Está visto que o problema é mesmo o sono: a um, tira-lhe o sono e o outro, dorme pouco, mas bem! Será que dá para aguentar ou vão mudar de almofada? Ou será que é mesmo peso na consciência?
Da série ai aguenta, aguenta (22)
O cineasta e o imperador
Quando o imperador Francisco José I, que esteve 68 anos a liderar o Império Austro-Húngaro, morreu, em 1916, um cidadão vienense chamado Maximilian quis que o seu filho Billie, então com 10 anos, aproveitasse a oportunidade de assistir a um momento histórico. Bom conhecedor de Viena, escolheu o café Edison, subiu à sala do segundo andar, e instalou o filho em cima de uma mesa junto à janela para que ele tivesse uma vista privilegiada do cortejo fúnebre.
– Vais lembrar-te deste dia toda a tua vida, Billie – profetizou.
O miúdo ficou a olhar a lentíssima peregrinação de gente vestida de negro. A carruagem com o caixão era puxada por cavalos negros. Os homens vestiam fatos negros e negros eram também os uniformes dos oficiais. Entre as mulheres, não havia vestidos de outra cor, e negros eram igualmente os chapéus, as luvas e os véus. O negrume e o silêncio absoluto impressionaram Billie.
Foi então que na procissão apareceu um rapaz, de quatro ou cinco anos, todo vestido de branco, com o uniforme dos Hussardos e um capacete branco e reluzente, encimado por uma pluma branca. [Read more…]
Que horror
Os professores ganham acima do salário médio nacional. É extorquir os privados, diz um ignorante.
Petição Tradução Já!
[…] Os abaixo assinados vêm solicitar ao Provedor de Justiça que, nos termos do artigo 20º do seu estatuto,
1. Actue junto do Governo Português e das instâncias competentes no sentido de assegurar a disponibilização imediata, em língua portuguesa, de todos os documentos directa ou indirectamente relacionados com o Programa de Assistência Económica e Financeira.
2. Que execute diligências junto do Tribunal Constitucional para que averigue a inconstitucionalidade da não disponibilização, atempada e em língua portuguesa, do Memorando de Entendimento, suas actualizações, e documentos relacionados, e aja consequentemente no apuramento de responsabilidades e restabelecimento da lei e do direito dos cidadãos.
Porque a nossa língua é o nosso património e deve ser a base das decisões que nos rege, assine a Petição Tradução Já!
Juan Carlos Bourbon
2 de Março: texto de Paulo Varela Gomes
A mais conhecida frase de Gandhi é:
«Não há qualquer causa pela qual esteja disposto a matar. Mas há causas pelas quais estou pronto a morrer.»
Estas palavras resumem a perspectiva de luta com que hoje se defrontam centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, mas em especial no Ocidente (Europa e continente americano). Estamos na última das extremidades: está em jogo a vida das pessoas. Primeiro seremos reduzidos à pobreza. Depois farão de nós o que bem lhes aprouver.
A maioria das pessoas no Ocidente já há duas ou três décadas percebeu aquilo que a esquerda ocidental mostra extrema relutância em aceitar: que não vale a pena nem é possível combater apenas por meios legais o capitalismo sustentado parlamentarmente.
A maioria das pessoas pensa que os políticos são uns aldrabões ou corruptos, que o sistema judicial está ao serviço deles e que só os ricos e poderosos se safam. O chamado «descrédito do sistema político», assunto sobre o qual se têm tecido profundíssimas reflexões, é simples de explicar: o sistema está desacreditado porque não merece crédito. As pessoas já perceberam. Uma parte delas continua a votar por desfastio, a outra vota com os pés.
A esquerda parece estar convencida de que escapará entre as gotas desta bátega torrencial de desilusões recorrendo à luta dentro do sistema: o discurso parlamentar, as eleições, a ocasional coluna nos jornais ou prestação televisiva, etc. Triste engano. A maioria das pessoas não distingue um deputado do PCP de um do PSD, para referir casos portugueses. Estão todos no mesmo sistema. [Read more…]
Um mau padrão de comunicação:
(texto escrito no Forte Apache)
Imaginem um blogger que escreve um artigo crítico sobre um banco português. O seu blogue, pessoal, conta com poucos mas bons leitores. O director de comunicação (???) do banco em causa, fica irritado com o texto e resolve telefonar ao blogger, ameaçando-o. Como não fez o trabalho de casa, não sabia que o blogger em causa escrevia, igualmente, num outro blogue. Um blogue de forte audiência nacional (juntamente com o Educação no meu Umbigo e o Arrastão, lidera a blogosfera política nacional). Comprou uma guerra desnecessária e estúpida.
Esta breve história aconteceu, recentemente, em Portugal. Da blogosferapassou para as páginas dos jornais (e só não passou de forma mais intensa porque o blogger em causa não está para isso). Do nada, o director de comunicação do BES, criou uma tempestade. Foi de um amadorismo inacreditável.
Miguel Relvas no Clube dos Pensadores
Confesso que estou surpreendido – o Relvas, em público, a responder a questões de quem aparecer!
Joaquim Jorge continua a surpreender e amanhã, pelas 21h30, há mais um bom motivo para aparecer em Vila Nova de Gaia.
Queria continuar o post com uma pergunta ao Relvas, mas não consigo. Gostaria de lhe conseguir tirar a máscara de homem falso que ele aparenta, queria questionar a trapalhada à volta das equivalências, mas a urgência das nossas vidas exige antes uma reflexão:
Estas receitas de austeridade a todo o custo, não são apenas um ajuste de contas com as conquistas que os pobres, isto é, quem vive apenas do seu trabalho, tiveram depois de Abril?
Que outras perguntas podemos fazer a Miguel Relvas?
Dentro de ti, ó cidade
A orquestra Solfónica, do movimento 15M, toca “Grândola Vila Morena” na Plaza del Sol. Foi ontem à noite, no coração de Madrid.
via Que se lixe a troika!
O sociopata
O sociopata é um animal bípede, da espécie humana, mamífero porque se alimenta de leite nos primeiros tempos da sua existência, omnívoro depois, consumindo, inclusivamente, seres da sua própria espécie. Caracteriza-se por um comportamento afectado e impulsivo, apresentando uma total ausência de empatia para com humanos e animais em geral, desprezo pelos valores morais e sociais bem como pelos direitos e sentimentos dos outros, cujo bem-estar despreza, provocando, pelo contrário, sérios prejuízos e desgostos a quem com ele convive. Interesseiro, manipulativo e egoísta, refina, com o crescimento, o desprezo pelas obrigações sociais afastando-se, cada vez mais e conforme os anos vão passando, das normas sociais, mostrando baixa tolerância às frustrações e baixo limiar de descarga de agressividade. Nem punições nem experiências adversas o corrigem. Incapaz de qualquer afecto duradouro, especialista em racionalizar e culpar os outros consegue, com perversidade – a psicanálise classifica este transtorno de personalidade como uma perversão -, mostrar a capacidade de sedução que lhe permite encontrar explicações plausíveis para todos os seus actos, mesmo os mais torpes. Não hesita em usar a mentira, a calúnia, a omissão, a distorção dos factos para atingir os seus objectivos. Patologicamente egocêntrico, é incapaz de lealdade, sentimentos de afeição ou solidariedade. Mentiroso compulsivo, consegue dolosamente, contudo, fingir episodicamente tudo isto, se tal servir os seus propósitos; sem remorso de ferir, maltratar, vigarizar, roubar familiares, amigos, concidadãos. [Read more…]
Ajudem o Alberto a ir ao Espaço
MIlhares na rua exigem demissão do governo
O povo aos milhares veio para a rua. Em Lisboa, no Porto e em Setúbal, as manifestações concentraram muita gente, naturalmente a protestar e em luta pela queda deste governo chefiado por um garoto; garoto, lembre-se, outrora tão rebelde e viciado no mal quanto sinistro e ignóbil na actual governação do País. Passaram os tempos, modificaram-se os hábitos de vida e o desfecho foi inevitável: falta de qualidade e de carácter para dirigir o País, com elevação de estadista, conhecimentos e perfil adequados. Às suas mãos Portugal afunda-se no processo de degenerescência contínua – tão infinitamente contínua como o símbolo e o traço matemático que definem a função desse género.
Sabemos que, ao livre arbítrio do trio Gaspar, Coelho e Portas, ainda por esta ordem, os reformados e pensionistas espoliados, trabalhadores da função pública, os desempregados jovens que excedem os 40%, os desempregados de longa duração e famílias inteiras destruídas – nem todos optam por abandonar mulher e filhos ou abdicam de constituir família – se conformem e aceitem pacificamente a dureza da política de austeridade que, à luz dos direitos humanos, não só é repugnante, como criminosa – há crianças com fome e idosos sem assistência médica e/ou medicamentosa. [Read more…]
Opiniões livres
Algo muito comum ao nível dos clubes, mas também permanente nos partidos. Para os militantes que sofrem desta patologia, o que o seu partido faz no poder, está sempre certo. Já os da oposição estão sempre contra.
O mesmo é válido para os partidos que se limitam a dizer que não: o que defendem está sempre certo. O que os outros dizem está sempre errado.
Escrevi isto há quase um ano e parece-me que a reflexão faz cada vez mais sentido.
E se me permitem, volto a juntar a bola à política.
Uma equipa da cidade aqui ao lado estava, segundo alguns, em risco de ficar fora da Taça da Liga porque os regulamentos não permitiriam que um jogador jogasse pelas equipas A e B num intervalo inferior a 72h. Claro que uns apontaram num sentido, enquanto os do regime azul argumentaram, como conseguiram, para defender o contrário.
Era, na minha opinião, uma discussão sem sentido – obviamente, o regulamento pretendia apenas evitar que as estrelas da equipa A fossem ao jogo da B “alterar a verdade desportiva”.
Do mesmo modo só consigo entender a posição do PSD e do PCP no que diz respeito à limitação dos mandatos dos autarcas como a necessidade de defender, a todo custo, a sua gente. Se, da parte do PSD isso não surpreende, confesso que, do PCP NÃO esperava melhor. [Read more…]
Horários dos Professores e as verdades de Nuno Crato
O relatório do Governo (mais conhecido por relatório do FMI), por sinal traduzido para Português nesta casa, abriu o debate.
Apesar de continuar a pensar que este não é o momento, parece-me oportuno, pelo menos, pensar alto.
Falo sobre o, mais que provável, despedimento de professores. Nuno Crato continua a afirmar que isso não está nos seus planos, mas a realidade trata de mostrar, a cada dia que passa, a veracidade das suas declarações.
Hoje foram divulgados os números do desemprego (pdf). Depois dos quadros superiores da Administração Pública, os Professores são o grupo profissional com maior crescimento na variação homóloga (o desemprego cresceu quase 80%).
As palavras de Nuno Crato são o que são, mas o pânico continua instalado e já se fala de tudo, até do fim do mundo e às vezes penso que aquela besta do banco até terá razão: aguentam, então não aguentam!
Ide todos acordar com uma pérola no cu
A não-questão de um fiscal das finanças poder interpelar um cidadão à porta das lojas (o medo, formatado já em paranóia, anda de tal forma espalhado na sociedade portuguesa que alguns levaram a sério algo que só poderia convidar o comum cidadão a chamar de imediato a polícia), levantou um problema linguístico que sendo clássico merece tratamento sem pinças, nem pintelhices.
Perante um “tomar no cu” vindo do Francisco José Viegas, porque foi secretário de estado, algumas almas, tão puras putas como os seus privados vícios, insurgiram-se com o cu. Destaca-se o Público, que eu por vezes penso ser um jornal a sério, mas a coisa espalhou-se.
É o português educadinho, das aparências, gravata, salamaleque e muita irritação contra o malcriado dos palavrões. Sim. ele há palavras, palavrinhas e palavrões, para os mesmos mentecaptos que distinguem calão de gíria e pensam ser a língua sua propriedade erudita, grávida de normas, padrões, etimologias e outros absurdos que um mínimo de História da Língua arrasa em instantes, eles que ainda falariam latim com um pouco de grego à mistura não fosse o português propriedade colectiva e a lei do menor esforço o primeiro artigo da sua constituição.
Parentes de direita dos que à esquerda não gostaram de um “escurinho” na boca de Arménio Carlos, trata-se basicamente de caralhetes que confundem significado com aparência, elegância com o linguajar abichanado da burguesia, língua portuguesa com preconceitos sociais de classe. Sim de classe, que elas existem, destilam ideologia e lutam entre si, discretamente num enrabanço não desejado por quem o toma, apanha ou mesmo leva, no cu e na vida (aqui entraria na pseudo existência de brasileirismos onde há uma única língua transoceânica, mas essa variante nacionalista do mesmo fascismo e seus anti-acordismos xenófobos e primários fica para outra ocasião, que infelizmente há muitas). [Read more…]
Amanhã, às 15h
Para memória futura ficam as declarações de Nuno Crato:
“O Governo não está a discutir, o Ministério não está a discutir qualquer aumento do horário de Professores e muito menos de 35 para 40 horas. Isso não está em causa” (…) “Eu posso dar essas garantias para que as pessoas estejam tranquilas em relação a isso”
Estou tão tranquilo que amanhã, sábado, dia 16 de fevereiro volto à rua!
Daniel Rodrigues
Fotógrafo desempregado, vencedor do World Press Photo, na categoria “Daily Life”. No focinho de Passos Coelho.
Grândola universal
A canção da nossa Libertação em 20 versões diferentes, cantada por finlandeses, suecos, brasileiros, chilenos, italianos, norte-americanos, alemães, holandeses, e portugueses, claro. Para todos os gostos e em todas as línguas e músicas. Aqui, para ir recordando a letra e a música.
Silenciar a tua tia!
Será que ouvi bem? Esta gentinha laranja é mesmo arrogante
Nota: o ar de ABRIL que passou pelo Parlamento foi da responsabilidade do Movimento “Que se lixe a TROIKA” e foi uma forma de apelar à participação nas manifestações previstas para amanhã, 16 de fevereiro e para o dia 2 de março.
Tomar no cu: o esplendor da lusofonia
Francisco José Viegas (FJV) tornou pública a ameaça de mandar tomar no cu qualquer fiscal que queira confirmar se o ex-secretário de Estado pediu a factura das despesas realizadas. Especifica, ainda, que tal ameaça poderá ser concretizada “à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados)”.
Em termos formais, é importante começar por notar que há alguma desregulação ortográfica no texto de FJV: enquanto secretário de Estado defendeu a aplicação do chamado acordo ortográfico; o blogger, embora, aparentemente, siga as regras que constam da reforma de 1945, prefere escrever má-criação sem hífen, o que é, no fundo, uma maneira de tratar a ortografia como se fosse um fiscal das Finanças. [Read more…]
Concordando com o Bloco de Esquerda (em 2010…)
Em 2010, o Bloco de Esquerda publicou um documento no qual entendia, a exemplo do PCP, PS e PSD, que a limitação decorrente do artigo 1º da Lei nº 46/2005, de 29 de Agosto é restrita ao exercício consecutivo de mandato como presidente de órgão executivo da mesma autarquia local.
Deixo para vossa leitura:
Que seria de mim sem Música?
Desde sempre a amei, sempre a busquei. E hoje a consolação que dela me vem não tem limites. Em criança, acompanhava os ensaios do grande orfeão da minha terra, aprendia com o sábio maestro a dura exigência da arte, a excitação do Belo, exemplo de querer o máximo, os desempenhos ultraprofissionais do coro. Sempre me disseram ter eu próprio uma afinação perfeita, uma voz balsâmica; amei desde muito cedo o canto coral, muito cedo saboreei Orff, sensacional música sensualizada, a tradição medieval reconstituída, o canto gregoriano, o melhor da música sacra, Bach, Mozart, Schumann, tudo.
Hoje, na minha praia, diante das ondas que cavalgam até à areia afagando grandes pedras, miro as férvidas águas e o sol que nelas rebrilha, ouvindo por vezes até às lágrimas quanto a Antena 2 me dá a escutar e substancia, com o que vejo, o imprevisto poema absoluto do momento, sentido completo do meu mais fundo.
















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