Respeitar os Professores

É, por exemplo, dar tempo para fazer a mala! Sr. Ministro, vai demorar muito a publicar as listas?

O Acordo Ortográfico de 1990 explicado por Dilma Rousseff

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© Igo Estrela / Getty Images (http://bit.ly/2bMqB1b)

“I want so to see the Arno. The rooms the Signora promised us in her letter would have looked over the Arno. The Signora had no business to do it at all. Oh, it is a shame!”

— E. M. Forster, “A Room with a View

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Hoje, durante o discurso inicial de defesa, Dilma Rousseff explicou as razões pelas quais o Acordo Ortográfico de 1990 é perfeitamente inútil.

Por exemplo, no discurso de Rousseff há duas ocorrências de «ruptura democrática» e uma ocorrência de «ruptura institucional». Ora, segundo o estabelecido no AO90, ruptura mantém-se no português do Brasil, mas deixou de existir em português europeu: criou-se a *rutura. Exactamente, aquela que já em 1999 parecia “injustificada“. Efectivamente.

Quanto ao aspecto, Rousseff volta a referi-lo:

Nos últimos dias, novos fatos evidenciaram outro aspecto da trama que caracteriza este processo de impeachment.

O aspecto foi proscrito da norma portuguesa europeia. O aspecto português europeu é outra vítima do AO90: criou-se o *aspeto. Quanto aos “novos fatos”, todos sabemos onde encontrá-los: sim, eles existem.

Obrigado, Dilma Rousseff, por esta lição.

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Pôr o dinheiro num país dirigido por comunistas?

JamaisCoisas com comunas só se for para lhes dar o controlo de empresas estratégicas para o país, como a REN.

O suposto fracasso do Tratado Transatlântico (TTIP): à atenção do Público

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Imagem ZDF

Embora não valha a pena dar-lhes grande credibilidade, as declarações de Sigmar Gabriel sobre o fracasso do TTIP conseguiram em Portugal (onde os previstos acordos continuam a ser desconhecidos pela grande maioria) entristecer gente que anda a acenar as bandeiras ameaçadoras do costume, com o papão chinês e afins. É desta ala que se faz porta-voz o jornal Público, dedicando o seu editorial de hoje ao grave risco de mudança “do principal eixo gravitacional do Mundo para outras latitudes“. Este dilecto argumento neoliberal faz lembrar o dos anúncios de naufrágio de Portugal às mãos da geringonça portuguesa.

Já a ingenuidade final deste editorial é comovente, diz assim: “Se o tratado é, pelo que se consegue saber no seu secretismo, uma ameaça a um modelo social europeu que os seus cidadãos defendem, seria bom que fosse reajustado com novas negociações“. O suposto fracasso dever-se-ia então à falta de persistência dos negociadores ??? Relembro apenas dois conceitos-chave: princípio da precaução e ISDS. Há incompatibilidades que não são solucionáveis, a menos que uma das partes se submeta. E a isso os cidadãos disseram não.

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Ao sul

Homem e cão, uma única mancha negra pelo areal, com os banhistas a lançar mão ao saco à sua passagem, a guardar o telemóvel, a carteira com o dinheiro para o almoço, tão inquietante será esse negro no areal dourado? Vieram os miúdos pedir-lhe que soltasse o cão, que o deixasse tomar banho, e o cão queria, via-se que sim, mas respeitava as ordens do dono. O homem caminhou devagar até à água, e então sim, confiou o cão aos miúdos, que nadassem com ele e se agarrassem ao seu dorso negro, golfinho improvável em águas límpidas. [Read more…]

Boa, Passos, partiste a loiça toda!

PPC

Adorava ver o deputado Pedro Passos Coelho repetir a pergunta, com aquela indignaçãozinha tão ternurenta que lhe vimos na TV, na presença dos camaradas do Partido Comunista Chinês, com quem tão boas memórias e negócios partilhou:

Quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas?

Era capaz de ter a sua piada. Ter piada e ser piada porque, apesar da hibridez do regime, a China é um país dirigido por comunistas onde quase toda a gente quer investir. A Apple põe lá o seu dinheiro, a Google põe lá o seu dinheiro, a indústria automóvel põe lá o seu dinheiro, os grandes bancos e restantes piratas da alta finança põem lá o seu dinheiro, enfim, seria difícil um desabafo mais trapalhão mas a propaganda é o que é e os comícios de políticos desesperados precisam destas bacoradas.  [Read more…]

Procura-se

Autor desconhecido

Venha a nós a vossa viralidade, seja feita a vossa vontade

DDPPC

Antes de mais quero agradecer à página Os Truques da imprensa portuguesa por me dar a conhecer a maravilhosa página do PSD Europa no Facebook. Ainda estou a recuperar de tanta seriedade, mas lá chegará o tempo de a ela voltar. Hoje deixo-vos com um texto sacado a essa malta pecadora d’Os Truques, que ilustra bem a forma como muita da nossa imprensa promove, de forma permanente e deliberada, a agenda, a estratégia e a propaganda do PSD. Venha a nós a vossa viralidade, seja feita a vossa vontade.  [Read more…]

Bilhete do Canadá – Última hora

“Quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas?”, pergunta Passos
Lusa, 28 Agosto 2016

Fontes que só bebem do fino e que adoram blogs, fazem chegar às nossas mãos um bilhete endereçado a Christine Lagarde, Angela Merkel, Schauble, Junker e Draghi.  Assinam Rockfeller, Selim, Soros e outros representantes do grande capital.  Reza assim a prosa:

“Queridos empregados – É de coração partido que ouvimos o grito de dor do nosso nunca por demais louvado Passos Coelho. O mainato tem razão.  Se não houver, em Portugal, um governo chefiado por ele que, garantidamente, conte com a Maria Luís Albuquerque, o Macedo, o Portas, o Relvas, a Cristas e o resto dos democrata-cristãos, nunca mais consentimos que se ponha um centavo em Portugal. Só entra dinheiro se o governo for deles, isto é, da nossa confiança. Ouro sobre azul seria entrar o Dias Loureiro para a pasta da Economia, o José Manuel Fernandes para tomar o travão de toda a comunicação social, o Duarte Lima para o Banco de Portugal.  Os Senhores, queridos empregados, têm a faca e o queijo na mão para procederem à mudança.  Tratem de agir. É uma ordem.”

Imagem: Miguel Baltazar

Areia para os olhos

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POR UM COMÉRCIO JUSTO! SÁB. 17.SET. 2016 – 7 Manifestações simultâneas em Berlim, Frankfurt, Hamburgo, Colónia, Leipzig, Munique e Estugarda!

Sigmar Gabriel, ministro da economia e presidente do SPD, aproveitou a “entrevista de Verão” do canal público de televisão ZDF para anunciar o que já se estava a perceber: que as negociações do TTIP “fracassaram”. E aproveitou porquê? É que Gabriel, que andou longamente a defender o TTIP, está entalado no seu próprio partido no que toca ao CETA, o acordo com o Canadá. Apesar de toda a pressão que anda a fazer em favor deste tratado (no partido usando o “método Basta!”, em reuniões nos bastidores com os sindicatos, em declarações nos media, com um convite a Freeman para participar no próximo congresso) há uma considerável ala de esquerda que defende que também o CETA ultrapassa as linhas vermelhas do partido e que vai votar contra no congresso de 19 de Setembro, dedicado ao CETA. Oportunista como é (ou será simplesmente, político de gema como é?), Gabriel lança esta grande novidade para tirar a força à oposição dos cidadãos e do seu próprio partido em relação ao CETA, desviando assim as atenções e procurando obter a simpatia geral. Quando voltar a ser altura de repescar o TTIP logo se vê, provavelmente vai colocar isso no cimo da sua “to do list”. E já agora, porque não terminam já as negociações, se estão fracassadas?

Certo é que o hipotético fracasso do TTIP é consequência, sobretudo, da recusa dos cidadãos em embarcar nele. Mas Gabriel pode esperar, no dia 17 de Setembro vamos para a rua contra o CETA em Berlim, Frankfurt, Hamburgo, Colónia, Leipzig, Munique, Estugarda e ainda em Viena, Linz e Salzburgo. Porque, ao contrário do que afirmam Gabriel ou Santos Silva, o CETA não é um bom acordo; é um acordo em os interesses dos investidores valem mais do que os dos cidadãos!

 

Cuidado com a corrente do Facebook, mas no que respeita aos anúncios de perigo

Roubo de dados pessoais e de endereços de IP, spam, phishing, burla, propagação de vírus e demais sete pragas do Egipto em versão digital foram os perigos que vários órgãos de comunicação social, alguns até dizendo-se como de referência, anunciaram como podendo acontecer a quem aderisse à corrente “Desafio aceite”.

Esta corrente consiste em publicar no Facebook uma foto a preto e branco, como forma de suporte à luta contra o cancro. Obviamente que nem essa luta ganhará com isso, nem os utilizadores do Facebook ficarão mais expostos do que quando publicam qualquer outra foto.

Na verdade, o único truque nesta campanha chama-se clickbait e é praticado, precisamente, pelos órgãos de comunicação social que publicaram no Facebook estas notícias alarmistas para atrair visitas para o seu site.   Onde, naturalmente, vendem publicidade em função do número de visitas.

Posto este esclarecimento, vamos lá começar uma campanha como deve ser. Se acha que o mundo não vai acabar amanhã às 22:53, tome um bom banho matinal e alimente-se bem, pois vai ser um dia longo.

UE contra cidadãos europeus: STOP CETA, STOP TTIP! – 1

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Entrámos no sprint final do CETA, o Acordo Económico e Comercial Global entre a UE e o Canadá. Pretendem os dirigentes europeus assiná-lo no final de Outubro e, com a aprovação do Parlamento Europeu, proceder à sua “aplicação provisória” antes da ratificação nos parlamentos nacionais (conseguida pelo movimento de protesto).

Hoje, sábado, vai ser entregue ao tribunal constitucional de Karlsruhe uma queixa de inconstitucionalidade do CETA. A queixa é apresentada por uma professora de música de 70 anos de idade e subscrita, através de procuração (ver pacotes na foto), por mais 68.058 cidadãos alemães.

Chefes de estado e deputados, mais não sois do que representantes, “ouvide” o que temos para vos dizer: NÃO a tratados em que os interesses dos investidores valem mais do que os dos cidadãos!!!

Em Portugal, faça o CETA-Check (basta clicar nas questões preparadas) e esteja atento, é hora de acordar antes que seja tarde demais…

O que a vida parece através dos olhos de um eleitor Trump

(C) Rudy Mancuso

Desespero

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A Selva de Calais é o acampamento ilegal onde mais de 7 mil refugiados sobrevivem no meio de um lamaçal, agarrados a uma única ideia fixa: passar o canal da Mancha escondidos num dos inúmeros camiões que atravessam o Eurotúnel para chegarem a Inglaterra. Dia a dia, aumenta a tensão e a raiva, aumenta a violência dos polícias, dos refugiados, dos camionistas. É uma das feridas vergonhosas incrustada nesta Europa desunida e incapaz de encontrar soluções responsáveis e humanitárias, fingindo que pode continuar no business as usual. Merkel acaba de receber novamente um não categórico dos quatro chefes de estado do grupo de Visegrado em relação a uma política de refugiados com quotas obrigatórias para o acolhimento dos mesmos. Em vez disso, a Hungria e a República Checa consideram a segurança como tema prioritário e defendem a criação de um exército europeu.

Imagem: arte

“Contate hoje mesmo!”

contateOntem, numa hora, para mim, matinal, saí de casa, a fim de tomar o primeiro café do dia. A minha única preocupação era saber que teria de disputar o jornal “da casa” com os quatro ou cinco reformados que passam por cada página com uma calma enervante, incluindo a necrologia e os anúncios das meninas que prometem dar vida a mortos. Ao passar pela caixa de correio, verifiquei que já lá estava o habitual prospecto de uma imobiliária. Na frente e no verso, podia ler-se “Contate [sic] hoje mesmo!”, como poderão confirmar na imagem que simpaticamente compartilho. A urgência do primeiro café tornou-se ainda mais urgente. É nestes momentos que admiro a fleuma do Francisco Miguel Valada, que consegue manter a elegância mesmo quando recolhe amostras de fatos e de contatos.

Como é que o verbo contatar  e o nome contato entraram pelos prospectos do nosso país? Façamos, à imitação de outros muito mais sabedores, um resumo da história do chamado acordo ortográfico (AO90). O AO90 foi criado porque, na opinião (ou nas declarações) dos seus autores, era preciso, necessário, fundamental, imprescindível criar uma ortografia única no universo dos países lusófonos. Resultado: muitos desses países ainda não adoptaram o AO90 e entre os países que o adoptaram continua a não haver uma ortografia única ou deixou mesmo de haver ortografia. [Read more…]

A reeucaliptização da banca

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Existem enormes paralelismos entre um eucaliptal e a banca. Desde logo, ambos secam tudo à sua volta, a água no primeiro caso, o dinheiro dos portugueses no segundo. Registam o pico de ocorrências no calor da época veraneante de Agosto, como se constata com o incêndio do BES, a 3 de Agosto de 2014, e com as labaredas à vista na CGD, a 25 de Agosto de 2016. E é quando tudo arde, na floresta e na banca, que se ouve o chamamento pelo salvamento público e se descobrem miríades de peritos com diagnósticos e soluções que, quando apenas sobram cinzas, logo caem em esquecimento. É ainda neste período de desgraça que se constata que aqueles com a responsabilidade para prevenirem a catástrofe não o fizeram, apesar dos sucessivos sinais de perigo. 
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Viana, vaidosa e formosa

santaluzia2Chegamos a Viana já noite cerrada, com o plano de visitar a cidade durante o dia seguinte e à noite seguir para Braga, onde já temos hotel reservado. Manhã cedo, saímos para a rua e começamos a cirandar. E, cirandando, sem dar por isso vamos ficando enredados em cada esquina que percorremos. Mais e mais aprisionados, a rendição total ao encanto ocorre no início da tarde. Anulamos a reserva em Braga, procuramos um local de pernoita nos arredores (na cidade está tudo esgotado) e dedicamos os 3 dias livres de que dispomos a Viana do Castelo e arredores.

Tal como uma mulher, uma cidade “tem que ter qualquer coisa além de beleza”. Mas ao contrário do que diz o poeta, não deverá ser “qualquer coisa de triste”, mas sim uma coerência e um magnetismo próprios. [Read more…]

Postcards from the U.S. #9 (New York)

‘One, A, triangle, blue, Mom’, the young girl said or «We’ll have Manhattan…»*

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Diz-se que o melhor se guarda para o fim. Ou aconselha-se. Segui esse vago conselho e guardei o Central Park e o Guggenheim para o último dia em Nova Iorque. Ou seja, hoje. Embora amanhã ainda esteja aqui um bocadinho, não vou ter tempo para ver mais nada, a não ser o Empire State Building ali na esquina da 27 st East com a 5ª Avenida. Aliás, vi-o há pouco, iluminado, da esquina, pela última vez. Vinha a subir a 5ª Avenida, do Madison Square Park, mais exatamente do Eataly, que é capaz de ter sido o meu sítio favorito para jantar e para comprar comida. Se pudesse tinha provado tudo, mas aquilo é imenso e a comida e os produtos alimentares nunca mais acabam. Mas dizia eu que o melhor se costuma guardar para o final e que eu guardei para o final o Guggenheim e o Central Park. Passei o dia nestes dois sítios e se mais dia houvesse, mas tempo haveria passado, sobretudo no Central Park que é gigantesco e bonito e fresco e tinha o sol a brincar nas folhas das árvores, neste dia que foi de verão absoluto, incluindo um céu azul sem nuvens.
 
Saí do hotel não muito cedo, para apanhar o autocarro (M1, mas podia ter sido o M2 ou o M3) para o Upper East Side, onde fica, na 90ª st East com a 5ª Avenida, o museu. Apanhei o autocarro na Madison Avenue com a 30 st East. O autocarro demorou muito tempo a chegar à paragem e eu fui-me entretendo a ver as pessoas. Umas que trabalhavam, outras que, como eu, apenas passeavam. Pessoas de todas as cores e feitios e medidas, como se diz na canção do Sérgio Godinho ‘A Vida é feita de pequenos nadas’. Quando finamente o autocarro chegou, sentei-me porque a viagem era longa, atendendo ao trânsito que sempre há em Nova Iorque. Atrás de mim uma menina de uns 3 ou 4 anos brincava com a sua mãe. Esta perguntava-lhe ‘what’s your favorite number?’, ‘one’, respondia a criança. ‘What’s your favorite letter?’, ‘A’. ‘What’s your favorite form?’ ‘triangle’. ‘What’s your favorite color?’ ‘blue’. ‘What’s your favorite person?’… a criança gargalha mais e responde ‘you, Mom!’. Eu sorrio também, embora esteja de costas voltadas para elas.
 

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Como transformar uma boa notícia em má notícia

Simples. Usa-se um “mas” para diminuir o que houver de positivo.

Conheci o PS antes de ser virgem

Santana Castilho *

A análise das políticas propostas e a análise do discurso dos que comunicam em representação dos partidos permite estabelecer padrões previsíveis de comportamento político. Aí temos o PS, fazendo-se de virgem, a patentear, agora que se inicia o primeiro ano lectivo sob sua inteira responsabilidade, o que fui antecipando e criticando, ainda a presente legislatura não tinha arrancado: a vacuidade de soluções para os verdadeiros problemas da Educação.

À míngua de preparação e de estudo dos problemas durante os últimos quatro anos em que foi oposição, o PS recorreu ao baú dos adquiridos ideológicos de sempre para repetir os erros, que nunca reconheceu, dos últimos quatro anos em que foi Governo. [Read more…]

Medalhas

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Miguel Szymanski

Com nove anos fui viver para uma cidade alemã de média dimensão (400.000 habitantes). Andei sempre em escolas públicas até ao 13. ano (último do secundário). Quando cheguei à escola primária, comecei a ter duas vezes por semana aulas de natação. A escola tinha também um ginásio com todo o tipo de equipamento de ginástica e uma pista de corridas. No secundário começámos a ter uma vez por semana patinagem no gelo numa pista de gelo artificial que funcionava o ano inteiro. Depois, nos tempos livres, os meus colegas praticavam quase todos outras modalidades, futebol, ténis, esgrima, equitação ou atletismo nas inúmeras associações da cidade (eu cheguei a ligar para um clube de boxe, modalidade que me pareceu adequada a um candidato a escritor, mas ao longo da conversa telefónica percebi que era uma associação de criadores de boxers, cães, e, desmoralizado, desisti de uma carreira no ringue antes de a ter começado).
No Inverno faziamos esqui e organizávamos corridas de trenó atrás da escola.
Nunca liguei muito ao desporto – sempre me pareceu uma perda de tempo -, mas ao longo dos anos de escola fui recebendo alguns diplomas e medalhas em concursos e provas, em que era obrigatório participar, desde as provas de salva-vidas em natação ao atletismo. Ainda hoje sei quanto corria aos 100 aos 400 ou aos mil metros e nadava aos 50.
Acho que é preciso mais do que três canais com jogos em directo e mesas redondas sobre futebol ou de cinco jornais da bola para um país ganhar medalhas nas olimpíadas.
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Postcards from the U.S. #8 (New York)

«My eyes could clearly see, the Statue of Liberty sailing away to sea…»*

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Fui agora lá abaixo fumar um cigarro que ainda não será o último. Do outro lado da rua uma mulher sem abrigo preparava-se para dormir. Assisti, deste lado da rua, envergonhada, aos seus preparativos. Deste lado da rua passavam entretanto jovens bem vestidos, nos seus fatos armani ou boss, nos seus vestidos donna karan ou calvin klein, com os seus sapatos jimmy choo ou louboutin e as suas carteiras ferragamo ou louis vuitton. Não me senti envergonhada ao observá-los e isto faz-me pensar, como sempre, no facto de apenas a pobreza extrema nos intimidar quando a vemos, nós os ‘remediados’. No entanto, não sinto também qualquer desejo de ser como os jovens que passam deste lado da rua, ou seja, ter aquelas coisas. Comprá-las. Não há neste momento nada que deseje ter. Nada que deseje comprar. Isso tranquiliza-me. Sobretudo numa cidade como Nova Iorque, não querer nada, não desejar ter nada além daquilo que já se tem, é um paradoxo, quando tudo nos apela ao consumo, quando tudo é desenhado para nos despertar desejos.
 
Sei que muitas pessoas vêm a Nova Iorque fazer compras. Não penso comprar nada, além da comida, dos transportes, dos bilhetes para museus e sítios, de um ou dois presentes para quem está do outro lado do mar, e, bom, um ou dois livros e alguns maços de tabaco. Não desejo nada, além disto. É simples nada desejar. E, já o disse, é tranquilizadora esta dimensão de que nada, neste momento, nada material, me faz falta. Na verdade, bastam-me estas ruas, este skyline, estes clubes de jazz, estas pequenas livrarias, o céu, algumas nuvens brancas, ter olhos para reparar nas coisas e nas pessoas.
 

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Rivalidades e hipocrisia

O Aventar não é terreno fértil para disputas futefoleiras, não porque elas não existam, mas porque, normalmente ficam para nós, na Bancada.

Mas, em função da agressividade latente nas redes sociais a propósito do desejo de um Diretor do SPORT LISBOA E BENFICA parece-me que vale a pena trazer a discussão para este estádio, quanto mais não seja para mandar umas bolas para o pinhal.

Vamos lá então à hipótese: é possível ser adepto de um GRANDE sem desejar que o outro perca?porto2

A resposta politicamente correcta será “lá fora, contra os estrangeiros” e tal… Mas, factos são factos – uma adepto do SPORT LISBOA E BENFICA quer que o Porto perca sempre e o inverso não deixa, nunca, de ser verdade. Poderia até apresentar um argumento básico – sem o dinheiro da champions, o Porto ficaria “mais fraco” o que deixaria em vantagem a concorrência, mas não creio que isto seja coisa para grandes racionalidades.

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Ainda sobre as Subvenções Mensais Vitalícias

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O tema das Subvenções Mensais Vitalícias não tardou a sair do chamado “ciclo noticioso”, nada que espante. Mesmo assim, tanta pressa em abandonar o tema despertou-me curiosidade. Tentei atribuir partido a cada um dos 332 políticos que constam na lista publicada pela CGA. Esta não é uma tarefa fácil.

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Bruxelas aprovou recapitalização da CGD que vai até 4,6 mil milhões

Mais dinheiro para bancos falidos. Será que o Berardo ou o Fino vão contribuir para a recapitalização?

Postcards from the U.S. #7 (New York)

‘Sun, Moon, Simultaneous’ or ‘It is all true’

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‘The city that doesn’t sleep’, como cantou (entre outros) – e eu já o disse no postal número 2 – o Sinatra*, a cidade sobre a qual já vimos todos demasiados filmes, como diz Brendan Behan, no livro ‘Nova Iorque’, editado em Portugal pela maravilhosa Tinta da China, na coleção coordenada por Carlos Vaz Marques, de que sou absolutamente fã (mais da coleção, mas dele também, vá). A cidade que tem o dia e a noite ao mesmo tempo. Sun, Moon, Simultaneous, como no nome do magnífico quadro de Robert Delaunay que vi hoje no MoMa (Museum of Modern Art). Delaunay era, no entanto, francês e o quadro não se refere a Nova Iorque. Nova Iorque. É como uma feira de luxo. Mais que isso. É o ‘melting pot’ do mundo. Tudo isto é ainda Behan quem nos diz. E tem razão. As luzes e as sombras. A frenética atividade e todo o vagar do mundo. As misturas. As contradições. O sol e a lua em simultâneo.
 
De maneira que não é difícil fingir ser um ‘new yorker’. Aliás, mais do que não ser difícil é, muitas vezes, recomendável que atuemos como se fossemos daqui. Na verdade, somos todos daqui, de várias formas. Até aqueles que nunca aqui vieram. Sim, os filmes, demasiados, que já todos vimos sobre a cidade tornam-na tão nossa como se nossa fosse, tão familiar e dominável. Aconteceu-me hoje na Grand Central Station (a que se deve chamar Grand Central Terminal), mal entrei, essa familiaridade. Reconhecia tudo, ou quase tudo. O relógio, os candelabros, as bilheteiras, as escadarias este e oeste, as janelas, o teto azul como se fosse o céu. North by Northwest, de Hitchcock; Cotton Club, de Francis Ford Coppola; Amateur, de Hal Hartley; Revolutionary Road, de Sam Mendes, para citar apenas alguns dos meus preferidos.

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Banco roubado, tranquinhas à porta

Lisboa, 09/05/2013 - Entrevista Dinheiro Vivo / TSF : Tudo é Economia, com Ricardo Salgado (Diana Quintela / Global Imagens)

O juíz Carlos Alexandre ordenou o arresto do saldo das contas bancárias de vários membros do gangue Espírito Santo. O objectivo é obter recursos para indemnizar os lesados pelos metralhas da Comporta

Trata-se, uma vez mais, de uma medida que peca por tardia (a esta altura do campeonato, os delinquentes já tiveram tempo de escoar uns quantos milhões para paraísos fiscais, entre outros esquemas que a máfia neoliberal todos os dias engendra para potenciar o assalto e a exploração) e, parece-me, por ser pouco ambiciosa. É que nestas coisas da bandidagem financeira, que eles são difíceis de apanhar, sempre que um banco afunda e o contribuinte é chamado a pagar, todos os responsáveis directos deviam ver imediatamente os seus bens congelados, como se faz aos terroristas internacionais, o que devia incluir bens entretanto passados para o nome da esposa, dos filhos ou do sobrinho que vive nas Caimão. Tudo. Infelizmente, vivemos num país onde este tipo de criminalidade é tolerada e até incentivada, o que leva a que gangsters como Ricardo Salgado, Oliveira e Costa ou Dias Loureiro se encontrem em liberdade e sempre em cima do último grande negócio do momento.  Impunes, a facturar, e sempre a jeito de um sentido elogio do um qualquer político desonesto.

Já agora, de que partido é mesmo aquele indivíduo que fez a defesa da prenda de 14 milhões de euros do empresário José Guilherme a Ricardo Salgado? Se calhar, só desta vez, punha-se o Calvão a funcionar.

Foto: Diana Quintela/Global Imagens@Dinheiro Vivo

Postcards from the U.S. #6 (New York)

«In my life, I’ll love you more»* or «All you got to do is swing»**

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Há um ano menos uns dias, escrevi um postal de Liverpool*** a que chamei ‘In my Life’*. ‘In My Life’ é uma canção dos Beatles. Saberão isso, certamente. Todos os postais de Liverpool, que escrevi então em Agosto de 2015, tinham como título uma canção dos Beatles. Fazia sentido, como é evidente. Recupero uma frase dessa canção, porque a ouvi hoje, quando passava em frente ao local onde John Lennon foi assassinado em 1980, a 8 de Dezembro. Ali perto fica o Strawberry Fields, uma área do Central Park que presta justamente tributo a John Lennon. É curioso ter sido ‘In My Life’ e não ‘Strawberry Fields Forever’# a música que ouvi ao passar por ali. E é curioso que um ano antes eu tenha escolhido esta mesma música para dar título a um postal em que falava dos sítios de que me recordo e que recordarei para sempre. É o mundo a fazer sentido, suponho eu, no meio do caos.
Por falar em música e em caos, hoje foi ‘Domingo no Mundo’## em toda a parte, exceto em Nova Iorque. Quando me levantei – tarde – e fui fumar um cigarro lá abaixo, parecia ser domingo também em Nova Iorque. Havia calma, um sol acolhedor e uma brisa que percorria suavemente a 27 st. East. Fumei o cigarro e reentrei no hotel. Falei com uma pessoa que não se compara a nenhuma outra, na minha vida (e sim, estou a citar de novo a canção dos Beatles) e quando voltei a sair, todo o domingo tinha desaparecido de Nova Iorque e, em vez dele, um dia qualquer da semana se tinha instalado, tal como o caos. Havia uma parada por ser o ‘Dia da Índia’. Tambores, música, carros alegóricos percorriam a Madison Avenue. O trânsito tinha-se tornado absolutamente indomável. Nada a fazer. O domingo tinha fugido para qualquer outra parte. Dele tinha apenas sobrado o sol e a brisa fina.

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Postcards from the U.S. #5 (New York)

‘What do you mean? «My people»?’… and ‘some of you call it jazz, but it is not jazz, it is blues’

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Ontem à noite cheguei tarde a casa. A casa quero dizer, aquela que é a minha casa por 8 noites em Nova Iorque, o The Evelyn, um hotel bonito, limpo, extremamente bem localizado, mas cujo elevador demora dois dias a trazer-nos do átrio, onde há sempre excelente jazz, até ao nono piso, onde me encontro. O meu quarto é espaçoso. Na cama caberiam umas 4 pessoas como eu, à vontade e deve ser uma das mais confortáveis camas em que já dormi na vida. A vista, porém, não é grande coisa. Dá para um prédio, igualmente alto e isso faz com que , pelas grandes janelas, não entre muita luz.
 
Cheguei tarde porque fui ao Bar 55, na Christopher st. Um bar de Jazz & Blues, muito recomendado, onde tocam habitualmente nomes muitíssimo recomendáveis do jazz e dos blues. O Bar 55 – que fica sem surpresa na West Village, ou na fronteira entre este bairro e o Greenwich Village – ao contrário dos grandes bares de jazz que eram (e ainda são) famosos nos anos 50, como o Village Vanguard, o Birdland e o Blue Note, é um clube despretensioso, onde a cerveja custa 7 dólares, barata para os padrões nova iorquinos, portanto. Decidi que, por muito que gostasse, não tenho dinheiro para os bares de jazz que se tornaram agora lugares turísticos. O Bar 55 não é um lugar turístico e agradeço aos céus por isso. Fica numa cave, fresca, tem um ambiente absolutamente nova iorquino e, ontem pelo menos, eu devia ser uma das poucas turistas que lá estavam. Sweet Georgia Brown* foi a cantora de blues que ontem animou a minha noite. E de que maneira. A banda que a acompanhava era excelente e não se pode pedir mais de um clube de jazz & blues, se não isto. Hei-de experimentar, antes de me ir embora, o Smalls. Para ouvir jazz e não blues, como ontem à noite.
 

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Coisas silly da season

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encontradas nesse antro de hereges que é a taberna d’Os truques da imprensa portuguesa. Mas desta vez compreende-se, Truques: Paulo Portas é um actor político irrelevante, que não desperta grande interesse mediático e que não exerceu os mais altos cargos de governação. Para quê gastar tempo de antena com ideias soltas que, só por coincidência, se ligam na perfeição e parecem indiciar um caso com contornos pouco transparentes? Ganhem mas é juízo, que estamos em Agosto. São coisas silly da season – e porreiras -, pá! [Read more…]