Portugal garante vitória no Euro 2012

A selecção portuguesa já garantiu o primeiro lugar como a mais gastadora em alojamento no Euro 2012. Num muito honroso último lugar, está a Espanha, campeã da Europa e do Mundo. Assim, Portugal, o país cujos cidadãos são castigados por terem vivido acima das suas possibilidades, vai desembolsar 33 mil euros por dia; a Espanha vai gastar 4700 euros.

Até já imagino Cristiano Ronaldo a mandar a Casillas uma fotografia do quarto e a perguntar se não tem inveja de um homem tão bonito e tão rico. Face aos congelamentos salariais e aos cortes dos subsídios de que sou alvo por ter cometido o crime de ter levado o país à ruína devido a ter ido jantar fora de vez em quando e por ter tido o descaramento de ir passar férias a casa de familiares, comprometo-me, desde já, a não assistir a nenhum jogo de uma selecção que pode representar muita coisa, mas não representa, de certeza, um país em que os cidadãos são obrigados a viver abaixo das suas possibilidades e muitos abaixo das suas necessidades.

Podem estar certos de que estão errados

Por SANTANA CASTILHO*

O ministro da Educação referiu a revisão da estrutura curricular que concebeu como um primeiro passo de alterações mais profundas, que ainda irão ser estudadas. Quando fixou horas de leccionação antes de estabelecer metas e programas, errou. Agiu como um curioso. Mas a este erro técnico, grave, acrescenta-se um erro político de base, bem maior: Passos Coelho teve um discurso e um programa para a Educação até pouco tempo antes das eleições.
Era um todo coerente, servido por uma política que acomodava as imposições financeiras da troika, a breve prazo, sem sacrificar uma via de desenvolvimento estratégico, a médio e longo. Estava alicerçado em estudos sólidos e fundamentados, financeiros e pedagógicos, e tinha uma visão política de profunda mudança estrutural.
Mentindo aos professores e mentindo ao país, Passos Coelho abandonou esse programa e assumiu a Educação como mero adereço do xadrez contabilístico em que se move. A montante das intervenções casuísticas que têm sido feitas, os verdadeiros problemas jazem na paz dos anestesiados.
Vejamos um exemplo. Sabemos que, até agora, cerca de metade dos alunos que terminam o 9º ano se “perdem” pelo caminho e não concluem o 12º. Mas este ano vão chegar ao ensino secundário os primeiros a quem se aplica a escolaridade obrigatória de 12 anos. Significa isso que duplicará o número daqueles que se vão “arrastar”, algures, entre o 10º, 11º e 12º anos.
Será um desastre nacional manter coercivamente no sistema quem não quer estudar mais. [Read more…]

Os maquinistas, esses nababos

Tem vindo a ser desenvolvida uma campanha na comunicação social e através de intervenções de responsáveis políticos, que retrata os maquinistas e os funcionários das empresas de transportes como gente extremamente bem paga, beneficiários de regalias inusitadas e injustas quando comparados com o resto da população. De forma indirecta sugere-se que a situação de falência técnica actual da empresa se deve a estas enormes regalias dadas aos trabalhadores em geral e ao maquinistas em particular. É óbvio que esta é uma não questão que além de mesquinha, é odiosa.

 
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Pérolas em Portugal

Cientistas encontraram pérolas (Crassostrea) em ostras de àguas algarvias. Fenómeno raro nesta espécie e algo que não se via há dez anos.


O que é interessante é que a pérola é produzida como resultado de uma reação defensiva do hospedeiro a corpos estranhos, tais como parasitas ou partículas inertes. O corpo estranho é coberto por várias camadas…
Vejo nesta notícia uma bela metáfora para este tempo: um tempo que nos dizem ser pouco precioso e sem boas notícias…

Gostava de ser como a ostra…

Rapper NTS Recarga – quando os assassinos estão do lado errado

«E nesta curta passagem
Sigo com uma só certeza
Tu tens a tua
Eu tenho a minha
A liberdade…
Ninguém te pode tirar.»

 
O Rapper NTS Recarga, de Santa Maria da Feira, é a última vítima da impunidade policial em Portugal. Menos de um ano depois do assassinato de MC Snake, temos mais um caso em que um elemento da GNR dispara à queima-roupa contra um veículo que simplesmente deu meia volta quando viu uma operação STOP.
E prevendo os comentários dos costumeiros arautos da moralidade, não parar numa operação STOP é errado e ilegal (era «reveillon», talvez o condutor tivesse bebido um copo a mais, não sei), mas a resposta não é matar. A resposta não é sequer disparar. O procedimento correcto é recolher de imediato as características do veículo, a matrícula e enviar a informação à central que depois emite às restantes patrulhas, de modo a que o suspeito em fuga possa ser interceptado noutro local ou para que o caso passe para as brigadas de investigação criminal.
Sabendo o que fez, a GNR tentou encobrir o crime, tratando o caso como um acidente de viação e dizendo, à família, que o guarda escorregou e disparou acidentalmente. Não fosse o médico de serviço chamar a PJ e nunca esta teria descoberto a bala na cadeira do automóvel.
Aos costumeiros arautos da moralidade, direi ainda que não estamos a falar apenas de um rapper. Não é só o NTS Recarga. É o Fábio. É um puto de 21 anos que tomba desta forma às mãos de quem é pago para nos proteger. E o Fábio, que nem sequer era o condutor do carro, não era um perigo para quem quer que fosse.

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A Beleza

adão cruz

A mais bonita de todas a mais bonita da festa a mais bela do mundo.

Uma estrela que caiu lá de cima e rolou por ali abaixo percorrendo as ruas da cidade a luzir e a cantar de uma forma quase imaterial quase sonhada quase santificada.

Há muito que a beleza me não enchia de tanta poesia há muito que os olhos se não molhavam desta forma há muito que eu não sabia dizer coisas assim com tanta verdade.

Os rios correm para o mar mas tu és um rio que nasce no mar e avanças sobre mim afogando-me nas tuas ondas.

Parecendo às vezes um lago tranquilo de um qualquer paraíso entras em mim como um tornado revolves tudo até ao fim de mim mesmo e quando a tua força acalma restituis-me sob a forma de um verso ou de um beijo a minha própria identidade nua e crua. [Read more…]

Blogs do ano 2011: regulamento e inscrições

Está publicado o Regulamento, que se espera seja claro, e abertas as inscrições e propostas. Veja e participe aqui.

Hoje dá na net: Led Zeppelin – Physical Graffiti

Um documentário sobre o album das janelinhas, Physical Graffiti dos Led Zeppelin, por acaso o meu favorito, não sendo o melhor, que é outra coisa, e é mesmo  capaz de ser o II.

Filme completo, sem legendas

A desgraça para o vinho do Porto

Como ao Ricardo, também a questão da paisagem me preocupa. Mas preocupa-me ainda mais o impacto que esta barragem terá na produção de vinho do Porto. Basta ver o que aconteceu com a Barragem da Aguieira para se perceber que o micro-clima do Douro será drasticamente alterado, tendo os nevoeiros frequentes e densos passado a fazer parte do dia-a-dia daquela região.

Elevada humidade favorece a incidência de doenças fúngicas, em particular o míldio [daqui]. A severidade da doença apresenta alta correlação positiva com o número de horas diárias de molhamento foliar e com a humidade relativa do ar maior que 90% [daqui].  O desenvolvimento da doença é favorecido pelas chuvas na primavera e pela formação de um micro-clima húmido junto à videira: terrenos impermeáveis, solos húmidos e muito férteis, plantações densas, nevoeiros até tarde, orvalhos muito fortes, etc. [do próprio Ministério da Agricultura, que, afinal, também sabe das consequências]

Há um bem precioso e único no mundo, e que constitui a forma de vida de muita gente, que está em risco para que uma barragem seja feita. Obrigado EDP pelo egoísmo-negócio. Obrigado PS pela propaganda-negócio. Obrigado PSD pela cobardia-negócio.

Obrigado, sincero, aos que procuram que esta calamidade não avance. Que, por uma vez, seja feita a vontade dos cidadãos em vez da vontade de alguns cidadãos.

Obrigado, Sócrates…

…por ter transformado um problema privado num problema público, tudo feito em tempo recorde e sem se pensar nas consequências. Há governantes que, decidamente, deviam pagar pelos erros cometidos. Errar é humano e todos erramos mas isto não foi erro. Foi agir sem reflexão – com que intuito? – no país campeão de estudos e mais estudos milionários para tudo e mais alguma coisa. Não se podia ter gasto um milhão num estudo para decidir se se nacionalizava o BPN? Ainda teríamos ficado a ganhar – e muito.

Curioso é ver socialistas, como Ana Gomes, bramar contra o orçamento de estado dizendo que é inconstitucional por causa da questão dos subsídios de Natal e de férias, quando uma boa parte deste imposto injusto e discriminatório servirá, precisamente, para cobrir erros crassos de governação como o foi a nacionalização do BPN.

Nada de grave, parece. Apesar dessa conduta governativa, ainda ganharam a segunda eleição. Choram? Aguentem-se!

Ano novo, blog novo:

E se de repente lhe oferecerem um Ouriço, isso é….um novo blog nacional que promete.

Ainda o sabe bem pagar tão pouco, agora explicado à direita dita liberal

Alexandre Soares dos Santos, que ocupa o 512.º posto da lista da Forbes, em 2011, com uma fortuna de 1,65 mil milhões de euros, declarou 1,2 milhões de euros, em 2010, dos quais 520 mil foram pagos às Finanças. Em 2009, a sua fortuna era de 1,015 mil milhões de euros, ou seja, em 2010, o patrão do Grupo Jerónimo Martins enriqueceu mais 635 milhões de euros. O seu vencimento líquido de 2010 (680 mil euros) corresponde a cerca de 0,1% do enriquecimento que teve nesse mesmo ano.

Simples, [os holandeses] têm elevados impostos sobre os rendimentos, altamente progressivos, e baixos impostos sobre os capitais. O que Soares dos Santos vai fazer é pagar os impostos onde eles são mais baixos. O IRS aqui, no Marrocos de cima, e o IRC lá, na terra da justiça fiscal.

Pedro Lains

“Indiscretamente” esmaltando o PSD

De um espectador rebolar-se de gozo, esta conferência de imprensa nervosamente dada pelo PSD. De seu nome Helena, uma deputada procurava interromper os jornalistas mais atrevidos que colocassem qualquer questão embaraçosa aos seus caracóis cerebrais.

O discurso “arre burra!”, não passou. Foi ora esfarrapada, turva, uma bombinha de mau cheiro de antecipado Entrudo. Ali há mesmo um gato escondido com o rabo de fora, disso não se duvida nem por um milésimo de segundo. Inquirido o Sr. Montenegro acerca da sua pertença à “entidade discreta”, este nervosamente contestou com a óbvia garantia de “jamais as suas acções poderem alguma vez ser contrárias ao interesse nacional”. Enfim, isto não passa de uma finta que deixa tudo na mesma, até porque o tal “interesse nacional” é para os hoje cada vez menos “discretos”, o interesse da própria “discreta”. Não passou de uma desculpa decrépita de uns quase 150 anos, que será prontamente corroborada pelo confisca-cassetes Ricardo Carvalho do PS.

 É  verdade, os prestamistas do poder julgam-se de tal forma “invisíveis” que confirmam todos os dias, aquilo que há umas semanas dissemos: voltaram a 1909, quando a coisa verde-rubra – naquela época na ordem de mastro invertida – queria dizer “pertença à coisa”. Relvas, Carlos A. Amorim, ou Montenegro – estranhamos a candura de PPC  que talvez ainda no tenha (?) percebido o truque -, já andam todos de esmaltezinho à lapela. Tenham os nossos leitores atenção aos debates parlamentares, aos ministros e aos noticiários televisivos. Claro que as excelências poderão alegar uma versão patrioteira daquilo que os americanos fazem, mas hoje em dia, simplesmente já nem sequer convencem a mula da cooperativa. Melhor fariam em patrioticamente frequentarem os concertos de Toni Carreira, os futebóis, as leitarias da Duque de Loulé, as feiras de verão e outros nacionais passatempos.

O relatório da Estrutura de Missão do Douro sobre a Barragem do Tua

Projecção do impacto de uma das linhas de alta tensão sobre o Alto Douro Vinhateiro após a construção da Barragem

Em 2009, a Estrutura de Missão do Douro fez um relatório sobre a Barragem de Foz Tua, assinado por Ricardo Magalhães, Chefe de Projecto da Missão do Douro.

E se o relatório do ICOMOS / UNESCO escondido pelo Governo é arrasador no que toca aos efeitos da construção da Barragem na paisagem duriense, o presente relatório não o é menos. Espantoso, sobretudo porque assinado por alguém que tem vindo a defender continuamente a construção do empreendimento.

Atente-se apenas nas seguintes frases do relatório:

«Questões críticas que não se podem escamotear: A hipótese de vir a ser criada uma toalha de água (mais ou menos interessante, consoante a cota de pleno armazenamento) que não seja suficientemente diferenciadora. (…) Não se diferenciará do Azibo, do Alto Rabagão, do Douro e, portanto, dificilmente se poderá constituir numa clara vantagem competitiva decisiva para a região.»

<em>«A singularidade paisagística de uma parte do Vale que o torna, em termos de recurso turístico, um atractivo de excepção e, portanto, uma mais-valia, decorrente da associação do vale encaixado com a presença marcante do comboio e a possibilidade do mesmo fruir. O vale, sem o comboio, constitui um valor natural efectivo, em termos de sustentabilidade mas não tem uma valia intrínseca específica, uma vez que não é acessível.»

«A eliminação da ligação ferroviária diminuirá, à partida, a atractividade e a possibilidade de exploração turística do corredor do Tua, em particular, de Mirandela, na medida em que desaparecerá a oferta de um produto turístico – o passeio à Foz do Tua.» [Read more…]

Dívidas

Quer Poupar?

Pergunte-lhe Como.

Quer-se Tratar?

Pergunte-lhe Como.

Carta do Canadá: Desgosto e vergonha

Nos últimos tempos tem a comunicação social abordado largamente a Emigração. O primeiro ministro, com uma impressionante expressão de dureza e insensibilidade, aconselhou os professores sem trabalho a emigrarem, de preferência para o Brasil e Angola. Este aviso foi entendido por todos os desempregados, professores ou não. Logo de seguida, o ministro Relvas, com a expressão escarninha que lhe é habitual, reforçou a tirada de Coelho com a afirmação de o estado português ter grande orgulho nos emigrantes. Seguiu-se uma cascata de comentários de apoio por parte de senhoritos a quem a Pátria sustenta sem contrapartida de obra feita ou bom serviço e,o que é pior, de alguns sujeitos que são mais católicos do que cristãos, uns “católicos profissionais”, isto é, sujeitos que se dão ares de primos direitos de Nosso Senhor, tu cá, tu lá, detentores da verdade e do nariz empinado, e que, vá-se lá saber porquê, com o seu palavreado e presença afastam os fiéis da Igreja que os protege e promove. Compaixão, nenhuma. Solidariedade, viste-la. Falta de educação, evidente. É uma direita que do Pai Nosso só reza o “venha a nós”. Como seria de esperar, alguns jornalistas de espinha direita, que ainda os há, e um grande número de pessoas de antes quebrar do que torcer que anda na blogosfera, desancou a ideia e os arautos da mesma, e foi o momento de todos ficarmos a saber a trajectória de vida dos que, verbalmente por agora, dão pontapés aos desempregados a ver se eles desaparecem depressa. Que vidas edificantes! Que exemplos de trabalho! [Read more…]

Quer Emigrar?

Pergunte-lhe Como.

Quer Emagrecer?

Pergunte-lhe como.

Cromo do Ano: uma escolha impossível

Por ingenuidade, bem sei, ainda me passou pela cabeça a escolha do(s) cromo(s) do ano de 2011. Tarefa impossível.

Onde estava eu com a cabeça quando imaginei hierarquizar o lugar de cromo entre José Sócrates – o homem que cantava vitórias a cada passo para o precipício – e Passos Coelho – o troikista mais aguerrido da troika e rival do ex-primeiro ministro a dar o dito por desdito? E onde andaria o meu tremelicante pensamento ao supor que Paulo Macedo, actual ministro da saúde, poderia ser mais cromo do que o outro inefável Paulo, o Campos – aquele que já me fez perder horas em filas nos correios, dias seguidos, tentando pagar ex-scuts através de um sistema especialmente urdido para fazer de nós idiotas? E escolher entre Duarte Lima, Armando Vara, Dias Loureiro, Oliveira e Costa e o sucateiro de Ovar? Pode-se?

Enfim, a qualidade dos cromos é de tal ordem – e podia continuar a dar exemplos – que eu, ao pensar que podia escolher apenas um para Cromo do Ano, me pus estupidamente na posição de cromo. Por esse facto, e se estes cromos não fossem impossíveis de bater, o cromo do ano quase merecia ter um destinatário: eu próprio, claro – mas empatadinho aos pontos com quem votou e apoiou esta cromaria toda para a nossa caderneta nacional.

A corrupção no país vizinho e nós, não temos?

Esta imagem foi retirada de NoLesVotes, uma página muito simples, onde de forma dinâmica se vão marcando num mapa casos de corrupção e afins. Excelente iniciativa, denunciando um sistema de alternância perpétua dos mesmos no poder. Escolhi este bocadinho porque tem um imenso espaço vazio, o nosso, e talvez não fosse má ideia fazer o mesmo trabalho aplicado a Portugal. Casos não nos faltam, era só uma dúzia de amigos aparecerem na caixa de comentários deste artigo com vontade de colaborar, referindo casos por localidade se possível com link para uma notícia de jornal e já agora evitando que Lisboa ficasse com as bandeiras todas, o que nem é justo nem é verdade. Vamos a isso?

Esta “piolheira” de nome Portugal

Eça dizia que Portugal era “um sítio”, ligeiramente diferente da Lapónia que nem sítio era. O rei D. Carlos achava Portugal “uma piolheira”, “um país de bananas governado por sacanas”. Alexandre O’Neill referia-se-lhe como “três sílabas de plástico, que era mais barato”, “um país engravatado todo o ano / e a assoar-se na gravata por engano.” Um sítio, uma piolheira, três sílabas de plástico – a síntese perfeita do esplendor da pátria. “No sumapau seboso da terceira / contigo viajei, ó país por lavar / aturei-te o arroto, o pivete, a coceira / a conversa pancrácia e o jeito alvar” (O’Neill). Arroto, pivete, coceira, conversa pancrácia, jeito alvar. Assim continua a ser Portugal. Um país de juízes confessadamente incompetente. Exemplos? O processo dos CTT que envolve o ex-presidente Carlos Horta e Costa – um juiz de Lisboa declarou-se incompetente para o julgar e remeteu-o para Coimbra onde uma juíza se declarou igualmente incompetente! O processo TagusPark, nascido de uma certidão extraída do Face Oculta – um juiz da 8ª Vara Criminal de Lisboa declarou-se incompetente e vai mandar o processo para Aveiro onde, é suposto, se revele publicamente a auto-incompetência de qualquer outro “meritíssimo”, passe a ironia que o adjectivo explicita. Ainda em Lisboa, dois juízes de diferentes varas declararam-se incompetentes para apreciar o processo contra três administradores da empresa gestora dos bairros sociais, a Gebalis! O julgamento do processo-crime do BCP foi adiado sine die, provavelmente à espera de um juiz que, finalmente, se possa considerar competente. [Read more…]

A opinião de Francisco José Viegas sobre a linha do Tua

O Aventar tem falado sobre a Linha do Tua, o Douro, as barragens e a forma como tem sido tratado o dito património da humanidade e o seu VEU (Valor Excepcional Universal). Eu também podia recordar aqui a única viagem de comboio que fiz por esse paraíso ameaçado, mas não o faço – e logo por duas razões. A primeira, acabei de a dizer: fiz apenas uma viagem. A segunda, muito mais importante, porque não o faria tão bem como Francisco José Viegas – que tanto e tão comovidamente por lá viajou – o fez em Maio de 2010, na revista LER, quando ainda não era Secretário de Estado da Cultura.

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Internet censurada em Espanha, a partir de Março

Não será bem como sugiro no título, o apagar das liberdades não se faz de um momento para o outro, mas a Lei Sinde que entra em vigor em Espanha em Março, é um passo nessa direcção (pode ler também o apontamento do Público). É também um passo completamente inútil para estancar o download de conteúdos protegidos com direito de cópia.

Poder-se-á, por outro lado, revelar muito mais eficiente para travar e atenuar fenómenos como este:

 
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Hoje dá na net: Torrente, el brazo tonto de la ley

Torrente, el brazo tonto de la ley – Torrente é um polícia sebento, fascista, xenófobo e alcoólico, a fazer lembrar outras personagens, noutros casos! Acompanhe-o enquanto ele patrulha Madrid. Página IMDB. Em espanhol, sem legendas.

Tagline: Ahora que pensabas que el cine español empezaba a mejorar…

Pingo Doce: pague aqui, eles pagam os (poucos) impostos lá

A Jerónimo Martins, dona dos supermercados Pingo Doce, anunciou hoje que a sociedade Francisco Manuel dos Santos vendeu a totalidade do capital que detinha no grupo à sua subsidiária na Holanda, mas mantém os direitos de voto.

Não se podia taxar os ricos porque eles fugiam, mas eles fogem na mesma. São estes os responsáveis pela crise. São estes os que mandam trabalhar os outros mas se piram com a massa. Esta é a gordura, é esta que temos de cortar. Uma Europa com sistemas fiscais diferentes não existe, é pura fraude.

E não se esqueça de continuar a comprar no Pingo Doce. Vá lá.

Desta vez o relógio de Jesus estava acertado

 Uma das propostas que têm em cima da mesa é que estrangeiros só internacionais, mas Portugal não tem capacidade financeira para os contratar. O campeonato em Portugal é competitivo porque somos formadores de jogadores, de portugueses e de estrangeiros. Quando falam de restringir estrangeiros têm de saber o que estão a dizer

disse, e muito bem. Na indústria futebolística somos dos melhores do mundo a treinar e formar jogadores. Internacionais são caros e logo dão menos lucro quando se exportam, defender o jogador português é outra conversa.

Por acaso gostava de saber como anda o balanço do import-export financeiro ligado ao negócio da bola, desconfio que é das poucas coisas que tem dado lucro. Quem ficou sem mar, terra e indústria, que se dedique ao que sobra, e onde é muito competitivo e está bem organizado.

China: o império “comunista”-financeiro

Wukan_protests_jpg_470x433_q85O António Mexia, à semelhança de outros do género, vive bem e satisfeito. Com origens genético-familiares em figuras do Estado Novo, sempre revelou superiores dotes na arte de aceder, evoluir e dominar instituições e empresas que o Estado e associados lhe confiaram – do ICEP à EDP.

Anteontem com Santana Lopes, ontem com Sócrates, hoje com Passos Coelho, provavelmente amanhã com os chineses, lá vai  navegando e bem à bolina nas nossas castigadas costas. Da outra parte, nós, consumidores, lá vamos perdendo e bem com despesas crescentes de gás e eletricidade –  A EDP, segundo dados aqui divulgados, registava no 3.º trimestre de 2011 passivos não correntes de 21,974 mil milhões de euros; ou seja, 14% da dívida pública externa. Como se sabe, o valor não é considerado para cálculo da dívida pública. E, portanto, Mexia mexe, e de que maneira!, com os nossos bolsos. A ERSE também ajuda à romaria.

Entretanto, ao arrepio dos interesses estratégicos nacionais, a participação restante do Estado Português na EDP (21,35% do capital) foi adquirida pela gigantesca chinesa ‘Three Gorges’ – na China, sob a oligarquia do PC local tudo é gigante e esmagador. O homem das três gargantas, Cao Guangjing, saberá aproveitar-se de Mexia e, mais grave ainda, das vantagens estratégicas dos planos portugueses para desenvolvimento de energias ‘limpas e renováveis’, na Europa, América e Brasil.

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2012 A caminho de um país racional

Desde pelo menos 1974 que não houve ano em que não tivéssemos tido défice no orçamento do estado. E o mesmo seria a nível da da dívida não fossem as privatizações.

Ao mesmo tempo tornamos-nos um dos países com o maior número de proprietários (se é que podemos considerar proprietário quem fica a pagar uma casa até aos setenta anos).

Também conseguimos ser um dos países com mais quilómetros de auto-estradas e o estado sempre gostou de pagar mais aos seus funcionários (ou não) do que os privados conseguiam (ou queriam) aos seus.
Temos um sistema de saúde interessante (ou não) e gastamos na educação mais ou menos o mesmo que os outros países da europa.

Enfim chegamos a um ponto onde não há capacidade de inventar dinheiro como foi para as scuts, barragens ou parques escolares.

Não adianta (e não, não é resignação) dizer que não pode ser, que assim não vamos lá (sem apresentar alternativas)… é óbvio que vivemos muitos anos acima das possibilidades, basta comparar o nossos hábitos (pagar casa, andar de carro, jantar fora, etc.) com o salário médio português que não chega a 900€.

Só nos resta uma alternativa, liderar quem sabe liderar, inovar quem sabe inovar, replicar quem sabe replicar, trabalhar quem puder trabalhar.
Claro que ajuda se ao mesmo tempo que aparecem estas medidas, acabem com as poucas vergonhices como negociatas das scuts, barragens, e outras que estouraram o nosso (dos cidadãos que pagam impostos) dinheiro.

Talvez assim consigamos caminhar para um país racional que vive, com ambição, de acordo com as suas possibilidades.