Cidadania fica de fora

 

Pela sua relevância, aqui se reproduz, sem mais, o Comunicado de Imprensa do movimento Juntos pelo Sudoeste – Movimento de Cidadãos de Aljezur e Odemira em Defesa do Sudoeste

COMUNICADO DE IMPRENSA 2 de Março de 2023

Em visita ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Ministro do Ambiente Dialoga com Agricultura Intensiva e Deixa de Fora Ambientalistas

Por ocasião da visita há muito esperada do ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, em Odemira, que teve lugar precisamente ontem, o movimento Juntos Pelo Sudoeste (JPS) lamenta que a cidadania tenha sido deixada de fora da agenda desta visita e que não tenha sido ouvida pelo governante, apesar dos pedidos efectuados por este movimento de cidadãos tanto ao gabinete do ministro como ao município de Odemira.

Sabendo-se que o ministro do Ambiente esteve reunido com várias entidades, entre elas representantes do poderoso agronegócio do Sudoeste de Portugal, o Juntos Pelo Sudoeste defende que as opiniões e preocupações dos cidadãos, movimentos, organizações e associações sejam ouvidas e tidas em consideração neste momento de inflexão que a região atravessa. Situações como a que decorreu ontem em que um ministro que tutela a área do Ambiente dialoga com o sector privado da Agricultura e deixa de fora um movimento de cidadãos focado e comprometido com a defesa do património ambiental do Parque Natural do Sudoeste e Costa Vicentina não deveriam ter lugar numa sociedade democrática onde o diálogo entre todas as partes deve vir sempre em primeiro lugar.

Sendo Odemira uma região há muito assolada por vários problemas para os quais o JPS tem vindo alertar ao longo dos últimos anos, e nos quais se incluem:

> A falta de equilíbrio entre o modelo de exploração agrícola e os valores ambientais, marcado por uma forte falta de fiscalização por parte das entidades competentes que tem resultado numa delapidação do património natural que levou à criação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, conforme atesta o Relatório do Plano de Gestão da ZEC Costa Sudoeste (págs 73 > 77 e págs 83 > 85).

> A falta de uma gestão coerente dos recursos hídricos num cenário de escassez cada vez mais acentuada, marcada igualmente por uma forte falta de fiscalização por parte das entidades competentes e uma necessidade crescente de água por parte do sector agrícola, que tem resultado no decréscimo das reservas da albufeira de Santa Clara a níveis apenas vistos na altura do seu enchimento;

> A crescente ruptura do tecido social, causada inicialmente por uma grande procura de mão-de-obra barata na agroindústria e, mais recentemente, pela proliferação sem controlo de empresas de trabalho temporário e comércios, que não são mais do que fachadas para a venda de contratos de trabalho fictícios e um ponto de entrada na Europa para milhares de imigrantes que se deparam com situações de escravatura moderna e condições de vida deploráveis.

E estando agora num momento em que: [Read more…]

Cavaco Silva, o comunista

fixou o preços dos bens essenciais, em 1980, para combater a inflação. O nosso Aníbal já era bolivariano ainda o Chávez era uma criança.

Lista dos 14 oligarcas “misteriosamente” desaparecidos

Enforcamento, ataque cardíaco e quedas de muitos andares ou lanços de escadas, eis como se “suicidam” os oligarcas na Rússia contemporânea. Em princípio foram gajos da CIA. No Kremlin são todos bons rapazes. Goodfellas.

O perfeito tricot neoliberal

Imagem: SulInformação

A armadilhagem montada pelo modelo neoliberal é tão totalitária, refinada e dotada de meios que indubitavelmente obtém excelentes resultados na persecução dos seus objectivos.
É sabido que a “ligação” (leia-se o conluio) das universidades às empresas, com financiamentos e doutoramentos para servir estas últimas, é, na actual banheira neoliberal em que boiamos, considerada um critério de qualidade e muito acarinhado. Disponibilizam-se “modelos de acordos de transferência de tecnologia e Investigação e Desenvolvimento, para facilitar a criação de parcerias entre universidades e empresas”. Vai longe o tempo em que a independência do conhecimento das universidades era considerada um elevado valor a proteger; hoje, reina a captura dos recursos para a subserviência às empresas. Chamaram-lhe Iniciativa de Excelência e os princípios orientadores passaram a ser a “competição” e a “liberdade”. “Empresas e Universidades, uma relação win-win”. A rede tricotada.
Já uma ligação das universidades a David, ou seja, aos cidadãos, não passa pela cabeça de ninguém. Acordos entre universidades e associações e representantes da sociedade civil? Tá quieto! Se alguém conhecer algum, avise. Quando muito, usam-nas para estudos. [Read more…]

O plano de Xi, presidente do conselho de administração do capitalismo

Xi Jinping, presidente da China e do conselho de administração do capitalismo, apresentou há dias o seu plano para a paz na Ucrânia, em 12 pontos.

Um plano bonito, repleto paz, diálogo, desanuviamento, diplomacia, trocas comerciais, reconstrução e mais uns quantos amanhãs que cantam.

O capítulo sobre a soberania, contudo esconde uma ambiguidade gritante, que pode ser encarada a partir de duas perspectivas: a óbvia, que é a cedência aos interesses russos, e a da realpolitik, que assenta na constatação de que será muito difícil, para não dizer impossível, a Federação Russa abandonar as zonas ocupadas. Como de resto não abandonou a Crimeia, desde 2014, situação com a qual o Ocidente sempre viveu bem. [Read more…]

Supermercados, os novos vampiros do Zeca

Há um aumento exagerado de preços e situações de margem de lucro bruta acima dos 50%.

A frase é atribuída pelo Expresso a um inspector-geral da ASAE que ontem participou numa acção de fiscalização em 38 supermercados do país.

Escusado será dizer de que supermercados falamos. São os vampiros de que nos falava o Zeca. Que comem tudo e não deixam nada. Que inflacionam os preços de forma artificial, aproveitando, com a ganância canalha que os caracteriza, a tempestade internacional. Obrigando não só os pobres, mas também a classe média a passar dificuldades para que os lucros de meia dúzia não sejam beliscados. [Read more…]

Paguem e não bufem


“Portugal devia baixar o IVA como em Espanha!”
, dizem-te os chico-espertos liberais.

Está bem, Ruizinho e Luisinho, está bem. Perante a espiral inflacionista, os liberais, nas suas demais derivações mais ou menos “sociais”, propõem sempre o mesmo. Infelizmente para eles, a realidade desmente-os sempre.

Baixar o IVA pode ter resultado… durante 15 dias. Controlar e tabelar preços dos bens essenciais, taxar lucros abusivos à nossa custa? Não, isso é coisa de extrema-esquerda. Está bem, Ruizinho e Luisinho. Agora paguem e não bufem. Por favor, tirem o “socialista” do nome, tal como a solução da baixa do IVA, isso é publicidade enganosa.

Não esquecemos:

O quarteto que é força de bloqueio e capataz do grande capital.

Ps. É assustador ver como as medidas que a Iniciativa Liberal propõe para Portugal vão falhando, uma a uma, noutros países: em Espanha, no Reino Unido, em El Salvador, nos Estados Unidos da América, na Estónia ou na Lituânia; mas que estes, em Portugal, continuam a crescer nas sondagens.

Escroto

Retirar “referências racistas” dos livros/filmes de 007? Qualquer dia, ”Twelve Years a Slave” ou “Django Unchained” serão cancelados.

Foi para isto que vim ao mundo? Estava tão bem a baloiçar num escroto qualquer, tão descansadinho.

Coitado do professor

Não somos papagaios. Uma chatbox não é um ser humano.

E uma linguista chamada Emily M. Bender está preocupada com o que irá acontecer quando deixarmos de nos lembrar disto. Acrescente-se.

Foto: New York Magazine: https://nym.ag/3misKaW

Confirmação dos votos

No dia 3 de Dezembro de 2012, pelas 15h47 de uma segunda-feira, redigi no meu blogue pessoal, ao qual não acedia há anos, uma publicação intitulada: “Porto Canal e mística portista” (https://letrasecoisas.blogspot.com/2012/12/porto-canal-e-mistica-portista.html).
Não tenho recordação de alguma vez ter abjurado as minhas convicções clubistas naquilo que alguma vez escrevi (e foram muitas as vezes em que o fiz), mesmo quando não estava de acordo com as posições da Direcção (nem se falava em SAD por essa altura) ou de um departamento do clube cuja comunicação me estava entregue.
Tenho um percurso limpo, embora polémico e inflamado, saí das Antas, muitas vezes, de madrugada, e paguei muitas vezes o táxi para casa, vivi sempre na aura da paixão que ainda nutro, hoje, ao fim de tantas décadas, pelo meu clube. Sim, apaixonei-me pelo FC Porto numa tarde, quase criança, no Monte dos Arcebispos, a ver um Sporting de Braga-FC Porto, penso que amigável, e sonhei ser o Hernâni para marcar aquele golo…
Neste intervalo vasto de vida, parti muita pedra, vi nascer craques em todas as modalidades, mais no futebol, no basquetebol, no hóquei em patins e no hóquei em campo, as modalidades a que estive ligado, entrevistei campeões, treinadores e atletas, também padeci perdas irreparáveis, sofri e venci como poucos adeptos e tenho usado os 40 anos disto para me vingar do que passei quando o Porto jogava bem, quando perdia, e não merecia, quando ganhava… [Read more…]

Portugal – querido faroeste 

Foto: Expresso

Cinco dias depois de o Tribunal Administrativo de Beja ter aceitado uma providência cautelar para suspender a execução das obras de urbanização do projeto “Na Praia”, nas dunas de Troia, as máquinas continuam a trabalhar no terreno.”

“O Município de Grândola informa que até à presente data não recebeu notificações sobre o assunto. A decisão do tribunal fala na necessidade de tomar as medidas necessárias para impedir “com urgência” o prosseguimento das obras de urbanização mas a mensagem não chegou aos destinatários.”

É caso para cantar “Grândola, vila neoliberal”. São umas atrás das outras as situações em que os “promotores” por este país fora passam por cima de disposições e decisões legais e avançam com o seu negócio perante a criminosa bonomia das entidades portuguesas. A propriedade privada é o valor mais elevado da hierarquia de todos os valores e o imenso carinho pelo dinheiro, a par do desprezo pela preservação da natureza sentido por câmaras, APAs e governo hão de chupar até ao tutano este país que acabará por sucumbir às suas mãos. Toda uma geração de cínicos no poder e também nas ruas.

Por falar em cacofonia

Exactamente, cacofonia. Hoje, lembrei-me dos Cacophony, a banda do excelente Marty Friedman. Antes de ter ido para os Megadeth, com os quais voltou a tocar anteontem. Siga.

Para acalmar os ânimos, nada como duas rockalhadas à queima-roupa

Aproveitando este post do João Mendes, cá vão elas:

Marcelo mentiu ao país

Marcelo Rebelo de Sousa mentiu ao país. Mentiu de forma deliberada, com o calculismo que se lhe conhece, e quis fazer-nos todos de parvos. E mentiu porque não só sabia da vinda de Lula da Silva, como foi o próprio Marcelo a fazer o convite. Tal como foi ele quem, a 31 de Dezembro, informou pela primeira vez o país sobre a participação do presidente do Brasil nas cerimónias do 25 de Abril. O poeta de Fernando Pessoa é um fingidor, mas tem muito que aprender para fingir tão completamente como o Presidente da República de Portugal.

Croniqueta acerca de Krugman e Flege

“The anti-clockwise and the clockwise logarithmic spiral.” (de Vitiello, 2014) https://bit.ly/3IXQWZe

Há umas semanas, algures entre o Teams e o Zoom, o cronista apresentou, entre outros artigos, os New Methods for Second-language (L2) Speech Research, do Flege — e achou curiosa a serendipidade do próximo parágrafo que lhe caiu ao colo, o dos new methods do nosso querido Krugman. A serendipidade. Nada encontrareis igual àquilo. Nada. Garanto. Não há copy-paste, não há papel químico. Como dizem os miúdos (e já os egrégios gregos o diriam, mas em Grego Antigo), isto não se inventa:

We have to be more cautious in describing quantitative relationships. The one thing that we were just looking at, the interactive things we can do with the new methods, and we have a figure that we will keep, which shows the inflation unemployment counterclockwise spirals in the 70s and the 80s where you have to go through this bulge in unemployment to gt inflation down… I mean… clockwise spirals…. Anyway… Like that⮏. Or, from your point of view, like that ↺.
Paul Krugman

Quanto ao resto da crónica, ficará para depois da tarefa da semana: operacionalizar, por um lado, o carácter explícito e o carácter implícito e, por outro, o grau de dificuldade. É complexo, demora imenso, mas é divertido. Mas tem de ser com papel, lápis, borracha, uma Bic e um agrafador, porque o computador deu o berro. O outro. O do trabalho. O das crónicas é este e vai funcionando.

«Pinto da Costa atira-se a Rui Costa e ao Vizela-Benfica»

Oh! E não se atira ao Pepê? Porquê? Calimero, Calimero. Aquele abraço.

E agora BE?

 

 

Durante o governo da geringonça houve amor ou sexo no casamento entre o BE e o PS? Ou os dois? Quem amou ? Quem fez a outra coisa?

Papel passado houve. Os votos ( na Assembleia da República ) também.

E agora? Chorar sobre leite derramado? Querem casar outra vez?

Atenção, pois o divórcio só foi bom para a outra parte……

 

Portugal à venda

Turismo de luxo tem sempre prioridade sobre preservação ambiental.

Pepe: São 40 anos disto

Este Domingo o Pepe, jogador do FC Porto e da selecção nacional, celebra 40 anos de vida.

Não vale a pena recordar o que já inúmeros jornais, revistas e televisões contaram sobre a sua infância, a forma como chegou a Portugal com míseros cinco euros no bolso e a forma como conseguiu atingir a excelência na sua profissão ao serviço do seu clube do coração, o FC Porto, no Real Madrid ou com a camisola de Portugal. A sua mais recente entrevista à Sport TV fala por si (uma brilhante peça de jornalismo, por sinal).

Para mim, portista, será uma das grandes referências do meu clube. Um exemplo de entrega e amor à camisola para os jogadores da formação do FC Porto e para todos aqueles que queiram vestir esta camisola.

Muitos parabéns e Obrigado Pepe!

O verbo haver, principal numa oração e significando existir, só se conjuga na 3.ª pessoa do singular

 

A paz dos mais fracos

Conta-se que durante a transmissão televisiva de uma final de um torneio de ténis  (Borg/McEnroe), Álvaro Cunhal, que se encontrava na sede do PCP, quando perguntou qual era o mais fraco, responderam “John McEnroe“, e começou a torcer por ele. Tendo sido confrontado com o comentário de que se tratava de um norte-americano, o então Secretário-Geral do PCP terá respondido qualquer coisa como “É o mais fraco, e os comunistas estão sempre do lado dos mais fracos“.

Dito isto:

A substituição de Jerónimo de Sousa à frente do PCP pelo actual Secretário-Geral Paulo Raimundo soou, de início, a uma tentativa de  interpretar o que correra mal nas últimas eleições legislativas, abrindo um eventual novo ciclo.

Todavia, percebe-se que, afinal de contas, e por mais paradoxal que pareça, o PCP insiste e persiste na estratégia que Nixon usou na gestão das fitas de gravação no “Caso Watergate”: se um erro não resolve, tentemos outro.

Primeiro, foi a narrativa de que a invasão da Ucrânia pela Rússia foi por culpa da Ucrânia. Isto, depois da versão de que Rússia se preparava para invadir a Ucrânia, era uma fantasia criada pelos EUA.

Agora, perante o forte apoio militar do Ocidente com vista a equilibrar os pratos da balança no combate, a lógica é de que tal apoio apenas serve para alimentar a escalada do conflito. E que aquilo que se devia promover era a negociação da paz e não a alimentação da guerra.

Ora, o que fez o PCP quando invadiram as suas sedes no PREC?

Convidou os invasores para se sentarem e negociar um qualquer entendimento?

Não: defendeu, e bem, as suas sedes com tudo que podia arranjar, desde armas de fogo até fueiros, braços e punhos, e peitos dispostos a enfrentar balas, para garantir a integridade perante os invasores e incendiários. E toda a ajuda era bem-vinda.

Ora, se um país é invadido por outro, tanto mais uma super-potência, vai fazer o quê? Um convite para um chá? Ou luta pela sua integridade territorial e pela sua existência? [Read more…]

NIT: A ignorância é atrevida

E agora, para algo completamente diferente: a (ou será o?) NIT, uma coisa que julgo ser da TVI (ou será da Nova Gente?) e o seu colunista, o engenheiro civil Nuno Bento. Sim, o Aventar também pode ter o seu momento cor de rosa.

O senhor engenheiro escreveu umas coisas sobre os U2 nessa tal NIT. Gostos não se discutem. Não se discutem? Discutem. O homem não gosta dos irlandeses? Está no seu direito e não é o único. Agora, se vai escrever sobre um tema é conveniente saber do que está a falar e estar devidamente informado. Ah, mas o senhor é engenheiro, não é jornalista. Pois. Pode servir para atenuante. Só não serve para atenuar a ignorância. A primeira ao considerar, vou citar: “…a História foi cruel com Elvis. Hoje, infelizmente, não lhe damos o devido crédito“. Quem? Só se for o engenheiro. Na vida real e no mundo da música o crédito de Elvis é só o de génio e a história só o confirma – aliás, recentemente, entre filmes, documentários e versões de terceiros quase se pode dizer que, afinal, Elvis está vivo.

Não satisfeito, confunde “residência” em Vegas com 12 concertos únicos (que espero possam ser mais já que o certo é os 12 esgotarem em menos de uma hora, a exemplo de todas as digressões da banda). Não é nem uma “tour” (infelizmente) nem uma residência (interpretando o termo residência como é e sempre foi em Las Vegas). E, cereja no topo do bolo, meteu os pés pelas mãos na questão Larry Mullen Jr. Ora, foi exactamente por causa do estado de saúde de Larry que não foi realizada a Tour Achtung Baby 30 anos que estava prevista para 2022 e 2023. Nem o articulista informa que, para os concertos de Vegas, quem escolheu o baterista foi exactamente Larry Mullen Jr. A ignorância é tão atrevida que nem sabe (ou prefere omitir) da presença de Larry Mullen Jr, acompanhando Bono, nalguns dos eventos de apresentação do livro de Bono – não, não existe qualquer divisão na banda. A não ser que a NIT seja uma espécie de TV7 Dias em versão 2.0…

A escolha de Las Vegas para estes dois concertos não foi por acaso. E é público, nas inúmeras entrevistas que os quatro deram nos últimos meses e em especial (por motivos óbvios) Bono. Não existir a possibilidade, por motivos de saúde, de se realizar a esperada tour dos 30 anos de Achtung Baby, acrescido da vontade de dar algo aos fãs da banda que andam há anos a pedir mais concertos e, principalmente, a proposta colocada em cima da mesa pelos homens da MGM: inaugurar o mais futurista espaço de concerto do mundo com uma versão moderna daquela que é considerada a mais arrojada tour alguma vez feita, a Zoo TV Tour. Uma proposta que pretende oferecer aos U2 a possibilidade de fazer algo nunca antes feito. Já agora, no universo dos U2 as palavras “proposta” e “milionária” para catalogar este desafio da MGM é algo exagerado: os U2 vão receber 10 milhões de dólares pelo conjunto dos concertos e 90% da bilheteira ficando, a seu cargo, a produção. Se a coisa for dividida pelos 12 concertos previstos não é mais do que a receita de bilheteira de 3 concertos normais dos U2 numa tour nos EUA.

Não vou entrar pelas questões de gosto. Nem tão pouco pelas barbaridade ditas sobre os últimos trabalhos da banda. Quanto ao legado, o senhor engenheiro não se preocupe, o legado dos U2 está muito para além da sua música. Está em África no combate à SIDA/AIDS, está em Sarajevo (vá mas é ver o documentário “Kiss The Future”) e está no combate pelo perdão da dívida dos países do terceiro Mundo. Esse é um legado que nenhuma banda de rock até hoje igualou. Em termos de legado musical ele é tão vasto que nem vale a pena discutir. Uma coisa é certa, em Portugal a ignorância é mesmo atrevida… Hasta Las Vegas, Baby!

A brilhante intervenção de Sérgio Sousa Pinto sobre a invasão da Ucrânia

Apenas num ponto não concordo com Sérgio Sousa Pinto: infelizmente, os estados europeus são estados vassalos dos EUA. E, não raras vezes, cúmplices dos seus abusos. Em tudo o mais, foi uma enorme intervenção do deputado socialista.

Polígrafo entrevista André Ventura

Fotografia: Micaela Neto

O Polígrafo entrevistou André Ventura.

Quando soube disto, achei um absurdo um “fact-checker” estar a dar ainda mais palco à extrema-direita, sentimento reforçado quando me lembrei que, segundo o próprio Polígrafo, o líder do Chega foi o político que mais mentiras acumulou em 2022.

Depois deste impulso, fui ler a entrevista. E só tenho de dar os parabéns à Salomé Martins Leal pela condução da mesma, pois fez o jornalismo que já há muito era exigido que se fizesse ao wannabe Bolsonaro cá do burgo, o Bolsonaro da Wish, como uma vez lhe chamou o meu amigo João Mendes. Assertiva, fez perguntas directas e incómodas, encostou o pequeno proto-ditador à parede várias vezes, não o deixando fugir a algumas perguntas e deixando que este se emaranhasse na dualidade do seu próprio discurso. Um must.

Dir-me-ão: “sim, ó João, mas isto só dá mais palco à extrema-direita e pode ser um catalisador para os fazer crescer”; eu respondo-vos que não discordo da sentença, mas que entre deixá-los crescer sozinhos de qualquer forma (sim, a realidade é essa) ou fazer-lhes frente apresentando contraditório, eu preferirei sempre a segunda opção.

Quando alguém quiser voltar a entrevistar este moço de recados do capital reaccionário, recomendo que leia a entrevista e que aprenda alguma coisa com o trabalho que a jornalista Salomé Leal fez; terão muito a aprender. Fica um aperitivo: ao que parece, a IURD, esse antro de bons rapazes, financia o Chega.

Nota para a frase escolhida para ilustrar a primeira parte da entrevista, dita exactamente dessa maneira por André Ventura, que tropeçando nas próprias palavras admite, por mais do que uma vez, que sabe que mente em muitos assuntos.

Entrevista do Polígrafo a André Ventura: 

  • Parte 1: “Eu não minto para ganhar votos”

  • Parte 2:“Não gosto de coisas ilegais. Acha que devemos aceitar pessoas ilegais cá?”

Ucrânia: calculismo, hipocrisia e um povo que sofre sem solução à vista

Um ano depois, ainda há países europeus a importar produtos russos, contribuindo para o esforço de guerra das tropas invasoras. A indústria dos diamantes sediada em Antuérpia segue intocável. Algumas empresas ocidentais continuam em solo russo, sem que se exija, do lado de cá, qualquer tipo de boicote. E nos paraísos fiscais, a maioria controlada ou parte integrante do território de países como o UK, o business segue as usual. And the list goes on and on.

Um ano depois, não conseguimos bloquear a economia russa. O sofrimento do povo ucraniano, e de tantos outros povos, continua uns degraus abaixo dos interesses económicos da elite global. Na guerra como na paz, o capitalismo é quem mais ordena. Muito dano foi causado, é certo, mas pouco teria acontecido sem pressão popular. A democracia, com todos os seus defeitos, continua a ser o melhor sistema. Não admira que os ucranianos também o queiram. [Read more…]

Anunciar primeiro e pensar depois

O que vale é que em Lisboa não falta onde alojar estudantes deslocados e a preços baratos.

SLAVA UKRAINI

Tu chamas-te Andriy. Tu chamas-te Iryna. Mas podias chamar-te Manuel. Podias chamar-te Maria. Porque sonhaste ser como nós. Sonhaste ser um de nós. E por isso sofres o indizível. E por isso morres todos os dias. E por isso outro se levanta no teu lugar para sofrer o que tu sofreste. Numa coragem que há muito esquecemos. Numa obstinação que há muito perdemos. Enfrentas o Mal olhos nos olhos e o Mal desvia o olhar para esconder o medo. Enfrentas o gigante e cresces. Cresces, cresces até ao céu e o gigante deixa de ser gigante.

Eu chamo-me Manuel. Eu chamo-me Maria. Mas quería chamar-me Andriy. Mas queria chamar-me Iryna. Porque sonho ser como vós. Sonho ser um de vós.

GLÓRIA À UCRÂNIA. SLAVA UKRAINI.

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Um ano de Guerra….

…se tivesse de dedicar uma música a todos os Ucranianos e a tudo o que se vive nestes tempos estranhos, seria esta que aqui coloco no Aventar. Mais actual que nunca.

 

Hasta Las Vegas, Baby!

Os outros

Antes de ser Aventador já lia este blog. Mas também lia outros. Entretanto deixei de acompanhar  a maior parte deles, uns porque acabaram, outros porque deixei de ter interesse, e outros nem sei bem porquê. O tempo também não é elástico, e entre a família, os amigos, a profissão, o facebook, o twitter, os jornais (alguns), o instagram,  muita coisa fica para trás.

No entanto continuo a ler regularmente três blogs, além deste. São eles o Corta-fitas, o portadaloja e o portugadospequeninos.

Não leio todos os textos do Corta-fitas, mas os do Henrique Pereira dos Santos (que não conheço) são hoje para mim de leitura obrigatória. Incisivo, assertivo e fora do mainstream quotidiano que nos é injectado todos os dias, especialmente pelos OCS e pelo Governo.

Já com o portadaloja (cujo autor, José, também não conheço) tenho aprendido muito sobre música (cujos gostos partilho), e também sobre aparelhagens, vinil, CDs, literatura musical, etc. O autor tem uma cultura musical muito acima da média.

Quanto ao portugaldospequeninos de João Gonçalves (não conheço também) a acutilância e acidez dos seus textos são outro caso à parte na blogosfera (tem uma coluna semanal no JN), e vou-o lendo com gosto.

Escrevo este texto  sobre a “concorrência” num blog (este) com toda a liberdade e  respeito pela diferença.