumo”.

Em Portugal o desperdício da água é muito alto, a ponto de haver quem defenda que o melhor investimento na actividade seria a manutenção da rede de distribuição. Calcula-se que andará pelos 60% a água desperdiçada. Nos últimos anos apareceram várias empresas privadas de distribuição, normalmente associadas aos municípios onde prestam o serviço o que tem vindo a ser visto como o ínicio da privatização do sector.

É um sector absolutamente vital e a água é um recurso natural que pertence à Humanidade, é impensável a sua privatização. Mas é preciso estar alerta!

Um dos sectores que mais consome água é o golf, e pior do que isso, contamina os aquíferos devido aos tratamentos intensivos da relva com fungícidas . Talvez se perceba agora porque temos tantos PINs (projectos de interesse nacional) que não passam de campos de golf. É a isso que se chama “economia periférica” vamos recebendo o que os outros não querem, como aonteceu nos anos 70 com a indústria de celulose, que além de contaminar o ar, suga a água dos solos com os eucaliptos “globulus” a principal matéria prima da pasta de papel!

E viva a Greve

Acabo de ouvir um senhor da TAP queixando-se que os trabalhadores com greve marcada não aceitaram os serviços mínimos que a administração exigia. E que exigia a administração: nada de especial: todos os voos turísticos para a Madeira, todos os voos que trouxessem emigrantes a passar a páscoa, e parece que sobravam dois ou três que podiam ser cancelados.

Esta nova prepotência patronal, a que se somam as ilegalidades hoje cometidas na CP, traduzem a realidade actual: a greve, arma por excelência dos trabalhadores, vai sendo amestrada e em tempo de desemprego facilmente contornada pelos empregadores, expressão que em linguagem contemporânea faz do patrão uma espécie de santa casa da misericórdia, benemérita, generosa, a que todos devemos obediência e respeito.

Num tempo em que se proletarizaram tantas profissões, sobretudo na área dos serviços, em que os direitos mínimos dos trabalhadores são transformados em poderes máximos dos que os exploram (sim, o trabalho é explorado, ou querem que enumere os bónus dos administradores, os dividendos dos accionistas, os espantosos lucros em época de crise?), num tempo de crise em que eles brincam com a bolsa de desemprego com que ameaçam os que hipocritamente chamam de “colaboradores”, o que se vai seguir é inevitável, e um clássico: as greves tendem a tornar-se selvagens, os desempregados um dia explodem, e o povo volta à rua.

Arranjaram a lenha, um dia vão-se queimar.

O governo é um fingidor! (mas não é poeta)

Álvaro Santos Pereira, economista e docente na Simon Fraser University, analisa assim, o PEC:

Sinal mais : As privatizações e previsões económicas realistas!

Sinal menos: Este é um PEC fingidor. Finge-se que o investimento público baixa, mas mentêm-se as parcerias público-privadas. Finge-se que as despesas com o pessoal descem, mas esquece-se que estas têm baixado principalmente porque se transformaram os hospitais em  empresas do Estado. Finge-se que se atacam os problemas estruturais da despesa pública, mas a consolidação orçamental é conseguida sobretudo com o aumento da carga fiscal efectiva e com as receitas das privitizações.

Acima de tudo, este é um PEC que adia mais uma vez a resolução dos problemas estruturais das contas públicas nacionais!

Apontamentos de Óbidos (16)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

Nomofobia

Sabe o que é? “Medo causado pela possibilidade de ficar sem contacto através do telemóvel”.

Um novo clássico dos filmes de terror.

Concurso, quem é este?

Quem é a annoying orange, entre os candidatos à liderança do PSD? Passos Coelho? Aguiar Branco? Paulo Rangel? Dá-se um sumo fresquinho a quem acertar.

A Vingança Serve-se Fria

Talvez por não viver tão internamente, e por isso tão intensamente, a campanha do PSD à liderança, ao contrário da voz corrente, sempre tive a impressão de que conforme os dias passavam estava a acontecer um desvio do psicodrama. Se numa fase inicial a ideia que dominava era a de que, nem que Jesus voltasse outra vez à Terra, as hostes mais fermentadas e anquilosadas, diria mesmo esclerosadas, do PSD clamavam por um candidato contra Pedro Passos Coelho. Qualquer um! Viesse de onde viesse, de vagas de fundos ou de vagas de superfície, era preciso impedir uma aragem fresca, uma brisa que fosse, que perturbasse o sono rancoroso das lapas laranjas mais cheias de musgo.

À falta de melhor, movidos pela impaciência, inventou-se Paulo Rangel. E o pobre do rapaz que já tinha jurado mil meses que jamais sairia de eurodeputado, que jamais seria candidato, ou até, numa expressão engraçada ‘candidato a candidato’, de repente, era o principal candidato!

Confesso que me surpreendeu. Aguiar Branco estava a emergir, a revelar-se um líder de bancada de grande tacto, assertivo, com uma postura que não resvalava para a gritaria, nem para o insulto, nem para a picardia, a ser o rosto humano da actual direcção do Partido. Percebe-se que é um homem bem formado, tranquilo, que retira prazer do serviço público.

Se os velhos caudilhos queriam uma renovação na continuidade, Passos Coelho teria sofrido muito mais para se colocar no lugar onde agora se encontra, claramente distanciado dos restantes concorrentes. Aguiar Branco tem essa virtude. Sabe estabelecer pontes, compromissos, é confiável.

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A Câmara Municipal destrói o Rato

Naquele bem conhecido processo do “tanto insistir até conseguir”, a Câmara Municipal de Lisboa volta à carga com a questão do repulsivo prédio a construir no Largo do Rato, logo à entrada da Rua do Salitre.

É a completa cedência à destruição de todo o centro histórico de Lisboa que nas últimas décadas, viu devastadas as construções erguidas durante o século XIX. Este “projecto de arquitectura” nada mais é senão a suburbanização da capital e no eixo Largo do Rato/Alexandre Herculano e uma manifesta a vitória dos interesses especulativos, em detrimento daquilo que caracteriza a diversidade arquitectónica da cidade de Lisboa. Pior, consagra a quase completa terciarização de vastas zonas habitacionais.

Qual será a reacção da arq. Roseta e do arq. Sá Fernades?

Eles – os especuladores de negociatas – insistem e por isso acabarão por lograr os seus intentos. Até quando, o crime feito lei?

Directas PSD #6: MUDAR

As coisas são o que são. Este debate na RTP entre os candidatos à liderança do PSD serviu para esclarecer muita coisa.

Foi público e notório que Aguiar Branco e Paulo Rangel estão em ruptura, uma palavra grada a Rangel. Uma ruptura que deriva de uma traição e quando as coisas chegam a este ponto, nada mais há para dizer e nada se consegue esconder. Hoje ficou claro que Rangel traiu Aguiar Branco e que este, por sua vez, só não retira todas as conclusões, ou seja, desmascara toda uma direcção nacional cúmplice por óbvios motivos de educação e polimento. Goste-se ou não, Aguiar Branco é feito de outra massa.

O debate serviu, igualmente, para se perceber que Rangel, pela mão de Morais Sarmento e pessimamente aconselhado (mais valia ter mantido os assessores iniciais pois os posteriores mataram-lhe a eleição) nesta historieta das assinaturas deu um tremendo e definitivo tiro no pé. Conseguiu colocar Aguiar Branco no papel de vítima e fez-nos recordar todos os Antónios Preto que se colaram à sua candidatura num cimento exageradamente arenoso. Posso estar enganado mas hoje Paulo Rangel ofereceu uma parte substancial do seu eleitorado a Aguiar Branco.

Esta discussão na RTP deixou claro, se dúvidas houvesse, que Pedro Passos Coelho é o candidato da mudança. Uma transformação profunda e não apenas geracional no PSD e a afirmação de uma verdadeira alternativa ao actual Partido Socialista. Neste momento cinzento (não quero escrever negro para não ser acusado de exagero) da nossa sociedade, com Portugal mergulhado numa crise sem precedentes na minha geração, era fundamental ter no PSD uma verdadeira alternativa e é isso mesmo que Pedro Passos Coelho nos transmite: esperança.

A esperança numa mudança.

A politóloga

Ao fim de vários anos sem perceber a utilidade dos politólogos, não que tenha algo contra a ciência mas porque tenho muitas dúvidas sobre o carácter científico da chamada “ciência política” (deve ser um trauma por ter frequentado tal cadeira sob a regência de Vital Moreira, admito), eis que se me fez luz, num dia chuvoso e enevoado. Preenchimento de documentação, redacção de requerimentos, traduções, serviços de intérprete, organização de eventos, lá está: polis, cidade, prestação de serviços numa pequena cidade, tem tudo a ver.

Quando voltar a ver um politólogo opinando num qualquer programa paineleirista vou-me rir com muito mais vontade, aí se vou.

Filosofia de bolso (11)

Para quem gosta de sonhar, ler um livro é óptimo.

Para quem gosta que lhe contem um sonho, o melhor é ir ao cinema ver a adaptação do livro.

A mulher que tirava pregos com o cu


«Partir nozes com o cu?», perguntava a Carla Romualdo na caixa de comentários deste «post. E eis que me lembrei de uma das mais delirantes cenas do cinema contemporâneo..