E não se pode criticar os eleitores?

Quando alguém, como é o meu caso, não fica satisfeito com o resultado das eleições, aparecem umas acusações que não me parecem menos estranhas por serem frequentes.
1 – é preciso respeitar a vontade do povo.
Tanto haveria a dizer.
Em primeiro lugar, ó alminhas, criticar não é faltar ao respeito. Depois, criticar não altera votação nenhuma nem manda os criticados para o calabouço da minha prisão política particular gerida por barbudos que torturam os prisioneiros com canções revolucionárias e outras crueldades. Finalmente, em democracia, um cidadão, se lhe apetecer, pode criticar os outros cidadãos todos, incluindo os próprios pais.
Quando critico os outros, posso estar convencido de que sou melhor do que outros? Sim, é possível e, diria, recíproco. Se eu considerar que as minhas opiniões são melhores do que as de outra pessoa, corro o risco de ser atacado por algum complexo de superioridade, mas isso não tira nenhum bocado a ninguém. Curiosamente, as pessoas que consideram que as minhas ideias são um disparate também se julgarão superiores a mim. Entretanto, enquanto andamos nestas discordâncias, enquanto nos julgamos superiores uns aos outros, não nos cai nenhum membro e o mundo pula e avança.

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A Bolha

Antes de falar do que realmente pretendo, 5 pormenores que me chamaram a atenção:

– o definhamento justo e implacável do PCP;

– a perversão ADN que foi, na minha convicção pessoal, deliberadamente permitida pela CNE e desleixadamente menosprezada pela própria AD; 

– a constatação que a decisão da IL de não integrar a AD foi anti-patriótica;

– a quase impossível vitória da AD porque ao contrário do que se quer fazer crer, é notável conseguir ganhar ao PS quando à sua direita ou no seu espaço tem 2 partidos que totalizam 23% e à esquerda do PS, só foram contabilizados 12% dos votos;

– depois da desgraça que foi a governação socialista, ainda haver quase 30% de pessoas que votaram PS.

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A lucidez de Ricardo Paes Mamede

O melhor texto de reacção aos resultados das eleições do passado Domingo está no jornal Público. Escreveu-o o sempre sóbrio e implacável nas ideias, Ricardo Paes Mamede.

E a frase que fecha o texto é chave-de-ouro e resume bem o crescimento da extrema-direita. Cito:

“(…) A generosidade com que pessoas e instituições endinheiradas financiam organizações políticas que apostam na crispação, sugere que uma parte dos ricos em Portugal já não tolera as opções de quem governou o país nos últimos anos, por muito moderadas que fossem. Não há aqui nada de novo: quando acham que a democracia lhes retira privilégios — sob a forma de impostos ou de direitos laborais que consideram excessivos —, alguns poderosos financiam o caos, dando poder a quem oferece ordem e “moderação”. Esperam com isso manter os seus benefícios. O problema, como a história mostrou muitas vezes, é que se arriscam a perder o controlo sobre o monstro que criaram.”

Na mouche. Parabéns pela clareza, Ricardo.

A derrota do social-liberalismo

O Partido Socialista (PS) perdeu as eleições que ninguém ganhou, excluindo a agremiação onde se arrolam mil e um interesses obscuros.

Em relação a 2022, o PS perde quase meio milhão de votos. A “grande” Aliança Democrática (AD), coligação entre três partidos – uns mais moribundos do que outros -, conseguiu a proeza de, em relação a 2022 e ao PSD de Rui Rio, só ter ganho 259 224 votos. Já a terceira força política, arregimentou os votos daqueles que no seu extremismo se vêem representados mas, sobretudo, dos descontentes; se, por um lado, nos congratulamos porque a abstenção baixou, também saberemos ver que esses, os cordeiros inocentes, saíram para votar no lobo que lhes esfolará a pele mal tenha oportunidade. É, de todos, o mal menor, pois hoje, se a gente adulta estiver atenta e se galvanizar, será o primeiro dia do fim da vida da extrema-direita como a conhecemos na Assembleia da República. Com tantos deputados quantos os anos que durou o Estado Novo, a cooperativa de interesses de colarinho branco chamada Chega terá, agora, a difícil tarefa de transformar os votos que teve em propostas concretas e realistas, para lá da gritaria, do insulto e da mentira reles e facilmente desmontável, o que, convenhamos, será quase tarefa impossível para quem entrou na política apenas e só a reboque dos caciques milionários que comandam o país. [Read more…]

A herança de Durão nos 20 anos do 11M

O 11M, como é conhecido em Espanha, foi há 20 anos.

Com epicentro na estação de Atocha, Madrid foi abalada pelo rebentamento de 10 bombas, que causaram a morte de 193 pessoas e ferimentos a mais de 2000.

Uma tragédia de proporções aterradoras, que produziu traumas que ficaram para sempre.

Nesse dia, descobrimos, da pior maneira, que a invasão do Iraque colocou os lacaios de Bush na linha de mira da Al-Qaeda.

Seguiu-se Londres, em 2005.

Sorte a nossa, Portugal escapou. Talvez porque os terroristas não viram em Durão Barroso mais do que aquilo que ele foi: o mordomo da Cimeira das Lajes. [Read more…]

Notas aleatórias sobre os resultados eleitorais – uma thread de Pedro Magalhães

que pode acompanhar neste link. As primeiras notas, inevitavelmente, dizem respeito ao crescimento da extrema-direita.

Não há corruptos contra a corrupção

A AD, enquanto marca eleitoral, perdeu as eleições, em votos e em mandatos, e só pode propor governo com os deputados emprestados da oligarquia madeirense. Não deixa de ser uma ironia rebeliana que a direita festeje umas eleições convocadas por suspeitas de corrupção, à boleia de 3 deputados da Madeira eleitos por partidos embrulhados em suspeitas de corrupção, e que a extrema-direita, que tanta demagogia propala contra a corrupção, queira ser chamada a governar a reboque deste dominó de corruptos. O próximo governo não vai ser um governo, vai ser uma quadrilha em cadeia.

O fascismo metastizou

Com mandatos em todos os círculos eleitorais à excepção de Bragança, o fascismo metastizou o país nos 50 anos do 25 de Abril. São 48 deputados, tantos quantos os anos vividos em ditadura. Se somarmos a esse dado o pior resultado da esquerda na era democrática, estamos nas piores condições possíveis para defender os direitos de quem trabalha. Para salvar o país do cancro da extrema-direita vai ser preciso, porém, mais do que lamentos. É preciso uma esquerda mais capaz, menos deslumbrada e consciente que o tempo que temos pela frente não se enfrenta com a brandura com que nos têm brindado. Que os líderes da oposição sejam uma nova resistência. No parlamento e nas ruas. No boletim de voto e em todas as frentes onde o fascismo mostre os dentes. Cá estaremos, com tudo o que precisarmos. Só assim podemos voltar a virar o jogo como tão bem o soubemos fazer há 50 anos.

Que passou-se, Montenegro?

O facto mais extraordinário desta eleição foi a vitória de pirro de Luís Montenegro. Esteve dois anos em campanha e, ainda assim, foi incapaz de capitalizar com os problemas estruturais no SNS, na Educação, na Justiça e na generalidade da Administração Pública. Não foi além de uma vitória tangencial, apesar dos casos e casinhos que enfraqueceram o PS. E permitiu que o CH ocupasse parte do seu território natural. Quando se exigia uma vitória expressiva, não foi além dos 30%. Como diria o amigo de Ventura, “que passou-se”?

Legislativas 2024 – Sosseguem: isto ainda pode piorar

Nada ficará decidido hoje.

E será interessante perceber o que farão os protagonistas nos próximos dias.

O PS não quer acordos com o CH.

Montenegro disse que “não é não”.

Ventura já se fez à AD e até avisou, há dias, que tinha amigos no PSD. Apesar de se referir ao partido como “prostituta”.

Problema: se PS e AD se entenderem, a oposição fica entregue ao CH. E isso fará com que o CH cresça ainda mais.

Outro problema: se a AD fizer um acordo com o CH, perde a face e será penalizado no futuro.

Terceiro problema: o PS até pode ganhar, mas não tem ninguém com quem se entender.

Tenho o pressentimento que teremos novas eleições em breve.

Por isso sosseguem: isto ainda pode piorar.

Vá lá que o ADN não elegeu um chalupa. Mas faltou pouco.

 

PSD: O Fraco Rei….

Oito anos de governo PS. Um governo PS com maioria absoluta que não conseguiu terminar a legislatura. Uma coligação com o CDS (coisa que não fizeram nas anteriores e que teria evitado a maioria absoluta). Um PS em frangalhos. Melhor cenário era impossível. No mínimo exigia-se uma vitória robusta e, com alguma sorte, uma maioria absoluta.
A esta hora ou dá empate ou uma vitória de pirro. Pior era quase impossível. A clubite da militância dos partidos acrescida de lideranças que vivem numa bolha dão nisto. Já dizia o outro: fraco Rei faz fraca a forte gente….

Resultados Legislativas 2024 – “too close to call”?

Mantendo a tradição, o Aventar vai antecipando os resultados das sondagens à boca das urnas. A tradição ainda é o que era.

Dados de sondagens “à boca das urnas” pelas 16h de Portugal continental:

AD 30,07% ; PS 28,5% ; CHG 18,7%; ; IL 4,4%; CDU 4%; BE 3,8%; LV 3%; PAN 1,5% e ADN 1%
Nenhuma televisão estará em condições de dizer às 20.00 que há um vencedor.

Perdeu o cartão de eleitor? Não sabe o seu número de recenseamento?

Vote na mesma.

Foi você que perdeu um cérebro?

Pensei que fosse gozo, mas é mesmo verdade: no Twitter, André Ventura garante que a sede do CH foi atacada por activistas climáticos, sem apresentar uma única prova, acusando-os de atacarem o seu gato. O tweet vem acompanhado com uma foto do gato com uma mancha verde de meio centímetro de diâmetro.
Pior: há pessoas, com cérebros, que acreditaram nisto.

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Mulheres: um voto em André Ventura é um voto contra os vossos direitos

Dia Internacional da Mulher.

O dia perfeito para recordar que o partido de André Ventura tem militantes que defendem a remoção dos ovários das mulheres que recorrem à IVG.

Entre outras ideias que visam reduzir a mulher ao papel que teve durante o Estado Novo: uma subalterna do marido ou do pai, submissa, na cozinha, sem carreira profissional, de pernas abertas sempre que o homem quiser.

Sem levantar ondas.

Calada e obediente.

Ou, regressando ao léxico fascista do Estado Novo, “recatada e do lar”.

Mulheres: um voto em André Ventura é um voto contra os vossos direitos. [Read more…]

Em 2019, o exército de perfis falsos do CHEGA foi financiado ilegalmente?

Em 2019, aquando da candidatura de André Ventura às presidenciais, do nada surgiram centenas de páginas facebook oficiais e não oficiais do CHEGA. Enquanto as páginas oficiais revelavam uma baixíssima atividade, comparável aos restantes partidos pequenos/novos, já os sites oficiosos do CHEGA pareciam inundados de apoiantes e imensamente profícuos em comentários. Como foi denunciado na altura em reportagem jornalística, o CHEGA teria criado cerca de 20 mil perfis falsos. E era nestas páginas oficiosas do CHEGA que eles faziam o seu trabalho, e aqui sublinho a palavra trabalho, porque era evidente que havia perfis que dedicaram meses de trabalho a tempo inteiro à criação de páginas, de conteúdos, de perfis falsos e à escrita de comentários das 8h às 24h. Um desses perfis, era esta Sophia Vilaverde ou “Vani para os amigos”. Era evidente que a Vani estava a fazer um trabalho remunerado, como é que se pode explicar que geria a página “CHEGA Portugal – Força Nacional” (encerrada entretanto pelo facebook) que produzia conteúdos da manhã à noite e tinha centenas de comentários em cada post. Quanto mais racista fosse o post mais comentários atraía. A Vani passava o dia a responder aos comentários dessa página bem como de outras páginas oficiosas do CHEGA.

Como foi paga a Vani? Quem pagou a Vani?

Esta é a grande questão. Mais do que analisar aqui os milhares de comentários de incitamento ao ódio racial, ao genocídio ou ainda aqueles em que se faziam ameaças explicitas à integridade física de minorias, de mulheres e de portugueses racializados. Quem e como pagou à Vani e às restantes dezenas de gestores de páginas oficiosas do CHEGA que se escondiam por trás de perfis falsos , quem pagou aos criadores de conteúdos e aos gestores dos tais 20 mil perfis falsos, que surgiram do nada de um dia para o outro, num partido pequeno e acabado de criar? [Read more…]

Breaking: André Ventura recruta cabeça de lista num prostíbulo

Rui Cristina, o político sorridente que surge nesta foto com André Ventura, é o cabeça de lista do CH por Évora. Em Janeiro, era deputado do PSD, o partido “do sistema” que Ventura apelidou recentemente de “prostituta”. Quer isto dizer que Ventura recruta cabeças de lista em prostíbulos?

Who’s the whore now?

Admitam: os imigrantes fazem mais falta que o partido de André Ventura

Raro é o dia em que não lido com indianos, nepaleses, brasileiros e pessoas de outras nacionalidades que chegaram à Trofa nos últimos anos, em busca de uma vida melhor.

Vamos sublinhar já esta parte: em busca de uma vida melhor.

Como aqueles portugueses que começaram a sair daqui quando Portugal era uma ditadura fascista. Fugiam de um regime opressor, fugiam da guerra e da miséria. Os mesmos motivos que levam indianos, nepaleses e brasileiros a fugir.

Ao contrário daquilo que afirma a extrema-direita e a direita radical, coro ao qual se juntou recentemente Pedro Passos Coelho, não se registou qualquer aumento de insegurança, ou mesmo da criminalidade, decorrente da chegada destas pessoas ao nosso país.

É falso e é uma canalhice usar este pretexto para atacar os imigrantes.

E é xenofobia também. [Read more…]

Groucha

Ou por outras palavras:

Por apoiar a AD, Goucha passou num instante de membro de uma “minoria privilegiada” a elemento de uma maioria livre e esclarecida. Além disso, a posição de Goucha é assaz incoerente: não faz sentido votar em partidos que, descaradamente, votaram contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo (e que, descaradamente, apoiaram a guerra no Iraque) para em 2018 se ir casar com uma pessoa do mesmo sexo.

There, I fixed it, Berto.

O Malhão sempre era reaccionário

A idade faz mal a todos, mas faz pior a uns que outros. Este, que já tocou acordeão para o Zeca, confirma agora que o seu malhão é mesmo reaccionário.

André Ventura e as forças vivas do PSD

Do Volksvargas.

André Ventura, o grau zero da credibilidade

Diz-se anti-sistema, mas acobarda-se contra os donos disto tudo.

Diz-se contra as elites, mas é financiado por algumas das maiores fortunas do país.

Diz-se contra corrupção, mas enche o peito para anunciar um vídeo de apoio de Viktor Orbán, um dos políticos mais corruptos da Europa.

Diz-se implacável contra os criminosos, mas tem vários condenados nas suas listas.

Diz-se um homem do povo, mas passou a campanha fechado em salões, longe da rua. [Read more…]

Quem financiou o partido de André Ventura?

O partido de André Ventura, que se propõe limpar Portugal com criminosos condenados nas suas listas, foi notícia por suspeitas fundadas de financiamento ilegal, devido a milhares de euros de donativos cuja origem não é conhecida ou explicada pelo partido.

Querem ver que é desta que se descobrem lá alguns rublos do Putin?

Os herdeiros de Salazar querem um país de analfabetos

Perante o cheiro a mofo das personagens sinistras que, por estes dias, saem do armário do para tentar iludir os descontentes, afirmando barbaridades como “isto está pior que no tempo do Salazar”, nada como dados objectivos para reduzir a propaganda do retrocesso ao lixo que ela é.

Fascismo nunca mais.

Ventura e o orgulho de ter Miguel Relvas como aliado

Mesmo que não se confirme, o facto de André Ventura apresentar o nome de Miguel Relvas como aliado diz-nos tudo sobre a farsa anti-sistema que o seu partido tenta vender.

De Tavira para o 25 de Abril de 1974

Foi um acaso, sim. Mas não é a História feita, também, de acasos? Um acaso que, quase 50 anos depois, é ainda um facto praticamente desconhecido: muitos dos cravos que marcaram as imagens do 25 de Abril de 1974 foram criados no Posto Agrário de Tavira.

Esta recente informação – também obtida por acaso, através de uma investigação sobre o Posto agrário de Tavira -, deu asas à ideia de recriar a viagem dos cravos que são o símbolo da liberdade de Abril. Aliás, também isso, por acaso. Segundo testemunho da Eng. Guilhermina Madeira, que à data trabalhava no Posto Agrário, os cravos seguiam de Tavira para Lisboa à consignação para um distribuidor, a firma Laranjeiras e irmãos, e era ao sr. Laranjeira que as senhoras que vendiam no Rossio e na Praça da Figueira compravam as flores. “Tanto quanto me apercebi, foram as mulheres que distribuíram os cravos, era o que tinham, se calhar se tivessem tulipas ou gladíolos em abundância, teriam dado também…”. [Read more…]

Quem financiou os outdoors do Chega em 2019?

Todos se recordam das dezenas de outdoors que foram colocados por todo o país em que o CHEGA se manifestava contra o serviço público de saúde, de educação, de transporte, etc. Assim que começou a pandemia e era o serviço público a cuidar da população com COVID, André Ventura ficou entalado e negou o conteúdo destes cartazes, explicando que afinal estes outdoors queriam dizer que ele não tinha preconceitos ideológicos contra a saúde privada. Mas o que é certo que foram gastos mais de 75 mil euros em outdoors (assumindo 50 outdoors a 1500€ cada) que afinal não queriam dizer o que diziam. 75 mil euros para um novo partido é uma imensidão de massa, sobretudo quando é para dizer o que não queriam dizer. Mas a profusão de sucessivos novos outdoors com variadíssimas outras mensagens foi uma constante do CHEGA durante 2019. Quanto gastou o CHEGA no total em outdoors em 2019? Certamente bem acima de 200 mil euros. De onde veio tanto dinheiro para um novo partido? Veio do contumaz César de Paço? Veio de milionários nacionais? Ou veio de fora de Le Pen ou de Putin através de algum esquema indireto?

É fundamental que as autoridades, em particular a judiciaria, investiguem a fundo as transferências escondidas do CHEGA de 2019. Em França não houve medo e já houve condenações no caso de financiamento ilegal da campanha de Sarkozy. Aqui queremos investigação e queremos ver resultados.

U2 – This is 40′

Foram 40 noites e 40 concertos em Las Vegas. Ou como alguns dizem, foram 40 noites no deserto.

A inauguração da Sphere foi o mote: a Sphere é a nova excentricidade de Las Vegas, uma espécie de pavilhão em forma de esfera construído para ser a melhor sala de espectáculos do Mundo. E a tecnologia da coisa não engana: um ecrã com quase 55 mil m2 que ocupa metade da esfera no seu interior (efeito 180°) e a totalidade da mesma no seu exterior, com uma qualidade nunca antes vista e o mesmo se diga em termos de som com as suas mais de 160 mil colunas de som. A capacidade ronda as 18 mil pessoas. Não existe nada igual ou parecido. E custou uma fortuna à MGM (os proprietários da Sphere), qualquer coisa como 2,3 biliões de dólares.

Para inaugurar a Sphere foram escolhidos os U2. E porquê estes irlandeses? O tempo deu razão à MGM: eram para ser só 8 concertos mas esgotaram em minutos. Passaram a mais 12 e a coisa repetiu-se. Não chegava para as encomendas e tiveram de ser 40 (e na verdade, talvez fossem precisos mais 40 para responder à procura). Vieram de todo o mundo e quando digo “todo o mundo” não estou a exagerar. Que o digam a BA, a Qantas, a Air Lingus, a Singapore Airlines ou as várias companhias aéreas da América Latina, da América do Sul ou da Ásia. Para Las Vegas foi excelente e para a Sphere foi a cereja no topo do bolo. E lá vamos outra vez a números: foram 40 concertos, mais de 700 mil espectadores e uma verdadeira fortuna ganha pela banda (4 milhões de dólares por concerto acrescido de uma percentagem sobre a bilheteira). Números de uma grandeza típica dos Estados Unidos.

A Sphere não são só números. Estes justificam apenas a “boa” loucura cometida pela MGM. Foi feita para preencher uma lacuna: ter uma sala de espectáculos pensada e construída para concertos de música e multimédia. Onde a qualidade do som e da imagem fossem excepcionais. E são. A qualidade da imagem é surreal e a excelência sonora é absolutamente incrível. Já fui a centenas de concertos e sempre me deparei com o mesmo problema: falta de qualidade do som. Não esqueço os fabulosos concerto que assisti em Portugal (e fora) de bandas como os U2, Sigur Ròs, Portishead, Placebo, Tindersticks, Bjork, Madredeus, Vetusta Morla, The National, Nick Cave entre tantos outros mas de nenhum deles posso afirmar que a qualidade do som era excelente. Nenhum. Até assistir a U2:UV na Sphere. Até a respiração dos membros da banda era perceptível. Como se estivesse a assistir com auscultadores nas orelhas. Absolutamente impressionante. E a qualidade de imagem? Nem numa sala de cinema IMAX.

Os U2 aproveitaram a “residência” para comemorar os 30 anos do seu álbum “Achtung Baby”, tocado na íntegra durante as duas horas de concerto (acrescido de alguns dos seus hits de outros trabalhos). Tudo isto acompanhado pela projecção espectacular de vídeos feitos para esta apresentação. Foram duas horas de tirar o fôlego a qualquer um em 40 noites que começaram no final de setembro de 2023 e terminaram esta madrugada (3 de Março 2024).

Se a Zoo TV Tour (1992) fez história nos anos 90 pela revolução que representou para o futuro dos concertos em estádio, a U2:UV Sphere Vegas marca o início de uma nova era para os grandes concertos do futuro. Existirá um antes e um depois, tal como aconteceu nos anos 90 e, uma vez mais, são estes irlandeses a dar cartas. Estes rapazes que caminham para os 50 anos de carreira (2026) e que agora, terminada a aventura em Las Vegas, rumam para o seu estúdio para terminar o novo trabalho (a apresentar no final deste ano) e preparar a World Tour 2025 (onde já se prevê uma paragem prolongada em Vegas num regresso à Sphere). A U2:UV Sphere terminou esta madrugada como devia terminar, ao som de “40” do álbum WAR:

Ficará guardado nas minhas memórias para sempre. Como ficará o grupo de Facebook “U2 at Sphere” onde mais de 22 mil pessoas se juntaram, de todas as partes do Mundo, ajudando quem queria ir ver o concerto partilhando informação e ajudando nas dificuldades. Fosse na aquisição de bilhetes, na escolha de voos sem esquecer aconselhamento em hotéis, restaurantes ou locais a visitar em Vegas. Uma verdadeira comunidade. E deixo aqui, para terminar, a foto de um grande fã português dos U2, o Sérgio Barbosa, um daqueles que nestas coisas dos U2 nunca falha:

48 anos de alterne…

Passar a imagem que o PS governou mal, enquanto o PSD salvou sempre o país parece ser a estratégia na campanha da AD, para a qual têm sido chamados os antigos líderes do partido. A mensagem pode vir embrulhada em romantismo, apelando ao saudosismo, mas é falsa. Lembro-me bem como terminou o governo liderado por Francisco Pinto de Balsemão, com maioria absoluta que lhe permitiria ter permanecido no cargo até 1984, mas após implosão da Aliança Democrática original, durou apenas até 1983, eleições vencidas pelo PS, que governou com o PSD liderado por Mota Pinto, o célebre bloco central, foi Ministro das Finanças que tinha por missão colocar em ordem as contas que a AD havia deixado e preparar a adesão à então CEE, que era à época o desígnio nacional. [Read more…]

Padronizados e Pobres

Standard & Poor`s sobe `rating` de Portugal que alcança nível `A` em todas as principais agências

Bem sei que esta coisa dos ratings não passa de velhos e novos-ricos, muito bem engravatados, a medirem pilinhas, mas estou a estranhar que quem tanto admira ratings ou rankings não esteja a festejar peremptoriamente esta tão magnífica vitória económica para Portugal.

Sei lá, se era para trazer os Passos, as Assunções e os Durões, ao menos que mantivessem a mesma tesão por números que mostravam ter quando governavam o país. Nem precisavam de inventar novos discursos; bastava dizerem, por exemplo, o que já disseram: as pessoas não estão bem, mas o país está melhor.